Notas iniciais
Leiam e se apaixonem.
Personagens sem nome.

A noite gelada a estava atormentando. Não era bem esse o clima esperado, mas ela podia conviver com isso.

Três horas. Era tudo o que ela precisava. Com uma arma destravada na mão, ela olhou novamente o alvo.

Três horas e nada mais.

Esperou pacientemente. Paciência era uma proeza que ela tinha de sobra. Os anos haviam a ensinado a esperar. E isso era uma boa coisa. Com olhos treinados, ela analisou novamente a rua movimentada.

Um movimento estranho a alertou. Estava perto e ela sentia isso. Hesitou e engatilhou a arma. Mais um movimento e ela estremeceu. Como aquilo parecia errado! Mas ela sabia que deveria fazer. Razão era o que não faltava.

Sua respiração estava ofegante, suas mãos estavam frias e suadas, porém ela não tinha medo. Estava confiante. Fazia isso há anos. Não iria deixar uma simples insegurança atrapalhar seu trabalho.

Olhou o alvo já pela terceira vez. Seu coração bateu irregularmente. Tentou manter a calma e respirou fundo.

Ajeitou a arma em suas mãos, calculou a distância e se preparou. Isso teria que ser feito, quer sua insegurança queira ou não.

Seu dedo já estava no gatilho, quando uma coisa a parou: olhos. Olhos chocolate a encararam. Ela gelou. Suas pernas tremeram. Seu estômago se retorceu.

De imediato ela se jogou para trás. Não poderia nem em sonho ser vista. Não poraquelapessoa. Nãonaqueledia. E muito menosnaquelasituação.

Esbravejou consigo mesma. Com o coração na mão ela viu a razão indo embora. Tentou ouvir os últimos suspiros da quase morta razão, mas o coração batia tão rápido e egoísta que era quase impossível pensar.

Ela bufou e sacudiu a cabeça, resmungando baixinho. Olhou sorrateiramente o local do alvo. E se surpreendeu: Não estava mais ali. Era um alvo perdido.

Prendeu a respiração. Sabia que agora ela estava perdida. Tentou se concentrar, em vão. Seus batimentos cardíacos aumentaram e ela sentiu o tempo passar como uma tartaruga.

- Procurando por mim? — Uma voz suave falou e ela se levantou com a arma apontada. E para completar sua surpresa, não era a única armada.

- O que... — Ela começou.

- Sim, eu sei.

Silêncio.

Eles se encararam durante alguns minutos. O silêncio era perturbador. Ela sabia que apesar de tudo, nesse trabalho, uma distração seria sua morte e apesar de tremer e, saber que não seria capaz de atirar, não poderia abaixar a arma.

Apesar de qualquer sentimento era ela ou ele. Nem dois, nem nenhum. Era um ou outro. Vida ou morte.

Ela piscou e suspirou. Os olhos dele eram como duas facas, afiadas e prontas para atacar. Sem emoção.

Mas lá no fundo, bem lá no fundo, havia batimentos tão acelerados quanto os dela, tão angustiados. Ele sentia o mesmo. E lamentava por não poder contar.

A mão dela começou a abaixar. Ela começou a desistir. Suspirou e o encarou mais uma vez com os olhos bem abertos. Seria sua última lembrança. Aquela lembrança perfeita. Pelo menos para ela.

- Me desculpe – ele disse percebendo a desistência dela. E com mãos tremulas e um silenciador, mal se ouviu o tiro naquela escuridão.

Um baque de um corpo caindo no chão, lágrimas mudas e ácidas escorrendo por rostos e o frio atormentador que começava a piorar.

Saindo do beco silenciosamente e mais ferido do que o corpo caído que um dia fizera parte de sua vida, ele examinou a lua gelada que com seus dedos frios reconfortava sua consciência. Mas era totalmente inútil. Nada o fazia se sentir melhor.

Num ato impensado e profissional olhou seu relógio de pulso.

Suas três horas haviam acabado.

Notas finais
E ai, o que acharam?
Espero que tenham gostado!
PS: Pra quem não entendeu (ou seja, metade da minha sala quando eu fui apresentar Q) eles são assassinos de aluguel, ok?
Ok.
Até mais o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!