Três Anos

5 Velhos tempos


Notas iniciais
Esse capítulo fala sobre acontecimentos da saga Surge Uma Estrela (edições 18 e 19) e O Show Deve Continuar (edição 36) Boa leitura!

O bar era dividido entre um grande espaço cheio de mesas e uma área com um pequeno palco e uma pista de dança. Era um lugar animado e uma banda tocava uma série de covers de músicas conhecidas de rock e mpb. A turma praticamente toda já estava no local, contando as novidades.

De início fora bem estranho estarem juntos depois de tanto tempo. Marina ficara em dúvida se deveria cumprimentar o ex namorado com um abraço ou um aperto de mãos, o que resultara em vários segundos em que todos passaram os olhando constrangedoramente. Depois disso ela se sentara o mais longe possível dele e procurara parecer o mais entretida possível com as amigas.

Aninha, por sua vez, já enterrara seu antigo relacionamento no passado há um bom tempo e cumprimentara Titi com uma normalidade de dar inveja. Mônica tentara ser tão natural como ela ao falar com Do Contra, mas falhara miseravelmente. Xaveco apenas rira e tentara contornar a situação chamando o amigo para bater um papo.

Magali chegara um pouco amuada por conta da ausência do namorado, mas todos estavam fazendo de tudo para animá-la. Nimbus (e todos os meninos, na verdade) tivera que disfarçar o rubor na face ao ver Carmem chegando, porque apesar de não sentir nada por ela, era impossível negar que ela estava mais bonita a cada dia.

Porém, fora esses pequenos contratempos, a turma logo conseguiu manter um ritmo de conversa agradável. Conversaram um pouco sobre assuntos banais, como suas faculdades, empregos e as responsabilidades da vida adulta em geral. Mas foi somente quando começaram a relembrar histórias de colégio que o assunto realmente animou. Depois de algumas piadas e rodadas de diferentes bebidas, era como se não tivessem passado tempo nenhum distantes.

— Agora, pra fechar a noite, um hit das Stars Stars que com certeza fez parte da adolescência de muita gente aqui! – a vocalista da banda anunciou, fazendo a turma delirar de nostalgia. Magali e Mônica relembraram constrangidas aquela fase de suas vidas e riram exageradamente junto com Cebola, sabendo a letra inteira de cor. Do Contra não acompanhou quando boa parte do grupo se levantou para ir à pista de dança cantar, porque não era fã da banda na época. Xaveco girou os olhos para o amigo, antes de dizer que ele era um “maldito hipster chato” e ir junto com a namorada para o meio da galera. O roqueiro riu, porque para ele aquilo era apenas verdade.

— Sabem o que eu lembrei agora? – Marina gritou assim que os integrantes da banda terminaram de se despedir – De quando vocês tocaram no meu aniversário! – riu animada.

— Opa, queremos show particular! – Nimbus entrou na onda – Aposto que se a gente pedir com jeitinho os caras ali deixam vocês darem uma palinha.

— Não! – protestou Magali, envergonhada – O Cas não tá aqui e nem tem um teclado!

— Você sabe baixo, não sabe? – Ana perguntou – Vão lá! Eu gravo um vídeo pra você mandar pro Cascão! – deu uma piscadela.

— Eu pilho! – Cebola gritou – Nossa, que saudade de um palco!

— Depois eu que gosto de aparecer... – brincou Xaveco.

— Gente, não! Vocês estão doidos? – Magali protestou – Mônica, põe um pouco de juízo na cabeça desse povo!

— Ah miga... Seria divertido, né... – a dentucinha sorriu amarelo, porque por mais que não quisesse constranger a amiga, adorara a ideia.

— Do Contra, to contando com você pra me ajudar nessa! – Magali pediu, fazendo beicinho.

— Detesto ter que concordar com todo mundo, mas... – deu um meio sorriso – Pelos velhos tempos?

— Tá, tá! Nossa, como vocês são chatos! – a menina riu – Aposto que não vão deixar a gente tocar mesmo...

— Gatinha, enquanto vocês discutiam eu até já falei com a menina da banda ali. – Denise deu de ombros, apontando para o palco, onde a vocalista os olhava com um sorriso no rosto.

Magali suspirou, dando-se por vencida. Ela realmente tocara baixo algumas vezes, mas fazia muito tempo e... Bom, a vergonha era maior. Mas a turma estava tão animada e só pelo jeito que tentaram convencê-la, ela sabia que eles faziam questão de que ela estivesse lá para compartilhar aquele momento. Então aceitou se arriscar.

Rapidamente ela, Mônica, Cebola e Do Contra subiram ao palco, cumprimentaram o pessoal que tocava antes e pegaram os instrumentos. As pessoas ao redor do bar os encaravam, sem entender o que estava acontecendo. Sem ao menos precisarem conversar muito, eles souberam que música deveriam tocar.

— Atenção pessoal! – Mônica tomou posse do microfone e chamou a plateia – Nós somos uma banda do Limoeiro que não se reúne há muito tempo e hoje resolveu fazer uma reunião exclusivamente pra vocês! – riu – Se ninguém se lembrar dessa música isso aqui vai ser bem vergonhoso, então sejam caridosos e finjam que estão curtindo! – completou, arrancando risadas de boa parte do público.

Os quatro se entreolharam, tentando passar confiança uns aos outros. Lá em baixo vários dos amigos tinham os celulares a postos para captar aquela cena. Depois de alguns segundos de nervosismo, Do Contra iniciou a contagem com as baquetas e todos começaram a tocar.

Não precisaram de muito tempo para que uma grande parcela das pessoas reconhecesse a canção. Magali riu, surpresa com a reação positiva. Até hoje ela custava acreditar que uma música tão ruim (e pior, que ela mesma havia escrito) fizera tão sucesso.

Lógico que o hit “Sexta-Feira” fora passageiro e a banda deles logo voltara ao anonimato, mas aquelas poucas semanas de sucesso foram ao mesmo tempo assustadoras e incríveis. Agora, distantes daquela época, eles podiam aproveitar somente a parte divertida. As pessoas cantavam, entoando o refrão repetitivo a plenos pulmões.

Mônica dançava animadamente, fazendo charminho para o namorado, que mandou beijinhos para ela e retribuiu os sorrisos. Até Do Contra se descontraíra mais, apesar de continuar com a cara fechada que fazia sempre que estava o instrumento. Finalmente a comilona entendeu porque insistiram tanto para que ela fizesse aquilo. A sensação do palco, da plateia e principalmente dos amigos em sintonia era uma coisa da qual ela sentia muita falta. A única coisa que ainda faltava para que fosse a memória perfeita, era a presença de Cascão.

A música terminou e todos sorriram enquanto a plateia e até alguns funcionários gritaram e assobiaram em aprovação, enquanto os quatro se juntaram na frente do palco e fizeram uma rápida mesura.

— Então pessoal, que bom que a música foi tão chiclete que grudou na cabeça de vocês até hoje! – começou Cebola – A gente queria agradecer nosso roadie da época, o Xaveco, porque ele é um cara muito firmeza! – completou, puxando o loiro para cima do palco e provocando uma nova leva de gritos na galera. O ex roadie também fez uma mesura e em seguida os cinco se despediram e voltaram à mesa onde estavam anteriormente.

— Cara, que reencontro épico! – comentou Franja, assim que conseguiu chegar perto da turma.

— Ainda bem que gravei tudo pro insta! – Denise mostrou o celular – Vamos matar o Cascão de inveja!

A conversa não durou muito tempo, pois logo várias pessoas vieram conversar com eles para saber se eram realmente os autores da música e coisas assim. Depois de um tempo Magali conseguiu escapar, dando a desculpa de que precisava tomar um ar.

A brisa fresca da noite agitou levemente seus cabelos assim que ela cruzou a porta. Por um instante ela permitiu que uma sensação de pura felicidade a inundasse. Ainda que estivesse muito feliz com os rumos atuais de sua vida, se conectar com aquele bairro e aquelas pessoas era o que a fazia se sentir em casa.

Pegou o celular no bolso e discou o número de Cássio, com esperança de que pudesse compartilhar pelo menos um pouco daquela felicidade com ele. Deixou chamar até cair na caixa de mensagens, como havia feito várias vezes durante o dia. Em seguida procurou por mensagens dele mas não havia nenhuma. As últimas que ela mandara não haviam sido visualizadas, embora o aplicativo registrasse que ele estivera online algumas vezes depois de recebe-las.

Se perguntou quando foi que as coisas ficaram tão esquisitas entre ela e Cascão. Com certeza estava feliz pela conquista dele. Sabia que agora ele teria muito mais oportunidades e consequentemente responsabilidades, mas detestava ter que implorar por atenção, como se estivesse desesperada. Desde o começo os dois tiveram que lidar com a distância e a falta de tempo e isso nunca fora um problema maior. Então por que agora ele agia dessa forma?

Suspirou pesadamente, tentando segurar as lágrimas de pura raiva que teimavam em querer sair.

De repente ouviu um pigarro atrás de si. Respirou profundamente para se estabilizar e virou-se, dando de cara com Do Contra, que a olhava com uma expressão preocupada.

— Alguém pediu pra você vir aqui? – ela perguntou, aborrecida.

— Não. – ele respondeu, estranhando ela ter pensado naquela hipótese.

— Eu tô bem DC, pode voltar lá pra dentro.

— Você lembra daquela vez que a gente viu a Mônica e o Cebola juntos no parque e eu fingi que tava tudo de boa, mas mesmo assim você me levou pra comer aquele troço esquisito com gosto de terra que deixa o dente preto? – ele perguntou, com uma expressão tão séria que a fez querer rir. – Você disse que eu não precisava disfarçar contigo. Então, to aqui devolvendo o favor.

— Não acredito que você lembra disso. – ela riu, deixando algumas lágrimas escaparem. – Para de dizer que açaí tem gosto de terra! Eu sei que você gostou. – girou os olhos.

— Gostei. – ele abriu um meio sorriso. – Então, o que tá rolando com o Cascão? – ele perguntou, sem rodeios, porque nunca fora de fazer isso.

— Ah... – ela murmurou, pensando no que deveria dizer. – Ele... Tá sendo um idiota. Fica me dando desculpas pra não vir, não responde minhas mensagens, não atende o telefone... – enumerou, tristemente.

— Ele ganhou o campeonato nacional, né? – o roqueiro perguntou, embora já soubesse a resposta.

— Ganhou. Eu fico me sentindo uma idiota por ficar cobrando que ele venha pra esse fim de mundo, viva essa vidinha ridícula quando ele claramente tem muitas coisas mais legais lá fora. – ela confessou, finalmente botando para fora o que vinha sentindo nas últimas semanas.

— Eu acho que ele gosta dessa vidinha ridícula. – o garoto respondeu sinceramente – Talvez ele precise de um tempo pra se acostumar com as novidades.

— É... Eu sei! To tentando ao máximo me colocar no lugar dele, mas é que dói ser deixada pra trás! — esbravejou, a voz saindo bem mais alta do que planejara.

— Eu acho que você precisa por essa raiva pra fora. – ele sorriu tristemente – Tem uma coisa que um amigo do Nimbus me levou pra fazer quando terminei com a Mônica e surpreendentemente me ajudou pra caramba...

— O que?

— Já ouviu falar que trabalhar é a melhor forma de curar dor de cotovelo? – ela afirmou negativamente – Nem eu. Mas é, eu juro! – continuou, fazendo-a rir baixinho.

— Você vai me dar um emprego? – ela arqueou as sobrancelhas, confusa.

— Sim...? – respondeu, meio em tom de pergunta – E não ao mesmo tempo. Mas acho que vai te ajudar.

— Eu não sei se quero fazer nada, DC... – fez bico, emburrada.

— Vamos fazer assim, a gente volta lá pra dentro, tu faz esse esquema comigo e me promete que depois tu vai pelo menos tentar se resolver com o Cascão, beleza?

— Eu... – ela começou, desconfiada – Ok, prometo. – girou os olhos, limpando as lágrimas e a maquiagem que borrara levemente.

Aquele plano não fazia o menor sentido, mas era melhor do que ficar em casa se lamentando e se sentindo mal por tudo o que acontecera. Os últimos dias haviam sido recheados de preocupações que ela achou que nunca mais teria e era impossível não querer um momento de descontrair.

Mesmo que isso significasse entrar nos planos malucos daquele garoto.

Notas finais
APOSTO UM BEIJO QUE VOCÊ ME QUER WHOOA FAAAAAALA GALERINHA! Gente, tenho bastante coisa pra falar sobre esse capítulo! Hahaha Foi uma delícia de escrever. Tava com saudade de momentos mais descontraídos assim e, claro, de mostrar a turma reunida! É bom dar uma folguinha para as tretas. Em segundo lugar, as músicas: considerando que agora todo mundo tem lá seus 20-21 anos, eu penso que as músicas das Stars Stars (da saga Surge Uma estrela, edições 18 e 19) são tipo Rouge pra eles. E a “Sexta-Feira”, não sei se vocês lembram, aparece na edição O Show Deve Continuar (36) e eu imagino como uma Recomeçar do universo TMJ. (sim, na minha cabeça a Mônica é o Pe Lanza) Aí inventei de ir ouvir rock colorido pra entrar no clima da fic e agora to aqui gritando as letras do Cine, Restart e morrendo lembrando da Malhação do crush máster da adolescência Fiuk. Ah, os velhos tempos... Por fim, sobre a fic em si: gente NÃO ME ODEIEEEEM!!! Eu juro que tem razões maiores tanto pra a aproximação do DC e da Magali quanto pra essa fuleiragem do Cascão (que depois vai aparecer pra se defender, prometo). Enfim, por hora é isso. Kisses!