Três.

46 46. Bem vindos ao Reino Encantado


Notas iniciais
MEU DEUS, FINALMENTE ACABEI. Gurias, tô plantada nesse computador desde às sete da noite, cês tem noção? (1h37 agora, okey) Olha, quero pedir PERDÃO (sério) por ter ficado esse capítulo gigante. Sei que vai ser cansativo de ler, mas era necessário. Se eu dividisse, iria ficar com pelo menos quatro capítulos sobre isso. Desculpem mesmo, gurias =/ Bom, o especial ainda não acabou UAHUSDIHASD mas eu termino no próximo capítulo, e juro que vai ter um tamanho normal. Este capítulo está narrado em terceira pessoa. Bom, espero que gostem! Juro que dei meu melhor! Beijos e desculpem mais uma vez pelo tamanho! =(

— Vamos acordar! – Travis gritou, entrando no quarto de Rebecca e Aurora.

— Acordem! É o grande dia! – Miles berrou, indo em direção as cortinas e quase as arrancando da parede.

— Ah, pelo amor de Deus – Aurora murmurou, puxando o cobertor sobre seu rosto.

— Nada de reclamações, queridinha! – Travis exclamou, se jogando na cama da garota, fazendo-a rir e esconder ainda mais o rosto.

— As camas são liberadas? Também quero! – Peter exclamou, fazendo Rebecca se assustar ao ouvir sua voz e colocar apenas a cabeça para fora, feito uma tartaruga. O garoto também se jogou na cama, rindo, enquanto Miles e Mark dividiam uma poltrona.

Em menos de cinco minutos, Travis já estava descalço, embaixo do cobertor, tentando acordar uma Aurora emburrada.

— Vamos, Bela Adormecida. – ele murmurava. – Temos muita coisa para fazer. Acorde, amor. – o garoto prendeu a respiração no instante em que percebera qual palavra havia saído de sua boca. Travis imaginou que poderia ouvir a respiração dos amigos, mas, devido ao silêncio no cômodo, deduziu que eles também haviam prendido a respiração. Travis nem se arriscou a olhar para Aurora. Esta, por sua vez, sorria, corada.

— Bom dia, amor – ela respondeu, dando-lhe um beijo. Em seguida murmurou mais baixo, para que só ele ouvisse – O aniversário é seu, mas o presente quem ganhou fui eu.

—

— Certo. EU ESTOU MUITO NERVOSA! – Aurora gritou, andando em círculos pela sala, fazendo com que Travis gargalhasse.

— Ei, amor, “acalme o core” – o garoto brincou, segurando-a pela mão e puxando-a para junto de si no sofá.

— Desculpe – ela murmurou. – Só estou enlouquecendo por pensar que já são cinco da tarde e daqui a apenas algumas horas eu terei que recepcionar seus convidados e conhecer seus pais! – a garota reclamou com voz esganiçada.

— Eu já te disse para ficar calma e...

— TRAVIS! – o berro de Miles soou pela casa inteira, fazendo o garoto dar um pulo no sofá.

— Preciso ir – murmurou, chateado. – Miles vai me matar se eu não andar logo. Te vejo antes da festa?

— Provavelmente não – Aurora respondeu, fazendo beicinho. – Eu e Becky vamos para o salão daqui a pouco.

— Você vai pagar caro por não ter me mostrado sua fantasia, querida – Travis resmungou, beijando o pescoço da garota.

— Mas não foi esse o combinado? – ela questionou. – Combinamos que ninguém dessa casa...

— E o Peter.

— ...Ninguém dessa casa...

— E o Mark.

— Porra, Travis, você entendeu! Combinamos que nenhum dos casais veria as fantasias.

O garoto parou de beijá-la por um momento, a encarando.

— Você se referiu a nós como um “casal”?

— PORRA, TRAVIS! – Miles berrou novamente.

— OLHA A BOCA, MILES! – Ferdinand gritou de qualquer lugar da casa, fazendo várias risadas soarem de cômodos aleatórios.

— Fui – Travis murmurou, dando um selinho rápido na garota que permaneceu mais alguns instantes sentada no sofá, sorrindo feito boba e sentindo um frio agradável na barriga.

—

— Eu não acredito que deixei você fazer isso! – Aurora resmungou, chateada, se olhando no grande espelho do salão.

— Eu não fiz nada – Phillipe, o cabelereiro, rebateu, dando de ombros.

— Phillipe, foi você quem escolheu a fantasia!

— Mas você aceitou – Rebecca se intrometeu, encarando a amiga.

A loira usava um tomara que caia vermelho com a barra rendada que chegava até a metade de suas coxas. Calçava um par de saltos agulha em vermelho sangue. Sua pele já normalmente branca estava ainda mais clara por causa da base. A sombra preta, o batom excessivamente vermelho e a dentadura eram detalhes essenciais da roupa, e a longa capa preta finalizava a fantasia de vampiro. Ela estava prestes a dizer algo quando Peter entrou no salão, interrompendo-a.

— Que merda você está vestindo? – Rebecca, Aurora e Phillipe questionaram assim que o garoto entrou em seu campo de visão.

— Ah, qual é! – Peter resmungou. O garoto usava uma roupa de basquete. Calção e camiseta preta com as letras vermelhas. A frente se lia “Bulls” e o número 23 logo abaixo. Às costas, lia-se “Jordan”, também acompanhado do número 23. – Eu sou o Michael Jordan!

— Você é um retardado, isso sim! – Rebecca exclamou, rindo.

— E aliás, você está muito gata – ele respondeu, olhando-a de cima a baixo.

— O-obrigada – respondeu, timidamente. O garoto aproximou-se dela, abraçando-a e lhe dando um beijo rápido, enquanto Phillipe batia palminhas.

— Oi! Temos um problema aqui! – Aurora gritou, emburrada.

— Qual o problema? – Peter questionou, a encarando.

— Eu não tenho uma fantasia. – murmurou, passando as mãos pelos cabelos, desesperadas.

— Mas você não está de Bela Adormecida? – Michael Jordan indagou, coçando a cabeça.

— VIU SÓ, EU DISSE QUE AS PESSOAS IAM PERCEBER! – Phillipe gritou, irritado, fazendo Rebecca rir.

— Mas a Bela Adormecida é loiraaaaaa – Aurora murmurou de maneira chorosa, fazendo Peter revirar os olhos.

— E o Michael Jordan é negro. – resmungou. – Sabe, Rora, você está linda. Agora pare de frescura e vamos logo. Já estamos atrasados.

— Vocês não acham mesmo que eu estou ridícula? Quer dizer, as pessoas vão saber quem eu sou? – Aurora murmurou, olhando-se no espelho.

— Sim, Aurora. – Rebecca respondeu, abraçando a amiga pelos ombros. – O Travis vai saber quem você é – piscou, observando a amiga corar no mesmo instante.

— Agora vamos! – Peter gritou, assustando-as. – Não queremos perder o lugar de recepcionistas para a Claire.

— Vamos, eu levo vocês – Phillipe disse, sorrindo orgulhoso ao ver o trabalho que tinha feito com as duas garotas. Pegou a chave do carro e saiu puxando Aurora pela mão.



— Porra. – Aurora murmurou, descendo do carro. – Acho sinceramente que Mark e Miles deveriam abrir uma empresa de decoração.

— Você só acha? – Rebecca indagou, tão admirada quanto a amiga.

— Eu tenho certeza – Peter completou, boquiaberto.

Os portões da chácara (n/a: gurias, eu não sei como vocês chamariam, mas aqui no Sul nós chamaríamos de chácara mesmo. É tipo um terreno, amplo, com um quiosque, piscina e etc, que se aluga justamente para fazer festas.) estavam abertos e o caminho todo iluminado com luzes brancas que refletiam nos balões prateados das árvores, fazendo parecer que todo o local estava iluminado pela própria lua.

Despediram-se rapidamente de Phillipe e entraram na chácara. Algum dos garotos havia trilhado com pedrinhas brancas um caminho que ia desde os portões até o quiosque. Os três amigos dirigiram-se rapidamente até o quiosque, enquanto Peter ria das garotas que tentavam a todo custo se equilibrar nos saltos altos.

— Já tem alguém aqui? – Peter questionou, vendo que todas as luzes estavam acesas.

— Acho que só o pessoal do buffet e da banda – Aurora respondeu.

— Estamos na hora certa – Rebecca constatou, observando o horário no celular. – Faltam exatamente dez minutos para as nove.

— O que fazemos agora? – o garoto quis saber.

— Temos que esperar Claire – Aurora respondeu, de má vontade. – Acho que só precisamos ver se o pessoal está precisando de alguma coisa e esperar os convidados.

Os três escutaram uma buzina e se viraram no mesmo instante para conferir.

— Quem foi que mandou você dizer o nome da praga, Aurora? – Rebecca questionou, enquanto aos amigos observavam – a contragosto – Claire descer do carro. Pelo menos Josh não ficaria.

A ruiva os alcançou rapidamente, fazendo Rebecca e Aurora morrerem de raiva ao constatarem a facilidade com que a garota se equilibrava sobre as pedrinhas, mesmo estando com um salto mais alto que o das outras duas.

— Boa noite, meus amores! – Claire exclamou com sua voz melosa, jogando sua minúscula bolsinha por sob o ombro.

— Claire, querida... – Peter murmurou, a encarando, incrédulo. – O tema da festa é fantasia, não pornô.

— Cale a boca, idiota – a garota murmurou. Rebecca e Aurora simplesmente a encaravam, sem saber o que dizer. Claire usava um top cropped na cor branca e extremamente decotado. A minissaia plissada e vermelha não cobria nem mesmo um palmo das coxas da garota e estava muito mal colocada no corpo, deixando à vista as marquinhas de bíquini – provavelmente fio dental.

— Claire... – Aurora murmurou. – Porque diabos você está vestida de puta de luxo?

— De luxo? – Rebecca debochou. – Acho que está mais para puta de esquina mesmo...

— Olha aqui, sua... – Claire ia dizendo, mas foi interrompida por uma outra buzina.

Os quatro olharam imediatamente em direção aos portões da chácara e Aurora quase caiu do salto ao ver o carro de Mark entrando no estacionamento. Se Mark estava ali...

— MÃE! – Aurora berrou e saiu correndo em direção ao carro, no instante em que Dona Sophie abria a porta. Aurora pretendia abraçar a mãe, mas parou assim que viu a roupa que a mesma usava.

— Puta que pariu – Aurora ouviu Peter murmurar baixo, logo atrás dela, e não pode deixar de rir. Sophie usava uma blusa branca simples, com mangas rendadas, e uma saia verde, não muito comprida. O que chamava a atenção, era a fina linha vermelha bordada na saia. Aurora baixou os olhos para os pés da mãe, observando as botas que a mesma usava. Em seguida, levantou o olhar, vendo que a mulher havia feito cachos nas pontas do cabelo e usava um grande chapéu... Mexicano.

— Mãe – Aurora murmurou, dando um passo para abraça-la. – Que é que você está vestindo?

— Sou uma mexicana, meu amor, não está vendo? – a mais velha respondeu. Aurora riu, incrédula, encarando Rebecca e Peter, que riam tanto quanto ela. Aurora estava distraída com a mãe, por isso, assustou-se ao ouvir uma voz estridente e ao sentir uma mini pessoa se enroscar em suas pernas.

— Lucy! – a garota gritou, abaixando-se para pegar a garota no colo. Para a surpresa de todos – ou não – a pequena estava de vestida de Pequena Sereia.

Aurora nem teve muito tempo de aproveitar a mãe, pois logo foi chamada por Mark – ou Batman – que avisava que já haviam convidados chegando.

— Certo, todos em seus postos – Aurora “ordenou”, despedindo-se da mãe e da irmã. – Eu vou acertar com a banda, Mark vai para o buffet, Peter nos portões, Rebecca no quiosque e Claire nas bebidas. Assim que eu e Mark acabarmos, vamos para o quiosque também. Todos com os celulares a mão. Combinados? – a garota indagou, sentindo-se eficiente e sabendo que Miles se orgulharia dela. Sorriu satisfeita quando viu os amigos assentirem, e deu graças aos céus por ver que Claire estava colaborando.

Se dependesse de Aurora – e de todos os outros — , a garota não faria parte do “comitê de organização”, mas Travis havia batido o pé dizendo que o aniversário também era de Louis e ele também tinha seus direitos.

— Tudo certo aí, Greg? – Aurora indagou, chegando perto do vocalista da banda que Miles havia contratado.

— Certíssimo, capitã – o garoto vestido de Homem Aranha respondeu, batendo continência. – Só estamos esperando mais algumas pessoas chegarem para começarmos a tocar.

— Ótimo. – a garota respondeu, aliviada. – Se precisarem de alguma coisa ou tiverem algum problema apenas me...

— Aurora, relaxa – Greg disse, a interrompendo. – Miles passou a semana inteira me recomendando. Eu sei bem o que fazer.

— Certo, desculpe – Aurora riu. – Mas qualquer coisa me chame mesmo, tá? – murmurou e deu as costas, antes que Greg protestasse novamente. Estava prestes a ir ajudar Rebecca na recepção quando viu Mark a chamar discretamente da porta da cozinha.

— O que foi, mariposa? – indagou, abraçando o amigo.

— As senhorinhas do buffet não sabem qual salada devem servir primeiro – Mark respondeu, passando as mãos pelos cabelos, já prevendo que Miles teria uma crise se qualquer coisa desse errado.

— Hum, deixe-me ver... – Aurora coçou a cabeça, tentando lembrar do que havia visto Miles dizer a semana inteira. – Ah! A salada verde primeiro, a agridoce é só mais tarde!

— Certo, muito obrigada! – Mark respondeu, dando um beijo na testa da amiga. – Aliás, você está linda, Bela Adormecida!

Aurora sorriu, aliviada.

Mark logo acertou com o buffet e se juntou com Aurora e Rebecca na recepção. Os convidados seguiam o caminho que Peter indicava – o que não era realmente necessário, devido às árvores totalmente iluminadas de Miles – e o quiosque já estava começando a encher. O palco improvisado – mas muito bem montado – já estava completamente iluminado com o jogo de luzes da banda de Greg e os garotos já se preparavam para tocar, enquanto as pessoas conversavam dentro e fora do quiosque, sendo muito bem servidas. Claire comandava bem as bebidas, por incrível que pareça. Rebecca suspirou aliviada, conferindo o relógio e vendo que já eram 21h40min, o que significava que, dentro de cinco minutos, os primos estariam prontos para entrar. E foi aí que tudo começou a dar errado.

— Vocês já ligaram? – Peter indagou, parando atrás de Becky, Rora e Mark.

— Peter! – a loira ralhou. – Você não deveria estar aqui! Volte para os portões já!

— Vocês não leram a mensagem? – o garoto questionou, confuso.

— Que mensagem? – Aurora também indagou, procurando o celular dentro da bolsa, ao mesmo tempo em que Rebecca e Mark pegavam seus aparelhos.

“Temos um problema. Junte os outros e nos ligue.” Era o que a mensagem de Travis dizia. Aurora esticou o pescoço numa tentativa de enxergar o celular dos amigos. Constatou que os quatro haviam recebido a mesma mensagem.

— Certo, Travis parece meio desesperado, então... – Mark murmurou.

— Realmente temos um problema – Becky concordou.

— Devemos avisar Claire? – Peter indagou, timidamente, sendo fuzilado pelos amigos no mesmo instante.

— Alô – Travis atendeu no primeiro toque. Parecia nervoso.

— Oi – Aurora respondeu. – O que aconteceu?

— Louis está com uma fantasia igual a minha e Miles está pirando – respondeu.

— Como assim? Igual mesmo ou apenas parecida? – Mark quis saber, pegando o telefone da mão de Aurora.

— Eu não sei qual sou eu e qual é ele – Travis respondeu, bravo, fazendo com que os amigos segurassem as risadinhas.

— Achei que fosse um problema mais sério – Aurora resmungou, revirando os olhos. Mas no fundo, estava aliviada. – Vocês estão atrasados, gatinhos. – murmurou e desligou o telefone rapidamente.

— Porque você fez isso? – Mark indagou.

— Para salvar nossos ouvidos.

— De...?

— Da crise que seu namorado teria quando chegasse até o telefone – respondeu fazendo Mark rir.

Os amigos administraram os convidados por mais alguns minutos, e quando o professor Alessandro chegou acompanhado da diretora Carter, Mark fez questão de fazê-los sentarem na mesma mesa em que Lucy e Dona Sophie. Nenhum dos amigos perdeu o olhar admirado que o professor deu para a mãe de Aurora.

Quando todos no quiosque dançavam ao som de Up All Night, da One Direction, Aurora puxou o braço de Rebecca, nervosa.

— Eles estão vindo – murmurou, apontando para o carro que havia estacionado nos portões da chácara.

Mark pediu que a banda abaixasse o volume e chamou atenção de todos na festa. Só quando os convidados já estavam todos prontos para receberem os aniversariantes, foi que Mark notou a expressão apavorada com que Peter encarava o carro que subia, e foi aí que o garoto deduziu que havia algo errado. Encarou o veículo até perceber que era o carro de Ferdinand. Então o garoto arquejou.

— Esses são... – começou a dizer, mas foi interrompido por Aurora.

— Os pais – a garota completou, num fio de voz. Se Mark e Rebecca não a tivessem segurado ali, Aurora com certeza teria corrido para a cozinha. Felizmente, ela não teve nem chance de ligar com os... sog... Pais de Travis, pois quando Ferdinand estacionava o carro, outro veículo apareceu no portão, e dessa vez sim era o Prisma de Phillipe, que trazia os trigêmeos.

Peter subiu correndo para se juntar aos amigos, enquanto Mark se desculpava com os convidados e dizia que daquela vez sim os aniversariantes estavam chegando. Rebecca foi saltitante até a banda e pediu para que Greg tocasse a música que ela e Aurora haviam escolhido para homenagear os garotos.

Rebecca, Aurora, Mark e Peter se encontravam lado a lado, a frente dos demais convidados, e transbordavam excitação.

— Se eu soubesse que isso seria tão bom, eu mesma teria tido a ideia da festa – Aurora brincou.

— Eu disse que no fim tudo valeria à pena – Mark disse orgulhoso, fingindo secar uma lágrima.

— E pensar que eu poderia ter recebido um ‘não’, hein? – Peter indagou, olhando de soslaio para Rebecca. – Essa hora eu estaria na cama, provavelmente em depressão.

— Ridículo – ela murmurou antes de lhe dar um selinho, certificando-se de que o pai não estava vendo.

Toda a ansiedade dos amigos sumiu assim que os trigêmeos entraram em seu campo de visão.

— Puta...

—... que...

—... nos...

—... pariu. – os quatro murmuraram juntos.

— Alguém me diz que isso é uma brincadeira, por favor!

— Sério, qual é o Travis?

— É o da direita. Ou o da esquerda?

— Miles deve estar muito puto.

— Isso tá bem engraçado, vamos admitir.

— Não acredito que isso está acontecendo.

— Nossa, que clichê.

Aurora não sabia o que fazer nem falar, e apenas observava os três garotos que caminhavam lentamente em sua direção. Miles no centro, vestido de Robin – o que fez Aurora sorrir, percebendo porque é que Mark estava vestido de Batman – e cercado por Travis e Louis, que caminhavam alguns passos atrás, como se fizessem a retaguarda. Seria uma cena bonita, se não fosse pelo fato de que Travis e Louis estavam completamente idênticos. A garota teve que olhar duas vezes para diferencia-los. Os dois usavam uma calça escura e sapatos pretos muito bem lustrados. Os dois usavam uma espécie de farda vermelha com detalhes dourados, que era acompanhada por uma faixa azul que transpassava a farda. Os dois usavam luvas brancas e tinham os cabelos bem penteados e modelados. Os dois usavam uma boina preta – exatamente igual a que o Príncipe Willian costumava usar quando aparecia na TV. Os dois eram príncipes, e, mesmo que Aurora detestasse admitir, os dois estavam absurdamente lindos.

— Vamos fazer nosso papel – Claire murmurou, assustando os quatro. A garota parecia tranquila e inocente, mas algo na expressão dela incomodou Aurora, fazendo-a ficar alerta.

Claire, Aurora e Rebecca deram um tímido passo à frente, como haviam combinado – e ensaiado na noite anterior. O certo seria que Mark recepcionasse Miles, mas por mais que ambos adorassem aparecer, não estavam prontos para um showzinho particular para os pais de Miles. Rebecca entrou no meio das duas, já que Miles estava também no meio dos três, mas Claire fez algo que deixou Aurora desconcertada.

Ela se desviou – discretamente – da reta que deveria seguir para encontrar Louis, indo em direção a Travis.

— Que merda você acha que está fazendo? – Aurora sussurrou, sem querer que Claire escutasse e tentou puxá-la pelo braço, sem chamar muita atenção.

O que deu realmente muito errado quando Claire se desequilibrou e tropeçou no degrau que ligava o quiosque ao gramado. Ela teve que se apoiar em Rebecca para não cair, o que fez com que Peter tossisse alto, segurando o riso. Aurora quase pôde ouvir o tapa repreensivo que o garoto havia levado de Mark. Mas ela resolveu não prestar atenção em mais nada. Porque diante dela, estava Travis. Seu príncipe.

— Porque você empurrou Claire? – o garoto questionou tentando parecer sério, mas seu tom de voz emanava diversão. Aurora sabia que ele só estava segurando o riso porque não queria irritar o irmão.

— Porque ela estava vindo em sua direção. – a garota respondeu. – Achou que eu não reconheceria você. – completou, estendendo a mão para Travis.

Travis sentiu seu coração se aquecer ao ver aquela garota maravilhosa lhe estendendo a mão. Esqueceu-se de todos que estavam ali, e concentrou todo seu sentimento, todo seu pensamento, toda sua respiração em Aurora. Pegou sua mão e entrelaçou seus dedos, encarando-a atentamente, na tentativa de absorver cada detalhe, como se nunca mais fosse vê-la tão linda daquela maneira novamente. O tom de rosa do vestido combinava perfeitamente com sua pele, dando-lhe um ar de graciosidade. O decote do vestido era comportado mas atraente. A saia também estava na medida certa, o que não mostrava de mais nem de menos, atiçando a curiosidade de Travis. A saia do vestido era rodada, e ele era composto por renda branca nas mangas e na cintura. Os detalhes dourados imitavam com perfeição os vestidos da princesa. Os cabelos escuros de Aurora estavam delicadamente cacheados e arrumados para o lado, na intenção de se fazer presente a delicada coroa dourada no topo da cabeça da garota. Travis observou a pequena mão de Aurora, envolta por uma fina luva branca, e desejou de todo coração ter um anel para depositar ali. Queria deixar bem claro para Aurora que queria que a garota fosse dele. ‘Mais tarde, no tempo certo’, Travis pensou, sorrindo. No entanto, não se conteve e puxou a garota para um beijo rápido.

— A princesa mais linda deste reino é você, minha cara Bela Adormecida – murmurou ao ouvido de Aurora, fazendo a garota suspirar.

—

— É sério, eu não quero ir – Aurora murmurou, segurando-se na cadeira em que sua mãe estava sentada.

— Filha, menos – Dona Sophie ralhou, revirando os olhos.

— Por favor, Travis! – Aurora pediu – Nós podemos contar para os seus pais amanhã. Eles nem vão perceber que passaram toda a festa sem conhecer sua amiga e...

— Aurora, vamos. Você me obrigou a contar para sua mãe. – Travis a interrompeu, encarando dona Sophie num pedido silencioso de ajuda. A mais velha apenas deu de ombros, sabendo como a filha poderia ser difícil.

Aurora e Travis haviam acabado de contar para Sophie que estavam ‘ficando’, e mais velha apenas rira, dizendo que aquilo era óbvio para qualquer um. No entanto, Aurora estava relutante em contar aquilo para os pais de Travis. Ela sabia que ambos não lidariam tão bem quanto sua mãe.

— Por favor, amor? Por mim? – Travis pediu, beijando a testa da garota que cedeu com um suspiro. Travis sorriu, vitorioso, e segurou a mão de Aurora, conduzindo-a no meio da multidão em direção aos pais.

Aurora sentiu suas pernas tremerem ao avistar o casal sentado em uma mesa mais afastada da bagunça. Eles estavam vestidos como Rainha de Copas e Chapeleiro Maluco e conversavam baixo entre si.

— Pai, mãe – Travis chamou a atenção dos dois quando chegaram suficientemente perto. Aurora não pôde deixar de perceber que os filhos haviam herdado os olhos verdes de Annie. – Quero que conheçam minha amiga Aurora.

Michael se levantou imediatamente para cumprimenta-la, sorrindo, e Aurora teve que conter um sorriso irônico ao perceber o quão elegante e charmoso ele era... Bem como os filhos.

— Prazer em conhece-la, querida – Michael disse em uma voz arrastada, e Aurora sorriu aliviada. Primeiro obstáculo ultrapassado.

Aurora só percebeu que Travis ainda segurava sua outra mão quando notou que Annie encarava seus dedos entrelaçados com os do filho.

— Achei que você fosse a namorada de Louis – Annie disse, encarando Aurora, sem nem mesmo se levantar. A garota abriu a boca mas não conseguiu emitir nenhum som.

— Mãe, agora não. Por favor. – Travis repreendeu. Annie olhou chateada para o filho, fazendo com que Aurora se sentisse culpada.

— Na verdade eu e Louis nunca chegamos a namorar, senhora. E eu realmente gosto de Trav...

— Percebo que você gostou de toda minha família – Annie a interrompeu, fazendo com que a garota corasse.

— Amor, por favor. – foi a ver de Michael repreender, tocando os cabelos curtos da esposa.

— Tudo bem, senhor. Eu já esperava por isso. Sei que o que fiz não foi muito legal e...

— Se sabe que está errada, porque continua aqui? – Annie indagou, com um sorriso de escárnio estampado em sua face. Igualzinho ao de Louis.

— Com licença, então. – Aurora rebateu, arrependendo-se ao perceber que sua voz saíra mais dura do que havia planejado. A garota deu um leve aceno de cabeça para Michael e se retirou, soltando abruptamente a mão de Travis.

— Valeu, mãe. De verdade. – o garoto murmurou chateado para a mãe.

— Meu filho, só estou tentando te proteger! – a mais velha protestou.

— Se você quisesse mesmo me proteger, estaria aqui para ver quando Louis dá as crises loucas dele e inferniza a vida de todo mundo. – Travis rebateu, vendo a expressão da mãe mudar no mesmo instante. – Aurora não é como as outras, mãe, ela é bem diferente. Mas pelo jeito você continua a mesma, assim como seu filho querido. – o garoto murmurou sorrindo friamente e deu as costas para os pais, sem arriscar nenhum olhar para trás.

Aurora não deveria chorar, então porque é que seus olhos ardiam tanto? Ela caminhava sozinha pelo gramado, na parte de trás do quiosque, e sentia que poderia cair a qualquer momento. Ela sabia que seria difícil lidar com os pais de Travis, mas não imaginara que chegaria àquele ponto. E ela não aguentaria aquilo. Aurora adorava Travis com todas as suas forças, portanto, não conseguiria obriga-lo a fazer algo que o deixasse mal com os pais.

— O que você faz sozinha aqui, Bela Adormecida? – Aurora ouviu uma voz arrastada dizer e virou-se para encarar o príncipe que a seguia pelo gramado.

— E o que você faz aqui atrás de mim, seu idiota? – indagou, irritada.

— Ah, agora você sabe quem eu sou? – Louis indagou, sorrindo.

— Do que você está falando?

— Você sabe bem, Aurora. No começo, você não sabia. Assim como não soube quando chegamos aqui. – Aurora dava passos discretos para trás enquanto Louis falava. Ela não o queria próximo demais. Mas foi obrigada a parar quando se deu conta do que o garoto havia falado. Ela havia sim os confundido naquela noite. E ele sabia. – Pode admitir, Aurora. O que nos diferencia, a única coisa, são as roupas que usamos. Se eu começar a me vestir como meu irmão, você vai voltar correndo para mim.

— Deixe de ser ridículo, Louis! – a garota rebateu, rindo friamente. – Você quer saber o que é que diferencia vocês dois? Meus sentimentos. Sei diferenciar bem o nojo que sinto de você do amor que sinto por Travis.

Aurora havia parado de caminhar, por isso, não havia notado que Louis estava tão próximo. Não até que o garoto segurasse seu braço.

— Amor? E onde é que fica o amor por Travis cada vez que você me beija? Cada vez que você se entrega para mim? Você já fez isso uma vez, lembra? Apenas há alguns dias. E está prestes a fazer mais uma vez.

Aurora sentiu todo seu interior se encher de repulsa, e queria simplesmente correr dali. Mas não iria. Não poderia deixar aquilo barato.

— Você tem razão, Louis. – ela murmurou, deixando que o garoto apoiasse a mão em sua cintura enquanto ela jogava um braço por seu pescoço. – A única diferença é que dessa vez, vou fazer ainda melhor.

— Vai, é? – Louis indagou fechando os olhos ao sorrir. – Eu sabia que você não resistiria.

Aurora permaneceu de olhos abertos, aguardando o momento certo.

Quando Louis estava próximo o suficiente para que Aurora sentisse seu bafo de cerveja, a garota ergueu o braço livre, concentrando ali toda sua raiva e mágoa. Aurora deslizou a mão com tanta força que o vento chegou a assobiar ao ser cortado pela mão da garota. Os dedos de Aurora arderam no instante em que acertaram a bochecha de Louis, estalando, enquanto o garoto uivava de dor.

— SUA VADIA! – Louis gritou, abrindo os olhos e tocando a bochecha, onde já se encontrava a marca perfeita dos dedos de Aurora.

A Bela Adormecida sorriu, satisfeita, e saiu saltitando pelos jardins do reino antes que o príncipe malvado se recuperasse.


Mal a garota sabia que estava sendo observada. Mal a garota sabia logo atrás de uma árvore, estavam Mark, Miles, Rebecca e Peter completamente orgulhosos. E mal sabia também que ali, embaixo da mesma árvore, havia um Travis completamente apaixonado e com o coração acelerado. E naquele momento o garoto tomou sua decisão.


–

— Finalmente te encontrei, príncipe – Aurora murmurou, divertida, segurando a barra do vestido e fazendo uma reverência para o garoto sentado no banco.

— Está mais calma? – Travis indagou.

— Estou sim, e aliás, desculpe. Não queria ter falado daquela forma com a sua mãe.

— Não se preocupe com isso. – o garoto murmurou, apontando o banco com a cabeça, para que Aurora se sentasse a seu lado.

— E como você está? – indagou, segurando a mão do garoto. Aurora encarou-o atentamente, enquanto fazia carinho em sua mão com seu polegar.

— Eu estou decidido. – Travis respondeu simplesmente.

— Decidido? – Aurora indagou, arqueando uma sobrancelha.

— Sim. Decidido. Eu venho pensando nisso desde manhã, mas acho que pensei tanto que criei algumas dúvidas em minha cabeça.

— Ei, você está ouvindo isso? – Aurora indagou, o interrompendo.

— Ouvindo o quê? – o garoto questionou, revirando os olhos.

— Tem alguém chorando.

— Deve ser só um gatinho perdido por aí. Enfim, eu estava com dúvidas, mas, algo me fez ter plena certeza. Eu ouvi sua briga com meu irmão, e senti meu coração se aquecer como nunca ao ouvir o que você disse sobre mim, Aurora. Você pode até achar que estou me precipitando, mas essa é a coisa mais certa do mundo para mim. Por isso, Aurora, eu gostaria de saber se você quer namor...

— É sério, Travis – a garota o interrompeu novamente, levantando-se do banco, fazendo com que o garoto percebesse que ela não havia prestado atenção em nada. – Tem alguém chorando.

— Certo, vamos lá ver – Travis cedeu, levantando-se.

Aurora correu em direção ao som, percebendo que o mesmo vinha da grande fonte que ficava no meio do gramado. De longe, ela viu que havia uma pessoa sentada no murinho da fonte, e claramente balançava seus pés na água.

Os dois caminharam em silêncio, chegando perto o suficiente para perceber que a pessoa era Claire e essa estava claramente bêbada.

— Pronto, já vimos quem é, agora podemos voltar – Travis murmurou.

— Ei... – Aurora o encarou com ‘ar pidão’. – Não podemos deixa-la aqui!

— O que você está pensando em fazer? – o garoto questionou, mas não obteve resposta. Antes que ele pudesse protestar, Aurora já corria em direção a fonte, e ele nada pôde fazer além de segui-la.

Travis viu quando Aurora estendeu a mão para Claire, e depois, tudo aconteceu tão rapidamente que o garoto chegou a ficar confuso. Num instante, Claire chorava e se apoiava em Aurora. No outro, a Bela Adormecida dera um salto mortal e estava fora do campo de visão de Travis. tudo que o garoto podia enxergar era Claire, rindo.

— Mas que diabos... – Travis murmurou e começou a correr, ouvindo o grito furioso de Aurora. Antes que alcançasse a fonte, no entanto, Travis assistiu a Claire dar um salto mortal no ar e também cair dentro da fonte. ‘Essa é minha garota’, pensou, deduzindo que Aurora havia a puxado. Assustou-se no entanto, ao ver duas figuras surgirem da água. Pareciam dois monstros, principalmente pelo fato de que uma estava agarrada ao cabelo da outra.

— Eu vou te matar, sua piranha – Aurora gritava.

— Mas você vai morrer primeiro, vagabunda – Claire rebatia.

Aurora puxava o cabelo de Claire e vice-versa. Claire urrava e Aurora uivava. Travis assistia a cena, sem saber o que fazer.

— Você vai mesmo ficar parado aí, seu imbecil? – Travis ouviu Louis gritar ao sair correndo das sombras, e deduziu que o irmão estava por trás daquilo. Ele pensou em ir tirar satisfações, mas então ouviu um guincho e uma risada histérica, então lembrou-se de Aurora. Chegou a fonte já sem fôlego, a tempo de ver um Louis molhado até as canelas tentando levantar uma Claire descabelada que escorregava na água.

Aurora estava fora de vista, o que preocupou Travis. o garoto relaxou em seguida, ao vê-la surgindo atrás de Louis, quase tão descabelada – e completamente linda e selvagem – quanto Claire. Travis sorriu orgulhoso ao deduzir o que a garota estava prestes a fazer.

— Eu sempre soube que vocês eram duas cobras – a garota exclamou atrás de Louis, fazendo com que ele se assustasse e deixasse Claire cair mais uma vez – só não sabia que eram aquáticas. – e como gran finale, Aurora empurrou Louis, fazendo com ele que ele caísse sobre Claire, dentro da fonte. Ela então passou correndo ao lado de Travis, pegando a mão do garoto e puxando-o para junto de si. Os dois correram de mãos dadas pelas grama até estarem longe o suficiente para não serem considerados culpados pelo acidente na fonte.

— Caralho, eu estou grudando – Aurora lamentou-se, sentando na grama.

— E eu estou exausto — Travis completou.

— Se não fosse por Miles, eu juro que te roubaria iria para casa agora mesmo.

— Se não fosse por Miles – Travis concordou, ofegante, sentando-se também.

— Querem que o Miles arranje a carruagem encantada para casa agora ou depois? – o próprio Miles indagou, saindo de trás de uma árvore acompanhado por um Mark que balançava a chave do carro na mão.

— Vamos lá, — este murmurou. – vocês estão precisando.

Travis e Aurora se entreolharam, satisfeitos.


–

— Tem certeza de que sua tia não vai pirar quando chegar em casa e nos encontrar juntos aqui? – Aurora indagou enquanto tirava o excesso de água dos cabelos com a toalha. Ela havia acabado de sair do banho e eles haviam decidido dormirem juntos, na cama de Travis, já que... Erm... Aurora estava muito cansada e não queria ter que subir dois lances de escada para chegar em seu quarto. Era por isso também que ela vestia uma camiseta velha de Travis para dormir.

— Meu amor... – Travis murmurou, fazendo com a garota o encarasse. Aurora quase suspirou ao ver aquela beldade loira de olhos azuis a encarando, embaixo do edredom. – Minha mãe está aqui, a sua também. Acho que minha tia é a última pessoa com a qual devemos nos preocupar. – riu-se.

— Tem razão – Aurora murmurou, subindo na cama e engatinhando até onde Travis estava. – Mas na verdade, não quero me preocupar com ninguém além de você.

Ele puxou o edredom para cima, dando espaço para que a garota se deitasse a seu lado. Aurora apagou o abajur e abraçou o pescoço de Travis, enquanto o garoto abraçava sua cintura.

— Obrigada por estar perdida dentro daquele supermercado, gostosa – Travis murmurou, antes de encostar os lábios na testa de Aurora e fechar os olhos.