Notas iniciais
Vamos ao último capítulo da fic espero que gostem está bem emocionante

— POHA, FALTAM 2 MINUTOS PARA ACABAR O PRIMEIRO TEMPO. – gritava Guilherme , de pé no sofá

Guilherme havia chegado na casa de Ricardo por volta das 21h, para o jogo que começaria às 22h. Haviam comprado sete pizzas, cinco refrigerantes e três caixas de suco, que agora jaziam no lixo da casa.

Eu conversava com Ricardo , tentando ignorar a gritaria e os palavrões. Luiza havia melhorado o vocabulário, mas em dias de jogo, voltava a ser um moleque sem eira nem beira e agora com os hormônios da gravidez então .

— JUIZ FILHO DA PUTA. FOI FALTA, É PENALTI. – eu berrei , pulando do sofá – É PENALTI E... AI.-senti uma dor muito forte na barriga

— Luiza , que foi? – perguntou Guilherme me , amparando , enquanto Lucas saia aos pulos de perto de meu padrastro .

— Eles tão chutando muito. – reclamei , respirando fundo – E ferrando minha bexiga.

— Vai fazer xixi e senta um pouco. – me propôs Lucas .

— Mas tá no fim do... CHUTA PRO GOL IMBECIL, CHUTA LOGO. – eu desviei do rosto do Lucas , gritando com a televisão.

— Luiza , você fez xixi na calça cara, que nojo. – apontou meu irmão Fábio , e Lucas bufou.

— Vai no banheiro. Vou buscar outro short e calcinha pra você.

Ele subiu, ouvindo os gritos e ofensas pelo fim do primeiro tempo. O placar era Corinthians, 1, e o outro time, que ele nem fazia ideia qual era, 2.

— Tem certeza que você tá bem? – Lucas me perguntou, enquanto eu saia do banheiro com o rosto vermelho.

— É adrenalina amor , muita adrenalina. – garanti , dando um selinho nele – Agora deixa eu ir, que estão reprisando as melhores jogadas.

Mas Lucas não se aquietou e resolveu ficar na sala, assistindo o jogo com migo Fábio, Manuela e Guilherme . Quando o jogo voltou, Eu logo desatou a gritar e xingar. Porém, esporadicamente, eu dava um guincho de dor, dizendo que algum dos bebês havia dado um chute mais forte, ou justificando como reação para algo no jogo.

Com o passar do tempo, os intervalos entre os gritos foram diminuindo, e isso intrigou Lucas. Ele começou a marcar no relógio, enquanto via os motivos ficando cada vez mais imbecis.

— Mas Luiza, não tá acontecendo nada para você gritar assim. – comentou Manuela , após um grito particularmente forte.

— É que faltam 5 minutos para terminar o jogo e tá empatado. – expliquei, suando frio – E eu tô ansiosa.

Lucas saiu da sala, subindo as escadas. Todos estranhamos , mas continuamos assistindo o jogo.

— Ai maluco, prorrogação. Vamos lá Timão, um gol. – implorou Fábio , quase abraçando a TV.

— Sai da frente Fábio . – eu gritei , agarrada com o braço do sofá.

Apreensão. Um passe bem feito. Um chute bem executado. Uma falha do goleiro.

— GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL. – eu, Manuela, Fábio e Guilherme pulamos, gritamos e cantando o hino do Corinthians, enquanto na TV o time comemorava.

— Pronto, muito bonito. – Lucas desceu as escadas com duas malas – Agora podemos ir pro hospital logo ou você quer dar a luz aqui em casa? – ele me perguntou sabendo que todos os gritos que eu dei sem motivos era porque os bebês queriam nascer.

— Eu não acredito que você mentiu para terminar de ver o jogo do Corinthians! – gritou Lucas , dirigindo como um louco o carro do meu padrasto – Luiza, isso é perigoso para os bebês.

— Tava tudo sob controle amor. – eu sussurrei, agarrada com a barriga – Isso dói.

— Claro que dói sua maluca, tem duas crianças querendo sair daí. – ele gritou de volta – A Dra. Camila já está nos esperando, assim como nossa família. A Manuela e sua mãe querem te matar.

— Mata que eu acho que dói menos. – eu choraminguei – Lucas, tá doendo muito.

— Calma faz a respiração do cachorrinho. – pediu ele, segurando a minha mão – Calma, vai dar tudo certo.

— Lucas, eu tô com 35 semanas ainda. – eu lembrei, enquanto ele acariciava a minha mão – Droga, eu sou a pior mãe do mundo. Eu fiquei assistindo um jogo ao invés de ir para o hospital.

— Se acalma linda, você ficar nervosa vai ser pior. – lembrou ele, tentando se manter calmo – A médica falou que você está com um tempo normal para gêmeos, você já está com quase 36. Só fica calma.

Chegamos no hospital com algumas multas, mas o mais depressa possível. Um enfermeiro já esperava com a cadeira de rodas, na qual Lucas me sentou, enquanto meu padrastro levava o carro para o estacionamento e Fábio levava as malas.

— Minha filha, no que você estava pensando? – perguntou minha mãe , caminhando até min com o semblante preocupada – Trabalho de parto não é brincadeira, nem algo que se pode adiar, especialmente por um jogo.

— Eu sei mãe , o Lucas já veio me bronqueando. – garanti , com os olhos cheios de lágrimas – E eu tô me sentindo um lixo e... AAAAI, TÁ DOENDO.

— Como dizia minha tia, “quando estava fazendo não lembrou da dor, agora aguente”. – disse minha mãe me ,fazendo corar.

— Mãe , por favor. – implorei pra ela, chorando – A situação já tá complicada sem ter que ouvir isso.

— Vamos levá-la para o quarto para a médica examiná-la. – pediu o enfermeiro – O pai pode vir, mas a família espera aqui.

— Vai lá Lucas , nós terminamos a papelada. – prometeu Ricardo, enquanto Lucas empurrava a minha cadeira pelo corredor.

— Bom Luiza, o posicionamento da Milena está ideal. –me garantiu a médica – E ela vai ser a primeira a nascer. O do Matheus está bom, vamos torcer para não mudar.

— E a dilatação? – perguntei com, os olhos fechados em uma careta de dor, enquanto Lucas não sabia o que fazer.

— Quatro centímetros. – eu bufei frustrada – Calma, é sua primeira gravidez. Costuma demorar um pouco.

— Quanto tempo vai demorar para dilatar totalmente? – perguntou Lucas , ansioso.

— Talvez umas duas horas. – garantiu a médica, para meu desespero – Se acalme Luiza, assim que você tomar a anestesia, a dor vai diminuir bastante.

— E cadê o anestesista? – gemi de dor . A médica saiu, voltando com um senhor sorridente – Porque você está sorrindo? Isso é engraçado?

— Liga não doutor, ela é assim mesmo. – garantiu Lucas , envergonhado – E a dor só piora.

— Cala a boca ou eu arranco suas bolas, para que você nunca mais possa me fazer por isso de novo. – rosnei , puxando o Lucas pela gola – Entendido?

O anestesista pediu que eu virasse de lado, para que ele pudesse aplicar a anestesia. Lucas me ajudou, ficando abaixado na minha frente , acariciando meu braço, enquanto eu sibilava de dor com a agulha.

— Calma, já está acabando linda. Aguentou o segundo tempo inteiro, mas não aguenta uma picadinha? – ele falou em voz baixa, fazendo eu rir de leve.

— Eu tô com medo de não conseguir. – sussurrei, apavorada.

— Você conseguiu me ensinar a não queimar o miojo. Você consegue, eu sei. – garantiu ele, acariciando o meu rosto , eu e ele sorrimos – Você é a pessoa mais incrível do mundo, e a mulher da minha vida. Já te disso isso hoje?

— Hoje não. – eu respondo, apertando mais a mão dele – Eu te amo.

— Também. – garantiu Lucas, me dando um selinho – E pronto, acabou.

— Pode se acomodar direito querida... Nós vamos deixar a família de vocês entrar, porque ainda temos um tempinho. – explicou a médica, saindo do quarto com o anestesista, enquanto Lucas me ajudava a deitar direito.

— Se você quiser, mando todo mundo passear. – prometeu o Lucas , e eu ri.

— Deixa eles participarem. Eles estão ansiosos. – eu sorri para ele, lhe dando um selinho – Você consegue acreditar que daqui a poucas horas, finalmente vamos conhecer eles dois?

— Eu sei... Parece irreal. – Lucas desceu o rosto, beijando o topo da minha barriga – Papai está contando os minutos para ver vocês dois.

— Daqui a pouquinho estamos aqui papai.¬ – eu afinei a voz, fazendo Lucas rir.

Muito bem... Acho que está na hora. – Dra. Camila sorriu, após me examinar . Já havia se passado uma hora e meia, e era alto da madrugada. . Só ficaram ali os avós e padrinhos das crianças .

— Nós vamos para a sala de parto, mas só o pai pode acompanhar. – explicou uma enfermeira, e a família entendeu que era a hora de me dar tchau.

— Boa sorte minha amiga, irmã . – Manuela me abraçou , começando a chorar – Ai, eu tô emocionada.

— Calma Manuela , não precisa se exaltar. – Fábio puxou a namorada para seus braços, deixando que ela depositasse sua emoção ali, enquanto os demais abraçavam a irmã .

— Me dê um afilhado bem bonito. – mandou Sofia .

— Boa sorte. – desejaram meu irmão e Guilherme , beijando minha testa e a minha barriga .

— Traga meus netinhos logo hein? – brincou Ricardo .

Minha mãe e Bárbara desabaram a falar, e ninguém entendia nada. Por fim, as duas me abraçaram apertado, beijando a minha barriga . Minha mãe sentou na cama, pegando a minha mão e sorrindo emocionada.

— Isso estava com migo quando você nasceu. Eu guardei para te dar quando fosse a hora. – ela colocou um terço na minha mão , fechando-a e beijando logo depois – Boa sorte lá dentro minha menina.

— Te amo. – sussurrei pra ela, abraçando minha mãe .

— Eu também te amo. – garantiu minha mãe , beijando a minha testa – Vou estar esperando meus netinhos ansiosamente.

Saíram do quarto, me deixando sozinha com o Lucas . Lucas sentou na cama, pegando a minha mão e observando o terço, antes de dar um beijo.

— Pronto, agora está todo mundo protegido . – ele disse carinhosamente, fazendo eu rir emocionada – Pronta para começar nossa maior aventura?

— Pode vir. – garanti sorrindo.

— Muito bem mamãe... Está pronta para começarmos? – perguntou Dra. Camila, sentando na minha frente . Eu já estava na sala de parto, com Lucas devidamente preparado ao meu lado, a equipe hospitalar me rodeando e as pernas erguidas.

— Não sei se algum dia vou estar, então vamos nessa. – brincou , e a médica riu.

— Bom, você não vai sentir as contrações por conta da anestesia. Então, quando eu mandar empurrar, você empurrara. Está bem? – eu concordei, uma calma anormal se apossando de si. Apertei a mão de Lucas e inspirei profundamente – Muito bem... Empurra.

Foi como se uma corrente elétrica atravessasse meu corpo, enquanto reunia toda a minha força e empurrava. O grito que acompanhou me foi inevitável, assim como o aperto na mão do Lucas.

— Muito bem, muito bem. – elogiou a médica, enquanto eu ofegava.

— Isso linda . – elogiou Lucas , enxugando o suor que começava a encharcar o meu rosto .

— Pronta para empurrar de novo? – perguntou a médica, e eu concordei , arfando – Vamos lá... Empurra.

Foram preciso mais quatro. A cada empurrão eu me sentia mais próxima ao limite, com vontade de cair na maca e adormecer, sentindo todo o meu corpo doendo e clamando por descanso. Mas a ideia de que isso traria, afinal, meus anjinhos para seus braços, me fazia criar forças e recomeçar o esforço.

— Muito bem Luiza, a cabecinha da Milena já saiu. – anunciou a médica sorrindo – Mais um empurrão só. – a mulher concordou – Empurra.

Eu coloquei toda a força que conseguiu no empurrão, enquanto levava o corpo para frente. Lucas segurou minhas costas antes que ela tombasse, apertando minha mão e beijando o topo da minha , enquanto meu grito sumia na garganta e era substituído pelo som mais incrível que qualquer pai e mãe sonhe em ouvir: o primeiro choro de seu filho.

— Pronto. – sorriu a médica, erguendo a criança que gritava – Parabéns papais, é uma menininha linda.

Ela colocou a criança sobre o pano que haviam estendido no meu peito, e uma enfermeira logo enrolou a menina, enquanto eu e Lucas a observavam maravilhados, com os olhos banhados de lágrimas.

— Oi meu amor. – sussurrei acariciando o rostinho da minha filha. O choro diminuiu gradativamente ao entrar em contato com migo logo cessando completamente – Oi minha princesa.

— Ela é a sua cara. – observou Lucas , acariciando a bochecha corada da filha com o dedo indicador – Princesinha...

— Quer cordão umbilical papai? – perguntou a enfermeira, e Lucas concordou sorrindo bobo. Se levantou e se aproximou da enfermeira, que lhe passou a tesoura e mostrou onde cortar – Pronto... Agora precisamos levar a mocinha ai para ser examinada.

A minha cara e a do Lucas foi hilária, como de uma criança que não quer se separar de um brinquedo novo, ou tem medo de emprestá-lo para um amiguinho que possa quebrá-lo

— Se acalmem, logo ela estará de volta aqui. – prometeu Dra. Camila – E você ainda tem que trazer o irmãozinho dela para cá. Ela vai estar em boas mãos, fiquem tranquilos.

Eu concordo, deixando que a enfermeira levasse Milena . Eu e Lucas seguimos a mulher com o olhar, até ela entrar na saleta ao lado, onde o pediatra examinaria a nossa pequena .

— Muito bem Luiza, as contrações já vão voltar. – anunciou a médica – Pronta pra segunda rodada?

— Mais do que pronta. – garanti, renovada pela ideia de ter o meu filho nos braços.

— Muito bem... Empurra. – mandou a médica e eu fiz

Foram precisos alguns empurrões a mais, já que Matheus não estava posicionado como a irmã e era um pouco maior. Lucas se admirava com minha força, duvidando que ele próprio aguentaria fazer tanta força assim.

— Muito bem... Já temos uma cabecinha. – anunciou a médica, fazendo eu e Lucas sorrir largo – Mais um Luiza, um bem forte.

— Vai amor, traz o nosso moleque. – sussurrou Lucas, sorrindo para ela. Eu apertei a mão dele, inspirando profundamente – Vai.

Eu empurrei com toda a força que consegui, gritando tão alto quanto era possível, e novamente Lucas sustentou meu corpo , enquanto esperavam ansioso pelo choro de Matheus, mas esse não veio.

— Tem alguma coisa errada? – perguntou Lucas, vendo a médica enrolar o bebê e cortar ela mesma o cordão – Dra. Camila?

— Só um momento. – pediu a médica, saindo com Matheus nos braços apressadamente. Na outra sala, o pediatra logo estava em cima do menino, junto da médica e duas enfermeiras.

Eu senti o meu corpo tremendo de medo, enquanto apertava mais a mão do Lucas . Ele beijou meu rosto, tentando não transparecer o pânico que sentia. Os segundos se arrastaram, até que afinal, o som que eu e Lucas ansiavam cortou o ar e eu e ele choramos aliviados.

— Pronto, pronto. – Dra. Camila se aproximou com Matheus no colo, já enrolado e com uma toquinha – Tem alguém aqui querendo conhecer a mamãe e o papai.

Eu me ajeitei na maca, estendendo os braços para apanhar o meu filho. A médica colocou Matheus nos braços da mãe, e logo o menino soluçava, se acalmando do choro.

— Oi campeão. – sussurrou Lucas com a voz embargada, dando o dedo para que o filho apanhasse. O garotinho piscou os olhos, e o pai riu – Saiu a minha cara.

— É loirinho, que nem você quando era pequeno. – eu observei, erguendo a toquinha – E lamento amor... Saiu com o seu nariz.

— Tudo bem, a Milena saiu com o seu. – ele sorriu, beijando os meus lábios .

— Tem espaço para mais uma? – perguntou a enfermeira, se aproximando com Milena nos braços. Lucas me encarou, que sinalizei que ele apanhasse a nossa filha.

Lucas se levantou trêmulo, secando as mãos suadas na calça, fazendo todos rirem de seu nervosismo. Ele pegou a nossa filha dos braços da enfermeira, percebendo que ela era tão pequena e leve que conseguiria segurá-la com um só braço, se não estivesse tão nervoso.

Sentou na beirada da maca, deixando a filha virada na direção em minha direção , assim como Matheus estava virado em sua direção. Os dois bebês não mais choravam, apenas bocejavam, piscando os olhinhos para a gente.

— Obrigado por isso linda. – agradeceu Lucas, me fazendo rir.

— Eu que agradeço amor . – eu garanti, lhe dando um selinho – Obrigada por essas coisinhas perfeitas.

— Agora nós precisamos levá-los para o berçário, e a mamãe aí precisa descansar. – anunciou a médica. Eu e ele concordamos meio relutante, fazendo-a rir – Mas antes... Uma foto da família.

— Ah , eu tô um caco. – reclamei , e Lucas riu.

— Eu ainda acho que é a mulher mais linda do mundo. – garantiu ele, passando o braço pelo meu ombro . Eu sorri, arrumando Matheus em meu colo, enquanto ele fazia o mesmo com Milena . Encararam a câmera que a médica segurava, sorrindo para o flash.

Na sala de espera, o clima havia sido de pura tensão na quase uma hora que demorara o parto. De lá conseguiam ouvir os gritos de Luiza, o que angustiava Tania e aterrorizava Manuela e Sofia .

Porém, quando conseguiram ouvir o primeiro choro soando alto, a alegria que os preencheu foi tão intensa que não poderiam descrever. Uma enfermeira veio avisar que Milena já havia nascido e passava bem. Antes mesmo que ela voltasse para dentro, os gritos que Luiza dava eram ouvidos novamente.

Quando eles afinal cessaram novamente, todos esperaram pelo choro de Matheus , que não veio. Se o barulho assusta, o silêncio aterroriza ainda mais.

— Tem alguma coisa errada. – garantiu Manuela , trêmula.

— Calma amor, não vamos pensar negativo. Às vezes as crianças não chorão quando nascem. – Fabio tentou acalmar a namorada, mas também estava inquieto. Porque não estavam ouvindo o choro do seu sobrinho ?

Foi como se o tempo parasse, enquanto todos encaravam a porta que vinha da sala de parto, a espera de algo. E foi com um alívio imensurável que ouviram um choro estridente, logo seguido por outro, sinalizando que vinham de duas crianças diferentes.

Esperaram pela enfermeira, mas após uns dez minutos, quem apareceu foi Lucas . O rosto do rapaz estava marcado de lágrimas, mas o sorriso em seu rosto deixava claro que eram lágrimas de alegria. Ele parou em frente a todos , abrindo os braços e sorrindo.

— Eu sou pai. – disse simplesmente, antes de ser abraçado por todos e cair em lágrimas novamente.

— E está tudo bem? – perguntou Ricardo, após um tempo para Lucas.

— Eles estavam terminando com a Luiza para ela ir pro quarto descansar. – ele tranquilizou a todos – Eu fui com as crianças até o berçário, mas não posso ficar lá.

— E como eles estão? O Miguel está bem ou... – começou Manuela, e o Lucas concordou.

— O Matheus se enrolou no cordão quando a Milena saiu. Não me pergunte como, eu não entendo. – explicou Lucas – Ai quando ele nasceu, estava engasgado. Por isso ele não chorou.

— Nós ficamos preocupados. – garantiu Tânia .

— E nós então? – o rapaz tremeu de lembrar – Foi a pior coisa que eu já senti na minha vida.

— Não vamos pensar nisso. – pediu Bárbara – O que importa é que os dois estão bem, certo? Nós podemos vê-los no berçário?

(...)

Milena nasceu com 37 centímetros e pesando 1,895kg. Já Matheus, nasceu 13 minutos depois, com 43 centímetros e 2,015kg. A menina era uma cópia da mãe, com os cabelos um pouco mais claros, e o garoto idêntico ao pai quanto bebê, incluindo os cabelos extremamente loiros.

— Eles são perfeitos. – sussurrou Manuela, com a testa colada no vidro – Olha como meu afilhado é lindo.

— E a minha afilhada? Aí, que coisa perfeita. – suspirou Sofia.

— A Milena vai ter que ficar no hospital? – perguntou Tânia e Lucas deu de ombros.

— Talvez sim. Dificilmente ela vai chegar aos 2kg até amanhã. – ele observou tristonho – Mas a Dra. Camila já tinha dito que isso poderia acontecer. E se ela ficar, vão segurar o Matheus também, porque não é bom logo de cara deixar os gêmeos separados.

— Depois nós pensamos nisso. – garantiu Tânia – Agora eu quero tirar um monte de fotos deles para mandarmos para todo mundo.

— Podem tirar. – garantiu Lucas sorrindo – Eu vou ver se a Luiza já foi pro quarto.

— Vai lá . – Ricardo apertou o ombro do rapaz, logo voltando a babar nas crianças pelo vidro.

Lucas caminhou pelos corredores em um estado de torpor que não conseguia explicar. Abriu a porta do quarto da noiva, encontrando-a profundamente adormecida na cama. Estranhou vê-la sem o barrigão, e teve que rir da ideia de achar errado vê-la magra.

Sentou-se na cadeira ao lado da cama, observando que ela dormia com a mão próxima ao rosto, o terço da mãe enrolado entre os dedos. Colocou a mão com cuidado por cima da dela, agradecendo em silêncio a quem quer que estivesse ouvindo ou sentindo. Agora tinha uma família para chamar de sua.

Notas finais
Até breve galerinha adorei passar esse tempo com vocês
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!