Trying.
1 Oneshot
Notas iniciais
Bem,essa One é a continuação de Wanna Try. E não,ela não é nada reveladora.
Eu obviamente escreverei mais sobre essas Ones,até porque o número de pontas abertas aqui me dão mil e uma ideias para mais e mais Ones.
Eu adorei escrever essa One! Escrevi em duas tardes sem internet constante em casa,então espero que vocês gostem ♥
One dedicada a Maah que bem, ela sabe porquê. Obrigada por tudo. Obrigada por me ouvir.
E dedicada a Lí também , pq ela é a Lí.
E a todas vcs
e ao mundo
e bem,vamos ler.
(essa é pra compensar a One horrível de Halloween.)
(eu escrevi rápido e juro que ia revisar,mas eu estou tão distraída e bleh hoje,que não consegui,então já peço perdão.)
Era uma tarde de sexta-feira....
...parece que todos os meus relatos acontecem em tardes de sextas-feiras.
Desde que conversamos e chegamos aquele acordo silencioso entre nós – eu e Annabeth – estávamos tentando o que a maior parte das pessoas ao nosso redor pediam : fazer a família crescer.
E não,não é assim fácil. Se fosse,eu teria ido até a esquina e pegado outro cachorro, ou um papagaio,ou um peixe,ou... enfim,vocês entenderam.
Éramos dois adultos que tentavam ter mais um filho. Yeah!
Mas como? Bem,vocês sabem como os filho são gerados....
Minha garotinha mais nova pensa que são as cegonhas. E cá entre nós....quem nunca caiu numa dessas?
Menos aquela do pé de alface. Por favor,quem nasce em pé de alface?
Alfaces.
Nina é e sempre será a coisa mais importante no mundo para nós. Mas infelizmente,ela não será protagonista nesse relato.
Na verdade,o protagonista desse relato,é um espermatozoide que não chegou no óvulo de Annabeth de primeira. Certo,irei explicar.
Desde que tivemos e chegamos aquele consenso de que seria bom ter mais um pestinha nessa casa,Annabeth e eu tentamos.Deuses,como tentamos!
-Percy! Agora! – Annabeth gritou.
Eu achava conhecer o pior período das mulheres : aquele mesmo,a TPM. Mas acreditem,antes disso,vem algo bem,bem pior.
O período fértil.
Eu acho que esse relato será uma aula de biologia.
O período fértil bem,é aquele período. Eu já havia percebido esse período em Annabeth. As pupilas mais dilatadas que o normal,os cabelos mais sedosos,o corpo mais definido,o olhar,a pose tudo mudava. Absolutamente tudo.
Annabeth ficava ainda mais atraente aos meus olhos. E bem,aos olhos dela,isso também era recíproco.
Ela – literalmente – me atacava. E falava coisas que com certeza,ela não diria em seu tempo normal. Ou com as luzes acesas. Ou.... bem,vocês entederam.
Annabeth ficava insaciável. E a ideia de termos mais um Jackson correndo pela casa,a fazia ficar pior.
-Percy! – ela gritou de novo.
-Pelos deuses,se não for aranhas dessa vez – reclamei caminhando até a entrada da sala – Você anda muito estranha,Annabeth.
Nina não estava em casa nessa semana...e mais tarde,eu agradeceria por isso.
-Percy!
-Olha,você anda muito-
-Percy- ela murmurou mais baixo
-Muito estranha mesmo!
-Percy! – ela gritou mais alto,fazendo com que eu olhasse para ela.
E bem,Annabeth não era mais aquela garota tímida.
Ela vestia a coisa mais estranha que eu já havia visto. Era um conjunto de camisola e hobbie vermelho,com cinta na cocha que a deixava muitíssimo provocante. Ela tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo e os olhos ressaltados por um rímel.
E foi quando eu percebi que Annabeth Chase estava deixando as coisas interessantes para nós.
Para qualquer casal normal,ter mais um filho seria fácil e rápido. Certamente,a esposa do casal normal não se vestiria como uma moça de casa norturna em plena sexta-feira à tarde.
Mas nunca seriamos um casal normal.
-Annie – balancei a cabeça – Você precisa parar com isso.
-O que? –ela murmurou,sentando-se no sofá,com as pernas cruzadas – Eu estou quietinha aqui.
-Vestida assim. – acusei.
-Vestida assim –ela concordou.
Outra coisa importante de ressaltar aqui,é que Annabeth mudou muito nos últimos tempos. Vejam bem : tivemos a nossa garotinha cedo e mesmo assim,Annabeth tinha um corpo de dar inveja a inúmeras filhas de Afrodite pelo mundo.
A cintura perfeita,os quadris perfeitos, os seios perfeitos,e Deuses,eu pareço um adolescente descrevendo minha esposa.
-Sabe que horas são? – perguntei,encostando-me no balcão de mármore que separava a sala da cozinha.
-Isso depende –ela murmurou e mordeu os lábios.
-Não depende não – suspirei – Não são horas de a senhorita estar vestida assim – suspirei novamente, dirigindo-me até ela – E não são horas de praticarmos seja lá o que você tem em mente.
-Hum –ela suspirou, desviou os olhos para o tapete da sala e levantou-se, exibindo aquele movimento como um tigre prestes a atacar um veado.
No caso...eu sou o veado.
– Então...talvez eu deva procurar alguém para praticar o que eu tenho em mente. – e dizendo isso,ela passou por mim,dirigindo-se até a porta.
E aí estão as palavras que me entregam totalmente à esta mulher,querido leitor.
Annabeth sabe exatamente como provocar ao meu corpo e minha mente.
Apenas insinuar que ela vai atrás de qualquer outra pessoa,me deixa doido. Frustrado. E me fazem cair de quatro nos pés dessa maldita.
Então aqui,nesse relato,você lerão algumas das vezes que Annabeth – em sua saúde mental plena – seduziu à mim e deixou as coisas ainda mais interessantes.
Interessantes e torturantes.
Foi a semana mais difícil para mim,acreditem.
E aqui,eu agradeço à Poseidon por disponibilizar essa semana para Nina. Ele a buscou em nossa casa – como se soubesse que a mãe da coisinha fofa tinha enlouquecido – e disse que a levaria de volta na outra semana. E por mais constrangedor que isso pareça,após sair da minha casa,ele disse que eu “deveria aproveitar a semana”.
Foi quase um carpe diem. Mas com a semana.
Carpe semana.
Obrigado pai.
Então,aqui vão algumas recomendações para você,querido leitor,que está prestes a ler essa história : ( Não, a história não começou ainda.)
Não seja asmático. Essa história conterá várias cenas de Annabeth Chase tentando me seduzir de forma nada pudórica. E não,essa palavra não existe.
Não leia em tablets no ônibus.
Não recomende isso para ninguém. Apenas vocês que realmente sabem que isso aqui é um relato completamente verídico precisam saber que esse relato é um fato completamente verídico.
Realmente,não seja asmático.
Imagine você lendo isso no ônibus e uma senhorinha ao seu lado lendo também.
Então lá vai.
Segunda-feira.
Eu esperava ter bife no jantar. Deuses como eu esperava ter bife no jantar. Imaginem vocês ,após um dia extremamente cansativo de trabalho,não ter bife no jantar de casa.
As coisas já não estavam boas com Nina estando fora de casa. Odiava ter que ficar longe dela,mas Poseidon também odiava.
Talvez seja coisa nossa.
Enquanto dirigia para casa,pensando em todas as combinações de bife para o jantar,não deixava de pensar em como podia ser divertido não ter a Nina em casa.
Não que eu não ame a minha filha. Obvio que não. Basta ir até o perfil da moça que posta meus relatos,que vocês irão ver como eu amo minha menina.
Mas algumas coisas ficam esquecidas quando você tem mais uma pessoa em casa.
Tipo...no quarto. E essas coisas.
O Percy está falando de sexo? Sim.
Não que não tenhamos vontades depois de casados e com filhos,mas é que... algumas coisas no decorrer do dia...enfim,vocês entederam.
Se não...entenderão mais pra frente.
Se não...ficarão sem entender por um tempo e entenderão com a vida.
Não que eu deixe as coisas caírem nas mesmices conosco,não. É que Annabeth trabalha muito no escritório de Arquitetura dela,e eu trabalho muito no Aquario Central,e ...bem,as vezes chegar em casa,jantar,dar um banho e assistir desenhos com a nossa menina,fazer uma massagem um no outro e ir dormir,é tudo que precisamos.
Mas ultimamente....Annabeth precisa de mais.
As massagens não são tão inocentes. E os olhares também não.
Ela precisa de mais. Eu preciso de mais.
Então decidimos,pro bem da humanidade que Nina deveria passar uma semana com Poseidon.
Eu espero que uma semana seja suficiente.
Outra coisa que eu não consigo parar de pensar é no que isso pode nos levar. É fato que Annabeth deixou de tomar seus remédios tem um tempo,e também é fato de que visualizar um garoto de olhos cinzas e cabelo preto se tornou algo constante na minha cabeça.Não que eu deseje que ele seja parecido com Nina,mas...bem,ela é a única coisa que existe que possui a nossa característica.
E cá entre nós...ela é linda.
Ter um garoto ou mais uma garota com as mesma características seria fantástico.
Ao mesmo tempo que visualizo um garoto ou garota de cabelos loiros e olhos verdes também é.
Eu só desejo mais de Annabeth para poder amar.
Quando estacionei o carro na garagem,vi meu vizinho observando atentamente a janela de cima,mais precisamente a janela do nosso quarto.
Mas que diabos...
-Hn – pigarreei – Jordan?
Jordan é um garoto nos seus 19 anos de idade. Cheira a desodorante e anda de skate. É filho do Jordan Pai,e da Jordan mãe.
Para vocês verem como interagimos com os vizinhos. Nem sabemos o nome deles.
É um garoto legal,porém parece não perceber que Annabeth é casada comigo.Isso já me fez ter muita vontade de entrar no quarto dele a noite cortar suas partes preciosas.
Mas Annabeth me impediu.
Também já me deu muita vontade de passar por cima do seu skate com o meu carro e dançar nú em cima dele enquanto o via chorar pelo skate.
Mas Annabeth também me impediu.
-E ai cara – ele sorriu – Beleza? Tudo firmeza ai na sua área?
-Hm –olhei para seu skate,lembrando que eu não deveria cortá-lo em pedacinhos – Tudo bem. Olha,eu agradeceria se você...parasse de olhar para a janela do meu quarto.
-Eu não estava olhando –ele sorriu – Tava encarando. Pegou essa? –ele arqueou as sobrancelhas – Encarando. Comigo vai,todo mundo en-ca-ran-do.
Tivemos um minuto de silencio e eu juro por todos os Deuses olimpianos que eu tive que me segurar para não bater com um dicionário na cara desse garoto.
-Certo.
-Beleza.
-É.
-É isso.
-Isso.
-Falou aí –e saiu.
Aqui vai uma descrição rápida sobre Jordan : ele não é normal. Nada normal.
E eu ainda vou quebrar o skate dele na cabeça oca do mesmo.
-Eu realmente acho que esse garoto deve ser filho do deus olimpiano mais vazio do universo –reclamei,entrando dentro de casa.
Porém,algo estava estranho.
As luzes estavam apagadas e os brinquedos de Nina estavam arrumados no quarto de brinquedos dela. A cozinha cheirava a bife ( SIM!),porém as luzes também estavam apagadas.Por um momento,eu imaginei que Annabetn poderia ter saído,ido as compras ou algo assim,mas quando vi que não haviam bilhetes na geladeira,comecei a estranhar ainda mais.
Duas opções : ou algo estava extremamente errado ou extremamente certo.
E vocês sabem que conosco,as coisas são nos extremos.
Já colocando a mão no bolso da minha calça e agarrando minha espada em forma de caneta companheira,subia de forma silenciosa as escadas para o andar de cima.
Quem sabe , em uma situação menos extrema,eu descreva a minha casa de forma mais calma para vocês. E mais detalhada.
Prendendo a respiração,caminhei pelo corredor,passando pela porta azul Tardis de Nina,e indo em direção a porta do nosso quarto.
Aqui vai outra observação : porta fechada.
Ok,possibilidades.
Ou Annabeth está super bem lá dentro,ou ela está amarrada em cordas,numa cadeira com milhares de monstros à minha espera e com apenas um erro de movimento meu,irão cortar a sua jugular.
Eu sei. A cabeça de semideuses mais velhos é uma baderna.
Acostumem-se ,logo mais vocês virão como é isso.
Soltando a respiração e tirando a tampa da minha – eterna e fiel companheira – caneta, observei-a virar Contracorrente.
Eu juro que poderia dar pulinhos nada másculos toda vez que visse minha caneta magicamente virar Contracorrente. Eu poderia mesmo. Eu juro. Não desafiem.
Eu poderia beijá-la também. Só para agradecer todas as vezes que ela livrou a minha pele e cortou monstros por mim.
Abrindo a porta bem lentamente e –
- AHÁ! – e este sou eu abrindo a porta.
Vocês sabem que eu sou um cara hiperativo. Eu jamais terminaria de descrever o que estava acontecendo para depois abrir a porta.
Depois de abrir a porta e me deparar com o eterno nada,foquei meus olhos na única coisa que poderia salvar aquele momento constrangedor : Annabeth.
Deuses como eu queria beijá-la até nunca mais sentir meus lábios.
A maldita estava deitada sobre a nossa cama,usando apenas aquilo que ela usava para dormir : minha camiseta azul. Provavelmente,a minha camiseta azul favorita.
Até porque ela ficava muito melhor nela do que eu.
Ela estava deitada de bruços,os cotovelos apoiados na cama,e a cabeça nas mãos. Os cabelos loiros presos num coque mal feito no alto da cabeça,e os olhos risonhos.
-Você...está rindo de mim – murmurei,tampando minha caneta.
Obrigado,caneta. Mas não foi hoje.
Ela virou a cabeça para o lado e sorriu mais abertamente.
Ela nunca esteve tão linda.
- Você achou que tinha um monstro aqui.
-Eu achei que você estava sendo atacada!
-Eu ? –ela riu baixinho e sentou sobre os calcanhares – Se houvesse um monstro aqui,amor,quem estaria pedindo por socorro?Eu ou o monstro? – ela arqueou aquela sobrancelha provocadorazinha.
-Touché – murmurei com o orgulho ferido.
Quando é que eu vou aprender que Annabeth pode se defender sozinha?
Já brigamos tanto por isso!
Observei melhor seu rosto corado e a forma bagunçada de seus cabelos.
Mal sabia ela que só com esse tom de vermelho nas bochechas já me seduzia de forma inigualável.
-Você chegou cedo –sorri,aproximando-me. Sentei na beirada da cama,virado para ela – Beijo.
Ela prontamente me respondeu.
-Beijo. –e me deu um selinho demorado. – Eu tive pouco trabalho hoje. – Ela virou-me de costas e passou as mãos pelos meus cabelos teimosos – Eu fiz a burrada de comentar com a minha chefe que essa semana estaríamos apenas nós dois em casa,e ... – Annabeth abriu os dois primeiros botões da minha camiseta- e... você sabe ,ela me mandou vir mais cedo.
-Você é uma danadinha – sussurrei,rodeando sua cintura fina com meus braços – Saindo mais cedo do trabalho,para vir até em casa,cozinhar aquilo que eu gostaria de comer...-
- Bife –ela sussurrou. E deuses me perdoem,mas aquela palavra parecia muito suja vindo daquela maneira.
-... e usando esse pedaço de pano,sem o menor pudor – puxei sua camiseta.
-É sua camiseta – ela terminou de abrir os botões da minha camisa,e sorriu – Eu achei que você gostasse de me ver usando suas camisetas.
-Esse é o problema – sussurrei,puxando-a para o meu colo,fazendo-a rir – Como foi o seu dia hoje?
Annabeth revirou os olhos,puxando o cabelo para fora do coque bagunçand,fazendo-os cair em cascatas pelas costas.
Como uma deusaaaaa....
- Não estou muito afim de falar sobre o meu dia hoje... – ela sussurrou,puxando minha camisa,e jogando-a no chão. Automaticamnete,apertei suas cochas nas minhas mãos.
.......você me mantém.....
Dois podem fazer isso,meu amor.
Puxei seus cabelos com cuidado,e enterrei meu rosto no seu pescoço.
-E sobre o que você quer falar?
....e as coisas que você me diz.....
-Na verdade, o que eu tenho em mente — ela sussurrou ao pé do meu ouvido – Não envolve muito a fala.
...me levam além.....
Enrolei suas pernas ao redor do meu quadril,fazendo-a gemer baixinho.
-E o que você tem em mente?
...como uma deusaaaaa...
-Talvez eu deva te mostrar –ela se mexeu no meu colo,fazendo-me grunhir.
E realmente,ela me levou além naquela segunda-feira.
E só os deuses – talvez nem eles – sabiam o que me esperava no resto da semana.
Terça-feira.
- I want to breek free yeah – lá estava eu,voltando para casa,ouvindo Queen. Fora um dia ótimo. Talvez por eu ter tido uma noite ótima e uma manhã melhor ainda.
Annabeth...bem,Annabeth também,vamos dizer que ....é,ela teve uma ótima noite também.
Os pássaros cantaram a manhã toda,houveram problemas no aquário : uma foca tentou sair de lá,mas eu conversei com ela e tudo se normalizou.
Conversei no sentido real da palavra,vocês sabem.
Mas o ponto é : havia sido um ótimo dia. E talvez isso dê ao fato de que a minha mulher maravilhosa talvez esteja grávida neste momento do meu próximo filhinho.
Deuses,como eu quero ser pai pela segunda vez!
Eu imagino uma criança extremamente mandona como mãe. Irritante e mandona,porém controlável e pés no chão.
Se eu fosse entrevisto nesse momento pela CNN,eles me perguntassem o que eu mais gostaria neste momento ? Ser pai pela segunda vez.
E bem,digamos que Annabeth facilitou as coisas.
Hoje,era dia de pizza em casa. Quero dizer,terça feira é dia de qualquer coisa,então vamos de pizza.
O céu ainda estava limpo,e sem nenhum resquício de chuvas,o que era maravilhoso.
Estacionei meu carro na frente da casa,e espiei pelo canto do olho,meu vizinho com níveis altíssimos de retardisse aguda,bizoiando pela janela do quarto dele,a janela do meu banheiro.
Eu teria que ter uma conversa seríssima com a Sra.Jordan Mãe.
Saindo do carro,e trancando-o,já tinha até me esquecido que hoje era dia de levar o Jimmy para andar. O coitado do cachorro comia a grama do jardim dos Jordan’s,e eu até fiquei tentado a brigar com ela....porém olhando Jordan Filho bizoiando a janela do meu banheiro....deixei o Jimmy comer a grama que quisesse.
-Querida –gritei –Cheguei!
Nada.Nenhum piu.
Tudo bem,se tem algo que eu apendi é que se Annabeth estivesse trancada com algum monstro,o monstro estaria pedindo socorro.
Girl Power.
As coisas estavam tranquilas na sala. Tudo arrumado como deveria.
O quartinho de brinquedos trancado,a cozinha com cheiro de biscoitos....ah,biscoitos.
-Sabidinha? – chamei,no pé da escada. Talvez ela estivesse no andar de cima.
Porém nenhum piu.
Procurei na porta da geladeira algum recado de que ela havia saído,mas não havia nada.
E aqui vão algumas coisas que vocês precisam saber que mudaram durante esse tempo : vocês sabem que eu sou – provavelmente – o cara mais impulsivo do mundo.
É como meu pai costuma dizer : as ondas agitadas são como nossos pensamentos. A maré alta é como nossa raiva, e os furacões são como nossas fúrias.Isso aqui vai fazer sentido pra vocês mais pra frente.Existem algumas coisas que me deixam furioso : ser acusado de algo que eu não fiz é uma delas.
A persistência na acusação de algo que eu não fiz,é outra delas.
Ok,essa lista seria enorme,porém o que importa aqui é o seguinte : não ser avisado das coisas,é uma delas. E adivinhem só....Annabeth é sensei em todas elas.
Suspirei,já começando a sentir meu humor murchar.Mas tudo bem,vai ver ela só esqueceu de deixa o aviso.Ou esqueceu de ligar. Mandar uma MI. Mandar uma mensagem via internet. Mandar qualquer sinal de fumaça.
Vai ver ela só...esqueceu.
Dez horas da noite. Esse é o horário de agora.
Dez horas. Nas últimas cinco horas,eu : limpei o quarto de Nina,tirei os biscoitos do forno,comi todos os biscoitos tirados do forno,lavei a louça,arrumei os lençóis na cama,arrumei a estante, e nas outras três horas restante fiquei ligando para o celular da minha – sem coração –esposa.
Onde Hades ela se meteu? Essa,meu querido leitor,é uma ótima pergunta.
Por que diabos ela não atende as ligações? Olha querido leitor,eu pagaria por essa resposta.
Por que santo Poseidon ela não ligou ? Querido leitor...você faz muitas perguntas.
O fato é que eu estou cansado de conversar com meu subconsciente. E cansado de ficar ligando para inúmeros números.
E ficando extremamente preocupado.
Onde diabos-
-Querido – ouvi sua voz – Cheguei!
Eu tentarei descrever tudo o que aconteceu comigo quando ouvi suas palavras...
Eu primeiramente,fiquei aliviado. Sim,eu sei. Por mais que ela e o mundo todo saiba que Annabeth sabe se defender sozinha,eu fico aliviado que ela esteja bem. De segundo plano eu fiquei confuso. Se você está bem e com saúde – e viva – porque filhos de gigantes você não atendeu ou não deu um sinal de fumaça? Terceiro,porém não menos importante – diacho,eu tô puto.
Opa,perdão as palavras feias.
Eu estou tremendamente irritadiço com o sumiço de minha digníssima — porém — não muito comunicativa esposa.
Melhor?
Levantei-me abaixando volume da televisão,já suspirando e pedindo aos Deuses que me dessem paz e amor no coração.
Mas eu tô puto.
Opa.
Irritadiço.
Annabeth vestia uma calça jeans justa e preta,junto com seus tênis all star e uma camiseta regata azul,com rendas no decote. Segurava um casaco preto nos braços,o que me diz que ela tavez não tenha notado que estava um calor danado quando ela saiu.
Ou ela saiu cedo e estava frio.
Eu sei. Sou mestre nas deduções.
Ah Annabeth...o que eu faço com você?
-Olá querido –ela sorriu de lado,e deixou o casaco no braço do sofá,vindo em minha direção e atirando-se nos meus braços –Estamos quietos hoje,hun? –bincou.
-É,nem me diga –sorri forçado. Ela virou a cabeça para o lado – gesto irritantemente fofo – que ela faz quando está confusa,porém fez um carinho gostoso no minha nuca.
-Como foi o dia hoje? –perguntou,sorrindo.
Droga.Pare com isso,diacho.
-Silencioso – sorri. –E o seu?
Annabeth arqueou uma sobrancelha e se afastou.
Touché.
Afastou-se,cruzando os braços e mexendo os pés de forma desengonçada.
“Desengonçada” geralmente não é um adjetivo ligado à Annabeth,vocês sabem.
-Hm...normal. Eu não fui ao trabalho hoje. –ela sussurrou –Estamos bem,Percy?
Não.Não diacho,não estamos.
Onde diabos você estava?
-Claro.
Claro? Deixa de ser boboca e fala logo.
-Ok –ela suspirou. –Eu fui as compras hoje-
-E você não pensou nem em me ligar ou algo assim? –perguntei,olhando para as minhas unhas.
Tinha uma pelezinha ali me incomodando,menina.
-Eu nem levei o celular – ela suspirou – Você jantou?
-Você jantou? –retruquei. –Porque,bem,eu estava aqui esperando você pra fazer isso.
-Eu jantei. –ela suspirou –Com o Nico e tudo. Você sabia que ele e Thalia andaram se aproximando por uns tempos? Você nem vai acreditar,menino! Parece que o Jason-
-Eu pareço interessado no Jason? –calma,Percy.Calma. Controle-se. Olha o cabelo dela que lindo. Olha o sorriso e o formato dessa boca que perfeição.Respira,homem. - Onde diabos você estava,Annabeth?
E é isso. Volta lá em cima no parágrafo de comparações com o mar.
Vai fazer sentido agora.
Annabeth cruzou os braços novamente,considerando.
Annabeth era como uma máquina. E eu adorava vê-la funcionando.
Primeiro aquele rápido pensamento de “eu tenho culpa ou não”. Depois de concluir ou ela : pedia desculpas (adorava quando ela admitia estar errada) ou ela retrucava ( e fazia a mesma expressão que ela está fazendo nesse exato momento).
As sobrancelhas arqueadas e a boca levemente abeta. Os olhos semicerrados e as bochechas um tanto coradas. Eu podia ouvir seu cérebro formando respostas e todas elas com um tom de ironia ou aquele mais sarcástico.
-Eu disse que fui as compras.
-E?
-E é isso –ela terminou.
-E é isso? Você..não sei,não pensou em...sei lá –suspirei –Ligar pro babaca do seu marido que estava aqui morrendo de preocupação?
-Preocupação? –ela apontou para a televisão,agora com o tom um pouco mais alto –Por favor,você estava assistindo a Oprah!
Ok,a televisão estava ligada na Oprah mas isso não quer dizer que eu...eu...Ah ela passa umas mensagens bem legais.
Dá um tempo,leitor!
-A questão não é essa! –gritei,com raiva. –Você não percebeu que eu liguei umas oitocentas vezes pra você?
-E você não ouviu quando eu disse que,diabos,eu não levei o celular!? –ela gritou também.
Hm,amor. Você não deveria usar esse tom comigo.
-Você! – grunhi – Eu não acredito que estou tendo uma discussão dessa com você! Você não vê a infantilidade que isso é?!
-Você,você,você,você –ela me imitou –Blá blá blá. Você não percebe a falta de senso? Que diabos,eu estava com Nico!
-E isso deveria me manter mais calmo? –gritei.
Annabeth bateu o pé no chão.
Eu já vi esse gesto em algum lugar....Ah é,foi na nossa filha de cinco anos!
-Você não ouse me fazer sentir culpada! –ela gritou – Você....urgh!
-Infantil!
-Você não comece com isso,Perseu!
-Sua-
-Percy!
-Você-
-Percy!
-Olha,pra mim chega! –gritei –Quando você crescer,você vem conversar comigo!
E aqui é uma aula de como fazer uma saída triunfal.
Com essa, já estava praticamente na escada,quando Annabeth – literalmente –me empurrou contra a parede.
Literalmente,eu disse.
-Mas o que-
-Você é um cretino –ela gritou –Eu não acredito que você está mesmo brigando comigo por causa dessa porcaria.
- É mesmo? –segurei seus pulsos – Pensa no contrário. Você ia gostar se eu tivesse sumido o dia todo?Hun?
Annabeth fixou os olhos em mim,e....oh,céus. Alguém por favor nos controle.Porque se existe anjo no céu que tenha esses olhos...eu certamente levarei essa demôniazinha comigo.
E lembrando-me que somos dois provocadores...
-Depois..- suspirei e enterrei meu rosto no seu pescoço maravilhoso – Depois da noite que eu te dei ontem,amorzinho ,como você se atreve a me deixar no silêncio hoje.
...eu disse,provocadores.
De repente,Annabeth começou a me socar,com raiva.
-Você...eu odeio quando você consegue fazer com que eu me sinta errada –ela me batia sem parar.
E falando de Annabeth,vocês sabem que não são soquinhos fofos. É soco de verdade. Soco de ficar roxo.
Mas vocês sabem também que eu sou – e isso são dados comprovados – umas 30 vezes mais forte que ela.
Não,bocós,eu não bati nela. As vezes até que dá vontade de dar umas palmadas nessa menina.Mas dessa vez,eu apenas virei-nos colocando-a contra a parede.
Eu sempre quis escrever isso. Não parece uma frase de um filme do James Bond?
Percy Bond.
Voltando ao foco narrativo : Annabeth.
Ela grunhiu e tentou me bater ainda mais quando nos virei colocando-a contra a parede. Prensei-a contra a pintura grafiada e ela gemeu baixinho.
-Me solta – ela pediu e olhando-me nos olhos – Agora.
-Ou? –suspirei. Eu sei,vocês sabem,e sabe-se lá qual Deus está nos espionando sabe,que nós dois nunca saímos assim brigados de uma discussão.
-Ou –ela suspirou –Ou eu vou gritar.
-Então é bom você preparar a garganta – pigarreei,puxando seu quadril pra cima,e prendo-a na parede,agora com meu corpo prensado no seu – Não vou soltar você.
-Eu vou pedir só mais uma vez...-ela cruzou os braços em frente ao peito –Me solta.
-Não.
-Você é todo errado.
-E você tá parecendo uma criancinha mimada com esse beicinho no rosto –sussurrei,arrancando-lhe um beicinho ainda maior.
-Me solta – ela pediu novamente,porém,prendendo suas mãozinhas nada bobas ao redor do meu pescoço.
Ah fala sério.
-Você não atendeu minhas ligações – sussurrei,colocando uma mecha do seu cabelo teimoso atrás da sua orelha – E eu tive um dia tão bom...
-Você tá estragando meu penteado –ela ignorou meu comentário,de forma proposital.
Ah Annabeth...como se eu não conhecesse seus movimentos.
Comigo não contra mim,se lembra?
-E você estragou meu dia –falei,agora realmente demonstrando minha chateação...
...ah vocês sabem. Voltem lá no começo da minha terça-feira e digam que vocês esperavam que ela terminasse assim?
Annabeth é insconstante.
Nem eu esperava isso.
Eu sou inconstante. Nina é inscontante.
Annabeth parou por um segundo e abaixou os olhos....começou a fazer carinho na minha nuca e bem...eu estava entregue.
-O que eu posso fazer para recompensá-lo? — Perguntou inocentemente.
-Bem... –mordi seu lábio inferior e sorri –Você bem que podia colocar aquela camiseta de novo.
E eu acho que falta mais alguma coisinha inconstante nessa casa.
Quarta-feria.
Quarta-feira de chuvas para acabar com meu humor. Delicia.
Hoje,deveria ser o melhor dia da semana. Quero dizer,é tecnicamente o meio da semana. Isso significa cada vez mais perto da sexta-feira,e mais perto do sábado. Eu amava quarta-feira.
Até a chuva começar a cair de forma descontrolada pela Manhanhattan inteira. Os animais do aquário ficavam mais agitados quando chovia.
Eu adorava meu emprego. Era como....bem,aqui vai uma comparação bem idiota e provavelmente a mais sem sentido que eu já fiz em todos os meus relatos – detalhe que eu já comparei a minha relação com a minha – maravilhosa — esposa,com legos.
Trabalhar no Aquário é como....como se eu tivesse o meu próprio Jurassic Park.
Eu disse.
Vejam,é exatamente a mesma coisa....só que os animais são diferentes. Eu me sinto muito bem quando alguma foca ou algum golfinho fica mais agitado e eu vou lá e o acalmo.
É como Chris Pratt com os dinossauros deles.
Eu sou o Chris Pratt dos aquários.
Outra coisa que com toda certeza me mantinha nesse emprego –além das minhas habilidades em acalmar golfinhos – que másculo! – era o fato de Nina amar esse lugar.
Vejam,para um filho de Poseidon,ter uma filha que adora todos os animais marinhos,é simplesmente a coisa mais amável no mundo. E se Nina gosta....
... o pequeno Jonny também vai gostar. Ou a pequena Jonny.
Nomes...eu preciso trabalhar nisso.
Algo que vocês devem ter notado nesse relato,é a descontração com a qual eu os estou tratando...mas amigos,eu estou morrendo de medo. Por alguma razão desconhecida por mim,toda vez que penso em Annabeth grávida,eu penso no parto da Nina.
E na forma como a qual eu não voltei a sentir minha mão em 100% depois desse fato.
Não fora um parto fácil....eu lembro muito bem disso.
O pequeno Nathan podia vir com mais calma,hun? Ou a pequena Nathan.
Eu preciso mesmo trabalhar nisso.
Mas o que realmente me motiva em continuar firme e forte nessa ideia de uma família maior,além é claro do fato de que precisamos disso,é a solidão da nossa menininha.
Nina é faladora. Vocês sabem disso. E boa parte das tardes em que ela não está na casa de alguma coleguinha ou na casa de Thalia,ela fica sozinha com alguma babá.
O que eu sou extremamente contra. Não me perguntem,acho que tive traumas não revelados com babás.
Ela não diz,mas eu sei que ela não gosta e que se sente sozinha. E...bem,eu e Annabeth sabemos como é se sentir realmente sozinho e vazio,e esse –definitivamente –não é um sentimento que desejamos para ninguém.
Principalmente,para a nossa filha.
Então...eu acho que o pequeno Bruce vai fazer bem à ela.Ou a pequena Bruce.
Eu desisto.
Estava sendo uma semana torturante sem a minha pequena cria em casa...ao mesmo tempo em que estava sendo bem interessante.
Annabeth Chase. O que dizer sobre essa pessoa que simplesmente muda meu dia com um sorriso. Ou com a falta dele.
Além da chuva,o transito infernal também me atrasou a chegar em casa. Presenciei dois acidentes – de pessoas doidas – que simplesmente não sabem freiar no momento certo,e claro,como bom americano e samaritano parei para ver se eles precisavam de ajuda.
Eu sei...obrigado.
Quando cheguei à minha garagem,percebi que o meu vizinho – Jordan,o garoto sem cérebro algum – não estava ali.
O dia começou a melhorar.
Saí do carro correndo –como se isso fosse fazer com que a chuva não me molhasse – e entrei em casa,sem nem mesmo trancar o carro. Mas ninguém mexeria ali. Ninguém é doido a esse ponto,por favor.
E bem...dois dias atrás,eu tive algumas surpresas.
Annabeth está se esforçando muito para que nós...bem,vocês sabem. Para que nós tenhamos o novo Barry. Ou a nova Barry.
Eu prometo que melhorarei nos nomes.
E...vejam,não é que eu estivesse esperando algo diferente todo dia da semana.
Mas eu estava.
Shiu.
Annabeth estava sentada no sofá da sala com os cabelos presos em uma rabo de cavalo no alto da cabeça. Usava uma maquiagem que a deixava muito,muito bonita. Seu belo – e meu – corpo estava depositando de forma muitíssimo confortável no sofá.
Deuses,o que eu poderia fazer com aquele corpinho...
Ei! Isso lá são pensamentos para essa hora!
Ah,como se vocês não tivessem sacado que esse relato está repleto de duplo sentidos.
As luzes da casa estavam apagadas,mas de alguma forma,e dizendo que o céu estava bem escuro lá fora,eu podia ver seu rosto perfeitamente. As pupilas nos olhos cinzentos mais dilatas que o normal. A forma como ela tinha os lábios delineados por um batom,e como seu meio sorriso despertava partes do meu corpo que vocês não querem saber detalhadamente sobre.
Ah,Annabeth.
-Sim? –ela sorriu.
-Eu disse isso alto? – perguntei,abrindo os primeiros botões da minha camiseta.
-Como sempre – ela riu baixinho – Você não quer que eu faça isso por você? – ela perguntou,referindo-se à minha camisa.
-Você já faz muito só por estar aí – sorri.
Annabeth abaixou a cabeça com um sorriso de canto a cano no rosto, e são nesses momentos de seu discreto constrangimento que eu sei que estou fazendo a coisa certa.
Annabeth descruzou as pernas,revelando-me sua saia vermelha com listras...
Mas o que...
-Bem – ela suspirou,levantando-se. Ela vestia uma camiseta social branca,com um nó no final da mesma. – Eu...sabe,pensei que-
-O que você está fazendo? – perguntei,aproximando-me. –Tentando me matar do coração?
- Você é bem indiscreto –ela suspirou – Eu só quero deixar as coisas divertidas pra você.
-Como se o ato em si já não fosse divertido – sorri,vendo-a ficar corada.
-Idiota – ela revirou os olhos.
-Você sabe...o que o pequeno Taylor,ou a pequena Taylor vai pensar quando contarmos a história de como ele foi concebido for essa ? –perguntei,provocando-a – Vou contar pra ele que você,querida esposa,tentou me seduzir vestindo-se de colegial.
-Idiota – ela suspirou,colocando as mãos no rosto corado – Isso não é história para crianças!
- Bem...talvez o pequeno James,ou a pequena James descubra sozinha.
A Nina foi concebida em um inocente piquenique. E é só isso que vocês precisam saber.
Por enquanto.
-Você não vai escolher o nome do nosso bebê.Definitivamente não.
-Você sabe que eu não sou bom nisso.
-Você é bom em outras coisas – ela sussurrou,mordendo o lábio inferior.
Começou.Preparem-se para o show.
Por favor,apertem os cintos.
E não comem pipoca demais.
-É mesmo? – perguntei – Por exemplo...?
-Você é muito metido,Jackson – ela disse,colocando as mãozinhas na gola da minha camisa e puxando para longe – Sabe,as pessoas esnobes gostam de ouvir outras pessoas falando sobre as suas habilidades.
-É mesmo? –perguntei novamente,não para enfatizar alguma coisa ou algo do tipo,mas porquê eu estava hipnotizado no seu rosto maravilhoso.
- É mesmo –ela sorriu – E... –ela se colocou nas pontas dos pés para sussurrar no meu ouvido – Você é um cara muito bom em algumas coisas.
-É mesmo? – caramba idiota,dá uma variada nas palavras.
-É,é mesmo –ela pigarreou – Você....acha que vai dar certo?
Quebra rápida no assunto é com Annabeth mesmo.
-Você me seduzir usando isso? Definitivamente – sorri.
-Não,Cabeça de Algas. –ela sorriu – Você sabe... –ela balançou a cabeça para os lados,parando seu olhar no chão – Eu quero tanto outro bebê que eu tenho medo de estar fazendo as coisas erradas.
-Querida, essa roupa não é nada errada.
-Percy! –ela revirou os olhos e suspirou – Eu...tô com medo.
Algumas coisas mudaram durante os anos,vocês sabem. E outras não. Para Annabeth Chase revelar que está com medo de alguma coisa dar errada,é porque esse medo já tomou 89% do seu cérebro e quase seu corpo inteiro.
Nós nos conhecemos como ninguém,vocês sabem. Não era nem necessário que ela disse – no caso, revelasse – que está com medo.
O fato aqui é que o nosso pequeno Kyle,ou a pequena Kyle – eu tô tentando,qual é – vai vir no momento certo.
E esse é o momento certo.
-Annabeth – puxei suas mãos até as minhas e sorri. Deuses como ela pode ter dúvidas de que isso daria certo? – Você sabe que tudo o que nós queremos,nós conseguimos.No nosso tempo.Da nossa forma. E sabe porquê? Porque.. – enrolei uma mecha do seu cabelo nos dedo – porque nós merecemos. Você sabe que eu não vejo nada além de você. Você sabe que eu não quero nada além de você e tudo o que nós almejamos agora.
-Almejamos? Você anda lendo algum livro novo?
-Shiu,me deixa terminar – sorri – Você sabe que tudo,Sabidinha,tudo o que nós queremos,nós conseguimos,não sabe?
-Eu sei.
-O que nós queremos agora?
-Um bebê.
-E como conseguimos isso?
-Tentando.
-Então venha comigo – e saí puxando-a comigo até as escadas.
E foi uma noite bem divertida.
Quinta-feira.
-Sai da frente,cacete! –gritei pela janela.
Droga.
Droga mesmo.
Era a quinta-feira mais esquisita de todas. O dia começou com um belo café na cama,seguido de beijos e carícias por parte da minha esposa.
E aí eu vim trabalhar. E aí ela foi trabalhar.
Quatro horas depois,Patricía do departamento de RH do escritório de Annabeth disse que ela estava passando mal. Quatro horas depois.
Isso é simplesmente maravilhoso. Maravilhoso.
Segundo Patricia,Annabeth estava morrendo de dores de cabeça e não conseguia trabalhar. E como a orgulhosa filha de Atena que ela é,não me ligou nem nada do tipo.
Cacete.
Passei voando por um sinal vermelho em direção ao escritório da filha de Atena mais complicada do mundo.E as multas vão todas para a nossa casa,vai ser lindo lindo.Já saindo do carro ao chegar ao prédio comercial onde se encontrava o escritório da minha moça,saí correndo pelas escadas mesmo até o seu andar.
O décimo. Sim,eu me arrependi de não ter nem tentado o elevador.
-Cadê ela? –perguntei ofegante para a recepcionista.
Andrea? Olivia? Não interessa agora.
-Oh –ela suspirou – Eu...oi.
-Annabeth? Onde? –perguntei impaciente.
Alice ? Denise?
- Hm...- ela piscou diversas vezes – No banheiro,Sr.Jackson.
-Obrigado- saí correndo até a porta da esquerda,e tentei entrar.
Trancada.
Quem diabos,passando mal,tranca a porta do banheiro?
A Sra.Jackson.
-Vai embora! Eu tô bem,Patrícia! – ela reclamou,a voz baixinha e fraca.
-Sou eu.Abre a porta –pedi.
Houve um momento de total silêncio e eu quase pude visualizar Annabeth revirando os olhos e fazendo careta.
-Não.
-Annabeth-
-Vai embora. Eu já disse que tô bem.
-Quantos anos você tem? Seis? Abre a porcaria da porta – reclamei.
-Vai embora.
-Annabeth!
-Percy!
Suspirei colocando as mãos na cintura. As vezes eu me sentia falando com a Nina. No caso,sempre em situações como essa. Só que com a pestinha,era só dizer que eu lhe daria alguns doces ou lhe contaria alguma história que as coisas eram resolvidas.
Annabeth era quase tão impossível quanto a menininha.
-Eu vou derrubar a porta – declarei.
-Você não precisava ter vindo até aqui –ela disse e suspirou – É sério,eu já estou me sentido bem!
-Annabeth – declarei novamente — Eu vou derrubar a porta.
-Eu só tô meio enjoada,Percy –ela disse – Isso até pode ser bom,lembra?
-Não me interessa.Abre a porcaria da porta – pedi,calmamente.
Isso mesmo,calmamente. O que?
Vocês não me viram bravo ainda.
-Não fala assim comigo – ela reclamou. –Ou eu vou socar a sua cara.
-Abre a porta – bati na madeira de forma nada descontraída – Vou contar até três,e se você não abrir eu irei derrubar essa porcaria.
-Boa sorte – ela riu e gemeu de dor ao mesmo tempo – Eu quem projetei esse banheiro,querido.
-Um.
-Se você conseguir quebrar isso aqui-
-Dois.
-Eu serei a pior arquiteta do mundo.
-Três .
Bati na porta com o ombro esquerdo fazendo-a tremer.
-Abre essa droga – pedi novamente.
-No.
-Abre essa porcaria.
-Na na ni na não.
-Abre.
-Não!
Bati de novo.
-Vai cair – declarei.
-Eu duvido.
-Abre.
-No.
Bati novamente.
As pessoas no escritório só olhavam e riam baixinho.
Eu até podia ouvir os pensamentos deles : Essa menina vai deixar mesmo a porta cair?
Cheguei o mais próximo possível da porta e suspirei baixinho.
-Querida,abre essa droga ou se afasta dela.
-Você não vai derrubar minha porta – ela disse,e eu podia visualizar um beicinho no seu rosto.
-Se afasta. – pedi – Um,dois-
-Tá bom! Eu abro – ela suspirou,abrindo a porta. – Pronto. Agora cai fora.
-Onde está a moça doce e delicada de ontem? – revirei os olhos entrando no banheiro e fechando a porta atrás de mim.Não precisávamos de plateia. – Parece que eu me casei com duas pessoas.
-Vai se lascar –ela sussurrou,jogando-se nos meus braços – Tá doendo tudo.
O banheiro era claro e grande. Tinha um espelho enorme na parede da esquerda e outro maior ainda na parede da esquerda. O vaso estava fechado,mas eu tinha quase certeza que Annabeth tinha vomitado ali.
É como ela disse...talvez isso seja bom,não é? Não é o primeiro indício de gravidez nas séries,livros,novelas,desenhos,animes,histórias em quadrinhos , e em todo e qualquer tipo de entretenimento?
-Vamos pra casa – passei as mãos pelo seu rosto – Para que eu possa cuidar de você.
Quando chegamos em casa,Annabeth logo foi correndo para o banheiro.
Eba!
Não que eu esteja feliz em vê-la doente....mas isso deve ser algo bom. Annabeth dificilmente fica doente,e vocês sabem disso. Se algo está acontecendo,é porque ou algo bom (BEBÊS) está vindo,ou algo ruim (DOENÇAS) está vindo.
E só os Deuses sabem como esperamos que seja a primeira opção.
-Eu vou trazer algo pra você,ok? Sussurrei para ela,deixando-a deitada no sofá.
Ela teria o resto do dia de folga e bem... eu também.
Só o meu chefe não sabe disso.
Deixei-a descansando e fui preparar algo para que ela comesse. Algo que com alguma sorte pararia em seu estômago. Esta é outra coisa que vocês precisam saber sobre mim nesses últimos tempos : eu aprendi a cozinhar.
Nina gosta de me ajudar de vez em quando e a bagunça que fazemos é maior que a comida que preparamos.
Minha garotinha esperta.
E com sorte, logo mais teremos mais alguma ajuda.
-Se você não comer,você pode ficar pior. – reclamei com Annabeth. Ela estava jogada no sofá,vestindo aquela camiseta azul,e seu rosto estava acabado.
Estava mesmo.
- Eu não tô com fome. A gente sabe onde isso vai parar se eu comer! – ela fez beicinho – Você podia parar de ser chato e se deitar comigo aqui.
-Você não comeu ainda.
-E nem vou comer.
-Vai passar mal.
-Eu não ligo.
-Você está agindo como a Nina – suspirei e revirei os olhos,deixando o prato com sopa para ela na mesinha de centro. – Igual à Nina.
-Eu sinto falta dela – Annabeth puxou minha mão , fazendo-me sentar ao seu lado – Mas enquanto ela não volta...
-Nem pensar!
-Mas-
-Você tá doente – falei como se fosse obvio – Pelos Deuses.
-A gente faz com cuidadinho – ela colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.
-Annabeth!
-O que?
-Você está começando a me preocupar – olhei em seus olhos cinzentos. –Tá delirando já.
-A gente pode subir-
-Não.
-..e fazer coisinhas-
-Não!
-Você não atende minhas necessidades de mulher – ela reclamou revirando os olhos – Talvez eu deva...não sei....cê acha que o Jordan tá em casa?
Annabeth sabia como me provocar. Sabia mesmo.
Eu diria que na arte da provocação,ela é mestre.
Foi uma quinta-feira de negação para Annabeth. Eu,como um bravo e forte marido resisitir aos seus encantoos.
Foi a noite mais calma da nossa semana.
E agora vejam vocês....sexta-feira.Vamos voltar de onde paramos,certo?
(..)
– Então...talvez eu deva procurar alguém para praticar o que eu tenho em mente. – e dizendo isso,ela passou por mim,dirigindo-se até a porta.
-Você nem pense em sair dessa casa vestida desse jeito – chamei-a.
-Você é tão bobo –ela suspirou – E está desconfiado demais essa semana.
E como vocês podem ver,a noite de negação para Annabeth não adiantou de nada.
- Por que será? – ironizei,puxando sua mão para a minha.
-A coisa aqui é a seguinte ... –ela passou os braços pelo meu pescoço sorrindo – Hoje eu tenho uma novidade pra você.
-Tem?
-Uhun –ela sorriu – Adivinha quem está atrasada...?
Hm. Adivinhações.
Sou ótimo nisso.
-A Nina? – respondi – Poseidon ia trazâ-la hoje certo? O que será que-
-Não,Percy,não –ela revirou os olhos – Voc~e sabe. –ela balançou a cabeça de um lado pro outro.
Eu sei.
Atrasada. Hm.
Eu sei. Atrasada.Não é a Nina.....
Quando me dei conta do que Annabeth falava,quase surtei.
Talvez ela estivesse memso grávida. Talvez...talvez nós tenhamos conseguido.
-Você acha que...?
-Eu tenho quase certeza –ela sorriu – Eu acho que alguém será papai pela segunda vez.
Eu quase podia sentir o peso do meu coração se enchendo de alegria no meu peito. Sentia o suar frio na minha nuca e Deuses,como eu queria que a minha garotinha estivesse aqui nesse momento. Eu quase podia dizer que nós teríamos a mesma reação. Eu seria pai pela segunda vez.
Eu teria mais noites mal dormidas? Teria. Eu teria mais trabalho? Teria.
Eu teria mais Anabeth também. Eu teria mais um pacotinho e mais uma foto na minha mesa de cabeceira.
Pela segunda vez.Eu seria pai,pela segunda vez.
Eu podia ajoelhar e agradecer aos Deuses pela menstruação atrasada de Annabeth.
Isso não era confirmação nenhuma,mas o pingo de esperança que se acendeu no meu peito era o mesmo pingo de esperança que eu via nos olhos da Sabidinha mais incrível do mundo.
-Quer dizer-
-Isso.
-Você...?
-Isso mesmo –ela riu. –Talvez....o pequeno Vitor esteja entre nós já.
-Vitor? –reclamei – Depois eu sou péssimo com nomes.
-E você é –ela riu,dando-me um beijo na testa – Eu te amo,tá?
-Eu amo mais. –sorri,dando-lhe o beijo na testa de volta – Eu sei que você sabe disso. E eu sei que você está cansa de ouvir,mas Deuses,como eu amo mais.
-Eu amo maior –ela sorriu,entrelando os dedos das mãos na minha. –Sabe....talvez você esteja se perguntando o porquê do meu modelito hoje...
-Eu estava mesmo –mentira,não estava. Mas eu aposto que algum leito aí estava.
-Bem.... talvez nós devamos comemorar a novidade. – ela sorriu.
-Mas não temos certeza.
-Você está recusando uma comemoração? –ela arqueou a sobrancelha – E outra....hoje pode ser a certeza da semana que vem.
E quem entendeu,bem....entendeu.
-x-
Quatro semanas depois...tivemos a confirmação.
Ela estava grávida pela segunda vez. E olha...se eu dissesse que não fora emocionante saber disso,eu estaria mentindo. Se eu dissesse que a Nina não achou emocionante...eu estaria mentindo.Eu podia descrever ,mas isso...talvez seja o meu próximo relato aqui. Saber que eu teria mais de Annabeth para compartilhar tudo o que eu sentia em relação à ela,saber que eu teria mais uma coisinha na minha casa dentre alguns meses e saber que eu poderia contar mais histórias para as duas coisas mais importante do mundo pra mim,me deixava extasiado.
E depois de todo esse tempo,eu ainda não saberia explicar para a CNN como uma pessoa pode amar outra de forma tão intensa e tão verdadeira,como eu a amo. Não saberia dizer qual o feitiço que Annabeth havia posto em mim.
Porque eu tenho a sensação de que mataria por essa filha de Atena. E morreria na mesma intensidade.
Saber que tentamos ( e como tentamos ) e que conseguimos só comprovava aquilo que eu já sabia.
Que teríamos mais e mais relatos como este daqui pra frente.
Mais relatos clichês.Mais relatos sobre o mais novo membro da família Jackson.
Mais relatos sobre Annabeth.
Sobre mim.
Sobre a Nina.
Sobre o Jimmy.
E quem sabe,sobre o pequeno Stefan.
(Eu sei,vamos pensar em outros nomes.)
Notas finais
(eu sou péssimas com nomes também,mas nenhum desses aí em cima será o do próximo Jackson).
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