Try Again
8 Don't Go Away
Notas iniciais

“Damn my situation
And the games I have to play
With all the things caught in my mind
Damn my education
I can't find the words to say
About the things caught in my mind”
Don't Go Away — Oasis
Sai do trabalho as cinco, como havia comunicado a Jen mais cedo, eu iria embora e por algum estranho motivo eu preferia fazer isso quando ela não estivesse lá.
Quando cheguei, as crianças estavam na cozinha comendo. Fui até eles e os cumprimentei. Logo fui até o quarto de hospedes fazer minha mala. Peguei a mala e a mochila que havia trazido. Não demorou muito e logo eu descia as escadas, ao me verem segurando a mala e a mochila Jasper não pareceu surpreso, mas Jessica era outra história.
Ela ficou um metro a minha frente, ela observou as malas e correu até mim me abraçando. Abaixei para que pudesse ficar da sua altura, ela me olhou com olhos suplicantes e disse:
—Papai por favor, não vá embora.
Instantaneamente uma memória de Kelly veio em minha mente:
Eu tinha que ir, mas Kelly se agarrou as minhas pernas e chorando ela pedia para que eu não fosse.
—Papai por favor, não vá embora. –Minha garotinha de cabelos castanhos e olhos azuis suplicava.
Então eu a peguei no colo, seus olhos estavam cheios de lágrimas.
—Vou voltar tão rápido, que você nem vai sentir minha falta – Eu garanti a ela.
—Por favor? -Sua voz chorosa me tirou de meu devaneio.
Fui obrigado a deixar a minha mala no chão para pegá-la no colo.
—Ei, estou indo para minha casa. Mas eu vou visitar vocês e vocês podem me visitar.
Ela passou os braços pelo meu pescoço e murmurou:
—E podemos ajudar com o barco?
—É claro querida. –Eu disse.
—Eu posso pedir a mamãe para deixar você ficar aqui mais. –Ela tentou me convencer.
Coloquei ela no chão e dei um beijo em sua testa.
—Nós nos veremos logo, eu prometo. –Eu disse, fazendo o possível para que a recente lembrança de Kelly não invadisse minha mentenovamente.
Jéssica sorriu limpando as lagrimas que lhe escaparam. Me aproximei então de Jasper e baguncei seu cabelo, abri a boca mas não sabia o que dizer, aparentemente nem ele, então ele apenas me abraçou e eu disse:
—Até logo Jay.
E assim eu fui embora para minha própria casa com uma sensação estranha na boca do estomago.
O caminho para minha casa foi um pouco atordoado e não foi por causa da minha condução, mas sim pelos flashes de memória com Kelly, Jasper e Jéssica. Quando chego em casa, vou direto para o porão, afinal o barco não vai se construir sozinho. No entanto, antes de começar o trabalho, me sirvo de um copo de Bourbon. Enquanto trabalhava no barco memórias de Kelly me vieram a mente:
Kelly e Maddie brincavam no quintal, após Maddie Tyler ir para casa, Kelly sempre iria pedir um irmãozinho e sempre iria obter a mesma resposta “Um dia”.
Pergunto-me se ela gostaria de Jasper e Jéssica. Então minha cabeça começa a doer e flashes vem a minha mente:
O bebê de olhos azuis, que deveria ter cerca de um ano e meio estava nos braços de alguém, não consigo ver o rosto de que o segura, apenas sei que o cabelo é vermelho. Estendo os braços para ele e digo:
—Vem com o papai.
O bebê então começa a sorrir e a dizer de sua maneira:
—Pa pa.
Seguro em minhas mãos um bicho de pelúcia enquanto ele dá seus primeiros passos em minha direção, após quatro passos ele engatinha até mim.
—Doga. –Ouço ele dizer.
Instantaneamente uma voz familiar diz:
—Jethro! Onde ele aprendeu isso!?
—Papai! –O garoto de quase quatro anos diz enquanto corre em minha direção ao me ver.
—Ei, marine. –Eu digo o pegando.
Horas se passam e quando vou colocá-lo na cama ele diz:
—Quero a mamãe.
—Ela vai estar aqui, em breve. –Eu digo tentando convencer a nós dois, pois por algum motivo estou com medo que ela não volte da sua missão.
—Podemos navegar nesse barco? –Ele pergunta enquanto lixa.
—Talvez quando terminarmos. –Eu digo e volto a fazer o mesmo que ele.
Não demora para que eu desvie o olhar e veja uma pequena ruiva sentada na cadeira com um cachorro de pelúcia.
—Mamãe disse que não vai nos deixar navegar em um barco que se chama Diane. –Ela diz inocentemente.
Balanço o bebê de poucos dias de vida em meus braços, ela estava com os olhos abertos e me olhando com curiosidade. Definitivamente, ela me lembrava muito Kelly e isso fazia eu sentir um aperto no peito.
Feliz Aniversário Jesse! –Eu disse entregando um cachorro de pelúcia a ela, era seu aniversário de um ano, ela não entendia o significado da data ou de minhas palavras, mas com certeza ela gostou do cachorro de pelúcia.
—Boa noite Jess. –Eu disse assim que havia acabado de colocá-la na cama e tinha que voltar aos Estados Unidos, não podia acreditar que ela havia completado dois anos.
Observo a menina de quatro anos segurando minha mão, como sempre ela fala sobre os animais que vimos no zoológico em questão de minutos, Abby ficaria orgulhosa, se ela a conhecesse...
Tento fazer com que ela e o irmão durmam, mas ambos estão agitados demais para isso. Sendo assim, sei que a única alternativa que tenho é contar uma história.
—Que história vocês querem ouvir? –Pergunto chamando a atenção de ambos.
—Da bruxa Diane. –Jessica diz, com certeza Jenny ficaria orgulhosa, não que eu também não fique feliz.
Jasper franze o cenho diante da sugestão da irmã e então dá sua opinião:
—Agentes do NCIS.
Definitivamente Jenny vai me matar.
—Vou contar a história do Probie, da ninja estrangeira e do leal St Bernard. –Eu digo a eles.
Ambos vão em direção as suas camas, Jasper fica na beliche de cima, enquanto Jessica na de baixo.
—Era uma vez um leal Saint Bernard um bom agente, mas as vezes inconveniente. Uma ninja que veio de outro país e um probie formado no MIT...
Volto ao presente, quando ouço o rangido de uma tabua do degrau da escada. Instantaneamente eu paro de lixar e volto meu olhar para as escadas, há pouca iluminação, mas à medida em que meu visitante misterioso desce os degraus, posso ver melhor sua silhueta e embora a iluminação seja pouca, eu sei muito bem que é.
Fale com o autor