Trust Me
17 Prisão
Acabamos pegando no sono um pouco depois de estarmos cansados de tanto comer e não aguentar nem um copo de água em nossos estômagos. Ainda conseguimos subir as escadas nem sei como, mas subimos e caímos na cama. Toyo estava sem camisa e eu não pude deixar de me deitar em seu peito moreno e quente para dormir mais tranquila.
– Emi? — ele me acordou um pouco depois.
– Hã? Que foi? — respondi sonolenta e cansada.
– Nada, só que você é linda.
– Onw, obrigada. Você também é.
– E tem mais uma coisa.
– O que?
– Você é minha.
– Será? — usei ironia.
– Sim, quer ver?
– Quero. — ele me abraçou e me beijou do pescoço a testa. — Interessante.
– Sei.
Decidi levantar e ligar a televisão para ver o que se passava naquela madrugada, já que estávamos acordados sem o que fazer e de barriga ainda cheias. Minha mãe dormia no quarto dela e ficamos juntos no meu. As primeiras notícias não nos interessaram e coloquei no canal de filmes. Estava passando o meu preferido, Titanic. Ainda bem que não havia começado tanto assim, permanecia no início. Perguntei a Toyo se tudo bem e ele disse que sim.
– Qual seu filme preferido? — perguntei.
– Não sei.
– Sério?
– Sim.
– Hum.
– Por que?
– Curiosidade. — sorri forçado.
– Sei. — ele me deu um selinho.
– Toyo, me promete uma coisa? — me sentei e olhei pra frente e depois pra minhas pernas.
– Sim, o que? — ele se sentou, pegou minha cabeça e a levantou.
– Não me abandona, mesmo que possamos encontrar um jeito de provarmos sua inocência e de prenderem Kanji? — caiu algumas lágrimas de meu rosto.
– Por que eu faria isso?
– Não sei, as pessoas costumam se cansar de mim.
– Mas eu não cansarei, mesmo nos piores dias.
– Promete? — levantei o dedo mindinho e ofereci a ele.
– Sim. — ele apertou meu dedo com o dele, soltou, me puxou pra perto e me beijou. — Não vai se safar de mim tão cedo.
– Que bom. — dei um selinho nele.
Quando deu a cena que Kate e Jack transam no carro não conseguimos controlar nossos hormônios e nem nossas vontade, e acabamos fazendo sexo também. Deixei a televisão ligada, mas focamos em nós mesmo. Nos amamos muito, tipo quando está com uma vontade daquelas e quer tirar realmente o atraso ou quando quer matar a saudade de alguém que não se veem a tempos. E quando me dei conta, dormimos.
Acordamos depois das dez horas com o cheiro das panquecas e sucos da minha mãe que fazia no andar de baixo. Nos demos bom dia, nos beijamos e um por um fomos ao banheiro. Esperei Toyo voltar e descemos juntos as escadas. Chegamos com cara de feliz aniversário porque estávamos felizes em estar um com o outro e ela percebeu.
– Bom dia meninos. — ela nos beijou na bochecha.
– Bom dia mãe.
– Bom dia senhora Yumi.
– Só Yumi Toyo, senhora me faz sentir velha. — todos rimos.
– Tudo bem então. — ele deu um sorriso.
– Bom, querem o que pra colocar nas panquecas?
– Eu quero mel e manteiga mãe.
– E você Toyo?
– Pode ser também, nunca comi panquecas.
– Sério? Vai adorar as da minha mãe.
– Vai mesmo. — mamãe respondeu e rimos.
– Então tá, vamos provar.
Minha mãe terminou de fazer as panquecas e o suco. Comemos-as com manteiga e outras com mel, e tomamos suco de morango. Estava tudo delicioso e nos sentimos satisfeitos depois da terceira, decidimos parar, esperar um pouco e subir para tomar banho. Fui primeiro e depois Toyo. Nos intervalos, nos vimos de toalhas e sem querer deixamos as duas cair. Rimos um do outro e fomos no vestir, mas o que estaria passando na tevê me tiraria toda atenção. Kanji tinha sido encontrado e preso.
Não estava acreditando e gritei para Toyo e minha mãe verem a prisão dele. Tudo foi televisionado e vimos cada detalhe. Ele estava prestes a fugir para o exterior mas a marca no pescoço entregou-o a polícia. O policial para que havia entregado as provas apareceu falando sobre ele e também sobre a minha ajuda que recebeu, mas vetou meu nome por segurança e por eu ser menor de idade.
Me troquei correndo e Toyo me levou até a delegacia em que Kanji iria ficar até que tudo se resolvesse e que fosse constatado que ele mesmo tinha matado Nara, minha melhor amiga. Fomos de carro e não sei como Toyo conseguiu dirigir o carro da mamãe, mas conseguiu. Chegamos antes que todos os repórteres e pessoas chegassem para ver, tirar fotos e filmar o assassino recém chegado.
O laudo pericial tinha saído a dois atrás e poderiam provar se Kanji era mesmo o assassino de Nara, só precisavam de uma amostra de DNA e de suas digitais para comprovarem que ela tinha sido espancada e logo em seguida asfixiada. Era um choque em tanto para as pessoas verem aquele resultado sair e saber que ela nunca poderá voltar por causa daquele cafajeste que tirou a vida dela.
Ao chegar na delegacia me sentei em uma das cadeiras enquanto via Toyo voltar com o carro para minha casa e depois ir pra casa dele segundo me disse. Esperei que o delegado e o policial do caso chegassem com Kanji para eu poder pedir um favor que não havia contado para Toyo. Falar com Kanji.
– Policial Ren? — levantei em direção a ele.
– Senhorita Emi, que bom vê-la. — ele me reconheceu e veio em minha direção.
– Olá, posso falar com o senhor?
– Claro. Vamos para minha sala?
– Claro. — sorri.
Andamos até a sala dele enquanto Kanji era tirado de um caro policial. Ele me viu e lançou um olhar surpreso e depois vingativo. Engoli saliva a seco mas segui Ren até sua sala e começamos a conversar.
– Então senhorita, o que a trás aqui?
– Quero lhe pedir um favor em troca do que fiz.
– Sim, pode pedir.
– Quero falar com Kanji.
– Senhorita, sinto muito mas isso não podemos.
– Por que?
– Você é menor de idade e Kanji pode lhe fazer mal.
– Sei que não fará e sobre a menor idade não se preocupe.
– Tem certeza?
– Sim.
– Vou falar com o delegado e ver se ele a autoriza, pode ser?
– Claro. — sorri e ele também.
– Está certo. Um minuto.
– Ok.
Fiquei de costas para a porta enquanto Ren saia da sala e ia de encontro ao delegado para pedir aquele favor que eu tanto queria para poder provar que eu estava certa e que Kanji me confessaria até muito mais do que fez com Nara naquela noite. Rezei para Deus me ajudar e que o delegado concedesse aquele meu pedido, até que fui interrompida pelo próprio delegado.
– Senhorita Emi? — me virei e levantei.
– Eu?
– Você pode falar com Kanji.
– O que? Sério? — comemorei.
– Sim.
– Muito obrigada, senhor... — não sabia o nome dele.
– Takeshi.
– Muito obrigada senhor Takeshi.
– De nada, mas vamos logo que precisamos levá-lo para a cela.
– Ok, vamos.
Segui o delegado e o policial até uma salinha com uma porta de metal com alguns cadeados e trincos. Abriram a porta grande e pesada, e lá estava Kanji sentado de costas e batendo os dedos na mesa olhando para a cadeira de madeira em sua frente, mas ao notar o barulho e as pessoas olhou para nós.
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