Trust Me.

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olá amores da minha life ♥
Cá estou eu trazendo dessa vez uma oneshot fresquinha :3
Fiquei um tempo parada? Fiquei! Mas já estou voltando *dancinha*
Espero que gostem de lê-la tanto quanto eu gostei de escrever *^*

Este sorriso

Tão bonito

Invadindo

Meu castelo

de Solidão

Não conseguiu evitar o suspiro que se seguiu a leitura daquele pequeno cartão. Leu as palavras escritas pela quinta vez seguida e sentiu-se terrivelmente sozinho sentado no banco frio de pedra. O mar sussurrava a sua frente e as ondas quebravam-se na areia a procura de algo que nunca iriam alcançar.

Por um momento preferiu a escuridão de seus olhos fechados à bela imagem do sol se pondo no horizonte distante, mas não podia se dar o luxo de se demorar demais ali. Colocou-se de pé e olhou mais uma vez para o papel amassado que carregava entre os dedos antes de coloca-lo dentro do bolso, aquelas palavras foram as ultimas escritas que recebera de uma pessoa muito importante para si.

Os passos eram calmos e ecoavam contra a pedra rachada que cobria o chão. Apesar de seu interior estar desmoronando, sua expressão era calma.

[...]

— Se você veio até aqui para me dar adeus, está perdendo seu tempo. — Não podia nem ao menos dizer que estava surpreso, afinal, isso era o que estava esperando. Só que, apesar de saber como seria... Não conseguia deixar de sentir a dor que aquilo causava.

— Zero... Você tem que entender que esse é o meu dever. — Logo que as palavras abandonaram seus lábios suspeitou que houvesse pisado em um terreno proibido. Obteve a confirmação ao ter os olhos diferentes que tanto lhe cativavam mirados em si com nada menos que... Decepção.

— Agora é 'Zero'? — O riso sarcástico cortou o ar e soube na hora que não havia mais o que dizer. Havia perdido tudo o que construirá ao lado de Kakashi. — Vejo que conseguiram finalmente te transformar no soldadinho que precisavam. — A voz lhe causava arrepios e não pode deixar de se encolher minimamente. — Ou talvez... Talvez eles apenas tenham te polido. Não é, Iruka?

— E-eu não estou entendo o que você está querendo dizer! – Levantou a cabeça sem saber exatamente quando a havia abaixado e mirou o rosto contorcido em desdém que o olhava.

— Talvez você seja realmente isso. Não duvidaria se tudo o que nós passamos tenha sido apenas um descanso, ou até mesmo, um meio de alcançar quem você realmente queria. — Arregalou os olhos e sentiu uma lágrima correr por sua bochecha. Isso era demais, isso era...Cruel de se dizer.

— Você não está dizendo isso... — Balançou a cabeça negativamente tentando espantar os pensamentos que lhe pipocavam a mente. Era mentira, ele não pensava isso, não podia pensar.Estava apenas brincando, logo ele iria pedir desculpas pelo péssimo senso de humor. Não é?

— Ahh, estou sim. — Sentiu uma dor gigantesca dentro do peito e nunca saberia dizer como conseguira continuar respirando depois daquilo. — Você só me deu atenção para poder chegar ao meu tio, e agora que conseguiu se tornar o soldado perfeito vai ir embora. — Kakashi havia se aproximado o suficiente para segurar-lhe o rosto com a mão e os dedos apertavam seu maxilar com força fazendo com que seu rosto fosse levantado em direção ao dele.

— Você sabe que... — Fechou os olhos para conter as lagrimas que queriam sair e respirou fundo para conter o choro que não o permitiria dizer o que queria. Talvez fosse sua ultima chance. — V-você sabe que eu te amo. — O sussurro carregou tudo o que sentia naquele momento e ao abrir os olhos encontrou Kakashi com uma expressão tão triste que o fazia querer morrer por ser o causador daquilo.

— Então fique. — Os dedos afrouxaram o aperto e agora passeavam por seu rosto, secando a trilha que a lágrima fizera. — Fique aqui comigo. — Os rostos se aproximaram e os lábios apenas se encostaram, em um beijo simples, mas repleto de sentimentos.

Queria poder ficar, queria do fundo do coração, mas estavam em guerra e o desejo de um coração apaixonado não era o suficiente para mudar as ordens de um superior. — Eu não posso... — Sua voz quase se extinguia, porque sabia que isso seria o fim. Sua alma chorava e se rasgava em vários pedaços, porque seu único amor iria lhe odiar.

Devia estar sentindo medo, mas simplesmente não havia espaço para esse sentimento dentro de si. O homem a sua frente era conhecido por ser o mais cruel e mais forte do esquadrão; Possuía nas costas muitas honras e méritos, além de um nome de peso que o garantiria em quaisquer condições um posto muito mais alto na hierarquia militar.

Sentiu-se um monstro por saber que era por sua causa que ele havia abdicado da oportunidade de subir na profissão que exerciam. Doeu saber que ele havia desistido de todas as glórias para ficar ao seu lado, doeu saber que agora iria ser odiado.

Foi afastado com um empurrão e só não caiu porque suas costas bateram de encontro com a parede ao lado da porta. — Saia daqui. — Se arrepiou e dessa vez não conteve o choro. Não conseguia se mover e no seu intimo desejava que aquela voz com tom de aviso não estivesse ali, porque isso significava que o outro estava a ponto de matá-lo, mas não o fazia porque era impedido por tudo o que haviam vivido.

Via as mãos dele fechadas em punhos e também a forma como ele tremia inteiro, sufocando a força assassina que corria por suas veias.

[...]

Arrepiou-se ao se lembrar daquele dia e na sua mente o grito que o fizera correr em direção a saída ainda reverberava causando-lhe pesadelos.

"Vá embora antes que eu te mate."

Havia finalmente chegado à porta da casa onde vivia desde o fim da guerra e tão logo quanto a alcançou se jogou na cama esperando que as lágrimas que lhe vieram aos olhos parassem de escorrer. Apertou o lençol entre os dedos e se encolheu como um feto, porque as lembranças eram suas únicas companheiras naquela hora, e elas não eram suficientes para fazer a solidão aplacar.

Queria ter tido mais tempo para explicar, queria ter tido mais tempo para mostrar a Kakashi que não havia outra opção para si. Mas não houvera tempo suficiente e nada podia reparar o estrago causado.

Na manhã daquele dia Hatake-san, o tio de Kakashi, havia lhe convocado para servir na casa Norte. Não entendia o motivo para ter sido escolhido e ao mostrar suas duvidas ao homem descobriu que eles não precisavam de um guerreiro, mas de alguém que além de proteger o jovem filho do nobre daquela casa também estivesse apto a ensina-lo as artes do mundo.

Descobriu também que essa era a única forma de manter as alianças entre os dois lugares, o que vivia e o que em breve estaria destinado a viver, já que com o fim da guerra as alianças ao invés de se fortalecerem estavam cada vez mais fracas. Talvez tudo fosse apenas uma jogada para afasta-lo de Kakashi, mas não havia como saber e mesmo que soubesse, uma ordem é uma ordem.

Uma claridade repentina entrou pela janela sendo seguida pelo barulho alto de um trovão a cortar o céu. Encolheu-se ainda mais em meio aos lençóis e sentiu uma pontada de preocupação lhe atingir conforme a tempestade se iniciava.

A noite já começava seu reinado e Max ainda não havia chegado da cidade. Era a primeira vez em meses que ele se atrasava e para piorar a situação a chuva não dava indícios de que fosse cessar em breve.

O garoto de quem se responsabilizara há algum tempo atrás era agora um adolescente e como todo bom adolescente, não conseguia se contentar em passar todo o tempo na casa afastada que haviam comprado tão logo a guerra terminara.

A casa do Norte foi a primeira a cair. Fora um tremendo baque, tanto para o menor quanto para si. O tempo que havia passado por lá tinha sido o suficiente para fazê-lo se apegar aos moradores do lugar, que ao contrário da casa Oeste onde servia antes de se mudar, era repleto de moradores comuns sem o mínimo de instrução militar.

O cheiro dos corpos de muitos de seus amigos queimando ainda lhe atormentava durante as noites e se sentia fraco por não ter conseguido salvar ninguém além da criança que jurara proteger assim que chegara nas terras frias que cobria todo o norte.

Havia fugido com o menor para uma floresta próxima onde encontraram uma vila pequena e esquecida por deus e pelo mundo. Nessa vila se esconderam durante os sete meses que separaram a queda da casa Norte da vitória do Oeste por sobre os outros reinos.

Lembrava-se da alegria e da preocupação que sentira por certo guerreiro, mas ainda por cima se lembrava do receio que o menino, por quem era agora responsável, tinha ao ouvir o nome de tal homem. Não podia culpa-lo, todos aqueles em sã consciência temiam a morte, e esse era o nome que Kakashi agora carregava nas costas.

Teve a linha de pensamento brutamente partida ao ouvir seu nome sendo gritado pela voz tão conhecida de seu pupilo em meio ao barulho da chuva. Ficou de pé em um pulo e correu o mais rápido que pode desviando dos moveis que pareciam se por em seu caminho de propósito. Correu em direção ao grito angustiado de seu discípulo.

— Max! — O encontrou caído a cerca de três metros da porta de entrada e entrou em pânico ao ver que em meio à chuva que cobria o chão havia também sangue. — O que aconteceu? — Indagou tão logo conseguiu pega-lo nos braços. Caminhou apressadamente para dentro da casa e chutou tudo o que havia por sobre a mesa de centro da sala, liberando espaço para deitar o adolescente.

— I-iruka... — O garoto tremia e parecia completamente assustado. Sentiu suas vestes sendo seguradas com força pelos dedos do menor e desviou o olhar do raque onde sabia que se encontrava o kit de primeiro socorros para poder olhar o rosto pálido daquele que lhe chamava.

— O que aconteceu com você? — Sussurrou e tirou os fios negros do menor que se grudavam ao rosto deste. Encontrou um corte superficial na lateral da testa do mais novo e logo esticou o braço que não estava sendo segurado em busca da caixa vermelha.

— N-não vá. — Parou do jeito que estava ao ouvir essa frase dita em meio ao choro sofrido do garoto deitado ao seu lado e o olhou com a testa franzida em uma expressão preocupada. — Não me d-deixe. — Sentiu um nó se formar em sua garganta. Quando a desgraça pairou por sobre a terra natal de Max, que na época era ainda uma criança, havia se prontificado a lutar na linha de frente contra os soldados inimigos que queriam destruir o lugar onde servia. E essa frase, essa mesma frase, fora dita entre soluços de um choro desesperado pelo garoto que jurara proteger.

— Eu nunca vou te deixar. — Depositou um selo na face alheia e viu um sorriso nascer nos lábios partidos que tremiam de frio. — Eu prometi que iria cuidar de você, então me deixe cumprir o que prometi. — Viu o garoto assentir e afrouxar um pouco o aperto dos dedos em sua roupa.

Abriu a caixa de primeiros socorros e com um estilete que sempre deixava junto com os remédios cortou as roupas do menor até deixa-lo apenas com a roupa intima. Sentiu-se mal ao ver os roxos que cobriam o peito alvo tanto quanto ao ver os cortes e arranhões que se espalhavam pelas áreas que não eram cobertas pela roupa.

— E-eu não consegui ver quem foi. — Começou a limpar as pequenas feridas e ouvia atentamente o garoto enquanto o fazia. Balançou a cabeça dando a entender que estava ouvindo e continuou limpando os cortes e os arranhões com extrema leveza e cuidado. — Ele estava usando uma mascara e eu não tive mais tempo de notar n-ada. — Não evitou se encolher ao imaginar o menor sendo atacado por algum desconhecido.

— Você acha que quebrou alguma coisa? — Perguntou rápido enquanto trocava de lado da mesa e voltava a limpar os ferimentos para evitar uma infecção. Há quanto tempo não precisava cuidar dos machucados de outra pessoa? Nem ao menos se lembrava.

— Não, o cara não teve tempo. — Se arrepiou ao ouvir um trovão alto demais e olhou para o armário a cinco passos de si onde guardava uma arma. Será que o homem que atacou Max é louco o suficiente para continuar o seguindo até aqui? — Mas aposto que ele bem que queria ter q-quebrado algo em mim.

Rapidamente foi até o armário, onde pegou a arma e verificou seu estado. Andou até a janela e olhou para a escuridão que se estendia afora. Enchia-se de raiva só de pensar que poderia haver alguém ali querendo fazer mal a sua criança.

— Como você fugiu? — Indagou preocupado, voltando à caixa de primeiro socorros a procura de um antibiótico. Tão logo o achou, deixou a arma ao alcance da mão e começou a aplicar a pomada nos ferimentos já limpos. Ouviu o menor reclamar um pouco da ardência do produto e não conteve um meio sorriso, afinal, ele sempre seria sua eterna criança.

— Eu usei aquele golpe que você me ensinou, sabe? — Ergueu, admirado, os olhos para o menor e juntamente uma sobrancelha ao imaginar a cena. — Pode parar com essa cara. — Riu baixo e voltou à caixa vermelha, procurando as bandagens.

— Você tem certeza que ele ficou inconsciente? — Começou a cobrir os ferimentos e novamente ouviu os resmungos vindos do mais novo.

— Bem... — Parou o que fazia e o olhou preocupado. 'Bem...' nunca era sinônimo de algo bom, não vindo de Max. — Ah, ele ficou caído, mas continuou resmungando umas palavras. Ele devia estar bem louco, desde a hora que me agarrou ele ficou falando comigo como se eu tivesse roubado alguém dele. — Apertou um dos ferimentos com um pouco mais de força do que o necessário e olhou assustado para os olhos escuros do menor.

— Como é? — Pegou a arma e olhou novamente pela janela. Isso mudava tudo.

— O que foi? Você não acha que ele estava bêbado também? — Constatou o tom de receio na voz do menor e o olhou apreensivo. — Iruka... Não vai me dizer que... — Se assustou com um trovão e pensou ter visto uma silhueta ser iluminada pela luminosidade ao fim da estrada.

— O que exatamente ele te disse? — Olhou rapidamente para Max que agora se apoiava nos cotovelos e em seguida voltou o olhar para fora.

Será que era possível? Ou seu subconsciente estava lhe pregando peças mais uma vez, fazendo-o ver os fios brancos em lugares completamente impossíveis?

— Ele disse... 'Você o tirou de mim.' — Conseguia ouvir perfeitamente a frase sendo dita no timbre rouco de Zero. — 'Você vai dizer pra ele, não vai?' e... Como era mesmo? — Olhou para o adolescente com ansiedade e o encontrou se forçando a lembrar da frase.

— O que, Max? O que?! — Outro trovão e dessa vez teve certeza de ter visto a silhueta parada ao longe na estrada de pedras que levava até a casa onde estavam.

Deu dois passos assustados pra trás e sentiu o peso da frase dita trêmula pelo garoto atrás de si batendo contra seu peito.

"Confie em mim."

— Se esconda. — Olhou para o jovem amedrontado e sussurrou baixo os comandos que ele devia seguir.

"Confie em mim."

[...]

Bateu a porta com força e passou o trinco em seguida. Encostou-se a madeira e buscou controlar a respiração afoita que lhe escapava por entre os lábios.

Olhou pela janela e viu o sol se por entre as montanhas. Porque comigo, senhor? Fechou os olhos e escorregou pela porta até se ver encolhido no chão em frente à cama.

— Seu sujo. — Apertou as mãos contra a cabeça e abriu os olhos para evitar que seus pensamentos corressem de volta para os braços de seu companheiro de equipe. Aqueles olhos tão lindos e cheios de astucia... — Fraco. — Começou a chorar porque não sabia como agir. Não sabia como proceder, afinal, não havia treinamento que o preparasse para tudo o que estava sentindo dentro de si.

Queria poder arrancar os sentimentos teimosos que brotaram em sua mente sem permissão alguma, mas não conseguia.

O sol ia embora e dentro de si a tão familiar tempestade se iniciava. Lembrou-se do rosto de Zero quando este percebeu o estado em que se encontrava depois de um treinamento em duplas.

Era impossível lutar contra ele, sendo que a força e a agilidade eram enormes em comparação com a sua. Nunca fora alguém de músculos, sempre preferira livros a armas, mas em uma guerra quem podia escolher?

Fora imobilizado rapidamente todas às vezes, e sabia que o outro se divertia vendo a força que fazia para se libertar, porque apesar de não sorrir ou rir de si, os olhos dele mostravam isso. Porém, tudo estava bem — na medida do possível -, até que seu corpo parou de responder seus comandos e começou a agir da forma mais vergonhosa possível frente ao seu parceiro de luta.

Zero estava sentado em seu quadril e segurava suas mãos acima da cabeça em uma imobilização um tanto quanto infantil, quando tudo o que tentava sufocar dentro de si aflorou. Uma frase sussurrada em seu ouvido como uma provável provocação fora o suficiente para atiçar em si o desejo que tentava oprimir pelo homem acima de si.

"Você fica ainda mais bonito embaixo de mim." Maldita frase que o fizera perder todo o controle que tinha naquele momento. Na hora sentiu o rosto esquentar e uma formigação no baixo ventre que não tinha nada a ver com esforço, e no desespero de sair dali acabou pressionando ainda mais seu corpo contra o corpo forte acima de si.

— Imbecil. — Bateu a parte de trás da cabeça na parede repetidamente, tentando esquecer a expressão surpresa que o rosto sempre tão impassível adquirira naquela hora.

Há muito tempo o observava de longe quando este se encontrava treinando sozinho ou apenas escrevendo embaixo de uma arvore extremamente antiga ao lado dos dormitórios. Sem perceber a admiração que sentia pelo melhor soldado do esquadrão se transformou em algo maior, algo doente. Algo que doía.

Foi forçado a sair de seus devaneios ao ouvir o barulho de algo se chocando contra a janela de seu quarto. Secou as lagrimas rapidamente e se pôs de pé para ver o que quer que fosse que estavam arremessando contra o vidro.

Arregalou os olhos ao ver os cabelos brancos balançando ao vento logo abaixo de sua janela e sentiu o rosto esquentar novamente ao encontrar os olhos felinos lhe encarando. Já previa que seria xingado e humilhado, mas talvez até fosse algo bom, talvez o sentimento dentro de si finalmente morresse ao ser desprezado.

Somente percebeu o quanto tremia ao levantar as mãos para abrir o trinco da janela. Tão logo empurrou o vidro para os lados assistiu com admiração o maior escalar a parede através das pedras irregulares e alcançar seu parapeito.

Apreensão definia seu estado naquela hora. Afastou-se alguns passos e ficou parado esperando pelos golpes que viriam a seguir, tão logo o outro terminasse de entrar no quarto.

Fechou os olhos e cerrou os punhos com força ao lado do corpo, não querendo ver o ódio naquele rosto tão bonito. Esperou pela dor, mas depois de alguns segundos sem senti-la se sentiu um idiota.

Abriu os olhos e encontrou Zero com uma expressão indecifrável. O silencio preenchia o quarto e apenas quando notou que ele continuava sentado no parapeito da janela, só que desta vez com as pernas pra dentro, foi que se deu conta que chorava silenciosamente. Não queria o ódio dele.

— Você tem medo de mim? — Se surpreendeu ao ouvir a voz baixa e rouca, como se a muito não fosse utilizada, afinal era a primeira vez que ouvia aquele timbre.

— Medo...? — Olhou para o rosto pálido de traços definidos e percebeu que não. Não sentia medo dele, mas sim da rejeição que viria a seguir em algum momento. Negou com a cabeça e passou os braços ao redor do próprio corpo em um abraço solitário.

Ouviu o ecoar do sapato contra a madeira que cobria o chão e abaixou o olhar para os próprios pés. Arrepiou-se inteiro ao sentir os dedos gelados lhe tocarem o queixo, fazendo com que os olhos se encontrassem de perto pela primeira vez. — Então por que você está chorando? — Fechou os olhos para fugir da pergunta e ainda por cima, para apreciar os dígitos que percorriam seu rosto secando e apagando a trilha das lagrimas que escorriam agora em menor quantidade.

— Porque eu não sei o que fazer. — Sussurrou baixo enquanto sentia seus batimentos aumentarem rapidamente. Apertou os braços com mais força ao redor do próprio corpo quando abriu os olhos e encontrou o rosto alheio a menos de três centímetros de distancia do seu próprio.

As respirações se misturavam e sentia que sua mente estava pifando. Tudo era proibido demais, errado demais...

Perfeito demais.

Uma explosão aconteceu em seu interior aos sentir os lábios macios apertados contra os seus. Ele está me beijando. Assentiu a vontade alheia de aprofundar o beijo e logo se perdia em um mar de sensações desconhecidas e deliciosas que o faziam querer gritar.

As bocas se afastaram depois de algum tempo e não conseguiu conter um sorriso feliz, não queria mais abrir os olhos com medo de descobrir que tudo era apenas um sonho. E então, como querendo trazê-lo de volta a realidade, sentiu-se ser rodeado pelos braços fortes de Zero assim como ouviu uma frase ser sussurrada rente a sua audição, uma frase que ficaria marcada pra sempre em sua mente.

— Confie em mim.

[...]

Esperou até ver o menor sumir de vista para poder atravessar a porta a qual não se deu o trabalho de trancar, afinal, se Kakashi chegasse até ali não seria uma mera porta que o deteria de entrar.

Saiu na chuva e sentiu as roupas começarem a se encharcar. Não conseguia ver muita coisa e a unica luz vinha diretamente da casa atrás de si. Forçou os olhos para poder enxergar um pouco mais a frente e ao ver que não havia ninguém onde antes tivera certeza de ter visto uma silhueta sentiu um frio na barriga.

Parou de andar e fechou os olhos tentando recuperar um pouco a calma que havia abandonado na porta de casa, obtendo um exito forçado.

Oque estava fazendo? Procurando a pessoa que havia machucado Max. Porque estava fazendo? Suspirou e apertou ainda mais os dedos envolta da arma. Podia muito bem mentir para si mesmo e dizer que queria apenas se certificar de que o outro não chegasse mais perto do menor escondido — algo que realmente queria -, mas uma força muito maior dentro de si desejava o encontro com o maior.

Não houve um só momento em que não pensasse na vida que havia sido forçado a deixar pra trás; Não houve nenhum momento em que tivesse sucesso em esquecer os beijos e os toques firmes de Zero contra seu corpo; E agora, com a perspectiva de encontra-lo, as memorias e as lembranças que sempre lhe faziam companhia se multiplicavam e se tornavam quase reais novamente.

Abaixou os braços e percebeu que oque estava fazendo era acima de tudo, loucura. Nunca havia conseguido ganhar dele, porque ganharia agora? Por Max. Se surpreendeu ao ouvir uma voz sussurrar perto de si, tão perto, que só quando percebeu que não tinha vindo de fora mas de dentro de sua própria cabeça foi que abaixou a arma novamente.

Kakashi havia atacado Max. Isso era um fato e nem todas as lembranças e nem todo o amor que sentia poderiam mudar esse acontecimento. Então como proceder? Não ganharia em uma luta e na escuridão em que se encontrava mal conseguiria mirar a arma em direção do outro, e mesmo que conseguisse, não teria força o suficiente para atirar.

Sabia que o maior havia deixado Max vivo apenas para lhe entregar a mensagem, e o conhecia bem o bastante para saber que ele também devia ter subestimado as defesas pessoais do adolescente e por isso — e apenas por isso — havia sido acertado pelo golpe do menor.

Começou a tremer de frio e sabia que se ficasse muito tempo parado ali, perderia a coragem que havia juntado no pouco tempo em que se dirigia para fora. Precisava conversar com Kakashi, explicar para ele que... que oque? Que sonhava com ele ao menos uma vez por noite... Que sentia falta dos abraços e da voz preguiçosa dele ao amanhecer... Que ainda o amava mais do que a própria vida.

Se arrepiou e sufocou um grito ao ouvir um trovão alto cair nas proximidades e logo correu alguns passos em direção ao fim da estrada por onde o outro provavelmente seguira. Olhou ao redor e percebeu que não o acharia a menos que ele quisesse ser achado.

— Kakashi! — Gritou e olhou ao redor, tentando adivinhar aonde ele estaria. — Por favor, eu quero conversar com você! — Fechou os olhos e percebeu que devia estar realmente ridículo naquele momento, gritando ao vento que queria conversar enquanto possuía uma arma entre os dedos.

Guardou a arma na parte de trás da calça e varreu o arredor com os olhos mais uma vez, procurando por qualquer sinal de que ele estava ali. — Kakashi... — Pensou em dizer em tom alto, mas não conseguiu, e por fim acabou dizendo o resto da frase em seu tom de voz normal. — Eu senti a sua falta.

Outro trovão cortou o céu e percebeu que estava chorando pela segunda vez no dia, e novamente por causa do maior. Passou um dos braços ao redor da própria cintura e percebeu o quão quebrado e ferrado estava.

Era apaixonado por um soldado de elite, que havia machucado um garoto apenas porque este havia sido a causa de sua transferência e muito provavelmente estava pronto para ousar ainda mais se isso significasse alcançar os objetivos que havia criado.

Perdeu as forças das pernas e caiu de joelhos no chão molhado, tremendo e soluçando em meio ao choro agora descontrolado. — N-ninguém nunca me tiro-u de você... — Disse o mais firme que conseguiu, oque sabia não ser muito. — E-eu sempre v-vou ser seu. — Fechou os olhos e apertou as mãos fechadas contra os mesmos, tentando inutilmente cessar as lagrimas.

— Eu te amo tanto... tanto. — Queria poder ter o controle de tudo, para poder fazer as coisas darem certo. Porem, Kakashi era tão complicado quanto si mesmo era fraco.

Ouviu um barulho de colisão atrás de si e sentiu a pressão cair e o mundo rodar ao perceber que esse som vinha da porta de sua casa. A casa onde Max estava.

Se levantou o mais rápido que pôde e tentou correr até a porta, mas foi impedido por uma tontura horrível. Parou a cerca de oito metros de seu objetivo e começou a andar, apreensivo pelo que encontraria ali dentro, até que finalmente alcançou a estrutura que se erguia solitária.

Abriu a porta com receio e ansiedade ao mesmo tempo e examinou a sala a sua frente a procura de alguém em especifico. Não encontrou o que procurava, mas uma frase gravada na parede de madeira bem na direção da porta — muito provavelmente com uma faca de mão — fora forte o bastante para faze-lo tremer dos pés a cabeça.

Andou o mais rápido que conseguiu para checar todos os cinco cômodos da casa e a encontrou vazia. Não tinha ninguém ali além de si mesmo e do jovem escondido embaixo do tapete da cozinha e não pode negar que se sentiu levemente decepcionado.

Voltou para a sala e parou em frente aos sulcos que formavam a mensagem para si e passou os dedos pelas ranhuras, sabendo que o outro havia estado da mesma forma que estava agora.

Mais um trovão cortou o céu e desta vez a luz que veio junto deste teve duas coisas a mais pra iluminar na redondeza da casa onde Iruka estava. Um homem sentado no telhado- pensando em tudo que o homem que o havia abandonado havia dito em meio a chuva — e a frase que este mesmo homem havia talhado no interior da casa.

Finalmente te achei.

Notas finais
E então? E então? *pulando*
Por favor comentem T-T Digam oque acharam e podem até me xingar se quiserem. Não, não podem não u--u
Bom, eu não sei muito oque dizer, além de obrigado por ter lido ♥
Beijinhos :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!