Truly, Madly, Deeply

7 Capítulo 6 - Anjo?


Notas iniciais
Boa leitura!

Emmett

Voltei para casa no final da madrugada, quando o céu estava noturno, mas já um pouco mais claro. Mesmo querendo sumir e sumir da vida de Rosalie, já que ela aparentemente tinha “perdido o encanto” por mim, eu sabia que até mesmo para viver sozinho, eu devia ao menos uma satisfação.

Ainda estava receoso com a ideia de ver Rosalie depois de como ela agiu. Era totalmente diferente e eu não tinha gostado da mudança. Mas, resolvi que eu não iria embora por causa de um impasse, querendo ela ou não.

Corri quando avistei a casa. Pelo vidro vi Carlisle na sala, lendo alguma coisa. Continuei caminhando até chegar à porta. Tive que tocar a campainha e então Carlisle me recebeu, nada surpreso.

— Então a Rosalie achou você? — ele perguntou, voltando a se sentar no sofá enquanto eu me sentava no sofá em frente ao dele.

— Não, eu vim sozinho. Ela me procurou?

— Saiu há alguns minutos, ainda está te procurando. Mas não se preocupe, ela vai sentir seu cheiro e vai voltar quando perceber que você está em casa.

Edward adentrou a sala com Esme. Inesperadamente, Esme me abraçou, um abraço de mãe mesmo, cheio daquelas preocupações, a nosso modo, claro:

— Você se machucou? Seguiu a dieta? Algum humano te viu?

— Ficou tudo bem. — sorri para ela. Nos afastamos e Edward bateu no meu ombro.

— Não acredito que fiquei preocupado. — ele confessou. Soquei o ombro dele brincalhão.

— A Rosalie não foi procurar o Emmett? — Esme perguntou preocupada de novo. — Carlisle?

— Ela vai sentir o cheiro dele aqui. — ele garantiu e Esme realmente ficou mais calma com as palavras dele.

(…)

Duas horas da tarde. Eu estava preocupado com Rosalie. Ela já tinha passado quase o dobro do tempo que eu passei fora. Carlisle começou a desconfiar que ela estivesse muito longe. Propositalmente ou não, ela provavelmente não sabia que eu já estava lá.

Achei que vampiros eram invencíveis e então uma de nós se perde na floresta. E eu estava com medo de que ela fosse embora de vez.

— Você parece até um homem apaixonado assim. — Ed comentou se sentando ao meu lado no degrau da varanda.

— Eu estou preocupado com ela, ela pode estar perdida. Não se preocupa? — perguntei indignado. Como Edward ficava tão calmo com isso?

— Estou preocupado com ela. — admitiu olhando para longe. — ela é chata, mas é minha irmã. — suspirou.

— Acho que vou procurá-la. — me levantei.

— Vou com você. — ele se levantou. — posso ler os pensamentos dela quando estiver um pouco mais perto.

Assenti esperançoso. Entramos em casa de novo apenas para avisar a nossos pais o inicio da nossa busca. Eles conversavam na cozinha. Quando Edward falou o que queríamos, os dois ficaram nervosos.

— Vamos com vocês! — Esme falou alarmada. Eu sabia que ela nos amava como filhos biológicos, mas ainda não tinha esse medo que ela tinha de nos perder, não só a nós, mas com Carlisle também.

Edward assentiu negativamente com meu pensamento. Sabia que ele me explicaria melhor depois.

— Esme está certa. — Carlisle disse. — nós dois conhecemos melhor a floresta, não vamos deixar que se percam.

— Então vamos todos. — Edward falou.

— Na verdade — Esme interviu — não seria melhor ir apenas Carlisle e eu? — olhei Edward.

“Você sabe que sou eu que preciso encontrá-la” pensei olhando para ele.

— Acho que se formos todos juntos, fica mais fácil. — ele falou. — somos uma família, afinal.

Foi impossível não convencer nossos pais com aquela desculpa. Acabamos indo todos juntos. Carlisle e Esme na frente, Edward e eu atrás. Ninguém se manifestou durante a caminhada. Apenas quando precisávamos escolher que direção tomar.

Continuamos caminhando até o tempo começar a esfriar e o céu escurecer. Não que isso atrapalhasse, mas era uma forma de mostrar que tínhamos que ser mais rápidos.

Quando anoiteceu, eu já estava desanimado. Eu não queria que ela ficasse o dia inteiro perdida, mas, àquela altura não conseguia pensar em como, por um milagre, ela aparecesse.

— Vamos achá-la Emmett. — Edward falou, em alto e bom som. Carlisle me olhou por cima do ombro rapidamente.

“Só pode estar de brincadeira.” Reclamei mentalmente. Eu ainda nem conhecia Rosalie por inteiro e ele já resolve falar aquilo para qualquer um escutar?

— Pare de frescura. — ele sussurrou tão baixo que o casal, um pouco longe de nós agora, não ouviu. — estão todos preocupados. Isso não significa que você gosta dela... De um jeito diferente. — ele sorriu.

— Não sou como você, mas sei o que está pensando. — semicerrei os olhos para ele. — Rosalie é muito bonita. É isso.

— Eu sei.

O telepata já estava começando a me irritar com aquele joguinho. Fiquei calado o resto do tempo, apenas pensando em como era difícil saber que ele sabia tudo, que queria consertar tudo, como se fosse um sábio. E claramente, vendo todos esses pensamentos, Edward também ficou calado.

Como estavam muito adiantados, Carlisle e Esme pararam para nos acompanhar. Quando chegamos perto deles, Edward começou a correr agoniado.

— O que foi? — Esme questionou atordoada.

— Ouço os pensamentos dela! — Edward falou distante.

Nem foi preciso esperar. Nós três começamos a correr também. Como eu era o recém-criado, os ultrapassei e acabei ultrapassando Edward. Como não sabia bem onde ela estava, continuei seguindo reto.

— Para a esquerda Emmett! — o telepata gritou um pouco atrás de mim.

Obedeci seus comandos e continuei reto. Ele passou a dar mais comandos e continuei seguindo.

— Ela está perto. — ele anunciou concentrado. — está nos ouvindo... E está fugindo!

— O quê? Ela não quer voltar? — Carlisle perguntou.

— Ela não sabe que somos nós, só ouve os movimentos.

— Rosalie! — gritei, expulsando todo o ar dos meus pulmões.

— Ela está parando... Continue! — Ed incentivou.

— Rosalie! — gritei alto de novo.

— Está começando a seguir sua voz Emmett. — mal deu tempo dele terminar a frase, a vimos.

Paramos quando ela passou a diminuir sua velocidade e vir ao nosso encontro. Não sentia dor na garganta ou nada parecido mesmo depois de ter gritado tão alto. Isso deveria ser outra habilidade “vampiresca”.

Inesperadamente, ela continuou correndo até me abraçar. Desequilibrei um pouco, mas a abracei de volta. Ela se desvencilhou antes do que eu queria e foi abraçar os outros.

— Ficamos preocupados. — Esme cochichou quando estavam abraçadas.

— Eu também. — ela ofegava. — preocupada de nunca conseguir voltar.

— Como se perdeu? — perguntei.

— Não sei, eu... Eu deveria lembrar o caminho de volta, mas simplesmente não consegui.

Começamos a caminhar. Mais uma vez Carlisle e Esme na frente, Edward e eu atrás com Rosalie entre nós. O caminho de volta foi demorado, considerando que andávamos na velocidade humana.

Chegamos em casa na madrugada, todos em silêncio. Cada um subiu para seu quarto querendo descansar depois de tudo que havia acontecido em apenas um dia e meio.

Fui direto tomar banho, fazendo questão de aproveitar a sensação da água fervendo na minha pele gelada. Terminei e coloquei uma calça e uma camisa de manga simples, a última coisa que eu me preocuparia era em moda.

Deitei mais relaxado em minha cama. Sempre que a noite chegava, eu sentia falta de dormir. O tempo passava mais devagar quando não se dorme. Entediado, fiquei olhando o teto por alguns minutos, sem pensar em nada.

— Emmett. — um sussurro me “acordou” seguido de batidas na porta.

Levantei e abri minha porta, dando de cara com Rosalie. Ficamos tão perto que tive que dar um passo para trás para não causar mais confusão. Abri espaço para ela entrar e assim fez. Liguei a luz e me sentei na cama com ela ao meu lado.

— Eu preciso pedir desculpas. Minha atitude foi o motivo disso tudo e eu não deveria ter sido grosseira daquele jeito. — ela respirou depois de falar.

— Tudo bem. Mas você estava mesmo certa sobre o baile. Não posso ir.

— Aposto que pode. Você vai conseguir. — ela sorriu.

— Foi difícil para você?

— Para todos nós. Só que a vontade de não ser imortal era tão grande que prometi a mim mesma que nunca mataria humanos. E até hoje consegui cumprir essa promessa.

— E comigo? Foi porque eu estava morrendo? — ela me encarou.

— Também. Você me lembrou a minha criança favorita no mundo, o Henry. Ele era filho da minha melhor amiga. Eu tinha saído tarde da casa dela quando... — ela olhou para as próprias mãos e parou de respirar.

— Tudo bem Rose. — passei meu braço por seus ombros. — então, esse Henry era tão bonito quanto eu? — ela riu e voltou a me olhar.

— Era. Ele tinha as mesmas covinhas... Mas não te salvei só por isso. Você era muito jovem para morrer.

— Então você foi como um anjo mesmo. — sussurrei.

— Anjo? — ela franziu a testa.

— Foi o que eu pensei que você era quando me salvou. — sorri e ela sorriu também, nervosa.

— Estou longe de ser um anjo. — ela sussurrou com o olhar baixo.

— Por que é tão crítica com você mesma? — perguntei num tom de desabafo.

Nunca entendi porque ela fazia questão de não se gostar e aquela era a deixa para que ela falasse.

— Eu não sou tão boa quanto você pensa, Emmett. — ela respirou fundo e continuou: — desde criança todos me elogiavam pela minha beleza e eu acabei crescendo assim. Minha beleza exterior se tornou mais importante do que todo o resto para mim. Só uma coisa eu ainda valorizava: uma família. Royce era filho do chefe do meu pai. Ele era o mais cobiçado da cidade. — ela sorriu e me olhou. — estar noiva dele era ser a mulher mais invejada e isso para mim era o que bastava. Esqueci de que tinha que me apaixonar por ele, eu me apaixonei pela ideia de um marido e uma família. E foi isso que custou minha vida Emmett.

— Mas eles...

— Eu nem procurei conhece-lo de verdade! — Rosalie interrompeu batendo na própria perna. — talvez se eu soubesse o que ele queria eu poderia ter acabado com aquilo antes de tudo aquilo acontecer. Talvez eu tenha merecido o que eles me fizeram.

— Não! — me levantei alarmado por tudo o que ela disse. — nenhuma mulher merece isso, Rosalie. Você não pode ser tão má assim. Você me salvou. Isso não é prova suficiente de que você não é mesmo um anjo. Você cometeu erros, mas não está aqui por causa deles. — ela se levantou. Fui até ela e segurei seus ombros. — existe um motivo maior.

— Emmett...? — ela começou e só então percebi que estávamos perto demais.

Seus lábios nunca me pareceram tão chamativos quanto naquele momento. Quando a olhei pela primeira vez, sua beleza tinha me chamado atenção, como deveria ser com todos os homens. Homens não, pessoas em geral.

Ela já estava tão perto que apenas inclinei a cabeça para beijá-la. Fui delicado e tentei demorar o quanto pude. Prendi minhas mãos em sua cintura e a trouxe para mais perto. Me enganei sobre o beijo dela. Era muito melhor do que eu tinha imaginado! Senti as mãos dela em meu peito e ela me afastou devagar.

— Eu sinto muito. — Rosalie disse e saiu correndo do quarto antes que eu pudesse respondê-la.

Notas finais
Gostaram do capítulo assim? Estou tentando escrever mais em cada capítulo. No próximo a resenha do beijo! O que acharam dessa atitude do Emm, han? Até o próximo!