Truly, Madly, Deeply
8 Capítulo 7- Explicações
Notas iniciais
Rosalie
Joguei-me na minha cama tentando esquecer tudo o que tinha acontecido com Emmett e eu. Eu podia ter saído calada, mas precisei me desculpar. Por quê? Foi ele que tinha me beijado. E infelizmente tinha sido bom.
Emmett já sabia todos meus motivos para ser assim, para não gostar do que sou. Esperava que ele entendesse que aqueles motivos se aplicavam a nós dois também. Mas ele não entendeu e agora está magoado comigo.
— Rose. — reconheci a voz de Edward do outro lado da porta.
— Entra. — falei com o rosto enterrado no travesseiro. Ouvi a porta abrir e em seguida se fechar.
— Ele beija tão mal assim? — levantei o rosto e o vi sentado na poltrona de canto.
— Você sabe que não é por isso. — me sentei com o travesseiro no colo.
— Mas... É tão complicado assim? Ele gosta de você. Tenta descobrir se você gosta dele também.
— Eu não o mereço de qualquer jeito. E não sei se quero me envolver com ele ou com qualquer outro.
— Não tiro sua razão, mas... O Emmett é um cara legal.
— Eu sei Edward. Mas não posso me decidir agora. — ele assentiu e se levantou.
— Já vi que vocês dois vão ficar enfurnados no quarto o dia todo. Boa sorte. — e então saiu rápido. Sabia que agora ele iria falar com Emmett.
Pensei em colar o ouvido na porta e ouvi a conversa deles, mas Edward voltou para o meu quarto com um sorriso malicioso. Colocou apenas a cabeça para dentro e disse:
— Não se rebaixe a isso.
Revirei os olhos. Era o tipo de pensamento que deve ficar só para mim. Ele fez que sim com a cabeça e saiu definitivamente. Mesmo depois disso, minha mente voltou no tempo até o momento do beijo.
Tinha a leve impressão de que sua boca tinha se encaixado perfeitamente na minha. E se as coisas tivessem ido bem mais longe? Meu corpo estremeceu ao imaginar. Esperava que Edward tivesse esquecido de mim ou se não, não conseguiria olhar para ele por um tempo.
Estava deitada mais uma vez, olhando o teto quando Esme apareceu alegre.
— Temos que ir à cidade hoje. — ela já estava até arrumada para sair. Sorrindo confusa, saí da cama.
— Por quê?
— Não vamos ao baile, então vamos nos mudar.
— Ah, o baile. — forcei um sorriso.
— Mas... Teremos que ver a casa que vamos morar.
— Por que eu vou?
— Só eu e Carlisle não podemos saber o que vocês vão querer, Rose. Você pode ter mais ideia do que o Edward e o Emmett iriam gostar.
— Eles vão ficar?
— O Emmett como recém-criado não é seguro ficar sozinho. Edward se ofereceu para ficar com ele.
Apenas assenti. Não queria ir, mas era melhor do que ficar. Esme saiu do quarto. Fui ao closet. Vesti um vestido azul claro, justo em meu ventre, com a saia mais solta. As mangas iam até meus cotovelos, deixando o vestido mais comportado.
Coloquei a meia calça e um salto branco. Olhei-me no espelho e sorri para mim mesma. Saí do quarto nervosa por imaginar encontrar Emmett. Ouvi a voz de todos na sala. Respirei fundo algumas vezes e desci.
Quando cheguei à sala, todos me olharam. Olhei Emmett e vi que ele estava quase babando e claramente se controlando para ficar no lugar. Fingi bem ignorar seu olhar e até ele mesmo.
— Está linda! — Esme falou sorridente.
— Então vamos? — Carlisle se levantou. Fiz que sim com a cabeça e me apressei para ser a primeira a sair. Edward se despediu e apenas acenei para ele e Emmett.
Quando saímos, olhei para a casa antes de entrar no carro. Eu não queria que as coisas tivessem tomado justamente aquele rumo; muito menos ficar evitando Emmett e sendo evitada em troca.
Já dentro do carro, percebi que Carlisle e Esme estavam tensos. Aquilo me deixava tensa também e angustiada, por não saber o qual o problema. Até Esme desistir:
— Rose, o que aconteceu noite passada? — tinha acabado de descobrir mais um dos meus pontos fracos. Eu não esperava que eles percebessem, nem mesmo Edward deveria saber que algo aconteceu na noite anterior; mas ele sempre saberia de tudo.
— Esme. — Carlisle chamou num tom de aviso. Eu via claramente que ele também estava preocupado, mas Carlisle sempre usava sua calma e sensatez e nessa situação, não seria diferente. Já Esme, por sua extrema sensibilidade, não conseguiria agir da mesma forma.
— Como assim? — perguntei finalmente.
— Emmett saiu para a floresta ontem à noite. Sozinho. Você está calada e Edward muito pensativo. Ficamos em casa ontem à noite, o que pode ter acontecido? — Esme respondeu e questionou.
— Não aconteceu nada... — disfarcei bem minha insegurança. Não sabia se esconder poderia ajudar a esquecer o que aconteceu ou se deveria deixá-los cientes de tudo.
— Mesmo? — ela indagou desacreditada.
— Mesmo.
Ela se conformou e passou a pensar. Carlisle me olhou pelo retrovisor, querendo desvendar qualquer outra coisa. Olhei-o de volta, tentando ser neutra. Resolvi que se aquilo acabasse mal, seria melhor que eles não soubessem.
O caminho foi silencioso, mas rápido. Chegamos à cidade, estranhando o movimento na porta da delegacia. Naquela cidade quase nunca tinha crimes ou denúncias, o que me deixou angustiada. Não sabia sequer o que tinha acontecido, mas uma vozinha dizia que eu precisava me preocupar.
Andamos normalmente, até que uma senhora, baixinha de cabelos negros lisos e curtos, saiu aos prantos, acompanhada de dois rapazes bem parecidos com ela. Todos paramos. Eu já tinha visto aquela fisionomia...
Até meus olhos pararem no papel em suas mãos. “Procura-se Emmett McCarty, 20 anos.”... E uma foto recente dele embaixo do enunciado.
Meu coração deveria ter voltado a bater naquele momento, pois parecia que iria sair pela boca. A mulher andava de cabeça baixa, apoiada pelos dois rapazes. Ela parou, levantou a cabeça e olhou em volta.
— Mãe, vamos para casa. — um dos rapazes falou, chorando também enquanto a segurava.
Ele nunca tinha conversado sobre sua família e tinha aceitado bem seu próprio desaparecimento. Mas sabendo como eu queria ser mãe, me coloquei no lugar dela e meus olhos arderam ao imaginar ter meu filho tirado de mim de repente. E tudo era culpa minha.
Sem falar nada, comecei a caminhar de volta para o carro. Detive-me assim que cheguei ao veículo. Acreditava estar sozinha, mas antes que pudesse agir, senti duas mãos leves apertarem meus ombros.
— Voltamos outro dia. — Esme falou afagando meu cabelo. Virei-me para olhá-la. — não precisa vir.
— Como vão contar a ele?
— Vamos ser sinceros. — Carlisle respondeu, se aproximando. — agora sim precisamos ir embora. Logo estarão procurando Emmett.
(...)
Chegamos a casa em silêncio. Estranhamos não vê-los logo na sala, até eles chegarem da floresta. Os dois riam tão ingênuos... Ingênuos até saber porque estávamos daquele jeito.
Edward ficou sério em segundos e Emmett ainda sorria um pouco. A minha culpa e preocupação eram tão grandes que precisei olhar em seus olhos. Ele estranhou, mas não desviou. Movi a boca em um “sinto muito” mudo.
— O que foi? — ele perguntou, tirando os olhos dos meus para olhar os outros.
— Emmett, precisamos que prometa que não vai sair desta casa. — Carlisle falou.
— Eu já tinha prometido, não?
— Agora é diferente. — Esme respondeu pensativa.
— O que estão escondendo? — ele voltou a me olhar, pedindo explicações. Edward suspirou e saiu da sala, bagunçando os cabelos, preocupado.
— Precisa ficar em casa porque sua mãe está na cidade. — falei de vez. Ele levou um tempo para raciocinar tudo.
— A minha mãe?
— E seus dois irmãos. — completei, engolindo em seco em seguida.
— Por que tenho que ficar em casa? A minha mãe não vai se importar com o que sou, eu sei.
— Esse não é o problema. — Carlisle se levantou do sofá. — ela não pode saber disso, Emmett. Os humanos não podem desconfiar que existimos.
— Mas... Minha mãe não contaria a ninguém se isso é a condição.
— Emmett, podemos conversar à sós? — perguntei, me levantando também.
Ele assentiu, com a testa franzida e inconformado. O chamei para o andar de cima e o levei até o escritório de Carlisle. Seria uma longa e necessária conversa. Fechei a porta sem fazer barulho. Com estava de costas para ele, fechei os olhos com força e suspirei baixinho antes de me virar.
— Eu não posso deixar minha mãe assim. — ele falou negando com a cabeça.
— Eu acredito que ela não se importaria, mas... Como uma humana, ela não pode saber que você ainda existe. — me aproximei cautelosamente. — existe um tipo de realeza para os vampiros. Os chamam de Volturi.
Comecei a caminhar até o quadro na parede da estante dos livros. Parei em sua frente e ouvi os passos bem atrás de mim. Abri espaço para que ele ficasse do meu lado e observasse a obra também.
— Eles vigiam os vampiros e os clãs. Tanto que precisarão conhecer você assim que Carlisle informá-los que se juntou à nós.
— por quê?
— Eles tem que ter certeza que você não oferece risco a nosso segredo. E é por isso que sua mãe não pode saber sobre nós. Mesmo que ela guarde o segredo, os Volturi não iriam permitir que ela vivesse sabendo a verdade. — me virei para ele. — sei o quanto pode ser doloroso, mas para a segurança dela, precisa deixá-la ir. — ele suspirou sem tirar os olhos do quadro. — e ainda tem a sede, Emmett. — ele então me olhou, confuso. — você não se controla com o sangue dos animais, não iria pensar antes de... — engoli as últimas palavras.
— O quê?! Eu nunca mataria minha mãe! — sua exaltação me deixou mais nervosa.
— Voluntariamente, não. — fingi não estar abalada. — o sangue humano é tentador até para o Carlisle. Sua sede seria tanta que você não consideraria mais nada antes de tentar saciá-la. É uma sensação insuportável como a transformação.
— Minha mãe já teve que enterrar o marido, meus irmãos estão noivos, logo vão sair de casa. Não posso aceitar deixá-la sozinha.
— Você iria se casar uma hora também não é? — olhei para o chão. Imaginei Emmett casado com uma garota da cidade, montando sua própria família. Não gostava muito da ideia, mas se ela ainda fosse real, qualquer sofrimento seria menor.
— Não sei. — ele se virou para mim, me olhando corajosamente nos olhos. Eu queria desviar, mas me recusava a parecer covarde. — Minha mãe tinha me dito nos últimos dias antes de eu desaparecer sobre namorar, noivar... Nunca levei a sério a ideia. — confirmei com a cabeça e voltei a olhar o quadro.
— Acho que entendeu melhor, não é?
— Talvez. — ele sorriu. Virei para a porta, mas ele me chamou. — precisamos conversar...
— Sobre ontem. — completamos em uníssono. Voltei a ficar de frente para ele e consegui encará-lo também.
— Foi apenas um beijo. — falei firme. — um deslize, só por curiosidade. Vamos esquecer e voltar a ser amigos? — propus estendendo a mão a ele, como que para descontrair.
— Claro. — ele sorriu e apertou minha mão.
Assim que soltamos as mãos, ele passou na minha frente e abriu a porta para que eu saísse. Sorri e o esperei sair também.
Descemos juntos e encontramos Esme e Edward conversando na sala.
— Parece que ela soube fazer o trabalho do Carlisle. — Edward sussurrou para Esme.
— Ele vai gostar de saber quando voltar. — ela falou e se virou para nós. — está bem Emmett?
— Acho que sim. — ele sorriu levemente e caminhou para o sofá.
Sentei ao lado de Esme enquanto ele estava ao lado de Edward. Comecei a conversar com Esme e ele fez o mesmo com nosso irmão.
Em certos momentos, o olhava e quando desviava sabia que ele me olhava também.
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