Notas iniciais
Olá pessoas ;) Nesse capítulo resolvi colocar uma música. "Back to you" da banda Twin Forks. Vou deixar o link abaixo se quiserem acessar e ouvir. https://youtu.be/_uIOSj_49Bo

Emma ergue o tronco abruptamente, se sentando na cama. Seus olhos se arregalaram e seu coração acelerou ao ouvir um grito alto vindo de fora do quarto. Rapidamente ela se retira da cama num pulo e corre até a porta. Ao ouvir o som com mais intensidade, ela caminha pelo corredor vendo que os gritos vinham do quarto de Regina. Abriu a porta e se deparou com a morena suando frio e se contorcendo na cama, alternando entre gemidos e gritos assustados e cheios de medo.

— Não.. Não.. — Foi tudo o que ouviu Regina gemer enquanto dormia e parecia estar tendo um pesadelo horrível. Emma preocupada, se aproxima e senta na beirada da cama, olhando a outra. Pensou em acorda-la com calma pra não assusta-la mais do que já transparecia estar.

— Regina.. — Falou num tom baixo encostando a mão no braço da morena.

— Daniel.. não me deixe... não me deixe Daniel! — Regina se revirava e não acordava de jeito nenhum.

— Hey.. acorda Regina! — A loira resolveu pegar os dois braços dela de forma leve e aumentar um pouco a voz.

— Por que você fez isso? Por que?

— Você precisa acordar.. vamos acorde! — Mexeu os braços da rainha, quase gritando.

— POR QUE? — Berrou Regina ao abrir os olhos e lançar a mão contra Emma que ficou sem ar de uma hora pra outra.

— Regina.. — Chamou com a voz falhada por estar sentindo a garganta fechada e esmagada. — para, so-u e-u.. Em-ma.

— Emma? — Sussurrou a morena com a boca entre aberta e o olhar assustado. Ao ver o que estava fazendo põe a mão pra baixo, parando o sufoco que a loira estava passando. Emma tossiu freneticamente passando a mão no pescoço e respirando fundo depois. — Me-me desculpe.. eu não queria machucar você.

— Tudo bem.. — Sua voz saiu num sussurro por ainda estar recuperando-a. — você teve um pesadelo e tanto hen! — Comentou. Regina não respondeu nada só ficou fitando o nada, parecendo perdida e muito aflita. — Você está bem? — A loira tocou seu braço, ela reagiu num leve susto, olhando nos olhos verdes curiosos.

— Estou.

— Já sonhou assim antes?

— Eu.. — Engoliu em seco. — bom, ás vezes. — Abaixou o olhar e encarou as mãos. Emma ficou a olhando por uns segundos. O silêncio tomou conta do lugar.

— Okay.. eu acho melhor deixar você tentar dormir de novo. — Sugeriu já se levantando, mas Regina pegou sua mão e a encarou.

— Por favor. Não me deixe sozinha! — Emma percebeu que o olhar da outra era de súplica, coisa bem rara vindo dela. Seus olhos marejados resplandeciam sua angústia e medo. A loira afirmou com a cabeça e voltou a se sentar. Se surpreendeu quando a morena a puxou contra o seu corpo e a abraçou forte, era aquele tipo de abraço puro e sincero, apertado, e desesperado. Viu que Regina soluçava levemente e a abraçou de volta tentando conforta-la. Nunca sentiu seu coração tão apertado por vê-la naquele estado tão frágil e vulnerável. Suspirou ao sentir a respiração funda da outra contra seu pescoço e com isso passou a fazer um cafuné nos cabelos negros macios. Palavras não pareciam ser muito adequadas naquele momento, Regina precisava apenas de um ombro amigo.

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Os olhos esmeraldas foram se abrindo com calma, se chocando contra a claridade intensa do sol escapando pela janela do quarto. As pálpebras foram comprimidas e depois os olhos passearam ao redor da cama. Esticou o braço pelo colchão vendo que este estava vazio do seu lado. Passou a mão no cabelo e se sentou na cama, iniciando uma espreguiçada acompanhada de um longo bocejo. Emma não estava acreditando que tinha dormido no quarto de Regina.

— Bom dia. — Olhou para a porta e viu a morena entrar com um enorme sorriso. — Seu café da manhã. — Com a bandeja que tinha em mãos ela põe sobre a cama e senta na beirada, observando a loira se ajeitar e sorrir de canto.

— Bom dia.. não precisava, sabe.. disso aí. — Apontou para a bandeja.

— É uma recompensa por ter me ajudado ontem.. com o meu problema. — Disse a última parte cabisbaixa.

— Você fica dando recompensas pra todos as pessoas que resolvem ter uma atitude amigável com você? — Perguntou Emma tirando a tampa da bandeja e seus olhos brilharam ao ver um prato recheado de delicias naturais.

— Então me considera uma amiga?

— Pode se dizer que sim. — Já de boca cheia ela fala fazendo a morena sorrir.

— Não estou acostumada com isso.

— Com o que?

— Gentilezas. — Praticamente sua voz saiu como um sussurro. A loira parou de comer e a fitou.

— Mas como você é assim, tão gentil? — A pergunta de Emma atraiu os olhos de Regina.

— Gosto de pensar que é minha maneira de ser, mas a vida ou.. destino, não sei bem, não me retribui da mesma forma. — Desviou o olhar, e tomou uma postura rígida, quase intocável. Emma sabia que era um tipo de defesa. — Enfim.. quero que troque suas roupas. Vou te ensinar a cavalgar!

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— Ou, ou.. droga! — Exclamou a loira ao tentar se aproximar de um dos cavalos no curral, mas o animal se afastou e empinou assustado. Emma pensou em discordar de Regina e tentar achar seu livro de volta, mas com tudo que tinha visto não podia evitar a curiosidade de conhecer aquele lado diferente da mesma e também aquilo parecia ter deixado a morena feliz depois da terrível noite que havia passado.

— O que foi Emma? — Regina, que estava fazendo carinho no seu cavalo, vai até ela olhando-a tentar se aproximar do cavalo.

— Não consigo nem chegar perto dessa coisa! — Irritada ela exasperou.

— Em primeiro lugar. — Se aproximou lentamente do bicho e passou a mão nas suas crinas com um sorriso. — Este é o Tom. E você está fazendo errado Swan, não é desse jeito que você domina um cavalo. Precisa pegar a confiança dele primeiro, parecer amigável e doce. Assim ele vai ver que não existe perigo e vai deixar você monta-lo. — Disse naturalmente, se comunicando de uma forma meiga com o cavalo que retribuiu.

— Ou o Tom não gosta de mim! — A loira colocou as mãos na cintura suspirando, o que fez a rainha revirar os olhos e se aproximar dela, pegando sua mão e chegando perto do animal.

— Vamos Tom.. tenha calma. — O cavalo pareceu exitar por um momento, mas baixou a cabeça. Regina colocou a mão de Emma por cima das orelhas dele e foi descendo num ato de carinho até o focinho. — Viu só, quando você faz as coisas com amor, elas começam a dar certo. — Swan soltou um sorriso surpreso e contente. Virou o rosto e flagrou a morena lhe olhando, um olhar perdido, indecifrável (como sempre). Não sabe como teve a coragem, mas aproximou seu rosto da outra, invadindo totalmente seu espaço pessoal. Ficaram ali, sem raciocinar direito, muito menos pensar. Aquele contato era hipnotizante por parte das duas, irresistível por um momento. O clima se quebrou ao ouvirem o cavalo relinchar e se afastar. Totalmente sem jeito elas se separaram.

— Deixa eu tentar sozinha dessa vez. — A morena assentiu, se afastando um pouco. Emma foi se aproximando lentamente balbuciando palavras dóceis ao cavalo e conseguiu finalmente toca-lo sem ele ter medo. — Consegui! — Contente ela exclama, se virando e olhando Regina que parecia estar orgulhosa.

— Muito bem. — Disse já indo até seu cavalo e o guiando para fora do estábulo. Assim a loira faz o mesmo com o seu, a seguindo.

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Regina

Não consegui evitar de soltar um riso descontraído ao ver Emma tentar montar em seu cavalo de um jeito totalmente desengonçado. Ao vê-la ter sucesso em subir no Tom, reparo que ela sorriu vitoriosa. O jeito daquela mulher tinha me intrigado de uma forma inexplicável, e ontem a noite foi como se eu me sentisse segura com ela como há muito tempo eu não me sentia. Na verdade eu havia mentido, costumava ter pesadelos como aquele quase toda a noite. E sempre em todos eles Daniel me deixava, me abandonava enquanto minha mãe esmagava seu coração. Parecia que toda a cena se repetia na minha cabeça e isso era um tormento sem fim. Mas pela primeira vez eu tinha dormido bem, tranquilamente e com um pouco de paz. A presença de Emma ali, me fez um bem maravilhoso.

— Vamos? — Sua voz me despertou dos meus pensamentos. Seu cavalo estava ao lado do meu e nós duas estávamos montadas prontas para irmos.

— Claro. — Sorri de leve, olhando seus olhos claros e atentos. Os cabelos loiros que caíam pelas suas costas era uma coisa linda de se ver. — Sabe o que fazer agora?

— Acho que sim. — Fez uma careta.

I was young so I forgot

Which was my place and which was not

Thought I had a good shot

I took it right in my eye

— Me siga! — Digo e começo a guiar o cavalo lentamente pra frente. Assim ela fez, mas o seu cavalo troteou de um lado para o outro.

— Aí não.. de novo não!

— Você deve deixar as mãos relaxadas Swan. Olha só. — Indiquei com as minhas mãos a ela que resolveu me imitar e então o cavalo andou de forma correta para frente.

Look ahead, look behind

Take another, I don't mind

I, oh, I, oh

— Entendi! Acho que to pegando o jeito.

— Vai pegar o jeito quando eu disser que pegou. — Arqueio uma sobrancelha num tom divertido ao ver que ela fechou a cara.

— Entendido vossa majestade. — Suas palavras saíram carregadas de ironia.

— É brincadeira, Swan! — Solto uma leve risada, fazendo-a me encarar confusa e surpresa. — Você esta indo bem. — Fomos andando pela floresta com calma.

Follow the signs right back to you

Back to you, back to you

I know they wind right back to you

Back to you

— Ver você brincando é tipo uma raridade. — Comentou pensativa.

— Fala como se me conhecesse há anos. — Ela sorriu de canto. — Estou curiosa pra saber o por que de você me ver como uma pessoa má.

— Não esteja.

— Vou provar que está errada. — Pensei alto.

— Não é essa a questão.

— Está duvidando de mim?

— Talvez eu esteja sim. — Seu sorriso se abriu, seus olhos me desafiavam.

Let the moon do what she does

She don't need to make a fuss

She don't know she shines for us

Something tells me that she does

— Não acredito nisso. — Finjo surpresa. — Agora vou ter que pegar pesado com você. — Faço meu cavalo acelerar. — Quero ver me acompanhar Swan! — Aumento minha voz para ela me ouvir enquanto cavalgo rapidamente.

— Hey, espera! — Ouço ela longe tentando me alcançar. Estou bem mais a frente, ela nunca vai conseguir me acompanhar disso eu tenho certe.. — Olha a frente! — Viro meu rosto e me surpreendo a vendo do meu lado. Trocamos um sorriso divertido.

— Nada mal para uma iniciante.

— Confessa que sou boa! — Falamos alto por conta da "corrida" que estávamos traçando pelo caminho da floresta.

— Nunca! — Impliquei a desafiando.

— Ah é? — Emma passou de mim, e olha que eu já estava numa alta velocidade. Mas não vai ficar assim não! Revirei os olhos e fiquei ao lado dela, empurrando de leve meu cavalo contra o seu. Ela me olhou surpresa e eu sorria, aquilo estava me divertindo. Logo ela fez o mesmo e resolveu ficar mais a frente de mim. — Já perdeu Rainha! — Seu sorriso foi vitorioso. Comecei a arregalar meus olhos ao ver que o caminho tinha acabado e tivemos que entrar floresta a dentro, desviando de árvores e folhas grandes. Fiquei surpresa com a agilidade de Emma com o cavalo. Ela aprende rápido!

Follow the signs right back to you

Back to you, back to you

I know they wind right back to you

Back to you, back to you

Time after time, I follow signs

I know they wind right back to you

— EMMA ESPERA!! — Alerto mas já era tarde demais. Ao chegarmos num campo aberto o cavalo parou do nada, fazendo a loira voar até o chão. Vendo aquela cena, um arrepio forte percorreu a minha espinha, senti medo de algo ter acontecido com ela, um medo muito forte. — Emma..

I trust the signs

so I may find my way to you

Back to you, back to you

Follow the signs right back to you

Pulo do meu cavalo e corro até seu encontro. Seu corpo deitado no chão e seus olhos fitando o céu, sua respiração descompassada. Me inclinei por cima dela aproximando meu rosto do seu. — você está bem? Se machucou?? — Coloco uma das minhas mãos no seu rosto, a fitando. Ela olhou dentro dos meus olhos e sorriu sapeca. De súbito, inverteu as posições se posicionando por cima de mim com as mãos na minha cintura.

— Ganhei! — Como uma criança ela fala convencida junto ao mesmo sorriso. Arfei. Seu rosto quase colado ao meu, não queria ter a coragem de desviar daqueles olhos lindos. Sem perceber desci meu olhar para sua boca entre aberta e extremamente convidativa. Arrepios circulavam meu corpo ao sentir-se grudado ao dela. Ela viu que eu desviei e continuava a fazer, entre seus olhos e lábios. Percebi que ela fazia o mesmo com uma chama forte no olhar. Voltei a mim com a vergonha acompanhada então inverti de volta as posições e sussurrei no seu ouvido.

— Podia ter se machucado. — Vontade absurda de morder aquela orelha, agarrar aquele corpo e.. por Zeus, o que estou dizendo?

— Mas não me machuquei. — Sussurrou pelo ar.

— Sorte de principiante! — Voltei meu lábios para perto dos seus, e meu coração pulsava com mais força.

— Admita que o aluno superou o mestre, Rainha.

— Muito cedo pra dizer isso, alem do mais você levou um tombo feio. Isso significa que ainda tem muito o que aprender! — Aquela troca de sussurros estava me enlouquecendo. Ela se ergueu me fazendo sentar em seu colo. Minha nossa, será que estou... maldição, estou mesmo e muito! Qual era o problema para mim não conseguir controlar meu corpo?

— Ah Regina.. você nunca baixa a guarda não é? — Sabe a sensação de você ter que controlar cada parte do seu corpo pra não acabar fazendo uma grande besteira com uma pessoa que inconvenientemente está por baixo de você? Pois é.

— Estou sendo sincera Emma. Mas devo admitir que você aprendeu rápido. — Depois de nos encararmos por mais algum tempo ela desceu o olhar para suas mãos que estavam coladas na minha cintura e imediatamente as tirou.

— Obrigada! — Sorriu sem jeito. Eu não queria sair daquela posição. Era tão bom aquela sensação, deliciosa. — Parece que viemos parar num campo de flores. — Olhou ao redor, eu a acompanhei. Eu conhecia aquele lugar, era a coisa mais linda de se admirar, com flores delicadas para todos os lados. Me levanto, saindo de cima do seu corpo e ouço ela respirar fundo, como se tivesse trancado a respiração até então.

— Eu conheço esse lugar. — Comentei olhando ao redor. — Costumava vir aqui para.. — Não consegui completar a frase. Assim que comecei a lembrar senti uma pontada no meu peito e uma angústia profunda. Me sentei por cima das flores olhando a vista.

— Regina.. — Senti sua mão tocar meu braço e ela sentar ao meu lado.

— Eu amava vir pra cá.. — Uma lágrima solitária desce do meu rosto.

— Quem é Daniel? — Perguntou de repente. Lancei-lhe um olhar confuso. Como ela sabia? — Eu ouvi você dizer esse nome ontem, enquanto sonhava. — Emma me fitou, colocando as mãos ao redor dos joelhos. Respirei fundo e fiquei pensativa, era doloroso demais falar sobre aquilo.

— Ele era meu amor verdadeiro. — Um silêncio se fez por um tempo.

— O que.. aconteceu? — Vi que a loira perguntara com cautela.

— Minha mãe. Foi o que aconteceu. — Fiz uma pausa. — Ela fez de tudo pra mim casar com Leopold. — Outra lágrima desce dos meus olhos. — E no fim, aconteceu tudo como ela queria. — Sorri irônica.

— E Daniel? — Perguntou curiosa me encarando. Abaixei meu olhar, as lágrimas insistindo em descer cada vez mais.

— Eu costumava vir aqui pra encontrar com ele. Mas eu não quero falar disso agora. — Quanto mais eu falava, mais meu coração se apertava e as lembranças dolorosas voltavam.

— Tudo bem. Eu sei como é perder alguém que você ama de verdade. — A loira pegou uma de minhas mãos e com a outra, virou meu rosto delicadamente para encara-la. E com o polegar ela enxugava as lágrimas que desciam dos meus olhos. Seu olhar estava marejado, ela me entendia, eu podia sentir isso.

— Como você fez pra esquecer a dor? — Encarei seus olhos um pouco perdida.

— Ainda estou tentando descobrir um jeito. Mas Regina, você não está sozinha ouviu? — E com isso sinto seus braços me abraçar com força e aconchego. Retribuo me desmanchando em lágrimas no seu ombro. Eu nunca tinha me sentido a vontade pra me abrir sobre isso com ninguém antes. Bom, não que eu tivesse alguém pra conversar, mas eu me senti tão aberta pra me expressar com Emma e isso era bom de certa forma.

Notas finais
Até o próximo ;) XOXO