True Love
50 Sofrimento e mais sofrimento
Quando eu disse aquelas quatro palavras, o seu rosto ficou sem expressão, ele ficou me olhando, sem saber o que dizer, sem entender o que eu disse. Está um silêncio horrível, ele está imóvel, não consigo decifra-lo, sempre consigo, mas desta vez é impossível.
—Minha mãe... Ela me deu umas pílulas, dizendo que eram vitaminas, que ela tomou quando estava grávida, que era bom para o bebê... – lágrimas não param de descer pelo meu rosto, nem por um segundo – eu acreditei, mas eram pílulas de aborto... Ela matou o nosso filho – as palavras saíram da minha boca sem controle, uma engolindo a outra, o silêncio estava me matando, precisava falar algo.
Ele começa a olhar para o chão, solta minha mão cuidadosamente e levanta.
—Stefan?
Ele caminha lentamente até a porta e sai do quarto sem dizer nada, ou olhar para mim. Ponho minha mão em minha boca, abaixo a cabeça e volto a chorar. Ele deve estar me culpando, foi culpa minha, estou fazendo medicina, como fui tão tola em pensar que aquilo era vitamina? Sou uma idiota! Perdi meu filho por ser burra!
POV Stefan
Entro em meu quarto, fecho a porta e fico parado, olhando para o nada, tentando processar tudo o que aconteceu. Por semanas eu pensei que seria pai, e em menos de segundos tudo isso foi destruído, todo o meu mundo virou de cabeça para baixo, o peso do meu corpo parece o dobro do que realmente é, a vontade de destruir tudo o que tem pela minha frente é grande e a dor na minha garganta por eu estar segurando o choro é horrível. Eu simplesmente não consigo acreditar, eu perdi outra pessoa. Quando penso que finalmente algo de bom vai acontecer em minha vida, em um momento tudo é destruído. A dor forte no meu peito é insuportável, eu mal consigo respirar. Dou um alto grito, despejo toda a minha raiva nesse grito que provavelmente todos ouviram, mas não me importo. Ando pelo quarto, pisando fortemente no chão, derrubo a pequena mesa, onde tinha um copo, que agora está estilhaçado no chão. Chuto fortemente a porta do guarda-roupa, levanto o colchão da cama e o derrubo no chão com toda a minha raiva. Soco a parede com toda força, até vê-la coberta de sangue. Olho para o meu pulso escorrendo sangue, e em cima desse sangue pinga uma lágrima, e depois várias outras. Caio de joelhos no chão, soco o chão.
—NÃO! – grito – NÃO, NÃO, NÃO!
Cubro meu rosto com minhas mãos e me permito chorar, até meu corpo não aguentar mais. A dor é insuportável, meu corpo todo dói. Pensei que sabia o que era sofrer pela morte de alguém, estava enganado. Estou sofrendo mais pela morte de alguém que eu não conheci, e que nunca irei, do que pela morte da minha mãe e do meu pai.
POV Elena
Escuto os gritos e estrondos vindos do quarto de Stefan, isso me faz sofrer e chorar mais, eu estou causando toda essa dor, é minha culpa! Queria poder conversar com ele, reconforta-lo, mas eu mal consigo ficar em pé, não posso fazer nada. Sou uma inútil, sempre fui e sempre serei.
A porta do meu quarto abre e vejo Jeremy parado, totalmente assustado e preocupado.
—Você e o Stefan brigaram de novo né? Por que ele está destruindo o quarto dele inteiro e você está com a cara toda inchada de tanto chorar – abaixo a cabeça e fico calada. Ele se aproxima e senta ao meu lado, segura a minha mão — o que foi dessa vez? Sabe que pode me contar qualquer coisa, estarei ao seu lado sempre.
Levanto a cabeça e olho para ele. Imagino o quão mal ele ficará ao saber que a nossa mãe matou meu filho, o sobrinho dele, ele vai ficar devastado, sempre foi mais próximo dela, eles têm uma relação ótima e isso tudo será destruído por uma crueldade que ela teve coragem de fazer. Não estou pronta para contar, não agora. Meus olhos se enchem de lágrimas e o abraço, ele me envolve cuidadosamente em seus braços e acaricia minha cabeça.
—Calma – diz suavemente ao meu ouvido – se não quiser contar agora tudo bem, mas vai ter que tomar um banho, enquanto você faz isso, eu vou fazer uma pipoca e vamos maratonar séries, tá? — ele me afasta para olhar em meus olhos.
Concordo com a cabeça.
—Ótimo — ele levanta — já volto – e sai do quarto.
Caminho até o banheiro e tomo um banho relaxante. Fico impressionada como o meu irmão me faz bem, como ele sempre consegue amenizar as minhas dores com soluções perfeitas.
Saio do banheiro e o vejo deitado na minha cama com um balde de pipoca.
—Já está tudo pronto – diz.
Sorrio e deito ao seu lado. Assistimos alguns episódios, admito que me fez esquecer por alguns momentos os meus problemas, porém meus olhos começaram a pesar e resolvemos dormir.
—Boa noite – diz dando um beijo em minha testa. Tudo está desligado, já estou deitada em minha cama. Ele me dá as costas, mas seguro sua mão.
—Dorme comigo, por favor – digo.
Ele olha para mim e concorda com a cabeça. Retira a camiseta e deita ao meu lado, me aconchego em seu peitoral e ele me envolve com seu braço. Qualquer mulher estaria excitada tão perto assim dele, ainda mais com ele seminu, mas ele é meu irmão, sempre tivemos essa relação e ele sempre fazia isso quando éramos pequenos, quando eu tinha medo dos trovões a noite, mesmo sendo o irmão menor, sempre me protegeu.
POV Stefan
Já estou há um bom tempo nesse bar, da comunidade, que eu costumava frequentar. Nem sei quantos copos de cerveja já bebi, mas com certeza estou bêbado, porém não paro. A bebida me faz esquecer-se dos problemas e ainda posso rir dos idiotas que circulam pelo bar, e talvez arrumar uma briga.
Escuto o barulho da cadeira em minha frente arrastar, levanto minha cabeça e vejo Katherine do outro lado da mesa.
—O que está fazendo aqui? — pergunto dando um gole da cerveja.
—Vou te acompanhar.
—Não quero companhia, quero ficar sozinho, me deixa em paz.
—Traz uma garrafa de whisky – pede ela ao garçom — vamos dividir nossas dores.
—Não quero dividir dor.
—Então escute as minhas – diz dando um sorriso.
Reviro os olhos e dou um longo gole da cerveja.
POV Elena
Abro meus olhos e vejo que está tudo escuro, ainda é noite. Olho para o relógio e vejo que marca 02h00min da madrugada, me aconchego mais ainda nos braços de Jeremy e fico olhando o teto. Involuntariamente, passo a minha mão em minha barriga e logo vem em minha mente que lá não tem nada, todos os dias eu passava a mão, quase toda hora e agora não tem mais sentido para fazer isso. Percebo que estou chorando novamente, tento conter as minhas lágrimas para não acordar Jeremy, porém é tarde demais, ele acordou. Ele me olha.
—Lena? Você está chorando? — pergunta preocupado tocando meu rosto.
Respiro fundo e sento na cama, seco minhas lágrimas e tento me acalmar, acendo o abajur. Ele senta ao meu lado e passa sua mão em minhas costas delicadamente.
—Não quer me contar o porquê de tudo isso?
Nego com a cabeça.
—Lena, eu preciso saber, talvez eu possa ajudar, não aguento vê-la chorando.
Olho para ele e então conto tudo, desde a minha conversa entre mãe e filha, até a parte trágica da história onde ocorreu o aborto. Enquanto eu falava, ele não dizia nada, só escutava, até seus olhos encherem de lágrimas e elas descerem uma atrás da outra, mas mesmo assim ele não disse uma palavra.
—... ela até tentou falar comigo, mas não quero mais olhar para a cara dela – digo finalmente.
—Meu Deus... Eu não sei o que falar – diz ele secando as lágrimas — não sei se estou mais chocado por você não ter mais o bebê, ou por saber que a nossa mã... Que Miranda fez tudo isso... Eu estou com um nojo dela, não consigo, não dá! — ele volta a chorar, seguro sua mão.
—Eu sei, eu vi a cara dela, ela não se arrependeu ter feito isso! Ela matou uma criança por causa do maldito preconceito dela!
Ele fica em silêncio chorando, até que respira fundo.
—Eu preciso de ar – diz. Ele levanta e caminha até o meu banheiro.
Respiro fundo e tento ser forte. Levanto-me da cama e caminho até a pequena mesa que fica no canto do meu quarto, pego a jarra de água e encho o copo, aproximo o copo da minha boca, minha mão treme e o copo cai no chão, quebrando em pedaços, sinto a água em meus pés descalços. Jeremy sai correndo do banheiro e vem em minha direção, me segura antes que eu caísse no chão e me cortasse no vidro. Choro desesperadamente em seu peito, nem ele consegue me acalmar.

POV Stefan
—... e depois disso, ela nunca mais olhou na minha cara – diz Katherine sorrindo vitoriosa.
Sorrio e brindamos.
—É assim que se faz – digo e dou um gole do whisky.
Ela suspira.
—Vou para casa, estou exausta.
—Mas já?
—Estamos há horas aqui conversando – diz dando um último gole do whisky.
—Tudo bem, eu te acompanho.
Ela sorri.
—Obrigada.
Pagamos a conta e saímos do bar.
—Olha eu tenho que te agradecer, se você não tivesse aparecido minha noite teria sido horrível – digo.
—Katherine Pierce sempre faz o possível – diz ela. Sorrio.
Andamos por um momento em silêncio. Essa foi uma noite divertida, nunca vi Katherine tão simples, sem aquela máscara de vadia, sendo ela mesma, aquela Katherine por quem eu fui apaixonado, eu era o único que sabia que ela existia, porém depois que eu criei ódio por ela, pensei que aquilo tudo foi uma ilusão minha, mas não foi, ela realmente tem esse lado divertido e simpático.
—Bom, chegamos – diz parando em frente à porta de sua casa – obrigada pela noite maravilhosa – ela se aproxima e me abraça.
—Eu que agradeço — nos afastamos – boa noite – digo.
—Boa noite – diz sorrindo.
Dou as costas e saio andando, porém vejo que a luz da casa dela está refletida no chão, ou seja, a porta ainda está aberta. Hoje foi um dia de merda, a única parte dele boa foi essa noite, e vi que Katherine realmente tem seu lado bom, um lado que eu gosto muito, afinal por que não? Viro-me em direção a casa e a vejo parada em frente à porta, me olhando. Caminho rapidamente até ela, paro em sua frente, ela me olha confusa, ponho minhas mãos em seu rosto e pressiono meus lábios contra os seus, então ela dá abertura e nos beijamos lentamente. Quando o ar acaba, afastamos os nossos lábios, ficamos nos olhando.
—Uau, nunca esperaria isso de você — diz surpresa.
—Nem eu – a puxo pela cintura e a beijo novamente, mas dessa vez ardentemente, sinto meu corpo ferver, todo ele pede para eu levar essa mulher para cama. Ela prende suas mãos em meu cabelo e depois as desliza para a minha nuca, onde passa suas unhas. Ela começa a andar, me guiando para dentro de sua casa, porém meus pés não saem do chão... Elena, Elena, Elena, não posso, eu a amo, não posso fazer isso, mesmo que eu esteja sofrendo, não posso, é errado. Afasto minha boca lentamente da sua e olho em seus olhos, que estão confusos.
—Não posso... Eu amo a Elena.
Ela suspira.
—Ainda está nessa?
—Duvido se algum dia eu não estarei.
—Tudo bem – diz passando sua mão pelo meu braço — tenho que seguir em frente, mesmo que seja difícil.
—Desculpa...
—Relaxa, pelo menos consegui um beijo.
Rimos juntos.
—Boa noite – digo.
—Boa noite – dou as costas para ela e agora sim, vou embora.
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