True Love
40 Eu te odeio
Notas iniciais
Acordo, tomo um banho e desço para tomar café da manhã. Depois que eu e Elijah chegamos, ele não disse nada sobre o que aconteceu e foi para o seu quarto, então não falo com ele desde ontem à noite. Adentro a sala de jantar, e vejo todos à mesa, até Elijah, já comendo, paro na porta e ele olha para mim, ficamos nos olhando.
–Oi querida, dormiu bem? – escuto a voz da minha mãe e tiro os meus olhos de Elijah, e olho para ela.
–Sim – dou um sorriso – bom dia – digo.
–Bom dia – diz todos em coro.
Sento-me ao lado da mãe de Elijah, que é a cadeira que está vazia, logo em minha frente está Elijah, ao seu lado seu pai, e nas pontas meus pais. Começo a comer, durante o café eu olhei para Elijah milhares de vezes, mas ele não olhava para mim, só ficava com uma expressão de arrependimento. Pego minha xícara de café e dou um gole, pronta para eu dar outro gole, sinto uma mão firme em meu ombro, reconheço-a na hora, meu corpo congela e minha mão treme, fazendo cair alguns pingos de café em meu short.
–Elena, preciso falar com você – escuto a voz de Stefan ao meu ouvido.
Viro meu rosto em sua direção, ficamos centímetros longe um do outro.
–Agora? – pergunto friamente.
–É urgente.
–Eu estou comendo...
–Se não fosse urgente, eu não viria até aqui.
Ficamos nos olhando em silencio, vejo que ele está olhando para a minha boca.
–Estou satisfeito, com licença – escuto a voz de Elijah, olho para ele e vejo que ele está olhando para nós dois com raiva. Ele se levanta e sai da sala.
Respiro fundo e volto a olhar para Stefan.
–Tá – digo emburrada.
Ele se afasta e sai da sala.
–Podem me dar um minuto, por favor? – digo me levantando, minha mãe concorda com a cabeça – com licença.
Saio da sala e encontro Stefan escorado na parede do corredor.
–Será que você não tem educação? Sorte sua que minha mãe está de bom humor, senão ela te demitia na hora por causa da sua falta de educação – digo nervosa.
–Desculpa se eu não sei etiqueta e não tenho educação, afinal agora isso importa pra você né? Está bem próxima do gravatinha – diz com um tom claro de ciúmes.
Cruzo meus braços e fico encarando-o.
–É para isso que me chamou? Para falar da minha relação com o Elijah?
Ele solta um suspiro.
–Não, eu só... Me equivoquei – concordo com a cabeça – a real razão que eu te chamei é que depois do acidente, o carro do Klaus está totalmente destruído, e eu não tenho dinheiro para pagar o concerto.
–Nossa, como eu me esqueci disso? – digo preocupada – tenho tido tantos problemas... Mas enfim, mais tarde pode passar no meu quarto e eu te dou o dinheiro.
Ele abre um sorriso de alívio.
–Obrigado – diz.
–Eu não vou fazer por você, eu farei pelo Klaus – digo e volto para sala, deixando um Stefan sem palavras e totalmente perdido.
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Estou caminhando até o meu quarto, e vejo Elijah saindo do quarto de hospedes.
–Ei! – digo e ele me vê – precisamos conversar.
–Elena...
–Por favor – digo fazendo biquinho.
Ele abre um pequeno sorriso.
–Tá – ele cede.
–Vem, vamos conversar aqui dentro – digo entrando em meu quarto e ele vem atrás de mim, fecho a porta e viro-me em sua direção.
–Então? – diz ele.
–Quero te dizer pela milésima vez que você não precisa se sentir culpado, está esse clima tenso e eu não gosto disso.
–Elena, você estava sofrendo por amor e bêbada, eu me aproveitei da situação.
–Eu não me arrependo do que fiz!
Ele solta um longo suspiro.
–O que eu fiz ontem, foi o que eu quis fazer quando você tinha dezesseis anos, quando o Matt me contou que você tinha dito a ele que gostava de mim, Elena eu era apaixonado por você, mas eu era mais velho, nossos pais não iriam aceitar e...
–Eu também fiz ontem o que eu tive vontade aos meus dezesseis anos, quando eu estava apaixonada por você – me aproximo dele.
–Só que você foi apaixonada por mim, depois se apaixonou pelo Matt de novo, e depois pelo Stefan, que parece que é o homem da sua vida, tudo o que você me contou, o jeito que me contava, mostrava como você é apaixonada por ele, como você o ama, como nunca amou ninguém na vida... Mas eu... Eu não te amava, eu... – ele respira fundo – eu continuo te amando.
Fico espantada com ele diz, como assim? Ele continua me amando? Não tenho a mínima ideia do que falar, estou surpresa, sem palavras, então fico olhando para outros lugares calada.
–Entende como me sinto culpado? – olho para ele — Aquilo não foi algo que eu quis, foi algo que eu quero, e continuo querendo, e hoje eu vejo no café da manhã você sentindo um simples toque em seu ombro pelo Stefan, que faz ficar tensa e sem mexer um musculo, sem falar do olhar que vocês dois trocaram, aquilo mostrava o quanto você o ama, eu não...
–Eu nunca disse que eu não o amo, eu continuo completamente apaixonada por ele, mas não vou voltar com ele e não me arrependo do nosso beijo de ontem! Então quem deve se sentir culpada sou eu, que está apaixonada por outro e beijando um amigo que é apaixonado por mim.
Ele fica calado e abaixa a cabeça.
–Não quero que fique com esse olhar de arrependimento, não fizemos nada de errado, estou solteira, posso fazer o que eu quiser.
Ele levanta a cabeça e olha em meus olhos.
–Você está certa... Não me arrependo do que fiz, e não me arrependo de estar querendo fazer isso de novo, e não vou me arrepender do que eu vou fazer, porque amanhã vou embora, e não tenho a mínima ideia de quando vou voltar – fico parada olhando para ele, esperando ele fazer alguma coisa, ele me puxa pela cintura e me beija. Ponho minhas mãos em seu cabelo e suas mãos ficam em minhas costas, me puxando cada vez mais para si.

–Espero não estar interrompendo nada – escuto a voz de Stefan.
Afasto-me rapidamente de Elijah e olho para trás, vejo Stefan na porta com um olhar ciumento e com muita raiva.
–Eu vim aqui pegar o dinheiro e fui obrigado a ver isso? – diz cuspindo as palavras, ele vai andando em nossa direção.
–É obrigado quando não se bate na porta – digo cruzando os braços.
–Eu não precisava bater.
–Exatamente, não precisava, no passado.
Isso o deixou com mais raiva, ele se aproxima de mim e para, Elijah está um pouco mais para trás.
–Você está com aquele seu olhar, eu odeio esse olhar – digo. É o mesmo olhar de quando ele assaltou minha casa, aquele olhar perigoso, cheio de ódio e fúria.
–Também odeio ver o que eu vi.
–Não faça nada de errado – digo.
–Não farei – diz e olha para Elijah – não sei se já te avisaram, mas é muito errado beijar a mulher dos outros! – ele dá um soco em Elijah, que anda para trás passando a mão na boca que está sangrando – você vai se arrepender muito! – Stefan dá outro soco, que faz Elijah cambalear, e só não cai no chão, porque se apoiou na parede.
Fico em frente de Stefan.
–Parou! Eu não sou sua mulher e quero que saia do meu quarto! – grito.
–Não me faça te machucar.
–Não tenho medo de você – digo firmemente.
Ele fica calado me olhando.
–Vai embora – digo.
–Lena, eu vou descer, te encontro lá embaixo – diz Elijah caminhando até a porta.
–Não – o seguro pelo braço – fica.
Sinto a mão de Stefan em meu pulso, ele me faz soltar o braço de Elijah, olho para Stefan.
–Deixe-o ir – diz me dando uma ordem.
–Vou ir ao banheiro cuidar disso, qualquer coisa grita – diz Elijah e sai do quarto.
Olho para Stefan furiosa, solto meu pulso de sua mão.
–Você está pensando o que? Dando ordens, entrando aqui sem bater, agredindo meu amigo, falando que sou sua mulher, você pensa que é quem para fazer isso?!
–O homem que te ama.
–Cala a sua boca, você não é capaz de amar ninguém, só diz mentiras.
Ele suspira.
–Desculpa, eu acabei explodindo vendo você e... – diz mais calmo.
–Não! Eu não te desculpo! – grito – já estou cansada! A única coisa que você sabe falar é “desculpa”, e eu sempre sendo a idiota em te perdoando, mas não dessa vez! Você duvidou de mim duas vezes, pensando que eu te trai, sendo que eu jurava e chorava em sua frente, e você só me olhava com desprezo e não acreditava em minhas palavras, e eu ficava me rastejando em seus pés, e quando você tinha provas, dizia que me desculpava e eu cega pelo amor que eu sentia por você, corria para os seus braços, mas quer saber? Eu não sou mais idiota! Eu já te odiava e agora eu te odeio mais! – seus olhos começam a encher de lágrimas – eu quero que você saia daqui e não volte a dirigir a palavra a mim nunca mais! E saiba que eu te odeio mais do que qualquer outra pessoa, porque você só apareceu na minha vida para me fazer sofrer e chorar, briguei com todos por sua causa, te defendi daqueles que falavam que você não era boa pessoa e acabei só me ferrando no final, EU TE ODEIO!
Ele me olha totalmente magoado, abaixa a cabeça e sai do quarto. Fecho meus olhos e deixo algumas lágrimas descerem. Não quero mais ter contato com ele, eu quero ser feliz, só isso. Começo a sentir uma forte dor de cabeça.
–Ótimo – digo, seco minhas lágrimas, vou ao banheiro e pego remédio para dor de cabeça. Preciso falar com o Elijah, nem sei o que ele deve estar pensando. Minhas pálpebras começam a pesar e dou um bocejo. Ou talvez amanhã eu fale com ele, estou morrendo de sono, caminho até a cama, escuto uma batida na porta – entra! – digo.
–Oi – aparece Elijah na porta.
–Oi – digo e me aproximo dele, e faço uma careta de dor.
–O que foi? – ele pergunta preocupado.
–Dor de cabeça – digo revirando os olhos.
–Então descansa, amanhã cedo conversamos.
–Tem certeza? – dou um bocejo.
–Sim.
–Você não está machucado né? – digo tocando em seu rosto e verificando.
–Não – ele tira minhas mãos gentilmente de seu rosto — foi só um corte na boca, relaxa.
Concordo com a cabeça.
–Boa noite – ele dá um beijo em minha testa e sai.
Fecho a porta e me jogo na cama.
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