True Love
47 Eu menti
Notas iniciais
Escuto batidas na minha porta, largo o celular em cima da cama e olho para porta.
—Entra! – grito.
Ela se abre e vejo Stefan, ele entra e logo depois fecha a porta.
—Preciso falar com você – diz.
Concordo com a cabeça.
Ele se aproxima da cama e fica olhando para ela, não sabendo se senta ou não.
—Pode sentar – digo.
Ele sorri e senta na cama.
—Então, eu não sei como começar o que eu preciso contar, é algo meio complicado...
—Ei, calma – digo e ponho minha mão em seu ombro – você está bem nervoso, não precisa ficar.
O que será de tão importante que ele quer me contar? Me deixa meio receosa, porque quando ele faz isso, é algo muito ruim.
—É você está certa – ele respira fundo e olha em meus olhos – eu menti para você.
—Como?
—Sobre a traição, foi tudo mentira.
Meu coração acelera e várias coisas começam a passar pela minha cabeça, estou confusa, não sei o que estou sentindo, só sei que estou completamente perdida.
—Então você não me traiu?
—Não! Nunca poderia fazer isso com você.
Todos os momentos pelo qual passamos voltam em minha mente, cada lembrança boa e feliz que tive, estão totalmente nítidas em minha mente.
—Então por que mentiu? Por que me disse todas aquelas coisas horríveis?
—No dia que era o nosso jantar, eu acabei furando...
—Ah eu lembro.
Lembro-me da minha ansiedade e felicidade por ter feito um jantar praticamente sozinha, e o meu receio de que talvez ele não gostasse da comida.
—Então, eu não esqueci, eu fui sequestrado pelos traficantes...
—O que?! Stefan, como você escondeu isso?
—Elena, calma, me deixe terminar – concordo com a cabeça – eles estavam pedindo o dinheiro e...
—Mas espera, você disse que estava pagando eles!
—Eu... Eu menti.
Tiro minha mão do seu ombro.
—Quantas mentiras você me contou? O que você fez com o dinheiro que estava recebendo pelo seu trabalho?
Ele fica calado e desvia o olhar do meu.
—Não vai me contar? – pergunto desacreditada.
—É que... Elena...
—Tudo bem, não sou sua namorada, não preciso saber, nem sei por que estou perguntando.
—Olha, isso não importa, o que importa é: eles pediram o dinheiro, eu não tinha e então ameaçaram você e o Damon – meu corpo congela, ameaças de novo? E agora com uma criança envolvida? – se eu não pagasse, eles iriam matar um de vocês dois, então o meu plano foi, eu me afastar de você e só me preocupar com o Damon.
Fico calada, tentando processar e entender tudo o que ele está me contando.
—Por isso que me disse aquelas coisas, queria que nós terminássemos – concluo.
—Sim, porque eu mostrando que não tenho nenhum sentimento por você, talvez eles só focassem no Damon, que seria minha única preocupação.
—Então você simplesmente mente para mim, quebra meu coração, me faz sofrer por dias, tudo por causa disso? Não seria mais fácil me contar a verdade?
—Se eu contasse você ia querer me ajudar e eles iam perceber...
—Que se dane! Stefan, eu te amava, amava mais do que qualquer coisa! Eu faria tudo por você, eu morreria por você, por mim não teria problema fingir que tínhamos terminado, ou simplesmente, eu te dava o dinheiro! Mas não, você não se importou com os meus sentimentos, só...
—Eu fiz isso para te proteger!
—Para me proteger?! Não sou uma boneca de porcelana! Eu poderia ter te ajudado, poderíamos ter passado por isso juntos! Mas você preferiu me fazer sofrer.
—Não, claro que não – ele tenta segurar minha mão, mas esquivo.
—Você não sabe que inferno foi para mim! A todo o momento eu ficava pensando: tudo o que vivemos foi uma mentira? Isso me destruía! Não acredito que você fez isso!
Ele respira fundo.
—Entendo, você está com raiva, mas só quero que saiba que eu fiz para te proteger.
—E você quer que eu diga o que?! “Nossa obrigada” e te beije? Desculpa, mas isso não vai rolar!
—Olha, eu fiquei cansado de mentiras e eu quis te contar, agora que sabe, faça o que quiser, mas saiba que tudo o que eu disse foi mentira, você foi e é a única mulher da minha vida, nunca deixei de te amar por um minuto, e eu faria tudo de novo para te proteger – ele se levanta – não me arrependo de nada, porque a minha única prioridade sempre foi e é te manter protegida – ele me dá as costas e sai do quarto.
Quando a porta fecha, instantaneamente abraço minhas pernas e começo a chorar. Por um lado estou feliz, saber que ele não me traiu e que tudo o que tivemos foi real, isso me deixa alegre, porém lembrar-me de tudo o que passei sofrendo por ele, saber que ele mentiu para mim e lembrar-me de quando eu descobri a gravidez, a única coisa que eu queria era abraça-lo e beija-lo, mas não tive isso, porque ele veio com esse papo de proteção, estou com ódio, mas aliviada, meus sentimentos estão uma completa bagunça.
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POV Stefan
—E ai! – digo cumprimentando Klaus.
—Nem sabia que você viria – diz e abre espaço para eu entrar em sua casa.
—É, fiquei com preguiça de te ligar – sento no sofá e ele senta ao meu lado – então como tá indo a vida?
—Na mesma, nada de tão interessante.
—Nem mesmo a Caroline?
—Ah – ele sorri – pode ter certeza que ela é a única coisa de interessante.
Franzo minha testa.
—Então o negocio tá sério?
—Completamente — diz bem feliz – mas e você? Já se resolveu com a Elena?
—Contei a verdade.
—Finalmente! Pensei que você nunca contaria.
—É eu contei por causa de uma coisa que aconteceu nas nossas vidas – sorrio – é a melhor coisa que poderia ter acontecido.
—O que? Vocês transaram?
Encaro-o.
—Que foi? O que seria?
—Vou ser pai.
Ele abre a boca e arregala os olhos.
—Sim, Elena está grávida.
—E... Você tá feliz com isso?
—Muito! Era tudo o que eu queria, ter um filho da mulher que eu amo, mesmo que nessas condições complicadas.
—Cara, eu estou tão feliz por você – ele me abraça – parabéns.
—Obrigado – ele se afasta.
—Olha eu fico impressionado com o que ela faz com você, o meu antigo amigo Stefan, se ele soubesse que uma mulher estivesse grávida dele, ele fugiria da cidade, e nunca mais voltaria. Se falasse de uma futura família para você, era capaz de você dar um tapa na cara da pessoa.
Rio.
—Pra você ver o que uma mulher fez comigo... Mas também não é só ela, o Damon também, quando eu perdi minha mãe eu fiquei completamente frio e perdido, só que o Damon foi minha âncora para o meu lado bom, e Elena para o meu lado de relacionamentos, sinceramente eu não seria nada sem um dos dois, eles são minhas âncoras, preciso deles em minha vida.
—Ah... Agora que você vai ser pai fica sentimental?
Rio da cara dele.
—Tenho meus momentos.
—Quem não tem?
Suspiro.
—Por que não vamos beber? Precisamos comemorar o futuro pai do ano – diz Klaus.
—Vamos – digo me levantando.
Saímos de casa e andamos até o bar em que antigamente frequentávamos, entramos, sentamos nas mesmas banquetas, que ficam em frente ao balcão, que costumávamos a sentar.
—O que vão querer? – pergunta um homem de trás do balcão.
—Duas cervejas – diz Klaus.
O homem concorda com a cabeça, vai até uma geladeira e pega duas garrafas de cerveja, as abre e nos entrega.
—Então – Klaus dá um gole em sua cerveja – como que isso aconteceu?
—O que? – pergunto bebendo a minha.
—A gravidez.
Coloco a garrafa em cima do balcão.
—Você sabe muito bem como – digo como se fosse uma resposta óbvia.
—Eu sei, quero dizer como vocês deixaram isso acontecer, você sempre disse que vocês tinham cuidado.
—Nós também ficamos meio confusos com isso, porque realmente sempre fomos bem cuidadosos, só que aí nos lembramos do acidente de carro, ela ficou gravemente ferida – dou um gole na minha cerveja – e ficou um bom tempo tomando medicamentos e não podendo fazer esforço nenhum, então ela parou de tomar os anticoncepcionais, porque ela estava tomando muitos remédios e não podíamos transar, só que quando ela foi ao médico e ele disse que ela estava bem, que não precisava de mais nada disso, digamos que ficamos bem animados – Klaus dá um sorrisinho.
—Ah entendi – diz maliciosamente.
—E fazia muito tempo que a gente não transava, então quando pudemos ter a chance, nem nos lembramos de proteção, só queríamos fazer aquilo.
—Então por um deslize, acabou em uma gravidez.
—Exatamente, por uma única noite... Mas também não estou triste, muito pelo contrário, não podia estar mais feliz, mesmo que... – sinto duas mãos em meus ombros.
—Oi amor, sentiu minha falta? – escuto uma voz feminina, que reconheço na hora.
Bufo. Lá vamos nós. Katherine para ao meu lado e põe a mão em minha perna.
—Chegou hoje? – pergunta ela.
—Sim, estava ótimo, até você aparecer.
—Ah para de mentir, sei que ama me ter por perto – diz passando a mão na minha coxa – não sei por que gosta desse jogo de me esnobar, só que também não me importo – ela vai aproximando sua mão da minha virilha – só quero te satisfazer mais e mais – diz me olhando e falando com sua voz de vadia.
Ponho minha mão em cima da sua, dou um sorriso e tiro sua mão da minha perna.
—Sai daqui, não gosto da sua presença, vai ser vadia em outro lugar – digo.
Ela fecha a cara.
—Você nem está mais com aquela vagabunda do cabelo liso, por que continua com isso?
Respiro fundo e encaro-a.
—Se você a chamar de vagabunda mais uma vez, eu vou quebrar isso que você chama de cara, então peço pela milésima vez, ME DEIXA EM PAZ!
—Não vou desistir de você, você não desistiu de mim anos atrás, vou conseguir te reconquistar.
—Tá, vai embora – digo sem me importar, ela dá meia volta, como sempre jogado o cabelo cacheado e sai rebolando.
Dou um gole da cerveja.
—Ela não desiste mesmo – diz Klaus.
—Ela é bem persistente... É uma pena pra ela eu ter contado a verdade pra Elena, porque se eu não tivesse, eu até aceitaria transar com ela, só que não vou perder a chance de voltar com a mulher que eu amo, por uma vadia qualquer.
—Então ela é boa de cama?
—Com certeza — rimos juntos e voltamos a beber.
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POV Elena
Acordo e vejo que ainda está escuro, minha barriga está roncando e estou sentindo muita vontade de comer pizza de banana com chocolate. Só de pensar me faz morder meu lábio inferior, eu PRECISO disso agora! Levanto-me da cama e visto meu robe, e calço meus chinelos. Ainda é de madrugada, o meu motorista e todos os outros estão dormindo, eu poderia ir sozinha, só que não gosto de andar sozinha de madrugada, e seria bem chato acordar o meu motorista, e com certeza essa minha vontade de comer essa pizza, é um desejo de gravidez. Só uma pessoa que eu posso atormentar essa hora.
Desço as escadas sorrateiramente, abro a porta do quarto de Stefan lentamente e vejo que está tudo escuro, a fecho e espero meus olhos se acostumarem com a escuridão. Vejo que tem alguém deitado na cama, me aproximo e cutuco.
—Stefan, Stefan acorda – digo.
Ele começa a se mexer e acende o abajur ao lado de sua cama, que me faz ter a visão completa dele, ele me olha sonolento, com o cabelo bagunçado e somente de cueca Box. Droga, por que ele não aprende a dormir com roupa? Não sou obrigada a ficar vendo tudo isso.
—O que foi? Aconteceu alguma coisa? – pergunta preocupado.
—Não, estou bem, juro.
Ele respira aliviado.
—Então o que houve?
—É que eu estou com muita vontade de comer pizza de banana com chocolate, e preciso de alguém para me levar na pizzaria.
Ele encara o relógio em cima do pequeno móvel ao lado da sua cama.
—São três da manhã, não dá para esperar até mais tarde?
—Não! – dou um grito sem querer que ele se assusta – eu estou com desejo e você disse que queria participar da gravidez, isso é fazê-lo participar.
—Como sabe que é desejo?
—Eu odeio pizza de banana com chocolate, e eu estou morrendo de vontade de comê-la agora, não mais tarde, preciso agora.
Ele sorri.
—Tudo bem – ele se levanta, me dando a visão melhor do seu corpo seminu, fico observando, sem ao menos perceber que ele está me encarando com um sorrisinho de lado.
—Eu... Eu vou me trocar – digo envergonhada.
Ele concorda com a cabeça ainda com um sorriso malicioso, dou as costas para ele e subo ao meu quarto. Mas que droga Elena! Já vi aquilo milhares de vezes, e mesmo assim vivo babando em cima dele, qual é o meu problema? Troco de roupa, desço a escadaria e o encontro me esperando.
—Vamos? – pergunta.
Concordo com a cabeça, entramos no meu quarto e ele dirige. Conversamos durante o trajeto, posso dizer que é bem mais agradável estar perto dele agora que sei toda a verdade, óbvio que não é que nem antes, mas melhorou muito. Chegamos à pizzaria, saímos do carro e entramos no estabelecimento.
—Boa noite – diz um garçom.
—Boa noite – dizemos em coro.
—Querem uma mesa?
—Sim – digo.
Stefan me olha.
—Vai comer aqui? – pergunta.
—Sim, eu quero pizza fresca.
—Tudo bem – ele concorda.
—Me acompanhem – diz o garçom e caminhamos até uma mesa para dois.
Sentamos um de frente para o outro.
—O que vão querer? – pergunta.
—Uma pizza grande de banana com chocolate – digo e olho para Stefan – vai querer algo?
—Não, eu como com você.
—Mais alguma coisa?
—Um refrigerante? – pergunta Stefan.
—Uma coca de 2 litros – digo.
—Mais algo?
—Não, obrigada – digo.
—Pizza grande, refrigerante de dois litros... Sabia que é somente nós dois? – pergunta.
—Sim – digo.
Ele ri.
—É ótimo ver isso.
—O que?
—Você comendo besteiras, lembro-me de quando você estava em seu momento fitness.
—Não foi só um momento!
—Você foi pra academia comigo durante um mês e depois desistiu.
—Mas continuei com alguns hábitos saudáveis.
—Alguns!
Reviro os olhos.
—Por acaso você continua a ir à academia?
—Claro! Vou há anos, já me acostumei, sou um homem disciplinado.
—Nossa, desculpe homem mais saudável do mundo!
—Está desculpada.
Sorrio.
—Mas você percebeu que eu ainda continuo indo a academia não é? Afinal você ficou observando meu corpo por um bom tempo hoje – diz com a sua voz cheia de sarcasmo.
Fico totalmente sem graça, então o garçom aparece com o refrigerante. Salva pelo gongo!
—Obrigada – agradeço.
Encho meu copo com o refrigerante, e percebo que Stefan está me olhando. Que droga!
—Você percebeu né? – ele pergunta insistindo.
Bebo alguns goles e olho para ele, e vejo esse maldito sorriso malicioso.
—Você é um idiota – digo.
—Por quê? Eu só fiz uma pergunta!
—Eu estava vendo se você não estava machucado, porque você sempre está!
—Ah claro – diz debochando e depois começa a rir – você não sabe mentir.
—Não estou mentindo.
—Eu te conheço bem, sei muito bem seu olhar quando quer algo.
—Você se acha muito né? Acha que eu quero você?
Ele dá de ombros.
—Você que está dizendo.
Ficamos nos encarando e então começo a rir.
—Esse seu convencimento me surpreende cada vez mais – ele sorri – ah eu queria falar sobre isso, mas acabei esquecendo – ele me escuta atentamente – eu estava pensando em quem poderia ser a madrinha e o padrinho do nosso filho...
—Nossa, que apressada.
—É lógico! É meu primeiro filho, preciso pensar em tudo.
—Ok então.
—E eu pensei em uma madrinha, só preciso saber se você concorda, eu gostaria que fosse a Caroline.
—Tudo bem, eu gosto dela, sempre gostei, e se você confia nela, eu também confio.
Sorrio.
—E sobre o padrinho tenho duas opções, eu pensei no meu irmão.
—Acho que nem precisa falar a segunda, o Jeremy é perfeito pra isso.
—Sim, concordo plenamente.
—Ele sempre apoiou nosso relacionamento, menos no começo...
—Quando a gente vivia brigando, que você não queria mostrar seu lado bom...
—A gente brigava muito.
—Sim, não sei como tive tanta paciência com você.
—Acho que foi meu charme – rio.
—Enfim, a outra opção acho que você não vai gostar muito, mas é uma pessoa que eu confio e que eu amo... É o Matt.
—O que?! Não! Nunca!
—Stefan, calma.
—Nunca que eu vou deixar esse homem como padrinho do meu filho, NUNCA!
—Só que...
—Sério que você quer que eu considere o filho do homem que matou minha mãe?
—Eu sabia que você não ia aceitar tão facilmente, mas o Jeremy ele está trabalhando direto na empresa, e o Matt não está mais assim, na época em que namorávamos ele estava trabalhando muito, porém agora não mais.
—Elena, eu não quero! Eu o odeio!
—Ele entregou o próprio pai!
—Tá, eu agradeci, mas isso não me fez odiá-lo menos! Além de ele saber de toda a verdade todos os anos e não ter denunciado, ele atrasou toda a nossa relação.
—O que?
—Vai me dizer que se não tivesse com ele naquela época, você não teria começado algo comigo?
Suspiro.
—Stefan, isso é irrelevante agora.
—Irrelevante? Eu sofri bastante para eu conseguir ter um relacionamento com você, por causa dele! Então não, não o quero, tenho duas justificativas boas.
—Tá, vai ser o Jeremy e ponto final, só quero que saiba que não pode proibi-lo de ver o nosso filho.
—Ah eu posso!
—Não, não pode! Ele é meu melhor amigo e o quero perto de mim.
—Então vocês estão amigos como antes?
—Sim.
—Elena você é muito ingênua.
—O que?
—Será que você não entende que nenhum homem nesse mundo, consegue ser só amigo de Elena Gilbert? – engulo em seco. Fico sem palavras, não sei o que dizer – temos provas disso, aquele seu “amigo” que veio lá da Alemanha, que sabe lá o que vocês tiveram – isso soou de um jeito muito ciumento – o Matt e eu, e deve ter muitos outros, ninguém consegue... Nem eu consigo agora, sendo que nós nem temos nem uma relação, acho que nem amigos somos, e nem assim eu consigo, ficar perto de você me mata, é algo que me consome, eu só penso em beijá-la.
Eu também. Não imaginava que ele ainda nutria todos esses sentimentos por mim, só que isso não importa, mesmo eu sabendo da verdade, eu odiei ele ter mentido para mim.
Ficamos nos olhando, em silêncio.
—Ele é meu amigo e ponto final – quebro a tensão — não o compare a você, sabe que temos uma relação mais complicada.
Ele suspira.
—O que eu posso fazer? Eu sou o pai, mas não a mãe.
—Exatamente – digo.
—É capaz de você me afastar do nosso filho.
—Por que eu faria isso?
—Não sei, vai saber.
A pizza chega, o cheiro do chocolate e da banana invadem minhas narinas, minha boca saliva, Deus eu preciso disso! Começamos a comer, vou dando baixos gemidos de satisfação, não conversamos, só comemos em silêncio. Até que largo meus talheres no prato, faz um barulho e Stefan me olha.
—Por que temos que ficar brigando? Eu odeio quando a gente briga! – digo com lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas.
Ele me olha assustado por eu estar chorando, então segura minha mão em cima da mesa.
—Ei, não precisa chorar, não vamos mais brigar tá?
—Mas não adianta falar isso, vai continuar com esse clima tenso e... – caio no choro, ele se levanta e se ajoelha ao meu lado.
—Olha para mim – abaixo a cabeça e continuo a chorar – Lena, olha para mim, por favor.
Olho para ele, ele põe suas mãos em meu rosto e seca minhas lágrimas.
—Me desculpa, se você confia nele, eu também confio – abro um sorriso – não o quero como padrinho, mas não vai ter problema dele estar perto do nosso filho, ok?
Concordo com a cabeça.
—Ótimo, não precisa chorar – ele se levanta e dá um beijo em minha testa – vai dar tudo certo – diz acariciando minhas bochechas com o polegar.
Dou um sorriso maior, ele tira suas mãos de meu rosto e senta em seu lugar. Respiro fundo.
—Desculpa – digo.
Ele me olha.
—Pelo que?
—Por ter chorado, eu estou mais sensível do que na TPM.
—Eu percebi isso – diz e rimos juntos.
—Como vai me aguentar desse jeito? – pergunto e dou uma garfada na pizza.
—Não vai ser um esforço, quero passar por tudo isso com você.
Sorrio.
—Tem chocolate no seu dente – diz rindo.
Começo a rir com ele.
—Como sempre, tão delicado – digo.
—Obrigado.
Terminamos de comer e voltamos para casa, ainda bem que a tensão acabou e conversamos e rimos normalmente.
—Quer que eu te acompanhe até o seu quarto? – pergunta ele.
—Não precisa, você já fez mais do que o suficiente – digo.
—Não fiz nem metade, preciso recompensar por toda a dor que eu te causei.
Sorrio.
—Aos poucos... Boa noite – digo e subo para o meu quarto.
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