True Love
2 Acordo
Notas iniciais
–Eu acho que a gente deveria viajar – diz Matt abraçado a mim na minha cama.
–Viajar?
–Para esquecer tudo o que aconteceu ontem.
Suspiro.
–Queria muito esquecer ontem e viajar com você... Mas tenho a faculdade.
–Voce se dedica muito a essa faculdade.
–Preciso me dedicar – dou um beijo nele – se não meu futuro vai ser nas empresas Gilbert, dentro de um tribunal defendendo bandidos.
Ele sorri.
–Voce seria uma advogada muito sexy, sabia?
Rio.
Rolo em cima dele e o beijo.
–Prefiro ser uma médica sexy – digo.
Eu e Matt nos conhecemos desde pequenos, sempre fomos melhores amigos, nossos pais também sempre foram amigos, até que no final do ano passado ele me pediu em namoro. Eu comecei a sentir algo a mais por ele, mas não queria destruir a amizade, até que ele me pediu e com certeza foi um dos melhores dias da minha vida.
–Voce é sexy de qualquer jeito – ele me beija.
–Senhora Gilbert... – escuto a voz da empregada, olho para trás – desculpe...
–Tudo bem – digo saindo de cima de Matt.
–O almoço já está pronto, senhora.
–Ok, já vou descer, obrigada.
–Com licença.
Ela fecha a porta do quarto.
–Não estou com fome, acho que podemos continuar aqui – ele me puxa para cima dele.
–Também quero, mas estou com fome – faço uma careta.
Ele faz uma cara de triste.
–Vamos – levanto-me da cama.
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Depois de um dia exaustivo dentro da delegacia dando depoimentos sobre ontem à noite, finalmente estou indo dormir.
Coloco minha camisola e deito na minha cama.
Até agora estou assustada, senti que eu fosse perder todos que eu amo... Foi um momento de pânico! Eu queria muito esquecer, mas não dá. Sem contar que aquele olhar daquele bandido fica na minha mente, era um olhar frio... Me deu tanto medo.
Escuto um barulho dentro do meu quarto, ligo o abajur que está ao lado da minha cama, sento-me na cama e olho ao redor, um homem olha para mim.
Meu Deus, de novo não!
–Quem é você?! – grito desesperada.
–Eu perdi uma coisa, estou procurando, fica quieta – ele aponta a arma para mim.
–Não atire, por favor – suplico.
Ele sorri, enquanto fica andando pelo o meu quarto.
–O que quer?
–Perdi um colar aqui... Ontem à noite.
–Meu Deus! Foi você que assaltou aqui.
A minha vontade é de gritar e chorar, mas tento manter o controle.
–Merda! Não está aqui também – ele se aproxima de mim — voce vem comigo e fica em silencio – ele me puxa pelo o braço e saímos do meu quarto.
Começo a chorar.
–Não chore!
Tento segurar o choro, mas não consigo.
Ele me pressiona na parede e põe a arma na minha testa.
–Voce é muito linda para morrer, então para de chorar! – ele sussurra nervoso.
Olho dentro de seus olhos e vejo o mesmo cara de ontem, o mesmo em que me de medo.
Concordo com a cabeça.
Ele me arrasta pelo o corredor olhando o chão.
–Está se arriscando por causa de uma colar? – pergunto.
–Não é só uma colar! É a colar que minha mãe me deu antes de morrer.
Por essa eu não esperava.
–Eu sinto muito.
–Não sente nada – ele desce as escadas comigo e continua a olhar o chão.
Ele me encosta na parede.
–Fica quietinha, se tentar correr eu atiro em você, me entendeu?!
Concordo com a cabeça.
Ele volta a procurar o colar. Percebo que ele se preocupa muito com esse colar.
–Por que você assalta casas? Percebi que tem família.
–Porque preciso sustenta-los.
–Tem outros empregos...
–Não quero trabalhar... Fica calada se não eu te mato.
Depois de alguns minutos ele encontra o colar.
–Achei – ele o pega e guarda no bolso da calça.
Ele dá as costas, seguro seu braço.
–Sei que você é um homem bom – digo.
–Não sabe nada sobre mim – ele se solta e foge.
Corro até o quarto do meu pai.
–Pai! Ele estava aqui, o ladrão de ontem! – digo acordando-o.
–O que? – ele pula da cama – cadê ele?
–Acabou de fugir.
Ele pega o interfone e liga para os seguranças.
–Procurem um homem fugindo daqui de casa, o siga e descubra onde ele está indo! – diz ele no interfone, ele se aproxima de mim e me olha de cima a baixo, vendo se não estou machucada – ele te machucou? O que ele fazia aqui?
–Estou bem... Ele veio atrás de um colar que perdeu no assalto.
–Colar?
–Um colar que a mãe dele deu a ele antes de morrer.
–É uma mentira.
–Não! Ele o encontrou, eu vi.
–Tanto faz... Irei encontrar o desgraçado e pegarei o dinheiro – ele vai até o banheiro e coloca uma roupa.
–Não vai chamar a policia?
–Para que policia? Posso resolver sozinho!
Meu pai serviu para o exercito quando tinha 18 anos, ele serviu por seis anos e sempre que ocorrerem esses tipos de coisa, ele tenta resolver, se não der certo chama a policia.
–Vou com você!
–O que?! Não!
–Pai, eu vou! Se você for eu também vou!
–Não vai, Elena – diz abotoando a camisa.
–Querida, fique comigo – diz minha mãe sentada na cama.
–Eu vou, já sou bem velha para saber o que tenho que fazer.
–Por que quer ir?
–Porque você vai machuca-lo! E eu vi que ele não é esse monstro que todos acham, ele faz isso por não ter opção!
–Querida, ele é um bandido! – insiste meu pai.
–Não vou deixar você machuca-lo.
–Voce sempre vê o lado bom das pessoas... Mas tem que saber que ele não tem lado bom.
–Se você for eu vou, não tem escolha!
Ele revira os olhos.
–Tá, se vista em 5 minutos.
Vou para o meu quarto, coloco uma roupa básica e encontro meu pai na sala.
–Tem certeza disso?
–Sim – digo.
Entramos no carro e o motorista começa a dirigir.
De um bairro cheio de mansões e casa de luxos, chegamos a uma comunidade.
Eu e meu pai saímos do carro, e três seguranças saem atrás de nós dois.
Meu pai bate na porta.
Um homem mais velho atende a porta, parece ter mais ou menos a idade do meu pai.
–Quem são vocês?
–Foi você né seu desgraçado – diz meu pai enforcando o homem e o empurrando para dentro da casa.
–Pai, para! Pai não é ele! – digo puxando a mão que meu pai está enforcando o pescoço do homem.
–Como não é ele?!
–Era bem mais jovem.
–Quem são vocês? O que fazem aqui?! – pergunta o homem assustado.
–Pai, o que está... – diz um homem saindo de um quarto, o cara que assaltou nossa casa, com uma criança atrás dele. Ele olha para a criança – entre e tranque a porta, ouviu?
A criança concorda com a cabeça e fecha a porta.
Ele se aproxima.
–Estão me procurando, não meu pai – diz ele.
Meu pai puxa uma arma de seu bolso e aponta na testa do assaltante.
–Pai, não! – grito.
–Cadê o meu dinheiro?
–Não está comigo – diz ele sem medo.
–Não brinque comigo garoto!
–Já disse que não está comigo.
–Diga-me, ou eu estouro seus miolos!
Enfio-me na frente da arma, protegendo o homem que eu nem conheço.
–Elena! – ele grita.
–Podemos resolver isso como pessoas civilizadas!
–Ele é um bandido, tem que resolver assim!
–Não! – escuto a voz da criança, ela corre até o homem e o abraça – por favor, não matem meu irmão.
Ele se ajoelha no chão, põem as duas mãos no rosto do irmão.
–Damon, vá para o quarto.
–Não posso deixar que eles te machuquem – ele olha para mim –moça não machuque meu irmão, por favor – lágrimas escorrem pelo o seu rosto.
Ajoelho-me e olho para ele.
–Não deixarei eles machucarem seu irmão, ok? Só estamos conversando.
–Mas vocês estavam gritando.
–Está tudo bem... Tudo ficará bem.
Ele concorda com a cabeça.
Levanto-me e olho para ele.
–Quer segurar minha mão? Prometo que não vai acontecer nada de mal a seu irmão.
Ele pega a minha mão e sorri, faço o mesmo.
Olho para o assaltante e ele está olhando para mim, como se não acreditasse no que eu acabei de fazer.
–Conte com quem está o dinheiro – digo.
Ele pensa.
–Paguei uns traficantes... E o pouco que sobrou guardei.
–Então nos dê o que sobrou! – meu pai insiste.
–Não posso...
–Me devolva meu dinheiro! – ele aperta o pescoço do homem.
Damon aperta minha mão e olha para mim.
–Pai! Já chega! – empurro-o.
–Elena! Pare de defender esse bandido!
–Não vê que ele tem uma família?! Ele precisa desse dinheiro!
–Ele é um drogado sem futuro!
–Não acredito que seja! Ele tem um irmão que precisa de comida... Pai sabe que tem muito mais do que eles te roubaram.
Meu pai pensa e olha para os lados.
–Tá... Então é isso? Deixamos tudo para lá? Ele nos rouba e não paga por nada?
Penso em uma resposta e uma ótima ideia vem a minha mente.
–Ele pode trabalhar para a gente de graça, “pagando” por cada centavo que nos roubou.
–O que?! Não trabalho nem me pagando e muito menos não recebendo nada! – o homem hesita.
–Acha que ele quer algum futuro, filha? Ele não pode ter!
–Stefan, trabalhe para eles... Mude sua vida, tenha um emprego digno – diz seu pai.
–Não quero mudar minha vida! E muito menos trabalhar para eles pai! Logo para eles? Será que não se lembra?
Do que ele está falando? Lembrar-se do que?
–Filho, aquilo é passado precisa se desprender disso.
–Não, nunca trabalharei para essa gente!
–Então não faça isso por mim... Ou por você, mas faça pelo o seu irmão.
Ele olha para Damon, com carinho e amor. Não é o mesmo homem que assaltou minha casa, apontando uma arma na minha cabeça e me olhando friamente, é um homem totalmente diferente... Ele tem um lado bom, e esse lado bom quem o traz é a sua família... A família que quer proteger e cuidar.
–Tudo bem... Eu aceito o emprego.
A criança abre um sorriso e corre para os braços do irmão.
–Faço isso por você... Afinal o que eu não faço por você?
–Eu te amo, Stef – diz Damon.
–Eu também te amo – ele olha para mim e olho para ele, ficamos nos olhando. Ele desvia o olhar e põe o irmão no chão – o que eu vou ter que fazer?
–Ótima pergunta, no que ele trabalharia? – meu pai pergunta olhando para mim.
Pensa, Elena!
–Hã... Ele poderia... – pensa! – poderia ser meu motorista.
–O que?! Não vou deixar esse marginal andar com você para todos os lados!
–Pai, eu preciso de um motorista, ele é perfeito! – olho para Stefan – você tem carteira de motorista?
–Não... Mas sei dirigir – diz ele sem animo.
–Ótimo! Eu pago para você tirar sua carta.
–Não vai pagar nada! – reclama meu pai.
–É meu dinheiro, faço o que eu quiser com ele.
Ele bufa.
–Que seja! Voce começa amanhã, vai morar com a gente, então arrume suas coisas... – meu pai diz.
–Não vou morar com vocês! – reclama Stefan.
–Preciso de você 24 horas lá me casa – digo – mas uma vez por semana pode vir aqui passar o dia com a sua família, pode ser?
Ele fica parado, pensando.
–Ele aceita – diz seu pai.
–Ótimo – sorrio.
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