True Love
51 Uma Carta.
Notas iniciais
***Francesca***
León passou no hospital, me deixando um envelope branco, que não era para eu abrir, e sim para dar a Violetta, caso ela melhorasse, e logo se despediu, dizendo que sentia muito por tudo que estava acontecendo. Disse também que iria embora, eu não acreditei naquilo. Ele ia mesmo abandonar a Violetta, sem saber da gravidez dela? Mas eu não poderia contar, não poderia quebrar a promessa que eu fiz com a Violetta.
A família de León entrou em choque. A mãe dele abriu um escândalo juntamente a Lara. Melanie chorou em silêncio no corredor. Eu sei que ela estava sofrendo, e não deveria passar por nada disso, ela é tão nova.
_Doutor, como a Violetta está? – perguntei vendo que ele acabara de voltar para sala de espera. Germán ainda estava lá, fazendo alguns outros exames, ele e León não tinham nem se cruzado.
_Bom, ela acordará nas próximas horas, ela aceitou bem o sangue. – ele disse sorrindo e eu me aliviei. – No momento ela está no quarto, descansando.
_E o bebê? – perguntei esperançosa.
_Ele está ótimo, agora sim terá todo o desenvolvimento completo. – sorri.
_Obrigada por tudo doutor Jones.
_Não há de quer, ela sofreu muito, está na hora de dar uma apaziguada na vida né? – concordei e nós rimos.
***León***
Melanie estava distante do pessoal do hospital.
Segui e a vi chorando perto do bebedouro. Ela chorava em silêncio, mas eu via a agonia. Ela estava sentada, abraçando os joelhos, enquanto seu pequeno corpo tremia, e eu escutava o barulho dos seus soluços.
_Mel... – sussurrei chamando a atenção dela. Ela não olhou para mim. Agachei-me a sua frente, passando a mão nos seus cabelos, que estavam escurecendo pouco a pouco.
Ela levantou seu olhar, e pude ver seus olhos vermelhos e inchados, enquanto milhares de lágrimas caiam sobre suas bochechas. Sorri, por ela pelo menos ter me olhado.
_Por favor, você não pode ir embora León... – ela dizia com a voz falha. – Não pode me deixar aqui sozinha...
_Hey, eu nunca te deixaria sozinha. – falei limpando seu rosto com a minha mão.
_Mas você vai – ela resmungou ainda chorando, sentei-me ao lado dela. – Por que vai fazer isso comigo?
_Mel... Eu preciso ajeitar minha vida. – falei olhando para ela. – Não posso ficar aqui, já causei sofrimento demais, e também já sofri muito. – falei passando meu braço pelos seus ombros. – Achei que você ainda estivesse brava comigo.
_Acredite eu estou brava com você. – ela disse e eu ri fracamente. – Você tomou todas as decisões erradas nesses últimos tempos, mas mesmo assim, é o meu irmão, o único que eu confio e quero o melhor, e você sabe que sempre poderá contar comigo.
_Sim, eu sei. E é por isso que preciso do seu apoio. – falei baixo.
_Mas León... Você deixará a Violetta aqui? Livre? – perguntou.
_Sim, é a melhor coisa que eu posso fazer. Já a fiz sofrer de mais. – falei suspirando.
_Mas você podia esperar ela acordar, pra te falar as coisas que você precisa saber. – ela disse desesperada e eu arqueei uma de minhas sobrancelhas.
_Por um acaso... Você está sabendo de alguma coisa e não me contou? – perguntei achando aquilo estranho.
_Não, quer dizer, sim... Mas eu não posso te contar, me disseram que somente a Violetta pode te contar, então eu não vou quebrar essa regra.
_Mel, a Violetta me odeia, ela não vai querer me contar nunca. – falei sorrindo.
_Quando você vai embora? – perguntou voltando ao tom melancólico de antes.
_Daqui dois dias.
_Ótimo, ainda tenho tempo. – ela disse suspirando.
_Tempo para que?
_Não posso te falar. – ela sorriu travessa. – Mas eu não quero que você vá, meu brother. – disse pulando em meus braços, voltando a chorar, retribuí seu abraço, beijando o topo de sua cabeça.
***Violetta***
Abri os meus olhos, me deparando com uma sala toda branca. Olhei em volta encontrando uma janela aberta, e um cara com roupas brancas me olhando com um sorriso simpático nos lábios.
_Senhorita Castillo? – era o Jones. – Consegue me entender? – perguntou e eu apenas balancei a cabeça positivamente. – Ótimo, creio que você deve estar cansada, não é mesmo? – perguntou e eu assenti.
_D-Doutor... – o chamei fracamente, e ele me olhou esperando que eu continuasse. – E-Eu ainda estou... Grávida? – perguntei olhando pra os meus braços cheios de agulhas, eu estava recebendo medicação.
_Sim. – disse sorrindo, e eu também sorri, era tudo que eu precisava ouvir. – Você e o seu filho estão em ótimas condições, e agora, ele poderá se desenvolver normalmente.
_Obrigada por tudo. – agradeci de coração.
_Não foi nada senhorita Castillo. É o meu dever e obrigação cuidar da saúde de meus pacientes. – ele disse e eu sorri. – Bom, agora eu vou liberar o quarto, pois tem algumas pessoas querendo te ver, vai entrar umas de cada vez, tem bastante gente lá fora.
Assenti, e ele se retirou, estava ansiosa para saber quem estava lá, e também queria saber se o León estava. Eu havia tomado a decisão de contar para ele sobre a minha gravidez, talvez ele não ficasse contente de eu estar esperando um filho dele, ou até mesmo suspeitar que seja do “amante” que eu nunca tive.
A primeira pessoa a entrar foi um homem, que a princípio eu não reconheci. Ele usava terno, e tinha uma expressão fechada. Seu rosto era familiar. Ele era alto, e tinha um porte forte.
_Quem é o senhor? – perguntei um tanto fraca, me ajeitando na cama hospitalar, que era um pouquinho de nada confortável.
_Sou eu filha. – ele disse e meu coração palpitou. – Sou seu pai.
_P-Pai...? – perguntei engasgando. – O que você está fazendo aqui? – perguntei um pouco angustiada.
_Digamos que... – ele colocou as mãos no bolso, vindo até mim. – Eu recebi uma ligação desesperada de seu ex. namorado. – Ah Claro! Eu tinha dado o número dele para o León, caso me acontecesse alguma coisa.
_E mesmo assim veio? – perguntei achando estranho.
_Sim, eu não poderia deixar minha filha morrer, quando ela precisa do meu sangue. – ele disse sorrindo.
_Você doou seu sangue para mim? – eu realmente não estava sabendo disso. Ele assentiu com um sorriso no rosto.
Sem aviso prévio eu o abracei, já que ele estava perto o suficiente para eu fazer isso. Ele estava tão mudado, não parecia o meu pai de antigamente.
_Obrigada por tudo. – falei emocionada.
_Obrigado você por está nova oportunidade. – ele disse beijando minha testa. – Bom, agora eu tenho que sair, porque tem mais pessoas querendo falar com você. – ele disse se separando de mim. – Te vejo depois. – piscou saindo de meu quarto.
¨¨¨¨
Francesca e Diego vieram com Emmanuelle. Aquela garotinha pequenininha, agora estava grandinha, e risonha demais. Ela ficou o tempo todo em meu colo, brincando com os meus cabelos, ela era sapeca demais.
Recebi a visita da senhora Vargas e da Lara, falei para elas que não estava me sentindo muito bem, e elas saíram do quarto mais rápido do que eu pensei.
A porta se abriu novamente, não sabia que tinha tanta gente lá fora. Eu pensei que fosse o León, mas não era. Uma figura de estatura baixa e magra entrou no quarto. Melanie. Sorri. Ela estava visivelmente cansada.
_Como você está? – ela perguntou se aproximando de minha cama, e pegando em minha mão.
_Eu estou bem – respondi lhe dando um sorriso. – Você que não me parece nada bem. –e ela suspirou com dificuldade.
_É verdade que você está grávida do meu irmão? – perguntou e eu apenas assenti, eu estava me sentindo feliz com aquilo. – Pensei que você houvesse perdido.
_Não, ele está bem saudável. – falei acariciando minha barriga.
_Pena que meu irmão não vai ficar sabendo disso. – ela lamentou abaixando a cabeça.
_Como assim? – perguntei não entendendo. – Eu pretendo contar ao León. – falei a ela.
_Ele vai voltar para o México, Violetta.
Senti minha cabeça girar, e tudo a minha volta ficar embaçado. Meus olhos estavam lacrimejando. Olhei para a Melanie, desejando que ela falasse que era mentira, mas ela também chorava.
_P-Por quê?! – perguntei com a voz embargada.
_Ele disse que já te causou muito sofrimento, e já sofreu muito também. – ela disse fracamente. – Ele vai me deixar sozinha. – Melanie choramingou.
Nós nos abraçamos, e ficamos um bom tempo assim. Se o León pensa que fez uma boa coisa, ele está muito enganado.
************
Eu estava em minha casa. Eu estava chorando, como passei desde as últimas horas em que descobri que o León iria embora.
_Violetta... – Francesca disse se sentando ao meu lado no sofá. – Eu tenho uma coisa para te entregar. – ela disse tirando um envelope branco da bolsa. – León pediu para eu não ler, e eu não li, é pra você.
Peguei a carta. Eu queria rasgá-la, ou fazer com que o León engolisse tudo aquilo, eu estava com muita raiva. Mas antes de rasgar, eu iria ler, só pra saber o que aquele imbecil queria me dizer.
Violetta...
Mesmo que você me odeie pelo resto da eternidade, eu peço que leia isto com o coração.
Sei que não fui uma das pessoas que você mais amou, mas acho que tive minha importância na sua vida. Quero que saiba que em nenhum segundo, eu deixei ou deixo de pensar em você, e em todos os momentos que compartilhamos juntos.
Eu te amo baixinha.
Amo o seu jeito encantador, amo o seu olhar que sempre me fitava de maneira apaixonada todas as vezes que estávamos juntos. Amo o seu pânico de avião (acredite), e até mesmo seu stress do dia a dia. Amo você com as bochechas avermelhadas quando eu falo alguma besteira, e você se constrange.
Sei que esse ódio que você está sentindo de mim, talvez nunca passe, ou só aumente. Mas eu quero que saiba, que tudo que eu fiz ou faço, foi pensando em nós dois e em nossa relação.
Eu fiquei contente em conhecer o seu pai, ele é uma pessoa muito legal, e me falou de quando você era pequena. Conversamos poucas vezes, e ainda foi por telefone, mas ele está chegando, e aí terei o prazer de falar com ele frente a frente. Acredite, mas ele diz que gostou de mim.
Vou te revelar um segredo.
Sabe aquela nossa viagem a Barcelona? No começo estava tudo às mil maravilhas né? Iria ficar melhor se não tivesse acontecido tantas confusões naquele meio. Juro que aquela era para ser a mais perfeita viagem, mas acabou tudo dando errado.
Em Barcelona, eu finalmente tomaria coragem para te fazer o mais esperado pedido de casamento. Havia até alugado um espaço, para comemorarmos, estava tudo combinado, mas parece que o destino não estava muito a favor.
Já passou... Agora era hora de seguir em frente, encarar o que a vida vai nos trazer. E eu só quero que você seja muito feliz.
Provavelmente, quando você ler esta carta, eu estarei arrumando minhas coisas, ou bem longe daqui. Quem sabe antes eu não te veja passando pela rua?
A verdade, é que eu vou te deixar em paz. Era o que você tanto queria não é? Pois bem, seu desejo se realizou. Vou tomar um rumo da minha vida, mas eu prometo a mim mesmo nunca te esquecer, você foi à pessoa que colocou emoção na minha vida, que me incentivou a fazer milhares de coisas, inclusive enfrentar o temperamento da Senhora Vargas minha mãe, que sabemos que não é nada fácil.
Eu vou te amar pra sempre meu amor.
Com carinho...
León.
Eu já chorava descontroladamente. Francesca me olhava sem entender nada, mas muito preocupada. Diego e Emmanuelle estavam passeando por aí, o clima de hospital não fez muito bem a nossa princesinha, e ela precisava tomar um ar.
Eu não queria que ele me deixasse em paz, não literalmente, eu estava nervosa, mas isso não significava que eu não o queria por perto.
Eu o amo, não queria que ele fosse. Comecei a sentir vontade de me matar por ter dito todas aquelas coisas para ele. E também a matar ele, eu não acredito que ele foi tão imbecil.
Será que ele já tinha ido?
Preciso ir atrás dele.
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