True Love
46 O Grande Dia
Notas iniciais
***Violetta***
_Não adiantou nada, nada! – Stephie dizia entre lágrimas cortadas por soluços altos. – Eu o perdi para sempre. Não posso acreditar!
Eu ainda não conseguia entender aqueles gritos nem o choro excessivo. Eu estava lá há uma semana e meia. E eu estava mal. Eu só me alimentava com frutas e água, isso quando a Sheila conseguia despistar a Stephie, o que não era sempre.
Ela se aproximou de mim, com a maquiagem toda borrada. Sim, ela também não estava mais usando uma máscara preta. Stephie tinha um jornal nas mãos, e parecia totalmente feriada com a notícia que estava ali.
_Não adiantou de nada. O León é fácil demais. – ela disse chorando alto. – Eu o perdi... Não consigo acreditar que o perdi desta forma. – e chorava e chorava. – Sheila, desamarre esta garota.
Sheila obedeceu àquela ordem e me desamarrou. Eu estava ainda toda vermelha e cheia de caroços espalhados no corpo. Pareciam vários hematomas. Sheila me disse que eu também estava pálida, e um pouco mais magra, não é pra menos né? Assim que ela fez isso, Stephie jogou o jornal em cima de mim, pois eu não tinha forças nem para levantar, estava muito fraca.
O casamento do século!
E é com enorme prazer que o Jornal de Buenos Aires anuncia o casamento mais esperado do ano. Amanhã se casam os dois herdeiros da Família Lira e da Família Vargas.
O jovem León Vargas se casará com a belíssima Lara Lira. Os dois estão cada vez mais ansiosos. Aposto que não vêem à hora de ter a vida a dois juntos. “Eles serão muito mais que felizes” – A senhora Vargas, mãe de León Vargas, confirma em uma entrevista feita pelo jornal oficial de Buenos Aires.
Não terminei de ver aquele artigo. E lá estava à foto do León juntamente a Lara. Os dois sorridentes e pareciam bem felizes. Lágrimas e mais lágrimas brotavam de meus olhos. E eu me sentia uma inútil. Eu sabia que cedo ou tarde eu o perderia. Suspirei e terminei de ler a parte que faltava.
Lara lira também foi entrevistada pelo jornal oficial, e diz que nunca esteve tão feliz como está agora. – “Realmente me surpreendi quando León veio até mim, para pedir em casamento, os meus pais aceitaram na hora, todos sabem que eu o amo muito, e que não via a hora desse dia chegar.”- ela afirma entre risos tímidos olhando para o futuro marido. – “Mas vocês nem namoravam pelo que as redes sociais afirmam.” – entrevistadora comenta. – “Não precisa levar séculos namorando quando o amor é verdadeiro e sincero, e tenho milhares de certeza que eu e o León, fomos feitos um para o outro” – termina a jovem o mais sorridente possível.
Morre hoje aos cem anos...
Amassei aquele jornal e me pus a chorar descontroladamente. Eu não merecia aquilo. O León não tinha o direito de fazer aquilo comigo, eu sempre fui tão fiel e prestativa a ele, e o mesmo me trocou pela primeira que viu.
E eu não acredito que tinha que ser a Lara. Justo ela que apoiava o nosso amor. A minha colega de trabalho. Não faz sentido. Ele não deveria seguir as regras impostas pela sua mãe. Isto é um absurdo.
_Sinto muito – Sheila sussurrou para mim.
_Você está livre. – Stephie disse para mim. – Desapareça da minha vista. Não quero ter nada a ver com você. E me esqueça para sempre.
***
Depois de me arrastar até o hotel, entrei no apartamento onde eu e León estávamos hospedados em Barcelona. Não havia mais nada dele ali. Eu não parava de chorar em nenhum instante.
A carta que a Stephie tinha mandado a ele estava em cima da cômoda, e eu não sabia como fazer para voltar a ter ele na minha vida. Eu li a carta, e não pude engolir toda aquela história que ela havia inventado. E o León havia mesmo acreditado naquela barbaridade?
Meu celular também estava ali, e havia várias ligações da Francesca ali. Eu chorava tanto, que não sei como não morri de desidratação. Peguei meu celular, e meio trêmula, disquei o número dela.
_Alô? Violetta, por favor, diz que você está bem, querida. Só Deus sabe o que estou passando com esse seu sumiço.
_Fran... – eu soluçava. – E-Eu fui seqüestrada. – falei tremendo por aquele choque que me deram.
_O que?! Eu sabia que tinha algo errado nessa história! Você está bem?! Precisa de alguma coisa?! Onde você está?!
_E-Eu estou em Barcelona. No hotel onde o León e eu nos hospedamos. – falei pegando a minha mala. – Eu vou tentar voltar hoje mesmo para Buenos Aires. O mais rápido possível. Eu estou com medo Fran. – falei chorando. – Medo de já ter perdido a pessoa que eu achava que era o amor da minha vida.
_Ele é um monstro. León acreditou naquela mentira de você ter o deixado por outro cara. Eu estou com vontade de matá-lo. Venha o mais rápido para Buenos Aires. Por favor, venha antes que seja tarde demais.
Desliguei e terminei de arrumar minhas malas. Aquilo parecia um pesadelo. E eu estava louca para acordar. No momento até o medo de viajar sozinha para Buenos Aires, nem estava me incomodando, eu só precisava voltar.
***
Assim que cheguei a minha casa fui recebida com muito carinho pela Francesca e o Diego que estavam lá a minha espera. Diego fez milhões de perguntas, para saber se eu tinha sofrido algum tipo de violência ou tortura.
_Não sabe o quanto que eu chorei ao saber disso. – Francesca disse abraçando-me pelos ombros. – Não dormi várias noites por isso.
_Não queria preocupar vocês. – murmurei.
_Você não me parece nada bem. – Diego disse colocando a mão em minha testa. – O lugar onde você ficou, quando foi seqüestrada, era limpo ou higienizado?
_Diego, eu fiquei amarrada durante uma semana e meia no tronco de uma árvore. – falei proferindo uma risada um tanto fraca.
_Mas você era alimentada ou algo do tipo?
_Não. – falei chorosa. – Eu comia apenas quando Sheila conseguia despistar a líder, o que era quase nunca.
***
Bom, cá estou em um hospital. Eu estava muito nervosa por conta do seqüestro e meio que entre em uma pilha de nervos. Comecei a ficar com febre e a passar muito mal, Diego me trouxe até aqui.
_A senhorita, vai ficar sob nossa observação. – o doutor disse colocando uma agulha no meu braço esquerdo. – Está desidratada e um pouco desnutrida.
_Mas eu nem estou tão magra... – falei olhando para o meu próprio corpo.
_Não é questão de magreza senhorita Castillo. Uma pessoa pode ser gorda, mas desnutrida. E você está com falta de vitaminas, com isso sua imunidade está baixíssima. – explicou e eu amaldiçoei a vaca da Stephie em minha mente.
_Doutor... Eu preciso sair daqui o mais rápido possível. – falei segurando a mão do Dr. Jones, um médico jovem, mais ou menos da minha idade, ou mais velho.
_Vou tentar fazer com que aceleremos o processo de recuperação, mas não te garanto nada senhorita Castillo. – disse com um sorriso compreendido nos lábios, e eu retribuí fracamente.
_Obrigada. – murmurei.
Ele saiu do quarto onde eu estava, e assim Francesca e Diego entraram afoitos, fazendo com que eu gargalhasse. Eles pareciam um casal atrapalhado quando estavam juntos. Os dois se aproximaram, e sorriram ao ver que eu estava “melhor”.
_E então? Como você está? – perguntou Francesca olhando aquelas agulhas em meus braços. – Muito mal?
_Não, estou em processo de recuperação e observação, pelo que eu entendi. Estou desnutrida. – falei fechando a cara.
_Ai que horror, mas logo você estará bem.
_Fran... – falei sentindo os meus olhos enxerem de água. – Ele se casa hoje. – murmurei. – Eu o perdi para sempre. – disse chorando.
_Ele não valia a pena. – Diego disse pegando uma de minhas mãos.
_É Vilu, ele não valia a pena. Se valesse, te garanto que teria te procurado, pelo menos para ter explicações, mas nem isso ele fez, talvez ele não te amasse como você achava que amava.
*** León***
Eu estava em meu apartamento. Rafael estava lá com o meu pai, e eu nunca me imaginei nessas circunstâncias. Estava dando o nó em minha gravata, quando meu celular vibrou em meu bolso.
“Querido, não se atrase. Eu já estou na igreja, quanto mais rápido você vir melhor. Lara está deslumbrante, posso garantir. Nunca vi noiva igual, ela é única.” ~ mãe.
Suspirei e fui até o banheiro. Lavei o rosto com água fria. Estava me sentindo sufocado. Eu estava ansioso, mesmo sabendo que passaria os piores anos de minha vida, casando com uma pessoa que não amo. Talvez eu aprendesse a amá-la. O problema é que eu não quero amá-la, eu não quero me apaixonar por ela.
Sequei meu rosto e saí de meu quarto. Fui até a sala de estar, onde meu pai e meu irmão estavam tomando alguma bebida alcoólica que eu não soube identificar.
_Está preparado Vargas? – meu pai perguntou com um sorriso forçado, enquanto dava mais um gole na bebida. Apenas assenti com a cabeça.
_Te desejo toda a felicidade do mundo... Irmão. – Rafael disse estendendo a mão. E assim trocamos um aperto de mãos, super formal. E eu não suporto essa formalidade que a minha família tem.
***
A noiva estava atrasada há meia hora. E eu quase já estava dizendo “não” ao padre que estava sentado, por conta da velhice, vivia cansado pelos cantos. Eu estava nervoso, e minhas mãos estavam gélidas, mas não paravam de suar. Isso é ridículo.
_Oh querido, se acalme, te garanto que ela não vai te abandonar no altar. – minha mãe disse rindo abraçando-me pelos ombros. E eu forcei um sorriso. Tudo que eu queria é que a noiva, no caso a Lara, não viesse.
Olhei para aquela multidão, encontrando a imagem de Melanie, em um vestido preto. Ela estaria bonita se não estivesse zangada por estar ali. Ela não dirigiu a palavra a mim, nem para me desejar algo de bom para o meu casamento, claramente arranjado.
Minhas primas vieram da França apenas para prestigiar o meu casamento. A modelo Gery estava ali com o seu marido, e eles não estavam entendo porque eu me casaria com há Lara se semanas atrás eu estava com a Violetta. Ludmila estava com Maximiliano ponte, eles eram convidados de honra, pelo menos pela minha mãe.
Escutei o sonar de uma música clássica. A noiva havia chegado. Observei minha mãe sorrir largamente para o meu pai que apenas assentiu com um olhar vitorioso. Eu estava fazendo o que era da vontade deles, e me sentia um lixo por isso.
As portas da igreja se abriram, e os primeiros a entrarem foram às crianças, filhos das primas de Lara. Logo em seguida ela entrou com o seu pai. Sim, ela estava maravilhosa. Nunca tinha visto uma noiva antes, a não ser a minha prima que casou ano passado, mas era outra sensação. Eu era o noivo, eu estava vendo a mulher na qual eu iria me casar, e por mais que seja errado, eu me acho sortudo em estar casando com uma mulher tão bela como a Lara.
Ela se aproximou do altar, e seu pai a entregou para mim. Demos as mãos. Eu irei mudar de vida o mais rápido que eu imaginava. E se querem saber, isso não é nada legal, não para mim.
¨¨
Bom, a realidade é que eu não prestei atenção em nenhuma das palavras do padre. Eu estava pensando em minha vida daqui para frente. Como eu iria lidar com a Lara, já que como eu disse uma vez, não tínhamos intimidade nenhuma.
_León... – Lara sussurrou me tirando do transe, e pude ver que todos me olhavam curiosos, envergonhei-me.
_Então León Vargas, aceita Lara Lira como sua legitima esposa? – ele perguntou, e a resposta sumiu de minha mente.
Olhei para minha mãe que chorava. Olhei para o meu pai que estava sério como esteve desde que eu nasci. Observei Melanie chorar por desgosto no meio daquelas pessoas. Observei tudo a minha volta. Até que dirige o meu olhar para Lara, que me olhava com uma expectativa fora do comum.
_Eu...
Antes de pronunciar o “aceito”. A porta da igreja se abriu, fazendo um barulho irritante, já que estávamos todos em silêncio, aguardando por minha resposta, que eu ainda não sabia se era a certa dar. Soltei as mãos da Lara assim que vi a tal pessoa entrando, pisando pelo tapete vermelho, que dava até o altar. Ela atraiu todos os olhares da igreja, inclusive o dos meus pais e da Lara. Ela estava linda, menos arrumada que a noiva, mas estava incrível, como sempre esteve. Um vestido esvoaçado e florido, como o que ela tinha usado em algumas vezes que saiamos juntos. Violetta.
_Agora você pode me explicar o que está acontecendo aqui? – ela perguntou com a voz fraca, enquanto lágrimas e mais lágrimas escorriam por sua face. Seus olhos vermelhos indicavam tudo, e a minha agonia crescia dentro do peito.
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