True Love
54 Novos Pais.
Notas iniciais
_León... – escutei meu nome ser chamado.
Estávamos na Itália há uma semana, pois era nossa Lua de Mel, apesar de Violetta se cansar muito, por conta da gravidez. Nós estamos mais em um passeio turístico do que em uma lua de mel, pra falar a verdade.
Estávamos dentro de um taxi, indo em direção a um restaurante, que eu gostava muito. Eu já tinha vindo à Itália uma vez, conheci pouquíssimo, pois eu havia vindo apenas para salvar o meu cliente de ser deportado de volta para a Argentina.
_Sim meu amor? – virei minha cabeça, pois Violetta se encontrava sentada no banco de trás, com as duas mãos sobre a barriga.
_Eu estou me sentindo um pouco estranha. – falou com a face um pouco pálida. – Um pouco enjoada. – continuou fazendo uma careta.
_Acho que é porque você está muito tempo dentro deste carro e... – ela me interrompeu.
_Não é esse tipo de enjôo León. – me cortou. – E também, estou com uma sensação esquisita. – disse acariciando a própria barriga. – Estou sentindo algumas pontadas fortes, acho melhor irmos ao médico. – sussurrou, já que o taxista estava escutando nossa conversa perfeitamente.
Assenti preocupado, e pedi para o taxista mudar de rumo, indo até o hospital que se encontrava mais perto de onde estávamos.
¨¨
Assim que chegamos, fui fazer a ficha de Violetta, pois não éramos daquele país, e teríamos de apresentar documentos de outro país. Ela ficou sentada em uma cadeira, um pouco confortável. Acho.
_Vocês são argentinos? – a moça perguntou e eu assenti. – Também vim de lá, raramente encontro pessoas da minha nacionalidade. – sorri. – Seu nome, por favor.
_León Vargas. – falei e a mesma digitou algo no computador.
_Nome da paciente, por favor.
_Violetta Castillo Vargas. – respondi com certo orgulho.
_Ótimo. – a mulher sorriu. – Consegui um encaixe com o obstetra George, um argentino também. – explicou. Nossa... Esse hospital é feito de argentinos?
_Obrigada. – agradeci.
_Não há de que. – disse me dando uma fichinha. – Em uns dez minutos sua esposa será atendida. Enquanto isso pode aguardar a sala ao lado.
Assenti. Violetta já me esperava em pé, ela tinha as mãos na barriga ainda. Aqueles gêmeos estavam dando trabalho. Ela sorriu ao ver que eu estava me aproximando.
_Vamos aguardar na sala ao lado. – disse e ela assentiu pegando em minha mão.
Nós nos dirigimos para lá, e por incrível que pareça, a sala estava vazia. Violetta se sentou, e eu me sentei na cadeira ao lado.
_Está melhor? – perguntei a ela, e a mesma negou. – Estou preocupado.
_Eu também. – ela sorriu de lado. – Seja lá o que for não deve ser tão preocupante, como nós estamos pensando.
_Tomara que não. – passei minha mão onde os meus filhos estavam abrigados.
_Desculpe por ter interrompido nossa lua de mel. – ela se lamentou.
_Não interrompeu nada. – respondi beijando sua testa. – Está sendo muito bom passar por tudo isso ao seu lado.
_Obrigada por sempre estar comigo.
_Eu te amo, sempre estarei com você. – ela sorriu largamente.
***Violetta***
_Paciente Violetta Castillo Vargas. – um cara alto e magro anunciou meu nome, depois de exatos quinze minutos.
León se levantou junto comigo, segurando minha bolsa, e me mantendo em pé, meu apoio. O médico nos levou até a sala do mesmo. No meio do caminho, vi uma coisa que me assustou um pouco. Um homem estava sendo levado urgentemente para a sala de cirurgia, enquanto uma mulher gritava e chorava ao lado da maca onde ele estava deitado. Ela gritava coisas como: “Por favor, não o deixem morrer, não deixem!”
_Então, porque estão aqui? – médico simpático perguntou enquanto estávamos sentados em frente a sua mesa.
_Estou sentindo algumas dores, em meu ventre. – respondi um pouco tímida. León nunca me presenciou na sala dos médicos, apenas via as ultracenografias, para escutar o coração do bebê, ou ver como ele estava, mas nunca me acompanhou em uma consulta onde eu era a vitima principal.
_Pode se deitar, por favor.
Atendi ao pedido, e com a ajuda de León, me deitei naquela maca. O doutor levantou minha blusa, analisando a minha barriga. Olhei para o León que tinha a face de preocupação. Depois de uns segundos, ele ligou aquela maquina de ultrassom, e passou aquele gel gelado, que eu já estava acostumada.
León e eu prestávamos atenção na telinha, onde mostravam os nossos filhos ali, bem juntinhos. León sorriu. Senti outra fisgada no pé da barriga, aquilo já estava ficando desconfortável.
_Parece que seus filhos já querem vir ao mundo, Violetta. – médico disse sorridente e eu me assustei.
_Mas eu estou de sete meses. – falei preocupada.
_Mas eles não tem mais espaço para se mexer. – o médico disse analisando a imagem transmitida naquela máquina. – Por isso você anda sentindo esse incômodo, eles já estão querendo nascer. – falou e eu suspirei com um pouco de medo. – Sugiro que você já se interne, esses bebês, podem nascer a qualquer instante.
_Não quero que meus filhos nasçam em solo italiano. – falei para o León.
_Vocês moram aonde? – o doutor perguntou.
_Argentina. – respondi.
_Não sei se dará tempo, você não quer que os seus filhos nasçam dentro de um avião. – George disse rindo.
_Acho que prefiro que eles nasçam no avião, mas não quero que eles nasçam aqui. – falei me sentando.
_Também prefiro. – León disse com um sorriso. – É melhor adiantarmos as passagens, quanto mais cedo chegarmos, melhor.
_Tem razão. – falei me levantando com a ajuda do doutor. – Obrigada Dr. George.
_Por nada, e tomem cuidados, não faça muito esforço, isso pode até influenciar para que as crianças nasçam mais tarde. – assenti com um sorriso. – E evite passar nervoso. – ferrou.
¨¨
_León... – o chamei enquanto estávamos sentados na poltrona do avião. – Preciso de um calmante. – pedi.
_Meu amor, não pode ficar tomando esses medicamentos sem receita médica. – ele disse segurando a minha mão.
_Mas eu não gosto de voar, e preciso me acalmar. – falei já entrando em pânico.
_É só fechar o olho e relaxar. – ele disse como se fosse fácil assim.
_Não, não é. – contrariei-o.
_Faz igual você fez quando estávamos indo. – ele disse sussurrando em meu ouvido. – Segura em minha mão, e aperte quando estiver com medo. – ele disse beijando minha bochecha e eu sorri.
***León***
Havíamos pousado. Violetta estava estranha, ela não parava de fazer caretas quando sentia pontadas na barriga. Aquilo já estava me preocupando. Estávamos na lanchonete do aeroporto de Buenos Aires, faltava pouco para chegarmos a casa, e ela descansar.
_O que quer comer amor? – perguntei enquanto a ajudava a se sentar.
_Nada. – respondeu baixinho.
_Não gosto de te ver assim. – falei beijando sua testa.
_Eu vou ficar bem. – ela suspirou dando um sorrisinho. – Agora coma logo, nós precisamos ir para casa.
_Ok. – assenti.
Comprei um suco e um salgado. Comi rapidamente, nem senti o gosto da comida direito. Violetta riu do meu desespero, e era ótimo escutar sua risada. Depois disse voltamos de taxi para nossa casa.
¨¨
_Agora sim. – ela disse se ajeitando em nossa cama. – Muito mais confortável.
_Vou pedir para Jack preparar um chá para você. – falei sorrindo.
Nós havíamos comprado uma casa. Mais perto do meu trabalho e também do trabalho de Violetta, e nem ficava tão longe da casa de Francesca e Diego, éramos praticamente vizinhos.
_Amor, sabe a vizinha? – Violetta perguntou e eu assenti. – Parece que ela também está grávida. – disse sorrindo.
_Sério? – perguntei e ela assentiu.
Nossa vizinha era uma mulher ruiva, chamada Camila. Violetta já havia visto ela uma vez, parece que ela é mulher do segurança da empresa do Maximiliano. Eles eram bem legais, como vizinhos.
_Quer mais alguma coisa além do chá? – perguntei tirando aquela blusa social e pondo uma mais despojada.
_Quero. – suspirou. – Você aqui comigo. – disse sorrindo, e eu ri. –Estou falando sério.
_Tudo bem, já estarei aqui. – beijei rapidamente os seus lábios.
Desci as escadas. Jack estava arrumando uns livros na prateleira, enquanto eu sentia um cheiro divino vindo da cozinha. Havíamos contratado uma cozinheira, Olga, Violetta a adorava, Jack também cozinhava, mas não era muito a fim de cozinha.
_Olga está cozinhando? – perguntei assim que terminei de descer as escadas.
_Sim, León. – respondeu com um sorrio gentil no rosto. – Quer alguma coisa? – perguntou colocando os livros de volta a prateleira.
_Sim, um chá para a Violetta, ela não está muito bem. – respondi.
_Claro, já subo com a xícara, não se preocupe.
Assenti e voltei ao quarto. Abri a porta do quarto, e olhei direto para a cama, não encontrando a Violetta ali. Percebi que a porta do banheiro estava fechada. Ela devia estar lá dentro.
_Ai que dor – escutei um murmúrio baixo vindo de lá.
_Violetta! – bati na porta. Tentei abrir mais estava trancada. – Violetta você está bem? – perguntei tentando manter minha voz menos desesperada do que já estava.
_S-Sim, quer dizer... – disse baixo.
_Abre a porta.
_Agora não León.
_Abre essa porta. – falei me irritando.
_Não! – contrariou.
Suspirei tentando não ficar com raiva. Bati na porta com o meu corpo, e com força, abrindo aquela porta com tudo. Ela se assustou. Percebi que seus olhos lacrimejavam. Estava tentando entender o que estava acontecendo.
_O que aconteceu? – perguntei preocupado, me aproximando dela.
Ela apenas abaixou a cabeça, escondendo o rosto entre as mãos, começando a chorar e soluçar bem baixo. Aproximei-me dela, abraçando-a, tentando entender o que se passava.
_O que foi meu amor? – perguntei calmamente.
_Eu... E-Eu estou sangrando León. – ela disse voltando a chorar.
_O que?
_Eu não sei o que está acontecendo. – ela disse olhando para o chão, onde eu encontrei uma poça de sangue, me assustei.
_Vamos ao hospital – falei sem pensar duas vezes.
Fui até o guarda-roupa, pegando a bolsa dela, e também com as roupas dos bebês, eles nasceriam hoje, ou talvez amanhã, ou... Não queria pensar no pior.
***
_Alô? – Francesca disse atendendo ao celular.
_Francesca, aqui é o León.
_Eu sei que é você León. – disse rindo. – Aconteceu alguma coisa? Como está a minha grávida preferida?
_Sobre isso mesmo que eu quero conversar. – falei enquanto estava dirigindo rapidamente até o hospital, o que eu não deveria estar fazendo. Pois é muito perigoso falar ao telefone enquanto dirige. – Estou indo para o hospital. – falei olhando Violetta que estava vendo a paisagem lá fora.
_O que aconteceu com ela León?!
_Ela teve um sangramento, e anda tendo umas contrações estranhas, para sete meses de gravidez. – respondi passando no farol vermelho.
_Eu... Eu vou para o hospital, corre León.
Desliguei o celular. E estacionei em frente ao hospital. Violetta abriu a porta e saiu com cuidado do carro. Saí em seguida. Ela estava um pouco frágil, peguei-a no colo, e levei as pressas até a recepção.
_Por favor, preciso de um médico. – falei com a Violetta nos braços.
_Por aqui senhor. – um médico disse me guiando até uma maca vazia. – Pode colocá-la aí, quem é o doutor de sua esposa.
_Jones, Dr. Jones. – respondi seguro e ele assentiu saindo.
_León estou com medo. – Violetta disse aos prantos novamente.
_Não chore amor. – falei beijando sua testa. – Vai ficar tudo bem.
Jones chegou depois de alguns minutos, rápido. Ele examinou Violetta, tocando sua barriga. A mesma fazia expressões de dor o que me deixava muito agoniado, sem saber como ajudar.
_Parece que teremos que induzir o parto. – o médico disse. – Preparada para ter os seus filhos? – perguntou a Violetta que prontamente negou. – Você vai se sair bem, não se preocupe. – disse passando a mão em sua testa, secando as pequenas gotículas de suor que se formavam. – O pai vai querer ver o parto?
_Claro que sim. – falei segurando firme a mão de Violetta, que sorriu prontamente.
Entramos as pressas na sala de cirurgia. Deram-me uma roupa e uma máscara e eu coloquei, assim como fizeram com a Violetta. Eu estava ao lado dela, segurando sua mão em todos os segundos. Jones aplicou algo em sua veia, e dois aplicou outra coisa, fazendo Violetta ficar um tanto relaxada. Eu observava suas expressões distintas. Ela estava com dor, percebia isso.
_Estou com dor. – ela reclamou fechando os olhos.
_As contrações aumentaram. – Jones disse ao médico que estava ao seu lado. – Hora de começarmos. – disse pegando um bisturi. Eu juro que quase caí para trás quando os vi fazendo um corte em Violetta.
Ela parecia não estar sentindo tanto. Fiquei com os olhos fixos nos dela, tentando lhe passar confiança e segurança. Ela sorriu um tanto dificultosa e eu acariciei seu rosto, ela parecia estar sofrendo tanto, mas continuava impecavelmente linda.
Meus sentidos se dispersaram com um chorinho fino e repetitivo. Olhei para o lado, vendo o Dr. Jones segurando um pequenininho ser nos braços. Era o meu filho. Sorri nem percebendo que os meus olhos se derramavam em lágrimas de felicidade. Entregaram-me, e eu levei até Violetta, para a mesma ver. Ela sorriu, e assim como eu, derramou milhares de lágrimas.
_Nosso filho... – ela sussurrou sorridente e eu assenti.
_Nosso. – concordei.
Logo uma enfermeira veio retirá-lo, não queria que o levassem. Mas ele nasceu prematuro, e qualquer coisinha poderia dar errado. Depois de outros longos minutos, ouvi outro choro, um pouco mais baixo do que o anterior.
_Minha garotinha. – Violetta disse rindo enquanto ainda chorava.
Peguei-a nos meus braços também, olhando para o seu rosto que continha um pouco de sangue. Mostrei a Violetta que sorriu, acariciando a cabecinha tão pequena. Novamente a enfermeira interrompeu levando-a de nós.
***
***Violetta***
Eu estava em uma sala branca, coberta até a cintura com um lençol branco. Eu estava tomando alguma coisa na veia, só não sei o que. A única coisa que eu me lembro antes de ter apagado, era de ter visto o rostinho do meu filho, e depois da minha filha.
_León...? – murmurei meio sonolenta, vendo o mesmo sentado na poltrona ao lado da cama onde eu estava.
_Acordou bela adormecida? – perguntou risonho e eu forcei um sorriso, estava cansada. – Fiquei preocupado quando você apagou do nada dentro da sala de cirurgia. Mas aí o Dr. Jones disse que era efeito da anestesia. – assenti. – Como está se sentindo.
_Feia. – respondi, e León gargalhou.
_Você está linda. – ele disse beijando rapidamente os meus lábios.
_Não minta Vargas. – cruzei os braços.
_Francesca, Diego, Manu, Melanie e seu Pai estão aí. – ele disse, e eu sorri. – Ludmila desejou parabéns, e disse que Maxi e ela vão ir a casa, para nos visitar.
_Ok. – sorri instantaneamente. – Onde estão os meus filhos? – perguntei muito ansiosa para vê-los.
_Estão fazendo uns exames. – León falou. – Parece que nossa menininha, teve um problema respiratório, pois nasceu muito novinha. – me desesperei. – Mas calma, ela já está bem. – sorri.
_Você já os viu? – perguntei e León assentiu.
_São lindos. – respondeu com um brilho em seu olhar. – Parecem com você.
_Sério? – perguntei com um sorriso enorme.
_Sim. – assegurou. – E, nosso filho fez um escândalo desde que nasceu. – ri e León me acompanhou.
_Ele deve ser lindo. – suspirei.
_E é.
Ficamos conversando por um tempo. León me explicou quais os exames que os meus bebês estavam fazendo. Ele também me contou das caras e bocas que eu fazia quando estava sentindo dor, nunca ri tanto na minha vida, com ele me imitando.
Depois de uma hora mais ou menos, ouvimos batidas na porta de meu quarto, interrompendo o meu bate-papo com o meu maridinho. Era a enfermeira, com dois seres pequenininhos enrolados em diferentes mantas. Me coração palpitou. León sorriu.
_Aqui estão os seus presentes. – a enfermeira baixinha e rechonchuda, disse vindo até nós com aqueles bebês bem embaladinhos. Já tinham dois berços hospitalares instalados no meu quarto. – Parabéns a nova mamãe e ao novo papai.
Sorri verdadeiramente para a enfermeira, e logo depois agradeci. Ela me entregou minha filha, que estava em uma manta rosa. E entregou o garotinho para o León. E assim se retirou rapidamente. Ela avisou que eu tinha que amamentá-los.
Olhei para o rostinho da minha pequena e sorri. Ela estava dormindo, com a minúscula boquinha semi-aberta. Beijei sua testa, e toquei sua mãozinha. Era tão boa a sensação de tê-la em meus braços.
_León... – o chamei, já que ele estava entretido demais conversando com o nosso bebê. – Ela se parece com você. – falei sorrindo.
_Só que não. – ele riu. – Parece com você. – ele disse se levantando da poltrona. E ficando ao meu lado. – Olhe para esse garotão. – disse me mostrando o rotinho dele. – Ei Enzo, dá oi para a mamãe. – León disse brincando com a mãozinha dele e eu ri.
Sim, o nome do meu bebê é Enzo, foi uma escolha minha e do León. Minha garota se chamava Milena, sim, essa foi por escolha de León, ele ama esse nome, e eu também achei bonito, sem contar que Milena, era o nome de uma amiga que eu tive na infância. Eu adorei as escolhas.
_É lindo. – falei meio abalada emocionalmente. – Eles são perfeitos demais. – disse deixando a lágrima escapar.
_Você é perfeita meu amor.
_Vocês são perfeitos. – falei olhando em seus olhos verdes. – Perfeitos para mim.
***
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