True Love
44 Decepção
Notas iniciais
Ok, eu estava com fome. E o cheirinho de macarrão que estava saindo daquela cabana não estava ajudando muito. Eu morreria.
De repente escutei os passos, de salto alto vindo até mim. Eram elas, seja quem seja, eram elas. As suas se aproximaram de mim ainda com aquelas mascaras na cara. Eu não fazia à mínima ideia de quem eram.
_Será que pelo menos eu posso ver o rosto das minhas seqüestradoras? – perguntei irônica. Eu estava meio fraca, mas nem por isso deixava de mostrar a minha irritação.
_Você deve me conhecer, querida. – a mais alta disse em voz alta.
_Não conheço não. – resmunguei.
_Mas logo mais conhecerá, Violetta. – continuou.
_Bom, eu tenho um palpite. – limpei a garganta. – Você foi mandada a fazer isso? – perguntei e ela negou, mas depois assentiu, estava confusa? – Foi à senhora Vargas que mandou você me seqüestrar, não foi?
_Claro que não, criatura. – a mais baixa apenas riu. – Se bem que tenho certeza que a senhora Vargas seria capaz de coisas bem piores do que eu. – me assustei.
_Ok, então você é a líder do meu seqüestro? – perguntei tentando não deixar transparecer o meu medo. A mais alta apenas assentiu. – E essa outra aí? É sua ajudante, ou também quer me matar para ficar com o meu namorado?
_Ela é minha cúmplice, sim. – riu a mais alta. – Mudando de assunto, você deve estar morrendo de fome não? – não respondi, ela sabia que eu estava. – Diz que está.
_Se eu falar, não vai adiantar em nada.
_Claro que não vai, até porque, por mim, você ficaria aí para sempre, amarrada, sem nada em volta.
_Você quer-me ver morrendo aos poucos não é?
_Minha intenção não é te matar, querida. – pude ver o terror em sua fala. – Minha intenção é fazer com que você sofra, assim como eu sofri.
_Mas que raios eu fiz pra você?! – perguntei exaltadíssima.
_Você tem tudo o que um dia eu sonhei ter. – ela disse, e parecia um pouco magoada, mas ao mesmo tempo com raiva.
***León***
Já havia ido para todos os lugares possíveis. Havia passado horas e horas na praia, e nada dela ter voltado. Eu estava começando a pensar no pior dos piores. Eu precisava encontrá-la, mesmo nem sabendo o porquê e como ela sumiu.
Voltei ao hotel.
Assim que pisei os pés no apartamento que eu havia pagado para ficar hospedado com a Violetta, encontrei um envelope jogado no chão. Alguém deve ter colocado por baixo da porta enquanto eu estava fora.
Peguei-o em minhas mãos, e o abri. Retirei de lá uma folha, que estava dobrada quatro vezes, e a letra era de computador.
León... Quero te pedir para não me procurar. Eu estou bem. Não quero que me procure, nem nada, eu estou melhor sozinha. Eu estava pensando, e a verdade é que eu não sabia como te falar isso.
Eu não te amo León.
Eu até cheguei a pensar em estar apaixonada por você, mas era só atração, e também porque você tinha a conta bancária bem cheia. Não me leve a mal, mas eu nunca tive nada, e estando ao seu lado... Tive tudo e um pouco mais.
Bom, nessa viagem que fizemos, eu reencontrei o amor de minha vida. Ele mora aqui, e eu sempre pensei nele, ele é o meu maior bem precioso, eu o amo desde sempre. Obrigada por me trazer a Barcelona, serei grata eternamente.
Não pense o pior de mim ok? Eu estou bem sem você. E olha... Quem sabe em um dia desses, não seremos, bons amigos quando você se esbarrar comigo?
Tchau León. E por favor... Esqueça-me.
Eu não conseguia raciocinar. Eu estava suando. Suando frio. E quando terminei de ler, o choque foi muito grande. Não fazia sentido. Ela jamais escreveria alguma coisa do tipo. Não é do feitio dela fazer uma coisa dessas.
Mas ela havia sumido. E naquela carta ela não queria que eu a procurasse. Homens não choram, não é? Pois bem, eu digo que choram. Eu estava ali, novamente chorando por uma mulher que me abandonou. Passar por isso uma vez tudo bem, porque a outra nem deu sinal de vida, mas a Violetta? Logo a Violetta, que me jurou o amor dela diversas vezes? Não poderia ser verdade.
Tirei minha mala de cima do guarda roupa, e peguei todos os meus pertences. Iria voltar para Buenos Aires hoje mesmo. Minha cabeça latejava, e muito, eu não sabia mais o que estar fazendo.
Deixei aquela carta em cima da cama. Não traria aquilo de jeito nenhum. Dessa vez, iria fazer as vontades de minha mãe, mesmo eu odiando todas elas. Era o melhor a se fazer. Eu não tinha mais escolhas, não sofreria uma terceira desilusão. Duas estão ótimas.
Deixei a câmera fotográfica também. Não quero lembranças de um fingimento apenas para tirar tudo o que eu tinha. Até o mesmo o meu coração.
Espero que ela seja feliz com o homem que ela tanto ama.
***Violetta***
Eu estava um pouco zonza. Minha visão estava embaçada e meu estômago roncava. Eu estava morrendo de sede e de fome. Eu estava toda vermelha, por conta das picadas que eu tinha no corpo inteiro, parecia que eu estava com catapora. Eu já estou aqui a mais de oito horas, segundo a cúmplice da líder do meu seqüestro. Não tenho forças nem pra falar, quanto mais pensar em alguma coisa.
A única coisa que se mantinha viva em minha mente, era o León. Ele deve estar preocupado, ou não. Meu coração se aperta toda vez que eu penso nele, e como eu estaria segura nos braços dele.
E pior que eu nem sabia quem eram as pessoas que me queriam ver longe dele. Fechei os olhos, pois eu estava cansada, e por incrível que pareça, eu estava com medo de não acordar depois.
Escutei as vozes e os passos das suas mulheres, e me mantive de olhos fechados. Elas faziam visitinhas a todo tempo.
_Será que ela desmaiou? – uma delas perguntou.
_Acredito que sim, oito horas e meia, sentada e sem comer nada da nisso.
_Acho que ela está um pouco pálida, deveríamos colocá-la lá dentro.
_Está louca. Não quero uma inimiga dentro do mesmo teto que eu Sheila.
_Não fale o meu nome alto, quer que alguém nos escute?!
_Eu que mando aqui, e se quiser pronuncio o seu nome quantas vezes for preciso.
_Às vezes te acho louca, e mais louca ainda por aceitar esse seu plano maluco. Ela não tem nada a ver com o León e você. Ela não te fez mal nenhum.
_Você é minha irmã. Deveria me apoiar nisso.
_Apoiar? Isso é uma loucura! Se nos pegarem aqui, nós vamos para cadeia. E eu tenho um filho para criar, não faz sentido ficar nisso com você.
_Seu filho já é grande, ele pode se virar com isso. E você está me irritando Sheila.
_Ele tem sete anos, como você quer que uma criança de sete anos se vire sozinha? Você enlouqueceu?!
_Olha aqui, você já é parte disso, se eu me ferrar, você se ferra junto, então é melhor colaborar para que tudo dê certo, senão diga adeus ao seu filho e ao seu marido.
Escutei choro e soluço, e depois as duas se distanciarem. Sheila estava envolvida nisso. Eu deveria, ter sacado que era estranha aquelas coisas que ela queria saber do León, e principalmente por ter se aproximado tão rápido de mim.
***León***
Cheguei a Buenos Aires e a primeira coisa que fiz foi ir à casa de minha mãe. Ainda precisava tirar algumas informações dela, ela pode ter tudo a ver com o sumiço de Violetta, eu ainda não consigo acreditar que ela me abandonou.
_León? – ela estava sentada no sofá, lendo alguma revista sobre fofocas. – Pensei que iria passar por cima de minhas regras e ficar em Barcelona. – ela disse tirando os óculos de leitura e me olhando um pouco séria. – Se você veio aqui para brigar com sua mãe que quer apenas o seu bem, pode se retirar. – ela dizia calma. – E se veio aqui, também dizer, que vai construir uma vida a dois com ela, eu não quero saber, que vocês sejam felizes, mas eu não vou ajudar nessa relação. Sobrevivam com o amor de vocês. Eu lavo as minhas mãos, não quero mais me meter na sua vida, faça o que bem entender. – ela disse se levantando e me dando as costas.
Eu não entendi absolutamente nada. Minha mãe não tinha nada a ver com o sumiço dela? Ela parecia tão tranqüila. Desesperei-me. Ela havia me deixado mesmo. Não sei o que era pior naquele momento.
_Mãe. – a chamei e a mesma parou de andar e se virou para mim. – Desculpa por não acreditar em você. – falei quase chorando, mas dessa vê eu não choraria por alguém que sumiu com o amante.
_Por que está dizendo isso meu filho? – perguntou com a face um pouco confusa.
_Ela mentiu pra mim. – falei abaixando a cabeça. – Eu não merecia isso. Eu sempre cuidei dela, sempre a protegi, para ela me deixar sem mais nem menos. Ela terminou comigo por uma carta. Foi à pior coisa que me fizeram. Eu não estou suportando isso.
_O que ela fez León? – minha mãe perguntou se aproximando, segurando a minha mão com força. – Não se abale por uma mulher como aquela. Eu sempre soube que ela não valia nada – minha mãe murmurou entre dentes. – É por isso que eu não apoio você a se apaixonar por estas plebéias, a maioria não quer nada sério, apenas iludir garotos bons como você. Eu sempre agi daquele jeito, porque eu te amo meu filho, e não queria ver você desse jeito pela segunda vez. Não quero mulher alguma quebrando esse coração maravilhoso que você tem.
_Agora eu te entendo mãe. E me desculpe por nunca acreditar em você.
_Não faz mal meu filho.
_Sabe, agora já não quero mais lutar por alguém. – suspirei segurando o choro. – Vou fazer sua vontade mãe. Vou me casar com a Lara. – falei firme, e minha mãe não conteve o enorme sorriso.
_Está mesmo dizendo isso, querido?
_Sim. Não estou disposto a sofrer duas vezes. Agora eu vou tentar algo com a Lara, e espero que não dê tudo errado desta vez.
_Ela vai ficar tão feliz. – minha mãe disse e eu estranhei. – Lara é uma garota excelente, e sempre foi loucamente apaixonada por você. – assustei-me com aquelas palavras. – Ela é quietinha mesmo, e sempre apoiou você e a Violetta, porque achava que sua felicidade estava naquela mulher, mas nós nos enganamos. Você e a Lara foram feitos um para o outro, você vai ver.
_Vamos ver – murmurei.
***
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