True King
7 6 - The Young king and the beyond-sea queen
Notas iniciais
─ Daenerys e Jon Targaryen são uma grande ameaça ao seu reinado, vossa graça ─ Dizia Varys, seu mestre dos sussurros. Joffrey se mantinha calado, toda aquela conversa sobre reino, ameaças e guerras estavam deixando-o entediado e o jovem rei nunca gostara de ficar entediado. Se ao menos Sansa ainda estivesse ali ele teria o que fazer, machucá-la e torturá-la. Tal pensamento lhe fez sorrir ─ Os passarinhos cantam que Daenerys tem três dragões, que fazem um grande estrago nas terras para lá do mar estreito. Também que está juntando um grande exercito...
─ Dothrakis não atravessam o mar, cavalos não sabem nadar Varys ─ Interrompeu bruscamente Tywin Lannister, seu avô e agora novamente mão do rei ─ E quanto ao garoto Targaryen, o Norte não tem um exercito muito grande com o qual devemos nos preocupar.
— Devo lembrar-lhe, querido pai, que quando Robert começou a rebelião o exército nortenho fez um estrago enorme — Desdenhou Tyrion. O anão estava enjoado daqueles conselhos, daquelas pessoas.
Varys sorriu. E ainda desconhecem a existência dos dragões de Jon Targaryen – O eunuco nunca se orgulhara de, com suas informações, poder influenciar reis. Mas agora entendia que o melhor para ele nem sempre era o melhor para o reino.
─ Então o mataremos ─ Esclareceu Joffrey, ele mesmo daria a ordem.
─ Talvez não seja a melhor alternativa ─ Disse Tywin.
─ Se o deixarmos vivo, ele vai querer tomar meu trono ─ Não gostava que suas palavras não fossem aceitas ─ O mataremos ─ Repetiu.
─ Ah sobrinho, todos neste recinto sabem a sua grande vontade de matar... Pessoas ─ Falou Tyrion com seu leve sorriso sarcástico ─ Porém é melhor manter um herdeiro do trono legitimo, caso Daenerys venha ─ Disse por último, estava bêbado é claro. Estivera bêbado desde a morte de Shae. Joffrey levantou-se rapidamente.
─ Eu sou o Rei ─ Será que é o único? Pensou Tyrion ─ Eu dou as ordens, eu comando. Eu sou o herdeiro legitimo do Trono de Ferro e nenhum Targaryen vai tirá-lo de mim ─ Tywin só conseguia pensar em quanto o neto era parecido com Arys.
─ Talvez não seja tão legitimo sobrinho ─ Tyrion balbuciou.
─ Como ousa questionar a legitimidade do meu filho? ─ Cersei pronunciou-se. Estivera quieta desde o inicio do conselho, mas agora estava enfurecida ─ Joffrey é filho de Robert Baratheon e é o herdeiro.
─ Parem todos vocês. Esta briga tola só nos dividirá e nós agora enfrentaremos tempos turbulentos. Agora, eu e Jaime iremos a Correrrio, as tropas do Norte estão por lá. Jon Targaryen ainda deve estar em Winterfell, depois de vencer esta batalha eu o matarei e no final se for preciso matarei os dragões da jovem e ela. Não sairá do Trono tão cedo, Joffrey — Tywin Lannister lançou ao neto um sorriso voraz.
E eu tampouco sairei do comando.
X
Quando chegou perto da porta de seu quarto, Joffrey ouviu risos. Quando entrou no quarto duas prostitutas jaziam deitadas em sua cama. Sua expressão de nojo foi rapidamente percebida pelas duas moças, que logo se levantaram e se vestiram.
─ O que fazem aqui? ─ Agora não tinha mais nojo e sim raiva.
─ O Duende nos mandou, como forma de agradar o senhor, vossa graça ─ Falou a ruiva. Joffrey não acreditava naquilo, o tio era, em seus pensamentos, a pessoa mais tola que ele conhecia.
─ Faremos o que desejar ─ Completou a outra. As duas eram demasiado bonitas, porém não eram como ele gostava, principalmente a ruiva.
─ Você ─ Indicou a morena, que parecia ser mais velha ─ Bata nela ─ Sorriu. Assim, logo as duas estavam nuas de novo, uma batia levemente na outra.
─ Com mais força ─ A mulher obedeceu, o sorriso já murchando. Tirou o seu cinto e entregou a ela ─ Aqui, bata com isto ─ Ela hesitou mas o fez, logo a ruiva já chorava desesperada, que fazia a outra chorar também. No fim ele ficou entediado com o choro das mulheres, pareciam gatos miando.
Com a besta na mão, ele soltou duas flechas certeiras e as duas caíram, num baque surdo. Joffrey Baratheon gostava de matar de qualquer maneira, mas naquele momento visualizara o corpo deformado de Tyrion Lannister jogado ao chão.
X
Daenerys Targaryen ouve os sussurros de seus dragões.
Queime todos, eles dizem, queime todos. E repetem, repetem, repetem. Dia e noite.
Ela tem sonhos com fogo também, sonhos de dragão. Uma previsão sombria de chamas e lamento e de queda, de derrota e dor. Mas seus dragões continuam implorando por destruição.
Daenerys é a mãe dele e o que ela não faria para ver seus filhos felizes? Então, no segredo do seu coração, ela pensa – Queimarei todos eles. Todos os que tomaram minha casa, todos os que vivem felizes e tem certeza de sua segurança. Sua paz se tornará cinzas e seus cadáveres meu trono, forjado para mim como Aegon forjou para ele um trono com as espadas de seus inimigos. Queimarei as crias do Usurpador e todos aqueles que se proclamam reis. Só há uma rainha.
Rainha Dragão, as vozes clamam. Eles a veneram. Seus dragões terão sua vingança.
— Khaleesi — Jorah Mormont interrompe seus devaneios. Daenerys o preza, mas o detesta também, com sua afeição platônica e desmedida e seus olhos pidões. E quando não desejara vê-lo queimar também? — O que faremos agora?
Ela lhe lança um sorriso cruel. Meereen a deixava entediada e nem matar todos os mestres de escravos supriria sua sede de devastação. Eles precisam queimar. Queimar.
— Nós iremos para Westeros e nós destruiremos tudo — Diz com determinação. Suas palavras ecoam pela sala do trono.
— Mas Khaleesi... — Jorah estava assustado e buscava em Daenerys a menina indefesa que casara com Khal Drogo — O povo não tem culpa!
— Claro que não, sinto muito — Ela murmura, os olhos em suas mãos — É claro que pouparemos o povo.
Queime todos, eles murmuram. Daenerys Targaryen, Nascida da Tormenta, Rainha Dragão mostraria para eles que era feita de fogo e sangue.
Queimem todos! Queimem tudo!
De repente, não é em Meereen que ela está. Ela grita ordens para mantos brancos no grande salão do Trono de Ferro.
Apenas cinzas para Robert Baratheon!
Queimem todos! E então há apenas uma espada ensangüentada e um regicida.
“Não sou um meistre para lhe citar história, Vossa Graça. Minha vida foram as espadas, não os livros. Mas qualquer criança sabe que os Targaryen sempre dançaram demasiado perto da loucura. Seu pai não foi o primeiro. O Rei Jaehaerys disse-me um dia que a loucura e a grandeza eram dois lados da mesma moeda. "Sempre que um novo Targaryen nasce" disse ele, "os deuses atiram uma moeda ao ar e o mundo segura a respiração para ver de que lado cairá".
Barristan Selmy
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