Troublemakers

2 Capítulo 2: Pamela


Nossa, a minha festa está muito louca!!! Todo mundo tá curtindo muito, a música é ótima e tem um monte de comida e bebida, hahahaha. Tô até me sentindo diferente, preciso muito beijar alguém!!!

Vejo um garoto de costas e o puxo para um beijo bem gostoso, e quando começo a passar a mão em seu cabelo, meu celular toca e me afasto dele sem nem reparar em seu rosto.

– Alô???Quem fala??? – grito meio tonta no telefone.

– Oi amor, sou eu! Desculpa perder sua festa, mas tô passando muito mal, durante a semana, depois da aula, passa no Clube pra gente se ver, tá? – ele me pergunta.

Minha tontura passa em um instante e, meio encabulada, respondo:

– Não tem problema, amor, dou uma passada no seu Clube, sim, e melhoras, viu?

– Beijo, minha princesa, te adoro – diz meu namorado, Vinícius, antes de desligar.

Me viro rapidamente para ver quem beijei, mas o garoto já havia desaparecido.

~ Sonho off ~

Meu primeiro pensamento ao acordar às seis em ponto da manhã foi: FUDEU, FUDEU MUITO. Não acreditava que tinha traído meu namorado!!! Eu gostava muito do Vinícius e nós já estávamos juntos há quase dois anos e meio. Como contaria para ele o que eu fiz? Ou melhor, onde conseguiria coragem para contar o que eu fiz??

Me levantei da cama chutando as cobertas e fui para o banheiro tentando me acalmar, tomei meu banho tentando lembrar o que havia acontecido, mas minha cabeça estava uma bagunça maior do que minha casa depois da festa.

– Filha, você está comendo tão pouco, aconteceu alguma coisa? – perguntou minha mãe durante o café da manhã.

– Como assim comeu pouco?? Ela comeu um sanduíche e meio, um pacote de bolacha e tomou meio litro de leite! – disse minha irmã mais nova Priscila.

– Normalmente ela come três sanduíches, dois pacotes de bolacha, duas maçãs e toma o litro de leite todo – minha mãe disse sorrindo. – Você e o Vinícius brigaram? – ela me perguntou fazendo uma cara séria. (Cara, como ela havia adivinhado?)

– Não mãe, não é nada muito sério, mas agora tchau, não posso me atrasar de novo pra aula e hoje vou demorar porque vou ver o Vinícius no Clube – me despedi e corri para o colégio.

As aulas passaram incrivelmente rápido e durante o intervalo fiquei pensando sobre o que deveria fazer e depois de um tempo, mesmo com medo, minha consciência falou mais alto e decidi fazer a coisa certa, pois não podia mentir para o Vinícius, sem mencionar que sou péssima para guardar segredo e precisava explicar o que havia acontecido e dizer que sentia muito.

Após o sinal, fui com André, Márcio e Thatiane buscar Arthur, Elena, Jeferson, Rayssa e Vivy para arrastar todos comigo para o Clube de Muay Thai, pois, mesmo repetindo para mim mesma que contar a verdade era a coisa certa, eu precisaria de um ombro amigo.

– Nossa, gente, hoje vocês demoraram, hein? Vamos rápido, porque quero passar no Clube de Muay Thai pra ver meu namorado. – reclamei da demora deles, mas disse empolgada.

Mas, para meu azar, o grupo acabou se separando porque Arthur precisou buscar o irmão, Elena foi para o Clube de teatro, Jeferson e Vivy foram para o Clube de artes, André e Thatiane foram direto para o Clube de karatê e apenas consegui arrastar Rayssa e Márcio (embora ele já fosse do Clube de Muay Thai).

– Pamela, minha flor, tava morrendo de saudade de você – disse Vinícius e logo me beijou docemente. (Ai, meu Deus, como eu gosto desse menino).

– Também estava com saudade, pensei em você o dia todo – disse com muita sinceridade.

– Desculpa mesmo não ter ido na sua festa e espero não ter perdido nada. – ele disse um pouco triste, cumprimentando Rayssa e Márcio .

– Sem problemas, daqui a pouco eu faço outra e não se preocupe, você não perdeu quase nada – tentei soar o mais convincente possível. – O importante é que você está melhor.

Olhei para trás e me lembrei que arrastei Rayssa e Márcio , que estavam muito quietos. Ela, meio distraída, e ele, talvez fosse só impressão minha, me olhava com uma cara meio triste, embora eu realmente não entendesse o porquê. Me senti muito culpada e lembrei por que estava ali.

– Eu e Rayssa precisamos ir para o Clube de karatê – disse com medo, mas com firmeza. – E preciso falar uma coisa muito importante para você, podemos conversar mais tarde?

Ele me olhou com insegurança e pude ver medo em seu olhar, mas ele apenas fez que sim com a cabeça.

– Bom treino meninos! – disse Rayssa.

Então, beijei a bochecha de Vinícius como sinal de despedida, arrastei Rayssa para o Clube de karatê e deixei para trás um Vinícius um pouco preocupado e um Márcio meio triste, conversando sobre mais uma competição de Muay Thai.

– O que de tão importante você tem para conversar com o Vinícius? – me perguntou Rayssa com cara de curiosa enquanto andávamos em direção ao Clube.

– Você não vai contar pra ninguém, né? – Não sei por que sempre pergunto isso quando eu mesma não consigo segurar um segredo por mais de 3 horas.

– Prometo que não conto. – ela disse com cara de séria.

– Você lembra o que fez na minha festa? – perguntei.

– Hum, que eu me lembre eu chupei um desconhecido, por quê? – ela disse envergonhada, mas sorrindo discretamente.

– Por nada em especial, é que eu só me lembro de começar a me sentir diferente e agarrei o primeiro garoto que vi e beijei ele. – confessei a Rayssa e senti uma pequena parte do peso na minha consciência ser aliviada.

– Nossa, que tenso, você vai contar pra ele ou deixar quieto? – ela me perguntou preocupada.

– Pensei bastante e decidi contar, eu realmente gosto do Vini e não consigo mentir nem guardar segredos dele, mas espero que ele me perdoe, porque realmente não sei o que deu em mim na festa.

Fomos correndo trocar nossas roupas pelos kimonos e encontramos Thatiane com uma cara de poucos amigos no vestiário, descansando, mas que se animou rapidamente com a nossa chegada e disse para nos prepararmos, porque o sensei estava um saco hoje.

Logo que saímos do vestiário, nos juntamos a André e começamos a nos alongar enquanto conversávamos e trocávamos algumas risadinhas, mas, como a Thatiane disse, hoje o sensei estava bravo e, por algum motivo, extremamente irritado comigo, mas não tive coragem de perguntar o porquê.

Assim que nosso treino acabou e colocamos nossos uniformes novamente, me despedi de Rayssa, Thatiane e André, pois não queria que eles assistissem minha confissão vergonhosa e fui lentamente para o Clube de Muay Thai, que já estava quase vazio.

Vinícius e Márcio estavam terminando seu treino, mas, depois de observarem minha chegada, seguiram para o vestiário e retornaram poucos minutos depois.

– Desculpa a demora, minha linda, vamos? – Vinícius perguntou, me dando um selinho, e tive a impressão de que Márcio , que estava ao seu lado, corou.

– Para onde? – perguntei.

– Pra minha casa, para a gente conversar aquele assunto sério. – ele respondeu.

– Okay. — eu disse já um pouco receosa.

Nos despedimos de Márcio e, antes de sairmos do Clube, olhei para trás e sorri para ele. Nesse momento, minha expressão congelou, pois realmente achei que ele estava chorando, mas posso ter visto errado, não é?

A caminhada até a casa de Vinícius normalmente não é demorada, mas nesse dia fiz de tudo para atrasar nossa chegada e me preparar mentalmente para o que aconteceria quando chegasse a hora da verdade.

– Primeiro as damas. – ele disse, abrindo a porta de sua casa para mim (Onde iria arrumar outro homem desses?) e me conduziu até seu quarto.

– Não sei como você consegue deixar seu quarto organizado, o meu está sempre uma bagunça. – disse com um sorrisinho e me sentei em sua cama.

Vinícius sentou no chão à minha frente e me perguntou – Aconteceu alguma coisa?

– Sim. – respondi com um fio de voz.

– O quê exatamente? E quando? – ele perguntou, me encarando.

– Foi na minha festa. – respondi, e meus olhos começaram a lacrimejar.

Ele se sentou ao meu lado na cama e perguntou suavemente — O que aconteceu na sua festa?

Desculpa, Vinícius, mas eu te trai. – disse com a voz fraca e lágrimas grossas escorriam pelo meu rosto. – Eu estava meio tonta e me sentindo diferente e beijei um garoto sem nem ver seu rosto, mas juro que eu não senti nada por ele, mas se você quiser terminar comigo ou me odiar, eu vou entender.

Fiquei esperando por xingamentos e palavras duras, mas ele me puxou subitamente para um abraço e fez carinho em minha cabeça enquanto minhas lágrimas molhavam sua camiseta.

– Me perdoa, por favor. – disse entre soluços.

– Eu te perdoo. – ele disse e sussurrou em meu ouvido um "Eu te amo".

– Eu também te amo, Vinícius, te amo tanto que não saberia o que fazer se te perdesse.

– Você não vai ter que se preocupar com isso, porque vou estar sempre ao seu lado. – ele disse bem baixinho, me deitando em sua cama, enquanto começamos a nos beijar calorosamente e a tirar nossas roupas.