Caitlin

A delegacia estava um tanto vazia enquanto ela caminhava lentamente em direção ao elevador. Alguns policiais lhe acenaram com a cabeça dando silenciosos bom dia, ela repetia o gesto com uma certa timidez. Não havia mandado mensagem para Barry avisando sobre sua passagem pela delegacia, talvez porque não tivesse a menor ideia do porque estar indo lá, havia deixado Emma com Cisco, Harry e Lydia no laboratório, sendo que esta última estava tentando ajudar a primeira a lembrar.

Subiu os andares sentindo um incômodo no estômago, deixar Emma, mesmo com pessoas conhecidas, estava lhe causando um certo nervosismo. Talvez fosse por isso que estava indo até Barry. De um jeito ou de outro, ele sabia exatamente o que ela estava sentindo. Saiu do elevador caminhando em direção ao laboratório dele, mas parou na porta ao notar a cena um tanto quanto peculiar. A mulher morena estava sentada sobre a mesa de Barry, lugar que o mesmo estava sentado na cadeira, a saia da mulher era um tanto curta e acabava por mostrar o início da meia calça preta, os saltos pretos balançavam de um lado para outro enquanto o corpo da mulher estava inclinado levemente em direção a Barry de maneira sugestiva. Caitlin limpou a garganta em voz alta chamado a atenção das duas pessoas a sua frente.

—Cait! — Barry exclamou se levantando da cadeira e caminhando em sua direção. Ela sorriu com uma certa irritação e sem desviar o olhar da mulher que ainda estava em cima da mesa. — O que faz aqui?

—Vim falar com você, mas acho que cheguei no momento errado. — disse um tanto incomodada com a mulher na mesa. — Desculpa.

—Não. Vem cá, deixa eu te apresentar a minha nova parceira de laboratório. — Barry a puxou pela mão até onde a mulher morena de saia curta estava. — Meena, esta é Caitlin Snow, uma das minhas melhores amigas. Cait, esta é Meena Dhawan, minha nova colega.

Caitlin sorriu de maneira educada para Meena, que retribuiu com um um sorriso azedo. Caitlin se virou para Barry para ver de ele havia notado aquela mudança de humor da sua nova colega de laboratório.

—Bom, tenho que ir falar com o detetive Flint. — Meena disse pulando da mesa e puxando a barra da saia para baixo. — Te vejo depois, Barry.

—Até depois.

Meena saiu sem olhar para Caitlin deixando a doutora um tanto incomodada com aquilo.

—Quantos anos ela tem? — indagou a Barry, ele deu de ombros e se encostou na beirada da mesa. — Ela parece bem nova.

—Talvez. — ele disse um tanto desinteressado na conversa. Caitlin franziu a testa um tanto intrigada, então notou que o olhos de Barry estavam baixos, seguiu o olhar dele e encontrou suas mãos ainda entrelaçadas. — Um encaixe perfeito, não é?

—É. — sussurrou enquanto sentia ele acariciar o dorso da sua mão com a ponta dos dedos.

—Eu estava pensando sobre aquela noite e aquela viagem.

—Não há nada para pensar Barry. Eu estou apaixonada por você, mas sei que não é recíproco, então é melhor esquecer que logo eu estarei bem novamente. — falou repassando as mesmas palavras que havia dito a si mesma durante os últimos dias.

—Eu não quero que as coisas sejam assim, Cait. Não quero perder sua amizade.

—Você não vai perder minha amizade, Barry. Independente do que aconteça ainda somos amigos, melhores amigos. — assegurou lançando um sorriso verdadeiro para ele. Não importava se estava ou não apaixonada por ele, a amizade que eles haviam construído era muito mais forte e verdadeira do que um sentimento incerto. — Não quero perder uma boa amizade por algo bobo como isso.

—Caitlin, isto não é bobagem. São seus sentimentos.

—Fico até surpresa deles ainda existirem. — brincou, Barry revirou os olhos e riu. Então a puxou para os seus braços, Caitlin se aproveitou do calor que ele emanava e relaxou deitando a cabeça no ombro dele. — Obrigada.

—Pelo o que?

—Por ter sido sincero comigo sobre isso. — sussurrou se afastando dele e lhe lançando um sorriso triste. — Sei que ainda ama Íris, mas por um segundo pensei que pudesse amar alguém como a ama, talvez por saber como é se amar e não ser correspondido. Acho que me enganei.

—Caitlin, eu…

—Barry? — a voz de Meena invadiu o cômodo. Caitlin se virou para encontrar a CSI parada na porta. — O capitão quer te ver.

—Já estou indo. — ele disse então se virou para a mulher à sua frente. — Ainda não terminamos essa conversa.

Caitlin assentiu enquanto Barry se afastava dela. Meena permaneceu no mesmo lugar até os passos de Barry sumirem completamente, então ela deu um passo à frente de disse.

—Vocês são bem próximos não são?

—Barry é apenas uma grande amigo meu. — falou apertando a alça entre os dedos já dormentes.

—Você parece querer que ele seja mais do que um amigo. — Meena disse coma voz carregada de sarcasmo.

—Sim, eu quero. Mas aprendi que Barry Allen só tem olhos para uma mulher, e esta não é nem eu ou você. Agora com licença.

Caitlin passou pela mulher saindo do laboratório com a cabeça erguida. Aquela sua última fala havia deixado Meena em choque, mas estranhamente a doutora se sentia bem por estar sendo honesta, não apenas com Meena, mas com Barry e todos a sua volta. Havia algo libertador em falar a verdade.

Seguiu pelas as escadas um tanto cansada de andar de elevador, já estava próxima do primeiro piso quando viu Barry conversar com Joe. O cientista forense acenou para ela a chamando para a conversa, Caitlin sorriu ao se aproximar deles e se posicionar ao lado de Barry, o velocista passou o braço pela sua cintura fixando a mão no seu quadril. Caitlin ignorou aquele gesto possessivo e se fixou em Joe que falava sobre Emma e Lydia.

—Essas duas ainda me parecem esconder algo. Emma perdeu a memória, já Lydia pareceu perder a cabeça. — ele disse e ela não pode deixar de rir com a piada sem graça.

—Lydia está tentando ajudar Emma a lembrar. Mas parece que Em não quer lembrar. — falou se lembrando da expressão de horror da garota ao saber como havia se acidentado.

—E aquilo que Lydia falou, sobre os Argonautas quererem transformar Central City em Pompeia. — Barry balançou a cabeça um tanto perplexo. — Não entendo por que isso.

—Acho que eu sim. Lydia falou que os Argonautas odeiam meta-humanos, Central city tem a maior concentração de metas de toda a América, e segundo algumas culturas o fogo purifica, para alguns Pompeia foi purificada pelo vulcão. Mas eu não acho que eles vão queimar toda a cidade. Seria um tanto retrógrado. — comentou seu ponto de vista fazendo os dois policiais assistirem.

—Então o que eles planejam? — Joe indagou. Caitlin deu de ombros sem saber o que dizer. Barry tirou a mão da cintura dela pronto para gesticular defendendo seu ponto quando de repente um barulho chamou a atenção de todos.

Caitlin virou-se, mas então sentiu-se empurrada para baixo. Fechou os olhos a ouvir o barulho dos tiros quebrando os vidros que cruzavam os caminhos das balas. Apertou o braço de Barry deixando marcas de unhas em sua pele.

—Seus sete dias estão acabando. — a voz disse. Caitlin então se lembrou de ouvir a mesma voz naquela noite na casa de Oliver. Tentou virar a cabeça para ver se conseguia enxergar algo um rosto, porém a sessão de tiros recomeçou. — Tragam-na ou será pior para todos.

Então novamente os tiros soaram e Caitlin fechou os olhos novamente se deixando embalar pelos braços de Barry.

[...]

Ela se sentou no sofá segurando o algodão molhado com álcool e a agulha com a linha. Barry ergueu a blusa mostrando Onde a bala havia passado de raspão, Caitlin balançou a cabeça murmurando algo sobre a incompetência do homem mais rápido do mundo em desviar de uma simples bala.

—Estava te protegendo, isso não conta?

—Não quando se coloca sua própria vida em risco. — retrucou fechando o ponto e se levantando para limpar as mãos sujas de sangue. Barry a seguiu. — Sei que sempre vai tentar me proteger, mas pensei um pouco antes de se arriscar por mim. Não valho tanto assim.

Barry se apoiou na mesa da cozinha a encarando fixamente.

—Eu gosto de você, Cait. — ele disse.

—Não seríamos amigos se você não gostasse.

—Quando você disse que estava apaixonada por mim, eu realmente não soube como reagir. Catlin você já passou por tantas coisas que eu não queria e nem quero partir seu coração. Mas não posso deixar de admitir que sinto algo por você, estava tentando ignorar por um tempo, mas não sei se consigo mais.

—O que quer dizer com isso? — indagou. Barry a puxou pela cintura a virando em sua direção, então subitamente a colocou sentada na bancada da pia. Caitlin não hesitou quando ele lhe tomou os lábios em um beijo necessário.

—Eu não estou apaixonado por você, mas isso é uma droga, porque eu quero estar com você. Quero te beijar o tempo todo e te tocar sempre que puder. — Barry falou acariciando o rosto dela e retirando algumas mechas do cabelo que caiam à frente dos seus olhos. — Mas não posso fazer isso se não sentir nada por você, porque eu não seria capaz de me perdoar por estar te usando assim. Eu quero me apaixonar por você, Caitlin.

—Ninguém pode querer se apaixonar por alguém. Você sabe muito bem que não é assim que as coisas funcionam. — disse com um certo anseio, Barry umedeceu os lábios. — Eu entendo que o coração é uma coisa complicada, e sei que é impossível eu me apaixonar por você agora. Principalmente com o meu divórcio sendo tão recente, mas eu não amo mais a Iris como costumava amar, porém também não amo você como deveria. Eu quero me apaixonar por você, me deixa me apaixonar por você? Me faz me apaixonar por você. Eu não me importo quanto tempo demore, não importo se acabarei saindo machucando disso, apenas me deixe aprender a te amar como você merece. Caitlin Snow, por favor, me ensina a te amar. — ele implorou.

Caitlin não soube o que falar, aquele era um pedido um tanto inusitado,e não sabia se podia ou não fazer aquilo por Barry. Seu coração batia acelerado, quando ela então levou a mão até a nuca dele e o puxou para perto selando seus lábios novamente. Aquela era afirmação que ele precisava.

Aprofundou o beijo com urgência enquanto envolvia as pernas na cintura dele tentando extinguir o espaço entre eles. Barry parecia compartilha da mesma urgência que ela pois logo a tirou de cima da pia e segurou com forças suas coxas. Usando a sua velocidade Barry a levou até o sofá a deitando com cuidado. Ele desceu os beijos pelo pescoço dela enquanto ela puxava a blusa dele para cima. Riu de maneira frenética quando os botões da blusa social que ele usava voaram para todos os lados. Barry apoiou a cabeça no ombro dela abafando sua risada com um beijo acima do seio. Caitlin ofegou engolindo seco e sentiu Barry sorrir contra sua pele.

[...]

—São três da manhã. Diga-me quem fica acordado até as três da manhã jogando cartas?

Caitlin riu pegando mais uma carta do montante* e decidindo se iniciaria ou não um novo jogo.

—Mas foi você que disse que seria ótimo fazer algo produtivo. — argumento lembrando das palavras dele um pouco antes deles se levantarem do sofá.

—Eu estava falando de striper poker, não disso. — Barry retrucou em tom de brincadeira.

—Bar, eu estou apenas com um peça de roupa, que no caso é a sua camiseta, se eu perdesse já ficaria pelada. — disse sem desviar o olhar do leque de cartas em sua mão. Aquela conversa estava no linear da bobagem e da estranheza.

—E é exatamente por isso que striper poker é ótimo.

Caitlin revirou os olhos diante de tal argumento. Barry riu e jogou suas cartas em cima da mesinha de centro antes de se arrastar até ela e a puxar para seu colo.

—Sabe, eu estava pensando em uma coisa. — disse enquanto ele distribuía beijos no pescoço desnudo dela.

—O que?

—Quando os Argonautas atacaram a delegacia eles disseram, Tragam-na, eles não estavam falando sobre algo, mas sobre alguém. — falou, Barry assentiu parecendo entender seu raciocínio. — Eles estão atrás de uma pessoa, mas os únicos ataques foram aquele que nos levou até Emma, aquele ao armazém onde a achamos e este a delegacia. O único elo entre estes três ataques, ou pelo menos dois deles, é Emma.

—Você acha que eles estão atrás dela? Mas por que ir atrás de uma criança inocente?

Caitlin deu de ombros. Já havia formulado está teoria a muito tempo, mas apenas agora havia conseguido unir alguns fios soltos.

—Emma não é uma criança Barry. E assim como Lydia, ela sabe muito mais do que está falando.

—Você acha que Emma está mentindo para nós? — ele indagou.

—Queria poder dizer que não, mas sinto que sim. Emma está escondendo algo, e eu tenho quase certeza que é sobre os Argonautas.