Troublemaker
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—Rápida pergunta, você gosta do Barry?
Caitlin tossiu ao se engasgar com o café, então respirou fundo e olhou para Emma, esta sorriu vagarosamente piscando os olhos como se tivesse perguntado apenas que horas eram.
—De onde tirou isso?
—Esta meio que não cara que vocês tem uma sintonia muito forte e eu apreciou muito jeito como parecem se importar um com o outro. Então, você gosta do Barry?
—Não. Eu não gosto do Barry desta maneira. Sim, a gente se preocupa muito um com o outro, mas é apenas carinho e respeito.
—Sabia que a forma mais bonita de amor é aquela derivada do respeito. Quando respeitamos alguém significa que admiramos a pessoa e também é pela admiração que o amor nasce, então consequentemente o que você sente pelo Barry é amor. — explicou terminando tudo com um sorriso.
—Uou, de onde saiu tudo isso? É desde de quando você sabe isso sobre o amor?
—Eu não sei, apenas deduzi. — deu de ombros. — Gosto do amor, acho que é tudo o que temos quando o resto vai embora.
—Você já amou por acaso?
—Não sei, não lembro. Mas sei que sinto aqui dentro e é isso que importa. Não precisa admitir em voz alta que ama ele, pois primeiro precisa admitir a si mesma que o ama para depois assumir para os outros.
Caitlin abriu a boca para rebater aquilo, mas parecia sem palavras. Emma sorriu vitoriosa.
—Vá pro seu quarto e troque de roupa ou chegaremos ao laboratório hoje. — a doutora ordenou.
Emma se levantou da mesa sorrindo e caminhou até o seu quarto. Trocou o pijama por um macacão e calçou os tênis amarelo.
Caitlin dirigiu até o laboratório em silêncio. Emma se perguntou se havia mexido com a cabeça de sua mãe ao perguntar sobre Barry. Se lembrava-se de todas as histórias que havia escutado, seus pais haviam se apaixonado sem perceber, ou como seu tio Cisco gostava de falar, eles entraram em um labirinto sabendo que no fim acabariam encontrando-se.
Emma era uma romântica incorrigível. Amava o amor tanto quanto amava a si mesma.
—O que você tem? — Cisco indagou.
—Nada, apenas estou cansada de ficar aqui sem fazer nada. — disse apoiando o queixo nas palmas abertas.
—Não podemos deixar você sair sozinha, Emma. Não queremos que você se perca. — Caitlin falou se sentando a frente dela. — Mas podemos ir à algum lugar. Que tal ao cinema?
—Seria legal sair um pouco, ver pessoas, já estou enjoando a cara de vocês. — brincou fazendo os discos adultos rirem. — Podemos convidar Barry?
—Pode ser, faz um tempo que não saímos juntos e vai ser ótimo para ele esfriar a cabeça. — Caitlin disse já pegando o celular e digitando. Emma olhou para Cisco que tinha os olhos fixos na doutora, ele arqueou a sobrancelha um pouco quando ela disse riu para a tela do celular.
—O que foi? — Cisco indagou, curioso.
—Nada. Apenas uma coisa que Barry me disse.
—Deve ser algo muito engraçado pois seus olhos estão sorrindo. — Emma falou fazendo Caitlin a encarar com os olhos semicerrados com aquele típico olhar de cale a boca querida. — Então, que horas vamos?
[...]
Emma observou a cena estranha de luta que se passava na tela pensando como diabos ela havia ido parar ali, sentada na quinta fileira de cima para baixo na sétima cadeira entre um nerd com espinhas que soltava um gemido cada vez que a atriz que interpretava a personagem que era inspirada em uma série de HQ, e um casal que não parava de se beijar, beijo estilo desentupidor de pia. Então ela olhou para a frente e se lembrou porque havia pulado uma fileira para trás. Barry estava ao lado de Caitlin conversando entre sussurros, Cisco que estava na fileira à frente dos dois assistindo ao filme entretido.
Emma torceu a boca observando seus pais, se lembrou do que seu avô havia falado certa vez, o amor está nos mínimos detalhes. E ela sabia que aqueles dois se amavam pelos detalhes.
—Você não pode salvar o mundo sozinha. — a personagem loira do filme que atendia pelo nome de Morgana disse a a outra personagem morena que se chamava Malik.
—Eu sei, mas não estou sozinha...Tenho eles e eles tem a mim.
Emma revirou os olhos, super-heróis eram dramáticos demais. E ela sabia disso porque convivia com muitos deles.
—E ele, e Jason? Ele sabe que você irá? Ele sabe quem você é?
—Jason não precisa saber quem eu sou…
—Ele apenas precisa saber que eu o amo. — o nerd do lado esquerdo recitou a fala e Emma começou se questionar quantas vezes ele havia ido ver aquele filme.
—Deus me leva. — resmungou baixo se jogando contra o estofado da cadeira.
—Diga a ele. Diga que a sua mãe sempre o amou.— Malik pediu estendo a mão para Morgana, era seu último pedido.
—Ele sabe.
Emma respirou fundo se reprimindo por o que logo iria fazer, se inclinou para frente e se colocou entre Caitlin e Barry.
—Já está perto de terminar?
—Mais uns dez minutos, por que? — Barry indagou em um sussurro.
—Porque existem pessoas que não tem a menor idéia do que significa ficar em silêncio. — resmungou irritada, o nerd ao seu lado fez shiii pedindo silêncio. Emma revirou os olhos. — Posso sair, fico lá fora quieta e sentada no chão. Apenas não aguento mais.
—Ok, eu vou com você. — Caitlin disse já pegando a bolsa.
—Não precisa, fica aqui com Barry que eu fico lá fora, eu juro que não vou sair por aí que nem uma louca já que eu realmente não tenho a menor idéia para onde ir. — falou e se levantou saindo sem esperar qualquer protesto da parte de Caitlin, aproveitou o momento em que passo à frente do casal barulhento e usou seus poderes para congelar as línguas deles no meio do ato. Riu baixo quando ouviu os resmungos e grunhido deles.
Abriu a porta e saiu da sala. O Hall do cinema estava vazio, o sol iluminava o chão de ladrilhos coloridos em vermelho e branco. Emma passou pela porta e sentiu o vento maravilhoso daquele dia. Várias pessoas passavam pela calçada conversando entre si ou correndo para seus empregos. Emma observou como lentamente as folhas da árvore balançavam, como a criança brincava com a borboleta e o bebê no carrinho sorria para a mãe. Havia aprendido que às vezes era melhor apenas observar o tempo passar a passar correndo por ele.
—Ah droga. — alguém resmungou, Emma se virou levemente para trás. Caitlin havia deixado a bolsa cair no chão e estava agachada recolhendo os objetos, Barry estava ao seu lado catando os pedaços do espelho que havia se quebrado, então ele rapidamente ergueu a mão fazendo uma careta.
—Porra, acho que me cortei.
Caitlin riu e puxou a mão dele analisando o corte. Emma observou a cena, notou como a mão de sua mãe tremia levemente ao tocar a pele de Barry, notou como seu pai desviava o olhar evitando encarar o rosto avermelhado de Caitlin, notou como os dois pareciam manter uma certa distância entre eles mesmo que estivessem próximos o suficiente para os corações batendo na mesma sintonia, ela também notou quando o corte cicatrizou, porém eles ainda continuaram de mãos dadas e notou Cisco que também observava o casal. Aqueles dois obviamente tinham sentimentos bem maiores do que entendia, apenas não sabiam expressar.
[...]
Emma tentou do fundo do coração não arrancar a cabeça de Lydia quando chegou no apartamento e encontrou outro novo vagalume de Camille. A projeção em alta definição de Lydia começou a lhe dar um sermão sobre como o tecido da realidade estava se rompendo lentamente enquanto ela brincava de cupido e que deveria para seja lá o que estivesse fazendo e deixar o tempo voltar ao normal ou acabaria piorando tudo.
Lydia Lance havia puxado o que de pior existia em Sara Lance, o totalitarismo. Ambas tinham uma pequena mania de querer total controle da situação, até de situações que elas não faziam parte diretamente. Lydia também havia puxado uma característica da personalidade de seu pai, a distinção da moralidade, Emma odiava aquilo nela.
—Emma o jantar está pronto. — Caitlin disse, a garota de apressou para guardar o vagalume junto com o outro e sair do quarto. Se fosse em outra época muito provavelmente o chamado seria em forma de um grito alto que acordaria metade da vizinhança.
—Comida chinesa. — observou as caixas abertas na pia e os pratos cheios na mesa. — Por que você não aprende a cozinhar? Não que eu esteja reclamando, longe disso, mas é sempre bom aprender coisas novas.
—Não tenho tempo. — a doutora disse dando de ombros e se servindo.
—Você não vai querer cozinhar para seus filhos? — insistiu sabendo que havia cutucado no lugar certo, sua mãe havia revelado uma vez que por um certo tempo ela não cogitou ter filhos, mas ela, Emma, havia chegado para mudar aquele pensamento.
—Não sei se vou querer ter filhos.
—Por que não? Crianças são maravilhosas, vai que você ganha uma filha tão esplêndida quanto eu. — brincou jogando o cabelo para as costas e fazendo Caitlin rir.
—Eu teria sorte de ter uma filha como você.
—Qualquer um tem sorte de me ter. Mas voltando ao assunto, Caitlin, você com certeza seria uma ótima mãe, a melhor do mundo. — disse estendo a mão para colocar sobre a da doutora. — Você esteve cuidando de mim durante todos esses dias, tem sido tão generosa comigo e me tratado tão bem. Não lembro de muita coisa, mas sei que nunca me senti tão bem tratada assim antes, você é brilhante e esperta, Barry tem sorte de ter você ao lado. Obrigada por ser assim. Obrigada mesmo.
Caitlin parecia sem palavras diante daquilo, mas então ela se recompôs e disse.
—Quando era pequena meu pai me contou uma história sobre uma pequena estrela que caia na terra e se perdia de sua família. Esta estrelinha era achada por um casal que não podia ter filhos e eles cuidavam dela com se fosse deles, eles ensinaram a estrelinha tudo o que sabia a preparando para o mundo lá fora. A estrelinha havia se machucado na queda e não tinha como voar até sua família, por isso não negou a ajuda do casal, então quando ela ficou forte o suficiente para voar o casal a levou até uma campina onde se podia podia ver o céu todo estrelado e a deixou ir, mas antes antes a estrelinha afirmou que nunca esqueceria deles e quando estivesse com saudades ou perdidos era apenas olhar pro céu que a estrela mais brilhante seria ela.
—Por que está me contando isso? — indagou sorrindo encantada com a história.
—Porque o nome da estrelinha era Emma. E assim como ela, você está aqui por algum propósito que eu ainda não sei. Mas não se preocupe, vamos te levar pra casa.
Emma sorriu agradecia, porém no fundo de sua mente aquela frase ressoava, Vamos te levar pra casa, mas ela já estava em casa.
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