Troublemaker
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Notas iniciais
Emma piscou abrindo os olhos lentamente até se acostumar com a luz forte. Apoiou as mãos na cama e tentou se sentar, mas parou ao sentir o corpo dolorido, era como se tivesse apanhado novamente de Aaron.
—Não se esforce, seu corpo ainda está fraco. — Caitlin disse segurando seu braço e ajudando a se sentar. Emma bufou.
—Aqui estou novamente na minha doce cama. — dramatizou, Caitlin revirou os olhos rindo e se afastou dela caminhando até Barry. — O que aconteceu?
—Sua pressão baixou e você desmaiou. — Barry disse.
—Minha cabeça ainda dói. — falou colocando a mão na lateral do rosto. — Dói muito.
—Vou te dar um remédio para melhorar. — Caitlin disse.
Emma assentiu.
—Você nos deu um susto sininho. — Cisco falou com a mão sobre o coração de maneira dramática. Barry riu apoiando a cabeça no ombro de Caitlin e ela bateu levemente na cabeça dele também rindo. A cumplicidade e simplicidade naquele gesto fez Emma sorrir, talvez ela tivesse parado no lugar certo, talvez estivesse no momento em que eles começaram a se apaixonar.
Virou para Cisco que também observava o casal com um olhar intrigado.
—Alguém quer me levar pra comer? — indagou. — Tô aceitando qualquer coisa.
—Vamos a Jitters, vou chamar Oliver e Felicity. — Barry disse se afastando de Caitlin.
Emma chamou Cisco com a mão para ajudar a se levantar. Calçou os sapatos e seguiu Caitlin. Encontraram Oliver e Felicity perto do elevador junto com Barry. Assim os seis seguiram de carro para a cafeteria, Emma foi direto para o balcão junto com Cisco.
—Bom dia em que posso ajudar? — a atendente indagou sorrindo.
—Eu quero um Flash, um Frost e um Vibe misturado. — pediu, a atendente fez uma cara de estranhamento, Emma riu. — Sei que é exótico, mas fica muito bom.
—Ok. Um trio estranhamente perfeito saindo. — a mulher falou sorrindo sem jeito e então se virou para Cisco. Ele começou a lista de pedidos, um Frappuccino para Felicity, um expresso para Oliver, um cappuccino para Barry, um chocolate quente para Caitlin.
—E qual a novidade da semana? — ele indagou.
—Temos o Green Arrow. — a atendente falou apontando para o banner posicionando de forma discreta atrás dela. — Café forte com licor de menta.
—Uhm. Parece bom. — Cisco bateu o dedo contra o queixo. — Vou querer.
Emma olhou para a foto da bebida, um copo com um líquido escuro e uma espuma clara por cima com uma folha de menta boiando.
—Daqui a pouco a Liga da Justiça está toda aqui. — sussurrou olhando para o cardápio especial dos super-heróis.
—O que? Você falou alguma coisa? — Cisco indagou.
—Nada, apenas pensando em voz alta. — murmurou.
[...]
O relógio marcava dezenove horas e seu tic-tac incomodava Emma. Nunca foi a pessoa mais paciente do mundo, seus pais faziam questão de frisar isso muitas vezes. Sua paciência era tão pouco que certa vez chegou a ameaçar empurrar Henry escada abaixo e iria cumprir se sua mãe não tivesse ameaçado coloca-la de castigo pelo resto da vida.
—Emma?
Balançou a cabeça olhando para Cisco.
—O que?
—Estou te chamando há horas. Onde você estava?
—Pensando nos meus pais. — disse fazendo ele a olhar intrigado.
—Mas você não se lembra deles.
Emma torceu a boca incerta. Ela sabia que seus pais confiaram suas vidas a Cisco, tanto quanto seu tio confiava a vida a eles. Emma sabia que aquele tipo de confiança só era possível depois de muitos anos de convivência e companheirismo. Ela havia aprendido a confiar somente em quem confiava nela, e Cisco confiava nela, pelo menos a versão futura dele.
—Você consegue guardar um segredo? — indagou, ele assentiu estranhando aquela conversa.
—Que tipo de segredo?
—Um segredo que ninguém deveria saber. Eu me lembro Cisco. Eu me lembro de tudo.
—Eu sabia! — ele disse erguendo os punhos para cima depois os abaixando e olhando irritado para ela. — Você está mentindo pra gente!
—Não! Apenas ocultando fatos que vocês não deveriam saber. Não alterar a linha temporal, não quero causar um Flashpoint igual ao papai.
Cisco franziu a testa confuso com a frase dela, então ele pareceu notar o que ela queria dizer, abriu surpreso e abafou o grito.
—Você é filha do Barry?!
—Como mamãe sempre fala, o sangue não nega. Nem a fome descontrolada. — disse colocando as mãos sobre a barriga. — Tio, eu quero muito explicar, mas agora estou com muita fome. Tem alguma coisa pra mim comer?
—Cheetos! Eu tenho cheetos. — ele falou pegando rapidamente o pacote do salgadinho ainda fechado e lhe entregando. Emma abriu colocando a mão cheia dentro da boca. — Agora explica tudo bem direitinho. Começando com: como você chegou aqui?
—Então, tudo começou quando eu aceitei ir para as montanhas com os meus amigos…
[...]
—'Cause you're a sky, 'cause you're a sky full of stars.
Emma arqueou a sobrancelha com o tom animado de sua mãe. Apoiou o queixo na mão e observou ela remexer a cintura no ritmo da música.
—I'm gonna give you my heart.
Ela riu o canto desafiando de Caitlin, se lembrava das horas que passavam cozinhando juntas, dos biscoitos e tortas queimadas, dos gritos de Henry e Zoe, dá risada de Barry e dos latidos de Bubble.
—Você canta animada, isso compensa sua falta de afinação. — disse fazendo Caitlin lhe mostrar a língua. A campainha tocou e a doutora rapidamente deixou a panela que estava sobre o fogão de lado e caminhou até a porta.
—Barry!
Emma se virou encarando a figura sorridente de seu pai parado na porta.
—Oi.
—O que você tá fazendo aqui? — Caitlin indagou.
—Vim ver vocês, posso entrar?
A doutora assentiu e abriu espaço para ele entrar. Emma acenou com a ponta dos dedos e sorriu. Rapidamente eles entraram em uma conversa sobre o jantar que Caitlin tentava preparar, Barry se ofereceu para ajudar e ela aceitou sem pensar duas vezes.
Emma parou e ficou apenas observando seus pais conversando animadamente. Os gestos, os toques e os sorrisos eram os mais verdadeiros possíveis. Embora Emma sentisse algo estranho entre eles, como, figurativamente, um elefante no meio da sala.
Se levantou da cadeira e seguiu em direção ao seu quarto, abriu a porta e encarou a cama de casal bagunçada, não havia tido tempo para ajeitar aquele cômodo. Se sentou na cama e jogou a cabeça pra frente usando seu cabelo como uma cortina.
Então pelo canto só olhou viu um brilho diferente, algo piscava perto da janela. Ergueu a cabeça e caminhou até a janela se agachando para pegar o pequeno pontinho de luz, primeiro achou que era um vaga-lume ou algum animal fosforescente, porém notou que o inseto na verdade era uma máquina minúscula. O lembrança avançou sobre sua mente e lembrou do gravador que Camille havia criado meses antes. O aparelho em sua mão apitou e uma pequena luz saiu dela se transformando em uma imagem holográfica em 3d.
—Oi Emma. — Lydia Lance disse sorrindo alegremente, metade do cabelo loiro caído sobre os ombros enquanto a outra metade estava presa no topo da cabeça. Os olhos azuis brilhavam destacavam as bochechas coradas e o sorriso branco. Lydia era muito parecida com Sara, porém todos diziam que ela havia herdado o otimismo e toda a personalidade de seu pai. — Se estiver vendo muito provavelmente o vaga lume de Cami lhe achou, o que eu simplesmente vou achar incrível, mas se você estiver ouvindo significa que você está perdida em algum lugar do passado e muito provavelmente estará nervosa. Isto é apenas para lhe dizer que não precisa se preocupar, pois logo te acharemos. Espero que esteja bem minha amiga.
O holograma desligou deixando Emma com o coração na mão. Apertou o aparelho em sua mão e o colocou no bolso. Se seus amigos estavam atrás dela, muito provavelmente acabaria dando mais merda do que já estava dando.
Voltou para sala e se apoiou na parede olhando para Caitlin e Barry, os dois riam sobre alguma coisa enquanto mexiam em panelas diferentes no fogão, lado a lado, conversando como iguais. Sorriu, eles mal sabiam o que o destino aguardava para eles.
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