Emma Allen tinha apenas duas certezas na vida, a primeira era que medicina não era sua área favorita, primeiro por odiar sangue e segundo por não conseguir cuidar de ninguém, e Liz, sua tartaruga de estimação morta anos antes, era a prova morta disso. E já a segunda certeza era que, por mais que tentasse, ela não conseguia ser tão diferente de seus pais como queria.

Segundo a série de feedbacks que recebia anualmente no natal, ela tinha os olhos de seu pai, já seu nariz e o formato de seu rosto eram muito parecidos com o de sua mãe, o cabelo loiro cobre era uma mistura de seus pais. Ela não podia negar o qual encantada ficava quando lhe falavam o quão parecida com sua mãe ela era, Caitlin Allen tinha uma beleza quase sobrenatural, ela não era parecida com ninguém que Emma conhecia e de tão bela que era acabava se destacando na multidão.

Emma observou enquanto Barry tirava suas digitais, olhou para a ponta dos dedos sujas de tinta preta.

—Isso sai? — indagou, ele riu de sua inocência. Estava tão acostumada com os scanner que era estranho ver algo tão antiquado quanto aquilo.

—Não se preocupe, seus dedos estão seguros.

Ela ergueu o lábio em um sorriso contido.

—Quando eu vou poder ir?

—A usando descobrirmos de onde você é, como chegou aqui e quem é você.

Emma torceu a boca olhando para os lados e recolhendo as mãos no colo.

—Onde vocês me acharam?

—Em um armazém abandonado. — ele disse um tanto evasivo, Emma semicerrou os olhos.

—E o que você estava fazendo no armazém?

Barry passou a mão pela nuca. Emma sabia que ele só fazia aquilo quando estava muito nervoso.

—Sou CIS, tenho meus deveres. Mas você tem que descansar agora. Durma um pouco Emma, depois a gente se vê. — ele disse recolhendo seus matérias e saindo, Emma esperou alguns segundos para ter a certeza de que ele não irá voltar ou qualquer pessoa iria entrar, quando teve está certeza, respirou fundo e ergueu a mão. As cicatrizes estavam em processo de cura, mas o brasão ainda estava lá, parecia cravado em sua pele.

A névoa lentamente envolveu sua mão, o frio lhe trouxe uma sensação de alívio, seu corpo começou a relaxar enquanto ia resfriando. Sabia que assim se curaria mais rápido, juntando os poderes de sua mãe com o de seu pai logo estaria fora dali. Mas por enquanto precisava de um plano. Um bom plano.

[...]

Emma jogou os pés para o lado e com a ajuda de Caitlin colocou seus pés no chão. Sorriu feliz por sentir o chão frio contra sua pele. Finalmente deixaria a cama de lado, havia passado quase dois dias deitada, sendo cuidada apenas por Caitlin, alimentada com sopas e tomando remédios para dor de hora em hora. Mas Harry havia observado no início da manhã, as vértebras já haviam de ajeitado e o inchaço em sua coluna havia sumido, segundo Cisco, ela já estava pronta para outra, mas Emma não queria outra rodada como aquela.

—Você não sabe o quanto estou feliz por finalmente sentir meus pés no chão. — disse arrancando uma risada de Caitlin.

—Posso até imaginar. Agora troque de roupa que Barry e Joe querem conversar com você. — Caitlin falou apontando para a muda de roupa em cima da cama e então saindo pela porta. Emma desdobrou as roupas encontrando uma calça jeans em um tom de azul claro e uma blusa de manga com desenhos geométricos coloridos, também havia um par de sapatilhas pretas e um cardigan amarelo. Tirou a camisola do laboratório que usava e sentiu algo frio contra sua pele acima de seus seios abaixou o olhar e tocou levemente a pedra vermelha que estava presa ao cordão que envolvia seu pescoço, havia ganhando aquilo quando ainda era um bebê na maternidade. Seu pai havia dado a ela e a sua mãe colocares idênticos com pedras irmãs, por assim dizer, aquilo marcava o início da família deles.

Vestiu a roupa e rapidamente saiu em direção ao córtex, seguiu as vozes altas e encontrou sua família. Parou na porta observando enquanto Cisco discutia algo com Harry e Caitlin tentava apaziguar a situação, o que era em vão já que Emma sabia perfeitamente que aquelas discussões não os levava a lugar nenhum. Se lembrava que seu pai sempre falava sobre como Harry e Cisco tinham uma sintonia incrível, e brigavam apenas para disfarçar aquilo. Cindy havia falado mil vezes que eles eram almas gêmeas apenas não queriam admitir.

—E é por isso que eu quero te jogar no centro de um vulcão. — Cisco grunhiu fazendo Harry revirar os olhos.

—Garotos por favor. Chega de infantilidades. — Caitlin pediu, ela estava sentada sobre a mesa central, Barry ao seu lado riu com o pedido e acabou levando um leve tapa no ombro.

Emma continuou a observa-los até Joe notar sua presença ali.

—Emma está melhor? — ele indagou, ela assentiu. — Ótimo, temos algumas perguntas para lhe fazer. Venha sentar.

Joe indicou uma das cadeiras vazias e ela seguiu até ela ainda observando tudo ao seu redor.

—Emma preciso que me diga tudo o que se lembra. — Barry pediu puxando uma cadeira para ficar à frente dela.

—Eu já disse, só lembro do clarão e dos gritos. — insistiu, não queria mentir mais do que o necessário, pois sabia que se fizesse isso quando voltasse para o futuro seu castigo aumentaria.

—Se esforce um pouco por favor. — Caitlin pediu se agachando ao seu lado, ela então tomou sua mão e virou a palma revelado a marca do brasão, Emma fixou seus olhos na mão e engoliu seco. — Você se lembra como isso aconteceu.

—Acho que segurei algo com muita força. — disse. — E acabei machucando minha mão.

—Você sabe o que significa isso?

Negou com a cabeça. O brasão em sua mão era composto apenas de três coisas, o contorno de um barco, uma palavra e grego e o círculo aí redor de tudo. Emma sabia que a palavra em grego significava Argo, ela também sabia muito bem a lenda que envolvia aquele brasão. Mas não podia contar, eles tinham que descobrir tudo sozinhos.

—Então voltamos a estaca zero de novo. — Cisco resmungou, Harry retrucou de maneira ácida e ambos começaram a discutir novamente. Caitlin revirou os olhos.

—Posso comer alguma coisa? — indagou olhando para Barry que franziu a testa.

—Mas você acabou de tomar café.

—É, só que eu ainda estou com fome. — disse fazendo os três que ainda prestavam atenção nela rirem.

—Ok, eu vou buscar algo. — Barry falou. — Já experimentou o Flash expresso? — Emma arqueou a sobrancelha e sorriu. — Ah claro, você não lembra. Mas você vai amar.

—Traz um pra mim também. — Caitlin pediu. — E três donuts com cobertura de chocolate.

—Eu quero um Vibe! — Cisco disse interrompendo sua discussão com Harry, que pediu um Flash Reverso e Joe um Kid Flash.

Emma riu com aquilo, os pedidos que deveriam ser no mínimo comuns para outras pessoas, para eles era apenas uma reafirmação de suas glórias na cidade. Embora amasse o Flash expresso, preferia muito mais o Canário Negro, chocolate quente misturado pedaços de marshmallows e um toque de licor de cereja, já Tommy sempre pedia Green Arrow, café preto aromatizado com menta.

Henry preferia um Killer Frost, já Zoe, um Zoom, para o desespero de seu pai.

Apoiou o queixo sobre a palma aberta e usou a ponta dos pés para girar a cadeira. Olhou para Joe e Caitlin que conversavam sobre Cecile e o pequeno Daniel, Emma sorriu, ela amava sua avó e seu tio. Joe contou sobre como os dentes de Danny estavam nascendo e como isso incomodava o bebê, se seu tio ainda era um bebê significava que ela estavam mais longe de seu ano de origem do que imaginava. O toque do celular atraiu sua atenção.

—É Iris, eu preciso atender. — Joe disse se afastando de Caitlin e saindo da sala.

—Quem é Iris? — indagou em voz alta.

—É a filha mais velha de Joe, ela está passando uma temporada longe daqui. — Caitlin explicou.

—Por que? — questionou e pode perceber como clima ficou mais tenso, Caitlin olhou para Cisco.

—Coisas acontecem e Iris achou melhor sair um pouco daqui. — o engenheiro disse.

—Que tipos de coisas aconteceram? — perguntou como insistência.

—Você pergunta demais. — Harry falou em um tom de repreensão. Emma ao invés de ficar chateada, apenas riu quebrado o clima tenso.

Barry apareceu segundos depois de encerrarem a conversa, Emma ficou agradecida quando ele lhe estendeu uma caixa com os donuts e o copo de isopor com o Flash expresso. Ela tomou um gole deixando o café escorrer pela sua garganta e o gosto se impregnar em sua boca.

—Isto é bom. — disse olhando para o copo de isopor que tinha o símbolo do Flash.

—Com certeza é. — Barry falou entregando a Caitlin outro copo com o mesmo símbolo. — Mas às vezes eu prefiro o Killer Frost.

Emma então notou que o copo dele era diferente, era de plástico com o desenho de um floco de neve, o líquido dentro era mais claro do que aquele que estava no copo na mão dela.

—Caitlin e Barry sempre fazem isso. — Cisco disse. — Quando ela toma um Flash, ele toma um Frost, e vice-versa.

Emma olhou para ele com as sobrancelhas arqueadas. E depois ele dizia que eles não eram um casal.

—Cisco me dá um pouco do teu café. — pediu, ele então lhe estendeu o copo, Emma colocou o seu próprio copo em cima da mesa e lentamente derramou um pouco do café de Cisco dentro do seu, então se virou pra Barry e pegou o seu Killer Frost fazendo a mesma coisa que havia feito com o café Vibe. Então uma aroma diferente emergiu do café depois dele misturado. Emma ergueu a cabeça olhando para todos que a encaravam com um olhar intrigado e confusos, ela então pegou seu café e tomou, os gosto era diferente, mas não ruim, na verdade era muito bom. — Quem imaginaria que estes três juntos dariam uma combinação tão boa.

Barry, Caitlin e Cisco trocaram olhares e sorriram. A combinação era perfeita.