Troublemaker

40 Dias de Recomeços


Notas iniciais
Oláaaaa amores ♥ Como vocês estão? :D Não, eu não morri, nem desapareci, e muito menos desisti da fic! SAHUSHAUASHus' me perdoem a demora, ultimamente tá difícil a vida... D: O capítulo de hoje está MUITO GRANDE!!! E eu espero que isso compense um pouquinho minha demora de praticamente um mês... :X Ele foi feito com todo o carinho, e é narrado inteiramente pela Lucy ;D Tomara que vocês gostem ♥ Então, boa leitura *3*

— Natsu? – O chamei, um pouco receosa.

A porta de seu quarto estava fechada, e o silêncio lá dentro era enorme, mas eu sabia que ele estava ali. Entretanto, não respondeu ao meu chamado.

Bati em sua porta e o chamei mais alto, e de novo só escutei o silêncio. Então, sem pestanejar, abri a porta e o observei pela pequena fresta que deixei, vendo-o deitado sem camisa em sua cama, com fones no ouvido.

Sem qualquer permissão, decidi entrar, e eu esperava que isso não o chateasse.

Andei cuidadosamente até ele, sentei ao seu lado e observei que uma lágrima solitária descia por suas bochechas, enquanto ele estava de olhos fechados. Permaneceu assim até mesmo quando eu sequei sua lágrima, e pegou minha mão de seu rosto para beijar a minha palma ternamente, carinhoso do jeito dele.

Com a outra mão livre lhe tirei um dos fones, para que ele me escutasse, e para que eu escutasse a música que o deixou daquele jeito.

— Achei que ia sair com os outros… – Ele resmungou, abrindo os olhos só para me olhar daquela forma intensa que só Natsu conseguia.

— Eu ia. – Respondi, rindo ao ver que ele escutava uma música do Justin Timberlake que uma vez cantarolou para mim. Era por isso que chorava? – Eu vou, na verdade, mas fiquei pra te convencer a ir comigo. – Falei, acariciando seus cabelos tão macios.

— Não me leve a mal, Lucy, mas é perda de tempo. Não quero ir a lugar nenhum, só quero ficar sozinho. – Ele resmungou, voltando a fechar os olhos e tentando, inutilmente, fingir que não escutaria nenhuma palavra que eu dissesse.

Eu já sabia que Natsu era teimoso do modo dele, mas eu sabia que não era só isso. Não era só a teimosia que o fazia se recusar a sair pra qualquer lugar ultimamente, e eu precisava descobrir o motivo.

Estávamos em um domingo, e eu já sabia que para o Igneel era o dia da família, sempre saíamos juntos para algum lugar e ele nunca aceitava um não de nenhum dos filhos, todos sem qualquer exceção tinham que ir, e mesmo com reclamações, todos iam. Mas aquele domingo foi diferente.

No almoço, o momento que discutíamos o que iríamos fazer, onde e que horas, depois de combinado que iríamos patinar no gelo, Natsu simplesmente disse que não iria, e Igneel não disse absolutamente nada. Nem mesmo Erza, que sempre pegava no pé dele com esse tipo de coisa. Na verdade, era como se os irmãos e o pai dele já esperassem por algo assim.

Como eu não quis me intrometer, não perguntei nada durante nenhuma hora do dia, e também não foi como se eu tivesse conseguido essa liberdade, já que depois do almoço Natsu foi direto se trancar no quarto e não saiu mais de lá.

Tentei perguntar indiretamente pra Erza, mas tudo o que recebi de resposta era que ele só precisava de um tempo pra respirar.

Mas respirar do quê? Era isso que eu queria saber.

— Eu já percebi que está chateado com algo, e gostaria de te ajudar a melhorar… – Falei, continuando a pentear seu belo cabelo com meus dedos, e se não fosse coisa da minha cabeça, eu podia jurar que o ouvia ronronar baixinho com aquele carinho. – Claro, se o motivo não for eu ou algo assim. – Sussurrei, no impasse de querer que ele escutasse, e ao mesmo tempo não.

— Não tem a ver com você, não se preocupe. – Ele foi rápido em responder. – Só não acho que sair melhoraria as coisas, na verdade só tornaria tudo pior…

Suspirei, cansada de conversar em códigos. Mas se tinha uma coisa que eu sabia, era que pressionar Natsu não adiantaria de nada.

— Tudo bem. Tem algo que eu possa fazer então?

Ele pareceu pensar um pouco na minha proposta, e abriu só um dos olhos pra me observar, soltando um sorriso malicioso depois.

— Que tal ficar deitada aqui comigo?

Hesitei um pouco – por reflexo – antes de decidir me deitar. No decorrer da semana, Natsu me propôs isso muitas vezes, mas a diferença era que minha mãe estava em casa, e a todo momento ficava vigiando cada coisa que fazíamos quando ficávamos juntos.

Como estávamos na semana de provas, Natsu decidiu que estudar junto comigo seria melhor para ele conseguir aprender mais e se sair bem nas provas, mas eu bem sabia que aquilo era só uma desculpa pra que ficássemos juntos sem que minha mãe implicasse demais.

Ele ia para o meu quarto todos os dias pela tarde, já que não tínhamos mais nossas atividades extracurriculares depois da aula, e ficava deitado em minha cama e eu sentada na cadeira da mesa do notebook, lendo livros, fazendo perguntas um ao outro da matéria, e outras vezes mais conversando bobagens do que propriamente estudando. A porta sempre ficava aberta e minha mãe passava no corredor a cada dez minutos para verificar o que estávamos fazendo. Ela ainda não estava lidando muito bem com tudo, mas eu tinha deixado claro que a escolha era minha, e eu sabia o que estava fazendo.

Ou ao menos achava que sim.

Bom, nessa semana que estávamos focados nos estudos, ele sempre queria tirar alguma lasquinha, e suas ofertas pra que eu deitasse ao seu lado ocorriam pelo menos a cada meia hora. E mesmo eu dizendo que minha mãe apareceria e o chutaria para fora do meu quarto, Natsu não se importava muito, mas eu não cedia.

Mas agora, sua proposta podia ser aceita sem qualquer receio, já que minha mãe sequer estava em casa. Então o tentei empurrar sem muito sucesso, e ele começou a rir, abrindo espaço na cama pra que eu deitasse. Fiquei de costas pra ele e senti seu braço possessivo ao redor de minha cintura tão rápido quanto pôde, e seu rosto enfiado em meus cabelos.

— O cheiro do seu cabelo é sempre tão bom… – O ouvi resmungar baixo, e sorri abobada.

Eu adorava quando ele comentava algo assim sobre mim, Natsu era muito carinhoso. Sua mãe claramente o havia ensinado muito bem sobre como tratar as garotas.

— Ah! – Exclamei mais alto do que meus pensamentos permitiam, porque finalmente havia me tocado do problema.

Natsu estava daquele jeito por causa de sua mãe. Droga, Lucy! Como você pôde esquecer de algo assim?

— O que foi, Lucy?

— Nada, eu só…

Como é que eu não havia percebido? Claro, eu não sabia muito de tudo o que havia acontecido, mas minha mãe comentou que dezembro foi o mês que a mãe dos Dragneel piorou de forma considerável da doença que tinha, e logo no mês seguinte ela partiu. Então Natsu claramente não tinha muitos bons sentimentos com o mês de dezembro, e por isso Igneel não havia protestado quando Natsu se recusou a sair de casa com o resto da família.

Isso tudo deveria ser doloroso demais pra ele, e ficar sozinho deveria ser sua maneira de amenizar a dor. Ou talvez, senti-la do jeito que ele evitava o resto do ano.

— Posso fazer uma pergunta? – Sussurrei.

— Depende. – Ele disse cuidadoso, e já deveria imaginar que eu estava finalmente acompanhando o raciocínio certo sobre sua repentina exclusão.

— Promete não ficar bravo?

— Não vou ficar bravo, Lucy. Não com você. – Natsu foi sincero ao dizer, e isso me deixou um pouco mais tranquila pra fazer a pergunta que eu queria.

Respirei fundo, escolhendo com cuidado cada palavra que eu proferiria, para que não soasse indiferente ou não o magoasse com minha curiosidade.

— Essa coisa de sair aos domingos junto com a família, começou por causa da sua mãe, não foi? – Perguntei baixo, e logo senti seu corpo endurecendo quando me escutou mencionando sua mãe.

— Ah… Sim. – Natsu respondeu, e ficamos quietos por algum tempo, o que me fez imaginar que aquele assunto havia se encerrado ali. Mas ele me surpreendeu quando continuou a falar, momentos depois e um tanto receoso. – Já que meus irmãos se recusavam a ir nos festivais com ela, Miyuki declarou que pelo menos aos domingos nós devíamos ficar unidos, porque era pra isso que ela teve três filhos, pra ter uma família grande e feliz, e essas coisas que ela tinha na cabeça…

— Oh, que atenciosa. – Fui sincera, sendo agraciada mais uma vez por outra memória de sua mãe que ele sempre falava com tanto carinho. – Acho legal seu pai ter mantido esse costume.

— Não foi bem assim... – Queixou-se, e se eu estivesse de frente pra ele, tenho certeza que estaria observando uma careta insatisfeita. – Depois que minha mãe se foi, não fizemos mais isso. Igneel voltou com essa coisa mais ou menos na época que Layla o contratou para ajudar nos processos das empresas. Acho que a paixão o fez acordar o lado paizão de novo… – Ele riu fraco, e notei que estava sem qualquer humor.

Não sabia exatamente se era pelo assunto delicado, ou se era por sua pequena desavença com minha mãe – que inclusive ainda influenciava sua forma de ver aquele casamento de nossos pais.

Acariciei seu braço que estava ao meu redor, e então me virei de frente pra ele, observando-o me fitar por inteiro, mas demorar seus olhos em minha boca.

— E você se recusou a sair com sua família hoje por qual motivo? – Perguntei em um sussurro, vendo-o fazer mais caretas pra mim.

— Não vamos falar sobre isso, Luce. Vamos falar sobre como eu estou com saudades de ter você pra mim de novo. – Falou, puxando meu corpo para ficar em cima de seu corpo, e me deu um rápido beijo. – Você fica engraçada toda vermelha. – Ele riu, me deixando ainda mais embaraçada que o normal.

— Cala a boca, não diga bobagens. – Escondi meu rosto no vão entre seu pescoço e seu ombro, e seu abraço em mim se apertou mais um pouco.

Permaneci deitada nele por mais um tempo, e percebi que era algo bom, e não tinha nada de desconfortável. Na verdade, estar próxima dessa maneira do Natsu parecia a decisão mais certa que eu poderia tomar naquele dia.

— Eu realmente queria que viesse comigo pro ringue de patinação. O Gray, o Jellal e a Lis também vão, e estão esperando por nós. – Tentei outra vez, inclinando-me para olhá-lo nos olhos.

Tive a oportunidade de vê-lo ponderar sobre aquilo, e sua feição de pensador estava até mesmo arrancando um sorriso meu.

— Pare com isso, não comece a sorrir como se já fosse vitoriosa. Eu nem disse nada. – Reclamou, fazendo bico e me divertindo.

— E nem precisa. – Constatei.

— Eu posso até ir, mas com uma condição… – Falou, e então sorriu maliciosamente pra mim.

Eu já conseguia até imaginar as próximas palavras que sairiam de sua boca, e de certa forma eu esperava que ele dissesse aquilo. Eu não posso mentir, era inexperiente em tudo, mas Natsu me levava à curiosidade e desejo em tudo o que fazíamos, e ele era sempre tão cuidadoso que eu nem cogitava ter medo de me entregar.

— Pela cara que está fazendo, eu tenho certeza que não vou nem ter que implorar, mas se for preciso eu juro que me jogo aos teus pés, Lucy.

— Ainda não sei o que quer… – Me fiz de desentendida, o fazendo rir alto.

— Luce, Luce… Você sabe sim! – Ele me beijou feroz e decidido, e depois saiu beijando todo meu rosto até chegar em meu ouvido e sussurrar: – Quer transar comigo?

***

Lis, Jellal e Gray já estavam se divertindo no ringue assim que eu e Natsu chegamos. Propositalmente eu escolhi um ringue diferente do que minha mãe, Igneel e os outros foram, e isso pareceu aumentar um pouco mais o humor do Natsu. Ou seu sorriso era só por culpa do que tínhamos acabado de fazer.

Era um ringue muito, muito grande. Estava cheio de gente de todas as idades, principalmente casais adolescentes e crianças fugindo dos pais, mas mesmo assim não parecia absurdamente lotado, na verdade até estava agradável. Eu e Natsu alugamos nossos patins em uma barraca próxima, e nos dirigimos até uma das arquibancadas para colocá-los.

— Vem cá, Lucy. Como conseguiu escapar do domingo da família? – Natsu perguntou, olhando um tanto incrédulo pra mim, enquanto não parecia assim tão animado pra colocar os patins. – Como meu pai deixou você fugir pra outro lugar, e como sua mãe deixou você ficar sozinha em casa comigo? Ela não sabe que eu posso me aproveitar da filha dela?

Ri com o comentário, imaginando minha mãe ficando louca se descobrisse o que aconteceu no pouco tempo que ela ficou fora de casa. Ela havia evitado sair a semana toda durante a tarde para não nos deixar sozinhos em casa depois da aula, e daí saia um pouquinho com o marido e os enteados, e sua querida filha exemplar aprontava safadezas com seu meio irmão.

Isso dava uma bela de uma história. E eu estaria rindo se não soubesse qual seria a reação dela.

— Foi um pouco mais fácil do que eu imaginava. Eu disse ao Igneel que eu iria tentar te animar pra sair conosco, e ele duvidou que eu conseguiria. Pedi uma chance, e ele me deu. Perguntei se teria problema se eu te tirasse de casa, mas por acaso te levasse para algum outro lugar, e ele disse que estava tudo bem, e que seguraria as pontas com minha mãe. – Dei de ombros, explicando tudo. – No fim, Igneel confia muito em mim.

— Muito. – Natsu sorriu minimamente, se levantando para entrar no ringue. – Mas eu não estou aqui porque quero, era só pra te fazer parar de insistir. E não pense que vou atender aos seus caprichos uma segunda vez. Quando eu ficar em casa, nem você e nem as forças misteriosas do universo me tiram da minha cama. – Ele reclamou, me esperando pra entrarmos juntos no ringue.

— Ah, eu tenho minhas sérias dúvidas sobre isso. – Tentei dar meu melhor sorriso de segundas intenções, mas pela gargalhada que Natsu deu, eu não fui bem sucedida. – Pare de rir, idiota.

— Você fica engraçada tentando me seduzir, Lucy. Será que até o fim do ano letivo você aprende?

— Cala a boca, até parece que você é o bonzão nessas coisas. – Reclamei, fazendo bico.

E sim, Natsu era muito bom em me seduzir, mas eu não iria dizer em voz alta, ele ficava bem aparecido quando eu o elogiava sobre qualquer coisa que fosse.

— Mas eu sou. – Ele me deu uma piscadinha, me deixando mais sem graça ainda, e rindo com isso.

— Os dois vão continuar aí flertando ou vão entrar no ringue logo? – Gray veio parar bem ao nosso lado, e parecia que estava se dando muito bem no gelo. – Você sabe patinar no gelo, Lucy? – Perguntou, sorrindo de um jeito que até então eu nunca tinha visto. Parecia que ele gostava mesmo de patinar. Neguei com a cabeça, para a pergunta dele, e Gray não pareceu muito surpreso com isso. – Então vem, eu te ensino. Esse idiota não sabe nada, e eu sou o melhor de nós quatro aqui. Esse ringue é minha casa, Lucy.

E puxando-me pela mão, sem sequer esperar que eu dissesse qualquer coisa ao Natsu, Gray foi me ajudando a dar minha primeiras patinadas.

Fiquei surpresa ao testemunhar que de fato ele era um ótimo patinador, e bastante paciente pra me ensinar algumas coisas. Mas não muito amigo, já que riu escandalosamente e sem parar de duas ocasiões que acabei caindo.

— Que falta de cavalheirismo, não se ri de uma dama caída, imbecil. – Foi Jellal quem me ajudou a levantar na segunda vez, dando um tapa na cabeça do Fullbuster. – Vem comigo, Lucy, deixa eu te mostrar como um homem de verdade deve tratar uma dama.

— Não se intrometa, babaca. – Gray me puxou pela outra mão, e quase cai outra vez, mas nessa ocasião eu tinha certeza que um dos dois iria comigo.

Era engraçado aquela situação, ser disputada assim por dois amigos que eu tinha há tão pouco tempo, mas que já eram tão importantes pra mim. E sim, eu estava um pouco irritada com o Gray, mas realmente queria aprender a patinar, então falei pro Jellal que estava tudo bem me deixar com ele.

— Se você me deixar cair outra vez e rir, eu chuto sua bunda e vou patinar com o Jellal. – Ameacei Gray, que sorriu um tanto suspeito, e se eu não o conhecesse, ia achar que ele estava aprontando alguma coisa contra mim.

— Prometo que vou me esforçar.

E como prometido, ele realmente não me deixou cair. Teve até um momento que tentou evitar tal atrocidade, e quem acabou caindo foi ele, fazendo-me rir até doer a barriga e lágrimas rolarem pelo meu rosto, e observei que algumas crianças ali também se divertiram com a queda tanto quanto eu.

— Obrigado, Lucy.

— Por nada, querido.

— Eu vou te deixar cair de novo. – Resmungou, mal humorado, enquanto eu tentava parar de rir pra ajudá-lo a levantar.

Ficamos bastante tempo juntos, e até aprendi a dar algumas piruetas básicas quando ele me ensinou. Mas durante todo o tempo, nem ao menos Natsu veio me perturbar, ou Lis conversar comigo, e quando vi, os dois estavam na extremidade do ringue, Natsu do lado de fora e Lis do lado de dentro, e estavam recostados na grade, conversando.

— Por que o Natsu não entra? – Perguntei discretamente ao Gray, que só suspirou pesado. – Ele não parecia animado pra vir, mas achei que ao menos tentaria se divertir.

— Porque ele evita um ringue de patinação desde que sua mãe morreu. – Ele foi rápido em responder, como se já esperasse que eu perguntasse algo assim. – Pra falar a verdade, eu tô mesmo surpreso que ele tenha vindo até aqui. Não só por ser o ringue, mas porque ele nunca sai de casa quando chega próximo do Natal.

— Mas por que ele evita? Eu já o ouvi falando sobre tantas coisas que ele fazia com sua mãe, mas ao invés de evitá-las, ele continua fazendo…

— Isso é um pouco diferente, Lucy. – Gray fez uma careta, e então disse bem baixo, como se me confiasse o seu maior segredo. – Miyuki estava ensinando o Natsu a patinar quando desmaiou pela primeira vez, e estavam só os dois. No hospital foi quando descobriram da doença dela. E depois ele meio que se culpou e tudo o mais, então não quis mais saber de patinar e ficar se lembrando daquele dia.

Ouvir aquilo foi como um baque, e uma sensação desagradável começou a tomar conta de mim e comecei a me sentir o ser humano mais egoísta da face da terra. Eu o tinha feito voltar para um lugar onde suas memórias eram mais desagradáveis e tristes, e nem me preocupei com aquilo de fato, já que tudo o que eu queria era tirá-lo de dentro de casa.

Por Deus, eu era horrível.

Dirigi-me até os dois com o coração um pouco apertado, e cumprimentei minha amiga, que me deu um de seus animados abraços costumeiros.

— Espero não ter atrapalhado nada. – Falei pra Lis, que apenas sorriu amorosa como sempre.

— Não, não atrapalhou.

Ela logo entendeu que eu queria falar com o Natsu a sós, talvez pela cara que eu fazia, e deu a desculpa que ia patinar com os meninos, despedindo-se do melhor amigo bagunçando seus cabelos.

— Já se cansou de cair, Lucy? – Ele perguntou com um riso baixo, me puxando para mais perto.

E mesmo que houvesse uma grade nos atrapalhando, não parecia incomodar ele.

— Por que não me disse nada? – Resmunguei baixo, tão envergonhada de meu egoísmo que nem ao menos conseguia encará-lo.

— O quê? – Natsu levantou meu queixo delicadamente e parecia confuso. – Por que está assim, Lucy? Gray disse algo pra te chatear?

— Sim… Não! Não, não é o que está pensando… Ele só… Me explicou um pouco. Por que não me disse o porquê de não querer vir pra cá? – Perguntei novamente, e então ele pareceu entender, ficando sem saber o que responder por um tempo, mas agora também deixava mais visível o quão desconfortável ele estava.

— Não preciso te chatear com minhas agonias. – Ele simplesmente respondeu, dando de ombros e voltando seu olhar para o ringue, olhando para nenhum lugar em específico, mas eu podia jurar que o via revivendo o dia que tudo começou ir de mal a pior.

— Natsu. – O chamei, sem saber o que dizer ou o que fazer. Eu não sabia bem o que se passava em sua cabeça agora, mas eu precisava de alguma forma fazê-lo parar de pensar que era culpa sua. – Olha pra mim.

E quando ele fez o que pedi, percebi que tentava se manter calmo para não desabar lá mesmo.

— Oh, querido. – Rapidamente pulei a grade, sem muita dificuldade, e o puxei para um abraço, no qual ele escondeu seu rosto no meu pescoço e entre meus cabelos, e me apertava tão forte que era como se estivesse se segurando para não cair. – Me desculpe. Eu não deveria ter insistido pra você vir. Me desculpe.

Ficamos longos minutos abraçados daquela forma, e quando Natsu pareceu se recompor um pouco, sugeri que tirássemos os patins e fossemos para outro lugar. Ele aceitou sem qualquer objeção, e com alguns sinais avisei nossos amigos que estávamos indo para outro lugar, e Jellal disse que logo estariam conosco.

Como uma criança, Natsu deixou ser guiado por mim, e decidi que iríamos para algum lugar com comida. Quando eu ficava mal, gostava de ser mimada com alguns docinhos. Não melhorava meu humor totalmente, mas ajudava, então eu faria isso por ele.

Na rua do estádio, onde estava o ringue, haviam várias lojas, e uma delas por sorte era uma cafeteria muito agradável. Quando entrei e vi em uma das vitrines de doces que haviam cookies gigantes, sabia que aquilo seria perfeito, junto de um chocolate quente, e foi o que pedi pra garçonete que nos atendeu.

Natsu estava meio avoado e não parecia muito convencido que iria melhorar comendo, mas eu sabia o que fazia. Enquanto esperávamos nosso pedido, mandei mensagem pra Lis avisando onde estávamos, e logo recebi a resposta que em quinze minutos eles estariam conosco.

Eu não sabia muito bem como começar nossa conversa, mas ainda queria tirar dúvidas e fazê-lo entender que nunca tivera culpa de nada. Mas isso era um pouco complicado e delicado, já que ele não parecia querer conversar sobre isso.

Então decidi começar pelo mais sensato.

— Me desculpe, de verdade. Eu não sabia, e se soubesse nunca o teria feito passar por isso… Desculpa.

— Não é culpa sua, Lucy. Eu vim porque quis. – Ele disse, tão duro que até fiquei um pouco intimidada em continuar falando sobre aquilo. – Eu poderia ter te convencido a ficar em casa comigo, eu conseguiria isso sem muito esforço. Mas eu quis vir, porque… Não sei… Talvez eu estivesse exagerando… – Ele suspirou pesado, fechando o punho e socando a mesa com ainda um pouco de controle, para não chamar a atenção de ninguém dali.

Era tão nítido que ele estava mal com aquilo, e mesmo assim preferia sofrer sozinho, e eu sequer sabia se conseguiria ajudá-lo a melhorar pelo menos um pouco.

— Eu sei que dói, e muito. Mesmo depois de tantos anos. Mas eu preciso que você entenda algo, Natsu… Tudo o que aconteceu, infelizmente não teria sido diferente se ela não tivesse desmaiado, ou se tivesse, mas no trabalho com os colegas, ou dentro de casa com seu pai. – Falei, vendo-o fechar os olhos e prensar os lábios, em uma tentativa de, talvez, me ignorar. – Eu sei que é difícil aceitar, mas teria acontecido de qualquer jeito. E você não acha que assim foi melhor? Vocês descobriram o problema, e você teve tempo de passar os últimos dias com ela aproveitando sua presença.

— De que forma era melhor eu descobrir que minha mãe tava morrendo e eu nunca mais iria vê-la? – Ele estourou, chamando atenção para nós de alguns clientes, e logo percebeu, ficando ainda mais arrasado e envergonhado. – Merda, Lucy. Não tem nada de melhor nisso. Ela morreu! Miyuki morreu e eu não pude fazer nada.

Suas lágrimas desciam por seu rosto e Natsu tentava de todas as formas disfarçar, secando-as rápido e focando-se a olhar para todos os outros lados, menos pra mim. E claro, aquilo me partia o coração. Não por ele estar me evitando, mas por estar sofrendo tanto e eu não poder resolver de uma vez por todas.

— Há quanto tempo você tem guardado todas essas suas agonias sem contar pra ninguém? – Perguntei, tão baixo que ele demorou um tempo para assimilar minhas palavras, mas evitou qualquer resposta que pudesse me dar. – Eu não me importo se você gritar e se frustrar comigo, mas diga tudo. Em qualquer situação. Pare de guardar essas coisas, você tem ideia de como isso faz mal pra saúde?

— Lucy…

— Eu tô falando sério. Faz mal pra saúde mental e pra física também. Não guarde frustrações e não fique se remoendo de culpa quando você claramente não podia ter feito nada. Você era um pirralho, Natsu, não um curandeiro poderoso. A doença já estava lá, e já era tarde demais. Fique bravo comigo por dizer isso, mas você sabe que eu tô certa. Não tinha o que fazer. E o que tinha pra fazer, você fez muito bem, que foi mostrar todo seu amor por ela enquanto pôde. Então, por favor, pare de se culpar por uma situação sem solução.

Finalmente ele pareceu entender o que eu estava dizendo, mas nem de longe suas lágrimas pareciam que iam cessar. E isso nem chegava a ser um problema, era bom vê-lo colocando tudo pra fora de uma vez. Sentei-me no banco que ele estava e o abracei, escutando-o soluçar algumas vezes.

Era estranho demais ver Natsu tão frágil, porque normalmente ele era sempre tão corajoso e inabalável, e era ele quem cuidava de mim quando eu precisava. Agora estávamos trocando nossos papéis, e eu esperava ser tão importante para ele quanto ele havia sido pra mim em todas as situações que precisei.

— Eu sinto tanta falta dela, Lucy. – Ele murmurou, de uma forma tão dolorosa que até eu comecei a chorar junto. Eu nunca ia entender sua dor, mas naquele momento era como se pudesse tocar parte dela, e isso me arrasava. – Eu amava tanto ela. Por que ela morreu? Sempre dizem que o amor vence tudo, então por que eu não consegui salvar minha mãe de morrer? Eu não amava ela o suficiente?

— Não diga isso, querido. – O puxei para mais perto, em um abraço ainda mais apertado. Eu sequer sabia o que dizer. – Infelizmente nem todo o amor do mundo é capaz de evitar algumas coisas…

Ficamos juntos e abraçados até ele se acalmar, e até mesmo a garçonete quando percebeu que as coisas conosco estavam mais calmas, finalmente trouxe nosso pedido. Natsu recusou comer, mas eu consegui convencê-lo a pelo menos tomar o chocolate quente, e minutos depois ele voltou a agir como se absolutamente nada tivesse acontecido, ainda incomodado por ter ido ao ringue mais cedo, mas nada mais que isso.

E eu ainda não sabia se achava aquilo bom ou não.

Logo em seguida nossos amigos também apareceram, e como criou um clima descontraído bem rápido, Natsu pareceu se soltar também, e isso me deixou um tanto tranquila.

— Então, quais os planos pro natal? – Lis perguntou, bebericando seu milkshake. – Eu ouvi dizer que vai ter um super jantar na mansão dos Dragneel, isso é verdade?

Natsu engasgou com o seu chocolate quente após ouvir aquilo, e me olhou como se estivesse pedindo explicações.

— Ah, bem… É uma ideia que o Igneel teve, e eu apoiei. Ainda vamos conversar sobre isso e tudo mais, mas ele queria chamar todos vocês e suas famílias pra comemorar a virada do natal lá em casa. Ele disse que fazia algum tempo que não realizava a ceia, e esse ano é uma ótima oportunidade.

— Ah, com certeza meus pais aceitariam sem pensar duas vezes, eles querem conhecer o pai da Erza. – Jellal foi o primeiro a se pronunciar, e fazia caretas de descontentamento.

— E isso é uma coisa ruim? – Foi Gray quem perguntou, intermediando a dúvida de todos ali.

— Meus pais, eles… São estranhos. Do jeito que são, vão começar a exigir que o casamento aconteça logo e que temos que começar a planejar as coisas. – Ele continuou fazendo caretas, nos fazendo rir.

— E você pretende enrolar minha irmã? – Natsu se pronunciou, parecendo até sério demais ao apoiar a Erza. – Se ela escutar seus pais dizendo isso, ela vai planejar junto com eles, então se pretende não se casar, acho melhor você já deixar avisado.

Por um momento Jellal empalideceu com o que escutou, e depois ficou vermelho.

— E-ela f-fala de casamento? – Perguntou, engolindo seco. – Nós namoramos não faz nem um mês ainda.

— Por que está assustado com isso? Erza sempre sonhou com o casamento dela, e agora que tem um namorado é claro que ela vai ficar fantasiando. – Natsu deu um soco no ombro do amigo, rindo com seu desconcerto.

— E-eu n-não s-sabia… – E quanto mais Jellal pensava naquilo, mais vermelho ia ficando.

— Então teremos outro casório em breve? – Gray perguntou com um sorriso sacana, fazendo o amigo arregalar os olhos em desespero.

— Claro que não!

— Vocês acham que o pedido de casamento vai ser feito por quem? – Lis perguntou.

— Erza. – Respondemos eu, Natsu e Gray juntos, e então começamos a rir.

— Parem com isso… – Jellal escondeu o rosto entre as mãos, e por alguns segundos eu achei que ele iria chorar.

— Bom, Ur iria pra ceia com certeza, e acho que a Ultear também. – Gray voltou ao assunto original, fingindo que o papo do casamento nunca existira, só para perturbar Jellal com isso mais tarde.

— Meus pais também, mas meus irmãos não tenho certeza. – Lis falou.

— Eu vou falar com o Igneel, então. Tenho certeza que ele vai ficar feliz de saber que vocês gostaram da ideia.

E conversando sobre o natal, permanecemos ali por mais algumas horas nos divertindo, e eu só conseguia ficar feliz em quão sortuda era pra conseguir ótimos amigos nessa mudança que eu pouco apoiava no começo.

***

Nossa última semana de aulas passou muito rápido, mesmo que tivesse sido cheia de provas. Ao que tudo indicava, eu tinha me saído bem em todas elas, e Natsu também estava bastante confiante. Agora tudo o que nos restava eram duas semanas de descanso, mas claro, não começaria por aquele dia, já que precisávamos arrumar toda a casa para o jantar do Natal.

Natsu, que estava ansioso, não parava de me chamar sempre que terminava alguma decoração por conta própria, e eu nem conseguia me irritar com sua insistência, porque sabia como aquele ano o Natal seria importante pra ele como há anos não era mais.

Minha mãe e Igneel se empenhavam na cozinha, Michelle ajudava-nos com as decorações – e inclusive a árvore de Natal que ainda não tínhamos montado até aquele dia –, e Zeref e Erza limpavam a casa.

Zeref estava um pouco cabisbaixo porque não poderia trazer a Mavis, e Michelle resolveu fazer uma boa ação e convidá-la como amiga da escola, mas ainda era uma surpresa. Somente eu sabia, e toda vez que eu passava pelo Zeref e via aquele bico desanimado, dava vontade de lhe abraçar e contar que as coisas melhorariam.

Já era quase nove da noite quando terminamos de arrumar tudo, e me joguei exausta no sofá, sendo observada atentamente pelo Natsu, que estava terminando de recolher algumas sujeiras que fizemos, enquanto Michelle foi pro quarto se arrumar.

— O que foi? – Perguntei, já que ele não parava de me olhar. Até mesmo verifiquei com os dedos se não tinha algum enfeite preso em meu cabelo, mas aparentemente eu estava normal.

— Esse vestido… – Resmungou, fazendo-me olhar para baixo e olhar de novo para a roupa que eu vestia.

Era algo que Igneel havia me dado, um vestido delicado e da cor vermelha, e eu achei apropriado usar naquela noite, porque de certa forma combinava.

— O que tem? Você não gostou?

— Era da minha mãe. – Ele enfim disse, me olhando de forma intensa e indecifrável.

Fiquei um pouco encabulada ao ouvir aquilo, e não sabia muito bem o que fazer. A verdade era que eu nem fazia ideia daquilo, e por um momento me senti estranha.

— Ah… Eu… Desculpa, eu não sabia! Eu vou tirar se você quiser, eu posso usar outr…

— Não, não tem problema. – Ele me cortou rápido, sorrindo timidamente. Coisa até que me surpreendeu, porque Natsu nunca ficava tímido com nada. – Ficou bem em você, na verdade. Claro que fica um pouco diferente, porque minha mãe não tinha peitos tão enormes, e tudo mais…

— Natsu! – Protestei, jogando uma almofada nele, que começou a rir ao ser acertado.

— Onde achou esse vestido? Achei que as coisas dela tivessem todas sido doadas. – Falou, se sentando ao meu lado, me olhando de um jeito que era quase impossível desviar o olhar.

— Seu pai me deu. – Respondi, tão embaraçada com a forma que ele prendia minha atenção, que acabei falando bem mais baixo do que o normal.

— Ah… – Natsu resmungou, olhando na direção da cozinha, onde nossos pais estavam.

E coincidentemente – ou nem tanto assim – minha mãe também olhava para nós.

— Eu acho que vou levar uma bronca mais tarde. – Ele disse rindo, passando o braço pelos meus ombros, me puxando para mais perto.

— E você continua provocando?

— Preciso levar bronca com razão, né?!

Ri com aquilo, mas para evitar conflitos futuros naquela noite que tudo deveria ser incrível, eu apenas me levantei, ouvindo-o reclamar.

— Agradeço o carinho, mas vai se arrumar, daqui a pouco todos chegam. – Avisei, me dirigindo até a cozinha para ver o que iríamos jantar.

Minha mãe não me olhava muito contente, mas nada disse. Igneel me deu uma colher com algo que ele estava fazendo, e me senti no céu quando provei. Eu adorava tanto a ideia de ter um padrasto tão bom na cozinha quanto mamãe.

— É uma pena que esteja nevando, não vamos poder aproveitar o quintal. – Igneel resmungou, fazendo um bico engraçado pra um homem da idade dele.

— Mas caso você não lembre, papai, todo natal neva. Isso não é bem uma novidade. – Foi Erza quem falou, entrando na cozinha de repente. – É que a gente não deu muita importância pros fatos nos últimos anos, mas eu dúvido que exista um natal que dê pra gente usar o quintal.

— Não tem problema, eu acho que ninguém vai desaprovar a ideia de ficar só aqui dentro. – Tentei tranquilizar Igneel, rindo divertida. – E parece que hoje vai ser uma novidade pra todo mundo, não é mamãe?! – Perguntei a abraçando por trás, escutando-a suspirar alto. – Tem quanto tempo também que a gente não passa o natal como uma família? Tenho certeza que hoje vai ser demais.

— Muuuuito tempo! – Foi Michelle quem respondeu, abraçando minha mãe pela frente, e fizemos um sanduíche dela, que ria e nos pedia para a soltar. – Faz tanto tempo que não vejo nem uma árvore de natal, que quase esqueci como montava uma, mamãe. Olha o que fez comigo!

— Sem drama, querida.

— Espero mesmo que você tenha comprado presentes de natal pra mim, pra curar meu trauma, sabe?! – Michelle resmungou manhosa, fazendo-nos rir.

— Você é muito cara de pau, pirralha. – Natsu também resolveu aparecer, lhe apertando as bochechas. – Mas deixa eu te contar um segredo… – E então ele se abaixou para sussurrar algo no ouvido dela, mas propositalmente sussurrou alto o suficiente para todos ouvirem. – Igneel escondeu nossos presentes no escritório.

— Natsu! – Igneel protestou, parecendo chateado por ter a surpresa estragada sem mais nem menos, mas começou a rir assim que Michelle começou a dar gritinhos e pulinhos de alegria.

— Eu sabia que você era o melhor pai do mundo! – Ela correu para o abraçar, se aninhando nele como uma gatinha manhosa, coisa que deixou Igneel tão surpreso quanto bobo.

— Por Kami, pirralha. Parece que você tem cinco anos assim. – Natsu reclamou, tirando-a do abraço com o Igneel. – E pode cair fora, Igneel é meu pai. Meu!

Era a primeira vez que eu o via ser ciumento tão abertamente quanto ao seu pai, e parecia até engraçado vê-lo dessa forma.

— Pode tirar seu cavalinho da chuva, eu sou a mais velha, ele é mais meu pai que seu. – Dessa vez foi Erza quem puxou Igneel para si, mostrando a língua para o irmão, e me fazendo perceber que em idade mental, todos ali competiam pela mesma.

— Se formos falar de idade, todo mundo aqui sabe quem ganha. – Zeref se pronunciou pela primeira vez.

— Então quer dizer que eu posso disputar Layla sem qualquer concorrência? – Surpreendi-me ao ver que quem dissera aquilo foi Natsu. Ele andou até minha mãe, se colocando entre eu e ela, e a abraçou, dando-lhe um beijo estalado na bochecha. – Não fica com ciúmes, pai, mas você sempre teve muito bom gosto pra mulheres. – Soltou o elogio na cara de pau, sorrindo grande e observando bem qual seria a reação da minha mãe, que ficava um pouco envergonhada e vermelha.

— O que está tentando ganhar com esse elogio, Igneelzinho? – Mamãe perguntou desconfiada, mas rindo.

— Sua permissão, você sabe. – Ele deu uma piscadela pra ela, e mamãe revirou os olhos. – Mas você é bonita, eu não tô mentindo. Claro que pode ficar umas posições abaixo, porque minha mãe era incrível, e a Lucy é linda também, e tem minha irmã… Mas você sabe, a senhora não fica pra trás.

— Ah… Obrigada… – Ela agradeceu tímida, e Natsu não podia ficar mais feliz com a reação que causou nela.

Eu não estava acreditando que mamãe, assim como eu, havia caído na lábia de Natsu Dragneel. Ele era um idiota muito esperto.

Antes que alguém pudesse dizer mais alguma coisa, ouvimos a campainha tocar, e Igneel e minha mãe subiram às pressas para o quarto para se arrumarem, enquanto ficamos encarregados de receber as visitas.

Com exceção do Jellal e seus pais, todos haviam chegado ao mesmo tempo, e com muitas sacolas de presentes e sobremesas para depois da ceia. E ajudando Natsu com os casacos das visitas, eu e Erza recebemos Lis, seus pais, e sua irmã mais velha, Mirajane, Gray, Ur, Ultear e até Juvia, e, para a surpresa de Natsu e Erza, Mavis.

— Zeref-nii… Você quer fazer algum tipo de surpresa pro Igneel hoje? – Escutei Natsu puxando o irmão para o lado e mostrando Mavis discretamente, que ainda estava se livrando dos flocos de neve que ficaram em seus cabelos, e Michelle a ajudava.

Notei Zeref arregalando os olhos no mesmo segundo, e sem saber o que fazer. Então precisei intervir na conversa dos dois, para tranquilizá-lo.

— Michelle não queria que você passasse o natal longe da Mavis, e ela comentou que não poderia ir ver os pais hoje, então a Michelle decidiu convidar ela como uma colega da escola, caso Igneel ou mamãe perguntem. – Segredei a ele, que ainda parecia um pouco chocado com a ideia. – Fica tranquilo, eles não vão saber, Michelle é sempre muito boa em enrolar minha mãe.

— Mas ninguém enrola o meu pai! Não adianta o que a gente faça, ele vai perceber logo. – Ele sussurrou de volta, parecendo bastante apavorado com a ideia de descobrirem.

— Fica tranquilo, Zeref! Sério. Michelle vai cuidar de tudo, e eu e o Natsu podemos ajudar, não é?! – Perguntei a ele, que já concordava antes de eu o dirigir a pergunta.

— Nem que eu tenha que me humilhar e dizer que Mavis me ensina quando tenho dificuldades na escola, eu vou dar um jeito de ninguém desconfiar. – Natsu concluiu, e isso pareceu deixar Zeref um tanto mais tranquilo. Não totalmente, mas suficiente.

Ficamos fazendo sala e conversando com todos até que mamãe e Igneel descessem, e então, foi só eles aparecerem que as conversas ficaram bem mais altas e animadas.

Demorou em torno de meia hora até Jellal e seus pais chegarem, e estávamos tão famintos que Igneel não quis nem esperar dar meia noite para servir a ceia.

Tudo foi muito agradável e divertido. Era um natal que eu não tinha fazia muito tempo, e não me lembro de ter ficado tão feliz assim antes, com exceção do dia do casamento de mamãe e Igneel.

Também não consegui tirar os olhos do Natsu. Ele podia não se soltar totalmente, mas também estava feliz por aquela noite, eu podia perceber. Ur o mimava como ninguém, e às vezes era engraçado ver Gray um pouco enciumado por isso.

Já Igneel, os pais do Jellal e Erza pareciam bater um papo interessante, e Jellal estava consideravelmente envergonhado ao que escutava, o que só me deixava imaginar que eles realmente falavam sobre casamento. E claro, os olhares insinuantes de Igneel pra ele também o faziam querer se enfiar cada vez mais em um buraco. E pra melhorar, do outro lado Ultear e Juvia ficavam provocando ele, o que me fazia rir.

Para ajudar com o disfarce que Mavis era amiga de escola da Michelle, o que não era totalmente mentira, minha irmã ficou junto dela a noite toda, e vez ou outra incluía eu e Zeref nas brincadeiras, pra não parecer muito óbvio. E Mavis era tão adorável, que nenhum papo com ela ficava desinteressante.

Acabei também conhecendo um pouco mais da irmã da Lis, que era tão fofa quanto a própria, e descobri que na infância, Mirajane e Erza tinham uma rixa na escola, e Mira parecia mil vezes mais assustadora que agora. O que, sinceramente, eu não conseguia imaginar de jeito nenhum.

Quando enfim chegou a meia noite, um pouco antes nos juntamos todos na sala pra fazer a contagem regressiva, e ao final, todos brindaram com as taças de champagne que Igneel e mamãe distribuíram para nós. E após isso, começou os abraços e felicitações típicos do Natal.

Recebi abraços calorosos de todos ali, e acabei desencontrando do Natsu diversas vezes, porque quando tinha a oportunidade de ir lhe abraçar, outras pessoas me puxavam. Mas assim que enfim me vi livre, fiquei parada no meio da bagunça alegre da sala só esperando vê-lo, para ir em sua direção. Entretanto, ele era silencioso, e só percebi que já estava ao meu lado quando passou o braço ao redor dos meus ombros, sorrindo. E foram poucos segundos pra entender sua intenção, mas logo sua boca já estava aquecendo a minha da minha forma predileta.

O beijo não durou muito, mas foi o suficiente pra me fazer esquecer de todo o nosso redor e o puxar pelo pescoço para mais. Para minha tristeza, meu pedido não foi atendido. Na verdade, Natsu começou a rir e se afastou só um pouco, pra poder me olhar e depois me abraçar forte.

— Você tornou meu natal tão incrível depois de tanto tempo, Luce. Obrigado por existir. – Ele sussurrou sincero ao meu ouvido, e foi impossível evitar a emoção.

— Eu que preciso agradecer. Fazia tanto tempo que mamãe e Michelle não sorriam desse jeito. Você e sua família foram a melhor coisa que nos aconteceu.

Ele voltou a me olhar outra vez, tão intenso que era até possível acreditar que ele podia ler meus pensamentos, e me deu outro beijo rápido, e então recostou sua testa na minha.

— Feliz natal, Luce.

— Feliz natal, Natsu.

Como se quisesse interromper nosso momento de propósito, ouvi minha mãe gritar um sonoro “hora dos presentes!”. Claro que eu não me desgrudei do Natsu depois disso. Demos as mãos e nos sentamos ao chão juntos, dando espaço no sofá para as visitas, e participamos ainda mais felizes do restante daquela ceia.

Se alguns meses atrás dissessem que meu natal seria desse jeito, eu nunca acreditaria. Mas agora, meu desejo era que todo ano pudesse ser assim.

Notas finais
Eita, eita Layla ASHSAHUHSAUHUs' Como vocês podem ver, ela desaprova, mas não pode fazer muita coisa desde que a Lucy se impôs... E se vocês se lembrarem do comecinho, lembrarão tbm que rolou outro momentinho íntimo dos dois *OOO* dessa vez eu decidi não narrar pra não prolongar ainda mais o capítulo, mas prometo que eu compenso mais pra frente ;D Essa parte do Natsu chorando me deixou em fragalhos quando escrevi, e eu tava quase chorando junto, mas me mantive inteira, e espero que vcs tbm :P Enfim, espero que tenham gostado da Lucy narrando :D (pq vcs sabem que aqui isso acontece bem raramente ASHUHUSAs') Sobre a postagem do próximo capítulo, infelizmente eu não posso dar uma c só o que posso dizer é que postarei à qualquer momento em qualquer quinta-feira, porque quinta-feira é oficialmente dia de troublemaker! ;D ASHUSAHUs' Eu estou escrevendo pra NaLu Love Fest tbm, por isso não tenho certeza se vou conseguir postar na data que eu determinar aqui (como já aconteceu com esse capítulo), e até o que estou escrevendo pra Love Fest vai se atrasar, já que começou ontem e eu ainda nem terminei o primeiro capítulo ASHUSAHUHSAUs' Mas enfim, espero que vocês entendam... Eu tbm tô devendo ainda responder seus comentários, e hoje tirei literalmente o dia todo pra responder o pessoal do spirit (que tava bem mais atrasado que aqui, eu sei, é vergonhoso :C) e amanhã, se tudo der certo, respondo todos daqui! E é isso... Sei que não posso exigir que comentem, já que estou falhando pra responder, mas espero q tenham gostado tanto do capítulo que isso compense um pouco. Espero que vocês venham conversar comigo, pq eu adoro conversar! Me contem suas teorias de troublemaker (pq eu acho que vivo quebrando algumas com os novos capítulos :P), me contem o que vocês acham que precisam melhorar, o que vocês mais gostam, como tá o clima na sua cidade, sua música preferida, enfim! Me contem tudo! ♥ Obrigada por acompanharem TM até aqui e suportarem meu atraso, obrigada pelo carinho e até a próxima! *3*