Trouble.

39 Águas profundas.


Notas iniciais
Oi amores da tia, tudo bem com vocês? Não vou demorar aqui não, espero vocês lá em baixo! Aguenta coração que esse capítulo tá foda HUAHUAHUAH Boa leitura! OS CAPÍTULOS ESTÃO INTERCALADOS ENTRE DYLAN E LÍDIA, N SE CONFUNDAM!

O sitio que pertencia aos pais de Blythe era enorme. Havia a casa principal – onde ficariam apenas os professores – feita de madeira e pintada de um azul bebe. Rodeado em forma de L, havia também, casinhas de madeira com tetos pintados em vermelho, cada uma com seis camas, onde o resto do pessoal iria dormir. O gramado era excepcional, eu tinha vontade de deitar ali e dormir o dia inteiro. Também tinha todas aquelas coisas de sítios, uma tuia – para guardar ferramentas -, um celeiro e um pasto para o gado, mas como ali pertencia a uma família rica, havia um campo de futebol, salão de jogos, piscinas, um lago e uma parte da floresta dentro da propriedade.

Por Blythe ser dona do local também, ela escolheu uma das melhores casas, a única que tinha uma cama de casal e outra de solteiro, com direito a banheiro dentro do quarto. Ela me chamou para dormir junto com ela, e não hesitei em aceitar o pedido. Ela separou o quarto com cama única de casal para duas de suas amigas, enquanto colocou Ava, Taylor, Tiffany, Susan, Dafne e Samantha no mesmo quarto. Tirando Ava, todas ali se odiavam infinitamente, e eu já conseguia prever a guerra começando.

***

Todos estavam se divertindo, tanto na piscina, quanto nos campos de futebol e de salão, ou até mesmo fazendo vários nada, como no meu caso. Meus amigos tentavam a todo custo que eu entrasse na piscina também para poder jogar vôlei, coisa que não iria acontecer nunca. Eu tinha pavor de água, nada no mundo me fazia entrar em um cubículo do qual eu não sabia o que fazer.

— Lídia, para de ficar tostando nesse sol e entra aqui – gritou Yeri.

— Ela não sabe nadar – gritou Dylan de volta. O garoto tinha se materializado ao meu lado, depois de ter sumido o dia todo. Talvez fosse algo dele, sempre que dormíamos juntos, ele evaporava depois. Por um instante pensei se eu babava, roncava ou peidava dormindo, isso sim seriam motivos para fazer um cara correr.

— Era segredo – disse emburrada para ele.

— Desculpa, não sabia. – ele se sentou no chão ao meu lado e deu um bronzeador para mim.

— Não venha me dizer que você quer que eu passe isso em você McCallen – joguei a embalagem de volta para ele.

— Por favor, nunca te pedi nada nessa vida, oportunidade única. Você foi a escolhida para tocar no meu corpinho.

— Deixa sua namorada ouvir isso. – zombei pegando a embalagem de volta. Realmente era uma oportunidade única, e já que Dylan estava me provocando tanto, não seria má ideia fazer o mesmo com ele.

— Estamos em crise.

Melhor para mim, pensei. Vamos ver até onde você consegue aguentar Dylan McCallen.

Coloquei um pouco do creme em minhas mãos, enquanto Dylan tirava a camiseta, reparei nas garotas soltando suspiros ao nosso redor. Feliz era eu, que já tive a oportunidade de ver esse corpinho sem nada.

Foco Lídia, você precisa se manter controlada, se não o plano vai por água a baixo. Comecei espalhando pelas costas, depois indo para os braços até as pontas dos dedos. Quando ele virou de frente para mim, ficando centímetros de distancia, tive uma vontade enorme de agarra-lo, mas contive a minha deusa interior a lá Anastácia Steele e continuei a passar o bendito creme no corpo do garoto.

— Sucesso na missão ruivinha – ele estalou um beijo molhado na minha bochecha e foi embora. Droga, nem deu tempo de brincar com ele, a missão não foi um sucesso total.

***

Lídia estava prestes a me matar, e eu não conseguia fazer nada para me defender dos ataques da ruiva. Ela já tinha feito de tudo comigo ao longo do dia. Passou protetor solar em mim sem o menor pudor, ficou de biquíni tomando sol na beira da piscina, me ignorou, brincou de morder morangos do modo mais sexy possível, ficou toda risonha com outros garotos, me ignorou mais um pouco, ficou no celular, me ignorou de novo e nesse exato momento, ela está me ignorando.

— Amor – a voz fez com que eu desviasse os olhos de Lídia. Samantha tinha me pego no pulo secando a ruiva sem a menor cara de pau. Droga.

— Oi – respondi seco. Eu estava puto da vida com Sam, ultimamente ela tem andando meio pirada, desde que recebemos as cartas de admissão para a faculdade. Bom, ela iria para a NYU, enquanto eu tinha conseguido uma bolsa para a Universidade de Connecticut, a partir desse momento, ela ficou transtornada, falando que eu iria largar ela pelas universitárias peitudas e gostosas, que nada do que tinha acontecido nesses meses valia de nada, que eu estava sendo influenciado por nossos amigos – que também eram amigos dela, ou pelo menos eu achava – e chegou até a mencionar Lídia, que não tinha nada a ver com a historia. Não era a primeira vez que ela tinha um desses ataques de ciúmes desnecessários, mas nesses últimos tempos, ela estava ultrapassando dos limites. Dias atrás, a encontrei fuçando pelo meu quarto fazendo a maior zona, fora às vezes que meu celular sumiu aparentemente com a ajudinha dela.

— Já está tarde, você não vai ir dormir? – questionou. Céus, ela parecia a minha uma mãe psicopata vigiando o filho.

— Já disse que eu não sou seu brinquedinho Samantha, para de me tratar como um – soltei as palavras ácidas. Ela me olhou com raiva e deu as costas, indo para longe, e finalmente me senti aliviado por ela se afastar. Eu não conseguia mais viver nesse sufoco que nosso relacionamento tinha se tornado, onde estava aquela garota amorosa que cuidou de mim quando eu mais precisei? Será que ela realmente existiu ou eu que inventei tudo na minha cabeça, desesperado por ter alguém perto quando eu me senti a pessoa mais inferior na face da terra?

Olhei para a ruiva que retribuiu o olhar, lançando um sorriso singelo. Meu estomago deu uma volta completa. Sempre foi ela, a única que me fez sentir isso. Eu estava cada dia mais cansado, de fazer tanta besteira na vida, e de todas que eu tinha feito também, parecia tudo refletir no meu presente, e também iriam ao meu futuro, como fantasmas para me atormentar.

Eu merecia ficar sozinho, ser hostilizado por todos, ser abandonado, do mesmo modo que eu tinha feito com meus amigos. Eu fui um covarde, não consegui lidar com meus problemas e isso causou efeitos em todos que eu deixei para trás, sem nem me importar com o que eu estava fazendo. Achei que a melhor opção seria ir embora, esquecer que eu tinha uma família, mas eu tinha sim... Meus amigos, eles estavam ali o tempo todo e eu me recusava a abrir meu coração, falar sobre os meus problemas, eu tinha uma vergonha enorme, quem diria que a vida de Dylan McCallen não era nem um pouco perfeita? Eu era o maior babaca.

— Eai – nem notei que enquanto divagava nos meus pensamentos, Todd tinha se aproximado de mim.

— Oi – respondi. Todd tinha demorado para voltar a falar comigo, ele estava puto com todas as burrices que eu tinha feito e continuava a fazer.

— Cadê a sua namorada? – seu tom era debochado, e ele não fazia a mínima questão de esconder que não ia nem um pouco com a cara de Sam, bom, ele não era o único, Lídia e Blythe odiavam a menina com todas as forças também.

— Por aí, não sei. Por quê? Não me vai dizer que está interessado nela – meu tom era irônico, e ele sorriu ao perceber. Nunca tive problemas relacionados a mulheres com Todd, nossos gostos eram divergentes nesse quesito.

— Que milagre, eu queria falar com você, mas a sua dona não desgrudava do seu pescoço.

— Ela não é minha dona – retruquei, mas eu sabia que ela me tratava como se fosse tal.

— Mas parece, quando você vai terminar com essa palhaçada? – ah meu Deus, ele vai começar de novo com essa ladainha – Sua vida parece um circo dos horrores Dy, você tem que tomar uma atitude, por mais que Samantha não desce para mim, não é certo você ficar com ela enquanto desejar ter outra.

— Não posso trocar o certo pelo duvidoso, você sabe o quanto Lídia me odeia.

— Mas ela também te ama na mesma intensidade.

Olhei para a ruiva sentada na roda, ao redor de uma grande fogueira, fazendo a coisa mais clichê da vida, assando marshmellows enquanto ouvia alguém tocar violão. Ela estava enrolada num cobertor, olhando para as chamas intensamente, quase sem piscar. Ela é tão bonita, sempre foi, e agora estava mais ainda.

— Acho que eu não preciso dizer mais nada, você sabe o que tem que fazer.

***

Mas que merda, eu nunca mais ia tentar seguir alguém na calada da noite, só no passinho. Dylan tinha se metido na floresta, e eu muito da idiota, resolvi ir atrás, o problema de ir de dar uma de 007 no escuro, era exatamente isso, o escuro. Deus me dê uma visão noturna na próxima vida, porque olha, tá difícil.

— Bu! – a voz falou tão perto de mim, mas antes que eu conseguisse gritar, uma mão tampou a minha boca – Tá me seguindo por quê?

Droga, pega no flagra. Dylan estava me segurando por trás, com uma mão me impedindo de falar e a outra segurando com força a minha cintura, isso seria tão erótico se não fosse trágico o fato de eu estar morrendo de vergonha e querendo fugir o mais depressa possível. Ficamos naquela posição por um longo tempo, até que por fim ele me soltou, e eu desejei que não o tivesse feito.

— Vem aqui – ele entrelaçou os dedos dele nos meus, e me puxou em direção a uma clareira, de frente para um riacho. Perto de onde estávamos, havia uma pedra enorme. Dylan atlético e habilidoso como sempre, subiu rapidamente e sem nenhum tipo de problema.

— Desce daí menino – falei emburrada.

— Eu te ajudo a subir, dá a mão – ele esticou o braço na minha direção e suspirei derrotada. Lá estávamos novamente nós dois, ele pedindo daquele jeito manhoso e eu otariana não resistindo. Agarrei sua mão e peguei impulso, subindo desajeitadamente.

Sentamos na pedra e fiquei encarando o cenário ao meu redor. Era lindo. O céu com poucas estrelas e uma lua encoberta por nuvens, o barulho da água correndo, o som dos bichinhos, Dylan ao meu lado, tudo muito romântico.

— Você não me respondeu ainda.

— Shiu, escuta o barulho da natureza – calei-o com o meu dedo. Mas o capeta gosta de atormentar a pessoa que está de boa na dela. Dylan ficou a centímetros do meu rosto, e por sinal, não pretendia se afastar tão cedo.

— Tá fazendo o que menino? Vai pra lá. – tentei empurrá-lo pelo ombro, mas ele foi rápido e me empurrou de costas contra a pedra gélida. Ele começou a se movimentar para ficar por cima de mim, mas rolei para o lado e me afastei. Pude ouvi-lo soltar um suspiro, e sorri internamente. As coisas não iam ser do jeito dele.

— Lídia, você me provocou o dia todo. – ele passou as mãos nos fios de cabelo, parecendo um tanto frustrado. – Não faz isso. Eu sei que mereço ser odiado e que você tem todo o direito de me fazer sofrer, mas assim é crueldade.

Sorri vitoriosa, então quer dizer que o plano não tinha sido uma falha? Ótimo, eu estava achando que minha tentativa de ser sexy e seduzi-lo tinha sido fracasso total. Provavelmente eu iria me arrepender disso amanha, mas eu não aguentava mais ter Dylan tão perto e não poder tocá-lo. Me aproximei com cuidado para não cair, e sentei em seu colo, sentindo o quão ele precisava de mim naquele momento. Não hesitei e arranquei a blusa com força.

— Puta merda Lídia – gemeu Dylan. Sorri satisfeita, era esse o efeito que eu queria. Ele ficou parado me olhando por um tempo, e foi preciso um tapão em sua cabeça dele para que o garoto tomasse uma atitude ao invés de ficar parado só olhando.

A melhor coisa que eu já fiz na vida, foi seguir alguém no meio da noite.

***

Quando acordei no dia seguinte, Lídia não estava mais ali, acho que era uma retaliação do que eu tinha feito. Mas convenhamos tudo tinha valido a pena.

Segui pela floresta, e me deparei com o vazio. Ainda era cedo e ninguém devia estar de pé. Fui em direção ao chalé onde eu supostamente deveria ter dormindo, quando cheguei à porta, tentei abri-la o mais silenciosamente que pude, mas fui interrompido por uma Blythe escandalosa. Lá se vai o plano de entrar em silencio e dormir por um bom tempo.

— Dylan, onde está a Lídia? Você a viu? Ela sumiu ontem à noite! Me ajuda a procurar ela – ela agarrou o meu braço e tentou me puxar. Mas a parei.

— Blythe, ela deve estar no chalé dela dormindo – tentei acalmá-la.

— Dylan, ela ia dividir o chalé comigo – chiou – Mas ela não apareceu até agora. E ninguém viu aonde ela foi ontem à noite.

Droga, eu ia ter mesmo que contar que ela passou a noite comigo?

— Ela estava comigo, mas eu dormi e ela foi embora antes de eu acordar, vocês devem ter se desencontrado.

Ela me olhou desconfiada, e então bateu no meu braço com força.

— Seu cretino, agora que eu reparei nesses chupões.

Sorri minimamente, ao lembrar da boca dela percorrendo meu corpo.

— Vamos, você vai ir comigo do mesmo jeito – revirei os olhos, mas a acompanhei mesmo assim.

Demos uma volta por todos os chalés, e encontramos alguns zumbis, vulgo alunos, que já começavam a se levantar. Fomos andando sem trocar nenhuma palavra, até chegarmos a um chalé maior, de madeira e todo pintado de branco. Blythe se apressou e abriu a porta, entrei logo atrás. Algo dentro do meu estomago reverberou. Uma das camas estava completamente revirada, e outra, ainda arrumada.

— Vou ver o banheiro – anunciou a loira. Ela foi em direção a uma porta na direita, abriu a mesma, e depois de alguns segundos ela voltou. A testa franzida e a expressão preocupada por si só já explicavam muito coisa. – Onde ela poderia ter ido?

Será que ela tinha se perdido na floresta? Será que ela tinha escorregado e caído da pedra? Não, não e não. Ela devia estar por aí, era apenas um desencontro, não podíamos fazer tempestade em copo d’água.

— Vamos procurar lá fora, ela ainda não deve ter voltado. – saí porta a fora, e tentei acalmar minha mente. Eu só estava ficando assim por causa da Blythe, ela estava assustada e isso consequentemente estava me deixando numa pilha de nervos.

Quando virei à esquina de um dos chalés, dei de cara com Samantha.

— Sam, você viu a Lídia? – perguntei segurando em seus braços.

— Dá ultima vez ela estava nadando na piscina amor, por quê? – olhei confuso para ela, então notei suas roupas molhadas.

— Sam, cadê a Lídia? – firmei mais o aperto em seus braços, e ela me olhou confusa.

— Já falei amor, na piscina. Não se preocupa, piranhas não se afogam.

***

A sensação era horrível e desesperadora. Eu tentava me debater para poder ficar na superfície, mas meus esforços pareciam em vão, quanto mais eu me mexia, mais eu afundava. A água entrava pela minha boca e pelo meu nariz, tudo de certa forma parecia queimar dentro de mim, estranho não? Eu estava dentro da água, era meio que impossível queimar. Eu afundava mais e mais, e meus olhos não conseguiam focar em nada, quando atingi o fundo da piscina, pensei que era a coisa mais patética morrer em função de um amor que não tinha dado certo, mas porque eu não conseguia me sentir triste ou arrependida? Não que eu quisesse morrer, mas as coisas que eu tinha feito, eu teria feito tudo de novo. Sou uma idiota eu sei, mas ele foi o único, sempre seria ele. Essa foi a ultima coisa que pensei, antes de apagar por completo.

Notas finais
OOOOOOH minha gente... O que vocês acharam? Não me matem, ainda tem mais um capítulo, e eu tentarei postar o mais rápido possível para vocês. Faculdade não é fácil viu u.u Enfim, vou responder todos os outros comentários ok? Ainda não tive muito tempo, me perdoem, mas eu li e amei cada um deles, vocês são demais! Beijo enorme no coração ♥