Trouble.
27 O cantinho escuro.
Notas iniciais
Olhei-me no espelho mais uma vez. Eu estava bonita, mas porque diabos eu me sentia tão nervosa? Ok, isso não tem nada a ver com o fato de Scott e eu termos combinado curtir adoidado essa noite, ou tem?
— Lídia? – chama Ava. Olho para minha amiga e dou um sorriso, ela está gata, tipo muito, de um jeito que eu nunca tinha visto. A verdade é que Avallanah tinha mudado muito depois de ter começado a namorar com Jared, não só fisicamente, mas mentalmente também, não que ela tivesse se tornado outra pessoa, ela ainda era a Ava, a minha amiga de infância, aquela menina que usava óculos fundo de garrafa, e que bateu em um menino para me defender. Ela tinha amadurecido, essa era a real coisa, minha amiguinha desde o jardim de infância, tinha se tornado uma mulher, em todos os sentidos.
— Uau, você está gata. – digo piscando para ela. Como de praxe, ela fica vermelha e desvia os olhos. Ah, a mesma menina envergonhada.
— Você também – ela se aproxima de mim e pega em minhas mãos – Você está bem Líd?
— Sim, por quê? – respondo sorrindo.
— Eu sei que você está bem, mas não é disso que estou falando... – ela pausa um pouco para que eu entenda, mas eu já tinha entendido, assim que ela pegou em minha mão e me olhou com aquela ternura. – Quero saber se o seu coração está bem.
Me retraio com a pergunta. Tento não pensar muito em meu coração, mesmo depois de ter encontrado Scott e Craig, que me fazem esquecer por alguns momentos a vida, ainda sinto aquela raiva, a tristeza, a saudade... Queria tanto poder vê-lo, nem que fosse por um segundo. Tinha tanta coisa que eu queria perguntar, que eu queria lhe falar... Porque ele não me contou? Esconder realmente foi a melhor opção? Tudo o que eu achei que nós tivéssemos, não passou de uma grande mentira? Eu fantasiei as coisas? Ele me amou de verdade?
— Acho que estou me recuperando – digo por fim. Essa era a verdade, eu estava juntando os caquinhos que tinham sobrado do meu coração, eu nunca iria superar Dylan, ele foi o primeiro, em tudo. Mas haveria outros, que também me fariam sofrer, mas não como ele.
— Scott está te recuperando Lídia. – ela aperta minhas mãos, e sinto um baque com suas palavras. Penso em Scott por um momento.
Scottie.
Nós dois tínhamos muito em comum, muito mesmo. Ele era companheiro, divertido, leal. E gato, muito gato. Mas Scott não tinha aquela coisa de me deixar nervosa, não como Dylan deixava, não estou comparando-os, estou comparando as minhas diferentes reações com os dois. Dylan era despojado, falava com todos, esbanjava carisma, enquanto Scott era na dele, tinha um certo humor negro, mas conseguia ser a pessoa mais adorável do mundo, fora que era muito inteligente também – vale ressaltar que Dylan é meio desprovido de inteligência -.
Solto um suspiro e respondo: — Somos apenas amigos.
Mas será que era apenas amizade mesmo? Eu não queria me envolver com ninguém tão cedo, a ferida ainda estava aberta, e não era medo de me machucar... Sempre soube que ficar perto de Dylan, era como se atirar do precipício, mas mesmo assim, eu fiquei. O motivo verdadeiro para eu não querer nenhum romance novo, é porque eu não queria ninguém além dele. Dylan.
— Espero que você pare de repetir essa mentira para que você mesma acredite – diz ela – Vocês não são apenas amigos Líd, você até pode não ter se apaixonado, e puderas, acharia você uma maluca se tivesse feito, mas você gosta do Scott, e ele de você.
‘’Mas você gosta do Scott, e ele de você’’
Eu gostava dele? Sim, eu adorava ficar com ele, conversar com, ter a presença dele comigo, mas eu não tinha aquela coisinha de fazer estomago revirar, pernas bambas e mãos suando, no máximo, era uma atração física.
— Meninas? – Taylor apareceu no seu quarto, estava toda radiante e sorridente – Está uma loucura lá embaixo, vocês querem descer?
— Jared já chegou? – perguntou Ava.
— Credo, desgruda um pouco do seu amorzinho e fica com as amigas poxa – resmunga Taylor, fazendo cara de nojo.
— Ih, olha ela – digo rindo – Quem vê não pensa que vai correr para os braços do Craig assim que ver ele.
Taylor me fulmina com os olhos, e não posso conter uma risada alta. Desde aquele episodio hilário, eu vinha atormentando Craig e Taylor, e era muito bom tirar sarro com os dois.
— Nem vou falar nada para você Lídia engraçadinha Evans.
— Ei – chama Ava – Vocês lembram da aposta que fizemos da ultima vez? Foi a primeira vez que Jared me disse que eu estava bonita – diz ela contente.
Me limito a revirar os olhos, enquanto Taylor finge vomitar.
— Chega de melaço vocês duas – diz ela fingindo não estar irritada. – Vamos descer logo.
Entrelaçamos os braços uma nas outras, e descemos em direção à festa.
***
Como era de se esperar, a casa estava lotada. Reconheci muitos rostos do colégio e da vizinhança. Procurei por Jared, junto com Ava, já que Taylor tinha sido abduzida por uns dos convidados.
Vi meu irmão ao longe conversando com Todd, e nos aproximamos.
— Oi – falei para os dois, mas apenas Todd me respondeu com um aceno rápido, já que Jared e Avallanah estavam se enroscando. Um silencio desagradável se instalou entre mim e Todd.
Desde que ele tinha me contado sobre tudo, não nos falamos muito depois daquilo, Todd estava com tanta raiva de Dylan como eu. Esse era um assunto proibido entre nós dois, e ele parecia se culpar por saber antes de todos e ter que guardar segredo, mas não o culpo, ele só fez o papel de amigo que tinha que fazer, o grande babaca da história era Dylan.
— E então Lídia? – diz ele acanhado. Nós dois sempre fomos próximos, conversávamos diariamente, mas hoje, parecíamos estranhos. – Tudo bem?
— Tudo e com você? – tento não soar tensa, mas é praticamente impossível. Todd é a pessoa que mais me lembra Dylan, e querendo ou não, eu odeio lembrar dele.
— Estou...
Mais uma vez o silencio desagradável pairou sob nós. Droga, o que eu deveria dizer? Eai têm tido noticias dele? Ele está seguindo a vida dele bem, como disse que iria fazer? Nem sobre tortura, não queria saber nem um pouco de Dylan, ele que ficasse bem longe, afinal, era o melhor para todos, não era?
— Ei – diz uma voz atrás de mim – Que linda – Scott chega ao meu lado, me abraçando pelos ombros. Dou um sorriso e uma boa olhada nele.
— Até que você dá para o gasto – digo.
— Menina má – diz Craig se juntando a nós.
Arrisco olhar para Todd, e de repente me sinto culpada. Tenho a sensação de que estou traindo alguém, e o olhar acusatório dele me deixa com vontade de sair correndo para longe dali. Eu quase podia ouvir seus pensamentos... ‘’ Mal Dylan foi embora e ela já está com outro’’
— Fico feliz por você Lídia – Todd disse suavemente, deixando um sorriso discreto escapar dos seus lábios, então se levantou e foi embora.
***
— Vai Lídia – dizia Scott – Só mais uma! – ele tentava empurrar o copinho de shot para o meu lado, e eu tentava em vão recusar.
— Não! Isso é horrível – digo irritada.
— Você é tão sem graça – repete ele mais uma vez.
Scott já estava bem alterado, e eu não poderia dizer que estava sóbria, mas estava com mais consciência que ele, ou não, já peguei o copinho e virei goela a baixo de uma só vez.
— UHUUUUUUUL, ISSO AI RUIVA, MANDA VER! – gritou batendo palmas.
— UHUL – gritei de volta. – Vamos dançar. – puxei-o pela mão, e o levei para onde tinha um aglomerado de gente suada jogando o copo para o alto. Olhei para os lados em busca de Taylor ou Avallanah, que tinham sumido há um tempão, mas não as encontrei.
— Lídia – chamou Scott perto do meu ouvido, me deixando arrepiada.
— Que? – respondi, enquanto disfarçava.
— Eu não sei dançar.
— Nem eu.
Parei no meio do monte de gente e olhei para ele, ficamos nos encarando sem saber o que fazer, então de repente começamos a rir. As pessoas ao nosso redor nos olhavam e davam risada também, sem saber o motivo de estarmos rindo, nem nós sabíamos o porquê de tantas risadas.
— Lídia – Scott tinha parado de rir, e tinha um semblante sério. – Vem comigo – ele entrelaçou nossos dedos e me levou para um canto escuro da sala, onde não havia ninguém.
— Que foi? – perguntei. Ele parou de andar e me olhou, de uma forma tão intima que comecei a me sentir exposta, como se estivesse sem roupas. Ficamos nos encarando por um tempo, sem dizer nenhuma palavra, até que não aguentei e o puxei pela nuca, selando nossos lábios.
Scott invadiu minha boca com sua língua e me beijava com voracidade, não sabia se era por conta do álcool ou do desejo, mas eu sentia que estava fazendo a coisa certa, estar ali, beijando ele. Puxei ele para mais perto, e ele me encostou na parede, levantando minhas pernas para que entrelaçasse ao seu redor.
Suas mãos foram para debaixo de minha saia, e não ousei em tirá-la dali, eu queria tanto quanto ele. Ele alcançou minha calcinha e penetrou um dedo, não pude conter um gemido. PUTA QUE PARIU, EU NÃO POSSO TRANSAR AQUI NO CANTINHO NO MEIO DE UMA FESTA. CARALHO! Empurrei Scott e olhei para os lados nervosa.
— Que foi Lídia, te assustei? – ele parecia triste.
— A gente não pode fazer isso aqui – sussurrei.
— Por quê? – sussurrou de volta.
— Alguém pode ver.
— Por que a gente ta sussurrando?
— Para ninguém escutar.
Ficamos nos olhando, e por um momento me arrependi de tê-lo afastado. Quero beijar você de novo Adams. Ah, como quero.
— Vem comigo – peguei sua mão e comecei a puxá-lo para fora do cantinho, subindo as escadas em direção à um dos quartos de hospedes.
Entrei no quarto e fechei a porta, me assegurando de estar trancada, não queria que ninguém me atrapalhasse.
Scott estava sentado na cama e me olhava com atenção, comecei a ficar nervosa.
— Me trouxe aqui por quê? – perguntou com desdém.
— Também não sei – respondo rapidamente. É lógico que eu sabia.
— Por que trancou a porta Lídia? – ele mostrou um sorriso cafajeste e não aguentei. Andei em sua direção e sentei no seu colo, puxando-o para um beijo. Scott não hesitou em corresponder.
Diferente do que foi com Dylan, Scott e eu tínhamos uma necessidade, um fogo para apagar. Só me dei conta disso agora, que eu desejava Scott, muito.
Arranquei sua blusa e ele também tirou a minha, passeando suas mãos pelos meus seios, apertando com força, gemi contra sua boca, e ele soltou um suspiro.
— Não dá para esperar Líd – ele me virou, deixando que eu ficasse por baixo. Ele se ajoelhou na cama, desabotoando a calça, e pude ver o tamanho da sua ereção contra o tecido da calça. Fiquei de joelhos também e levei minhas mãos para a barra de sua cueca, puxando o elástico e soltando.
Scott observava meus movimentos com um sorriso nos lábios, eu estava pronta para atacar novamente seus lábios, quando vi uma sombra se movimentando no quarto. Olhei de relance para a porta do banheiro e vi alguém.
Parei na hora sentindo os pelos do meu corpo se eriçar. Não podia ser...
— Dylan?
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