Trouble
12 Fleeing their questions
Notas iniciais
Julia Forneck e Karrie Anne Kenny MUITÍSSIMO OBRIGADA PELAS RECOMENDAÇÕES! Garotas vocês fizeram meu dia, muito obrigada pelo carinho que vocês tem com a fanfic, isso realmente me inspira a escrever ♥
Boa Leitura.
Me encontro sentada de frente para a minha janela enorme, por conta do frio rebelde que se instalou em Atlanta ela estava toda embaçada, me proporcionando assim mais uma lousa para meus desenhos. Pensamentos dançavam em minha mente, eu mal podia contê-los, corriam de Damon até o meu futuro incerto. Imaginei-me seguindo uma profissão qualquer, tendo uma rotina normal para seguir, nada que inclua remédios de hora em hora.
– Qual é o preço dos seus pensamentos? – Damon sussurrou perto do meu ouvido me fazendo pular com o susto.
– Sua mãe não te ensinou a bater na porta antes de entrar? – disse arqueando uma de minhas sobrancelhas.
– Não tinha portas na minha casa – ironizou – Mas, no que está pensando? – perguntou sentando ao meu lado ficando de frente também para a janela que agora estava cheia de desenhos infantis.
– Um futuro impossível – sorri amarelo fitando o chão
– Elena se seu medo é se eu vou ou não aceitar me casar com você e ter sete filhos, pode ficar tranquila porque eu aceito – gargalhamos juntos – Posso saber o quão impossível é o seu futuro?
– Ser uma pessoa normal – meus olhos ameaçaram a transbordar, levantei a cabeça e respirei fundo – Me conte um pouco mais sobre April, se puder é claro – sorri para ele que me retribuiu com um sorriso de canto.
– Ela era uma cópia idêntica sua, sem tanto pessimismo, mas tão teimosa quanto você – Sorriu olhando para a janela, a ponta de seu dedo começou a fazer formatos sobre a janela embaçada, o desenho era um urso mal feito com uma estrela no lugar do coração. – Costumava dizer a ela que eu era um urso forte e grande, pronto para defendê-la de todos os perigos – fez uma breve pausa respirando fundo – E ela era a estrelinha, que brilhava dentro do urso o fazendo ter forças para lutar, os dois nunca iriam se separar, pois um não consegue viver sem o outro. – sorriu dolorido e uma lagrima ousou descer de seus olhos, mas logo foi limpa pelas suas mãos tremulas.
– Desculpa tocar nesse assunto, eu só... – respondi meio sem jeito ao ver o quanto aquilo havia mexido com ele.
– Não se desculpe Elena, eu amo falar da April, só tenho boas lembranças dela, ela ainda é minha estrela e ainda brilha dentro de mim, eu tenho certeza disso. – sorriu reconfortante para mim – Quando ela morreu, eu não conseguia acreditar, minha mãe tentava me consolar, mas ela mesma estava sem chão.
– Como ela morreu? – perguntei temerosa, sei que é uma pergunta delicada mas eu precisava conhecer mais daquela história, se April era tão parecida comigo, tenho medo de que isso possa se repetir comigo.
– As pessoas da clinica disseram que ela estava bem para passar o natal em casa, então eu levei ela para casa, estávamos todos lá no natal, menos o meu pai, April era extremamente ligada a ele, o elo dos dois era quase igual ou maior que o meu e o dela, ela perguntava dele a todo minuto, queria porque queria vê-lo, temíamos a reação dela quando descobrisse da morte dele, não era atoa que tínhamos escondido isso por tanto tempo. Stefan era novo demais e sem medir as palavras disse “Papai está no céu, ele não consegue voltar mais” depois disso April surtou, minha mãe chorava sem reação enquanto eu tentava acalmar April. Quando pensávamos que tudo estava resolvido April pediu para ir dormir, assenti pensando que ela deveria estar acabada após saber de tudo. Achamos ela no outro dia caída sobre a cama com várias cartelas de comprimido vazias ao lado do corpo. Eu não conseguia aceitar, o meu chão tinha desmoronado, minha mãe tentava me consolar, mas eu sabia que ela estava tão quebrada quanto eu. Depois disso todos nós aprendemos a sobreviver sem o sorriso inocente da minha estrela, decidi trabalhar em algo que pudesse evitar esse sofrimento para outras pessoas, e aqui estou eu sendo o guardião de uma menina chorona – Quando percebi eu estava em prantos e Damon tentando ser o durão segurando suas lágrimas.
Sem pensar duas vezes eu o abracei, deitando minha cabeça em seu peito e preenchendo meus pulmões com seu perfume. Senti minhas lágrimas molhando o tecido fino de sua camiseta enquanto suas mãos quentes percorriam de cima a baixo minhas costas fazendo assim um carinho gostoso. Em meio às lágrimas abri um sorriso e ergui minha cabeça para que pudesse ter o privilegio de ver seu rosto. Seus lábios estavam levemente curvados em um sorriso, seus olhos colados aos meus e nossos rostos perigosamente próximos. Meu coração começou a martelar mais rápido, eu quase poderia prever o que aconteceria a seguir se a porta não tivesse sido aberta furando a bolha que antes estava envolvendo nossos corpos.
A imagem de Lorena adentrou o quarto iluminado pela pouca luz. Um sorriso genuíno brilhava em seu rosto enquanto seus olhos corriam entre mim e Damon. Depois de dois minutos discutindo com seus próprios pensamentos a morena decidiu falar o que fazia em meu quarto.
-Elena minha querida, a doutora Rebekah está lhe esperando para sua consulta. –Ao ouvir suas palavras levantei-me do colo de Damon em um pulo e corri para a porta ao lado de Lorena, já pronta para ir à consulta.
Caminhamos em silencio pelo vasto corredor silencioso e gélido. Paramos em frente à porta branca que continha uma placa em letras grafadas os nomes: Rebekah Holt e Lorena Moss. Abri a porta e senti o calor da sala atingir meu corpo frio, entrei na sala e como sempre me aconcheguei em uma das poltronas em frente à mesa branca. Rebekah estava com os olhos vidrados em uma folha branca em seus dedos. Eu poderia muito bem ignorar a curiosidade que perseguia minha mente a cada segundo, mas já frequentava a sala de Rebekah seis vezes por semana a dois meses e confiava e conhecia há loira um pouco mais do que necessário para saber que o assunto que a carta trazia era mais sério do que a mulher esperava.
-Bekah, tudo bem? –A quatro semana estabelecemos a regra de que era mais confortável nos chamarmos pelos apelidos do que forçar uma formalidade desnecessária.
A loira em minha frente fechou os olhos com força, respirou fundo repetidas vezes e ergueu sua cabeça lentamente, seus olhos penetraram os meus e perderam ali, como se apenas o corpo de Rebekah estivesse presente e sua mente flutuasse em um mundo paralelo. Ergui uma sobrancelha e estalei os dedos em frente ao seu rosto, os olhos de Rebekah piscaram varias vezes e mesmo com a baixa claridade da sala eu conseguia ver as lágrimas inundando seus olhos e a força que a loira fazia para detê-las.
Rebekah coçou a garganta e forçou um sorriso quase me convencendo que estava bem.
-Desculpe Elena, eu tenho que parar de ler essas cartas durante o horário de trabalho –Rebekah fungou e concentrou seus olhos na tela do computador. –Hum, sobre o que falaremos hoje? –Perguntou mudando completamente de assunto.
-Tem certeza que não quer conversar sobre o conteúdo da carta? –Perguntei cruzando os braços sobre meu peito.
A loira soltou todo o ar de seus pulmões e abaixou a cabeça colocando suas mãos atrás do pescoço.
-Meu ex-marido, decidiu resurgir das sombras e me mandar cartas todos os dias, eu tento esconde-las de Lexi, mas nas cartas Robert implora para que eu mande uma foto de nossa filha ou o permita vê-la. –Apenas olhando para seu rosto eu conseguia notar a luta interna que ela estava tendo contra as lágrimas, ela mais que nunca parecia necessitar de um ombro amigo.
-Você ainda sente algo por ele? Por que no dia em que nos conhecemos você disse que se casaram por obrigação –Relembrei.
-Ele casou por obrigação, eu casei sonhando que poderíamos ser felizes, construir uma família juntos, mas assim que Lexi completou três anos o mesmo implorou para que eu pedisse divorcio e assim eu fiz –Rebekah novamente tinha perdido seus olhos em algum canto distante da sala. –Eu amava ele Elena; Se ainda amo? Talvez. Eu jurava para mim mesma tê-lo esquecido, mas assim que as cartas apareceram seu amor antes silenciado agora ressurgiu com duas vezes mais força, e eu não sei Lena, minha cabeça ta uma confusão, não consigo me concentrar em mais nada –Rebekah cansou de lutar e se permitiu chorar, não pensei duas vezes e corri ao seu lado a abraçando, assim como tinha feito com Damon. Eu abraçava as pessoas como se em meus braços tivesse algum calmante, mas eu apenas pensava que quando era eu no lugar deles, tudo o que eu mais desejava era um abraço.
-Rebekah, tente se manter forte, não se abata tanto por enquanto, o seu ex-marido ainda nem se quer deu as caras, então não desmorone entes do tempo, Lexi pode acabar descobrindo e ficar preocupada, garanto que isso é o que menos quer –Parei para pensar em suas palavras iniciais e decidi questionar. –Alias por que sua filha não pode ver o pai?
-Não é que não possa, eu apenas não quero que ele tenha qualquer ligação em minha vida, que use Lexi como ponte, eu apenas quero distancia, eu sei que é egoísta, mas garanto que isso é melhor para nossas vidas –Rebekah secou as lágrimas com a manga de seu jaleco branco.
-Bekah, mesmo que eu entenda seu lado, tente se colocar no lugar de sua pequena filha. Eu nunca tive um pai presente e isso fez muita falta, eu não tive os dois pais presentes, e sei o quanto a família faz falta, não a impeça de ver ele, apenas pense que precisa seguir em frente sem privar sua filha de nada. –Finalizei colocando uma mecha loira atrás de sua orelha. Abri um sorriso carinhoso e voltei-me a sentar em meu lugar.
-Você tem razão, eu preciso esquecê-lo, não posso acabar com a vida da minha filha por culpa de um medo infantil que tenho. –Secando os últimos vestígios de lágrimas que corriam pelas suas bochechas, ela respirou fundo e tratou de estampar o melhor sorriso possível em seus lábios.
-Mas agora, mudando de assunto –Rebekah tragueou uma grande quantidade de ar. –Como passou o dia?
-Normal, Damon e eu assistimos a um filme, depois ele teve que sair, acho que veio para a sua hora de sessão e em seguida voltou para o quarto e contou-me sobre April, sabe sempre fiquei curiosa sobre ela –Confessei me lembrando de como os olhos de Damon estavam perdidos enquanto falava da sua irmã com carinho.
-Por que a curiosidade? –Perguntou.
-Desde que nos conhecemos Damon falava que eu o lembrava muito sua irmã, eu sempre quis entender o porque, eu sabia que o assunto era delicado e que provavelmente ele se negaria a contar, mas ele apenas colocou tudo para fora me contando cada detalhe. –Encarei minhas mãos sobre meu colo, soltando o ar lentamente pela boca.
-E qual foi sua reação? Se identificou com a irmã dele? –Rebekah perguntou, seu olhar denunciava que ela tinha sua própria opinião sobre o assunto, então Damon já deveria ter se aberto para ela.
-Você sabe da história dela? –Perguntei.
-Quando eu estava na faculdade estagiei na clinica em que April Salvatore estava internada, eu conhecia sua história, mas não sabia que a mesma havia falecido até Damon me contar o motivo pelo qual decidiu trabalhar nessa área. –Rebekah mantia seus olhos fixados em seu caderninho onde sempre tomava nota de minhas consultas. Imaginei que naquele mesmo bloco de papel estavam escrito coisas que Damon havia contado a ela.Será que em alguma sessão ele tinha mencionado meu nome? Ele teria revelado algum segredo a Rebekah? Eu daria tudo para conseguir aquele pequeno caderno, mas era insano tentar pega-lo, muito mais fácil seria eu arrancar dele as respostas das minhas perguntas.
-E vocês se conheciam? –Perguntei cruzando as pernas, estava totalmente interessada em sua resposta.
-Nos esbarrávamos algumas vezes pelos corredores, trocávamos algumas palavras, mas nada alem disso –Rebekah ergueu uma sobrancelha e colou seus olhos no meu. –Posso saber o porquê da pergunta?
-Curiosidade.
-O nome disso não seria ciúmes? –Um sorriso maroto abriu em seus lábios e eu rolei meus olhos.
-Claro que não, por que sentiria ciúmes do doutor Salvatore? –Ergui uma sobrancelha ainda mantendo meus braços cruzados.
-Elena, já nos conhecemos a um tempinho, pode se abrir para mim –Rebekah se debruçou na mesa e de repente um sorriso sábio brotou em seus lábios volumosos. –Eu notei que os dois tem um carinho um tanto grande um pelo outro. Você sente alguma coisa pelo seu doutor? –Os olhos claros de Rebekah se grudaram nos meus deixando-me totalmente desconfortável. Senti o calor tomando conta de minhas bochechas e sabia que se não arrumasse uma saída para sua pergunta, em minutos ela teria sua resposta respondida só de olhara tonalidade exagerada de minhas bochechas.
Corri os olhos pelo escritório à procura de alguma válvula de escape e enfim fitei o relógio grande na parede, notando que faltava apenas dois minutos para minha consulta acabar.
-Eu responderia, mas vamos deixar para a próxima consulta –Ergui levemente um dos cantos dos meus lábios. –É melhor eu voltar ao meu quarto –Dei a volta na mesa de Rebekah, beijei sua bochecha como um doce “adeus” e sai de sua sala.
Eu sabia que não conseguiria fugir de sua pergunta por muito tempo, mas enquanto eu conseguisse eu o faria. Não conseguia me imaginar contando a doutora Holt meus segredos e desejos sobre meu médico, era totalmente errado eu ter tais sentimentos sobre meu guardião, mas não me culpe, eu se quer tenho controle sobre isso.
Notas finais
E a história de Damon e April? Triste né? Damon sente muita falta da irmã ):
Gostaram? Odiaram? Comentem, recomendem e façam duas escritoras felizes. xx
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