Notas iniciais
Revisão em 28.07.2024

Os cinco imperadores, junto com suas esposas, dirigiram-se para a amurada do palácio do Kremlin. Uma multidão já os aguardava, como costumava ocorrer quando um dos imperadores aliados visitava a Rússia, embora fosse a primeira vez que os cinco imperadores estavam reunidos no palácio de um deles ao mesmo tempo.

Daniel e Marjorie acenaram para os russos primeiro. Ele arriscou até dizer algumas saudações em russo para a multidão, e foi longamente aplaudido. Daniel era poliglota e muito estudado. Sempre aproveitava para exibir seu conhecimento linguístico em suas viagens oficiais.

Antes de se juntar ao primo, Matt puxou Thaila para um lado.

— Olhe, querida, me desculpe por hoje cedo – disse ele. – Mas você foi um pouco dramática.

— Que história é essa?

— Não precisa agir como se uma guerra fosse começar amanhã. No que depender de Daniel e de todos nós, não haverá guerra nenhuma.

— Mas...

— Além disso, você não será princesa para sempre. O povo te adora. Você será uma excelente rainha.

Os olhos de Thaila brilharam de felicidade. Ela mal conseguia juntar as palavras.

— Você... Você quer dizer... Você vai...

— Farei o possível e o impossível – afirmou Matt. – Vou começar as conversas com o Parlamento amanhã mesmo. E tenho certeza que o povo vai apoiá-la. Veja.

E ele a guiou pela mão para junto de Daniel e Marjorie, e acenaram para a população. Ao verem o imperador e a princesa, os russos ovacionaram-nos e aplaudiram com mais intensidade.

Gustavo e Maílla juntaram-se a eles e acenaram, mas as atenções dos cidadãos estavam tomadas pelo casal real da Rússia. A multidão gritava seus nomes e ensaiava um grito de guerra:

— Vida longa ao nosso Rei! Vida longa à nossa Rainha!

Thaila ficou maravilhada. Parecia à beira das lágrimas ao ouvir a Rússia chamá-la de rainha. Abraçou desajeitadamente o marido e acenou de volta para os súditos.

Quando Heriberto, Lisa, Thiago e Milene apareceram junto à amurada dirigindo cumprimentos aos russos pela hospitalidade, o imperador Matt ergueu a mão pedindo silêncio. Enquanto a população de Moscou cessava de gritar e aplaudir, um mordomo trouxe um microfone para Matt. Ele deu duas tapinhas no objeto para testar o som, e começou a discursar.

— Cidadãos da nossa grande e adorada Rússia! Pela primeira vez, nossos quatro aliados reuniram-se aqui para uma visita diplomática. Eles estão satisfeitos e encantados com a cordialidade e a hospitalidade do nosso povo. Quero lembrar-lhes que cada um de nossos países são nações irmãs, que irão se defender e se auxiliar mutuamente. Lembrem-se disso, sempre que encontrarem um filho alemão, espanhol, sueco, português e de qualquer território onde nossas bandeiras estejam fincadas. Podemos estar passando por um momento de apreensão, porque alguns impérios vizinhos estão se mostrando relativamente hostis para conosco. Iremos à Paris para uma reunião extraordinária das Nações Unidas, e espero sinceramente, e creio que meus amigos imperadores concordam comigo, que possamos voltar de lá com a paz assegurada para nossos povos.
Os russos aplaudiram euforicamente as palavras do imperador, e entoaram os nomes dos cinco imperadores, dizendo “Vida longa ao imperador!”
Matt dispensou a multidão, e ele e Thaila, junto com os demais, voltaram para o palácio. Havia um jantar especial para homenagear os convidados. As esposas foram à frente, e os imperadores ficaram na ante-sala. Daniel se aproximou de Matt.
— Você pareceu muito seguro ao dizer que quer evitar uma guerra a todo custo – disse o alemão.
— E não devia ter parecido? – questionou Matt.
— Não, não, não é isso que eu quis dizer – disse Daniel. – Eu teria feito o mesmo. Por melhor preparados que estejamos para ela, uma eventual guerra não seria a melhor solução para os nossos problemas.
— Concordo plena e abertamente – afirmou o russo. – Tudo o que conquistamos para nossos impérios veio honestamente. Uma guerra nunca é um meio honesto realmente.
Daniel inspirou profundamente.
— Tenho a sensação de que todas as nossas dúvidas sobre as intenções dos outros impérios serão esclarecidas nessa reunião.
Matt olhou profundamente para Gustavo, Thiago e Heriberto. Todos estavam igualmente apreensivos.
— Só saberemos quando formos, não é? – disse Gustavo.
— De fato. – Daniel olhou para o horizonte. – Teremos de ficar atentos para o que eles realmente planejam.

Enquanto falava, Daniel manteve o olhar nos céus. Contemplava o horizonte com afeição. Sempre se sentira atraído pela visão dos céus, na Alemanha e em outros lugares. Gostava de ouvir os sons dos raios, trovões e tempestades em dias agitados... Ajudavam sua mente a pensar.

Mesmo quando o céu estava tranquilo, ele sentia falta das tempestades. Adorava contemplar os céus, mas não conseguia deixar de pensar que uma tempestade poderia ajudar a acalmar sua mente, seus pensamentos. Mesmo com o pensamento de que precisavam evitar a guerra a todo custo, Daniel gostava de se inspirar nas tempestades para tomar inspiração antes de decidir seus próximos passos...
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