Tronos de Fúria
11 Capítulo 11
Após regressarem à Rússia, Matt estava sentado em seu gabinete, estudando documentos. Os acontecimentos do dia da reunião ainda estavam nítidos em sua mente. Os jornais haviam começado a noticiar a declaração de Gustavo sobre entrar em guerra contra a França.
Nem para ser discreto. Decepcionado com a escolha do primo, Matt pegou sua caneta e começou a fazer anotações. Era evidente que o monarca sueco estava furioso, mas o russo esperava que pelo menos Gustavo teria esperado mais algum tempo antes de decidir tomar a frente e responder às provocações de Rina. Aquilo podia ser o início do fim de tudo que conheciam. A reconstrução do mundo, iniciada pela geração anterior de imperadores, os pais deles. Tudo poderia ir por água abaixo, depois da declaração de Gustavo e dependendo de como Rina iria responder. Pelo que ele havia percebido, aquilo era exatamente o que Rina estava tencionando fazer. Atrair Gustavo para uma arapuca. Com o pouco que ele conhecia da imperatriz francesa, para os padrões que ela apresentara até o presente momento, era uma decisão que combinava demais com o perfil, personalidade e modus operandi dela. Rina sabia que, ao atrair Gustavo para sua teia, ela forçaria eventualmente a mão não só dos demais imperadores da coalizão Impérios da Espada, mas dos próprios aliados. A reunião tinha tido a questão das tarifas alfandegárias como tópico inicial, mas agora havia ficado claro que tudo aquilo não passava de uma fachada e um pretexto. Se a França entrasse em guerra com algum país, sob a acusação de se sentir ameaçada por um fator externo, os seus aliados dariam suporte a ela. Se Gustavo entrasse em guerra com algum país, alegando querer recuperar a dignidade do seu país e do seu povo, todos sabiam que os demais imperadores da coalização declarariam apoio a ele sem hesitar. Matt estava protelando para poder conversar privadamente com Daniel antes de tomar qualquer decisão, imaginando também que Heriberto e Thiago aguardariam até que um deles se posicionasse para só então tomarem alguma decisão também. Seus assessores aguardavam um posicionamento, para o caso de terem que notificar a imprensa e colocar em circulação a notícia nos veículos oficiais do império. O exército e as forças armadas aguardavam pacientemente. O parlamento tentava entrar em contato com o imperador o tempo todo, para agendar uma reunião, acerca dos preparativos para a eventual guerra. Matt não queria colocar o carro na frente dos bois, mas sabia que não poderia demorar tanto tempo a tomar sua decisão. Uma brisa correu pela sua sala. Ele repousou a caneta, colocou os documentos em ordem e começou a andar pela sua sala. Estava mesmo sendo um dia refrescante. Era uma brisa agradável a que havia passado por ele; ele se sentiu reconfortado num breve momento. Mesmo sem poder sair do palácio no momento, Matt se permitiu contemplar a vista do lado de fora. As pessoas andavam pelas ruas, seja para fazer caminhadas, seja em direção aos seus afazeres de rotina. Pôde notar também alguns turistas visitando os marcos históricos de Moscou. De repente, Matt sentiu vontade de olhar para o rio Moskva. Já havia passeado com sua esposa pelas margens do rio e também de barco por ele. Não estava, porém, pensando diretamente em Thaila enquanto olhava o rio. Os rios sempre desaguavam no mar eventualmente... Era uma sensação diferente. Quase que automaticamente, ele se virou para um retrato de São Petersburgo que havia na sua sala. Um retrato que mostrava bastante do Mar Báltico, aonde ficava o porto da cidade. Matt sempre havia tido uma proximidade com a cor azul. Especialmente com certos tons... como azul-marinho. Enquanto olhava para a imagem, com uma foto sua embaixo, tirada nos primeiros anos de realeza em uma visita oficial à cidade, Matt se deixou perder em seus próprios pensamentos. De repente, um pensamento muito latente começou a ressoar na sua mente. Como uma voz sussurrando dentro dele próprio... Uma voz que se parecia demais com a sua própria voz....... Não deixe seu irmão lutar sozinho. Não deixe seus amigos entrarem na guerra sem o seu apoio. Você sempre os orientou. Agora você pode auxilia-los a alcançar a vitória nessa nova batalha. Veja o mar. O mar pode ser sereno e pacífico. Mas o mar também pode ser revolto a depender da necessidade. O mar sabe se defender. O mar sabe quando deve se impor. Você precisa se impor e precisa defender o povo russo, e precisa defender seus irmãos da ameaça que se levanta do outro lado desta guerra. Seja como o mar. Saiba a hora de agir....... Matt sacudiu a cabeça para afastar os pensamentos, depois de a mesma frase ressoar em sua cabeça algumas vezes. Porém, aquela frase lhe fazia todo o sentido. Não podia ficar parado. Precisava agir. Precisava tomar uma atitude, uma decisão, o quanto antes. Olhou para a foto do mar mais uma vez. O mar sempre havia lhe chamado a atenção. Precisava ser como o mar. Matt estava resoluto. Sabia o que precisava fazer. Sentou-se novamente em sua mesa e começou a fazer anotações em uma nova folha de sua agenda. Precisava fazer muitos telefonemas e agendar algumas reuniões importantes, que não podiam esperar.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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