Trono De Sangue
13 Capítulo 13 AMOR EM TEMPOS DE CÓLERA E SOMBRAS...
Notas iniciais
A construção tinha uma forma piramidal e era composta de pedras negras e lustrosas, perfeitamente encaixadas. Dia após dia, nos quatro anos que se seguiram a ascensão usurpadora de Hades, homens e mulheres eram convocados para juntar-se aos homens de pele bronzeada e olhos amendoados, vindos das Terras flutuantes para servir ao novo soberano e participar do projeto que estava mudando a paisagem bela e luxuriante de Dwiefer.
Do terraço da fortaleza, Hades observava o andamento de tudo e também os homens que Radamanthys colocara para manter a ordem na cidade. Qualquer insurreição era contida com a prisão ou a morte e, nos últimos tempos, muitos grupos tentavam sabotar a grande obra cujos gastos começavam a esgotar os recursos que sempre tinham sido usados no bem-estar da população.
O Ádito dos Mistérios, como era chamada a construção, tinha como objetivo instaurar uma nova crença e também lei , que consistia na afirmação que seu soberano, além de líder temporal era também um avatar do primitivo deus Caos! Nem mesmo o Senhor das Almas e a Senhora Zelosa de Muitas Faces deviam receber adoração e oferendas superiores ao que deviam a ele, Hades.
Com as mudanças radicais, Dwiefer já não exibia a alegria de antes, as ruas estavam vazias ou ocupadas por pedintes e ladrões que dependendo do que roubassem, agiam livremente sob as “vistas grossas” dos também ladrões que compunham o Spectrum Svört.
A abundância das colheitas se esvaia no pagamento de tributos e as famosas competições entre cavaleiros se transformara em verdadeiros circos de horror e crueldade. A comercialização do pó da papoula negra acabou por gerar as famosas Moradas de Sonho, casas onde a droga era oferecida de diversas formas, atraindo os incautos que logo perdiam a determinação, vontade, discernimento e seus mais preciosos bens.
Pandora colocou-se ao lado do irmão, tocando em seu ombro. O vestido negro ajustado ao ventre que já exibia o volume de sua gravidez. Hades voltou o olhar lúbrico para a curva dos seios que também haviam crescido e levou as mãos até os mamilos tocando-os com os polegares, fazendo-os endurecer. Pandora gemeu de prazer e dor...
– Me excita vê-la carregando a minha oferenda. – sussurrou ele, próximo ao ouvido da irmã.
– Hades... tenho medo! Medo de não ter a coragem que espera de mim. – disse ela estremecendo.
– Seremos deuses... você e eu! Foi para este momento que fomos preparados, Pandora. Logo teremos o poder de controlar toda Darneheim e todos os clãs se curvarão ou serão extintos! Não estamos falando de batalhas patéticas e sim da grande e derradeira... Eu sou o escolhido e farei a oferenda perfeita para trazer o Caos, aquele que existe antes de todas as coisas criadas! Eu serei seu receptáculo humano e, todos se curvarão diante de mim...e de você, minha adorada irmã.
– Mas... se a criança for... seu filho e não de Regulus? – perguntou Pandora e sua voz soou fraca e hesitante.
Um brilho divertido surgiu nos olhos cruéis de Hades e ele continuou a acariciar os seios, agora desnudos.
– Se for meu... será ainda mais potente, minha querida! Esqueceu que, em nossas veias, corre o sangue do leão e o da necromante mais poderosa que Darneheim conheceu?
Pandora fechou os olhos e Hades tomou-lhe os lábios, beijando-a com ardor, enquanto descia uma das mãos para as coxas femininas e adentrava a região úmida e pulsante do corpo dela, fazendo-a mover-se quase em desespero e suplicar para que a penetrasse.
O olhar de Hades passou do divertimento à luxúria, mas ainda assim, afastou-se dela. Deu-lhe as costas e voltou ao terraço onde podia ver as luzes do crepúsculo que pareciam dançar por entre as pedras negras em um espetáculo de beleza sombria...
– Por quê? Porque não me quer mais? – arfou ela com um tom de mágoa.
– Volte para Regulus e mantenha-o como combinamos. Teremos tempo para isso mais tarde. Pensei que depois de quatro anos ingerindo o pó da papoula negra, ele já teria sucumbido. Mas, não... ele é forte e o povo ainda o ama, apesar de tudo. Melhor assim, teremos duas oferendas de sangue real para realizar um ritual perfeito!
Ele afagou uma mecha dos longos e sedosos cabelos de Pandora, ao mesmo tempo em que aproximava os lábios sensuais dos dela. Ela sentiu o corpo estremecer e o desejo tomá-la com mais intensidade. Abriu a boca e moveu a língua, ávida em tocar os lábios do irmão.
Hades deu um grande suspiro e, intensificando o brilho pérfido nos olhos frios, ele ergueu uma das mãos e, repousando gentilmente a ponta de um dedo sobre os lábios dela, afastou-a, repetindo a ordem:
– Se está tão necessitada assim, vá foder com Regulus e aproveite para deixá-lo ainda mais escravo de seus encantamentos, amada irmã.
Sentindo o rosto quente, Pandora cobriu os seios e obedeceu sem perceber que era observada de forma discreta e eficaz, através de furos estratégicos feitos nas pinturas que agora adornavam o salão do trono...
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A obra, concebida por Kamus projetava-se por cima do denso emaranhado da floresta, erguendo-se em sintonia quase camaleônica com as árvores do lugar. Uma neve fina caía e mais uma vez, lá estavam Ikki, Milo e metade dos habitantes de Irġielkiesaħ. Os ventos fortes, antes do amanhecer quase tinham impedido o trabalho e também o plano de Milo. Porém, logo que todos terminaram o desjejum, a Healer entoara um cântico de apaziguamento dos elementos e logo veio a notícia que o tempo melhorara e que o trabalho já era possível de ser retomado.
Kamus, além de orientar os construtores e artesões também executava tarefas pesadas e Milo observou que o fato parecia, totalmente, absorvido por todos como algo natural. Naquele clã, embora houvesse a hierarquia, os senhores eram chamados a dar o exemplo de força e eficiência o que não deixava de ser algo admirável para Milo que somente agora, começava a conviver com estruturas organizadas.
A metade da manhã já transcorrera e Ikki já tinha se afastado há alguns bons minutos e Milo pensava em algo para chamar a atenção e assim dar mais tempo ao irmão. Foi então que viu um jovem belo e forte que levantava toras pesadas de madeira, se exibindo para algumas mulheres que levavam água e ferramentas aos homens que cuidavam dos andaimes e cordas.
Devagar, Milo aproximou-se a uma distância que lhe dava certo espaço e ficou olhando-o, fixamente, até que o jovem percebesse. Em alguns segundos, o loiro notou e pareceu gostar da atenção que chamava.
– Então, acha que pode fazer isso, senhor de Berkehell? – falou o jovem loiro erguendo um pesado tronco, sem demonstrar nenhum esforço.
– Não creio que possa superá-lo, senhor...?
– Siegfried! Siegfried de Dubhe! – respondeu o jovem com orgulho.
– Siegfried... Muito bem! Sabia que fazer esse tipo de esforço pode causar-lhe sérios aborrecimentos? – perguntou Milo, sério.
– Que tipo de aborrecimento? – perguntou franzindo o cenho.
– Bem, sabe como é... pode desenvolver uma hérnia ou... pior, endurecer em cima e ficar mole embaixo! – falou Milo apontando para o sexo do rapaz.
O belo rosto de Siegfried endureceu e ele percebeu que Milo estava desdenhando de sua força.
– Pois vou mostrar-lhe o quão duro são os meus punhos! – rosnou o jovem.
Milo sorriu e se abaixou, pegando um montinho de neve que foi moldando na mesma velocidade que Siegfried avançava em sua direção. Quando o rapaz se aproximou o suficiente, Milo atirou a bola de neve em cheio no rosto já vermelho de ira. A cabeça de Siegfried oscilou e Milo continuou pegando neve com incrível rapidez e atirando.
Fenrir que chegava no mesmo instante, achou a cena divertida e caiu na gargalhada fazendo Siegfried ficar ainda mais bravo. De repente, havia uma guerra de bolas de neve com mais gente participando, rindo e fazendo algazarra.
Siegfried esqueceu a ofensa de Milo por alguns instantes e mirou em Fenrir que atirava em Milo que atirava no que se movesse a sua frente. Até que uma bola de neve atingiu em cheio um certo ruivo que fora verificar o motivo de tanto barulho em horário de trabalho.
– Posso saber que cena absurda é essa? – gritou Kamus, enquanto limpava com a mão a neve escorria por entre seus cabelos e face.
– Hã... estávamos apenas espairecendo um pouco. – disse Milo tirando neve dos olhos.
– Senhor Milo, faça o favor de me acompanhar! – disse Kamus com a testa franzida.
Inesperadamente, Fenrir adiantou-se.
– Não foi somente ele que se divertiu. Eu também atirei e todos aqui, também. – disse ele fitando sem medo os olhos do irmão mais velho.
– Pois então, todos farão uma hora a mais para cobrir a “hora da brincadeira”. Está bem assim? – falou Kamus controlando sua irritação com muito esforço.
– Uma hora? Mas a gente só brincou uns vinte minutos! – reclamou Fenrir. – Se é assim, então podemos continuar por mais um tempo!
– Fenrir! – rosnou Kamus entre dentes. – Tenho que lembrá-lo que não tem mais quatro anos de idade?
Fenrir fechou o semblante e fez um som infantil de desagrado.Milo deixou escapar um sorriso travesso e Kamus fulminou-o com os olhos.
– Fico impressionado, senhor Milo com a sua capacidade de subverter a ordem com tanta naturalidade. Parece que nasceu para isso! – disse Kamus.
É, lobinho ruivo... e você ainda não viu nada... Pensou Milo com visível prazer por saber que, há essa hora, Ikki já devia estar bem longe com Shun.
Ikki planejara tudo com cuidado, inclusive usara toda a sua habilidade de andar silencioso como um gato e esconder-se por entre os pilares e reentrâncias das paredes. Shun tossira, algumas vezes, mas ainda assim não tinham sido descobertos ao descer as escadas. Quando chegaram à rua e se encaminharam para os estábulos, um lobo branco e saltitante veio ao encontro de Shun. O garoto tocou-lhe a cabeça e viu Hyoga observando-os com uma expressão muito séria.
– Merda! Pensou Ikki.
Shun, ainda pálido, apenas sorriu e continuou a acariciar o lobo que lambia a mão que o afagava.
– Vai nos denunciar? – perguntou Shun.
– Claro que não! Vocês têm de ir e não serei eu a impedi-los. Neve vai acompanhá-los até a saída da floresta, assim estarão seguros. – disse Hyoga.
Ikki franziu o cenho, um tanto desconfiado de tanta bondade, mas depois estendeu a mão na direção de Hyoga.
– Eu agradeço! Se algum dia precisar de mim, saiba que pode contar comigo.
Hyoga sorriu e apertou a mão de Ikki. Depois se voltou para Shun que também lhe estendeu a mão.
– Obrigado, Hyoga. Jamais vou esquecê-lo! – disse Shun apertando a mão do loiro.
O jovem olhou-o bem dentro dos olhos e aproximou o rosto, beijando-o de leve nos lábios. Shun arregalou os olhos e sentiu a pulsação em seu pescoço unida ao disparar do coração. Ikki ficou quase sem ar de presenciar aquela atitude, mas permaneceu, aparentemente, frio.
– Ainda nos reencontraremos, Shun e quando isso acontecer, você e eu seremos amantes... – sussurrou Hyoga próximo ao ouvido do jovem.
Shun engasgou e Ikki correu para ajudá-lo. Hyoga se afastou sob o olhar agressivo de Ikki e ainda assim, sorriu como se nada tivesse acontecido. Em seguida, deu as costas aos dois e rumou para a fortaleza onde Yuna o esperava para treinarem juntos a arte de falar e escutar sem o uso dos lábios.
Antes do entardecer, todos começaram a preparar-se para a volta e Kamus fez a contagem de todos os trabalhadores dando-se conta da ausência de Ikki. Chamou Milo que se fez de desentendido até não ter mais por onde escapar. Quando o inevitável se apresentou, ele enfrentou Kamus com os olhos cheios de orgulho, desafio e humor.
– Bem, senhor Kamus... Eu sou capaz de tudo pelos meus irmãos e decidi que daria ao caçula a chance de curar-se longe desse frio infernal. Portanto, instruí Ikki a pegar Shun e fugir. Há essa hora eles já devem ter deixado os limitesde Irġielkiesaħ. Sei que isso não parece uma atitude honrada, mas eu estou aqui e somente eu devo arcar com o ônus de tal decisão. Faça comigo o que bem lhe aprouver!
Kamus não disse nada e seu silêncio pareceu mais gelado que a neve fina que voltara a cair. Perto dos dois, alguns homens e mulheres olhavam para o seu senhor com uma espécie de receio velado. Raio veio de imediato, num silêncio total, tal seu dono e farejou o ar como se quisesse entender o que se passava entre Kamus e aquele homem.
– Vamos voltar. – disse Kamus por fim e continuando a ignorar Milo.
O senhor de Berkehell preferia que ele tivesse tido alguma reação, nem que fosse extrema. Porém, a única atitude de Kamus fora olhá-lo como se estivesse penetrando furiosamente em sua alma.
O clima tenso permaneceu até todos estarem de volta, perto do anoitecer.O salão principal já estava preparado para o jantar. Podia-se sentir o aroma da carne assada, das sopas quentes de ervas e dos pães.
Kamus sentou-se ao centro e todos se acomodaram. Fenrir sentou-se ao lado de Milo e Hyoga aproximou-se do irmão mais velho. As conversas surgiram, normalmente, e não se tocou mais no assunto envolvendo os irmãos fugitivos do senhor de Berkehell.
Em dado momento, Milo parou de comer e não era por estar sozinho, novamente, e sim porque se deu conta que, mesmo sem falar, Kamus fixava aqueles olhos rubros nos seus e a expressão daquele olhar era algo que parecia florescer em camadas: a primeira era raiva, a segunda era a decepção e a terceira e mais desconcertante era uma espécie de desejo. Não era um desejo comum, daqueles que despem com os olhos... Era algo violento que parecia estar amarrado e prestes a romper as amarras.
Milo podia sentir Kamus encarando-o com todas aquelas emoções e, mesmo assim, agir com a mesma frieza com o qual todos estavam acostumados. Entretanto, a atitude do ruivo estava deixando-o desconfortável, embora continuasse a conversar e rir com Fenrir que tinha uma simplicidade primitiva e alegre que começava a agradá-lo.
Kamus comia e bebia devagar. Cada colherada da sopa quente descia com dificuldade por sua garganta, mas quem o olhasse diria que ele estava em seu “normal”. O senhor de Irġielkiesaħ comia e bebia sempre com sobriedade e hoje, em especial, ele desejava não comer nada, mas não demonstraria sua irritação privando seus homens da companhia de seu líder.
A manobra de Milo ainda estava atravessada em sua garganta e ele precisava tomar uma atitude ou passaria por tolo e fraco. Em um primeiro momento, pensou em deixá-lo confinado e isolado, algo que era considerado vergonhoso no clã Akkwarju. Entretanto, ao observá-lo, sentia crescer dentro de si a vontade de dominá-lo, dar-lhe um castigo inesquecível.
Quando Milo virou a cabeça rindo e olhou dentro dos seus olhos, Kamus soube, exatamente, o que fazer...
Após beber mais um pouco de vinho quente, Milo fez menção de deixar a mesa, saindo de fininho. Aquele olhar final de Kamus lhe pareceu perigoso e estranho então, era hora de sair de cena.
Fingindo não perceber, Kamus estava atento à movimentação do loiro e quando ele levantou, resolveu se pronunciar.
– Senhor Milo, sente-se! — disse Kamus em alto e bom tom.
Milo estancou, mas não obedeceu. Ficou parado olhando nos olhos de Kamus.
– Peço licença para me retirar, sei que amanhã terei trabalho dobrado. – disse Milo.
Kamus franziu o cenho e sorriu.
Merda... é aquele tipo de sorriso! Pensou Milo ao ver os dentes brancos aparecendo, uma visão, ao mesmo tempo bela e apavorante.
– Seu trabalho não será mais na Floresta Negra. Deixo o trabalho honesto para quem merece minha confiança. Sua nova ocupação será servir-me! Em tudo que eu desejar e pelo tempo que eu desejar! Será meu criado pessoal até pagar a sua dívida e a de seus irmãos.
Milo empalideceu e houve um rumor baixo serpenteando pelo salão. Fenrir e Hyoga se olharam, Hilda ficou de boca aberta e Saori que até então se mantivera esperando que Kamus a procurasse, sorriu tímida e acenou com aprovação na direção do senhor do clã Akkwarju.
– Bem, então o que eu faço agora? – perguntou Milo disfarçando seu desconforto.
– Sente-se e espere! – disse Kamus e, em seguida, ordenou que alguém tocasse alguma música e deixou o centro da mesa para conversar com alguns de seus homens.
A maioria das pessoas já havia deixado o salão que permanecia aquecido e ainda impregnado com os aromas das carnes e comidas. Milo permanecia sentado e bocejava, enquanto Kamus ainda dava as últimas ordens. Hyoga e Fenrir já tinham ido dormir e ele estava ali sozinho com apenas algumas criadas que faziam a limpeza e de vez em quando o olhavam com curiosidade.
Pronto, virei o bicho de estimação do Kamus. Vai ser eu e o lobo brincando de buscar o graveto... Divagava Milo até Kamus vir junto à mesa onde se encontrava.
– Levante-se e me acompanhe. – disse Kamus com um tom seco.
– Prá onde? – perguntou Milo.
– Para os meus aposentos.
– E... o que faremos lá? Não me diga que eu tenho que manter as velas acesas e contar histórias para você dormir? – brincou Milo.
Kamus olhou-o, bem sério e então falou:
– O senhor me decepciona, senhor Milo... É tão esperto, tão engraçado que achei que saberia o que um homem como eu faz para relaxar. Não foi o senhor mesmo que disse que eu tinha problemas sexuais? Que deveria... praticar mais? Pois como meu criado, o senhor me servirá.
– O quê? Você está insinuando que...?
– Insinuando? Não, senhor Milo, eu não insinuo, eu faço. Sua primeira tarefa como meu criado será dar-me prazer. Fui claro ou o senhor precisa de maiores esclarecimentos quanto a isso?
Milo gelou, em seguida sentiu calor e depois estremeceu. Não estava acreditando naquilo, mas os olhos de Kamus não pareciam estar brincando ou se divertindo. Ele falava sério.
– Não, não preciso. Mas antes eu...
– Pode ir até os seus aposentos e preparar-se. Esteja nos meus, quando ouvir os sinos. – disse Kamus dando as costas a Milo e se retirando do grande salão.
A movimentação dos criados terminando seus afazeres e o toque dos sinos indicando as horas noturnas tirou Milo de seu estado letárgico e ele se deu conta que estava segurando a respiração. Ouviu um cavalo relinchar e ser aquietado, o som do vento frio e algumas conversas baixas que pareciam vir de algum lugar da grande fortaleza.
Apoiou-se na cama estendendo a mão e tocou seu arco. Aprendera a usá-lo na Torre Negra a achara uma arma interessante e que exigia um olhar afiado. Quando as situações se tornavam um tanto difíceis, ele se posicionava no alto da torre e escolhia um alvo para acertar e assim acalmar o seu coração...
Mas, não podia fazê-lo ali, agora. Com a sorte que estou tendo é capaz de eu acertar o tal lobo negro e aí sim, minha vida será destruída. Suspirou e tratou de ir até Kamus. Esperou de propósito que se passasse algum tempo para não chegar, exatamente, na hora que lhe fora ordenada.
A chama na lareira ardia tanto quanto a sua pele. Sob o olhar faminto do homem que tinha em si a energia do lobo, Milo sentiu-se tomado pela estranheza. Parecia que estava em transe, queimando por dentro, ansiando. Mesmo que ele fosse um inimigo exigindo tomar-lhe o corpo, havia uma atração inexplicável entre eles...
Milo ficou ali, parado nos aposentos amplos. A cama com uma pele negra e gigantesca de urso, a mesa com um tabuleiro de skák, a estante de pedra com livros e manuscritos mostrava, ao mesmo tempo, uma personalidade sóbria e culta do Senhor do clã Akkwarju e ele observava tudo com curiosidade, embora seu orgulho o mantivesse inabalável apesar do extremo cansaço e das dores que sentia por causa do frio intenso. Era difícil até respirar direito naquele lugar maldito!
Acostumado ao ambiente, Kamus estava bem à vontade. Exibia o torso nu, belíssimo, como se fosse uma escultura de carne, músculos e ossos lapidados pelo esforço constante, nada exagerado ou bruto, tudo em seu devido lugar... Não sentia frio, mas percebia os pequenos tremores que Milo se esforçava em ocultar.
Um prazer secreto quase o fez sorrir ao notar o quanto aquele homem orgulhoso, arrogante e desrespeitoso perturbava-se com a sua presença. No entanto, apesar de todos aqueles elementos, havia um magnetismo estranho e forte que o atraia na direção do escorpião, uma força que ele odiava sentir e que esperava que passasse, após possuí-lo e mandá-lo embora.
Milo pagaria pelo crime de ferir um lobo, ofender o seu clã e provocá-lo!
Sem nada dizer, Kamus se aproximou gostando do fato de Milo não recuar e enfrentá-lo com aqueles olhos profundamente azuis e inquietantes. As mãos rudes do Senhor do clã Akkwarjuacariciaram bruscamente o pescoço e a cintura de Milo, iniciando a exploração de seu corpo como se fosse o seu território. Olhando-o num misto de desejo e ferocidade, passeou com língua no lóbulo da orelha, desviando para o maxilar, devorando as bochechas quentes num ato lascivo de reconhecimento primitivo...
Milo permaneceu parado, o corpo tenso nos braços de Kamus. Um duelo se iniciava entre duas forças antagônicas dentro dele: o ultraje que sentia pela situação e a rendição ao desejo sexual despertado contra a sua vontade.
Finalmente entendia a preocupação de seu pai em ensiná-lo a controlar a luxúria. Seis anos na Torre Negra em completo celibato e agora, todo o esforço estava caindo por terra. Queria sexo, mesmo que fosse com um homem que desejava dominá-lo e humilhá-lo por ter invadido seus domínios e quebrado as suas regras.
Depois de provar da pele, Kamus aprofundou-se num beijo violento e afobado que fez seus dentes romperem a pele fina e fazer surgir um filete de sangue nos lábios carnudos e desafiadores de Milo.
O ato era, ao mesmo tempo, selvagem, sôfrego e prazeroso, e Milo tentou desviar o rosto, desnorteado com a intensidade do que acontecia. Precisava de ar, não queria ser submisso àquele homem e aos seus próprios e confusos desejos.
Como podia comprazer-se na ferocidade daquele encontro que misturava sangue, saliva, suor e, ainda assim, deixar escapar gemidos curtos e sôfregos dentro da boca que lhe engolia?
Kamus sentiu o princípio da rejeição e espalmou a mão direita no peito de Milo, empurrando-o contra a cama ampla e coberta com pele de urso.
Sem um pingo de forças para resistir ao impulso, Milo tombou para trás, desabando as costas sobre a pele negra, espessa e macia. Estava cansado, tinha passado o dia empreendendo esforços físicos rigorosos e o frio intenso com o qual não estava acostumado produzira câimbras e dores A única coisa que o animava era ter conseguido a liberdade de seus irmãos.
Kamus não dizia uma palavra, apenas o encarava, visivelmente excitado e de um jeito que parecia desejar saciar-se sem demoras ou consideração.
Milo encarou o sexo túrgido que se insinuava através da calça justa de Kamus. Quantas vezes se aventurara nas brincadeiras com as criadas, porém nunca levara nada à cabo... Sua experiência se reduzia ao sexo solitário e algumas carícias roubadas. A triste e irônica verdade, “era virgem e ia ser fodido por um inimigo.” E pior, mesmo às vésperas de um sexo que, pelo visto, ia ser violento, sentia uma excitação no baixo-ventre olhando e desejando, algo que o deixava furioso consigo mesmo.
Kamus passou o indicador naquele rosto agressivo e cansado, seguindo a curva do maxilar do loiro até a boca. Parou com o indicador apoiando o queixo, e o polegar forçando o lábio inferior dele para baixo...
Aquele homem lhe provocava um desejo tão veemente que parecia corroê-lo por dentro, fazendo vibrar a carne que sempre estivera subjugada ao seu comando... Por isso ia possuí-lo, saciar-se e então voltar ao normal, voltar a ser o senhor de si mesmo e não mais sucumbir aos apelos do desejo!
Olhando-o nos olhos, Kamus invadiu a boca de Milo num beijo menos agressivo, serpenteando a língua na cavidade morna, procurando pela outra que fugia dele. O mais estranho era que não gostava de beijos e sempre os evitava. Apreciava o sexo sem intercursos ou preliminares demorados. E o beijo? Algo dispensável, já que aprendera a usufruir do prazer cru, direto e sem vínculos. Foder nada mais era que uma necessidade básica do corpo, algo simplesmente, instintivo.
Mas ali, sem compreender a lógica do desejo que sentia por Milo, viu-se impelido a tomar os lábios daquele homem, dominá-lo com os seus. E, contrariando suas próprias regras, viu-se invadido por uma fome sem fim que o levava a morder e sugar e, desejar mais e mais...
Como era prazeroso o embate das línguas, a textura carnuda daqueles lábios, o calor úmido da boca, o gosto dele...
Ainda com os lábios colados aos de Milo, avançou com a mão entre as pernas do loiro, abrindo espaço para tocar seu sexo por cima da calça. Milo fechou os olhos e rezou para não demonstrar, o quanto aquilo atiçava todos os seus sentidos e minava a sua resistência...
Kamus usou as mãos grandes para subir a camisa de lã de Milo até o pescoço, deixando o tórax forte e bronzeado descoberto. Em seguida, passou uma mão por debaixo da dobra do joelho do outro fazendo aquela perna içar, enquanto debruçava o peito por cima do dele, afundando a cabeça na curva do pescoço tombado sobre as peles.
Colou os lábios naquela pele cuja cor exalava um cheiro de sol, roçando-os com voracidade até as clavículas, mas logo substituiu o roçar da boca pela língua faminta, e depois pelos dentes, abocanhando aquela carne febril, deixando suas marcas pelo caminho...
A palma da mão desceu, comprimindo o volume por cima da calça de Milo, os dedos fazendo movimentos estimulantes em volta do falo já intumescido e pulsante. Subjugado ao gosto daquela pele, continuou sugando os mamilos escuros, prendendo-os entre os dentes, notando a tez se enrijecer em volta da língua e sentindo prazer de sugá-los com força.
O coração de Milo disparou e mais uma vez ele se viu gemendo, mesmo tentando se conter ao morder o lábio inferior com os dentes até verter sangue. Estava lutando contra seu próprio corpo. Parecia que sua pele, seus músculos e até seus ossos se rendiam ao desejo alvoroçado por aquele homem que ele detestava e que o tomava como se estivesse faminto, fazendo arder uma luxúria insana dentro de si.
Com um prazer redobrado, Kamus sentiu a ondulação no peito abaixo do seu, oscilar, vendo Milo emitir gemidos entre a dor e o prazer, correspondendo ao contato com o seu corpo. Trincou os dentes, os olhos rubros faiscando, reluzindo luxúria pelos poros, pela pele lustrosa de suor... Chegara a hora... Possuiria aquele homem do jeito que seu corpo ansiava! Acabaria com a insanidade daquele desejo desmedido ao saciar-se e depois se livraria dele.
Despiu a calça com destreza e puxou as de Milo com a mesma agilidade. Não havia ternura ou paciência em nenhum dos movimentos. A vontade de penetrá-lo martelava em sua mente e a libido exaltada percorria todos os recantos de seu corpo vigoroso.
As duas pernas do loiro foram erguidas na altura da cintura, deixando os joelhos dobrados bem próximos das costelas de Kamus, que guiou-se para a abertura exposta, penetrando-o com um só golpe.
Milo gritou, contorcendo as juntas, sentindo o atropelo das veias, o sangue correndo veloz e sem saída... Os lábios se abriram ofegantes em busca do ar, emitindo um gemido estrangulado de dor.
Sem dar tempo para que ele absorvesse o impacto da invasão, Kamus começou a deslizar para dentro dele, fitando-o com os olhos rubros e transtornados, enquanto Milo fechava os seus e trincava os dentes com tanta força que seu maxilar doía.
Resfolegando, Kamus projetou-se de novo contra a entrada estreita, afastando ainda mais as pernas de Milo, segurando pelas coxas torneadas e estocando fundo. A cavidade quente se contraia, apertando calorosamente o seu falo, dando-lhe um prazer inédito e feroz...
Milo arqueou o corpo, a pele roçando nas cobertas, o atrito produzindo um som abafado... Não queria sentir, mas a verdade era que mesmo na dor lancinante, seu corpo reagia ao ruivo, sua pele ardia e os gemidos escapavam involuntários quando era golpeado em um lugar profundo dentro de si que o fazia quase perder a consciência de tanto prazer...
Com um brilho febril nos olhos dilatados pelo prazer, Kamus esticou uma das pernas de Milo, cravando os dentes na panturrilha, rodeando a língua detrás da curva do joelho, enquanto descia o olhar para baixo, vendo-se movimentar dentro do escorpião. Seu falo entrava e saía como um aríete, tomando, conquistando, possuindo aquele corpo em uma coreografia voluptuosa e selvagem.
Queria vê-lo gemer e não sabia o porquê desta necessidade. Não era ele o Senhor, aquele cuja vontade era sempre a prioridade? Que importância tinha se aquele homem arrogante estava gostando? Ele arfou entre dentes, excitado e autoritário. Havia uma batalha acontecendo entre seu corpo e sua mente e, pela primeira vez em sua vida adulta, o corpo levava vantagem.
Milo revirava os olhos ante as estocadas fundas, ofegando ao sentir a carne sugada e arranhada pelos caninos de Kamus, inclinando a cabeça para trás, espalhando os longos cabelos loiros sobre a pele negra em uma cena enlouquecedora cujo erotismo o Senhor do clã Akkwarju jamais percebera em outro ou vivenciara em suas relações.
Com aquele olhar lupino, Kamus buscou novamente a boca de Milo para beijar, dessa vez sem urgência ou violência. A língua invadiu e explorou a boca do outro num ritmo lânguido e molhado, ondulando sensualmente, recebendo a reciprocidade negada quando possuiu-lhe a boca pela primeira e pela segunda vez...
O gosto do sangue nos lábios de Milo o excitou ainda mais. Então, devagar, colheu os gemidos em seus lábios, enquanto chegava mais fundo dentro daquele corpo, seu falo latejando rijo entre as paredes escuras e estreitas...
Quero vê-lo gritar de prazer... Kamus ouvia seu desejo ser traduzido em frases que não saíam da sua mente, nem da sua boca, mas que o torturavam e faziam com que estocasse com mais força e mais profundidade. Sentia o próprio corpo se chocando contra o de Milo como se quisesse uma fusão total, extrema, insana.
Milo cerrava os dentes, já num frenesi sem controle, enquanto Kamus acelerava o balanço dos quadris e erguia os seus, projetando-se ainda mais forte e mais fundo.
Dor dilacerante, prazer excruciante... Onde estava o limite daquelas sensações contraditórias que arrancava da sua garganta gemidos guturais e fazia seu corpo ondular e buscar mais contato com o corpo de Kamus?
Aquele ardor desmedido violando seu corpo, pulsando sob a pele, latejando nas veias, fazendo os tecidos se expandirem como se estivesse sob o efeito da Papoula negra, a droga poderosa capaz de seduzir um deus...
Então, em uma sequência de investidas rápidas e fundas, Kamus arrancou o que queria da boca que o excitava tanto e que o fizera descobrir o prazer extremo contido em um beijo.
Milo grunhiu e gritou, se desfazendo em seu tórax e estremecendo convulso. Os dentes perfeitos se revelando no esgar do clímax, as mãos, antes agarradas às peles, agora afundando-se nos braços fortes e musculosos de Kamus, o corpo brilhante e escorregadio de suor dobrando-se em espasmos de prazer, o sêmen jorrando no tórax arfante do ruivo...
Acompanhando o grito roubado, uma descarga de prazer se abateu sobre o corpo de Kamus, enquanto ele gozava alto e intensamente. O ruivo urrou como se fosse um lobo, puxando o ar e enterrando-se mais uma vez, sentindo o falo descarregar todo o prazer quente e abundante dentro do corpo de Milo.
Num ato contraditório, haviam gozado juntos, em uma perfeita sincronia. Como se fossem amantes e não inimigos...
Milo sentiu o gozo viscoso de Kamus escorrer entre suas pernas, assim como o peso do corpo do ruivo desabar sobre o seu. Sentia-se exausto demais, os pensamentos vazios, o corpo entorpecido e em paz...
A proximidade dos rostos fez com que percebesse o cheiro e o suor de Kamus. O hálito quente dele reverberava em sua pele, fazendo seu coração palpitar, como se algo secreto e profundo tivesse sido acionado sem que ele o desejasse ou tivesse consciência.
Os lábios inchados de ambos se aproximaram, novamente, e Kamus fitou aqueles olhos azuis que mesmo semicerrados pareciam atravessá-lo como uma lâmina afiada. Ainda desnorteado pela intensidade do gozo, lutou contra o ímpeto de beijá-lo e puxá-lo para si em um ato inédito de intimidade que seu corpo desejava como jamais houvera sentido necessidade.
Desde quando sentia vontade de ficar abraçado após o sexo? Porque ao gozar dentro daquele homem seu coração abrandou, experimentando um sentimento avassalador e misterioso que nunca havia vivenciado?
Os hálitos ainda estavam próximos, fundindo-se ofegantes, enquanto os corpos suados voltavam ao ritmo. Havia o desejo quase explícito de unirem as bocas e comungar, mais uma vez, do gosto um do outro.
Kamus mordeu o lábio e recuou, resistindo ao desejo. Retirou-se de dentro de Milo e deitou-se ao lado dele, passando a mão, do rosto para os cabelos, limpando os vestígios de suor. Seu corpo estava, visivelmente, saciado. As emoções batalhavam turbulentas, mas permaneciam trancafiadas em um aparente autocontrole.
Foram segundos, sem nada dizer, até Kamus levantar-se de súbito e deixar o aposento.
Milo ficou um tempo deitado, o corpo dolorido e um sentimento contraditório de raiva e serenidade. Quando tentou levantar-se se sentiu molhado não só de sêmen, mas também de sangue. Doía, mas em seu orgulho, ele jamais deixaria transparecer alguma coisa a respeito. Já vivenciei dores piores que essa! Dizia para si mesmo, enquanto ordenava ao seu corpo que o obedecesse.
Sentiu uma estranha decepção em ver Kamus levantar tão rápido, mas havia sido uma benção. Não desejava encará-lo, não depois de ter correspondido ao sexo brutal e incrivelmente prazeroso que tivera com ele. Sentia vergonha de si mesmo por tal comportamento. Levantou-se com dificuldade e tentou sair dali. O torpor após o orgasmo não o deixava pensar direito, assim como a dor interna que o deixava plenamente consciente de seu corpo.
Antes que Milo deixasse o aposento, Kamus reapareceu com o olhar sério, o corpo ainda nu resplandecendo algumas gotículas da água fria que derramara sobre si. Os olhares se encontraram e os olhos rubros se detiveram no sangue que via nas coxas grossas do escorpião. Kamus franziu o cenho e Milo não soube precisar que tipo de emoção estava sendo revelada por aquele homem.
– Já ordenei que deixassem uma tina com água quente em seus aposentos. Pode ir. – disse Kamus.
Milo pegou as suas roupas em silêncio, mas não as vestiu. Saiu nu pelo corredor sob o olhar atônito de Kamus. Ao chegar em seus aposentos, entrou na tina e esfregou-se. Muito. Até sua pele ficar vermelha. E ali ficou até a água esfriar e levar embora a vergonha que manchava seu orgulho. Como pudera gostar tanto de foder com um homem que só queria submetê-lo e ainda gozar, somente, com a sensação intensa da invasão violenta dentro de seu corpo? E pior que isso, desejar que ele o fizesse de novo... e de novo. Era pior que as rameiras do cais em Berkehell!
Enrolou-se num tecido de algodão grande que lhe fora deixado ao lado da tina e caiu, direto na cama estreita. Fechou os olhos, e o aposento pareceu-lhe mais quente, mais aconchegante. De repente, parecia estar em casa e tudo escureceu...
Em seu quarto, Kamus andava de um lado ao outro. O corpo quente e uma estranha sensação. O sangue na pele de Milo causara-lhe desconforto, mesmo que dissesse a si mesmo que não se importava. Tinha sido bruto com aquele homem e esse descontrole causou-lhe um sentimento de vergonha e outra coisa inédita que parecia deixá-lo mais brando do que gostaria.
Sentiu vontade de ir até os aposentos dele. E fazer o quê? Pedir desculpas? Uma loucura absurda! Respirou fundo e vestiu-se, indo até a porta onde Raio o esperava. Fechou os punhos quando passou diante dos aposentos de Milo em um ato de extremo autocontrole. O lobo olhou-o com os olhos rubros e o farejou, depois saiu correndo e saltitando, enquanto Kamus buscava o ar frio da noite como um alívio para ardor em seu corpo e em seu coração...
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