Trono De Sangue

10 Capítulo 10 A NOVA GERAÇÃO...


Notas iniciais
Este capítulo mostra um salto temporal. Os acontecimentos que se seguiram à tomada de poder de Hades estão embutidos nas lembranças de um dos personagens e, aos poucos, vão sendo atualizados, enquanto acompanhamos a vida adulta dos protagonistas e temos uma visão da rotina e da personalidade dos dois. A partir de agora, tudo pode acontecer! Bjs, e boa semana!!!XD

Perdoem-me, senhores. Gostaria de ter lhes trazido o corpo de seu Senhor, logo que tudo aconteceu, porém nenhum de nós podia prever o que se sucedeu em Dwiefer. – falou o homem moreno ao entrar em nossas terras e deparar-se com Manigold que, desde os acontecimentos em Dwiefer, patrulhava pessoalmente as fronteiras de Irġielkiesaħ e me levava com ele, dizendo que um Senhor jamais devia ser pego desprevenido.

– Soubemos o que aconteceu! Regulus ficou totalmente insano e agora seu bastardo manda e desmanda no clã do Leão! Tem sorte dos lobos terem reconhecido o cheiro de Dégel ou o senhor teria sido destroçado na Floresta. – respondeu Manigold.

– Eu jurei trazer Dégel de volta ao lar. Ele morreu como um herói, salvando minha vida e a do conselheiro Shion. Mesmo arriscando morrer, eu tive de fazê-lo ou minha vergonha seria ainda maior. – falou o homem.

Eu ouvia as palavras e percebia o semblante carregado do homem que trouxera meu pai, mas a única coisa que me interessava era o corpo que jazia envolto numa mortalha cinza, atrelado ao cavalo negro. Desejava vê-lo, uma última vez, mesmo que suas feições estivessem irreconhecíveis e seu corpo mutilado.

Meu cérebro parecia gritar que só aceitaria que ele partira, depois que minhas mãos tocassem os seus ossos frios e a sua pele ressecada. Depois, sim, eu iria sepultá-lo na Floresta Negra, um lugar de poder e silêncio, onde ele ordenara que Manigold me desse sua espada quando fiz catorze anos.

A espada de um senhor de clã sempre tinha um nome e a de meu pai era chamada “Em nome da honra”. Ele queria que eu a empunhasse, mas eu desejava enterrá-la com ele. Não me achava merecedor de tal presente, a culpa que eu sentia por sua morte e pior, pelo que pensaram dele quando se curvou ao soberano, me fazia sentir indigno de tal herança.

– Obrigado por tê-lo trazido, senhor... Como é mesmo, o seu nome? – perguntei.

– Ah, perdoe-me, nem me apresentei. Meu nome é Shura, segundo comandante das forças de Dwiefer, embora não sinta orgulho em dizê-lo.

– Se não sente orgulho de seu posto, porque continua nele? – perguntou Manigold.

– Porque, quando chegar a hora, eu mesmo matarei o tirano. Por enquanto, finjo ser-lhe fiel e o farei até que ele confie plenamente em minha lealdade. Podem se passar anos até que isso aconteça, mas, assim como jurei trazer Dégel de volta ao lar, também agirei contra Hades, quando o momento for adequado!

– E porque escolheu este caminho vil? Porque não lutou quando teve a chance?

–Fomos pegos desprevenidos. Em um primeiro momento, até pensamos em lutar, mesmo em desvantagem, mas Hades foi infinitamente superior minando as nossas forças, muito antes de trazer o Spectrum Svört à Dwiefer. Quando o maldito clã entrou nos portões da cidade, o cônsul e os outros soldados que foram recepcioná-los, já não se encontravam entre eles. Radamanthys os tinha matado no caminho e se livrado dos corpos como se fossem lixo. Ao vê-los chegando em número superior ao nosso, meu tenente e eu nos damos conta que não tínhamos apoio, nem homens dispostos a dar a vida por seu soberano enlouquecido. Regulus reconheceu Hades na frente de todos e a partir disso, muitos desertaram e não havia nada que pudéssemos fazer, a não ser... aceitar a nova ordem ou ser executado por traição! Shion foi o único que se recusou a curvar-se e encontra-se preso no calabouço fétido que Hades mandou construir no subsolo onde antes existia a Torre dos Lamentos. Saga conseguiu fugir e partiu em busca de apoio. Como vê, não sobraram muitas opções e morrer sem antes acabar com o assassino não era uma opção para mim!

– Entendo... Não tiveram a coragem de depor um louco quando tiveram chance, agora estão cativos de um louco e de um usurpador. E, acredita que esse bastardo vai contentar-se,apenas, com Dwiefer? – falou Manigold com ironia.

– Não. Temo que Dwiefer seja apenas o começo. Hades é um demônio que se compraz no sofrimento. Por isso, permita-me um conselho, mesmo que me considere um covarde. Busque apoio dos outros clãs, faça alianças para que, quando o caos se expandir, não o encontre isolado e desprevenido. Adeus, senhores e que o Senhor das Almas os proteja. – respondeu o homem moreno, afastando-se de nós.

Observei Manigold fechar a cara e permanecer silencioso e carrancudo como era o seu habitual. Depois ele chamou Aldebaran e os dois conversaram baixo. Horas depois, sob um vento frio e cortante, meu pai foi sepultado nas raízes da árvore mais velha da Floresta Negra. Fenrir e Hyoga choraram e várias matilhas de lobos se juntaram a eles uivando em uníssono em todos os recantos da floresta. Somente eu permaneci como se não estivesse ali, minha cabeça parecia pesada e minha cicatriz começou a arder.

Vi um vulto entre as árvores e, quando fixei o olhar, ele desapareceu. Olhei para os meus pés e vi um escorpião negro que, rapidamente, deslizou pela neve e desapareceu. Aldebaran tocou em meu ombro e eu voltei a mim.

Manigold não permitiu que eu enterrasse a espada com meu pai, dizendo que o espírito dele permaneceria na lâmina, até que eu vingasse a sua morte. Eu não gostava do jeito que ele falava comigo, mas ainda assim obedeci.

A partir daquele dia, meus treinos ficaram ainda mais pesados, eu endureci meu corpo, dominei minhas emoções e rezei para que os anos passassem logo.

Ouvíamos rumores de revoltas, mortes e prisões. Eu rezava para que meus dezoito anos chegassem, queria estar à frente da resistência ao usurpador.

Sei que meu pai não era devoto dos deuses, ele sempre prezou a lógica e a razão. Ele disse-me que acreditava em um“Mistério Superior“, uma força universal que permeava todas as coisas e se realizava através das ações humanas.

Eu ainda não tenho certeza se concordo com meu pai, mas sou Kamus Roux Larc, Senhor do clã Akkwarju e juro esforçar-me ao máximo para honrar o nome dele e a sua luta para tornar este mundo, um lugar livre e honrado para se viver.

Irġielkiesaħ, outono de 4244, ano em que Dégel, senhor do clã Akkwarju, finalmente retornou para o descanso de seu lar.”

Nós conseguimos, senhor! – disse o homem de barba longa e uma imensa trança negra. – Descobrimos o lugar onde ficam os rebanhos. A caça foi abundante, este ano. Teremos carne e peles o suficiente para passar o auge do inverno.


A voz entusiasmada que ecoou, na sala ampla, retirou-o do mundo das suas lembranças e o Senhor do clã Akkwarju guardou o livro de recordações onde registrara os acontecimentos mais importantes de sua vida, quando menino.


Havia perdido esse costume quando se tornara adulto e agora, às vésperas do retiro que se aproximava, ele relia suas anotações detalhadas, mergulhando em cada fato, diálogo e pensamento, uma característica sua que seu pai sempre incentivara e que, para ele, agora que se tornara o líder do clã, era uma forma de jamais perder a conexão com o seu passado, com a trajetória heroica e trágica de sua linhagem.


Tocou a cicatriz fina que iniciava no supercílio direito e terminava no final do maxilar. Um meio sorriso insinuou-se em seus lábios, quase imperceptível, ao lembrar-se do orgulho que sentira dela, quando menino. Mas, assim como surgiu, o sorriso se foi.


Raros eram os momentos em que Kamus se mostrava satisfeito ao ponto de expressar um sorriso aberto. Seu aprendizado resultara no desenvolvimento de uma natureza fleumática que foi deixando de lado a espontaneidade da infância. As lembranças dos tempos duros ainda eram fortes, apesar de quatro anos terem se passado. A marca em seu rosto, às vezes ainda ardia, assim como a última vez que Dégel se dirigira a ele ao vê-lo coberto de sangue, após matar um urso.


Seu pai era um homem sábio, reto e poderoso. Agradeceu a pele de urso com que ele o presenteara, mas não elogiou seu ato de bravura deixando-o, profundamente, decepcionado, na época.


No entanto, quando venceu um complicado jogo de tabuleiro, viu seu pai sorrir e bater, afetuosamente, em seu ombro, dizendo: “Prepare- se Kamus, ainda enfrentará batalhas onde esse seu olhar astuto será mais decisivo que o uso de uma espada e fará a diferença entre a vitória e a derrota!”


Levara muito tempo até ele compreender a atitude de seu pai, mas após vê-lo entregar-se para protegê-lo, algo mudou dentro de si e ele amadureceu. E quando Dégel morreu, a dor que sentiu por nunca ter dito que o amava e compreendia o seu sacrifício, tornou-se uma marca ainda mais profunda que aquela, atravessando o seu rosto.


Não fosse pela cicatriz, ele teria um rosto de beleza clássica acentuada pelo fogo dos cabelos avermelhados, pela pele clara e pela expressão profunda que o caracterizava. Mas, mesmo sem ela, Kamus não mostrava complacência, bom humor ou compaixão. A única qualidade que todos enxergavam de imediato em seus olhos rubros e nos lábios bem feitos era determinação.


Uma determinação que também era evidente no corpo vigoroso. Aos dezoito anos, Kamus media 1,84m e possuía uma compleição física forte, músculos aprimorados e saúde férrea. Seus ombros eram largos o bastante para carregar os medos e esperanças dos que viviam em seus domínios e, seu braço forte era ágil e certeiro para manejar a espada. Entretanto, como seu pai havia previsto, além do físico privilegiado, Kamus possuía uma mente astuta, sagaz e tão fria quanto à neve que cobria o solo.


Era justo com os retos de coração e intolerante com os transgressores. Ele mesmo dava o exemplo do quanto era necessário manter-se focado e evitar os excessos. Nenhuma mulher, homem ou qualquer outro prazer prendia sua atenção por muito tempo. Eram apenas distrações temporárias, necessárias para equilibrar os desejos de um homem.


No entanto, não havia nada de temporário nas florestas de gelo.

Irġielkiesaħ era um lugar frio formado por homens tão duros quanto o próprio elemento que o compunha. Ali, na maior parte do tempo, o inverno reinava majestoso como um único senhor e exigia súditos, igualmente, rijos e implacáveis.


Com a chegada do auge do inverno, Irġielkiesaħtransformava-se em uminfinito oceano de gelo branco. O vento levava os flocos de neve empilhando-os nos galhos das árvores e, as rochas e os desfiladeiros, erguiam-se, através da neve, revelando-se como os únicos marcos permanentes. A terra, ali, revelava-se o verdadeiro mestre, selvagem, inóspito, gelado e belo.


Kamus, muitas vezes, sentia-se exaurido pela força do lugar e pela responsabilidade de fazer tudo funcionar como devia, mas, ao mesmo tempo, recebia das intempéries e do frio intenso a energia que o tornava um guerreiro admirável.


Dali a dois dias, ele se recolheria para relembrar sua força inata e os objetivos que traçara para si: liderar com justiça, proteger Irġielkiesaħehonrar os desejos de seu pai. Como mandava a tradição, uma vez ao ano, o senhor do clãAkkwarju entrava na Floresta Negra e lá acampava, no interior selvagem e inóspito, para passar pela prova da “alcateia”. Não haveria comodidade, alimentos prontos, ou companhia humana. Podia-se levar uma arma e um objeto pessoal que podia ser um amuleto ou um presente dado de boa vontade.


A prova principal era encontrar uma alcateia especial de lobos negros, animais ferozes que só se revelavam àqueles que ousavam adentrar aquela parte da floresta com destemor. Ao enfrentar o líder, o Senhor do clã devia encará-lo por um longo tempo e provar, apenas com o olhar, que poderia ser aceito para conviver com eles durante sete dias.


Neste período de tempo, caçaria, andaria e dormiria com a alcateia, tendo como desafio abater um animal de grande porte e oferecer, aos seus “irmãos” lobos, como prova de respeito e força de caráter. Caso falhasse, teria de aguentar o castigo do líder, um lobo gigantesco, que já havia provado da carne humana e cujas garras e dentes deixavam marcas profundas. Porém, se conseguisse vencer a prova, teria total e irrestrito apoio dos lobos em qualquer tempo ou situação.


E esta, seria a primeira vez de Kamus como o novo senhor do clã.


O homem sorridente, após fazer seu relatório da caçada, esperava as ordens de Kamus com visível excitação. Por fim, Kamus olhou-o e falou:


– Mande servir uma farta refeição aos homens que voltaram da caçada e diga que cada um tem a permissão de levar uma parte extra de carne, trufas e grãos para casa. Cuide também para que selem meu cavalo. Vou verificar as cercas e as fronteiras antes de retirar-me para a floresta.


– Imediatamente, senhor. – respondeu o homem ainda mais sorridente com o prêmio extra.


Kamus vestiu um manto de pele espessa e negra. Já estava trajado com uma calça negra de lã, e botas de couro macio que cobriam os joelhos. O ar no grande salão estava abafado e quente com os cheiros de carne assada e pão recém-saído do forno.


As grandes paredes de pedra estavam adornadas com tapetes grossos e as mesas exibiam candelabros trabalhados em bronze. A movimentação para dar de comer aos homens começou logo após as suas instruções, pois ali, um homem produtivo e eficiente tinha seu lugar na mesa e no lar do senhor do clã.


Tanto os caçadores, quanto aqueles que executavam tarefas mais rotineiras eram agraciados com o sustento, provisões justas, reconhecimento e gratidão, pois esta lição, Kamus havia aprendido com Dégel. Cada indivíduo tinha, e era estimulado a usar seu potencial para proteger e elevar o clã. Nenhuma atividade era considerada menor ou mais importante. Ser capaz de saber seu lugar dentro do grupo era considerado uma potente sabedoria.


Pensar em seu pai deixava um amargo e doloroso gosto em sua boca, porém não era o momento de perder-se em lembranças tristes. Já tinha tido sua dose de nostalgia ao reler o que escrevera. Agora, era o momento de viver o presente, como era esperado de um líder prestes a enfrentar um desafio importante.


– Senhor Kamus!– chamou a voz doce e melodiosa com um toque de euforia.


– Sim, senhorita Saori... Em que posso ajudá-la? – perguntou Kamus, reconhecendo a dona daquela voz antes mesmo de virar-se e forçar uma expressão amigável.


– Sei que vai recolher-se na floresta. Fiz este pequeno mimo para que se lembre de mim... Estarei aqui rezando à deusa Lhestah, protetora dos guerreiros corajosos,para que o proteja. – disse a jovem sorrindo e tocando, de leve, nas mãos de Kamus.


Kamus agradeceu e retribuiu o sorriso com uma saudação de cabeça, aceitando a pequena bolsa feita de couro contendo sementes cheirosas e o desenho de um símbolo de proteção.


– Obrigado, senhorita. É muito gentil em preocupar-se comigo. Agora se me dá licença, tenho algumas ordens a dar e preparativos a fazer.


– É claro, meu senhor! Longe de mim, atrapalhá-lo. Espero que faça um bom retiro. – disse ela cedendo espaço para que Kamus passasse.


O jovem senhor aproveitou a oportunidade e saiu a passos largos, antes que Saori lembrasse algo para dizer-lhe ou o convidasse para um último passeio. Não que a achasse desagradável ou entediante, apenas não correspondia ao interesse que ela manifestava e era cansativo ser gentil sem dar falsas esperanças, ainda mais que todos esperavam que ele a escolhesse como companheira, fato que ele refletia, da forma mais pragmática possível, mas ainda assim, não se via casado com ela, nem com ninguém.


A realidade era que não tinha, por Saori, sentimentos mais profundos, além de uma amizade. E, ao buscar ser sincero consigo mesmo, sentia-se imune à paixão, ou mesmo ao amor romântico. Sabia o que era desejo e como buscar a satisfação sexual. Foder era prazeroso e necessário, mas quando se misturava aos sentimentos se tornava desgastante e isso o incomodava.


Por isso, não se detinha com uma só pessoa durante muito tempo e escolhia com cuidado quem levava para a cama. Embora se esperasse que o senhor do clã tivesse uma esposa e descendentes, por enquanto, isso não estava nos seus planos...


Ocultada por uma parede, Hilda observava a cena, direcionando plena atenção aos atos de Saori. Seu olhar ácido e seu pensamento mordaz juntavam-se como metades de uma mesma fruta:


“Lá está ela, olhando para Kamus com aquela docilidade bovina, ruminando palavras doces como se pudesse convencer a todos que é tão pura e perfeita, quanto os delicados flocos de neve caindo sobre as folhas...

Mal sabe esta vaca que, meus olhos estão atentos... Ela pode enganar os homens, sempre tão cegos e tolos em sua compreensão do que não seja foder, comer ou matar. Mas não a mim... Sei muito mais da vida que ela!

Ela não passa de uma garota mimada que pensa ser esperta! Ela que espere sentada e congele aquele rabo “real” esperando! Kamus jamais será dela ou não me chamo Hilda de Polaris!


– Apreciando a cena, Hilda? – disse Tatsumi aproximando-se tão sorrateiro que fez a jovem estremecer.


– Apreciando? Não! Diria que estou me divertindo com a tática patética da sua protegida. Pensa ela que Kamus precisa de proteção? Aquele homem é quase um deus. Certamente, ele será aceito e até temido pelos lobos!


Tatsumi sorriu daquela forma odiosa que despertava em Hilda a vontade de esbofeteá-lo.


– A senhorita Saori é uma donzela muito feminina... Diferente de umas e outras, cuja, selvageria e falta de decência, se aproxima dos animais. Acredite, minha cara, Kamus não precisa de uma loba semelhante a ele! – disse o homem com acentuado desprezo.


– E, muito menos de uma cadela vadia e sussurrante que finge ser uma donzela! – respondeu Hilda, sem vacilar.


A expressão de Tatsumi mudou. Seus olhos fuzilaram os de Hilda e sua boca abriu-se em um esgar raivoso.


– Não ouse macular a honra de minha senhora! Mantenha essa sua boca suja fechada ou eu...


– Ou você o quê, sua galinha gigante e irritante?! Sim, porque você parece uma galinha protegendo, sob as asas, essa sua senhora estúpida e falsa! Sua amada Saori fode com Seiya bem debaixo do seu nariz, portanto, de donzela ela não tem mais nada! Ou você é cego ou é muito idiota. Agora saia da minha frente, sua galinha patética e, nunca mais, ouse me ameaçar ou eu torço esse seu pescoço e o sirvo “ao molho” no banquete em homenagem à volta de Kamus! – disse Hilda dando as costas a Tatsumi.


Tatsumi sentiu-se tremer de raiva, porém não desperdiçaria seu tempo discutindo com Hilda. Dirigiu-se até onde Saori estava, vendo que ela conversava com Fenrir. Ela sorria e inclinava a cabeça com graciosidade e doçura.


Respirou fundo e foi ter com sua senhora, certo que as palavras sujas de Hilda eram apenas uma forma de atingi-lo, porém, mesmo assim, teria de orientar melhor, sua protegida para que a sua bondade e ingenuidade não fossem usadas contra ela própria.


No pátio, Kamus encontrou Raio que o esperava deitado, observando Hyoga treinar com Seiya. Os dois garotos tinham a mesma idade, porém seus corpos eram desenvolvidos. Ambos tinham uma amizade bastante forte e isso tranquilizava Kamus já que Hyoga não era de muitas relações amistosas.


– Estou indo verificar as cercas e vistoriar as fronteiras. – disse Kamus se aproximando dos dois.


– Vou com você. — disse Hyoga baixando a espada. — Quer vir junto, Seiya?


– Obrigado pelo convite, mas fiquei de ajudar a senhorita Saori a encontrar raízes de uma planta que ela deseja. – respondeu Seiya levando a mão aos cabelos negros e despenteados.


Hyoga olhou-o bem dentro dos olhos e sorriu, deixando o amigo desconcertado.


– Então, nos encontramos mais tarde. – respondeu Hyoga.


Seiya concordou e tratou de deixá-los ir, enquanto dirigia-se, rapidamente, para o grande salão onde, dali a algumas horas, Saori o estaria esperando para “colher raízes” no interior da floresta...



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Milo olhou para a superfície espelhada e viu o reflexo de seu corpo. A tatuagem feita, quando tinha catorze anos exibia linhas tão delineadas e fortes como se a tivesse feito ontem. Seu corpo se tornara musculoso e esguio, seus cabelos continuavam longos, sua pele exibia um tom dourado e ele completara dezoito anos!


Sorriu quando Zelos entrou em seu quarto para se despedir. Ele vestia a túnica negra e longa, indumentária de quem tinha feito os votos perpétuos e tornara-se um sacerdote do deus Sombrio. Milo ainda lembrava-se dele correndo no cais para embarcar nas balsas da volúpia, enquanto procurava Aracne para fazer aquela tatuagem.


– Vou sentir sua falta. – disse Zelos entregando-lhe um embrulho.


– O que é? – perguntou Milo franzindo o cenho.


– Um presente para que se lembre de nós. Os outros rapazes estão no período de isolamento para meditação e não puderam estar aqui, então todos deram uma moeda e eu fiz uma encomenda ao vendedor itinerante das terras altas, quando passou aqui no mês passado. Abra!


Milo abriu o embrulho de couro, achando um belo punhal de prata cujo cabo era um escorpião brilhante, esculpido em calcedônia negra. Seus olhos azuis brilharam e seus lábios se abriram em um sorriso largo. Apesar de tudo, ter vivido ali o tinha fortalecido e também trouxera boas amizades.


Abraçou o amigo com cara de sapo e sentiu-se abençoado por encontrar amizade e companheirismo em um lugar que antes, abominara e julgara uma prisão.


– Obrigado, seu safado. Também vou sentir saudades! Quando precisar de algo, seja o que for, me procure. – disse Milo. – Tenho vocês como irmãos, mesmo não confirmando meus votos.


– Muito bem, agora que está livre para foder à vontade, agradeceria se me enviasse algumas mulheres gostosas do seu clã, na lua negra, assim não preciso disfarçar-me e ir ao cais. – disse Zelos rindo.


– E seus votos perpétuos? Não teme o castigo do deus? – perguntou Milo com um tom malicioso já sabendo a resposta.


– Sabe que acho tudo isso uma grande besteira. Se o deus Sombrio quisesse nossa castidade teria criado homens sem pau! Agora vá e se banqueteie com sexo, bebidas e camas macias! Faça isso por mim e pelos outros!


Milo riu e Zelos também.


Na torre alta, sob um céu claro e sem nuvens, Hakurei esperou que o jovem senhor viesse se despedir. Quando ele chegou, preparou-se para uma despedida formal, porém Milo abraçou-o, quase o levantando do chão.


– E-Ei... M-Milo! – disse ele.


– Adeus, mestre! Não tenho palavras para agradecer o que aprendi aqui. Sentirei saudade dos rapazes e do senhor, mas não posso mentir dizendo que não estou feliz pela minha tão sonhada liberdade!


– Eu sei, meu filho. O deus Sombrio tem grandes planos para você, mas não espere que seu caminho seja fácil, ainda mais agora que tudo mudou e vivemos tempos incertos.


– E quando foi fácil? Cheguei aqui aos doze anos, neste tempo, meu pai morreu, meus irmãos tiveram que crescer sozinhos e eu tornei-me receptáculo de um deus que está pouco se importando se somos santos ou pecadores. Posso classificar a minha vida com muitos atributos, mas fácil não é um deles.


Hakurei olhou-o e sorriu. Aquele jovem tinha um dom especial, uma alegria que não morria nunca e uma língua afiada e franca, mesmo tendo sido marcado pela tragédia.


– É verdade. Mas, para que não diga que tudo são espinhos, tenho uma surpresa para você!


– Mais presentes? Veja este eu ganhei dos rapazes! – disse Milo mostrando o punhal de prata.


– Bem, acho que vai considerar um presente. – respondeu Hakurei.


Mesmo sendo um jovem crescido, Milo sempre agia com entusiasmo e, ao perceber que Hakurei ia em direção às escadas, correu na frente até deparar-se com três cavaleiros, montados em garanhões castanho-escuros que o aguardavam no pátio. Milo arregalou os olhos ao reconhecer quem eram eles.


– Ikki, Shun, Kanon! Vocês vieram me buscar! – gritou ele correndo na direção dos três.


Hakurei observou-os se abraçarem e orou, silenciosamente, para que o deus Sombrio fizesse uma exceção e cuidasse daqueles jovens, cujo destino exigiria provas de fé, de força e de confiança, principalmente, no poder do amor.


Quando Milo adentrou a fortaleza de seu clã, pelas grandes e altas portas cinzeladas em bronze, foi tomado por um sentimento de alegria e tristeza, ambos, ao mesmo tempo.


Havia uma recepção alegre e calorosa, com pessoas acenando e querendo tocá-lo. Ele podia sentir o aroma da carne assada, dos temperos fortes e picantes, do vinho licoroso... Ao sentar-se à mesa farta, com os irmãos e Kanon ao seu lado, Milo conversava com eles e recebia os cumprimentos, tomando consciência que saíra um garoto e voltara homem.


– Senhor Milo, seja bem-vindo! Elevemos um brinde ao Senhor do clã Skorpjun! – gritavam todos.


Senhor... Ainda era estranho ouvir-se sendo chamado assim e Milo olhou para os irmãos crescidos e orgulhosos, ao seu lado. Ikki, sempre sério e compenetrado. Shun, exalando amor por aqueles olhos grandes e verdes...


Estava em casa, longe das provações da Torre e muito mais amadurecido que quando saíra dali. Entretanto, ainda podia sentir a presença de seu pai em cada objeto e lugar da fortaleza e uma saudade dolorida martelava o seu coração. Quando fora enviado para a Torre Negra, ele odiara Kardia. Então, ele morrera e agora, ali, Milo sentia vontade que o tempo retrocedesse para que pudesse dizer ao pai que o amava...


– Então, Senhor Milo, como é estar de volta? – perguntou Kanon vendo que o jovem divagava.


– Impossível de descrever... principalmente a sensação de vê-lo me chamar de senhor e não poder mais me dar bronca! – respondeu Milo escondendo a tristeza e sorrindo daquele jeito malicioso que era sua marca.


Kanon riu. Sentira falta de Milo, de sua extroversão, das respostas sempre rápidas.


– Pois é, meu senhor. Agora, sou seu subordinado. – disse o comandante.


– Tira a parte do subordinado e fala comigo mais tarde... – falou Milo piscando o olho.


– Sempre atrevido... Não acredito que foi isso que aprendeu na Torre Negra.


– Infelizmente, não aprendi esse tipo de lição por lá. Meditei, aprendi a usar o arco e a escalar paredes, apenas com as mãos. Ficava tão exausto que nem pensava muito naquilo. Mas agora...


– Agora tem muito a aprender aqui também, antes foder com meia fortaleza e fazer-me propostas indecorosas. – falou Kanon bebendo um longo gole de vinho.


– Porque será que eu tenho a nítida impressão que você tem prazer em arruinar os meus planos? Se depender de você serei um Senhor virgem, eternamente!


Kanon gargalhou, chamando a atenção para si e para Milo. As jovens que tinham brincado com Milo quando ele era um garoto, agora eram mulheres feitas, algumas até casadas. Deslumbradas com a beleza e sensualidade do homem que crescera, cochichavam entre si e riam baixinho, enquanto serviam as mesas sem tirar os olhos de seu Senhor.


– Ele já era bonito quando rapazinho, mas agora... pelo Senhor das Almas, ele tornou-se uma perdição! – comentou Halona.


– Você é uma mulher casada, deixe-o para nós que podemos aproveitar sem culpa. Sempre quis saber como seria com ele na cama. Mesmo sendo um garoto, ele sabia como me deixar molhada... – respondeu Cersi.


– Bem, convenhamos que isso não é nada difícil com esse seu fogo, Cersi. Mas, aproveite, ele deve estar louco para foder já que passou seis anos naquela Torre de eunucos! Ensine-o e faça a alegria das mulheres do clã. – falou Halona rindo e dando uma palmada na amiga.


Cersi riu e olhou na direção de Milo que bebia e sorria de um jeito que lhe provocava arrepios pelo corpo. Pensou em como insinuar-se para levar seu plano adiante, então encontrou o olhar vigilante de Kanon sobre si e tratou de disfarçar, saindo rápido em direção à cozinha.


Todos estavam alegres e um tanto altos, quando a festa estendeu-se até a madrugada. Aos poucos, as risadas e vozes foram arrefecendo e o silêncio tomou conta da fortaleza. Ikki e Kanon tiveram de levar Milo para os aposentos, já que, sem estar acostumado a beber tanto vinho, o jovem senhor encontrava-se, totalmente, embriagado.


– Ei... Aonde estão... me levando? – perguntava Milo enquanto era carregado pelas escadas.


– Vai dormir e descansar, agora, senhor Milo. – disse Kanon.


Milo riu, os olhos semicerrados e a voz, um tanto rouca e pastosa.


– Já disse que você é... irritante, comandante? Quem quer descansar, aqui...? Eu não! Já descansei demais... quero um pouco de... de o quê, mesmo? Ah, sei... quero sexo, bastante sexo! Chamem as mulheres... cha..mem...todas...


Ikki riu e Kanon revirou os olhos, enquanto empurrava Milo para a cama.


– Deite-se e durma, Berkehell não foi feita em um dia. Terá tempo de sobra para isso.


O jovem caiu sobre o colchão e seu rosto expressou o prazer instantâneo de deitar-se em algo macio, diferente das duras esteiras da Torre Negra. De imediato, fechou os olhos e dormiu. Ikki tirou-lhe as botas e deixaram-no vestido como estava. Em seguida, os dois saíram, enquanto Milo já ressonava baixinho, agarrado aos travesseiros.


Espiando atrás dos pilares, Cersi viu quando Ikki e Kanon deixaram o quarto de Milo e correu até a porta, abrindo-a bem devagar. O senhor do clã dormia de bruços e ela aproximou-se, sorrateiramente, olhando-o com admiração e curiosidade. Como que adivinhando a presença de alguém, Milo virou-se, deixando o tórax exposto através da camisa aberta.


O corpo de Milo, mesmo em repouso, mostrava-se belissimamente esculpido, com toda a musculatura deliciosamente coberta por uma pele dourada que contrastava com o ouro dos cabelos cacheados e longos.


Ela tocou-o, abrindo mais a camisa, bem devagar, desnudando o peito forte que subia e descia com a respiração pesada. Notou que, abaixo do mamilo esquerdo tinha um desenho em preto de um ferrão e isso quase a deixou sem fôlego. Como se estivesse enfeitiçada, abriu os botões frontais de seu vestido e descia os lábios em direção ao peito de Milo, quando ouviu o som alto e estridente das trompas que anunciavam a aproximação de algo ou alguém.


Milo abriu os olhos de repente, estranhamente sóbrio e alerta, para quem bebera aquela quantidade de vinho. Franziu o cenho quando encontrou Cersi perto de si com as roupas abertas.


– M-Meu s-senhor!


– Cersi? O que faz aqui? – perguntou Milo meio aturdido, mas já ficando disposto.


– E-Eu... Eu...


– Senhor Milo! Temos visita – gritou Kanon abrindo a porta do quarto e interrompendo os questionamentos de Milo e presenciando o constrangimento de Cersi.


– E quem é a essa hora? – perguntou Milo, suspirando.


– Ainda não sei. Coloquei sentinelas nas fronteiras e lugares estratégicos da cidade para vigiar e avisar-nos se houver deslocamento das tropas do Spectrum Svört . Um deles anunciou que uma pequena tropa esta galopando direto para cá. E a senhorita, o que faz aqui? – falou Kanon.


– Eu só vim verificar se o senhor Milo não precisava de nada. Com licença!- respondeu Cersi saindo e fechando os botões, nervosamente.


– Estão sem estandarte? – questionou Milo coçando a cabeça.


– Sim, e não estou gostando disso.


– Bem, vamos saber logo, não é? Estranho... estou com sede, parece que eu não bebi nada, mas... bebi uma quantidade considerável de vinho, eu me lembro.


– Sim, bebeu. Mas, agradeçamos ao milagre que seu corpo recuperou-se do excesso alcoólico, espantosamente e tratemos dos assuntos mais sérios.


Milo sorriu, pensativo, e Kanon já podia adivinhar o que ele estava pensando...


– Não é hora de ficar cogitando coisas com esse seu poder de recuperação, senhor Milo.


– Como sabe o que eu estou pensando? Eu não disse nada.


– E nem precisa. Agora vamos, sinto que já chegaram.


Ikki e Shun juntaram-se aos dois quando o som dos cascos ecoou bem próximos dos portões.


– Alto! – gritou o sentinela. – Quem se aproxima?


– Viemos em paz! Eu sou Saga e desejo falar com o senhor de Berkehell!


Kanon ouviu a voz de seu irmão e experimentou um alívio involuntário e inexplicável. Saga havia deixado Dwiefer há quatro anos e sumido no ar, como se tivesse sido tragado para as profundezas da terra. Porém, agora ele estava ali e isso o deixava apreensivo, mas feliz.


– Deixem que ele entre. – disse Milo.


Saga apresentou-se e Kanon notou que ele estava diferente da última vez que o vira no dia da execução de Kardia. Em Dwiefer, Saga vestia-se com distinção, a túnica púrpura dos integrantes do Círculo de Honra o fazia parecer um príncipe, os cabelos presos e penteados para trás deixando o belo rosto sobressair-se viril e altivo. Porém, o homem à sua frente estava bronzeado, vestia-se com roupas surradas e escuras e seu rosto era emoldurado por cabelos soltos e desalinhados. Parecia uma versão selvagem de si mesmo... Pensou Kanon.


– Perdoem-me o avançado da hora. Sei que o senhor Milo acabou de chegar, mas como já sabem, sou um foragido e não posso dar-me ao luxo de esperar o momento mais adequado para uma visita. Serei direto e breve. Hades finge estar satisfeito com Dwiefer, mas seu plano é tornar-se senhor absoluto. Temos que unir os clãs, antes que ele destrua um a um, principalmente, porque os novos senhores são jovens e inexperientes. Ele tentará seduzi-los, para depois atacar nas sombras como fez com Regulus. Por isso, estou aqui, tenho viajado e procurado clãs menores dispostos a juntar-se em um exército para combater Hades. Descobri que sou senhor de um clã cujos sobreviventes estão espalhados em vários locais, alguns servindo a outros senhores. Assim que eu conseguir reunir grande parte deles, marcharei contra o usurpador. Desejo saber se posso contar com o seu apoio?


Milo olhava para Saga, admirado da semelhança existente entre ele e Kanon. Eram a cópia um do outro!


– É claro que pode! O clã Skorpjun nunca se rendeu e nunca se renderá a qualquer tirano. – disse Milo estendendo a mão para Saga.


Kanon permaneceu em silêncio e, quando Saga estendeu-lhe a mão, ele a apertou forte. Os olhares se encontraram, uma vibração se concentrou nas mãos unidas como se um pacto silencioso de cumplicidade estivesse contido ali, naquele primeiro contato mais íntimo, entre os dois. Um simples aperto de mãos e tanto Saga quanto Kanon sentiram o peito doer e uma vontade de estreitar ainda mais aquele toque que provocava uma saudade inexplicável e, ainda assim, forte e urgente.


Desfazendo o contato, Kanon posicionou-se ao lado de Milo e retomou sua expressão grave e concentrada. Não era homem de deixar-se tomar pelas emoções e precisava ser uma referência para o jovem senhor. Milo era muito parecido com Kardia e se fazia necessário refreá-lo, um pouco, antes que ele chamasse atenção demasiada sobre si. Saga era um homem ponderado, inteligente e sábio e talvez, o deus Sombrio o tivesse enviado para ajudá-lo a orientar e apoiar Milo.


– Bem, espero que, apesar de ser irmão gêmeo do Kanon, o senhor não seja tão regrado e desmancha prazeres quanto ele!– disse Milo sorrindo ao perceber que o ambiente estava um pouco tenso.


Saga riu. A primeira vez, em muito tempo. Assim como os integrantes de seu clã, ele não acreditava nos deuses, embora sempre tivesse omitido o fato. Entretanto, se tais deuses existissem, esse era o momento em que ele agradeceria e, talvez, tivesse esperanças...

Notas finais
Agradecimentos especiais:
VICTTORIA, lindinha, não te mencionei no capítulo anterior, então aqui vai o meu muito obrigado pela tua presença, sensibilidade e inteligência!,CHACAL_MALDITO, PERSÉFONE_SAN, MEL DARK, VANESSA,SION NEBLINA , KASSIMINHA,CIÇADF e quem mais der aquela lida silenciosa!!! Bjs, e obrigada pelo carinho de todas vocês!