Trono De Sangue

29 Capítulo 29 POR VOCÊ...


Notas iniciais
"Por você eu voltaria do Inferno ou até mesmo da morte. Nada, nem ninguém será capaz de impedir-me de reencontrá-lo, Milo!"
*** Frase inspirada em um filme antigo da década de 80 que tem como personagem, Conan, o bárbaro, um heróis dos quadrinhos que eu adoro. Neste filme tem uma cena linda onde sua companheira de luta e aventura diz que se ele estivesse em perigo e precisasse dela, ela voltaria do inferno ou até dos mortos. Eu gostei muito desta cena e utilizei parte da frase aqui. Bjs, XD

– Sim, o nosso filho. – disse Hilda sem refrear as lágrimas quentes que lhe saltavam dos olhos claros.


Mesmo doendo, Fenrir sorriu e abriu os olhos que estavam vermelhos e com a pupila dilatada. Neste exato instante, Hyoga fixou os olhos nos dele e abriu a boca. O corpo de Fenrir arqueou e uma densa e escura névoa saiu de dentro dele, través da boca arfante e foi absorvida pela de Hyoga.


Enquanto Hyoga cuidava de Fenrir, Yuna cuidava do lobo. Estranhamente, Noite não havia sido infectado pelo veneno, porém seus ferimentos eram profundos e ele perdera muito sangue.


Passados os momentos cruciais onde todos esperavam em suspenso, Fenrir adormeceu e agora respirava baixo, mas normalmente. Noite também dormia e Yuna, com a ajuda de Kamus, o colocou nos pés da imensa cama de modo que o dorso do animal ficasse encostado no corpo de Fenrir. Ao sentirem a proximidade, um do outro, ambos pareceram relaxar e os outros que os assistiam, também.


– Vou ficar observando... Fenrir precisa de mim, quer dizer, os dois. – disse Hilda, agora recomposta, olhando para o amado e seu lobo.


– O perigo maior já passou. Descanse você também, já que... tem um serzinho aí dentro de você. – disse Yuna.


Hilda sentiu as lágrimas voltarem, mas secou-as com as costas da mão. Yuna se aproximou dela com um sorriso gentil e tocou-a com suavidade.


– Não sinta vergonha de suas emoções. Foi o amor que sentem um pelo outro que trouxe Fenrir de volta.


– Eu acho que morreria se algo acontecesse com esse... esse safado!– disse Hilda rindo e chorando, ao mesmo tempo.


Yuna sorriu.


– O amor é a única força, realmente capaz de mudar o estado das coisas. — disse a Healer.


Yuna deixou o aposento e Hilda permaneceu ao lado de Fenrir, tocando o rosto jovem e viril e agradecendo aos deuses pelo milagre que acabara de ocorrer.


Enquanto isso, fora da fortaleza, Kamus presenciava Hyoga desvencilhar-se do que absorvera de dentro de Fenrir.


A névoa enegrecida saía da boca do jovem e, de imediato, evanescia no ar frio transformando-se em pequenos flocos escuros e pequenos como se fossem pontos de fuligem.


O pequeno filete da lua crescente testemunhava a cena e toda a natureza parecia compor um cenário silencioso e tenso, enquanto Hyoga transmutava o mal que se convertera em veneno.


– Você está bem? – perguntou Kamus vendo que, após toda a névoa se dissolver, Hyoga se mantinha sério e imóvel.


– Estou. – respondeu Hyoga, após inspirar e expirar, longamente. — Agora você sabe do que eu e Yuna falamos. Hades não rompeu, somente, o equilíbrio entre os clãs. Ele está despertando criaturas que sempre viveram nas sombras entre as diversas dimensões que existem. A partir de agora, nenhum lugar estará, completamente a salvo.



– Isso quer dizer que não posso me afastar de Irġiel kiesaħ. – disse Kamus com o corpo tenso e o cenho franzido.


– Não, você deve ir até Berkehell. Milo precisa da sua ajuda.


– Sou o senhor deste clã, Hyoga. Estou preso entre duas situações que tem um peso semelhante em meus sentimentos e deveres.


– Antes da próxima lua cheia, todos devem estar no abrigo. Então, eu colocarei Irġiel kiesaħ dentro de outro espaço-tempo. Assim, você estará livre para ajudar o senhor de Berkehell.


– E o que isso custará a você?


– Nada muito mais caro, do que já custou.


– Hyoga, ainda tenho que me esforçar para vê-lo como um adulto. Para mim, você continua sendo meu irmão caçula, alguém que devo proteger.


– Eu sei. – disse o jovem sorrindo. – Até mesmo eu me surpreendo comigo. Mas, acredite, eu posso proteger a todos na sua ausência. O mal aqui é de natureza sobrenatural, algo que sempre se manteve distante, porque minha mãe os mantinha em sua dimensão. Agora, sou eu quem deve fazê-lo. Em Berkehell há a necessidade de mostrar que Darneheim não pode curvar-se ao usurpador. Entretanto, sem o apoio do nosso clã, não sei se Milo poderá aguentar a esmagadora diferença numérica das forças de Hades. E... Shun está lá. Ele voltou curado para o convívio dos irmãos.


Kamus olhou para Hyoga, vendo nos olhos claros a mesma chama da paixão que ardia dentro de si.


– Você os acobertou naquela fuga, não é mesmo?


– Sim, eu... me apaixonei por Shun desde o primeiro instante que o vi. Prometi, a mim mesmo, protegê-lo de qualquer perigo e o fiz, durante algum tempo. Agora, ele precisa de outro tipo de proteção, por isso, conto com você. – respondeu Hyoga com o rosto corado.


Kamus tocou o ombro de Hyoga e olhou-o dentro dos olhos.


– Eu o farei. – disse o senhor de Irġiel kiesaħ.


Os dois voltaram para o interior da Fortaleza que já estava, praticamente, desocupada, onde eram esperados para os últimos encaminhamentos.


0000****0000****0000


O vento soprava do norte quando Aiacos enviou seus homens contra a Fortaleza em que sabia estar o senhor de Berkehell e, ao mesmo tempo, ordenava que os poucos navios que permaneciam no cais fossem incendiados. Uma imensa mancha avermelhada se ergueu junto à fumaça negra e Kanon soube o que ele fizera.


– O comandante de Hades pensa em tirar-nos toda a chance de fuga. Um homem tolo e ignorante sobre o nosso clã. – disse Kanon. – Homens, vamos deixá-los aproximar-se da Fortaleza de modo que possamos aproveitar a distância para ter maior precisão no ataque. O senhor Milo comandará os arqueiros e nós, assim que eles adentrarem o perímetro de luta, sairemos para o combate corpo a corpo.


Assim que Kanon terminou sua fala, Milo dirigiu-se ao pequeno contingente de homens e mulheres dispostos a lutar em seu nome.


– É sabido que estamos em menor número, mas a única fronteira intransponível está na crença que não podemos fazer o impossível. O clã Skorpjun sempre foi sinônimo do estranho, da não rendição e do impossível. Portanto, essa noite, vocês que se uniram a nós também serão arautos de uma força que supera todo e qualquer conceito. Hoje, as forças de Hades descobrirão que não tememos a morte e nem um bando de cães a serviço de um usurpador. Lutaremos até o fim por Berkehell, por Darneheim e, acima de tudo, pela liberdade! – falou Milo.


Por Berkehell, por Darneheim, pela liberdade! – gritaram todos.


Kanon se posicionou junto a Milo, Ikki e Shun. Logo, os três desempenhariam sua função na batalha, porém agora, estavam em silêncio e buscando na ancestralidade do clã, a força para guiar aqueles homens e mulheres dispostos a morrer pela causa que os movia.


Milo voltou-se para Ikki e Shun.


– Ikki, sei que é incomparável com a espada. Lutará ao lado de Kanon e comandará os homens de Máscara da Morte. Desejo sucesso e não sorte, porque sorte é para quem não está preparado e não é um guerreiro do seu nível. Confio em você para colocar esses idiotas prá correr. Shun, você comandará o acesso às armas e também a assistência aos feridos. Não tem experiência em batalha, mas é responsável e confio que saberá suprir os que defenderão a ala esquerda da Fortaleza, assim como poderá ajudar Afrodite com as baixas que tivermos.


– E você? Ficará com os arqueiros na torre? – perguntou Shun.


Olhando, firmemente, dentro dos grandes olhos verdes, Milo respondeu:


– Antes de tornar-me senhor do clã, fui um acólito das sombras. Eu lutarei ao lado de outros acólitos hábeis no uso do arco, aqueles cujo deus Sombrio oportunizou ver além. Chamei meus antigos companheiros e espero que aceitem meu convite.


Nem bem Milo terminou de falar, um pequeno grupo formado por 100 homens encapuzados entraram no salão e sua presença pareceu tornar o ar carregado, como se tivessem surgido de algum lugar proibido.


– Mestre Hakurei! – disse Milo sorrindo.


– Meu senhor. – falou Hakurei inclinando a cabeça.


– Mestre... não se curve. Eu é que tenho a honra de tê-lo aqui. – disse Milo abraçando o ancião.


Embora o momento fosse sério e grave, Hakurei sorriu emocionado ao ver o crescimento daquele garoto que acolhera e aprendera a amar como se fosse um filho.


– Trouxe os acólitos especialmente treinados para um momento como esse. Pasme você, o líder do grupo é alguém bastante conhecido seu. – falou Hakurei.


Zelos surgiu, retirando o capuz e sorrindo do mesmo jeito que Milo lembrava dos tempos da Torre Negra.


– Então, irmão! Nos encontramos, novamente. – disse Zelos dispensando a formalidade exigida na presença de um senhor de clã.


– Seja bem-vindo, seu devasso! Ou será que agora é um acólito respeitável? – sussurrou Milo, enquanto abraçava o amigo.


– Que Hakurei não nos ouça... arranjei uma amante nas docas, mas essa guerra de merda atrapalhou tudo. Por isso, vamos botar esses filhos de uma cadela prá correr e trazer de volta a vida normal à Berkehell.E você? Perdeu a virgindade antes dessa guerra, eu espero... Ninguém merece morrer sem ter descoberto as delícias de um corpo. – Zelos sussurrou de volta.


Milo balançou a cabeça sufocando uma risada. Então, juntou-se aos acólitos das sombras cuja habilidade era lendária e rumou, junto com os demais, para o seu primeiro combate.


0000****0000****0000


Aiacos estava posicionado frente à tropa. Sua armadura, de um negro reluzente com o emblema de uma flor de papoula negra em prata e roxo o deixava com uma expressão régia e isso aumentava o orgulho de si. Ouvia o tinir das cotas de malha e o chacoalhar do metal das armas que batiam nos escudos. Olhou-os com superioridade e gritou:


– Incendiamos os navios como um ritual de oferenda! As chamas encontraram a escuridão e agora voltam, transformadas em desejo! Desejo do sangue daqueles que ousam questionar nosso soberano! Desejo de destruição e morte! Vão, ataquem e bebam o sangue de nossos inimigos! Mas, deixem o senhor de Berkehell pra mim! Eu quero ter o prazer de levar a cabeça deste infiel para Hades!


O som dos gritos e das armas que batiam nos escudos foi ouvido na Fortaleza. Kanon respirou fundo e olhou na direção de Milo que, sorriu e piscou o olho como fazia desde garoto. O ato fez Kanon sorrir de volta e agora procurar Saga que se mantinha com sua tropa, contando com o forte apoio de Shura e Shiryu.


Seu irmão juntara um pequeno exército, mas de clãs bélicos e familiarizados estratégias militares. Com suas armaduras reluzentes, contrastavam com o grupo de Máscara da Morte que vinha sem armaduras e tendo como proteção, apenas peitorais feitos de couro e o conhecimento de enganar, fugir e matar.


Senhor das Almas e Senhora Zelosa de Muitas Faces, dai-nos a chance de vencer nossos inimigos e acolhei aqueles que perderam a vida no campo de batalha. Rezou Kanon, em silêncio, antes de elevar o braço e dar a ordem:


– Preparem-se!


Um brado surgiu do grupo. Eram gritos primitivos misturados às frases que eram ditas como um mantra: Liberdade ou morte! Liberdade ou morte! Liberdade ou morte!


Um clamor irado irrompeu, também, dos homens de Aiacos e a batalha começou.


– Por Hades!- gritou Aiacos e o som era quase ensurdecedor.


Lançar! – ordenou o guerreiro da horda de Hades e uma pedra incandescente voou em direção da Fortaleza.


Estrondos semelhantes a trovões e o martelar do aço encheu o ar de Berkehell. Os cavaleiros da tropa de Aiacos avançavam sob uma chuva de flechas, de lanças que buscavam os corpos dos que avançavam a pé, machados e espadas que tiniam em meio à confusão que toda a batalha provocava.


Sob o comando de Ikki, Máscara da Morte brandia seu machado e arrancava cabeças e membros de um jeito terrível e eficiente, enquanto gritava como se fosse um predador selvagem e sua gente avançava com fundas e boleadeiras que se prendiam às pernas do inimigo dando-lhes a chance de avançar sobre eles com suas lanças e bastões.


Kanon procurava Aiacos no campo de batalha, mas a horda era tão grande que por mais espaço que abrisse com sua espada, mais guerreiros de Hades surgiam. As tropas do usurpador pareciam um enxame de insetos mortais que, por mais que fossem mortos, outros ocupavam o seu lugar. Olhou para o norte, onde Milo estava posicionado com os acólitos das sombras. A função deles também era localizar Aiacos e seus oficiais para então atacá-los e deixar a tropa sem comando.


Entretanto, nem ele e nem Milo estavam preparados para a cena que se descortinou frente aos olhos de todos...


Cavaleiros vestindo armaduras pesadas, parecendo fantoches gigantescos usados em festas e pantomimas, surgiram de imediato dentre as fileiras que avançavam. Com gritos estridentes, galoparam em direção dos guerreiros que batalhavam sem montaria, decepando cabeças e estripando. Logo em seguida, formaram um bloco compacto, como se fossem um organismo único.


O líder da estranha tropa gritou Por Hades! e todos bateram no peito, três vezes. Segundos depois, todos se transformaram em uma imensa bola de fogo que liberou um som abafado e muito calor. Calor este que se expandiu em ondas invisíveis, matando os guerreiros próximos a eles e formando uma cratera no local.


O cavalo de Ikki empinou com a onda de calor que se propagou da bola de fogo e ele caiu, sendo resgatado por Máscara da Morte antes que outras montarias o pisoteassem.


Por segundos que pareceram horas, tudo o que se via era um mar de corpos humanos e animal, despedaçados. Ossos, carne, cartilagens e peles em um emaranhado de fumaça, sangue e terra...


– Recuar! – gritou Kanon e procurou ver onde Saga estava, porém a densa fumaça que se formou fazia seus olhos arderem e lacrimejarem, não o deixando reconhecer as silhuetas.


Milo viu que Saga e sua tropa seriam o próximo alvo de Aiacos, então, ergueu a mão e cavalgou com os acólitos, todos já disparando flechas com uma pontaria extraordinária para quem o fazia em movimento.


A fileira de guerreiros negros de Hades que avançava, após a explosão foi caindo vítima das flechas dos acólitos das sombras como se fossem marionetes sem o seu titereiro. Quem presenciava a cena, achava que era um efeito do que acontecera, pois olhos lacrimejantes e irritados os estavam enganando. Ninguém podia ser tão rápido e certeiro assim!


O vento quente fustigou o rosto de Milo e aquela névoa enegrecida que fazia arder os olhos trouxe lágrimas aos seus, mas mesmo assim, ele os manteve abertos e mirou. A flecha zuniu e acertou um dos oficiais de Aiacos. Imediatamente, dois guerreiros protegeram seu comandante erguendo seus escudos e voltando as catapultas com pedras incandescentes na direção dos acólitos.


Uma grande pedra caiu próximo de Milo, mas ele puxou seu cavalo de forma a descrever um semicírculo, escapando e já encaixando outra flecha para disparar. O homem que estava na catapulta caiu com uma flecha entre os olhos e, antes que outro assumisse o lugar, Zelos disparou, assim como os outros e a arma de grande porte ficou sem ter quem a manejasse.


– Vamos voltar! Recuar!– gritou Milo.


O garanhão de Milo elevou as patas dianteiras e ele viu Aiacos recuar, mais uma vez, mesmo tendo usado aquela arma horrenda. Seus próprios homens se sacrificando para causar baixas, mais rápido.


Kanon emparelhou com Milo e logo Saga, também se aproximou, para o alívio do comandante de Berkehell. Máscara vinha com Ikki na garupa de seu cavalo e o restante recuava de volta para a Fortaleza.


Aiacos urrou de ódio ao ver que, mesmo superior em número, ainda assim era confrontado com mais eficácia. Recusava-se a admitir que sua inexperiência era um dos fatores. O mal estava naqueles homens despreparados para uma guerra de verdade! Era uma junção de todo o tipo de criatura, desde os homens das Terras Flutuantes, até a ralé que se unira ao soberano em troca da vida e de regalias. Não eram guerreiros como ele e tinha de admitir que Radamanthys tinha mais experiência em transformar “chumbo em ouro”.


– Markino! – gritou ele para seu segundo oficial em comando.


– Sim, senhor!


– Junte sete homens de descendência nobre e façam o círculo! Já!


– S-Sim senhor! Imediatamente, senhor!


O jovem comandante retirou o elmo e passou a mão nos cabelos empapados de suor. Sentia os batimentos de seu coração acelerados, mas mesmo assim, faria o ritual a que Hades o havia iniciado.


"A inocência corrompida é como um manjar de sabor inigualável para o Caos! Quando necessitar de força, alimente-o com sangue de alguém nestas condições e terá sua benção..."


Andou até o círculo composto por sete soldados e ficou no meio. Respirou fundo e olhou nos olhos de cada um dos homens que compunham aquela forma... Após uma volta completa, escolheu um os homens mais jovens, chamando-o para o centro.


O jovem, pouco mais que um adolescente, estremeceu, mas foi. Posicionou-se em frente ao seu comandante.


– Daria sua vida, de livre e espontânea vontade, ao seu soberano? Promete amá-lo acima da própria vida? – inquiriu Aiacos.


– S-Sim, senhor!


– Então pegue! – disse Aiacos estendendo um punhal negro para o soldado.


Com a mão trêmula, o soldado pegou a arma, sentindo o frio da lâmina escura que parecia ter sido deixada sobre o fogo. Depois olhou nos olhos cinzentos e cruéis de Aiacos e seu corpo inteiro foi tomado pelo pavor. No entanto, parecia que estava preso ao chão e não conseguia desviar do olhar de seu comandante. Devagar, sua mão movia-se por vontade própria até chegar à garganta e encostar o punhal até escapar um pequeno filete de sangue.


– Cumpra sua promessa, dê seu sangue para que todos nós nos tornemos mais fortes! Alimente as sombras, honre o Caos!


O jovem deixou escapar uma lágrima e, em seguida, cortou a garganta, fazendo jorrar o sangue. Um vento sobrenatural abateu-se sobre o círculo e todos que ali estavam, foram alimentados com um poder sombrio e hediondo, embora Aiacos recebesse a maior parte dele...


Com um rugido de satisfação, o comandante viu o corpo do soldado ser dissolvido por uma espiral negra e retornar ao punhal negro. Em segundos, tudo voltou ao normal, como se nada tivesse acontecido.


– Preparem-se! – disse Aiacos. – O próprio Hades habita em nossas almas! Agora, vamos destruir nossos inimigos!


0000****0000****0000


Em Irġiel kiesaħ, os archotes estavam plenamente acessos e todos estavam acomodados no Abrigo. Há dois dias do plenilúnio, momento de poder onde a luz lunar, no seu ápice tornaria forte a invocação de Hyoga, todos organizavam os últimos detalhes da migração das casas, ambientando-se em seu novo lar.


Kamus estava olhando a neve, buscando aplacar a angústia que sentia. Desejava rumar logo para Berkehell, mas ainda tinha obrigações e deveres com seu clã. Hyoga sentiu-lhe a ansiedade e se aproximou.


– Quando eu invocar os elementais, a barreira se elevará e Irġiel kiesaħ ficará protegida. Logo poderá juntar-se a Milo. – disse o jovem.


Kamus olhou para o irmão e depois para a neve que parecia um tapete escuro a cobrir toda a paisagem.


– Essa proteção se dará em todos os níveis? – perguntou.


– Sim, deixarei Irġiel kiesaħ em outro espaço-tempo de modo que não sejamos vistos por Hades ou qualquer outro. Entretanto, isso tem um limite. Ficar fora do nosso tempo real ocasiona mudanças. Algumas, não são tão agradáveis.


– Quanto tempo?


– Um ano, no máximo.


Kamus suspirou, a guerra estava apenas começando.


– Pelo menos, fico tranquilo em saber que nosso clã está protegido e já tem um herdeiro em potencial.


– O filho de Fenrir. – disse Hyoga.


– Sim, eu não pretendo me casar com uma mulher e, pelo visto, nem você.


Hyoga sorriu e desviou o olhar. Tinha se tornado adulto do dia para a noite e seus poderes atingido o nível máximo. Suportara o sacrifício de sua mãe e fizera sacrifícios para ajudar aquele que amava. No entanto, como seria quando reencontrasse Shun? Seu coração aquecia só em pensar nele, mas sua mente tinha dúvidas de como sua súbita evolução seria aceita.


– Devo levar uma mensagem sua? – perguntou Kamus.


– Não. Apenas diga que... fico feliz pelo restabelecimento dele e...que...aguardo o nosso reencontro.


Compreendendo o dilema de Hyoga, Kamus não insistiu. Deixou-o apreciando a paisagem gelada e foi ver como Fenrir estava. Depois, iria ter com seu comandante e demais guerreiros para acertar os detalhes finais da partida para Berkehell.


0000****0000****0000


Era lua cheia quando Aiacos atacou a Fortaleza, sentindo o sangue latejar nas têmporas e uma excitação dolorosa. Já fazia semanas que seus ataques eram rechaçados e seus homens mortos por um pingo de guerreiros. Chegara a pensar que o senhor de Berkehell tinha feito um pacto com algum demônio poderoso. Só assim conseguia explicar o que estava acontecendo.


No entanto, esta noite, ele havia sacrificado três jovens e isso lhe garantira mais poder contra seus inimigos. Podia sentir sua pele vibrar e seus comandados atacar com mais violência. Quem visse as expressões nos rostos da horda de Hades, parecia ver verdadeiros demônios gritando e brandindo suas armas.


Fogo e sangue continuavam a assombrar a Fortaleza que agora, estava cercada. Após semanas lutando bravamente, o clã dos carniceiros tivera muitas baixas e o de Saga também. Os acólitos das sombras tinham apenas três homens feridos e se tornaram um grupo de defesa muito importante, pois não erravam nenhum disparo e tinham habilidade de escalar e se manter quase invisível.


No entanto, a situação começava a ficar insustentável. Mesmo resistindo heroicamente, Milo estava encurralado dentro da Fortaleza. Não possuía mais homens suficientes para atacar em campo aberto e havia muitos feridos. A única esperança era receber apoio de outros clãs, principalmente do clã Iljun.


– Fique quieto. – ordenou Afrodite, enquanto tratava de um ferimento de Máscara da Morte.


– Preciso falar com June. Ainda vai demorar com isso? – perguntou o líder dos Carniceiros, enquanto procurava a parceira com os olhos.


Sua mulher está ajudando Shun com a contagem das armas. – disse Afrodite, enquanto costurava o ferimento.


– Ela não é minha mulher. – falou Máscara cuidando as reações do senhor dos venenos.


– Ah, não? Então ela é o quê?


– Minha conselheira, minha amiga e uma foda eventual. Ai!! Devagar com isso!


Decida-se! Uma hora quer que eu faça rápido. Noutra, quer que eu faça devagar. Tenho mais gente para atender, portanto aguente.


Máscara ficou encarando Afrodite, vendo sinais de cansaço no belo rosto, resultado das noites insones devido aos ataques noturnos e da necessidade de ficar alerta durante o dia. Apesar de sempre manter a postura orgulhosa, o senhor dos venenos atendia a todos os feridos com dedicada atenção e respeito. Era um homem forte, embora ostentasse uma constituição física que sugeria o contrário.


– Pronto. Pode ir. – disse o loiro se levantando.


– Espere. – falou Máscara agarrando-o pelo braço. – Obrigado por cuidar de mim.


Afrodite encarou os olhos ardentes de Máscara da Morte e se perguntou se aquela força mesclada com luxúria não acabava nunca. Parecia que, quanto mais guerreava e matava, aquele homem se fortalecia e olhava-o com mais interesse.


– Não precisa agradecer. Faço isso por qualquer um. – respondeu Afrodite olhando para a mão forte e áspera que o segurava.


– E, por acaso... fode com qualquer um, também? Se o fizer, eu entro na fila... – disse Máscara sorrindo.


Um sonoro tapa estalou na face direita do líder dos Carniceiros.


– A próxima vez que se ferir, peça a sua foda eventual para tratá-lo! Ela deve estar acostumada com animais!– disse Afrodite.


Máscara esfregou o rosto no lugar do tapa e sorriu. Um dia, senhor dos venenos, você vai ser meu e essa sua mão macia vai me tocar de outras formas...


Alheio às pequenas confusões, Milo caminhava entre os homens, falando com os feridos e sendo informado da situação dentro da Fortaleza. Estava exausto, mas como senhor do clã, suas responsabilidades superavam sua condição. Seu aprendizado na Torre Negra estava sendo de grande valia, pois tanto o sono, quanto a comida eram quase uma raridade para si e, mesmo assim, se mantinha forte e certeiro no uso do arco e com voz forte para comandar.


Ainda havia comida e bebida, mas pouca gente para resistir a um ataque maciço e sua intuição dizia que Aiacos viria com tudo.


Kanon e Saga buscavam uma solução de emergência, enquanto os acólitos das sombras permaneciam vigilantes. Shun e June verificavam o estoque de armas e Ikki reunia os sobreviventes dos carniceiros e discutia com Máscara da Morte, Shura e Shiryu, estratégias de combate.


Após ter sua vida salva pelo homem que odiava, Ikki percebeu que diante de uma batalha como aquela, as diferenças tinham de ser esquecidas em prol de um bem maior. Talvez o desafiasse para um duelo depois da guerra, mas agora ouvia as sugestões e o respeitava como um líder de clã, mesmo que fosse o dos carniceiros.


Quando o zum zum serenou um pouco, Milo tomou seu arco na mão e dirigiu-se até uma das torres da Fortaleza. Lá, foi até a sacada, vislumbrando as fogueiras do acampamento inimigo...


Dali a algum tempo, o amanhecer teria lugar. Podia ver a movimentação no acampamento que Aiacos erguera próximo dali. Haviam sido atacados durante a noite e todos estavam cansados por terem resistido, mais uma vez, ao poderio que as tropas de Hades possuíam.


Agradecia ao deus Sombrio e ao seu pai pela estrutura forte daquelas paredes e muros. As pedras lançadas haviam feito estragos, mas estes eram contornáveis durante algum tempo.


Pensou no que lhe dissera Hakurei quando ainda era um menino. No skák temos a oportunidade de visualizar estratégias. Ao contrário de certos jogos onde a figura de maior poder tem que ser protegida, aqui o personagem de mais valor sabe quando deve dar o passo à frente. É ele quem protege o restante e não o contrário. Por isso, quando uma decisão é tomada e exige sacrifício, é ele quem arca com o ônus.


É, talvez eu deva fazer algo que aquele filho da puta do Aiacos não espera... O que aconteceria se eu fosse até o acampamento e o matasse? Divagava Milo quando o gongo ecoou.


O senhor de Berkehell ouviu o rangido dos portões sendo abertos e, por um instante, estranhou tal atitude. Então, seu coração acelerou quando espiou e viu o estandarte com um lobo uivando para a lua. Antes que a guarda anunciasse, ele já sabia quem era.


– Kamus... – murmurou apertando a haste de seu arco.


– O senhor de Irġiel kiesaħ responde ao chamado dos clãs na batalha contra o usurpador e se une ao senhor de Berkehell! – gritou Manigoldo e uma pequena multidão de guerreiros que não estava ferida, acorreu ao encontro dos cavaleiros que adentravam a Fortaleza.


Kamus montava um garanhão vermelho e estava tão belo quanto ele se lembrava. O corpo esguio vestindo uma túnica justa de lã cinza escuro, um manto de pele num tom de cinza claro e as calças justas de lã negra, encimadas pelas botas de couro que iam até os joelhos, acentuava a presença marcante do senhor de Irġiel kiesaħ.


A postura, sempre altiva e impecável, o fez sorrir, mas quando Kamus olhou na sua direção, Milo deixou de respirar.


Rapidamente, o senhor de Berkehell desceu até o pátio onde os guerreiros já aprontavam suas armas, preparando-se para o próximo ataque e recebiam, curiosos, aquele clã tão famoso por sua força combativa.


O senhor de Irġiel kiesaħ vasculhou com o olhar aquela gente toda. Seu coração estava acelerado também, mas seu físico não expressava nenhuma ansiedade. Graças à visão de Hyoga, haviam tomado outro caminho antigo e desconhecido que os levara até ali sem cruzar com as hostes de Hades. Agora, ali estava, acompanhado por homens fortes e experientes no combate. Sua tropa encheu o pátio e chamava a atenção pela postura, compleição física e a cor alva das peles.


De repente, ele o viu... Milo estava parado, encarando-o como se não acreditasse no que estava vendo. Os olhares mergulharam um no outro, tão intensos e saudosos que tudo o mais pareceu evanescer...


Os dois foram se aproximando, devagar... Manigoldo foi saudado por Kanon e Saga. Shura e Shiryu também se aproximaram e o restante da tropa permaneceu em suas montarias.


Milo sentiu que sua respiração estava acelerada e que o seu corpo estava tenso. Quando ficou frente a frente com Kamus, ele sorriu e, sem poder se conter mais, abraçou-o com força.


– Fiquei preocupado, lobo! Tive medo que algo grave tivesse acontecido com você. – disse com alívio e alegria na voz. Depois, aproveitando a aproximação do abraço, sussurrou: — Como é bom tê-lo em meus braços... Pelo deus Sombrio, que saudade...


O senhor de Irġiel kiesaħ sorriu e depois ficou sério. Então sussurrou de volta, próximo ao ouvido do homem que amava:


Por você eu viria até das profundezas do inferno! Nada, nem ninguém me impediriam de te reencontrar, Milo...


Aquelas palavras aqueceram o coração e incendiaram o corpo de Milo. O abraço forte e apertado, o cheiro de Kamus, os lábios finos e entreabertos... Sentia-se tão cansado e, ao mesmo tempo, tão excitado.


– Venha, vamos conversar, enquanto podemos. Kanon mostrará as acomodações os seus homens. – disse Milo desfazendo o abraço.


Kanon percebeu que havia algo entre Milo e o senhor de Irġiel kiesaħ. Então, finalmente, Milo encontrara o amor... Pensou o comandante e sorriu, discretamente. Pediu licença aos dois e foi ter com os guerreiros recém-chegados.


A Fortaleza era imensa, como se fosse uma pequena cidade. Milo caminhava rápido, querendo chegar a um lugar privado.


Ouviu o relincho de um garanhão e tanto ele, quanto Kamus olharam para o estábulo vazio. As baias estavam escuras e, de repente, Milo puxou o amante para dentro. O local cheirava a feno e exalava um odor típico do suor dos cavalos. Mas nada disso importava!


Um sorriso malicioso brincou nos lábios carnudos do escorpião. Ele ofegava e tocava a face de Kamus como se quisesse certificar-se que ele estava mesmo ali...


Comungando da mesma necessidade, Kamus permitiu-se fazer o que desejara desde a chegada. Tomou a boca de Milo com urgência e paixão. Os lábios famintos sugaram e morderam, a língua invadiu e explorou com avidez todo o interior da boca que se oferecia a si...


Com sofreguidão, beijaram-se até quase sufocar. As línguas buscando-se dentro e fora das bocas, as mãos vagando por entre as roupas...


Milo abraçava o amante com força, estreitando-se de encontro ao corpo forte e musculoso como o seu. Tanto tempo havia se passado... Em sua premência apertava a carne, sentindo a necessidade de mais contato, o corpo clamando pela vontade de ter Kamus em si...


Kamus sentia o mesmo, tanto tempo sem sentir o calor da pele, a textura, o gosto do homem que amava tanto... Recomeçou o beijo de maneira lenta, começando a despir Milo para sentir-lhe a pele e enquanto o fazia, seus lábios deslizavam pela garganta do amante, depois subiam ao ouvido para mordiscar-lhe o lóbulo da orelha que exibia uma pequena argola de ouro, uma novidade que ele apreciou e cutucou com a língua, arrancando gemidos abafados do senhor de Berkehell...


Milo usufruía das carícias de Kamus em sua pele, a trilha de fogo que a língua dele fazia em seu pescoço e retornava a sua boca, enlouquecendo-o, fazendo-o ofegar e gemer.


Percebeu que estava completamente nu, quando Kamus deitou-o sobre um monte de palha e livrou-se do obstáculo de suas próprias roupas, exibindo o corpo voluptuoso e com algumas cicatrizes adicionais.


– Eu te amo tanto... – sussurrou o senhor de Irġiel kiesaħ de encontro aos mamilos eriçados de Milo. Depois, tornou a beijar-lhe os lábios com paixão, invadindo a boca quente com a língua, ao mesmo tempo em que erguia uma das pernas desnudas até sua cintura e acariciava a coxa grossa antes de posicionar-se para penetrá-lo.


Não queria machucá-lo, mas o furor do desejo os inflamava e Milo se esfregava em seu corpo freneticamente, atiçando-o, fazendo-o negar a razão e deixar-se possuir pela paixão ardente. Não havia tempo, talvez só tivessem aquele momento...


As mãos de Milo se agarraram aos seus quadris, prendendo-o contra si. Kamus prolongou o olhar sobre o corpo abaixo do seu, os olhos rubros inflamados pela luxúria, o falo pulsando ao roçar na estrada do amante...


Milo ofegou, seu corpo conhecia o prazer que somente o seu lobo podia oferecer. A visão daqueles olhos ardentes era um paraíso, a feroz possessividade dos braços fortes, um êxtase... Moveu-se em desespero, os lábios se abrindo para poder respirar...


– Olhe para mim... – pediu Kamus movendo os quadris.


O senhor de Berkehell não percebera que fechara os olhos. Entreabriu-os e viu o rosto belo fitando-o com arrebatamento, a cicatriz que o tornava viril destacando-se entre os cabelos ruivos em desalinho...


Sorrindo, tocou-o sentindo o coração descompassar. Afastou uma mecha dos fios avermelhados que adorava e sentiu que seu peito expandia e sua respiração se tornava ofegante.


– Te amo, Kamus... — sussurrou, com a paixão explícita nos olhos, profundamente, azuis.


Kamus sorriu de uma forma quente e amorosa. Os olhos atormentados pelo desejo, o corpo colado ao de Milo...


Sem desviar o olhar, penetrou o corpo do amado em um movimento único e Milo abriu a boca num grito mudo, mas pleno de sensações e sentimento...


O rosto de Kamus enrijeceu num esgar de prazer intenso e Milo sentiu que ele se tornava parte de seu corpo, o falo mergulhado em seu interior em um prazeroso tormento... A dor pungente da invasão criando variáveis por toda a pele até tudo tornar-se um pulsar de deleite em suas entranhas e em seu coração.


Os quadris de Milo se arquearam para sentir Kamus mais e mais dentro de si... O jovem senhor de Irġiel kiesaħ cerrou os dentes, tentando retardar o prazer.


– Milo... – ele respirou fundo, estancando os movimentos.


O rosto de Kamus se contorceu, e, ainda assim, permaneceu fixado no rosto de Milo, assimilando o prazer do amado que chegava tão furioso e profundo, quanto os mares daquela terra...


Milo gemeu mais alto, o corpo fora de controle... Kamus saía e entrava em seu corpo, afogando-o em um delicioso erotismo, o orgasmo abria caminho com espasmos alucinantes que arrastava os dois para além da guerra, para além de tudo...


– Kamus! – Milo gritou ao sentir-se tocado tão fundo quanto possível, as mãos em desespero agarrando-se às nádegas roliças que se moviam fortes e ritmadas.


Kamus investiu mais rápido, rude, e apaixonado. O suor escorrendo pela face, os lábios entreabertos deixando escapar gemidos roucos, as mãos grandes apertando a carne ardente do amante como se jamais o fosse soltar...


Estocava, sentindo um prazer, indescritível, em ter seu falo engolfado pela cavidade, apertada e quente, do outro, os olhos sempre fixos nos dele nutrindo-se do prazer e entrega que via nas luxuriantes orbes azuis...


Quando viu o olhar febril de Milo e o estremecer do corpo dele, varrido pelo orgasmo intenso, Kamus gemeu alto e de forma estrangulada. Seu corpo convulsionou em espasmos violentos e o gozo derramou-se quente, dentro do loiro, enquanto sentia o dele molhar seu abdome...


Segundos depois, o corpo de Kamus desabava sobre o de Milo, as batidas desenfreadas do coração de ambos retumbando, as bocas arfantes sentindo o hálito quente um do outro...


Milo fechou os olhos, atordoado, mas logo os abriu, novamente, e encontrou o rosto de Kamus a centímetros do seu. Ele o observava com tanto sentimento que fez seu coração demorar a voltar ao normal.


– Eu esperei muito por isso... Cada dia e cada momento longe de você... foi uma merda. – disse Milo acariciando a cicatriz no rosto de Kamus.


O jovem senhor de Irġiel kiesaħ riu.


– Prá mim também. – respondeu beijando de mansinho as pálpebras e depois os lábios de Milo.


Os dois riram e beijaram-se, languida e ternamente. O tempo andava depressa, mas o momento em que se entregavam um ao outro os deixara mais fortes. Quando o gongo soou, os dois amantes entrelaçaram as mãos e rumaram ao seu destino...



Notas finais
**** Obrigada, do fundo do coração!!! tenham um bom feriado!!XD