Tronix - O Protegido Protetor
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Confesso que fui duro com Natsu ontem, mas... É, eu fui duro com ele e preciso pedir desculpas..
Como Jô, Aira e Ka-El ainda estavam em casa, fui na frente. Hoje nem deveria ser considerado um dia de semana, um dia de aula, visto que como essa noite vai ocorrer a festa de boas vindas (que ocorre todo ano), os alunos terão de ajudar na preparação dela. Resumindo, eu poderia ter ficado em casa dormindo como um anjo preguiçoso, mas fui pra escola. Acho que só queria fugir de ficar em casa mesmo... Jô estaria lá e eu não agüentaria ficar muito tempo no mesmo ambiente que ela e sem trocar uma palavra com ela... Digamos que ainda estou constrangido. Mas fora isso, tem o fato de que se eu fosse, teria que arrumar metade da casa e o mundo inteiro.
Quando cheguei na escola, percebi que a movimentação estava bem maior que no dia anterior. Será que é por que cheguei tarde ou por que cheguei cedo? Bem, sofri um pouco para conseguir atravessar aquela multidão de alunos e pais sem que ficasse preso entre eles, mas consegui chegar sã e salvo na sala de aula. A professora não fazia nada de mais, apenas olhava algumas fichas e ouvia os alunos conversarem em um tom bom, mas a qualquer momento ela iria nos levar para o auditório e nos fazer trabalhar como quase-escravos enfeitando a escola toda.
Se bem que eu estava certo. Alguns minutos depois, o sinal tocou acordando a professora do transe das fichas que devem ser corrigidas. Ela nos ordenou em fila (como se nós fossemos vândalos que não conseguiriam se organizar) e nós fomos até o auditório. Eu disse que estava certo...
Lá, no auditório, estava cheio de alunos e professores com suas turmas, a maioria dos alunos só estavam lá sem reclamar porque iriam cortar três aulas só para isso, e com certeza, esses que estavam lá pelo motivo de cabular aula, eram os que mais iriam demorar. Ficar três tempos sem ter aula é legal, mas fazer o trabalho manual da escola não é..!
O Professor citou algumas regras, nos mandou tomar cuidado e começaram a entregar sacolas. Sortearam os grupos e eu fiquei no de Yuna, Damian, Romeo e Airon. Damian e Romeo pareciam sérios, já Airon era meio... Feliz demais. Ele deve ganhar muito dinheiro perturbando as pessoas, ou talvez seja um dom. Cada grupo ficou com um cômodo da escola, e como se não bastasse, o nosso grupo teve de arrumar o pátio. Além de ter sol, é muito grande. Tivemos de carregar algumas mesas e cadeiras, sem contar com alguns enfeites de vidros para as próprias mesas. Foi cansativo, mas eu não esperava que esse grupo ainda quisesse “separar tarefas”. Yuna esperta –ou não- escolheu pregar enfeites na parede e Damian, além de ajudar com outros enfeites, ajudaria Yuna a colocar o telão. Romeo e Airon ordenariam as mesas e eu tive que ficar com a parte de colocar os pisca-piscas em volta das folhas das árvores. Não curti minha parte. As árvores são altas e eu sou o maior banana. Quando era menor, minhas tias e minha própria mãe me chamavam de manteiga derretida. Só aceitei fazer minha parte quando ouvi Minyan Port dizer que o grupo que fizesse melhor trabalho, ganharia cinco pontos.
Sabia que não iria conseguir, mas Damian acabou de ajudando. Eu queria ficar com a parte dele, sabe... Ficar só ajudando o pessoal nos mínimos detalhes... Isso é mais fácil. Assumo que estava com medo de cair quando ele me mandou subir em suas costas para dar impulso na hora de pegar um dos galhos da árvore, mas confiei nele. Ele me ajudou bastante, mas quando vi que tinha pegado a manha, o dispensei.
{...}
Eu “achei” que tinha aprendido a escalar árvores, mas na mais alta e última árvore, caí. A árvore era alta e o tronco era largo, o que não ajudou. Suas raízes saíam do solo e ficava perto de dois brinquedos e pedras enormes a rodeavam. Coloquei o pé direito no caule para poder me posicionar melhor enquanto a mão direita agarrava um galho bem distante do solo e a esquerda carregava os pisca-piscas juntamente com a sacola de enfeites. Tentei sentar no galho em que me segurava, pois achei nele seria mais fácil contornar a árvore com o pisca-pisca, mas não tinha percebido que ele era fino demais. Ou seja, caí nas pedras e ralei o cotovelo. Meu coração batia rápido, eu realmente tinha me assustado, mas estava bem. Minha vista estava meio embaçada, mas percebi os outros membros do grupo se aproximando.
–Tudo bem?!
–Tudo... Eu acho.
–Machucou alguma coisa? –Yuna perguntou.
–É claro que ele machucou! Olha a altura da árvore! –Essa era a voz de Damian, ou talvez a de Romeo. –Vamos levá-lo para a professora.
–Mas ainda não terminei de contornar a árvore.
“E você não vai me impedir, eu quero aqueles cinco pontos!”. Era o que eu queria falar...
–Terminamos depois, você se machucou! –Ok, essa era Yuna. Estou confuso.
Acho que eles estão esperando que eu me levante, mas o chão está tão bom... Se não fosse por pedras pontudas abaixo de mim e a areia entrando nas minhas calças.. Fora isso, ta tudo numa boa. Tentei me levantar, mas voltei para o chão. É, parece que machuquei o tornozelo também.
O que me restava era segui-los colocando o peso de meu corpo em uma só perna, o que não foi fácil fazer sem ninguém perceber. Acho que estava parecendo uma cópia mal-feita do Saci. Meu cotovelo sangrava e aquilo parecia deixar Yuna preocupada, ela meio que abria caminho para mim, então por isso, chegamos mais rápido no auditório. Lá havia poucos alunos, mas muitos professores.
–Professora! –Yuna disse indo na direção de Minyan. –Um de nossos membros se machucou enquanto escalava a árvore!
Minyan me deixou sentar no lado elevado do auditório (mais conhecido como palco) e foi em busca de alguns medicamentos para meu cotovelo que sangrava. Ao redor, misturado com o sangue, havia areia do pátio.. Mas bem, alguém que não pareceu feliz com aquilo, foi a coordenadora. Chamou-nos de incompetentes e coisas do tipo. Mas sabe... Eu me sinto um pouco feliz quando ela fica brava comigo.. Fico de cabeça quente e tenho bons argumentos contra ela, mas hoje nem fui atrás de falar nada, preferi cuidar de meus ferimentos. A professora voltou rápido com uma caixinha de primeiros socorros. O que ela fez no cotovelo ardeu um pouco, mas eu estava em duvida de falar sobre o meu tornozelo. Imagina só se ela tira os cinco pontos!? Mas como a dor era imensa, acabei contando. Não conseguiria mais sair andando enquanto parecia querer imitar o Saci...
–Oliver, quando não conseguir fazer alguma coisa, converse com seus amigos, eles entenderão...
–Não foi pelos meus amigos, foi por mim. Eu quero aqueles cinco pontos.
Sou sincero. Minyan pareceu contrariada, mas tocada. Viu? Olha o que sua oferta de pontos faz com os alunos!
–E por que não pediu ajuda a eles quando percebeu que estava com o tornozelo machucado?
–Porque dava pra caminhar sozinho... –murmurei, mas aqui não pareceu uma desculpa que fosse realmente colar.
–Compreendo, mas agora ele está inchado... Sabe o quanto vai doer se eu mexer nele para tentar fazer alguma coisa, não é?
–Não. –“Digamos que também doeu bastante quando você passou esse negócio amarelado em meu cotovelo, mas você não avisou!”
Ela suspirou. Parecia impaciente.
–De qualquer jeito... Você não pode terminar de assistir aula assim, e nem pode terminar de decorar as coisas... Precisa dar um jeito nisso. Venha –Ela disse me dando a mão para me ajudar a descer. –Vamos ligar para seus pais...
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