Troféu de Amor
19 Capítulo 18
Boa Leitura ♥️...
Samira.....
Eu já estava chorando tremendo só de lembrar , mas já estava no fim tudo aquilo , meu bebê não parava quieto estava mais agitado do que o normal . Mas consigo prosseguir .
— Então ele não te abusou de primeira?
— Não demorou um pouco , na verdade eu pensei que não iria passar de carícias , por todo o meu corpo era sempre no final da aula , mas dois meses depois , eu iria pra casa da Samanta , como era perto da escola eu fui andando meu pai não tinha ido trabalhar no dia , resolveria alguma coisa não sei , liguei Pra minha mãe era comum eu ir pra lá então tava tudo resolvido , foi quando...
— Quer um pouco de água?
— Não , posso continuar?.
— Se sentir bem , pode!
Ele parou o carro na minha frente assim que eu iria atravessar , levei um susto , olhei prós lados mas ninguém que eu conhecia , ele desceu do carro e mandou eu entrar , me mostrou uma arma e disse que se eu fizesse algo ele atiraria e depois faria com as pessoas que eu amo.
— Nunca pensou em contar pra sua mãe?...pra alguém?..ninguém percebeu?
—Minha mãe perguntava se estava tudo bem , eu sempre dizia que sim , ela sempre andava a mando do meu pai , uma mãe sempre paciente , mas ela estava por uma fase conturbada já que perdeu um filho.
— Acha que se não fosse isso ela teria percebido?
— Não sei!
— Nesse dia do carro o que ele fez?
— Depois que entrei no carro ele me levou pra uma casa , não era grande em um bairro simples , me levou para o quarto e mandou que eu tirasse a roupa .
— Você fez o que ele pediu?
— Não!..no início resistir , mas ele atirou do lado do meu pé , levei um susto , ele gritou me encolhi mas fiz o que ele pediu , nesse dia foi o pior dia da minha vida , quando cheguei em casa subo correndo me lavei mas mesmo assim me sentia suja , uma ardência , parecia que tinha me cortado , lembro de sair muito sangue. Pedi pro meu pai me tirar de lá várias vezes , mas minha tia dizia que isso era coisa de adolescente mimada .
— Era sempre que ele fazia?..em quais lugares?...Ou era sempre na casa?
— na maioria das vezes era na escola na sala de aula , apenas levantava minha saia e abaixava minha calcinha , no início era sempre uma dor , depois eu apenas olhava pro chão e pedia pra tudo acabar logo .
— foram quanto tempo que ele te abusava ?
— Sempre nas últimas aulas que era dele , ele deu um tempo pensei que iria parar , mas quando completei meus quinze anos , já fazia mais de seis meses sem que ele me tocasse ou disesse algo , agia naturalmente até que ele disse que me daria meu presente .
— Por isso não quis a festa de quinze anos , todas as garotas sonham com esse dia .
— Não tinha alegria pra fazer , com o tempo acostumei com os abusos e fiz amizade com a Ingrid , ela tinha me confessado que me viu com ele , a partir daí começamos a ir nas festas , fiquei pior a cada dia , sempre em festas para de maior como tinha dinheiro era fácil , bebia até não aguentar mais , dormia por lá na que meu pai achava que estava na casa das minhas "amigas" .pensei que ela fosse minha amiga .
— Sentia prazer quando ficava com ele?
— Depois que conheci a Ingrid ela disse que era só eu relaxar que iria acabar gostando.
— E assim você fez?
— Sim , mas pra ela eu gostava , mas acabei seguindo o conselho dela , entrei no jogo dele , e com o tempo ele foi se afastando como se não sentisse mais aquela vontade , eu não sentia nada apenas nojo , mas fingia que estava gostando .
— Quando que parou os abusos?..ou não parou?
— Quando eu disse que "gostava dele" depois disso foi o último abuso , ele disse que não era pra contar pra ninguém , e que não iria mais fazer aquilo comigo , me senti aliviada mas suja mesmo assim , Ingrid sempre me zuava .
— como ela falava?
— Tá com tudo em , pegando o professor gostoso_ imitei a voz dela.
— porque não contou pra ela?..era sua amiga.
— Você não vai entender , se ela soubesse iria me zuar mais ainda , ela não liga pra isso , tinha vergonha , medo era uma misturar de sentimentos .
— Sua gravidez?
Pra mim foi fácil deixar meus pais acharem que era de uma garoto qualquer já que me pegaram na cama com um homem . Mas aquele era meu primeiro , estava bêbada nada me importava mais , inventei , menti até pro médico dizendo que já tinha transado com uns cinco , menti para uma pessoa que se tornou minha amiga de verdade dizendo que era de um garoto de dezessete anos , queria esquecer tudo inventando uma história que não existia .
— aceitou de primeira a criança?
Aliso minha barriga antes de responder essa pergunta .
— No início não mas ficava na minha , vendo a decepção nos olhos dos meus pais fez com que eu perdesse a reação . Maltratava minha mãe e dizia palavras que machucava ela mais que um tapa , e depois que engravidei nos primeiros meses eu não sentia nada , pensei em abortar escondido. Mas lembrei da dor que minha mãe passou ao perde meu irmão , essa criança não tem culpa de nada , talvez eu deveria ter me arriscado e falado a verdade desde do início .
— O que Henrique disse ao descobrir a gravidez?
— Ele me ameaçava , e dizia que iria pegar a criança e sumir com ela . Ou que eu poderia cair sem querer da escada do colégio , uma vez ele colocou a arma dentro da minha boca , apertou o gatilho mas não saiu nada .
— Mesmo depois de tudo não queria contar a verdade?
— Acho que foi mais por vergonha , já é difícil criar um filho sem pai , como eu ia dizer que ele veio de um abuso?
Prosseguir com o relato de tudo o que me aconteceu , nem sei mais quanto tempo fiquei lá , mas me sentia mais aliviada , mais leve.
(..........)
— Calma Ariel vai furar o chão _ disse Malu segurando ele pelo braço _ sei que é difícil pra todos nós , ou esqueceu que ela também é minha sobrinha?
— Eu sei ....e que ...eu já inúmeros casos assim , mas nunca pensei...
— Que poderia acontecer na sua família?
— Lá é uma escola particular , Malu , como ele pode ter feito isso dentro da escola?..como ninguém percebeu?
— Nesses casos as pessoas ficam coagidas , temem pela vida ,e mais ainda pela vida dos familiares , iso mexe com o psicológico , assim eles tem a vítima nas mãos .
— Eu vou matar esse desgraçado!
— Deixe que a justiça tá cuidando disso , a escola está sendo investigada sobre esse caso , a diretora diz não ter conhecimento do caso , mas não sei...algo me diz que ela tem alguma coisa haver com isso .
Malu coloca o dedo indicador na boca e olha pra cima semicerrando os olhos. Queria saber o que há por trás disso tudo .
— Ariel!... Ariel _ entra seu amigo eufórico .
— Que foi Lucas?
— Investigue a tal da diretora adivinha o que eu descobri?
— Não sei , desembucha logo _ disse impaciente.
— O que ela pode ter haver? _ indagou Malu curiosa .
— Ela já foi madrasta do Henrique _ os dois ficaram de boca aberta _ e tem mais , os dois já tiveram um caso , foi onde ouve a separação do pai dele , e agora depois de alguns anos ele está dando aula na mesma escola que ela comanda?...o caso da Samira está tendo uma grande repercussão, a porta da delegacia está cheia de repórteres , e não foi só ela que foi abusada , estão aparecendo mais meninas , e alguma coisa me diz que essa diretora sabe de algo.
(........)
Delegacia....
Depois de dar todo o depoimento de como tudo aconteceu Samira foi liberada , saíram em uma viatura já que era quase impossível passar por toda aquelas pessoas . Samira subiu direto pro quarto e se trancou , Tarcila estava na sala e viu Olavo passar e se trancar no escritório , ao subir as escadas Liz escuta a voz irritante dela .
— Não vê que seu lugar não é ao lado do meu irmão?
— Me deixa em paz!
Voltou a subir as escadas , mas Tarcila foi atrás dela já estavam no corredor , ela empurrou Liz na parede que arqueou as costas ao se chocar na parede .
— Está louca?...se encostar a mão em mim de novo ....
— Eu te odeio Liz , não sei o que faz com meu irmão , só queria te dizer que isso que está acontecendo eu estou adorando _ riu a imprensando na parede _ quero que sua vida se torne um inferno , tão pior quanto foi quando perdeu aquele maldito bebê .
Antes que Liz pudesse dizer algo Tarcila saiu entrando para seu quarto , Liz ia atrás mas sentiu mal e começou a chorar ali mesmo se abaixou escorada na parede deixando toda aquela dor sair .
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