Troca de Casal?
4 Desencontros
Notas iniciais
Levantei-me rapidamente e abri a porta. Corri para fora, a procura de Natsu. Mas era Tarde demais, ele já não estava mais aqui.
As palavras de Gray voltaram a me perturbar. “Se arrisque mais”...
Mas ele me vê só como uma grande amiga. “Se arrisque mais”
Mas ele esta namorando. “Se arrisque mais”
Mas e se ele não gostar de mim do mesmo jeito que eu gosto dele. “Se arrisque mais”
Mas e se eu acabar me machucando mais ainda. “Se arrisque mais”
Obrigada subconsciente, esta me ajudando muito. Sempre esse “mas”, essa palavra adora me seguir. Mas eu cansei de ficar imaginando, o que poderia ter acontecido se eu tivesse feito. “E se” não existe mais no meu dicionário. Não quero mais me arrepender de não ter feito as coisas. Se tudo der errado pelo menos eu vou poder falar “eu fui lá, eu tentei” se não for pra ser, não será. Mas já estou cansada de viver na duvida. É subconsciente, você ganhou.
Desci as escadas correndo, quase cai. Abri a porta e olhei para os dois lados procurando ele. Não o vi em lugar nenhum. A chuva caia forte, bem forte. Podia se disser que era uma tempestade, só que sem trovões. Juvia deveria estar com muita raiva, suponho que quem fez a chuva foi ela. Sem nem pensar corro para o lado direito. As pessoa que por ali passavam ficam me olhando com uma cara surpresa, será pelo motivo que eu estou só de babydoll e descalça, mas nessa hora eu realmente não estou me importando muito com o que os outros vão pensar. Corro o mais rápido que consigo tropeço e caio de cara no chão, machuco meu braço que começa a sangrar. Ainda no chão começo a lembrar-me do pesadelo que tive, não quero que termine daquele jeito. Levanto-me com um pouco de dificuldade, e continuo a correr.
Corro sem destino, sem direção. Não tenho idéia de pra onde estou indo. Em um momento de grande desespero começo a gritar seu nome. Não queria fazer isso, pois foi deste jeito que meu pesadelo terminou, eu corria e gritava o seu nome, eu não o encontrava eu estava triste, com medo e assustada. Do mesmo jeito que estou agora. De repente tenho uma tontura muito forte, e de não consigo mais ficar em pé. Caio no chão, mas desta vez, não consegui levantar-me. Começo a chorar. Não consegui o encontrar, não consegui dizer tudo o que eu queria. Não consegui mudar minha situação. Pingos de chuva caiam e batiam em minha cara, pingos fortes. Minha visão escureceu. Reúno todas as ultimas forças que tenho para grita:
–NATSU
Natsu on:
Eu estava andando pela chuva, cabeça baixa, quando escuto
–NATSU
Aquela era a voz de Lucy, certeza. Em meio a uma multidão eu conseguiria reconhece la. Viro-me rapidamente, mas não a encontro. Olho para todos os lados, mas não a vejo. O vento sopra em meu rosto. Sinto o cheiro de seu perfume, o cheiro esta bem fraco, isso significa que ela esta longe. Começo a persegui-lo. Saio correndo ao seu encontro, não sei aonde esse cheiro vai me levar, mas é o cheiro de Lucy, e eu não posso a deixar sozinha. Corro aproximadamente mais umas três quadras. Até que então avisto Lucy deitada no chão, no meio da rua. Corro até ela, que aparentemente esta inconsciente. Tento acordá-la, o que não traz resultado nenhum.
Seu rosto estava pálido, sua pele estava gélida, seu coração disparado. A pego em meu braços, e sinto um enorme desejo de protegê-la e cuidar dela, não deixar que nenhum mal a aconteça. Ela parece tão frágil, como se com um soprinho ela fosse se esparramar. Ela é como uma pétala de flor, sua pele é macia, o cheiro fascinante e o rosto delicado. A aperto em meus braços, como forma de cuidado.
Vou então até seu apartamento. Parece que ela estava muito apresada, pois nem a porta havia fechado. Subo as escadas, a levando para seu quarto. Deito-a na cama, e vou fechar a janela, que a distraída deve ter deixado aberta sem querer.
Fecho a, e sento-me no canto da cama. O que fazer agora? Vejo seu braço sangrando, ela deve ter o machucado quando caiu, ou até o armário da cozinha e pego o quite de primeiros socorros, rapidamente faço um curativo em seu braço. Levo minha mão até seu rosto para fazer um carinho. Fico impressionado com o quanto ela estava fria. Se eu a deixar molhada desse jeito, ela vai ficar doente. Preciso colocar uma roupa seca nela, mas ela ficara muito braba se eu a trocar de roupa. Bom, vamos pensar, ela esta usando calcinha e sutiã, que é tecnicamente a mesma coisa que um biquíni não é? E eu já a vi varias vezes de biquíni. Bom raciocínio Natsu.
Levanto-me e vou até sua cômoda onde pego um pijama. Então vou até ela e retiro seu babydoll. Coloco a parte de baixo do pijama, e depois a parte de cima. É estranho, eu consigo cuidar da Lucy e ela não esta reclamando, o que geralmente é o que acontece. Ela parece uma bonequinha, e se fosse, seria a mais bonita da loja. Pego então um cobertor que por ali estava atirado, o estendo por cima dela. Fico a encarando por alguns minutos, ela esta com uma expressão tão calma e serena. Levo minha mão até seu rosto para ver se ela estava mais quente. Comparando com antes, ela estava mais quente sim, mas ainda estava gelada. Penso então no que fazer para mudar essa situação, e o que melhor que o calor de um dragão para isso?
Abraço a e me deito ao seu lado. Sentir a respiração calma dela em meu peito era uma coisa fascinante para mim. Tela em meus braços era a melhor sensação que eu poderia ter. Até que então começo a me lembrar das coisas que aconteceram nesse quarto a mais ou menos uns 40 minutos atrás. Ela disse pra eu ir embora, e que não queria me ver nunca mais. O que será que ela diria se me vise aqui agora? Certamente ficaria brava por eu ter trocado sua roupa e estar lhe abraçando contra sua vontade. Será que eu estou me aproveitando só por que ela não pode falar e dizer o que quer? Não, mas eu estou fazendo isso só pra seu bem. Afasto-me dela ao pensar que ela pode ficar novamente brava comigo.
Levanto-me e vou até a cozinha preparar alguma coisa pra ela comer quando acordar. Abri a geladeira e percebi que estava cheia de legumes e um peito de galinha, resolvo então fazer uma sopa de legumes com galinha. Coloco os ingredientes pra cozinhar. Fico pensando, pra que finalidade ela tem um peito de galinha, se todos sabemos que ela não sabe nem fazer um ovo cozido direito. Eis então que termino de fazer a sopa, e a coloco em um prato.
É melhor eu sair logo daqui antes que ela acorde. Vou escrever um bilhete para ela. Dito e feito.
Puxo uma cadeira para perto da cama, onde deixo o bilhete e o prato com a sopa. Me aperta o coração ter que deixar ela sozinha, tão frágil. Mas ela que prefere assim.
Aproveito que ela continua inconsciente e a dou um abraço, demorado, e um beijo na testa. Então saio de seu apartamento.
Natsu off.
Lucy on:
Acordo me em meu quarto, enrolada na coberta e com um pijama sequinho. Mas como assim? A ultima coisa que me recordo é de ter desmaiado no meio da rua enquanto chovia. Sento me na cama, e ao virar meu rosto me deparo com uma cadeira ao lado da cama onde tinha um bilhete e um prato de sopa. Pego o bilhete na mão e começo a ler.
“Lucy, não sei o que estava fazendo sozinha desmaiada na rua, mas também não podia te deixar la. Sei que você mandou eu ir embora, e disse que nunca mais queria me ver, mas tecnicamente você não me viu. Eu não conseguiria ir embora e te deixar desprotegida. Então te trouce até a sua casa, troquei seu pijama que estava encharcado e fiz uma sopa para você. Por favor, fiquei ai até amanha, não tente sair novamente no meio da noite. Pois agora estou indo sair em uma missão com a Juvia, e não estarei aqui para te salvar novamente. Aproveite que você tem um namorado, que duvido que cuide melhor de você do que eu, e não saia de casa sem ele, é perigoso.”
“Com carinho Natsu”
Comecei a chorar. Não acredito que logo ele havia me achado. Por que eu tive que ser tão idiota a ponto de dizer que nunca mais queria o ver se o que eu mais quero é estar ao seu lado? Ele estava tão próximo de mim e eu não fiz nada.
Comi a sopa, que estava deliciosa. Realmente nem se compara as coisas que eu cozinho. Logo depois fui dormir. Chorei baixinho e pedi a deus que amanha o dia fosse melhor.
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