Trixie em Prova

2 Trixie em Dose Dupla


"Não vai dar mais, quem precisa ir ao médico sou eu." Trixie pensou.

Mais adiou cada dia mais a sua ida, pois suas economias eram pequenas, o pagamento não era bom e ainda tinha que gastar para almoçar agora. Até que um dia durante uma das suas apresentações acabou passando mal após uma mágica mais complicada. Ela sentiu muita tontura e precisou deitar algum tempo. Logo em seguida uma equipe do bar fez questão de levá-la ao hospital. Lá, após um repouso, o médico falou:

"Trixie, nós vamos fazer um check-up em você, pois o pessoal disse que você não está bem e parece cansada nas apresentações. Pode ser má alimentação ou estresse. Talvez alguma situação perturbadora que tenha passado. Vamos fazer uns exames básicos. Enquanto isso, você ficará aqui no hospital em observação."

"Até que não é má ideia, doutor. Eu tenho tido uns pesadelos há alguns dias."

"Pesadelos? Está bem, a enfermeira irá lhe acompanhar."

Os exames estavam sendo feitos e Trixie estava mais calma. Voltou com o plano de trocar de cidade e voltar a viver como antes. Após dois dias, o doutor chama Trixie no escritório para ver se os exames davam alguma pista sobre o ocorrido.

"Trixie, recebi os exames e vou te dar alta, mas com algumas condições."

"Não sendo contra mudança de cidade, tudo bem."

"Não. Gostaria de dar os parabéns!" falou o médico com um sorriso no rosto.

"Os exames foram tão bem assim? Eu não tinha nada?" ela achou estranho.

"Nada disso. É que você vai ser mamãe!" ele estava radiante "Eu adoro dar esse tipo de notícia! É a minha prefe..."

"Não pode ser verdade! Eu sou indomável, não posso ter um filhote e ficar presa a alguém para sempre. Muito menos se for com aquele cara. Refaz isso aí, não vem com essa não!" estava aborrecida.

"Vejo que não foi o esperado..."

"Vou ter que ficar internada pro resto da vida com essa notícia!"

Ela fez uma magia e levantou todos os papéis da mesa.

"Meu exame deve ser outro, doutor."

"Sinto muito, o teste é feito três vezes e todos deram positivo."

Levantou-se muito rápido e saiu correndo velozmente do consultório batendo a porta. Ela ficou muito nervosa com a notícia, pois quando os pôneis da cidade souberem irão falar muito mal dela por ser sozinha e pegar muito mais pesado nas críticas, uma vez que ela já não era mesmo bem-vinda.

Ficou desnorteada, voltou para o trailer e deitou na cama para pensar.

"Sim, claro. Tenho que contar essa novidade para o Cleverclover, ainda dá tempo de chegar no horário."

Levantou-se rapidamente e pôs-se apressadamente no caminho do hospital. Já era tarde o horário de visitas estava no fim, mas ela não iria mais conseguir dormir sem comunicá-lo. Chegando ao hospital foi recepcionada pela enfermeira da recepção a qual perguntou o que desejava.

"Quero visitar o Cleverclover!" disse ela cansada.

"Tem vinte minutos. Qual é o seu nome?"

"Meu nome?" ela achou ruim em pensamento "Trixie, claro."

"Só um momento." ela pegou um fichário de registros e folheou "O quarto, espere, você disse Trixie? Tem uma restrição a você, o paciente pediu expressamente para barrar sua entrada... sinto muito."

"O que?" indignou-se "Preciso entrar! Veja estes papéis, é a filha dele que estou esperando!!"

"Ainda assim não posso deixar entrar. O paciente tem prioridade. Aliás, nem sei se essa história é verdade!" tinha cara de impaciente com os olhos para cima e debruçada no balcão.

Trixie ficou visivelmente transtornada e todos os seguranças unicórnios posicionaram-se estrategicamente. Trixie reparou.

"Tudo bem, se é assim tudo bem."

Após isso, achou melhor voltar para seu solitário trailer. À noite, ficou revirando-se na cama sem conseguir dormir e pensava muito sobre o ocorrido.

"Pois eu vou bolar uma belíssima magia e vou entrar naquele lugar! Ah, se vou... mas agora preciso dormir... e, para ajudar, amanhã ainda terei muitas apresentações por causa do aniversário do bar."

Depois de se muito se concentrar em nada, conseguiu dormir. Conforme a noite ia caindo mais, o vento gelado ia soprando e entrando por algumas frestas do trailer. Ela acabou passando um pouco de frio que até se encolheu na cama ainda dormindo. No dia seguinte, acordou um pouco resfriada, mas nada que a pudesse derrotar.

Após o café da manhã, ela se preparou e foi para o bar. Nesse dia evitou até mesmo passar perto da lanchonete de Cleverclover para sentir menos raiva. Fez um caminho mais longo um pouco que o de costume. Ao chegar ao local do trabalho, ela entrou e foi se arrumar, quando sentou numa cadeira e ficou de olho fechado respirando fundo. Um dos organizadores chega neste instante.

"Trixie, você está bem? Você está tremendo, é melhor ir para sua casa, nós podemos arranjar alguém para te substituir sem problemas."

Só fez um sinal com a pata para ele se retirar, nem abriu os olhos.

Fez todas as apresentações da manhã e após a hora do almoço iniciou a última rodada de apresentações. Uma hora e meia ou duas e só. Ela já podia pensar como iria invadir o hospital sem que ninguém percebesse assim que saísse.

Já faltava apenas meia hora:

"E agora," ela falou "seus tontos' ela pensou enquanto fez uma pausa "vou fazer o truque mais mortal. Vou entrar nesta cesta e espetar todas estas trinta e sete espadas." fez uma cara de suspense.

Quando ela olhou novamente para o cesto viu as coisas turvas. Piscou os olhos e tudo girou. Então sentiu enjoo. Pois sua pata na boca e olhou de lado para a plateia, que parecia apreensiva. Correu para trás das cortinas onde já havia um pessoal de apoio.

"Você está se esforçado muito," disse o dono do bar "é melhor ir para a casa ou para o médico ver isso. Pode deixar que eu cuido do resto aqui."

"Ai, não é possível, essa situação não está permitindo que eu tenha sucesso! O que vou fazer agora, virar dona de casa?" perguntou furiosa.

"Trixie, é melhor você tirar licença."

Ela saiu de lá determinada a mudar seu destino que se traçava. Ela passou algum tempo visitando lugares para ver onde podia se dar melhor. Não chegou a ser muito bem recebida em nenhum lugar. Passou vários meses nessa empreitada quando voltou para Ponyville, achou que lá era, no final das contas, o melhor lugar para seu filho nascer.

Era próximo da hora do almoço quando estava entrando em Ponyville, e foi até a praça central, onde pode ver uma movimentação. Chegou mais perto, suficiente para não ser percebida, e viu que uma das pôneis era a prefeita. Estavam falando sobre uma comemoração da fundação da cidade.

'Vamos fazer grandes shows. Teremos comidas e bebidas, músicas, discursos e apresentações." A prefeita falou para um pônei ao lado dela.

Trixie ouviu e pensou em ser uma oportunidade para se exibir novamente.

"Prefeita, eu poderia ajudar a fazer uma apresentação." tinha um sorriso não muito amistoso no rosto e seu chifre estava aceso.

'Trixie? Faz tempo que não há vemos! Bom, é que já temos alguém para isso. É o Spellit." Apresentou-o.

Ela não respondeu e a prefeita continuou.

"A apresentação é somente no final do ano, ainda tem bastante tempo, por que não conversamos mais para frente?" estava falando com os olhos virados para Spellit.

Sem dar importância a essas palavras, ela se virou e saiu quando parou de repente. Os pôneis que lá estavam ficaram olhando apreensivos. Ela deitou no chão e fechou os olhos. A prefeita se aproximou.

"Você está bem?" houve um silêncio "Vou chamar um médico."

Ela passou um tempo no mesmo hospital de costume. Mas poucos dias foram o bastante para nascer sua potrinha. Ela tinha a cara da mãe. Era uma cópia perfeita, não existiria ninguém que olhasse para ela e não visse Trixie.

Enquanto ela se recuperava, as enfermeiras cuidavam da sua pequena filhote. Fizeram toda a preparação para Trixie receber bem sua filhinha. Algumas horas foram suficientes, pois nasceu uma pônei muito saudável e já dava sinais de ser muito esperta. As enfermeiras trouxeram a pequena pônei em uma manta e entregaram para Trixie que estava esperando. Ela deu para ela o próprio nome, o da mãe, Trixie. Blue Trixie, pela sua cor.

Mas no final das contas, ela estava nervosa nesse dia. Não sabia bem ao certo o que fazer. Apesar de ter uma filhinha muito linda e saudável, tinha pensamentos nada agradáveis para uma mãe. Dizem que os primeiros dias podem ser muito confusos para elas e Trixie era uma delas.

Ela e sua filha foram liberadas para ir para casa. Trixie preparou um berço bastante confortável para a nova moradora. Enquanto colocava-a para dormir pensava em sua própria personalidade.

"Como poderei cuidar de um filhote assim? Ninguém gosta de mim, ninguém vai gostar de você... se pelo menos eu conhecesse alguém que pudesse dar uma força..."

"É isso. Twilight tem uma dívida muito grande comigo depois de me fazer passar aquela vergonha. Ela é a solução."

No dia seguinte assim que os primeiros raios de sol saíram, Trixie pegou um cesto e forrou cuidadosamente com um pano macio e um travesseiro. Pegou Blue e confortou-a nela. Cobriu com um lençol para que não se resfriasse. Ela conversou um pouco com ela explicando-lhe que ela não era uma boa mãe e que se fosse assim ela preferia vê-la sendo criada por alguém de confiança. Ficou um tempo vendo o cesto e então pegou e saiu pela porta.

Ela estava a caminho da biblioteca de Twilight com sua roupa de sempre, mas com rosto meio coberto.

"Trixie? O que leva nesta cesta?" Era a voz de Twilight.

Ela parou e ficou sem saber o que fazer. Twilight estava atrás dela. Não podia dizer o que estava fazendo e tão pouco o que tinha na cesta. Resolveu correr sem olhar para trás.

"Ei Trixie, você ainda deve desculpas para nós de Ponyville!" gritou "E não esqueci quando me trancou sozinha no meu quarto por horas!"

Depois de um tempo, ela chegou à porta da biblioteca. Ela estava carregando seu cesto. Ela ficou espreitando em cima de uma árvore. Poucos minutos, Twilight entra na biblioteca. Parecia ter ficado emburrada de ter encontrado Trixie no caminho.

"Spike!" Trixie ouviu ela gritar, mesmo o som sendo abafado pelas paredes.

"Espero que ela se comova com essa pônei tão indefesa quando a vir ao." Pensou Trixie.

Ela desceu da árvore e deixou o cesto em frente à porta. Sentiu que não ia conter as lágrimas. Ainda assim ela achava que Twiligt seria uma mãe melhor. Ficou olhando aquela cena do cesto e da porta que nunca mais iria sair de sua cabeça. Deu um último beijo e despediu-se mentalmente. Suspirou e levantou o casco para tocar a campainha. Já fazia alguns segundos e não conseguia tocá-la.

"Vou sair sem tocar. Ela vai abrir em algum momento e acolhê-la." pensou.

A poderosa Trixie neste momento estava com as pernas trêmulas. Nunca pensara que isso pudesse acontecer a um pônei com o gênio dela. Estava elucubrando sobre o que ela fez de errado. Um único momento de fraqueza naquele dia foi o suficiente?

A maçaneta começou a girar. A porta estava prestes a abrir. Trixie não pensou mais e com uma magia ligeira, pegou o cesto de volta.

"Trixie, você de novo? Já não te falei que estou me contendo?"

A poneizinha dentro da cesta começou a chorar.

"O que é isso? É um poneizinho?" continuou Twilight "De quem é? Desculpe não sabia que era isso que tinha na cesta. Você não me disse nada." a cara do filhote estava à vista "Nossa, é sua? Tem a sua cara!" falou rindo "Só espero que não tenha o seu gênio, pobrezinha." falou séria.

"Rrr..." desabafou Trixie que virou-se e saiu galopando para casa.

Chegou em casa cansada e envergonhada de si mesma.

"Desculpe. Eu nunca devia ter pensado em fazer alguma coisa dessas. Que coisa horrível estou virando. Preciso voltar a ser a Trixie grande e poderosa de sempre. E vou te ensinar a ser assim também, pois é assim que se vive neste mundo sem ser deixada para trás. Amanhã mesmo vou falar com Cleverclover. Mas agora vou preparar algo para mim e te alimentar como devo fazer."

No dia seguinte, pouco antes de fechar a lanchonete, Trixie foi ver Cleverclover e deixar tudo às claras. Quando ela chegou, ele tinha fechado mais cedo e estava acompanhado de uma pônei branca de crina vermelha bem clara. Estavam saindo neste momento e para a direção dela, então Trixie fez uma rota de interceptação, mas ainda bastante distante, Cleverclover alterou a rota completamente para outro caminho.

Trixie foi aproximar mais, porém os dois pôneis pararam e começaram a agradar-se. A unicórneo congelou-se por dentro e murchou as orelhas. Deitou no chão de barriga para baixo e começou a murmurar: Não é possível, tão rápido... ele me esqueceu tão rápido!

Ela ficou espreitando por quase meia hora para ver o que ia acontecer, quando começaram a caminhar novamente. Ela não se sentiu a vontade para dar qualquer notícia. Preferiu esperar para outro dia. Mas todos os dias, foi assim por mais de uma semana, a pônei o acompanhava atenciosamente no atendimento da lanchonete e depois partiam juntos no mesmo ritual. Cansada, resolveu que iria assumir tudo sozinha mesmo.

Blue estava crescendo e aos poucos Trixie foi ensinando truques. Neste ponto, Trixie fazia questão de ser cuidadosa, pois queria que sua filha a superasse. Tampouco se importava se estava criando uma potrinha mal criada e mal educada. Sempre via uma situação propícia, fazia magia e explicava como devia comportar.

Alguns meses se passaram do nascimento, quando decidiu ensinar o que acreditava ser imponência. Nesta tarde, estavam passeando pelo parque quando viu uma unicórneo fazendo alguns truques para dois amigos. Imediatamente, Trixie pegou uma lata de lixo grande que havia perto e entornou na pobre mágica e ficou segurando com seu chifre.

"Veja Blue, segure você agora! Essas mágicas ruins destes exibicionistas nunca chegaram a seus pés! Segure!" Trixie franzia a testa e mantinha a magia enquanto olhava para sua filha.

Blue olhou bem para a lata e fez força, mas ainda não conseguia fazer o truque. Ela ficou olhando desapontada para sua mãe que não entendia.

Trixie parou a magia. A unicórnio se desvencilhou da lata e ela e os dois amigos vieram correndo em direção a elas, furiosos. Trixie só os pegou com o chifre e colocou em cima de uma árvore alta, onde ficaram protestando.

"Fiquem aí e não se metam conosco!!" gritou com um sorriso maléfico no rosto.

"Vamos, Blue, vamos." saiu trotando e sua filha logo atrás.

Depois disso foram direto para o trailer onde Trixie mandou sentar numa cadeira da mesa da cozinha.

"Blue, quando eu pedir para você fazer uma coisa, faça. Estou brava com você, assim você não será ninguém! Ou pior, ficará como esses outros unicórnios chatíssimos."

"Não, mamãe, é que eu não consigo! Na hora eu esqueço." lamentou cabisbaixa.

"Não! Fazer magia deve um processo automático. Você vai ficar treinando de novo até eu preparar esse jantar. Está vendo essa caixa aqui? Pois bem, fique virando-a e segurando até eu mandar."

Trixie achava que assim poderia deixar sua filha melhor, mesmo que ela lembrasse que ela mesma havia nascido praticamente já fazendo magia e nunca sequer tivesse admitido que alguém dissesse o que fazer.

"Não vou fazer." Blue, saiu galopando para o quarto.

"Você escolheu, potrinha." gritou Trixie.

Trixie preparou pacientemente o jantar, parte com magia, parte com as próprias patas. Quando ficou pronto, ela chamou sua filha. Ela veio receosa e sentou-se a mesa.

"Aqui, como você desobedeceu, vai jantar fígado. Vamos ver se assim você ganha força." Trixie estava séria.

"Mas..."

"Vamos." Ela pegou um pedaço com o garfo e levou até a boca da filha.

Ela comeu todo o prato quase sem respirar.

"Está bem, amanhã, moça, tenho uma apresentação. Você vai ser minha assistente."

" bom." disse quase chorando.

Trixie sentou ao lado dela e deu um beijo.

"Olha, eu faço isso para o seu bem. Amanhã vai ser legal, vá dormir, eu também vou, precisamos estar bem descansadas."

No dia seguinte, ambas levantaram cedo e Trixie ensinou o que ela deveria fazer. Eram tarefas simples como levitar objetos até ela e segurar outros. À noite, elas foram para a apresentação onde ocorreu tudo bem.

Voltaram para o trailer, Blue entrou e Trixie ficou limpando próximo de lá. Ela pode observar sua filha tentando fazer uma magia para pegar um copo dágua. Ela encheu e ia levando para a boca quando deixou cair no chão e quebrar. Blue assustou-se e ficou com medo de levar bronca.

"Blue?" elas se olharam "Tudo bem." Trixie deu um copo de água na pata dela "Descanse."

Durante a noite, Trixie ficou um pouco preocupada com o ocorrido, pois naquela idade já era de se esperar que fizesse magias tão simples. Estava preocupada se o problema na verdade era a forma de ensinar.

Blue ainda não tinha a idade ideal para ter as tarefas que Trixie fazia normalmente, mas ainda assim, ela já queria que ficasse famosa. Quando finalmente amanheceu, passaram o dia relembrando alguns truques para a apresentação de logo mais. Apesar do esforço, Blue se saia bem.

"Muito bom, Blue. Essa minha reapresentação vai ser excelente e o público vai amar vir você comigo! Se apronte, vamos sair."

Blue estava muito bonita, estava com um vestido um pouco mais escuro que da Trixie e tinha uma coroa que ela levantava com sua magia ao encontrar com alguém. Foram para o bar pelo caminho longo de sempre. Chegando lá, foi procurar o pessoal da produção, mas não os encontrou. Ela perguntou para um pônei que fazia a segurança sobre eles.

Trixie, o dono daqui vendeu o comércio há uma semana. Ele disse-me que agradece sua colaboração e que vem aqui mais tarde se despedir. Veja, o novo proprietário está vindo, o Spellit.

Ela se virou com expressão assustada.

"Veja se não e a Trixie. Deixe-me avisar," ele foi falando direto "a partir de agora, você ficará aqui desde manhã cedo até o final da tarde, todos os dias. Compreenda, estamos reestruturando tudo. Também, por enquanto, receberá o mesmo número de bits."

"O que? Você vai me escravizar?" disse apontando o casco para ele "Não mesmo, já disse que não. Ou é do jeito antigo ou nada, portanto esqueça."

"Ótimo, eu estava achando você uma má influência mesmo."

Ela ficou com muita raiva, mas conteve-se, pois ele ainda era um dos organizadores da festa de Ponyville e ela ainda mantinha alguma esperança. Deu um coice no ar e chamou Blue para retirar-se quando viu que sua filha estava pegando um cesto pequeno de papel que estava perto deles com magia. Trixie achou legal, mas pediu para ela se conter. Elas voltaram para o trailer, andaram muito e estavam cansadas.

"Blue, que falta mais acontecer conosco? Não sei o que fazer agora. Deu tudo errado."

Disse isso quando um mensageiro bateu na porta. Já estava escuro, Trixie ficou atenta e foi ver o que era.

"Você está batendo na porta de Trixie, o que é?" perguntou brava.

"Er... a prefeita pediu para que fosse até a prefeitura amanhã de manhã cedo."

"Sobre o quê?"

"Lamento, não estou informado. Boa noite." foi embora.

Trixie ficou curiosa para saber, a noite ia ser longa de tanta curiosidade. Ela esperava ser convidada para se apresentar na festa de aniversário de Ponyville.

No dia seguinte muito cedo, ela foi até a prefeitura. A prefeita já a aguardava.

"Muito bem, Trixie, pelo horário, vejo que está disposta a se apresentar em nossa festa."

"Sim, estou!" disse ela empolgada.

"Então, quero que você se apresente, será uma hora de apresentação. Prepare. Você precisará mostrar para mim o que irá fazer até semana que vem, pois a festa será daqui a duas semanas."

Trixie foi para casa e preparou tudo. Incluiu sua filhinha no roteiro. Ela fez tudo para que desse certo, não para ela, mas sim para Blue. No dia marcado, mostrou tudo como combinado e foi aprovado. Trixie ficou feliz depois de muito tempo sem sentir isso. Elas treinaram bastante, essa era a chance de Blue dar certo.

No dia da apresentação, Blue estava um pouco nervosa. Ela recebeu alguns copos de água com açúcar de Trixie que tentava acalmá-la explicando que não tinha nada de diferente do que treinavam há semanas. Chegou a hora da apresentação, elas foram chamadas para deixar tudo pronto para o início. Blue ficava querendo ir ao banheiro toda hora, não sabia se era da água ou nervoso. Trixie tratou de aprontar tudo e só aguardava sua assistente.

"Pode começar" gritou em voz baixa alguém de trás das cortinas.

Blue vinha vindo correndo e Trixie já começou.

"Pôneis, vocês vão ver agora é algo digno de atenção!" levantou as patas dianteiras "Essa é a minha assistente Blue Trixie e agora sentem-se que vamos começar!"

Tudo foi muito bem, Trixie estava aliviada e Blue confiante. Os pôneis estavam tendo diversão. Já estavam chegando na parte final da apresentação. Nada poderia dar errado.

"E agora," Trixie disse "preparem-se para a magia mais mortal e real."

Ela puxou um cesto feito de palha trançada e entrou dentro.

"E minha assistente vai enfiar todo esse monte de espadas nesse cesto comigo dentro e sairei tranquilamente!"

Todos ficaram em silêncio. Trixie olhou para Blue.

"Vejam!" disse Trixie fazendo um sinal de positivo com a cabeça.

Blue estava parada de pé.

"Vamos, Blue, faça como treinamos!" Trixie cochichou e estava com um sorriso sem graça para o público.

"Eu não consigo!" respondeu no mesmo tom.

"Blue, lembra, fizemos juntos ontem mesmo." Ela se concentrou e fez um movimento com a cabeça, induzindo Blue ao que deveria fazer. "Você está fazendo tudo certo até agora, vamos!"

Blue fez força, mas sem sucesso. Ela tinha medo de que o truque não funcionasse. Alguns pôneis impacientes da plateia começaram a ir embora. Trixie começou a ficar preocupada. Olhou para um lado e para o outro da plateia. Olhou novamente para Blue. Esses segundos já estavam fazendo que o público desanimasse e começasse a abandonar visivelmente o local. Trixie estava ofegante e resolveu ela mesma fazer a magia, pois não podia perder essa chance. Afobada e desajeitada, começou a pegar as espadas e fincar no cesto onde estava. Uma ou outra chegava a espetá-la e tinha que tirar um pouco antes de continuar.

"Que desastre." pensou Trixie.

Ela era a última apresentação, o restante do pessoal retirou-se e ficaram apenas uns papéis voando e elas duas no palco para desmontá-lo. Ela nem pode terminar com seu discurso que tinha preparado. Trixie chamou Blue para o lado do palco, na grama.

"Blue, agora eu preciso falar sério com você. Eu faço questão que você seja como eu. Quero que siga meus passos. Veja, ninguém me passa para trás. Sempre fui e sou livre, faço o que quero e como quero. Mas para isso, quando eu era como você, me esforçava para fazer minhas magias. Enfrentei até meus pais para isso, quando sai ainda muito jovem de casa. Não foi bom, mas aprendi muito. Agora, fique aqui me esperando, vou recolher as nossas coisas e volto rápido.'

Blue ficou ouvindo com atenção e com os olhos marejados. Mas depois de tudo não conseguiu segurar o choro, apesar de entender.

Cleverclover estava na plateia já vazia, viu Blue chorando e foi ver o que aconteceu.

"Olá, você é que a assistente de Trixie e filha dela?" perguntou se aproximando.

Ela não respondeu.

"Você foi bem."

"Cuidado, veja minha mãe ali." apontou "Ela é a Trixie, não se meta conosco ou vai se dar mal!" estava em posição de guarda.

Trixie os viu conversando de longe.

"É, eu a conheço bem."

"Ei você! Pare já. O que pensa que está fazendo?" gritou Trixie fazendo uma magia puxando-o pela cauda.

Blue estava com feição de quem dizia “bem feito”.

"Sério, Trixie. Eu gosto de sua filha, algo me faz sentir isso que não sei exatamente o porquê. Aliás, ela é muito parecida com você, uma gracinha." terminou sorrindo e apertando sua bochecha.

― Trixie, passe lá na lanchonete, precisamos conversar.

"Acho melhor não."

"Bom, fica o convite para vocês, eu preciso ir."

Ele foi embora. Ficaram as duas terminando de pegar as coisas. Após tudo guardado, começaram a transportar para o trailer.

"Mãe, aquele cara disse que é meu pai, é mesmo? Como ele sabe?"

"Olha, seja uma boa filhinha e me ajude aqui. Não fale nessas coisas feias."

Blue insistiu em querer visitar Cleverclover até que conseguiu fazer Trixie levá-la na lanchonete. Trixie não gostava nada de lá, não trazie exatamente boas recordações.

"Clever!" chamou Blue.

Cleverclover veio galopando.

"Que bom que vocês vieram!" abraçou Blue enquanto Trixie ficava impaciente.

Cleverclover trouxe comida para todos. Cleverclover explicou que gostaria de ficar algum tempo com Blue também. Trixie refugou na hora, dizendo que não podia permitir que sua filha ficasse longe dela, pois ela era responsável.

"Trixie, quero fazer as pazes. Eu sei que fui mau quando estive no hospital, mas eu estava nervoso e não sabia da Blue. Porque não me avisou antes?"

"Bom, eu sou crescida e posso me resolver sozinha, por isso." Trxie deu com os ombros.

"Você? Eu te conheço, sei que iria e contar."

Ela se levantou.

"Que é esse pônei vermelho que está com você?"

Cleverclover ficou sério.

"Ah sim, ela se mudou de cidade. Infelizmente não pudemos continuar. Ela prometeu que não voltaria."

Nesse momento, Blue se aproximou da Trixie.

"Mãe, posso ficar aqui por um dia?"

"Deixe Trixie, vou cuidar bem dela. Pode ficar também!"

Ficaram até a tarde, Cleverclover e Blue brincaram bastante e estavam felizes. Trixie disse que estava tarde e que elas precisavam ir. Blue implorou para ficar uma noite na casa de Cleverclover mesmo sua mãe ter ficado brava, até convencer.

"Eu não fico," ralhou Trixie "mas estarei vigiando vocês!" saiu batendo os cascos no chão.

Ela voltou para o trailer e mal conseguiu dormir. Estava tendo pesadelos, sonhava que estavam no escuro e sua filha estava indo para longe e não podia fazer nada. Isso se repetiu por alguns dias, até que ela resolveu dar um basta. Não podia mais dormir e estava ficando preocupada com o rumo que isso estava tomando.

Depois do quarto dia ela resolveu proibir Blue de ficar lá e foi buscá-la. Foi determinada e a trouxe a força.

"Mãe, vamos ficar lá, é tão legal, eu conheci pôneis novos e nem precisa fazer tantas magias." falou soluçando.

"Por isso eu não queria que você ficasse lá, pegou maus costumes."

Chegando ao trailer colocou-a para dormir. Não queria mais pesadelos. Ficou um tempo vendo Blue até dormir em segurança. Fechou a porta. Foi para o quarto e dormiu. Depois de um tempo, ela teve novamente os pesadelos, acordando subitamente.

"Blue?" falou assustada levantando-se da cama.

Ela foi até o quarto da Blue. Ela gelou e quase morreu nesse momento: ela não estava.

"Blue, Blue?" chamou pelo trailer "Já sei ande ela foi."

Trixie dirigiu-se para a casa de Cleverclover. Foi pensando em fazer as pazes mesmo com ele, afinal não era tão mal e faria Blue mais feliz. Claro que iria ter algumas condições e teriam de conversar bastante, mas já estava disposta.

Tocou a campainha e logo Cleverclover veio atender no meio da madrugada.

"Trixie, eu ia lhe avisar que sua pestinha veio para cá."

"Olha Clever, precisamos resolver isso. Estive pensando e preciso contar-lhe tudo."

Passaram o resto da madrugada conversando e gesticulando bastante até que definiram que iriam morar juntos mesmo. Seria melhor para todos. Chegaram até se abraçar. A casa tinha dois andares e estavam de costas para a escada. Eles ouviram um pônei descer as escadas. Trixie ficou esperando Blue para o café da manhã, pois o dia estava nascendo. O pônei passou calmamente por eles e saiu pela porta e parou do lado de fora. Era Twilight Sparkle. Trixie ficou em posição de guarda.

"O que você está fazendo aqui? Como vocês me explicam isso?"

"Ela veio ver Blue, parece que viraram amigas e estão treinando magias juntas!"

Logo atrás veio Blue. Ela tinha algumas coisas como bagagem.

"Tão rápido Blue? Você prometeu que ficaria mais um tempo!" Disse Cleverclover.

"Blue, o que está fazendo?"

"Estou partindo de Ponyville. Como você me ensinou, como todas as boas unicórnios, sei que tenho uma missão a cumprir por aí. Twilight está me ajudando a melhorar minhas magias." estava com o queixo levemente em pé.

Trixie não gostou desta frase e segurou-a pela cauda com magia.

"Você já deveria ter me dito isso. Sou sua mãe."

Com outra magia mais forte, Blue soltou-se de Trixie. Deu uma última olhada de despedida sem falar nada e virou-se para porta e saiu. Em contraste com o sol, Trixie pode ver a silhueta de Blue andando calmamente junto com sua amiga. Partiram, e Trixie apenas ficou observando irem para longe.

"Trixie, não chore." disse Cleverclover aproximando-se "Ela voltará."

Ela ficou sentada olhando para o chão com os olhos quase encerrados. “Eu nunca voltei” pensou ela.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!