Notas iniciais
Antes de tudo, tenho que pedir desculpas para todos que estou devendo review e ler seus trabalhos, a situação do final do ano está complicada. E ainda empaquei com minhas histórias. Essa fic já estava pronta, só dei uns retoques nela. São pequenas histórias que decidi juntar e ficou nisso. Mas a original é dividida em capítulos. E boa leitura aos que se aventurarem nela.

Dores

O feixe de luz cortava o céu de forma ruidosa, a chuva que sucede era em uma escala ingente. Quando pisou em sua morada, seu rosto estava pálido e as mãos úmidas de tensão. A babel de vozes em sua cabeça o fez entrar naquele momento incômodo de estupor.

O gêmeo mais novo se aproximou, sentindo uma energia cósmica diferente. Olhou a figura a sua frente – seu irmão –, mas conseguia notar o vigor maléfico que diferia do bondoso e costumeiro Saga. O chamou, mas seu gêmeo se manteve no mesmo lugar, ocultando o rosto com ambas as mãos, se compungiu ao imaginar que estava sendo relegado.

E novamente seus lábios mencionaram o nome do futuro cavaleiro do terceiro templo. Kanon foi engolfado por uma onda de intensa preocupação. A distância entre os dois se extirpou. Queria ver sua face e compreender a situação. O olhar divergia do complacente e benévolo quando os orbes do mais velho se encontraram com os seus, integralmente perverso, e seu cosmo pernicioso, mas o caçula não se intimidou. Não ouviu mais Saga, e sim Ares. E foi neste momento que foi apresentado a ele.

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Os olhos semicerrados e com a visão desfalcada com custo conseguiram decifrar o seu companheiro, sentiu um movimento estranho na cama, estava sonolento, mas quis apurar com precisão o que se trava. Soergueu-se, aquela ação foi algo dolente, olhou por um momento seu corpo desnudo e as máculas do que havia ocorrido. Seu irmão estava sentado de costas. Os soluços foram ouvidos, se misturando debilmente com o tamborilar das gotículas de água que iam de encontro com a janela vítrea do aposento. Saga havia voltado.

Ares não estava mais ali, mas Saga sabia tudo o que havia sido coagido a fazer. Kanon se colocou ao lado do irmão na beirada do leito, o ampara, abraçando-o com força, tentando apaziguar suas lágrimas e ocultando inteiramente o que sentia, no momento era apenas um pormenor. Ele tentou se pronunciar, mas o caçula o impediu, cantarolando uma canção de ninar, costumeira dos seus tempos pueris.

Doía, doía muito.



Dias chuvosos nunca dizem adeus

O crepúsculo da alvorada trouxe consigo a bruxuleante luz que precedia o rutilar do astro luminoso – que aos poucos despertava –, juntamente com os moradores do santuário. Os orbes semicerrados e com a visão desfalcada com custo conseguiram decifrar o seu companheiro, sentiu a respiração dele acariciar sutilmente sua face. As imagens foram tornando nítidas gradativamente. Bocejou. Não tinha o intento de levantar. Ele empertigou-se sutilmente.

Seu irmão, seu consangüíneo, seu gêmeo e seu amor. Compleições tão iguais, mas personalidades distintas. O seu semelhante apenas mantinha-se em sono, profundo e afável. Era agradável a visão que tinha, um sorriso emergiu. Seus corpos permaneciam desnudos, aninhando-se um com o outro, denunciando com clareza o ocorrido na noite anterior.

Amor.

Era isso que todas as noites faziam. Aquele relacionamento incestuoso começou pouco mais de três meses, depois de uma crise de ciúme do gêmeo mais novo, não foram preciso palavras. Apenas um ósculo, que acabou gerando outros, sucedido por carícias mais arrojadas.

Mesmo tendo relativamente dormido bem, a fadiga e preguiça se faziam presentes, não em uma escala exorbitante – mas essas sensações pareciam nulas quando fixava sua atenção no amante.

Ouviu o outro ciciar palavras amáveis e um preguiçoso 'Bom dia', quando se deu conta, os olhos deles o fitavam com igual atenção. Eram serenos e bondosos, mas pareciam querer dissimular algo, Kanon sabia que era uma máscara, seu irmão parecia viver em um intenso conflito interno. E poder-se-ia dizer que obtinha uma parcela de culpa, sussurrando em seus ouvidos palavras beligerantes e ambiciosas, com o intento de moldar os pensamentos dele. E então, Ares emergiu, de forma abrupta e Kanon foi a única testemunha de sua suscitação.

Saga se afastou de seus braços e levantou, mesmo após alguns singelos protestos do outro geminiano.

Todas as vezes que ele se colocava fora da morada que partilhavam, tinha a sensação de que nunca mais voltaria. Anuviava-se constantemente. Em seu âmago, sabia que o perderia para aquele lugar algum dia. Mas o que não sabia que é este dia se aproximava lestamente.

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Tudo a sua volta era frígido – sozinho e embargado por dolente traição –, tocava sobre o próprio joelho. Sentado sobre aquela fria prisão, mantinha as costas escoras sobre a pedra, o nível da água estava na altura de sua cintura. Nódoas, não só em sua tez, mas em sua alma. Há quantos dias estava lá? Não conseguiria responder. Não deixava mais verterem lágrimas sobre o acontecimento. Saga. Seu Saga o prendera naquele lugar.

O que fazer? Talvez esperar a morte, assim conseguiria apaziguar seus pesares que enxovalhando seu coração com aquela melancolia profunda e ingente.




Reflexo de uma alma dolente

Um sorriso emoldurava os lábios do novo general Marina, existia uma energia pérfida em seu semblante. Contemplou sua figura no espelho, os longos cabelos caiam sobre seus ombros, o elmo da armadura repousava sobre seu leito. De um modo afilado e com o a ponta dos dedos, tocou sobre a imagem formada. Acreditava que em pouco tempo suas ambições se realizariam.

"Serei um deus. Ninguém, ninguém conseguirá ir contra mim. Nem mesmo..."

Por um ínfimo momento, era possível ver dor em seu olhar, desviou sua atenção do espelho e quando a voltou, seu semblante anterior se estendeu.

"Saga, o que..." Conseguia ver através do reflexo do objeto seu irmão trajando a armadura dourada, ou talvez estivesse louco. Não. Era Saga. Parou de tocar sobre o espelho em um sobressalto. Seria um sonho?

"O quê faz aqui?" A pergunta saiu em um tom alto, fechando o punho destro. Mas recebe como resposta um silêncio. Conseguia ver a costumeira expressão que o gêmeo fazia quando o censurava. E aquilo o irritou. Não, não seria repreendido, não por ele. – Acertou um golpe no espelho, fazendo-o em estilhaços. – As partes desnudas de seu punho ganham finas fissuras, despejando sutilmente o líquido delgado rubro por entre seus dedos.

"Você verá que estou certo!" Deu as costas para o objeto despedaçado. Foi até a cama e vestiu seu elmo. "Você verá, Saga." Repetiu após uma risada esganiçada, apertando seu punho ferido.




O futuro nos pertence

“Eu não pensei que estaria de volta a este lugar. Você sempre esteve certo, Saga” Rumorejou, respirando de forma audível quando olhou para a entrada do santuário. Iria definitivamente desligar-se do seu passado maligno e rogar perdão a Deusa da Justiça, já havia o feito, mas as formas como os fatos se sucederam, tinha conhecimento da nova guerra santa, e queria fazer parte integral dela – apresentando-se como o novo cavaleiro de Gêmeos –, lutaria até o fio derradeiro de sua energia cósmica, com a intenção de purgar sua alma de seus pecados. O céu começava a enegrecer lestamente.

Seus passos cessaram, respirou de forma audível volvendo seus orbes ao terreiro estelar que suscitava de uma maneira morosa em conseqüência do anoitecer. Seu peito doía pela amargura, mas este sentimento que o compungia se desmantelou ao ver de forma nítida a constelação de gêmeos já se apresentando, com um rutilar incomum. Era ele. Seu irmão sempre esteve consigo, parecia pressentir o que ocorreria. Mas tudo era uma questão de tempo.

“Até breve, maninho”

Pegou-se sorrindo, e tornou a caminhar, até o templo em que Saori estava.

Juntos, finalmente estariam novamente juntos, e dessa vez seria para toda a existência infinita de suas almas.

Notas finais
Para o Saga perfeito. ♥
Então, isso é uma coisa sem noção que eu fiz. Yep. Já estava algum tempinho pronta, mas só realmente a revi agora. Mudei umas coisinhas. É pequena. Queria fazer uma visão do Kanon sobre certos acontecidos. Música do Chopin deu o título à estória. É, e culpa da Van por conta do Ares. q
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!