Após conversarem de maneira animada sobre o mapa e suas particularidades (com exceção de Hermione, que não gostou muito e achava prudente entregá-lo à professora Minerva, mas a ideia não foi bem aceita) os integrantes do sexteto naquele momento se encontravam reunidos no Três Vassouras, cada qual com uma generosa e fumegante caneca de Cerveja Amanteigada, afinal o frio que fazia estava de congelar os ossos. Conversavam sobre tudo e nada ao mesmo tempo em tom alegre, afinal as férias estavam se aproximando e seria bom poderem relaxar durante aquelas duas semanas.

Um vento gelado envolveu o sexteto, a porta do estabelecimento havia sido aberta. Eles se viraram para ver quem tinha entrado, e para a surpresa deles eram os professores McGonagall e Flitwick, com Hagrid vindo logo atrás deles, completamente concentrados na conversa.

Draco e Ron congelaram no local, assustados. Hemione perdeu toda a cor do rosto. Diana e Anne foram as únicas que conseguiram se mexer, e empurraram Harry para baixo da mesa.

A jovem Black reconheceu o homem corpulento vestido com uma capa de risca de giz que seguia os professores: era Cornelius Fudge, o Ministro da Magia, com quem ela havia trocado algumas palavras no ano anterior quando tomara a poção Polissuco e se transformara em Severus Snape.

— Mobiliarbus. — sussurrou a morena, fazendo com que uma grande árvore de Natal levitasse alguns centímetros do chão e parasse à frente deles, impedindo que as autoridades ali presentes notassem que o sexteto se encontrava ali presente. Não demorou para que Madame Rosmerta lhes entregasse os pedidos e Fudge a convidou a se sentar com eles.

Ela o questionou o que o homem fazia naquele fim de mundo, o ministro respondeu que era por causa de Sirius Black, que o mesmo estava muito perto de Hogwarts, de Harry Potter. A mulher perguntou se ele acreditava que Black ainda estava por ali, e Cornelius disse que tinha absoluta certeza.

A dona do bar passou a reclamar dos dementadores que revistavam seu local de trabalho. Os professores apoiaram sua fala, comentando que era horrível ensinar com aquelas criaturas passeando por ali.

O Ministro suspirou, dizendo que os guardas de Azkaban estavam ali para proteger a todos, e que sabiam o que o fugitivo era capaz de fazer. Madame Rosmerta havia dito ser difícil acreditar naquilo tudo que estava acontecendo, afinal Sirius Black e James Potter eram amigos inseparáveis.

Ouviu-se o barulho de algo batendo no chão e Di notou que Harry derrubara a caneca no chão e logo recebeu um pontapé de Ron, que o mandava ficar quieto com esse gesto.

Minerva seguiu, dizendo que os dois eram excepcionalmente inteligentes e grandes causadores de confusões, com Hagrid comparando-os nesse quesito aos gêmeos Weasley e Flitwick dizendo que até se poderia pensar que Black e Potter eram irmãos, afinal nunca se separavam, que isso não havia mudado, mesmo depois que acabaram a escola. Black era padrinho de casamento de James e Lily, e o pior, padrinho de Harry, assim como Remus era padrinho de Diana, a gêmea dele.

Fudge contou em um sussurro que os Potter sabiam que estavam sendo perseguidos e que fizeram um feitiço complexo para se esconderem, sendo que Sirius era o fiel do segredo. Dumbledore tinha sugerido que fosse ele mesmo, pois desconfiava que havia um traidor próximo do casal. E então uma semana após realizarem o feitiço, Você-Sabe-Quem havia os pego. Hagrid xingou alto, fazendo com que os outros o calassem rapidamente. Ele abaixou o tom da voz, mas continuou com um rosnado:

— Eu o encontrei! Acho que fui a última pessoa que o viu antes daqueles assassinatos. — falou o gigante com raiva. — Fui eu que tirei Harry da casa destruída... pobrezinho, com um corte horrível na testa, o quarto era uma bagunça... e o berço revirado de Diana... aquele monstro! Acabou com a família dele. Nem a irmã ele poupou. Sirius apareceu ali! Dizendo que era padrinho de Harry que cuidaria dele!! Mentira! O jogaria no primeiro rio que aparecesse para se afogar! O filho, os filhos dos melhores amigos dele! Mas quando um bruxo se alia às trevas, nada mais importa....

Um silêncio ensurdecedor se fez presente ali e a mente de Di parecia um pergaminho em branco após escutar as revelações; não era capaz de pensar em nada. Algumas perguntas haviam sido respondidas, porém várias outras apareceram, mas a jovem não conseguiu dar atenção às mesmas, o choque era grande demais.

A mente de Anne trabalhava rapidamente e ela tinha uma teoria, porém não era hora, nem lugar de colocá-la à prova, então apurou os ouvidos para escutar novamente a conversa, assim que a dona do bar comentou que o Ministério havia capturado Black no dia seguinte, ao que Fudge respondeu com amargura que não haviam sido os aurores que encontraram o assassino e sim o pequeno Peter Pettigrew, outro amigo dos garotos. Rosmerta questionou se era o menino gordinho que sempre andava atrás de Black e Potter em Hogwarts. McGonagall respondeu que Peter venerava os dois como se eles fossem heróis e que a nível de talento não era parecido com eles, lamentando-se por ter sido severa demais com ele em alguns momentos; a mulher parecia estar à beira do choro a levar em conta seu tom de voz. O Ministro tentou consolá-la com delicadeza, dizendo que Pettigrew tivera uma morte de herói e também falando que testemunhas disseram tê-lo visto confrontar o assassino, antes que este o explodisse em pedacinhos. Minerva continuou a se lamentar e Hagrid teve um novo rompante de raiva, dizendo que queria ter chego a Black antes de Peter, que o teria despedaçado sem usar varinhas. Fudge, em uma voz melancólica, falou ter sido um dos primeiros a chegar à cena depois que o homem liquidara aquelas pessoas. Uma cratera gigante no meio da rua, cadáveres por toda a parte, trouxas gritando em desespero e Black parado ali, dando gargalhadas, diante do que restara de Pettigrew: um monte de vestes ensanguentadas e seu dedo mindinho.

Se ouviu cinco narizes sendo assoados. Rosmerta questionou se o fugitivo era louco. O homem respondeu que gostaria que isso fosse verdade, mas comentou que na última vez que havia feito a inspeção em Azkaban percebeu como Black estava normal, sem ficar resmungando com as paredes como os outros detentos. Havia conversado com o ministro normalmente, deixando-o nervoso. Sirius parecia estar entediado, perguntou se ele podia ficar com o jornal, afinal gostaria de fazer as palavras cruzadas. Fudge tinha ficado chocado com a falta de efeito dos dementadores nele. A dona do bar questionou o por que da fuga dele, se era para se juntar a Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado novamente e o ministro disse que esse poderia ser o plano a longo prazo.

Novamente um vento frio envolveu os alunos, o que fez os cinco fazerem uma careta e olharem para baixo da mesa, confirmando sua suspeita: Harry tinha sumido. O grupo saiu o mais discretamente possível, mas como os adultos ainda estavam envolvidos com a conversa não os viram sair. Black os esperava com tranquilidade ao lado da porta do bar.

Os cinco olharam para os lados e não viram nada, ele certamente deveria estar com a capa. Di, então, olhou para o chão e viu os passos rápidos dele indo para longe. Ela puxou seus amigos e começou a seguir as marcas que se formavam na neve, percebendo que as mesmas paravam em uma pedra na clareira perto da Casa dos Gritos.

Hermione se aproximou e tirou a capa do amigo, que aparentava estar chorando.

— Harry... — foi a única coisa que a garota aparentava ser capaz de dizer. Nenhum dos outros sabia como agir e o que fazer.

— Ele era amigo deles... Ele traiu meus pais... — falou Potter com a voz embargada — ELE ERA AMIGO DELES! — gritou ele a plenos pulmões, assustando todos os presentes ali, inclusive Black, que ganiu. — Espero que ele me encontre e nessa hora eu vou estar pronto. Quando me encontrar eu vou matá-lo!

— Harry não! — respondeu Diana o abraçando, ele se balançou tentando afastá-la mas não conseguiu. — Eu sei que o que eles falaram foi horrível, mas lembra, se o Sirius Black quissesse ter te matado, já teria feito. Olha onde estamos, olha onde você tá! Escondido de todos, que outra oportunidade melhor ele teria? No castelo com todos os professores atentos? Não! — disse a menina tentando fazer ele acreditar no que dizia, ela queria acreditar também. Black parecer latir de acordo. — Tem algo muito errado nessa história e nós seis sabemos disso.

Anne se aproximou também e se ajoelhou ao lado dos dois amigos, tocando o ombro do garoto de maneira gentil.

— É, Harry. Acho que tem muitas coisas que não entendemos sobre isso tudo, então não podemos tomar decisões precipitadas. Vamos tentar descobrir mais sobre o que aconteceu e você não está sozinho nessa. — "e vou descobrir também se a Di é a irmã perdida dele." Acrescentou em pensamento.

Ele olhou para ambas as meninas, agradecido pela força que elas estavam dando a ele.

— Obrigado. — respondeu Harry, e nisso Black pulou e lambeu o rosto do menino, o que fez todos começarem a rir.

Após os momentos de tensão o grupo continuou naquele local, os ânimos retornando ao mais normal que podiam após aquelas revelações e por fim decidiram retornar ao castelo antes que ficasse muito tarde. Potter se despediu deles, dizendo que voltaria pelo local de onde viera.

No domingo eles resolveram ir até a cabana do Hagrid fazer uma visita, e uma vez lá descobriram que Bicuço teria que ser preso e isolado até a data da audiência que eles teriam com o pai de Nott. Todos os seis tentaram animar Hagrid, mas sem muito sucesso. Ele estava muito abatido e com a certeza de que acabariam com a vida do hipogrifo. Mione e Anne prometeram ajudar na defesa do bichinho. Por fim o gigante disse que tinha vontade de soltar Bicuço, mas tinha medo, pois nunca mais queria ir para Azkaban, o que fez Black estremecer ao lado de Di, que o estava acariciando.

Eles saíram de lá um tanto abatidos, mas pelo menos havia distraído Harry o suficiente. Já Diana cada dia que passava se sentia mais no mundo da lua, seus pensamentos sempre voltando ao que via quando os dementadores estavam por perto e a conversa que havia escutado dos professores.

Resolveu que iria perguntar ao seu pai, mas quando estava na frente da porta do escritório dele, se acovardou. Afinal o que exatamente ela iria perguntar: “Oi pai? Por um acaso sou a irmã perdida de Harry Potter?” Ele iria ter um surto! Afinal se odiava Harry, como ele a amaria se ela fosse a gêmea dele? Era ridículo! A ruiva só podia estar tendo essas imagens na sua mente porque era a lembrança do garoto, provavelmente estava passando para ela de alguma forma, pelo menos, era isso que ela esperava.

Anne, notando o comportamento "avoado" da irmã de coração, teve a plena certeza de que a mesma estava pensando na conversa que haviam entreouvido no dia anterior, então decidiu começar as próprias investigações. Sabendo que Di não perceberia sua ausência durante alguns minutinhos, ela se apressou e pegou na mão de Hermione, puxando-a para o lado, onde poderiam conversar sem serem ouvidas pelos amigos.

— Anne, o que foi? — indagou a grifinória, encarando-a com preocupação e apertando sua mão. Sem razão aparente, a jovem Black sentiu as bochechas esquentarem e rapidamente desfez o contato, abraçando o próprio corpo.

— Bom... — a sonserina começou — Eu gostaria de saber quando é o aniversário do Harry, afinal ele ainda não tem uma vassoura e vai precisar para o próximo jogo de quadribol! — disse em tom convincente com um pequeno sorriso ao final.

— Ih... — disse a menina fazendo uma careta. — O aniversário do Harry é no verão, 31 de julho. Fica tarde para dar uma vassoura para ele... — e então a morena franziu a testa, como se estivesse pensando em algo.

A expressão de choque no rosto da sonserina era inegável, porém ela logo voltou ao normal, afinal Mione não poderia desconfiar que existia outro motivo para a pergunta do aniversário do amigo. Ela notou a expressão da grifinória e perguntou:

— O que foi, Mione?

— Você não ta perguntando isso para dar um presente para ele. — disse a menina estreitando os olhos. — O que você quer saber, de verdade?

Mais uma vez o rosto de Anne tomou um tom rubro; ela havia sido pega no flagra e tinha duas opções: contar a verdade, ou enrolar a amiga. Tentando ganhar um pouco de tempo, a jovem deu um sorriso amarelo.

— Já te disseram o quanto você é inteligente? — questionou ela e a menina apenas olhou para ela não convencida, o que a fez suspirar, decidindo-se por contar a verdade, afinal tinha plena certeza de que a grifinória não a deixaria em paz até que o fizesse. A jovem Black olhou para os lados no intuito de ter certeza de que nenhum de seus amigos estava por perto. Assim que estava convencida de que ninguém ouviria, voltou a atenção a Mione — Estou cada vez mais convencida de que a Di é a irmã perdida do Harry.

A grifinória parecia não esperar essa resposta pois sua expressão era de choque completo, parecia um peixe abrindo e fechando a boca sem emitir som algum durante alguns segundos.

— Como...? De onde você tirou essa ideia? — ela questionou ainda parecendo não conseguir ligar os pontos. — Sei que o nome das mães deles é igual, mas isso não significa que sejam a mesma pessoa.

Ann sorriu, é claro que a amiga estaria certa se não fossem as outras evidências.

— Mione, pense comigo... Além do nome das mães, eles têm mais coisas em comum. O aniversário da Di também é em 31 de julho. Ontem Hagrid mencionou o nome Diana. E tem mais uma coisa... — ela mordeu o lábio inferior antes de continuar — Os dois sofrem igualmente na presença dos dementadores. Ninguém mais tem a mesma reação que eles.

— Ela te falou o que o dementador faz com ela? — perguntou Mione começando a ver o que Anne sugeria, e parecia acreditar na teoria dela.

A sonserina balançou a cabeça negativamente.

— Isso é o mais estranho, sabe? A Di me conta tudo. Certamente é algo que mexe muito com ela ou a deixa muito confusa. — a morena tinha uma expressão pensativa no rosto — E ele disse algo?

— Sim... — ela disse parecendo receosa de falar algo tão íntimo de seu amigo. Olhando para eles e percebendo que estavam bem à frente, decidiu-se por contar — Ele escuta os pais dele, na noite em que Você-Sabe-Quem os matou.

A sonserina respirou fundo e novamente pegou a mão de Hermione, a puxando para sentar-se ao lado dela em uma pedra grande que existia por ali, sem se importar com o frio ou se havia neve.

— Acho que para a Di deve ser pior... Sem saber o porquê de estar escutando a morte dos pais de outra pessoa. Isso deve tê-la deixado no estado em que está. — falou e finalmente a encarou depois de ficar observando a bela paisagem — O que podemos fazer?

— Bom... se ela não se abriu nem com você, vai ser difícil conseguir ajudar. Ela vai ter que chegar à conclusão sozinha. — ela falou pensativa, e fez uma expressão triste. — E quando chegar, se realmente for verdade, ela vai precisar de muito apoio…

Anne apenas assentiu e não disse mais nada, apenas ficou encarando o horizonte, um tanto confusa em relação a tudo. O que havia acontecido na noite do assassinato dos pais de Harry? Sirius Black realmente os havia traído? Como Diana Potter havia virado Diana Snape? A cabeça da sonserina provavelmente logo explodiria se continuasse a pensar tanto.

Precisava falar com Di novamente, tentar fazê-la se abrir pois o que os dementadores faziam com ela obviamente a incomodava.

Eles se sentaram no Salão Principal, perto de uma lareira, para esquentar o corpo gelado e aproveitarem o delicioso jantar.

Após terem jantado os amigos se despediram e cada trio foi para sua respectiva Sala Comunal. Draco disse que precisava aparar as cerdas da vassoura, então se despediu das amigas e subiu ao dormitório, dando a Ann o momento a sós com Di que a mesma precisava. As duas sentaram em um sofá perto da lareira e a jovem Black encarou a irmã de coração com incerteza, não sabendo como iniciar a conversa, então foi para a opção mais óbvia:

— Sis, precisamos conversar. — disse ela um tanto nervosa.

A ruiva olhou para a irmã de coração com uma sobrancelha levantada.

— Precisamos? — ela questionou confusa.

A morena assentiu, mordendo o lábio inferior. Não havia um jeito mais "bonitinho" de falar e questionar o que queria, então decidiu ir direto ao ponto.

— O que você ouve quando os dementadores estão por perto? — perguntou sem rodeios.

A menina, que olhava para o fogo, virou a cabeça tão rápido que sentiu um choque no cérebro. Reclamando de dor, ela olhou para Anne franzindo a testa.

— Quem disse que eu escuto alguma coisa? — ela questionou um pouco chateada, não era um assunto que queria falar em voz alta, afinal ficaria mais real. Ela preferia viver no mundo em que isso era só sua imaginação e pesadelos.

Black ergueu uma das sobrancelhas, sua expressão demonstrando que não engolira aquela resposta. Sabia que era um assunto delicado, então apertou a mão da ruiva em claro sinal de apoio.

— Desde aquele jogo você tem estado um tanto estranha. — disse com gentileza — Então cheguei à conclusão de que algo aconteceu.

— Claro que algo aconteceu, eu caí da vassoura. E você sabe que os dementadores me fazem desmaiar, isso não é segredo pra ninguém. — disse Di cruzando os braços. — Nott faz questão de lembrar disso o tempo todo.

— Você esquece que eu te conheço bem, irmãzinha. Se fosse só o desmaio... Quando aconteceu a mesma coisa no trem, você teria reagido parecido. — a sobrancelha de Anne se mantinha erguida, o semblante mostrando que ela não recuaria.

A garota suspirou profundamente, não queria falar sobre isso e não iria falar. Não antes de ter algumas respostas.

— Sis, sei que não adianta dizer que não tem algo me incomodando, você me conhece bem. Mas eu não quero falar, ta bom? É só coisa da minha cabeça, vai passar. — ela disse, tentando convencer a si mesma.

Ann sabia que a irmã era teimosa (como uma Gryffindor seria), mas ela própria não ficava muito atrás. Ainda que Di não dissesse o que a estava incomodando, Anne ainda tinha uma carta na manga.

— Tudo bem, então. Só fico preocupada. — falou com sinceridade — Ainda mais depois de descobrir que o Harry escuta a morte dos pais... Deve ser horrível. — comentou, observando discretamente a reação da irmã.

A menina arregalou os olhos.

— Ele escuta? — ela questionou sem conseguir segurar sua surpresa, e então se controlou, falando. — Que coisa horrível, não é pra menos que ele ta desesperado pelas aulas com o professor Lupin.

A morena apenas assentiu e desviou a atenção para o fogo da lareira. As reações da irmã só comprovavam cada vez mais sua teoria, embora Di não tivesse dito nada ainda. Já havia sido um grande avanço a ruiva admitir que algo a incomodava e, mais cedo ou mais tarde, acabaria falando o que era.

— Tonks me perguntou se eu voltaria para passar o Natal em casa. Será que eu deveria ter ido? Talvez poderia perguntar à titia mais coisas sobre Black. — sem deixar espaço para respostas, ela continuou — O que você acha sobre essa história de ele ter entregue os Potter a Voldemort?

— Eu não sei sis. — disse ela mordendo o lábio. — Eu espero que nossa teoria esteja correta, porque o Harry não precisa de mais coisas em cima dele. — a ruiva então soltou um suspiro. — Obviamente tem muito mais do que todos falaram para ele, a morte dos pais e a ... irmã... o motivo da caça de Voldemort....

Ann levou uma das mãos ao queixo em uma expressão pensativa e concordou com o que a garota dissera. As duas continuaram a confabulação durante um bom tempo, a companhia de Draco se fazendo presente depois e os três ficaram em um clima bastante agradável, com a grande felicidade de não precisarem se preocupar com as aulas nos próximos dias.

Diana acordou cedo na manhã de Natal, era um dia que sempre a animava muito. Ela viu em seus pés os presentes e gritou animada, correndo para a cama de sua irmã de coração, que havia resmungado do barulho.

— Acorda!! Acorda!! Acorda!! — disse ela pulando na cama de Anne. — É NATALL!!

A morena resmungou mais um tanto ao sentir o peso da ruiva sobre si, afinal sabia que seria impossível voltar a dormir. Quando Diana Snape acordava animada não havia outra coisa a se fazer a não ser entrar na bolha de animação.

— Já acordei! Feliz Natal, sis! — ela exclamou e iniciou um ataque extremo de cócegas na ruiva.

Elas ficaram se cutucando por um tempo, até resolverem abrir seus presentes. Havia de todos seus amigos, familiares, mas tinha um sem nome para Di.

Ela pegou a caixa e ficou analisando. Quem teria dado a ela um presente, sem identificação e por quê?

Lentamente a menina abriu e viu uma caixa de veludo preta. Franzindo a testa ela abriu: havia um colar que parecia de ouro, um pingente de coração. Ela levantou o mesmo e notou que tinha uma inscrição atrás: JL.

Alheia ao que se passava com a irmã de coração, Anne já havia aberto quase todos os presentes: o livro de azarações que ganhara de Di, o livro sobre a história da família Black que ganhara de seu primo e Harry lhe deu um novo bastão de quadribol verde e prata. Ganhara de Ron alguns produtos da Zonko's que seriam bastante úteis, de Hermione um pôster animado da saga Star Wars. Um sorriso tomou conta de seu rosto quando desembrulhou o livro avançado de Transfiguração que ganhara do Tio Sev com um bilhete contendo as palavras "Imagino que isto a manterá ocupada e longe de confusões. Feliz Natal. SS". Logo desembrulhou um suéter negro que ganhara de sua tia e já abria a carta para ler, porém sua atenção fora desviada por um barulho que vinha de dentro da caixa que deixara por último e certamente era de Tonks.

— Mas o quê? — ela murmurou e rapidamente deixou tudo de lado para abri-la. Para seu espanto, saiu de dentro do embrulho um pequeno filhote de tigre branco fêmea (que era um tanto maior que um gato grande) e o animal não demorou para aninhar-se em seu colo com um miado contente. — AH, MERLIN, QUE COISA FOFA! — a jovem Black não foi capaz de segurar o grito animado que saiu de dentro de si.

Baixando a corrente, a ruiva olhou com curiosidade para a morena, afinal não era do feitio de Anne gritar de pura animação, e a viu com um gato, pelo menos achava que era um gato, mas era enorme.

— Ohh!! — disse a Diana maravilhada, afinal o bichano era lindo. — Queee FOFO!

A mini-tigresa tomou seu tempo analisando a face de Di. Sentou-se e, em segundos, já havia pulado do colo de sua "dona" para o da outra e começou a mastigar seu cabelo enquanto ronronava, fazendo Anne cair na gargalhada novamente.

— Que felicidade! — exclamou, ainda rindo da "gata".

A jovem Snape não se conteve e abraçou a gata, falando sobre como ela era fofinha e linda, e acariciando o bichano.

— Quem foi que te deu essa coisa mais linda, sis? — questionou ela ainda apertando (de leve) a gata.

— A Tonks! — Ann respondeu, ainda sorridente. Ela sempre quisera um bichinho de estimação, mas seu tio nunca permitira que ela tivesse. Agora isso não importava mais, tinha ganho a tigresa mais linda e fofa que existia! — Precisamos de um nome para ela.

— Sim! — ela olhou para a gata e com um “own” ela tascou um beijo nela, mas pareceu que a gata não gostou muito pois miou e deu com a pata na cabeça da Diana. — Ai, ai, ai!! Sua malvada!!

Novamente a morena começou a rir quase que descontroladamente. A cada segundo estava se divertindo e amando aquela coisa maravilhosa.

— Acho... — ela tentou respirar durante o surto — Que Maleficent é um bom nome! Não é, Mal? — questionou encarando a tigresa, que parou de atacar Di e deu um miado satisfeito, aninhando-se contente nos braços da ruiva.

— Acho que ela aprovou. — disse a ruiva passando a mão na cabeça, verificando se tinha danos. Mas não, a gata só bateu sem usar as unhas, o que fez a ruiva soltar um suspiro aliviado. Então voltou a fazer carinho nela. — Bem vinda ao grupo, Mal!

Maleficent apenas se aninhou no colo da garota e ali ficou tranquilamente, enquanto Anne balançava a cabeça, ainda rindo um pouco. A jovem Black, então, notou algo caído no chão perto do pé da irmã de coração e aproximou-se, pegando o objeto e percebendo que era o colar com o pingente de coração e as letras JL gravadas. A garota franziu a testa em confusão.

— O que é isso, sis? — perguntou com curiosidade.

— Ah, não sei... — respondeu a jovem franzindo a testa, seu interesse voltando com força. — Ganhei de Natal, mas não tinha identificação.

Anne deu de ombros, demonstrando que também não tinha ideia de quem poderia ter dado o presente a ela, nem o significado. Como era de se esperar, seu estômago começou a roncar e ela deu um tapa de leve na própria testa, quase tinha esquecido que precisavam subir para tomar café.

— Uma hora quem te deu isso vai aparecer. Agora podemos ir ao Salão comer algo? Estou com fome. — disse e, à menção de comida, Maleficent ergueu a cabeça e se espreguiçou no colo de Di, que assentiu com vontade, pois também estava morrendo de fome. Estava louca por umas panquecas e muffins.

Aa duas então se levantaram, Diana com uma pequena dificuldade, pois Mal não quis colaborar muito. Mas em pouco tempo estavam prontas para se encontrar com o restante do grupo.

Na saída do dormitório foram surpreendidas por Draco, que praticamente pulou nelas desejando "Feliz Natal", mas que também assustou-se ao ver a filhote de tigre que agora estava no colo de Anne, ao que a garota disse que Mal havia sido presente de Tonks. O loiro balançou a cabeça negativamente e disse que a jovem agora tinha mais um animal não-convencional para cuidar. Ann apenas sorriu e os três seguiram com tranquilidade ao Salão, onde encontraram o Trio de Ouro já sentado à mesa. Ron e Harry pareciam extremamente animados, mas Hermione estava com uma expressão um tanto preocupada no rosto.

— Feliz Natal! — o Trio de Prata falou em conjunto quando chegaram à mesa. Os outros três responderam da mesma maneira. Di, sendo curiosa como sempre, foi logo questionando:

— Então... por que vocês dois estão tão animados?

— Ganhei uma Firebolt! — Harry exclamou animado enquanto Ron assentiu com a mesma animação. Ann, que havia tomado seu lugar ao lado de Mione, encarou o moreno com uma expressão de completo assombro.

— Uma Firebolt? — ela questionou com o intuito de saber se havia escutado direito e o garoto assentiu com os olhos brilhando. Draco soltou um “uau!”.

— Incrível! — exclamou a ruiva animada. — Podemos fazer uma corrida para quem vai mais rápido? A Firebolt ou a Thunderbolt? — falou rapidamente sem dar muito tempo para os outros responderem, até que ela parou — Mas... quem te deu ela? — Diana perguntou inclinando a cabeça. Afinal de contas não era um presente qualquer, era um extremamente caro.

— Eu não sei. — ele respondeu — Não tinha nenhum cartão, nem nada. Só a vassoura.

À menção disso a expressão de Mione ficou ainda mais séria que antes, porém em manteve calada.

— Harry, pensa. — Anne se pronunciou — Quem sabia que você estava precisando de uma vassoura e poderia comprar uma tão maneira? — para não dizer cara.

Diana franziu a testa, mais alguém com um presente caro sem explicação. Isso era muito estranho. Ela olhou para sua irmã de coração, esperando que ela entendesse sua situação.

— Não tem ninguém Anne, meus tios não iriam me dar algo assim. — disse Harry ficando um pouco triste. — Não tenho ninguém...

A morena estendeu a mão e pegou a dele, apertando em um gesto de carinho e apoio.

— Você tem a nós, sozinho você não está! — e sorriu — Mas certamente não fomos nós que te demos a vassoura. Seja quem for, com certeza gosta muito de você.

O garoto nem teve tempo de responder pois Hermione levantou-se de um salto parecendo extremamente chateada e se apressou em sair do Salão. Ann encarou Di antes de dizer que iria atrás dela e saiu da mesa com dois Muffins de baunilha nas mãos, quase correndo para tentar alcançar a Grifinória.

— Fiquem aqui. — disse a ruiva, agarrando um prato com linguiças, bacon e panquecas. E correu atrás das outras duas, que haviam saído para o pátio. Pegando seu apito, chamou Black, que provavelmente estaria morrendo de fome.

Diana se aproximou de suas amigas, sentando do outro lado de Mione.

A ruiva notou que sua irmã de coração havia dado o muffin maior para Mione e ergueu uma das sobrancelhas em uma expressão muito parecida com a que seu pai fazia, mas preferiu não comentar sobre o assunto, uma vez que Anne perguntou:

— Mione, o que aconteceu?

A Grifinória suspirou.

— Acho que foi Sirius Black quem deu a vassoura para o Harry. — respondeu simplesmente.

A jovem Snape franziu a testa.

— Por que você acha isso? — ela questionou, afinal não fazia o menor sentido. Ela viu Black correndo em sua direção e deu um pequeno sorriso antes de continuar sem dar espaço para Mione responder o primeiro questionamento. — Como ele teria comprado alguma coisa se é foragido?!

— Não sei. — Hermione respondeu com sinceridade e apoiou o queixo na mão — Faz sentido, não acham? No primeiro ano o professor Dumbledore e a professora Minerva deram a Nimbus a ele, mas não acredito que fariam isso novamente... E ele não tem família além dos tios. — a garota concluiu, olhando de Di para Anne, a qual se encontrava calada, e depois para Black, que estava sentado próximo à ruiva.

— Sinceramente Mione... — disse a ruiva enquanto dava uns bacons e linguiças para Black. — Mesmo que realmente tenha sido Sirius Black que deu a vassoura para o Harry... Por que colocaria um feitiço nela? Se ele quer o Harry morto, por que faria assim e não diretamente? Ele já é foragido, então por que iria fazer dessa maneira na surdina?

Di olhou para Black que parecia estar indignado com ela, pois a comida caiu de sua boca esquecida.

A outra sonserina balançou a cabeça negativamente, se pronunciando pela primeira vez desde que a Grifinória expôs suas preocupações.

— Eu acho que Black não está atrás do Harry, ao menos não para fazer mal a ele. — ela falou e o cão se aproximou dela, encarando-a com curiosidade — Pensem bem... Existiram ótimas oportunidades para que ele o pegasse desprevenido, mas nunca o fez. — repentinamente seu rosto se iluminou, ela acabara de se lembrar da carta de Andrômeda que estava no bolso de seu casaco — Esperem um pouco. — a morena retirou-a e abriu com delicadeza.

"Querida Anne

Primeiramente Feliz Natal! Desculpe a demora para responder sua carta, mas precisei de um tempo para formular uma resposta à pergunta que me fez. Vamos lá!

Sirius é meu primo preferido, sempre nos demos muito bem. Ele é completamente diferente do restante da família Black, apesar de ter o mesmo sangue. Não tem o pensamento de achar que os puro-sangues são melhores que os nascidos trouxas. Ele e James Potter eram grandes causadores de confusão, mas ótimas pessoas. Não acreditei quando Sirius foi preso e ainda não acredito que ele tenha traído o melhor amigo daquela forma, acho que tem alguma coisa nessa história que ninguém sabe. Espero não estar enganada, sinto falta dele e gostaria de vê-lo novamente.

Se cuide e tente não se meter em muitas confusões!

Um forte abraço, Tia Andy."

— Viu!! — disse Diana levantando e pulando — Temos nossa prova! Sirius nunca iria fazer mal ao Harry, portanto se foi ele que deu a vassoura não tem problema nenhum! Isso demonstra que se importa com o Harry e concordamos que ele precisa disso mais do que qualquer um!

Hermione pareceu querer dizer algo, mas aparentou decidir apenas por puxar delicadamente a carta das mãos de Anne e a leu novamente.

— Eu suponho que vocês têm razão. — falou após terminar e devolveu o pergaminho cuidadosamente dobrado à sonserina — E espero que sua tia tenha razão, Anne. Se realmente algo diferente aconteceu em Godric's Hollow naquela noite e Black é inocente, então o verdadeiro assassino está à solta. — ela concluiu, mordendo os lábios preocupada — Quem mais poderia ser?

A isso ambas as sonserinas não tinham resposta, eram apenas as informações que haviam ouvido no três vassouras. Se tinha um espião, provavelmente tinha sido ele, mas quem elas não sabiam.

Di chamou Black novamente e terminou de dar a comida para ele. Percebendo como ele estava gelado, ela tirou seu casaco e o vestiu com ele.

— Bom... Mesmo assim... — disse Di, lentamente. — Quando ele for testar o presente, podemos levar vassouras extras, assim caso aconteça algo temos como ajudar o Harry.

Ann assentiu, concordando com Diana, e abraçou a Grifinória de lado.

— Ajudar o Harry é uma das nossas especialidades, Mione. Nós estaremos lá, não se preocupe. — e deu um largo sorriso, arrancando um da outra também — Se anima, é Natal! Precisamos comemorar com todo nosso grupo, não é, sis? E a propósito... Feliz Natal, Black! — o cão latiu feliz e abanou o rabo antes de se aconchegar mais ao casaco da ruiva em questão.

A jovem Snape franziu a testa, notando que Black estava sofrendo com muito frio. Ela então disse que já voltava e foi correndo para dentro do castelo. Anne e Mione se entreolharam e deram de ombros. Não demorou muito ela estava novamente ali com a capa de invisibilidade na mão.

— Black, você vem com a gente. Não vou te deixar aqui no frio. — disse a sonserina determinada.