Trio de Prata: O Início
4 Ano 2 - Parte 3
Notas iniciais
Alguns dias depois, naquela mesma semana, houve outro ataque contra um aluno e o mais impressionante: contra um fantasma também. O aluno em questão era o mesmo que Anne e Harry haviam tentado proteger da cobra de Nott no Clube de Duelos. Isso deixou ambos numa situação complicada, na qual praticamente todos da escola os acusavam de serem os herdeiros de Slytherin e, como Anne era dessa casa, as fofocas eram mais cruéis com ela do que com o Potter. A morena era praticamente rechaçada pelos estudantes. Teorias absurdas eram ouvidas pelos corredores, como a de que os dois possuíam algum parentesco, por exemplo, ou a de que Black enfeitiçara o Menino-Que-Sobreviveu para que ele a ajudasse em seu plano maligno de conquistar a escola. A menina já tinha se preparado para aquilo e apenas ignorava, apesar do incômodo que lhe causava. Aos poucos a arrogância, marca registrada de sua casa, foi se fazendo presente, mas não com seus amigos, apenas com o restante. Diana sabia que tanto sua irmã de coração quanto seu novo amigo eram inocentes e contestava tudo o que ouvia, obviamente ela não iria deixar que falassem pelas costas de Anne nem de Harry, afinal eles nada tinham a ver com a confusão que tomara conta de Hogwarts.
Finalmente, entre idas e vindas, as férias de inverno chegaram e com elas a neve, deixando o espírito do "sexteto" mais animado. Guerras de bola de neve eram praticamente sagradas todos os dias, parecia que não havia coisa mais divertida que aquilo e a cada dia que passava os laços de amizade entre os seis alunos cresciam e se fortaleciam cada vez mais à media em que passavam tempo juntos, fosse fazendo as tarefas passadas pelos professores, fosse brincando e se divertindo nos terrenos do castelo ou ainda praticando “atividades ilícitas” para descobrir quem realmente estava por trás dos ataques aos alunos nascidos trouxas — preparando a Poção Polissuco no banheiro da Murta-Que-Geme. Além de um grande sentimento de carinho que os alunos em questão tinham para com os outros, também aconteceu de alguns terem mais afinidade entre si, como Anne e Hermione, que compartilhavam do mesmo gosto por algumas matérias, tinham formas parecidas de pensar sobre muitos assuntos e passavam a maior parte do tempo se desafiando em sala de aula ou fora dela, o que acabou fazendo com que a jovem Slytherin desenvolvesse grande apreço pela outra — para desgosto de Di, que obviamente não queria perder a amizade de Ann para a Grifinória, porém a ruiva também acabou se achegando a outra pessoa: Harry Potter.
A curiosidade de serem tão parecidos em muitos aspectos foi o fator mais relevante na aproximação dos dois. Acabaram descobrindo muito mais semelhanças que diferenças entre eles, e que a forma de se portar dos dois também era muito parecida, apesar da desigualdade na criação de ambos, não que tivessem tocado nesse assunto exatamente. Ainda existia mais uma coisa que os fazia ficarem mais próximos; um sentimento que nenhum dos dois sabia explicar ou definir, era uma espécie de carinho protetor que nascia e se espalhava aos poucos.
Draco e Ronald também desenvolveram uma espécie de amizade entre eles, mesmo com a discrepância de classes sociais entre eles. Anne e Diana não se afastaram por conta da amizade sêxtupla, porém não deixavam de sentir ciúmes e Di, para provar que era melhor que Hermione, havia decidido fazer a Poção Polissuco sozinha, sem interferência de nenhum dos outros. O restante do sexteto ficou sem entender, mas não questionaram, com exceção da morena de Slytherin, mas a ruiva deu a desculpa de que queria treinar suas habilidades em Poções, o que novamente ninguém questionou e deixaram que ela fizesse como queria, afinal nenhum deles estava afim de discutir. Mione ficou um tanto desapontada porque ela queria ajudar e já tinha dito isso antes e Ann notou isso, então pegou a mão da menina de Gryffindor, apertando levemente e dizendo baixinho que a mesma não discutisse com Diana. Hermione então deu de ombros, acatando o conselho que Ann dera.
Assim foi feito: a menina Snape fez a poção conforme estava no livro, não errando nada e executando com perfeição cada tarefa que era descrita, para animação dos amigos que sempre a acompanhavam.
Na noite da véspera de Natal, a poção finalmente ficara pronta e os dois trios passaram boa parte da tarde discutindo qual era o melhor plano. Por fim decidiram que apenas Harry e Ron iriam realmente fazer uso da poção e virar os capangas de Nott. Anne e Diana iriam mostrar a eles onde se localizava a entrada de Slytherin discretamente e a última dupla, Draco e Hermione, iria usar a capa e seguir os amigos sem interferir no que viria a acontecer.
Assim, os sexteto se encontrava no caminho para as masmorras com Anne e Diana liderando o grupo. Eles estavam quase chegando à entrada de Slytherin quando Theodore Nott apareceu, vindo da exata direção à qual era o destino dos alunos que vinham diretamente do banheiro da Murta-Que-Geme.
— Onde é que vocês estavam? — perguntou o menino perguntou a Harry e Ron, que se passavam por Crabbe e Goyle — Comendo no Salão Principal até agora? E por que vocês estão seguindo elas?
Os dois meninos se entreolharam, notavelmente não sabendo o que responder a tantos questionamentos, o que fez Diana tentar ajudá-los.
— Pensei que fosse óbvio Nott… — ela começou com um sorriso de escárnio em seu rosto. — Os dois burros não se lembravam onde era a nossa entrada.
Seu comentário fez com que o sonserino a olhasse de cima para baixo, demonstrando se achar superior a ela e fez também com que Harry e Ron a olhassem furiosos, parecendo se esquecer que não era exatamente eles a quem a ruiva estava chamando de burros. Anne simplesmente revirou os olhos, pedindo paciência a Merlin e dando um olhar afiado a sua irmã, como se dissesse: não comece uma briga aqui, não temos tempo para isso.
— Eles não precisam da ajuda de vocês! — exclamou Nott furioso e ia abrir a boca para falar mais quando Di o interrompeu.
— Então... Por favor, lidere o caminho. — ela disse com uma voz doce mas ainda pingando a sarcasmo, ignorando o olhar que sua irmã lhe continuava enviando. Theodore, ainda se achando superior, chamou aqueles que julgava ser seus “amigos” e continuou o caminho até a entrada da casa de Slytherin. Uma vez ali ele parou e se virou para os dois grifinórios disfarçados de sonserinos.
— Qual era a senha mesmo? — o sonserino arrogante perguntou baixo, parecendo tentar evitar que Di e Ann escutassem, mas falhando miseravelmente.
— Vocês três tem apenas um neurônio? — perguntou Anne sem conseguir se conter e a ruiva concordou com a cabeça, escutando ao fundo Drake bufar, provavelmente tentando não rir. Nott pareceu ouvir isso também e virou a cabeça procurando da onde veio o som e rapidamente a jovem Snape falou:
— Sangue-Puro! — ela praticamente gritou, a entrada de Slytherin se abrindo diante de todos, e assim fazendo com que eles entrassem na Sala Comunal. As meninas se encaminharam a um canto mais afastado do local, mas ainda assim perto o suficiente dos meninos para escutar sua conversa.
Ann e Di ouviram os comentários de Nott a respeito de como os Weasley não deveriam ser chamados de puro-sangue pela forma como se comportavam e o viram mostrar algo para eles no jornal, logo depois comentando sobre como Arthur Weasley deveria quebrar sua varinha e ir morar com os trouxas. A morena revirou os olhos, odiava esse tipo de atitude, afinal, a seu ver, ninguém era melhor que ninguém e muito menos Theodore. Olhou para Di e murmurou:
— Tomara que o Weasley não caia nessa... Vai estragar o disfarce
A ruiva assentiu e fez uma careta quando escutou Nott perguntar a um deles (que era muito provavelmente o Weasley) qual era o problema, mas aparentemente Potter conseguiu enganar Nott, que voltou a falar com eles normalmente, falando sobre o quanto Dumbledore era uma vergonha para a escola, ao que Potter se revoltara, fazendo as duas meninas olharem assustadas naquela direção, já pensando em um plano para tirar os dois grifinórios dali. O outro sonserino se ergueu do sofá, indagando quem em Hogwarts era pior do que Albus Dumbledore. Um momento de silêncio e então veio a resposta da boca de "Goyle": Harry Potter.
Theodore rapidamente concordou, desdenhando, dizendo que as pessoas realmente achavam que ele era o herdeiro de Slytherin, e que ele e Anne Black eram parentes.
Harry apenas balançara a cabeça, dizendo que Nott tinha que ter ideia de quem estava por trás daquilo.
– Sabe que eu não tenho, Goyle. — Nott respondeu de mal humor. — Minha aposta seria a Black, mas ela é tão tapada quanto o Potter. Então duvido muito.
Anne, sem notar, deu um rosnado baixo e fez menção de se levantar, porém Diana não permitiu; segurou-a no lugar e lhe fez um sinal para que ficasse em silêncio e naquele momento ouviram que cinquenta anos antes a Câmara havia sido aberta e que uma nascida trouxa havia morrido, dizendo também que dessa ver torcia para ser Hermione Granger. Falou alto o suficiente para que as meninas ouvissem claramente suas palavras e deu um sorriso mau às duas, demonstrando o desdém.
Black dessa vez não se deixou segurar e quando Di viu, sua irmã de coração já estava na frente de Theodore com os olhos em raiva pura.
— Escuta aqui, Nott. Quem você pensa que é pra falar assim de outro ser humano? Você realmente se acha o dono do mundo, não é? — indagou a morena. Não suportava esse complexo de superioridade que emanava do garoto, uma vez que era o mesmo de Ted Tonks quando o mesmo se referia a Anne. Até o sorriso era parecido.
— Olha, Black... Posso até não ser dono do mundo, mas com certeza sou muito melhor que você e que sua amiga ali. — ele apontou Diana — Que é a maior vergonha que o pai dela tem na vida. Imagina, um sonserino vendo a filha se misturando com grifinórios sangues-ruins e traidores do sangue.
Di sentiu seu coração apertar e lágrimas virem aos seus olhos, mas não deixou elas caírem, se recusou a chorar na frente dele. Ela se levantou ficando ao lado se sua irmã, e na frente de Nott.
— Cala a boca Nott. — a ruiva falou com raiva, conseguindo disfarçar o quanto aquilo havia machucado. — Você não é nada, apenas um filhinho do papai que precisa dele para comprar para conseguir o que quer, quando não consegue com suas próprias habilidades, se é que você tem alguma. — a jovem Snape falou com toda a frieza que conseguiu reunir (obviamente tentando imitar seu pai), e com um nariz empinado virou as costas, saindo da sala comunal, sem dar tempo ao Nott responder um "a". Ela teve que sair, pois estava a ponto de quebrar e chorar. Uma vez fora de Slytherin ela correu para longe, indo para o banheiro da Murta, onde ela sabia que ninguém a incomodaria.
Anne, por sua vez, perdeu de vez as estribeiras. Pegou o aluno pelo colarinho, enfiando as unhas — que por um milagre estavam compridas — na base de seu pescoço, e aproximou o rosto perigosamente do dele, seu lado sonserino falando muito mais alto que qualquer coisa, naquele momento ela só queria machucar o garoto, não importa como.
— Seu cretino... Se ela derramar uma única lágrima sequer... Vou dar um jeito de tirar minha mãe de Azkaban, não importa como... E ela vai esmagar você como a um inseto, assim como o professor Snape. Acredito que você já deve ter ouvido falar de Bellatrix Lestrange, não? — a menina falou e viu Theodore engolir em seco, perdendo completamente a cor do rosto. Aproveitando esse momento, ela o empurrou com toda a força que conseguiu reunir, fazendo-o cair sentado, e saiu correndo da comunal em direção ao corredor que levava ao Salão Principal, tentando se acalmar e descobrir para onde a irmã tinha ido.
Ela corria pelos corredores com a cabeça a mil pensando nos lugares que sua irmã gostava e onde poderia ficar sozinha, que era obviamente o que a ruiva gostaria no momento. Podia estar na torre de astronomia, Di amava aquele lugar, ou poderia estar no banheiro da Murta, afinal ninguém entrava lá e era mais perto.
Além desses pensamentos outro passou por sua mente: Por que aquilo que Nott falou perturbara tanto a mente de Diana? Não fazia sentido, afinal todos viam como Snape se orgulhava da filha, mesmo depois de a mesma ter defendido a irmã de coração e Harry Potter no dia do quadribol (Anne queria ter visto a cena, mas Draco contara a ela todos os detalhes depois). De qualquer maneira fora uma reação muito forte, será... Que a jovem Snape estava escondendo algo? E se a resposta fosse positiva... O que seria?
Bom, ela nunca iria descobrir se não encontrasse a irmã de coração logo. Balançou a cabeça negativamente, tentando clarear os pensamentos. Decidiu, por fim, ir até o banheiro e depois até a Torre, e assim o fez, subindo as escadas correndo. Assim que chegou à porta do banheiro escutou as vozes de Potter e Weasley, e ambos pareciam estar falando com Diana pela forma com que se expressavam. Entrou ali na esperança de que realmente fosse ela.
Anne ao entrar no banheiro escutou as vozes de Potter e Weasley juntamente com umas batidas em uma porta, e então ela percebeu que sua irmã estava lá dentro se recusando a falar. Soltando um suspiro preocupado ela se aproximou e fez Ronald e Harry se afastarem. A morena então bateu na porta de leve, avisando que era ela e pedindo para Di sair dali, mas apenas escutou uma fungada e um leve não.
A morena suspirou, olhando para os meninos e novamente para a porta fechada. Estava preocupada com a irmã, queria saber o que a tinha deixado naquele estado. Bateu novamente, pedindo que ela saísse e dizendo que ficaria ali esperando até que ela saísse.
Nisso Anne escutou a sua irmã suspirar e se mexer, o que fez a morena sair de perto da porta para que Di pudesse abri-la e assim que ela o fez a morena puxou-a para um abraço. Diana voltou a chorar compulsivamente na mesma hora; aquilo que Theodore falou atingira um ponto que a menina não havia contado para ninguém e estava morrendo de medo de sequer pensar sobre. Seu pai a deserdaria com certeza e nunca mais falaria com ela na vida, tamanha a decepção dele. Anne... Conhecia sua amiga, mas o medo de ver o desapontamento no olhar dela a fazia calar a boca. E Drake, nem conseguia imaginar a reação de nojo dele, por isso ela sofria sozinha.
Ann não entendia essa atitude da irmã de coração, porém a respeitava, apesar da curiosidade. Uma coisa que lhe tinha sido ensinada quando era criança: se alguém não quer falar sobre alguma coisa, não se deve pressionar; então a jovem Black não o fez, apenas ficou ali abraçada à ruiva, enquanto acarinhava suas costas de forma fraternal. Os outros dois ali presentes se mantiveram calados e o silêncio reinou por aproximadamente mais dois minutos, até que Draco e Hermione chegaram, esta carregava a capa dobrada sobre os braços.
A morena viu Draco abrir a boca para questionar e instantaneamente o cortou murmurando um: agora não. O menino assentiu mas dava para ver que ele estava preocupado. Rapidamente Anne perguntou para os dois últimos se Nott havia falado mais alguma coisa e Hermione respondeu que não, apenas ficou procurando seus amigos que sumiram, disse com um sorriso.
A ruiva, então, para tentar tirar as palavras de Theodore da mente, indagou sobre o que o sonserino falara aos grifinórios disfarçados, ao que estes responderam que não haviam descoberto muita coisa além do que já sabiam, porém Hermione interveio, dizendo que naquele momento sabiam mais que antes. Já tinham ideia da época em que a Câmara Secreta tinha sido aberta anteriormente, e tinham certeza de que o pai de Nott sabia de alguma coisa.
Draco lamentou-se, dizendo que escrevera a seu pai havia alguns dias perguntando sobre os acontecimentos, mas a resposta que recebeu foi bem desanimadora, pois, de acordo com o menino, Lucius Malfoy não respondeu o que ele perguntara e ainda dissera ao filho que ficasse na dele e deixasse o herdeiro de Slytherin fazer seu trabalho. Com um suspiro coletivo, os alunos saíram do banheiro, com exceção de Anne, que tinha ficado para trás com a desculpa de limpar a bagunça que tinha ficado ali. A menina então caminhou até o caldeirão onde havia Poção Polissuco ainda e pegou um frasco de tamanho médio que roubara da sala de Severus justamente para essa ocasião; nunca se sabia quando seria necessária novamente. Encheu-o até onde conseguiu e o fechou, guardando-o novamente em suas vestes. Com um aceno da varinha, a jovem Black arrumou tudo e sumiu com o líquido que se encontrava dentro do caldeirão, deixando tudo da forma que se encontrava antes de os alunos entrarem lá pela primeira vez. Assim que saiu pela porta, notou que Di e Draco esperavam por ela ali. Com um sorriso ela abraçou a irmã de coração de um lado e seu primo do outro, os três seguindo para o Salão Comunal para terminarem de comemorar sua véspera de Natal.
Semanas se passaram e o sexteto não conseguiu mais nenhuma pista sobre o Herdeiro de Slytherin. Apenas Harry e Ron haviam achado um diário pertencente a T.M. Riddle, o qual era enfeitiçado e Harry informou para todos os outros sobre o que tinha descoberto com o mesmo. Ele contou que havia sido Hagrid que abrira a Câmara Secreta e que o tal de Tom descobriu e contou para os professores. Di, Ann e Draco se entreolharam confusos, afinal o guarda-caça não era amigo dos grifinórios?
Os seis concordaram que certamente aquilo não podia ser verdade, afinal Hagrid não poderia ser o herdeiro de Slytherin, era bondoso demais para isso. O mais certo a se fazer seria procurar mais sobre Riddle para saber se era uma pessoa confiável ou não. Tudo o que acharam sobre ele nos livros se referia ao cargo de Monitor-Chefe que ele tinha recebido, se referia às suas brilhantes notas e ao prêmio que ele recebera por serviços prestados à escola, nada de muito importante, porém era intrigante. Aparentemente o garoto recebera o prêmio por ter entregue a pessoa que abriu a Câmara Secreta — conclusão do sexteto -, mas Tom certamente se enganara, não podia ser Hagrid, não mesmo.
No feriado de Páscoa os alunos do segundo ano tinham algo novo para pensar. Havia chego a hora d’eles escolherem as matérias do terceiro ano. Di com dúvidas do que escolher, acabou indo até seu pai. Afinal quem melhor para perguntar sobre as matérias e professores de Hogwarts do que um professor de Hogwarts? Assim ela escolheu: Trato das Criaturas Mágicas, Aritmancia e Runas Antigas.
Drake acabou escolhendo igual a Diana, o que deixou a menina muito feliz e Anne escolheu Adivinhação no lugar de Aritmancia. Quando Di questionou essa troca, Anne simplesmente disse que poderia ser útil em algum momento. A menina tinha muitas dúvidas sobre qual carreira seguir, mas decidiu não pensar muito sobre, deixaria para se importar com isso mais tarde, por hora apenas aprenderia o que pudesse.
Na manhã do jogo de quadribol entre Gryffindor e Hufflepuff, o Trio de Prata estava saindo de sua sala comunal quando Anne escutou aquela voz novamente e os outros dois obviamente não escutaram nada. Nisso a ruiva deu um tapa na própria testa e, com um “encontro vocês mais tarde” ela saiu correndo pelos corredores, deixando para trás dois amigos muito confusos, mas como Ann estava com fome, eles acabaram decidindo ir até o Salão Principal. Não era como se Di fosse se meter em algum problema, afinal ela era de Slytherin e o Herdeiro não faria mal a alguém de sua própria casa.
Diana corria pelos corredores indo em direção a biblioteca, precisava checar se sua ideia estava correta, apesar de ter quase certeza que sim.
Ao chegar lá foi direto no corredor que precisava e, para sua surpresa, havia mais alguém lá, Hermione Granger. As duas se cumprimentaram e a ruiva foi pegar o livro que queria, foi ai que Mione percebeu o que Di estava procurando. Assim ela comentou sua teoria para a outra menina, que concordou e começaram a discutir como o monstro conseguia se mover pelo colégio sem ser visto. As duas se sentaram em uma mesa num canto, com o livro aberto e pena na mão. Era a primeira vez que as duas trabalhavam juntas sem que Di sentisse ciúme de sua irmã. A jovem Snape foi então obrigada a admitir para si mesma que Hermione era boa e, com sua ajuda, ela conseguiu chegar a uma conclusão rapidamente.
As meninas estavam sorrindo uma para outra quando Di escutou um barulho atrás delas, um barulho rastejante. Isso fez a ruiva perguntar se a grifinória também tinha escutado aquilo, porém a mesma respondeu que era apenas outro aluno no corredor do lado. Alguns instantes se seguiram em silêncio, as duas meninas lendo novamente a página em que tinham encontrado a resposta para o mistério do que “assombrava” o castelo. Não demorou muito para que o barulho voltasse, dessa vez mais perto delas, ou assim parecia. Diana sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha por completo e o medo congelar seus ossos. Será que a coisa estava vindo? Com o canto do olho viu a cor do rosto de Mione desaparecer e a mesma ficar pálida, branca como a neve, e engolir em seco. Ambas haviam reconhecido o som naquele exato momento: era uma cobra, porém não uma cobra comum, era uma cobra gigante. Não que as meninas tivesse visto, mas podiam identificar pelo rastejar pesado e úmido que estava cada vez mais próximo. Nenhuma das duas se arriscava a se virar para ver, sabiam que se fizessem isso, morreriam com certeza.
A menina de Slytherin puxou a página do livro, rasgando-a, e segurou aquilo fortemente, precisava dar um jeito de levar para os amigos. Era isso, o mistério estava praticamente resolvido, faltava apenas descobrir onde se localizava a entrada da Câmara Secreta. A julgar pela forma com que o monstro se movia pelo castelo sem ser notado, a entrada certamente ficaria em algum lugar que tivesse encanamento — algum banheiro, talvez. Di novamente resistiu ao impulso de olhar para trás, tentando focar o pensamento em outra coisa que não fosse a cobra gigante que logo as alcançaria. Estava com medo não exatamente por si, o pior era Hermione, uma nascida-trouxa. As duas não eram muito amigas, mas Di não queria o mal da menina de Gryffindor. A ruiva arriscou um olhar na direção dela, querendo saber se a jovem estava bem, mas percebeu que fez errado quando já era tarde demais. A morena tinha puxado um espelho de seu bolso e o havia colocado entre as duas meninas. Quando conseguiram ver exatamente o que estava atrás delas, abriram a boca para gritar de terror, os olhos amarelos causando nelas um pânico que nunca antes sentiram, mas já não saía nenhum som. Estavam petrificadas.
Anne e Draco se encontravam nas arquibancadas de Gryffindor, sentados um de cada lado de Ron e conversavam de forma animada, fazendo apostas sobre os resultados do jogo que iria se seguir. Os três apostavam na vitória da casa vermelha, afinal o time era muito superior ao de Hufflepuff em termos de talento e de técnica também.
Ann parou de falar por um momento, olhando para os lados. Sentiu um aperto no peito, porém não conseguia identificar o que era. Onde estava Di e por que ela demorava tanto? Não era de seu feitio perder quadribol, essa era uma paixão que as irmãs de coração compartilhavam fortemente. A morena levantou-se, olhando na direção do caminho do castelo, tentando enxergar se a ruiva estava vindo, porém a mesma não estava.
Ann foi tirada de seus pensamentos pela voz magicamente aumentada de Minerva McGonagall que dizia que o jogo havia sido cancelado e que todos os alunos deviam voltar a seus dormitórios naquele instante. A jovem Black ouviu Ron dizer algo sobre ir até o centro do campo perguntar à professora de Transfiguração o que estava acontecendo. O menino saiu em disparada, praticamente empurrando quem estava à sua frente, sendo seguido de perto por Malfoy e sua prima.
Quando alcançaram a mulher mais velha, apenas escutaram-na falando a Harry que o mesmo deveria acompanhá-la. Ann franziu a testa; algo muito grave deve ter acontecido. Aparentemente notando a presença dela, do garoto Weasley e de Draco, Minerva falou que seria bom que eles a acompanhassem também e assim o fizeram, os quatro alunos se entreolhando e não entendendo nada. Caminharam pelos terrenos, até a entrada do Salão Principal e de lá foram subindo as escadas até o corredor que Ann reconheceu como sendo o da enfermaria. O aperto em seu peito se intensificou e a menina olhou na direção da professora, como se exigisse respostas. A mulher pareceu sentir, então se virou para trás e disse com a voz fraca:
— Isso pode ser chocante para vocês. — e sem dizer mais nada abriu a porta da ala hospitalar, entrando no local.
Engolindo em seco, a aluna de Slytherin apertou o passo e seguiu-a de perto, temendo o que veria à sua frente. De repente a mulher parou de andar e olhou para Anne de forma simpática, como se estivesse sentindo pena antes de se afastar um pouco e fazer com que o leito que seu corpo escondia entrasse no campo de visão de Ann que, antes mesmo de olhar para o rosto de quem estava ali deitado, já sabia quem era. Identificou pelos pés. Seu olhar foi subindo, encontrando o símbolo de Slytherin no peito do uniforme da jovem que jazia imóvel naquela maca e, quando seus olhos encontraram os verdes e vidrados da ruiva ali deitada, seu corpo começou a tremer compulsivamente. Não podia ser verdade, Diana não podia ter sido petrificada. Não. Tinha que ser algum terrível engano, Di não era nascida trouxa, era sangue-puro.
Convencida de que aquilo era um grande pesadelo, Anne fechou os olhos e beliscou seu próprio braço com força para ver se acordava daquele tão terrível sonho, porém, ao abrir os olhos, notou que aquilo não era algo de sua cabeça; era a pura e terrível realidade: Diana Snape, sua melhor amiga e irmã de coração, estava na ala hospitalar, sem respirar ou se mexer, estava petrificada. O Herdeiro de Slytherin tinha feito mais uma vítima.
Black não tinha conseguido deixar de encarar os olhos frios de sua melhor amiga e quando percebeu já estava com as bochechas banhadas pelas lágrimas que insistiam em cair. Aquilo não podia estar acontecendo. A menina aproximou-se mais da outra e tocou sua mão, se assustando com a temperatura da mesma; estava fria como o mármore. Em seus pensamentos Ann jurou encontrar o responsável por aquilo e acabar com ele com as próprias mãos, afinal outra coisa que aprendera foi que não se devia mexer com as pessoas amadas, aquilo era a pior coisa que se podia fazer. Mesmo com apenas 13 anos Anne sabia muito sobre esse tipo de coisa e já não era mais tão inocente assim. Desviou o olhar por alguns segundos para seu lado esquerdo na tentativa de se acalmar um pouco e pensar como proceder dali para frente, e a cena que vira foi o segundo choque da noite: Hermione Granger estava acamada, com a mesma expressão de puro horror que Di tinha em seu rosto. O coração da jovem Slytherin, que já estava arrítmico, acelerou mais um pouco, descompassando ainda mais. Se surpreendeu que ninguém mais ouviu. Ann não se aproximou da menina de Gryffindor, ainda olhava seus cabelos que jaziam despenteados no travesseiro e não teve coragem de encarar seus olhos. Suspirou, pedindo a Merlin que lhe mostrasse o caminho que devia seguir para desvendar o mistério que os rodeava e que já havia feito tantas vítimas. Sem prestar atenção nas pessoas ao seu redor e no que estava acontecendo, a menina apertou a mão da irmã de coração novamente, prometendo que não importava o que acontecesse, não desistiria, não era de seu feitio. O Herdeiro de Slytherin tinha machucado duas das pessoas mais próximas da jovem Black e isso ela nunca perdoaria.
Ainda absorta em seus pensamentos, Anne voltou a olhar para o rosto de Diana e, como se algo acendesse em sua mente, ela lembrou de Severus e um arrepio percorreu seu corpo. Ele ficaria arrasado quando soubesse o que tinha acontecido com a filha. Será que alguém tinha avisado a ele? Resolveu fazer essa pergunta em voz alta para a diretora de Gryffindor, mas as palavras morreram em seus lábios no momento que escutou a porta da enfermaria abrir. Ann olhou naquela direção e seu coração gelou ao notar quem tinha acabado de entrar ali: a resposta para a pergunta que faria, Severus Snape.
Junto com o professor entrou uma brisa gélida que parecia refletir a mistura de sentimentos negativos que estava presente ali naquele aposento, tomando conta de todos os presentes. O sentimento de tristeza, dor e perda. O sentimento de confusão, medo, preocupação. O sentimento de estarem com as mãos atadas sem poder fazer muita coisa para ajudar além de esperar, realmente não podiam.
Anne suspirou e se afastou um pouco do leito de Di para dar privacidade ao professor com a filha, se aproximando mais de Draco, que estava parado ao lado dos Grifinórios, também olhando para Snape com uma expressão de pena igual à de Minerva. Nenhum dos dois sonserinos conseguiu deixar de assistir à cena, era como se seus olhos estivessem grudados e fixos ali e não fosse capaz de desviá-los. O homem moreno parou à porta, parecia temeroso, porém logo caminhou até onde estava o aglomero de pessoas, mas parou a poucos passos da maca onde estava Diana, aparentando ter travado. Seu olhar, como era de se esperar, logo parou nos olhos de Di e Ann pôde notar a expressão de choque que assombrou o rosto de seu professor. O homem por instantes não se moveu, ficou apenas encarando o rosto da filha, incrédulo. Quando se mexeu novamente, Severus se aproximou do leito e tocou a mão da menina ali deitada, apertando-a. Black o viu estremecer um pouco com o contato e podia notar que os olhos dele marejaram; faltava pouco para que Severus Snape começasse a chorar, chorar de verdade.
Alguns instantes se passaram sem que nenhum barulho fosse ouvido na enfermaria, todos estavam praticamente inertes, perdidos em seus pensamentos ou em seus mundos de dúvidas. Madame Pomfrey e Minerva McGonagall tinham se afastado das pessoas que ali se encontravam e conversavam baixinho em um canto. Harry e Ron alternavam os olhares entre eles mesmos, Hermione e, de vez em quando, Anne e Draco. Estes tentavam dar privacidade ao pai de Di, que tocava o rosto da menina de forma carinhosa com seus dedos longos. Em seu rosto a tristeza e a preocupação estavam perfeitamente estampados, criando uma linha fina entre as sobrancelhas do homem. Seus olhos refletiam o quão difícil estava sendo aquele momento para ele e a morena de Slytherin entendia isso. Diana era tudo o que Severus tinha na vida e se ele a perdesse nada iria sobrar. Medo. Essa era a palavra que podia definir esse instante na vida dele. Seus olhos negros encontraram os da filha, verdejantes e gélidos, aparentemente sem vida. Ann podia enxergar plenamente o pensamento que se passava na cabeça do "tio" e professor, não precisava ser legilimente para isso. Era algo muito notável para qualquer pessoa que soubesse interpretar bem as expressões faciais: Seria assim se ela estivesse realmente morta?
O pensamento havia passado anteriormente pela cabeça da jovem Black também, mas ela logo tratara de afastá-lo, afinal não era o caso, Diana ficaria bem, assim como Hermione e tudo ficaria bem no final. Era a esse pensamento que ela se apegava, porém, aparentemente, para o homem à frente dela, não era o que ele ponderava, pois se aproximou mais da filha, quase encostando a testa à dela.
A primeira lágrima brotou logo, fazendo lentamente seu caminho pela bochecha dele e indo parar no rosto dela. Assim como a primeira, veio a segunda, a terceira, a quarta e depois disso Ann desviou o olhar, sentia o seu próprio rosto banhado pelo teimoso pranto que não foi capaz de segurar. Desistindo de fazê-lo, ela voltou a observar o que acontecia entre Severus e Di, sentindo seu coração quebrar ao ver que ele estava abraçado a ela como se sua vida dependesse daquilo. O homem chorava audivelmente e pedia em voz baixa que não demorasse para ela estar com ele novamente, pois sentiria falta de sua companhia, de seu sorriso, afinal ela era sua filha e ele a amava de forma incondicional. Nada podia mudar esse sentimento.
Anne, da mesma forma que os outros alunos, ficou olhando para Snape, lutando contra o ímpeto de ir abraçá-lo. Ele provavelmente não gostaria do contato. A jovem não precisou se torturar por muito mais tempo, porque naquele mesmo tempo a porta da enfermaria se abriu e revelou um Albus Dumbledore muito apressado passando pela mesma. O diretor cumprimentou os jovens com um aceno de cabeça e tocou o ombro de Severus, fazendo-o se levantar um pouco e sussurrando algo em seu ouvido, que fez o professor de poções olhar para ele e assentir, antes de dar um beijo na testa de sua filha e se levantar, saindo da enfermaria e sendo seguido por Albus e Minerva.
Os quatro ficaram parados ali por uns instantes, tentando compreender e absorver a cena que acabara de acontecer. Anne foi a primeira a sair da contemplação e fechando os olhos por uns segundos antes de abrir e olhar uma última vez para sua irmã do coração e puxou Draco saindo da Ala Hospitalar, com uma promessa em sua mente de achar o culpado e fazê-lo pagar.
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