Trio de Prata: O Início
2 Ano 2, Parte 1
Notas iniciais
Capítulo 2Ano 2
O segundo ano do Trio de Prata já começou animado quando olharam chocados e prestes a cair na gargalhada com um Ronald Weasley muito branco na mesa da Gryffindor recebendo um berrador. Após isso o ano correu normalmente, ou quase.
O Trio de Prata entrou no time de quadribol, Diana e Draco como artilheiros e Anne como batedora. Nott não ficou nem um pouco feliz com isso, nem com o fato de Potter ter sido escolhido apanhador no ano anterior, então deu ao time inteiro, menos a Snape, Malfoy e Black, vassouras Nimbus 2001 para poder ocupar a posição de apanhador. O Trio mencionado anteriormente não precisava, tinham suas próprias vassouras e as mesmas eram melhores que qualquer modelo Nimbus.
Os próximos dias decorreram sem nada muito extravagante acontecendo, tudo corria tão normal quanto se podia correr em Hogwarts, porém essa normalidade findou exatamente na noite do dia 31 de outubro, dia das bruxas.
O Trio de Prata jantava tranquilamente enquanto conversavam sobre a partida de quadribol que se aproximava; os três ansiavam muito pelo o jogo e Diana estava frustrada por terem escolhido Theodore como apanhador apenas pelo fato de o garoto ter dado as vassouras novas ao time. Às vezes a garota sentia repulsa de seus colegas de casa, ambiciosos e comprados facilmente. Anne e Draco compartilhavam do mesmo sentimento, não gostavam desse tipo de situação. O que conta em um time é a habilidade do jogador e não a quantidade de dinheiro que sua família tem.
Repentinamente a jovem Black parou de ouvir a conversa dos amigos e começou a prestar atenção ao seu redor, imaginava ter escutado uma voz masculina dizendo em um sibilo:
— Venha… Venha para mim… Me deixe rasgá-lo… Me deixe rompê-lo... Me deixe matá-lo...
A morena olhou assustada para todos os lados, tentando encontrar quem tinha dito essa atrocidade. Rasgar quem? A jovem não obteve resposta alguma, uma vez que não havia ninguém por ali que pudesse ter falado aquilo.
— Anne.. Você ta bem? — perguntou Diana, fazendo a garota em questão se virar bruscamente para ela, com os olhos arregalados.
— Me digam… — Anne iniciou sua fala lentamente, como se estivesse com medo de alguma coisa — Que vocês também ouviram isso.
— Ouvimos... O quê? — questionaram Draco e Di, parecendo preocupados.
— Essa voz… — a outra falou baixo, novamente olhando para os lados. Seus amigos se entreolharam, e Diana se aproximou mais de Ann.
— Que voz? — perguntou, prestando atenção na amiga.
Malfoy simplesmente negou com a cabeça, demonstrando não ter ouvido nada. Black olhou de um para outro, procurando algum sinal de que eles estivessem brincando com ela, porém logo escutou a voz novamente.
Rasgar.. romper… matar…
— Essa!! — a jovem exclamou assustada e arregalou os olhos.
— Ann… eu não to escutando nada, nada além das conversas no salão… Você pode ser mais específica? — pediu Diana, começando realmente a se preocupar. Será que sua irmã de coração estava ficando doida?
Anne novamente correu os olhos pelo local e não respondeu à amiga. Seus pelos começaram a eriçar, ela sentia que alguma coisa muito errada estava acontecendo ali.
— Anne… — o garoto loiro chamou a prima, que voltou sua atenção a ele — Você ta bem?
No momento em que a menina abriu a boca para responder a voz interrompeu novamente.
Tanta fome… tanto tempo…
Black fechou a boca, olhando para a parede atrás de onde seus amigos estavam sentados, o silvo parecia estar se movendo naquela direção. Diana e Draco também se viraram para aquele lugar, assustados pelo fato de sua amiga estar olhando para lá com tanto pavor nos olhos.
Matar… hora de matar…
Aturdida, Anne deu um pulo do banco em que se encontrava sentada, atropelando o menino que estava ali, do seu lado, e o derrubando também, porém não lhe deu atenção, fazendo com que Diana e Draco dessem um pulo de susto com a atitude da amiga.
— Anne!!! — a ruiva chamou quase em desespero, também se levantando juntamente do loiro.
A jovem Black já havia corrido metade do Grande Salão e parou derrapando ao ouvir seu nome sendo chamado.
— ANDEM! VAI MATAR ALGUÉM! — Anne gritou a plenos pulmões e continuou correndo, seguindo a voz que se pronunciara uma última vez:
Sinto cheiro de sangue… SINTO CHEIRO DE SANGUE!!
Di arregalou os olhos chocada, parando congelada no mesmo lugar. Um frio percorreu sua espinha ao ouvir a palavra “Matar”. A menina Snape olhou na direção do amigo que lhe sobrara ali e o mesmo tinha no rosto uma expressão que refletia a sua própria.
— O que a gente faz? — perguntou ele, ao que não obteve resposta de Diana, que apenas agarrou sua mão e o arrastou correndo atrás da irmã de coração.
Anne corria como nunca antes em sua vida, tentava seguir a voz que parecia se mover com rapidez. Subiu três degraus de cada vez, tamanha a pressa. Chegou ao corredor do segundo andar, percebendo que era aquele rumo que a voz havia tomado. Aumentou a velocidade, a jovem arfava, porém não podia parar. Continuou a correr, estava quase alcançando seu destino, porém acabou por trombar em alguém e sair rolando em um emaranhado de braços e pernas com essa pessoa.
Diana chegou não muito depois, cansada e frustrada pelo fato de que todo o caminho gritava por sua irmã e a mesma havia ignorado-a completamente. Estava tão chateada, que não conseguiu nem rir dela e do Harry rolando pelo corredor.
— ANNE!! — ela gritou exasperada. — Qual é o seu....? — sua voz sumiu e ao mesmo tempo ela arregalou os olhos e ficou pálida.
A jovem morena, ainda enroscada no garoto — que ela havia descoberto ser Harry Potter — olhou na direção de onde vinha a voz de sua amiga e franziu a testa ao ver as emoções que passavam pelo rosto da mesma. Ergueu o olhar, seguindo o de Diana, e sua expressão demonstrou puro horror ao enxergar o que de fato estava ali: Madame Norris, a gata de Argus Filch, estava pendurada pelo rabo e parecia empalhada.
Com isso ela conseguiu sair do emaranhado de pernas e braços, e se levantou. Anne se aproximou da gata, juntamente com o Harry.
— Ela... está dura... — o menino falou aparentando estar receoso. A sonserina apenas assentiu (sabendo que se não fosse uma situação tão ruim, ela teria revirado os olhos da frase óbvia do menino que sobreviveu) e se virou para amiga, para acalmá-la um pouco, mas viu a mesma ainda mais branca que antes, e apontando para algo acima de onde Anne se encontrava.
A jovem morena então ergueu o olhar e o fixou no ponto exato que chamara a atenção de sua irmã de coração. Piscou uma, duas, três vezes para limpar sua visão, tinha a certeza de que aquilo que enxergava não era real, era apenas efeito do cansaço do dia. Ela esfregou os olhos, aquilo certamente a ajudaria a ver direito o que quer que estivesse ali na parede, porém não adiantou nada. A mensagem ali escrita era clara: "A CÂMARA DOS SEGREDOS FOI ABERTA. INIMIGOS DO HERDEIRO, CUIDADO."
Hermione externou o primeiro pensamento que havia aparecido na mente de Anne quando disse:
— Foi escrito com sangue.
Aquilo foi o suficiente para tirar a ruiva sonserina de seu estupor, fazendo com que a mesma encarasse a grifinória.
— Ahh jura? Eu não tinha notado! — respondeu Di com o sarcasmo escorrendo. Sinceramente ela não queria ser grossa, mas a situação era tão ruim que simplesmente aquele era o único modo de esconder seu medo.
Anne, por sua vez, escutou o que sua irmã de coração havia dito e se virou para a mesma olhando-a de cara feia, como se atirasse adagas com o olhar, e quando ia expressar sua indignação com a forma que a mesma tratara Hermione — afinal ela própria tinha pensado a mesma coisa, só não teve tempo de dizer porque a menina de olhos castanhos praticamente havia lido seus pensamentos e externado-os — a sonserina de olhos azuis escutou barulho de passos, muitos passos, vindo do corredor de onde os seis alunos haviam acabado de correr. Os presentes ali, salvo Potter, que estava próximo da gata e lhe tocava a pata — para horror de Diana -, viraram-se para o local de onde vinham os passos e se depararam com Theodore Nott e seus dois amigos parados ali observando o que estava escrito na parede. Nott olhou para os seis alunos que chegaram ali primeiro e deu um sorriso carregado de ironia e sarcasmo.
— Inimigos do herdeiro, cuidado! Vocês vão ser os próximos, sangues ruins!
Parecia que essa fala do sonserino havia chamado a atenção de Argus Filch, o zelador da escola que chegou ao local da comoção parecendo um trem desgovernado, perguntando o que estava acontecendo ali de forma grossa e mal-humorada. O homem, porém, congelou no lugar (quase exatamente como sua gata, ficando por alguns instantes muito parecido com ela) ao ver o motivo de tanta confusão: as inscrições na parede e logo adiante Madame Norris pendurada pelo rabo.
O Trio de Prata se encolheu ao ver a expressão de fúria que o zelador fez em seguida, sabendo que não tinham pra onde fugir, apenas se entreolharam, sabendo que aquilo não seria bonito de se ver. Filch não gritou de início, mas questionou com a voz em um tom extremamente venenoso quem havia matado sua preciosa gata. Ninguém respondeu e o homem olhou na direção de Madame Norris novamente, perecendo só se dar conta naquele momento de que o aluno mais próximo “do local do crime” era Harry Potter, então se aproximou do menino com as mãos erguidas na direção do pescoço dele, aparentemente com a intenção de esganá-lo, porém felizmente isso foi evitado com a chegada de Albus Dumbledore e do restante dos professores.
Logo o diretor dispensou o restante da escola, exceto Anne, Diana, Draco, Harry, Hermione e Ron, os quais foram levados à sala de Gilderoy Lockhart, professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, juntamente com Minerva McGonagall, Severus Snape, Pomona Sprout, Argus Filch e obviamente Madame Norris.
Uma vez dentro da sala de aula, o diretor começou a cutucar a gata com a ponta da varinha, murmurando uma série de feitiços para reanimá-la. Os seis alunos estavam ao redor da mesa onde o animal se encontrava e se entreolhavam, com medo e ao mesmo tempo curiosos, afinal nunca tinham visto algo parecido com aquilo. A gata não estava morta, estava petrificada, segundo Dumbledore. O professor loiro então parou de andar de um lado para outro e abriu um sorriso gigante, como se tivesse acabado de descobrir a América.
— Ah! Bem que eu desconfiava! Sei exatamente o contra-feitiço que a teria salvado.
Diana, apesar da situação tensa, olhou para o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas com uma mistura de indignação e desprezo, assim como seus colegas de casa. Depois de dois meses de aula com Lockhart o Trio de Prata ignorava-o completamente pois o mesmo era um professor simplesmente horrível. Na opinião dos três era mais fácil que o homem tivesse sido morto (ou fugido) do que realmente salvo a gata, como ele dizia que teria feito.
Assim como os alunos fizeram, os professores também ignoraram Gilderoy, provavelmente fingindo que não o escutaram. Filch, que estava calado até aquela hora, voltou a acusar Potter de enfeitiçar Madame Norris e o mesmo disse que não havia feito, gerando uma discussão entre os dois. Nenhum dos três sonserinos sequer abriu a boca para apoiar Harry, afinal o receio de sobrar para eles era demais e a situação já não estava nada boa. Snape, que até aquela hora estava calado, comentou que talvez o sexteto apenas estivesse no lugar errado na hora errada. Contudo, enfatizou que não havia visto Harry Potter e os amigos no jantar.
O trio em questão justificou, dizendo que estavam na festa do aniversário de morte de Nick-Quase-Sem-Cabeça — se a situação não estivesse tão complicada, Anne teria interrogado-os sobre essa festa, pois havia achado engraçado e interessante o tema. Depois de mais alguns argumentos e contra-argumentos (aos quais novamente o Trio apenas observou, nenhum deles tinha coragem de se meter, ainda mais sendo Severus Snape quem discutia com os três Grifinórios) Dumbledore finalmente interrompeu:
— Inocentes até que se prove o contrário, Severus.
Argus olhou para o diretor como se não acreditasse no que ouvia, aparentemente para ele não importava o verdadeiro culpado desde que alguém fosse devidamente castigado por aquilo.
— Minha gata foi petrificada! Quero que alguém seja punido! — gritou o zelador, completamente fora de si. Dumbledore tocou o ombro do homem, aparentemente tentando consolá-lo.
— Vamos curá-la Argus. A professora Sprout recentemente obteve umas mandrágoras e assim que elas crescerem, vou mandar fazer uma poção que ressuscitará Madame Norris.
— Eu faço. — Lockhart entrou na conversa, de repente, atraindo a atenção de todos ali presentes, inclusive de Filch — Devo ter feito isto centenas de vezes. Seria capaz de preparar um Tônico Restaurador de Mandrágora até dormindo…
Sua frase foi interrompida por um bufo divertido vindo de Diana que, antes de sequer pensar no que estava fazendo, falou:
— Claro, com certeza! É mais fácil eu fazer essa poção que o senhor. — disse a ele com seu tom de voz mostrando o quanto a ideia de o mesmo fazer a poção era completamente ridícula para ela, e murmurou o final, que é claro todos escutaram. — É capaz de ele explodir a poção na própria cara.
O silêncio pairou na sala de aula, apenas o ruído das respirações era ouvido. Anne e Draco se entreolharam e depois olharam para Di. A morena deu um pequeno sorriso de canto, afinal sua irmã de coração tinha externado exatamente o que se passava em sua mente. A jovem Black olhou ao redor, os grifinórios pareciam estupefatos com a coragem da sonserina. Minerva tinha um pequeno sorriso, quase imperceptível, assim como Albus, que parecia não conseguir segurar o riso. Lockhart olhava para a jovem Snape e abria e fechava a boca, gaguejando coisas ininteligíveis. O pai da ruiva também tinha um pequeno sorriso nos lábios, mas seu tom de voz era severo quando se dirigiu ao outro professor presente:
— Creio que sou o professor de poções aqui nesta escola. — disse Snape num tom gelado. — Acredito que a obrigação de fazer a poção ainda seja minha, a não ser que tenha mudado e eu não fui informado.
Um silêncio constrangedor pairou na sala até o diretor quebrá-lo e falar que o sexteto poderia sair, recomendando máxima cautela a todos.
Os dois trios assentiram e saíram da sala rapidamente sem correr, e uma vez fora da sala eles correram para outro corredor, longe dali, em outro andar mais acima. Todos encostaram na parede para respirar, afinal subir escada correndo é um ótimo exercício, porém tirava o fôlego rapidamente.
Diana foi a primeira a lembrar exatamente o porquê de eles acabarem naquela situação.
— Posso saber agora, QUE MALDITA VOZ FOI AQUELA!? — perguntou a mesma exasperada para sua irmã de coração enquanto tentava recuperar o fôlego.
Anne respirava com dificuldade e ignorou a presença dos grifinórios ali quando respondeu à amiga, ofegante:
— Eu não sei… Eu só ouvi… Falava de sangue, falava que era hora de matar… — a jovem Black fez uma pausa em sua fala e respirou fundo — De início eu achei que era loucura da minha cabeça, ou o Pirraça com alguma de suas brincadeiras, mas a voz era muito clara. Vocês realmente não ouviram?
Di e Draco balançaram a cabeça simultaneamente em negação, e Ann virou a cabeça para o lado parecendo envergonhada pela situação, levando um susto ao ver o Trio de Ouro ali prestando atenção no que ela falava.
— Você também escutou?! — indagou Potter parecendo aliviado e chocado ao mesmo tempo, ao que a garota de olhos azuis apenas assentiu e não respondeu verbalmente.
— Espera... Calma.. — disse Di fechando os olhos e apertando a região entre eles com o dedo polegar e o indicador em forma de pinça em completa frustração. — Anne, Potter… Não tinha voz nenhuma. — ela disse lentamente e então olhou para Draco e o dois grifinórios restantes. — Certo? Vocês também não escutaram, não é?
— Não… Mas acreditamos no Harry. — Weasley disse de forma defensiva.
— Eu suponho.. que depois do que a gente viu, fica meio difícil não acreditar… — Diana falou revirando os olhos.
— Di… Calma. — disse Draco e Hermione olhava de Anne para Harry, aparentemente tentando entender a situação.
— Isso é muito estranho, não acham? — finalmente se pronunciou Hermione pensativa.
— Estranho? — indagou Black, confusa.
— Vocês ouviram uma voz, uma voz que só vocês ouviram e aí Madame Norris é petrificada. — explicou a morena. — É muito estranho…
— Estranho.. É dizer pouco! — comentou a ruiva, esfregando os olhos com o indicador e o dedão.
— Acha que a gente devia ter falado? — perguntou Harry. — Para Dumbledore e para os outros?
— Ficou maluco? — questionou Draco.
— Não Harry… Mesmo no mundo da magia ouvir vozes não é um bom sinal. — falou Hermione, arrancando um longo suspiro de Anne.
— Se fosse só o Potter, a gente até entenderia. Não me leve a mal. — disse a menina olhando para o garoto em questão — Mas você sempre está metido em confusão e as coisas estranhas sempre acontecem com você. Por que eu? — ela olhou para sua irmã de coração, tentando buscar uma resposta.
— Eu não sei An.. Eu realmente não sei… — disse ela com um suspiro derrotado e seu olhar ganhou um brilho de determinação . — Mas te prometo sis. Eu vou descobrir.
Black olhou para a irmã de coração e tinha uma expressão serena no rosto, sabia que Diana não a abandonaria e que a ajudaria, afinal é o que irmãs fazem. Ela deu um pequeno sorriso para a ruiva, agradecendo com o olhar. O momento de ternura das amigas foi interrompido pela voz de Ron Weasley, que disse um tanto chocado:
— Nunca imaginei que existia amizade verdadeira em Slytherin.
As duas meninas viraram para encarar o ruivo, lhe dando um olhar de morte.
— Como você se atreve, Weasley! — Diana exclamou revoltada. — Só porque somos de Slytherin não podemos ser amigos ou ter lealdade?! — continuou, sua voz num tom cada vez mais frio. — Eu garanto a você, Weasley, An e eu, somos mais que amigas, somos irmãs de verdade, mesmo que não seja de sangue! E eu realmente duvido que você entenda esse conceito.
— Mas eu tenho vários irmãos! — respondeu o ruivo, na defensiva, fazendo Anne revirar os olhos.
— De que adianta ter um monte de irmão se você não entende o valor que eles têm? — retorquiu a morena com veneno na voz. Ambas as meninas viram Ron ficar com as orelhas vermelhas, se era de raiva ou vergonha, não sabiam e não se importavam.
Ambas as sonserinas se entreolharam e, em um acordo silencioso, acenaram afirmativamente com a cabeça uma para outra, erguendo o queixo de modo arrogante e insolente. Viraram as costas para os alunos de Gryffindor e, sem esperar por Draco, saíram andando pesadamente; cada passo ecoava no chão e as duas meninas imaginavam o rosto do ruivo sendo esmagado sob seus pés.
Dias mais tarde o Trio de Prata se encontrava na Biblioteca pelo fato de que Draco ainda precisava terminar sua redação sobre o “Congresso Medieval de Bruxos Europeus” enquanto Diana lia o livro de Poções do quinto ano de seu pai e Anne lia um livro de Transfiguração Avançada. O loiro, a cada cinco minutos pedia que elas o deixassem ler a redação que fizeram, mas a resposta era sempre a mesma: não. Pois, de acordo com elas, ele teve muito tempo para fazer o texto, não precisava ter deixado para a última hora.
Em certo momento os três escutaram a voz de Hermione Granger, que estava na mesa do lado juntamente com o Potter e Weasley, falando que todos os exemplares de Hogwarts: Uma História haviam sido retirados e que tinha uma lista de espera de duas semanas. Certamente ela queria o livro pois seu intuito era de saber sobre a lenda da Câmara Secreta. Di fechou seu próprio livro e se virou para o trio Gryffindor falando que não era esse o caso. Que na realidade os professores tiraram os livros. Weasley levantou a cabeça de seu trabalho incompleto e a questionou sobre o porquê. A ruiva disse que eles não queriam que os alunos se preocupam com essa bobagem, palavras de seu pai. Hermione levantou as sobrancelhas e perguntou se ela tinha falado com o prof Snape sobre a Câmara. Diana disse que sim, mas que o mesmo não lhe tinha dito nada apesar de ela ter a plena certeza de que seu pai sabia algo, apenas não queria dizer.
Draco, que terminara sua redação naquele momento, falou que tinha perguntado sobre a Câmara ao seu pai, Lucius, e ele havia dito que a mesma havia sido aberta havia 50 anos, e que uma sang… nascida trouxa havia morrido. Anne olhou para ele e lhe deu um tapa na cabeça, questionando o porquê de ele não haver contado para elas antes. O jovem Malfoy apenas deu de ombros, dizendo que não julgava a informação importante, afinal não dizia onde era a entrada nem quem foi que abrira.
Potter então se manifestou dizendo que tinha que existir alguém disposto a compartilhar a informação. Mas quem? Essa era a questão. Nesse momento a sineta tocou e os seis arrumaram seus materiais rapidamente, indo para sua aula de História da Magia em seguida.
Ao chegarem à sala de aula os dois trios sentaram-se próximos e em poucos minutos Di e Draco estavam sonhando acordados, pensando em qualquer outra coisa que não fosse o professor Binns falando, afinal era a coisa mais chata de suas vidas, sem mentira. Aparentemente Anne e Hermione eram as únicas que tentavam prestar atenção nas palavras do fantasma.
A grifinória, para a surpresa de Ann, interrompeu a aula, perguntando o que o professor sabia sobre a Câmara Secreta e se ele podia dar-lhes alguma informação. De início o fantasma relutou, porém acabou por mudar de ideia ao ver que todos os alunos, sem exceção — mesmo os que haviam viajado para outra dimensão sem sair das cadeiras — tinham voltado os olhos para ele e estavam aparentemente interessados no que ele tinha a dizer sobre o assunto.
Binns começou seu relato explicando como e por quem Hogwarts fora fundada, falando que três dos fundadores coexistiam em perfeita harmonia, exceto um deles. Salazar Slytherin queria ser mais seletivo em relação aos alunos que eram admitidos na escola, em outras palavras, queria que o ensino da magia se restringisse apenas aos sangues-puros. Incapaz de persuadir os outros três, Slytherin decidiu abandonar a escola e, de acordo com a lenda, antes disso o homem havia construído uma câmara secreta, a qual ele selou e que só poderia ser aberta quando o herdeiro retornasse a Hogwarts. Diana, que realmente prestava atenção, indagou sobre o que exatamente havia dentro da Câmara. O professor aproximou-se da aluna, dizendo que o local funcionava como o lar de alguma coisa que apenas o verdadeiro herdeiro podia controlar, que a Câmara Secreta era o lar de um monstro.
Ao ver as expressões de medo e espanto no rosto dos alunos, o fantasma tentou tranquilizá-los dizendo que a escola havia sido revistada várias vezes e que a tal Câmara nunca havia sido encontrada.
Logo depois disso o sinal tocou e todos os presentes pareciam estar meio em modo automático quando se levantaram para ir embora e, novamente, o Trio de Prata e o Trio de Ouro estava junto. Uma vez fora da sala começaram a discutir de forma enérgica sobre o assunto. Ron questionava se aquilo era realmente verdade, ao que Hermione retorquiu dizendo que sim, que Binns estava preocupado, e Anne completou a fala dela, dizendo que todos os professores estavam, a exemplo do que Diana havia dito mais cedo na biblioteca sobre tirarem todos os livros que poderiam ter alguma menção sobre o assunto. Draco pontuou que então o herdeiro havia retornado a Hogwarts naquele ano e Harry concordou, questionando em voz alta o que se passava pela cabeça de todos ali: quem é ele?
Como se fosse uma resposta à sua pergunta, Nott e seus amigos passaram por eles. Weasley abriu um sorriso, dizendo que só poderia ser ele. Di fez uma careta, falando que Nott era um idiota, mas ser o herdeiro de Slytherin? Era algo de que realmente duvidava. Malfoy negou, concordando com a companheira de casa, afinal o pai de Theodore não era tão velho assim e não tinha frequentado a escola 50 anos antes. Hermione, que parecia estar alheia à conversa até aquele momento, disse que havia uma forma de descobrirem, porém que seria perigoso e que estariam quebrando no mínimo umas 50 regras, e que corriam o risco de serem expulsos caso fossem descobertos. Diana, inclinando a cabeça para o lado, indagando o que a garota de Gryffindor sugeria, ao que a mesma apenas respondeu “Poção Polissuco” dando de ombros, como se aquilo fosse algo muito comum e simples de se fazer. A outra sonserina apenas ergueu uma das sobrancelhas, dizendo que levaria um mês para preparar, mas que era algo realmente fácil de se fazer, e que tinha acesso aos estoques do pai, o que tornava a coisa ainda mais simples. Os garotos as olhavam como se as mesmas estivessem falando grego ou russo, pois não estavam entendendo nada. Anne se maravilhou com a ideia, dizendo que já tinha em mente em quem os três alunos de Gryffindor poderiam se transformar. Di fez uma careta e disse que ficaria feliz em fazer a poção, mas que não a beberia nem morta, ao que Ann revirou os olhos, dizendo que ela não precisava pois já era de Slytherin. A outra mostrou a língua para a irmã de coração, desejando boa sorte para Mione, Harry e Ron, os dois trios se separando ali mesmo, cada qual seguindo para sua próxima aula.
Ao final do dia, Di foi conversar com seu pai e conseguiu com muita facilidade a autorização para pegar o livro que continha as instruções para se fazer a Poção Polissuco, assim como os ingredientes. Foi tão fácil que a garota até sentiu uma pontada de culpa, afinal aquilo mostrava que Severus confiava nela por inteiro e se ele descobrisse ficaria muito decepcionado, certamente essa confiança se quebraria. A jovem então se encontrou com Ann e Drake (a ruiva havia dado esse apelido a Draco havia bastante tempo já), depois foram ao Salão Principal jantar. O Trio precisava dormir cedo, pois no dia seguinte começava a temporada de quadribol e o primeiro jogo seria exatamente contra Gryffindor e, como todos os três estavam no time, precisavam de um descanso maior.
O dia seguinte amanheceu com o sol entre nuvens, não estava tão calor, então estaria realmente bom para jogar. Não chovia, o que facilitava muito. Tanto Draco, quanto Diana, quanto Anne acordaram animados, pois era o primeiro jogo oficial deles vestindo a camisa de Slytherin e nenhum dos três faria feio, disso tinham certeza. Os três segundanistas possuíam a mesma vassoura, Air Wave Gold, uma vassoura de corrida de última geração mais fina e balanceada que as novas Nimbus 2001. O segredo estava no formato da cauda, que trazia grande estabilidade para quem a montasse. Em resumo, era uma ótima vassoura e os três estavam muito felizes com a aquisição.
A ruiva estava nervosa, não só por ser o primeiro jogo, mas também pelo fato de ser o dia no qual seu pai descobriria que ela estava no time. Ela não havia contado a ele, não por medo de que ele não deixasse, mas porque queria fazer surpresa. Di havia guardado sua mesada o ano inteiro, mas ainda assim faltava quando foi comprar a vassoura. Entretanto, sua irmã de coração e seu melhor amigo a ajudaram a comprar e a esconder, ficara guardada com Anne até o momento em que foram para Hogwarts. Finalmente chegara o dia em que seu pai descobriria, a jovem Snape estava com frio na barriga e queria fazer seu melhor, mesmo que não tivesse conseguido a posição de apanhadora como queria.
O trio foi ao Salão Principal para tomar o café da manhã, Anne e Draco vestidos com os uniformes, e Di com as roupas normais, afinal não queria estragar a surpresa antes da hora. A vassoura da menina estava guardada em seu bolso, como se fosse uma miniatura — ela e Ann haviam praticado o feitiço de encolhimento justamente para essa ocasião — assim como seu uniforme. Os três comeram o suficiente e, após um delicioso copo de suco de abóbora gelado, saíram do Grande Salão rumo ao campo de quadribol.
Uma vez no vestiário, as duas sonserinas fizeram as roupas e a vassoura voltarem ao seu tamanho real com um simples feitiço “Engorgio” e a ruiva trocou o uniforme escolar pelo verde do time. As amigas se entreolharam e ambas sorriram, tinham a sensação de que aquele jogo ficaria para a história e esperavam que a sorte estivesse do lado delas. Olharam na direção de seu amigo, que também olhava para elas como se dissesse “vamos lá, agora é a hora”. E foram em silêncio.
Chegaram no campo e uma onda de aplausos por parte dos sonserinos se iniciou. Os capitães de Gryffindor e Slytherin aproximaram-se do centro do campo e apertaram as mãos e então Madame Hooch deu início ao jogo.
Di não conseguiu olhar a arquibancada dos professores para ver a reação de seu pai, pois tinha que se concentrar no jogo. Ela e Draco foram atrás da goles, ajudando a fazer gols e tirar a bola do time Gryffindor, não reparando nada de errado, mas Anne percebeu. Como batedora ela viu um que um dos balaços não saía da cauda de Harry, nem com os gêmeos Weasley o batendo para longe. O balaço errante sempre voltava, como se tivesse um imã no Potter que o puxasse.
Não demorou muito para que Anne compreendesse que aquele balaço tinha sido adulterado. Balançou negativamente a cabeça; certamente era coisa do capitão do time de Slytherin. Parou no ar, acima de todos os outros, observando o garoto da cicatriz praticamente apenas fugindo do balaço e focando pouco em agarrar o pomo de ouro, dando tempo para Nott procurar, mas como este era um completo idiota, nem prestando atenção o mesmo estava.
Black ficou contemplando suas opções. Poderia deixar o jogo correr livremente sem que ela interferisse, deixar que Potter se virasse, torcer para que os gêmeos Weasley dessem conta do recado e não permitissem que o apanhador de Gryffindor saísse muito machucado. Ou poderia deixar o jogo de lado e perseguir o balaço a fim de evitar que o menino-que-sobreviveu saísse fraturado do campo, afinal não era justo o que foi feito. Obviamente a jovem de Slytherin queria muito vencer o jogo, porém não de forma desonesta, então decidiu pela segunda alternativa, não se importando com o fato de que poderia até ser expulsa do time se Marcus Flint decidisse assim. Anne Black não era o tipo de pessoa que agia de má fé com alguém.
A menina vasculhou o campo com os olhos à procura de Diana e logo a encontrou com a goles na mão, próxima à baliza de Gryffindor, se preparando para atirar a bola, o fazendo em seguida com precisão e perfeição, sem dar chance alguma para Oliver Wood segurá-la. A ruiva marcara um belo gol para o time de Slytherin.
Ann direcionou sua vassoura para onde sua irmã de coração se encontrava e seguiu voando perto dela. Chamou sua atenção e disse que iria ajudar Potter, mas que se a jovem ou Draco precisassem de ajuda ela não hesitaria em ir ajudá-los.
A ruiva concordou, achando estranho o que Anne tinha dito e por conta disso ela parou de jogar por um momento para ver o que se passava. Foi quando viu que Potter estava com problemas. Quando ele não estava com problemas? Ela se perguntou. E logo mais acima de onde Harry voava tentando fugir do balaço, viu o pomo de ouro, assim como viu Nott que estava rindo da situação do menino-que-sobreviveu do que prestando atenção no jogo. Queria esganar o garoto, e não duvidou que tinha sido ele que enfeitiçara o balaço.
Logo Drake apareceu ao lado da garota, questionando o que eles deviam fazer. Ela simplesmente deu de ombros, dizendo que não dava pra fazer muita coisa, não tinham bastões de batedores. Diana considerou a situação, Harry provavelmente tentaria pegar o pomo de qualquer jeito para acabar com o jogo e ela se recusava a perder na frente de seu pai, com isso esclarecido ambos voltaram ao jogo, ainda que em poucos momentos olhavam para ver como Anne, Harry e os gêmeos Weasley estavam lidando com a situação.
Black parecia um borrão verde voando no campo atrás do balaço errante tentando a todo custo afastá-lo de Potter, parecia ter tomado para si a responsabilidade de manter aquilo longe do garoto. Ela estava se cansando rapidamente, afinal não fora treinada para perseguir uma bola, esse era o trabalho de Nott, mas não tinha alternativa, ela não deixaria Harry Potter morrer — era o que estava parecendo ser a vontade do balaço, se é que balaços tinham vontade própria.
Anne não sabia quanto tempo de jogo havia se passado, nem prestava mais atenção, seu único foco era o maldito balaço, porém a jovem estava perdendo suas forças rapidamente. Não aguentava mais aquilo, porém não desistiu. Bateu na bola uma última vez o mais forte que conseguiu e, ao fazer isso, sentiu uma dor excruciante no braço, fazendo com que ela derrubasse o bastão no chão. O balaço retornou em segundos e a jovem Slytherin teve apenas tempo de reagir; voou na direção da bola e a agarrou, porém sentiu-a esfarelar suas costelas e tudo ficou negro. A última coisa que ouviu foi um grande “oooh” vindo da torcida.
Di estava perto dos aros pronta para fazer o gol, quando escutou a torcida, ela sabia que algo grave havia acontecido, mas tinha que fazer esse ponto, era importante para sua casa. Assim que a bola passou pelo aro, ela escutou o locutor dizer que Potter havia conseguido capturar o pomo, mas que ainda assim Slytherin havia ganhado por 10 pontos. Ela e Drake bateram as mão animados e então a ruiva começou a olhar para todos os lados procurando sua irmã de coração. Quando a achou, seu coração quase parou. Estava ela estatelada no chão, sem se mover e próximo dela estava Potter com o braço em um ângulo estranho.
Acelerando sua vassoura o mais rápido que podia ela fez o caminho até o chão, largando a mesma na areia, e correu até Anne, a chamando desesperadamente. Mas a morena não respondia, estava desmaiada, com isso Di ficou com medo de mexer nela, podia prejudicá-la ainda mais. Logo a sonserina percebeu o time de Gryffindor e Drake chegando por ali, assim como Lockhart, percebendo que ele fora diretamente até Harry Potter, que estava acordando.
— Ah não, o senhor não. — Di escutou o apanhador de Gryff falar, mas Lockhart não lhe dera ouvidos, apenas disse que iria consertar o braço dele. A jovem Snape fez uma careta, não ia sair coisa boa daquilo, e ela estava certa. Assim que o feitiço fora lançado, o braço do moreno ficou mole. Obviamente o que o professor tentou fazer não tinha dado certo e para desespero de Diana o homem se virava para Anne, e ela viu em seus olhos que ia tentar fazer algo com sua irmã. Ah! mas nem por cima do cadáver dela! Pedindo para que Drake ficasse com Ann, ela falou:
— Não chegue perto dela! — ela se levantou para colocar-se entre sua irmã, a qual estava deitada, e o professor sem noção.
— Eu posso ajudá-la. — disse o professor parecendo chocado com a atitude da menina.
— Ajudar? AJUDAR?! O senhor é um incompetente!! Não consegue nem dar aula de DCAT direito e fica se metendo na área dos outros professores! — falou revoltada. — Olha o que o senhor fez com o Potter!
A ruiva falou andando para frente e fazendo com que Lockhart se afastasse, gaguejando aparentemente ninguém o tinha tratado com tanto desrespeito. Não percebeu que o Diretor, seu pai e Minerva estavam vindo rapidamente para aquele local.
— Fique longe da gente, professor! — disse com toda a ironia que conseguiu reunir. Ignorando o homem, ela se agachou do lado de Harry, vendo que o braço estava completamente inútil. Suspirando, ela olhou para o Weasley e tirou seu cachecol. O ruivo reclamou com um “Oh!” mas ela o calou com um olhar. Assim conseguiu fazer uma tipoia para o braço, ou o que restava dele.
— Posso saber o que está acontecendo aqui? — perguntou uma voz que Di conhecia muito bem, era a voz de seu pai.
— Sim! — respondeu Lockhart e apontou para a ruiva. — Essa menina, é malcriada! Precisa que seus pais saibam urgente, para que ela seja punida adequadamente.
Severus semicerrou os olhos e dilatou as narinas, sua raiva era palpável e todos ao redor notaram isso. Respirou fundo e olhou na direção do professor loiro.
— Primeiramente. Quem cuida da educação da minha filha sou eu, ou lhe dei alguma autonomia para que fizesse isso? — a voz dele era fria e fez Gilderoy se calar imediatamente, branco, como se tivesse visto um fantasma — Segundo, professor, corrija-me se eu estiver errado, mas… O senhor transformou o braço de Potter em… — ele parecia estar contemplando a palavra certa para definir aquilo no que o braço de Harry se transformara
— Geleia? — disse Diana, interrompendo o pai, que logo em seguida assentiu.
— Diga, Lockhart, acha mesmo que é capaz de curar alguém? Ou é demais para o senhor? Pode ser que estrague seu penteado. — a voz de Snape era completamente carregada de sarcasmo.
Lockhart parecia estupefato com a resposta de Severus e não se dignou a responder. Apenas girou nos calcanhares com sua capa esvoaçante e se retirou do campo de quadribol de cabeça erguida. Diana somente revirou os olhos a essa atitude do professor e voltou sua atenção à irmã de coração que continuava deitada no chão desacordada. A ruiva suspirou, preocupada com Anne.
Albus Dumbledore, com um aceno de mão, levitou o corpo da jovem Black, dizendo que a levaria até a ala hospitalar. O diretor também seguiu na direção do castelo acompanhado de Minerva, esta pedindo para que Weasley e Granger levassem Potter também para a enfermaria.
Di se levantou de onde se encontrava, lentamente, torcendo com todo seu coração que seu pai não a visse saindo de fininho, e tentou acompanhar sua irmã de coração até Madame Pomfrey, porém deu dois passos e ouviu a voz de Snape chamando-a. Seu tom era inexpressivo, porém a jovem sabia que estava em apuros. Ela fez uma careta, reprimindo um suspiro e se virou para seu pai, com um sorriso amarelo. Quando falou seu tom de voz era doce e fino: Sim, paizinho...? Severus apenas proferiu um "Venha comigo" e indicou também o caminho do castelo. A garota fez um beicinho que seu pai não viu, pois a mesma estava andando atrás dele.
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