Trina

6 Capítulo 4 - A Bruxa Corrompida


Notas iniciais
Não sei como, mas eu tive a capacidade de pular um capítulo na hora da publicação. kkkk Atrapalhado? Nãaaao... Só um pouquinho! Aí está mais uma personagem para a trama, e devo dizer que gosto bastante desse capítulo, pelo modo como as coisas acontecem.

— Rápido! Tragam-na logo! – disse uma voz grossa e canina no meio da escuridão.

— Ela não quer parar quieta! – disse uma voz estridente e aguda, logo atrás da primeira.

— Huuummmmm! Huuuuuuuuuuummmmm! Huuum! Hum! Hum! Huuuummmmm! – a mulher amarrada e amordaçada, tentava gritar e fugir, enquanto a harpia e um ciclope se esforçavam para segura-la.

— Aahnn... Você podia carregar ela, né Lúbus? – O ciclope tinha uma voz anasalada e falava com ar de criança ingênua.

O Lobisomem que andava na frente deles, apenas virou a cabeça, olhou no olho do ciclope e rosnou. Um rosnado tão alto e apavorante, que durante um tempo, nenhuma criatura da floresta teve coragem de emitir qualquer som.

— Eu sou um lobisomem de sangue puro! – Falou aquele que pertencia à voz grave e canina — Chefe da Terceira Tropa da Bruxa! Já derrotei inimigos mais rápido do que o tempo que você leva para pensar! Não sou um serviçal! Sou um guerreiro! Não me peça para fazer o seu serviço de escravo! — O ciclope abaixou a cabeça, pois não aguentou encarar o rosto enfurecido do lobisomem, iluminado pelo luar.

No fundo, o ciclope pensava a mesma coisa de si mesmo, um escravo! Um burro! Mas a harpia não gostou nada dessa conversa, porque, afinal, ela também estava levando a prisioneira para o castelo. Então a carapuça lhe servia muito bem.

Então, de raiva, a harpia apertava os pulsos da garota com mais força. A puxava, empurrava e a xingava sem dó. A mulher por sua vez, de raiva, principalmente da harpia, contorcia-se com mais força, chutava e dava cabeçadas no pobre ciclope, muitas das quais acertavam no seu olho, já que ele se limitava a andar de cabeça baixa e a fungar o nariz.

Pobre ciclope. Foi ele que saiu perdendo no final da história.

Os ciclopes não são muito inteligentes, tem em geral o corpo muito grande, mas a cabeça desproporcionalmente pequena. Eles não têm a mente evoluída. São muito burros, ao mesmo tempo em que são muito inocentes. Não a espaço no cérebro para a malícia. Talvez, esse em especial, nunca tenha conhecido a bondade. Talvez ele trabalhe para a bruxa, porque acha que só existia essa opção.

A prisioneira bem que poderia ter lhe dado um pouco de carinho, porém em outra ocasião que não esta, em que ela era a condenada e ele o carrasco.

Finalmente estavam chegando ao castelo. Por entre as árvores da floresta, já se podia ver as torres se erguendo no horizonte. E nesse momento de distração, a prisioneira tentou um golpe de sorte.

Ela caiu no chão como se tivesse desmaiado, a harpia soltou seu braço e começou a lhe dar pontapés. O ciclope, ainda cabisbaixo, limitava-se a fungar e segurar a corda que amarrava a prisioneira. O Lobisomem, que estava mais a frente, parou e olhou para trás.

— Porque pararam? — A voz saiu como se fosse um rosnado furioso.

— Ela caiu no chão, acho que desmaiou – disse a harpia, enquanto se aproximava cautelosamente do lobisomem.

— Sniffff! Sniiiiffff! – fungava o ciclope.

O Lobisomem avançou na direção da harpia, deu-lhe uma braçada que a fez voar um metro, e continuou avançando na direção da mulher, então...

— Agreivi! – Ela gritou do chão – Tômilos duebra!

Então uma árvore próxima mexeu os seus galhos, sem sair do lugar, e um deles acertou em cheio o lobisomem que foi parar longe, as cordas que a amarravam começaram a se mexer e a desamarrar, por fim, a prisioneira, livre, começou a correr para longe, segurando a barra do vestido, enquanto que as cordas ganhavam forma de cobras, embora ainda com aparência de corda.

O ciclope se viu sendo enrolado por cordas que rastejavam e punham a língua para fora da cabeça.

— Ssssssssssss! — Sibilaram elas.

O lobisomem conseguiu dar um mortal em pleno ar e ao invés de se arrebentar de costas, ele aterrissou de cócoras, rasgando a terra com as garras fincadas no chão, parando a inércia.

A prisioneira estava correndo na escuridão, desesperadamente! Seus olhos não foram feitos para enxergar no escuro. Tropeçou e caiu. Levantou e continuou correndo.

A harpia estava agora lutando contra as cordas que tentavam prende-la, mas, em um instante, Lúbus apareceu e arrancou todas as cordas do corpo dela e do ciclope, como se não fossem nada.

— Vão atrás dela, AGORAAAAA! Rrrrrrrrrrrrrr!

Ainda em fuga, a mulher escutou o rosnado que vibrou por todo o ar, olhou para trás e continuou a correr. A Harpia alçou voo. A bruxa parou um instante, sem saber o que fazer. Atrás dela, barulho de grandes pancadas. Rapidamente ela começou a mexer nos arbustos.

Pãn! Pãn! Pãn! — Árvores caindo sob a clave do ciclope.

— Áaauuuuuuuuuuuu!

— Achei – disse a moça.

Ela pegou as finas folhas de uma planta amarela e começou a esfregar freneticamente em cima de uma marca no punho – que era uma flor de cinco pétalas dentro de um círculo, com quatro esferas no que seria o miolo da flor. A pele ficou irritada e a marca, negra como uma tatuagem, ficou rosa e começou a emitir uma luz dourada.

O ciclope abriu caminho até ela. De trás dele, o Lobisomem saltou a cerca de 5 metros de altura.

— Agreivi! – Dessa vez o lobisomem esperava por esse ataque. Ele agarrou o galho que vinha em sua direção, deu uma cambalhota de costas e caiu em pé na frente dela. A harpia que voava logo atrás do lobisomem já não foi tão rápida. Ela foi acertada em cheio pelo galho, que a arremessou para longe.

— Só sabe fazer isso? – rosnou Lúbus.

— Ainda tenho um truque – Ela lhe deu um sorriso malicioso – Encandeciênda!

Uma luz branca começou a surgir do peito dela. E foi aumentando, e aumentando; a ponto de não mais se ver o corpo dela, apenas se via luz.

O lobisomem e a harpia eram criaturas horrendas, criaturas da noite, quando a luz se acendeu, eles não conseguiam se aproxiamar, o brilho era tão intenso que os feria. Automaticamente deram alguns passos para trás enquanto cobriam os olhos com as mãos. O ciclope, parado de pé, observava a luz flutuante com um encanto sobrenatural, não se mexia, nem piscava, só babava. Jamais vira coisa tão bela.

A luz foi esquentando e amarelando, amarelando, esquentando, alaranjando, esquentando, avermelhando...

— Aaaaaaahhh! — E de repente, a luz voltou toda para dentro dela e implodiu em uma rajada de fogo que se espalhou pela floresta, atingindo todas as árvores em um raio de um quilometro.

Ela perdeu o controle sobre a luz. Deixou que virasse chamas.

Ela caiu jogada no chão, com árvores, arbustos e plantas sendo queimadas. O medo se apoderou da mente dela. De repente escutava na sua cabeça o grito de suas antepassadas, queimadas na fogueira, misturado com os gritos das árvores morrendo. Ela se contorcia no chão com as mãos na cabeça.

Lobos raivosos de todos os tamanhos começaram a aparecer por entre as árvores. Ela levantou o tronco devagar e o lobisomem a agarrou pelos cabelos. Erguendo-a do chão.

— Aaaaaaaaaaaahhh! – Ela segurou nas mãos dele, tentando aliviar a dor!

Ele a arremessou aos lobos e disse:

— Não deixem que escape! Rrrrrrrr! Ela não é o jantar! A Bruxa quer ela viva! Áaauuuu! – Seu uivo reverberava no ar com força e logo foi seguido pelo de todos os outros lobos.

Agora desacordada, a mulher foi amarrada nas costas de um lobo classe C – que eram do tamanho de ursos – e a matilha desatou a correr em disparada para o castelo.

A harpia os seguia pelos céus e o ciclope, esquecido por todos, tomou o caminho do castelo seguindo os "lobos bonitinhos". Porém, por mais que tentasse, ele não conseguia alcançar ninguém. Corria como uma criança gigante atrás de um brinquedo.

Quando a matilha estava chegando aos portões do castelo – que como todo bom castelo, tinha foço – a harpia, que tinha sido mais rápida cortando caminho pelos céus, entrou no castelo por cima do muro e deu sinal para que abaixassem a ponte.

Enquanto os lobos contornavam o castelo, a ponte começou a abaixar. A matilha chegou à entrada quando o portão estava ¾ abaixado, mas não se dignaram a esperar. Os que vinham na frente iam saltando pela ponte até que ela estivesse totalmente arreada e os lobos dentro do castelo.

O castelo visto de dentro, nem se comparava com a aparência negra e assustadora que tinha do lado de fora. O exterior dava a impressão de que era um monte de lama acumulada, uma em cima da outra, como aqueles castelos que fazemos na praia, na beira do mar.

Ao chegarem ao pátio de entrada, a maioria dos lobos não prosseguiu viagem. Os que continuaram com Lúbus passaram por um corredor do castelo, que tinha duas fileiras de colunas de mármore claro, o mesmo mármore do chão. Nas paredes, várias tapeçarias em cores quentes e com os desenhos variados. Entre as colunas existiam estátuas e mais estátuas de minotauros, todos em posição de sentido e armados, feitos em ouro branco maciço.

Chegando ao final do corredor, se depararam com uma enorme sala redonda, com aproximadamente oito metros de raio. No centro, tinha uma enorme e linda fonte que se erguia a quase três metros de altura, com aproximadamente dois metros de raio.

O chão era feito com mosaico em cores pastéis e formavam um desenho que de baixo não era possível identificar. Um lustre de cristais e diamantes, que pareciam flutuar em espiral, descia do teto de doze metros de altura, descendo até quase encostar a ponta na fonte.

Sem parar por um minuto, o lobisomem, e o lobo que carregava a mulher começaram a subir os degraus da larga escadaria de mármore, que acompanhava o contorno da parede. Os demais lobos esperaram perto da fonte. Os dois subiram até o último andar e entraram por uma porta grande de carvalho que estava aberta.

Ao entrar, encontraram uma mulher com um longo cabelo negro e levemente ondulado, sentada em uma mesa redonda no centro da sala. Eles pararam abruptamente, e ela, que estava tomando chá, abaixou a xícara delicadamente, apoio-a na mesa e com ar de cansaço, fitou os lobos com seus olhos verdes cintilantes.

— O que aconteceu? – perguntou a mulher em um tom muito calmo, porém autoritário.

— Ela tentou escapar na floresta! Tivemos de persegui-la. – Disse Lúbus, que se apresentava sobre duas patas.

— Que danos isso nos causou? – disse ela, enquanto voltava a tomar seu chá sem olhar para o lobisomem.

— A nós, nenhum. Mas a floresta. Algumas árvores e plantas queimadas.

— Queimadas?!! – falou, olhando rigidamente para ele.

— Sim, ela conseguiu conjurar umas três magias.

— Isso significa que ela já deve ter o selo da aldeia! – Disse com um ar leve de descontentamento.

Ela andou em sua direção, olhou seu pulso e viu a marca.

— Solte-a e a coloque na cadeira. Não quero vê-los, ouvi-los ou senti-los aqui sem minha autorização. – falou com rispidez e força que teria dado medo em qualquer um, e que nem o próprio Lúbus, lobisomem da classe A, puro sangue a contrariaria.

Ele cortou as amarras do outro lobo, e pouso a prisioneira – desacordada – sentada em uma das cadeiras.

— Saiam!

Eles saíram e fecharam a porta.

A Bruxa lentamente se aproximou de um fogão antigo da cor azul, que ficava no quadrante oposto a porta de entrada e começou a mexer em uma panelinha de duas alças, com uma colher de pau. Acrescentou alguns ingredientes ao líquido fervente.

Seu sorriso malicioso dizia que a poção estava pronta.

Ela murmurou algumas palavras e o cheiro da panela começou a se espalhar pela sala. Impregnou em cada objeto, em cada canto, até que não se distinguisse mais o cheiro.

Voltou-se para uma pequena rosácea, ao lado esquerdo do fogão e viu tudo mudar. A luz tenebrosa da noite foi substituída pela linda, aconchegante e envolvente luz da manhã. Depois andou até as portas da sacada – que eram de madeira branca e vidro, do estilo francesa – e as abriu totalmente, deixando que entrasse bastante luz. As leves cortinas de cetim banco esvoaçavam com a brisa que ventilava a sala.

Em seguida, ela foi até um armário suspenso – perto fogão, que tinha aparência de cristaleira antiga da cor verde musgo e com portas de vidro – e pegou mais uma xícara. Apoio-a sobre a mesa – em frente a mulher desacordada – e por fim, foi até uma penteadeira – do lado oposto da porta da sacada – pegou dois pequenos frascos de vidro levou-os consigo até a mesa e sentou-se ao lado da mulher.

Um dos frascos, de líquido transparente vermelho rubro, servia para curar feridas, basta derramar algumas gotas nos lugares feridos. Já o frasco de liquido transparente roxo, era uma poção de inocência.

E foi esse último, que com um conta-gotas, ela colocou três gotas dentro da xícara – Não eram muito visíveis – Fechou o frasco, guardou no meio dos seios, virou-se para a mulher e delicadamente lhe passou a mão no rosto. Era um carinho tão suave e delicado, tão diferente dos acontecimentos dos últimos minutos, que fez a mulher acordar num susto.

— Bom dia, querida! – Disse a bruxa. – Quer um gole de Chá? – Levantou-se e começou a por chá para as duas.

— Onde eu estou? – Ela olhou ao redor — Quem é você? Cadê os lobos?! – Seu corpo enrijeceu – O que aconte...

— Caaaalma – disse ela, delicadamente. – Tome um gole de chá, vai te ajudar! E aí eu te explico tudo.

A bruxa lhe olhou tão afetuosamente que ela não resistiu, pegou a xícara que lhe foi oferecida – com as três gotas da poção roxa — adoçou o chá, mexeu com uma colherzinha de prata – clássica e bem antiga – e tomou um gole.

— Você está com a aparência péssima! Mas vai melhorar – Então, com um conta-gotas, ela começou a pingar a poção de cor vermelha nos ferimentos de sua "convidada".

Ela pareceu preocupada por um instante, mas reconheceu o líquido e deixou que ela continuasse.

— Então, vai me explicar agora?

— Claro! – Disse ela sem parar de curar suas feridas. – Depois de uma explosão que fez com que as plantas e as árvores pegassem fogo, eu fui até lá ver o que tinha acontecido. E encontrei você caída no chão no meio de tudo aquilo. Então eu lhe trouxe para cá. Poderia estar morta nesse exato momento.

Ela arregalou os olhos, com a perspectiva de estar morta.

— Para "cá" onde?

— Eu moro em um pequeno chalé na floresta. Bem vinda ao Lar! – a última fala soou como uma leve melodia.

— E os lobos?

— Quando eu cheguei não havia nenhum lobo, deviam ter ido embora! – Disse ela fechando o frasco e indo sentar do lado oposto ao da garota.

— Ããaannnn! – Tomou outro gole.

Se a moça prestasse muita atenção, veria um leve sorriso malicioso no canto da boca da bruxa, mas a poção da inocência impedia qualquer um de perceber e analisar tal micro detalhe.

Tal poção consiste no seguinte: A pessoa que a toma, começa a acreditar em tudo que lhe dizem, e começa a responder tudo que lhe perguntam. Ela perde a malícia de ponderar segredos e de duvidar de pessoas, porém não pode ser tomada a força, senão não funciona. A poção é baseada na simpatia das pessoas, por isso toda essa falsidade.

— Eu me chamo Bellona e você?

— Eu me chamo Solária! – tomou outro gole.

— Que lindo o seu nome! – ela deu um sorriso amável — significa "Filha do sol". Estou correta?

— Sim – Ela sorriu, enquanto tomava outro gole de chá.

— Você tem família, Solária? Pai, irmã, avó, tio, prima... Mãe?

— Sim! – Mais um gole de chá – Eu tenho muitos parentes em... – Gole de chá – em uma terra longínqua. – Outro gole de chá – Já mãe, eu não conheci ainda, eu tinha acabado de... – mais um gole — de chegar na aldeia que elas estavam, mas não pude conhecê-las – Ela esticou os braços com a xícara na mão, pedindo mais chá.

O chá tinha um efeito viciante, e provocava nas pessoas a necessidade de toma-lo cada vez mais e mais. Algo como a extrema necessidade de tomar água no meio do deserto

— Claro, querida! – Ela começou a servi-la – E essa tatuagem que você tem no pulso? Você ganhou lá na aldeia?

Gole de chá – Sim... – outro gole – Elas me deram... – Mais um gole – Elas me deram essa marca, disseram que eu era uma delas... – Gole – E que se eu precisasse de ajuda... – Mais um gole – A ajuda viria, desde que eu fizesse a coisa certa – Outro gole – E aí você veio! – Ela sorriu amavelmente.

Bellona pareceu satisfeita com o resultado da conversa. Ela se levantou – calmamente – arrumou o vestido, apanhou um sino pequenino de ouro branco, que jazia em cima da mesa, e fez soar seu som.

Andou até o fogão, colocou a tampa sobre a panela que, até então, continuava sob chama acesa. Voltou à mesa e apoiou-se no encosto da cadeira onde estava sentada.

Ela olhou no fundo dos olhos de Solária, como um predador olhando a sua presa, e escancarou um sorriso malicioso. A luz começou a escurecer lentamente e uma sensação estranha começou a invadir o peito da garota.

— O que é isso? – perguntou com uma mistura de ingenuidade e medo, enquanto seu sorriso murchava.

— Isso, minha querida, é o futuro! – A sua voz agora parecia austera e ríspida.

Solária, ainda com a xícara nas mãos, fitou-a sem entender nada.

— Há séculos, nós, Bruxas, estamos sendo caçadas e exterminadas sem dó nem piedade. E o que fazemos para impedir? NADA! – Ela inspirou – Mas agora o jogo virou, eu não vou mais apenas esperar que a grande Deusa Mãe faça alguma coisa por nós! Nós é que temos que nos salvar! Nós é que temos que acabar com toda a escória humana!

A poção, que agora já não surtia tanto efeito em Solária, chegou ao fim no momento em que o lobisomem, acompanhado de dois outros lobos, adentrou pela porta.

"São os mesmo lobos"— Seu olhar procurava uma resposta lógica no rosto de Bellona, mas não encontrou – "Como pude ser tão tola?".

O medo começava a encher seu coração.

— Você que está por trás disso? Por quê?

— Há muito tempo, eles tiraram uma coisa de mim... – ela fez uma pausa e olhou para o próprio vestido – e agora é minha vez de retribuir o favor...

— Matando sua raça? – Solária levantou-se abruptamente.

— Não, não, não querida – seu tom de voz voltou a ficar doce – Ssshhhiiiuu! – Bellona aproximou-se rapidamente de Solária e passou a mão por seus cabelos platinados – Eu jamais lhe causaria mal... – aproximou seu rosto do rosto dela – ainda mais você! – Ela fitou-a afetuosamente – Você é especial.

Já de volta ao frio e a escuridão da noite, Bellona afastou-se e fez um sinal com a mão para Lúbus, que rapidamente agarrou a jovem e a imobilizou com os braços as costas, fazendo-a mais uma vez prisioneira.

Enquanto Solária se debatia, Bellona encostou o polegar direito sobre sua testa e pressionou ao mesmo tempo em que murmurou alguma coisa. Solária perdeu os sentidos e rapidamente Lúbus a colocou nas costas de outro lobo.

— Já sabe o que fazer – Disse Bellona a Lúbus.

Então ele virou-se e, junto com os outros dois lobos, saiu da sala.

Bellona andou até a porta da sacada, parou, apoiou-se no batente e deixou que o frio envolvesse sua alma.

"Está quase completo".

Ela olhou para a luz fantasmagórica de uma lua morta sob um céu sem estrelas.

"Só mais algumas e daremos início à etapa final!".

Ao longe, se escutava o uivo dos lobos, enquanto nos portões, um ser desengonçado de um olho só pedia aos soluços que alguém o deixasse entrar.

"Só mais algumas".

Notas finais
O que acharam da Bellona? Deixem nos comentários se acharam ela muito falsiane kkkk Vou contar um segredo, ainda tem muito dela vindo por aí.