Trilogia Sith

1 Capítulo 1 - Força Sith


Minha vida se resume em duas coisas, em caçar para alimentar-se, o que na verdade normalmente não dava em nada, e a consertar maquinas para o carrasco (meu dono).

Sim, sou uma escrava do distante planeta Tatooine, onde nasceram grandes nomes que ainda hoje nos assombram. A historia mais conhecida era de um homem que nasceu aqui, se tornou forte e quase dominou toda a galáxia. Mas nunca conseguiram dizer o que realmente ele era ou se a historia era realmente verdadeira. Apenas diziam o quão obscuro ele se tornara e que dava tanto medo de pronunciar o seu nome, que hoje em dia ninguém tinha coragem de pronuncia-lo. Mas grandiosidade parecia não está no meu destino.

O que se caçava aqui no meio desse deserto mal dava pra alimentar uma pessoa, mas nunca desisti de achar um animal grande e gordo, para comer algumas partes e vender o resto. Dedico-me mesmo aos consertos, e hoje, aos 20 anos, sou uma das poucas mulheres escravas que entende tanto sobre maquinas. Meu trabalho era requisitado, e mesmo com tudo isso, eu era tratada como uma sujeira na unha do meu dono. O valor que me pagava, não dava pra quase nada, mas não podia reclamar, pois qualquer sinal de revolta era punível com morte. Ou trabalhava ou morria.

Antes que eu esqueça, me chamo Kaliah, vivo sozinha, não lembro nada sobre ter uma família. Desde que tenho memória, trabalho para o carrasco e caço. Não lembro quem me ensinou a caçar ou a lidar com o trabalho, talvez o calor do deserto tenha feito esquecer esses detalhes, ou meu subconsciente o reprimiu pra diminuir a dor de estar sozinha. O que entendo dessa vida é isso, eu iria morrer ali na tentativa de sobreviver, talvez morrer de alguma doença, ou de cansaço, ou de fome caso eu não consiga mais trabalhar pra ganhar comida ou caçar os minúsculos animais nesse deserto. Apesar de tudo, o meu destino era incerto e mesmo sendo escrava, um dia, tudo poderia mudar. Quem sabe...

Essa noite, deitada em meu nada confortável leito, eu tive um sonho no qual eu me lembro de ter desde que tenho memória. Um sonho perturbador de pessoas encapuzadas, lutando, sangrando em um local de fogo, muito fogo. Tinham vulcões e lava, um local que não morava ninguém. Os seres vivos eram apenas aquelas pessoas que estavam se matando por algum motivo. Eu estava lá. Olho pra minha mão e vejo uma espécie de espada iluminada. Sua cor vermelha era a mais forte das cores que já vi na vida, e se destacava comparada a minha roupa preta. A lava queimava só de chegar perto, e cheguei muito perto e minha roupa começou a queimar. Desesperada, comecei a tira-la, até que alguém me segura e diz: “- Vamos, a luta está perdida. Temos que recuar.”. Segurei com toda confiança que tinha na mão dessa pessoa e corri junto a ele. Uma máscara cobria o seu rosto e a manta que usava não dava pra saber quem estava ali me salvando do fogo. Então, eu escuto alguém gritar o meu nome alto, me viro, e antes que ver quem me chamou, eu acordo.

Já tive esse sonho inúmeras vezes, e cada vez o fogo ardia mais em minha pele, cada vez parecia mais real, e cada vez, aquele grito parecia muito mais alto.

Acordo suada, vendo a claridade dentro da cabine no qual durmo todos os dias. A realidade estava me esperando na oficina do carrasco em alguns minutos. Quem eram aquelas pessoas? O que eu estava fazendo ali no meio de uma guerra? Quem era aquela pessoa encapuzada que salvou a minha vida? Aquele grito, aquele grito parecia familiar. Esse sonho me atormenta mesmo sabendo que sou uma simples escrava, mesmo sabendo que o máximo que poderia acontecer comigo era a morte que poderia chegar a qualquer momento. Como alguém como eu poderia enfrentar uma guerra, nem ao mesmo sei lutar, nem ao menos sei me defender.

Então levanto e me limpo para um novo dia, o ajudante do carrasco já está batendo a porta, me chamando para o trabalho. É apenas mais um dia. Um dia sem guerra, sem armas brilhantes, nem pessoas encapuzadas lutando. Minha única luta era mesmo de sobreviver a mais um dia naquele deserto. Um dia, só mais um dia.

Chegaram algumas peças de algum entregador e minha missão hoje seria limpar todas elas. Sentada embaixo de uma tenda, toda aquela tralha suja de graxa teria que estar limpa ao fim do dia. Hoje não teria tempo pra comer, apenas trabalhar. Nada que eu não tenha passado antes. Sempre os mercadores trazem e vendem algumas peças usadas, achadas em meio de naves antigas, destruída em algum planetas próximos. São limpos e vendidos, ou utilizados em algum conserto futuro.

Ali próximo funcionava um taberna, onde era visitada pelas criaturas mais esquisitas da galáxia. Muitos vinham em busca de informações, ou apenas para descanso em rota para outros planetas vizinhos. Particularmente eu nunca entrei ali, não por medo de seus visitantes, mas porque enfim, não teria como comprar nada que se vendia lá dentro.

Hoje, três sujeitos me chamaram atenção. Eram altos, não muito fortes e nem muito magros. Usavam uma capa preta e um capuz. Tinham rostos fechados e sérios, um tinha o rosto coberto por uma máscara, que não consegui ver direito. Antes de entrar na taberna, avistei algo estranho preso junto à cintura de um deles. Era algo prateado e familiar, só não lembro onde vi aquilo antes.

Não conseguia parar de pensar naquelas pessoas, algo em minha cabeça me deixava tão curiosa, que mesmo sabendo que teria punição caso o carrasco me pegasse fora do trabalho, eu teria que ir vê-los mais perto e entender o porquê daquele pressentimento de que algo estaria pra acontecer. Essa curiosidade não era natural.

Mesmo com muito medo, me agachei e fui até a traseira da taberna, onde nunca ninguém vai, pois ali se jogava o lixo. Junto a parede, consegui avistar os três homens, sentados, conversando um com o outro e bebendo algo que parecia ser muito forte. Algo me atraia a eles, uma força dentro de mim agia sem saber o que era ou como explicar.

Então, de repente, o dono da taberna fala algo “- O que pensa que está fazendo aí?”. Os três homens olham todos de uma vez pra mim, e aquele que usava a máscara levantou-se. Sim eu o conhecia, eu o vi por vários anos, todas as noites dentro da minha cabeça, me salvando do fogo que me consumia e de uma guerra que parecia está perdida.

Com o susto cai no chão de costas, e desesperada, sai correndo. Corri o mais rápido que pude, olhei para o lado e o carrasco olhava para mim de boca aberta e quando olhei pra trás, eles estavam correndo em minha direção.

Não queria morrer ali, eles vieram me matar ou porque estariam me perseguindo? Minha única chance era correr, mas onde se esconder se tudo era deserto? Dunas e mais dunas de areia. Mesmo assim não conseguia parar. Só que eles eram mais fortes, mais velozes, até que chegou um ponto que me alcançaram. Não sei o que era exatamente aquilo que jogaram em mim, mas laçaram as minhas pernas de uma forma que cai no chão. Olhando para céu, eu pensava comigo mesma, “É agora, chegou o momento da minha morte e preciso aceita-la”. Fechei os olhos e fiquei na espera do golpe final.

Passaram-se alguns minutos e os homens não se moveram, então abri um dos olhos e pude ver um deles de mão erguida em minha direção, como se tivesse tentando capitar algo no ar.

– Sim, sinto muita força vindo dela. É ela que o mestre supremo sentiu. Tenho certeza. – Disse o homem com a mão erguida.

– Eu também consigo sentir. – Parecia uma maquina, aquela voz que saia de dentro daquela máscara, era uma voz forte e ao mesmo tempo suave, uma voz conhecida.

Não sabia o que fazer ou falar, abri o outro olho e os encarei. O terceiro homem estava distante, falando em uma língua que não conheço a um dispositivo em sua mão. Não aguentava mais aquele suspense, aquela dúvida se aqueles eram meus últimos suspiros, então falei: “- O que pretendem fazer comigo?”. Os dois homens que me encaravam continuaram em silêncio. — A nave está chegando. – Disse o outro.

Agora entendi, eles estavam me sequestrando, não sei por qual motivo, mas eles queriam a mim e estavam ali especialmente pra me levar. O desespero tomou conta de mim. O que pretendiam fazer e onde pretendiam me levar? Então, com nunca tinha feito antes, comecei a chorar.

O homem mascarado agachou-se próximo a mim e limpou as minhas lágrimas.

–Não vamos te machucar.

–Não vão? – Disse sem entender.

E antes que ele pudesse me responder algo, uma nave negra pousou ao nosso lado e de dentro saiu uma mulher com longas saliências saindo de sua cabeça, ela usava uma roupa parecida com a dos três homens, a diferença é que conseguíamos ver a sua pele vermelha em algumas partes. Ela me levantou, cortou as amarras das minhas pernas e me puxou pelo braço. Sem forças pra lutar contra aquilo eu simplesmente andei até a aeronave.

Dentro, parecia algo bem maior, me sentei próximo a uma janela, um dos homens sentou ao lado da mulher no comando da aeronave e os outros dois ficaram ao meu lado. Ainda com muito medo, olhei pela janela e vi tudo ficar menor, na verdade aquela cidade parecia minúscula de onde eu estava. Não fazia ideia de onde estavam me levando, mas as palavras do homem mascarado me confortaram um pouco, não vão me machucar. Assim espero.

Depois de alguns minutos de viagem, chegamos a um planeta vermelho, um pouco diferente de Tatooine. Tinham morros de terra dura, pedras, e ruínas, muitas ruinas. Parecia um palco de muitas guerras antigas. Não parecia ter água em canto nenhum, apenas terra e montanhas. O tom avermelhado do local dava um ar sombrio ao planeta, não parecia ter sol nem lua, então, de onde vinha essa luz?

Descemos da aeronave próximo a uma montanha. Lá havia uma porta de pedra da cor dela como se fosse algo camuflado. Eu não tinha como me questionar, apenas esperar e ver no que isso tudo iria dar. Apesar do medo, as palavras do homem mascarado ainda soavam em meus ouvidos.

Era incrível a grandiosidade do local, era tudo muito mecanizado, e com vidro em toda parte, dando pra ver toda a movimentação das pessoas ali dentro. Era tudo muito limpo e organizado. E apensar da nossa entrada, ninguém nos olhava, simplesmente continuavam com seus afazeres.

Andando mais a frente, logo abaixo de nós, havia um espaço onde várias pessoas estavam em fila, todas de forma regular, como se tivessem esperando uma ordem. Então, quando menos espero, com um movimento, eles dão vida ao que estavam segurando, paro, encosto a mão no vidro e abro a boca, mas não consigo dizer nenhuma palavra.

Aquela luz vermelha, aquele tipo de espada de luz que apareciam nos meus sonhos estava ali, e varias delas, inúmeras e eram reais. Todos faziam o mesmo movimento como se fosse um tipo de ensaio ou treinamento de luta. Preciso admitir que aquilo tudo me encantava.

– Vamos! — Disse a mulher.

Então, olhei pra frente e voltei a andar.

Como isso tudo pode estar acontecendo? Como aquelas coisas podem ser reais? Porque o carrasco não fez nada pra me recuperar? As pessoas que vi em meus sonhos estão aqui ao meu lado, me levando para onde eu não sei. Até agora não consegui entender o motivo de estar aqui, uma simples escrava no meio de tanta coisa. Preciso de respostas.

Entramos num local estreito e com varias portas iguais todas numeradas. A porta no qual nos aproximamos tinha o numero 57 na porta e ela se abriu com um simples toque. Ela não possuía tranca interna, isso quer dizer que pessoas poderiam entrar e sair a vontade, mas não consegui ver se tinham como me prender ali dentro.

O cômodo era pequeno, tinha uma cama que cabia uma única pessoa e uma mesa com uma única cadeira ao lado. Aquele era o local no qual eu iria me instalar pelo motivo que ainda não sei.

– Fique aqui. Em breve voltaremos. Não tente fugir.

Fugir pra onde e como? Simplesmente assenti com a cabeça e sentei na cama. Aguardei que eles se retirassem e a porta se fechar.

Olhei ao redor, consegui ver algumas portas pequenas. Dentro de uma delas haviam algumas roupas pretas e acessórios, como cintos e sapatos. Entendi que essa era a cor que eles usavam e que os representavam. Eu não iria questionar algo assim.

Ao lado tinha outra porta maior, dava pra passar por ela. Era um banheiro bem limpo, como se nunca tivesse sido usado. Então, independente do motivo que eu estava ali, tomei um banho longo, não lembro quando foi a última vez que me senti tão bem. Depois coloquei uma daquelas roupas pretas, que alias couberam exatamente em mim e deitei na cama.

As chamas subiam em minhas pernas e estavam tomando conta do meu corpo. Minha pele ardia e o desespero tomava conta de mim até que ele me puxou e me tirou para longe dali.

Com um susto acordo e me dou conta que não estou sozinha no cômodo. Olho para o lado e ainda sentada na cama vejo que o homem que usa a máscara estava sentado na cadeira. Ainda atordoada com o sonho eu o pergunto.

– Porque esta em meus sonhos mesmo eu nunca tendo lhe visto antes?.

– Eu ainda não sei. Mas vim lhe dizer a razão no qual esta aqui.

Finalmente minhas perguntas iriam ser respondidas. O sonho continuará inexplicável, mas o motivo no qual me sequestraram iria finalmente ser esclarecido.

– Você está no planeta chamado Korriban, onde são treinados os melhores Siths existentes na galáxia.

– Siths? — Questionei.

– Sim, Siths. Somos nós. Seres com o poder de controlar a força. Habilidades de combate são treinadas com o tempo, mas a habilidade de lidar com a força você já nasce com ela e desenvolve com o tempo. Você só não sabia que a tinha. Nosso mestre supremo consegue sentir quando nasce um novo ser com a força, principalmente com a aptidão a ser do lado negro. Não me disseram porque não conseguimos capta-la antes.

– Lado negro? — Pergunto um pouco assustada.

– Sim. Existem dois lados da força, nós e os opositores que são chamados de Jedi.

– Então eu vim aqui para ser treinada a usar essa tal força?

– Sim. Entre outras coisas.

Dou um leve sorriso, não de deboche, mas um sorriso incrédulo.

– Como posso ser uma Sith se nem ao menos sei segurar uma arma? Não sei lutar sou apenas uma escrava que conserta maquinas.

– Você irá aprender tudo e com o tempo se tornará uma mestre Sith, assim como todos em potencial. Caso tenha.

Então foi que me dei conta o quanto a minha vida iria mudar dali em diante. Apesar do medo de uma guerra, de uma luta que nunca precisei enfrentar antes, eu estava ali para me tornar outra pessoa. Deixar pra trás a vida de escrava e lutar lado a lado com essas pessoas. Mas porque lutamos? Para qual luta estão me preparando? Contra esses Jedis?

– Porque Jedis e Siths são inimigos? Eles se opõem a que?

– Ao modo de como a galáxia está sendo governada.

– Não conheço nada além do meu planeta Tatooine, não entendo de politica. E nada que acontece entre os “senhores comandantes de tudo”, atingiu a mim. Até agora.

O homem mascarado fica parado por algum momento me encarando. Então ele diz.

– Agora está na hora de fazer a diferença. Você será treinada e será mais forte do que jamais imaginou. Começamos amanha!

Então ele levantou-se bem rápido, sem ao menos esperar que eu diga se sou a favor de tudo isso ou não. Acho que simplesmente não tenho escolha, mais uma vez minha vida está nas mãos de alguém que vai decidir se faço ou se morro caso negue a fazer.

Ao chegar à porta, ele vira-se e pergunta:

– Como é esse seu sonho?

Assustada e imaginando porque um sonho seria tão importante para alguém como ele respondo:

– Eu estava num local onde só havia lava e fogo. Lutávamos contra um exercito. Mas a batalha estava perdida, então fui tirada dali.

Ele baixa a cabeça pensativo e se mantem em silêncio.

Você me tira dali e me salva! De alguma forma.

Ainda de cabeça baixa e sem falar uma palavra, ele se retira do cômodo.

Não sei se é dia ou noite. Um som agudo me acorda e imagino que seja a hora de me por em pé e ir ao local onde começará o treinamento. Visto-me e ao sair sou surpreendida pela mesma mulher que me trouxe até aqui.

– Vamos, vou lhe levar até a sala de reuniões.

Sem dar uma palavra, sigo-a e sou levada até uma sala gigante e diferente do que imaginava, a sala não estava lotada. Estavam sentados apenas dois homens, um de pele avermelhada que nem a mulher que está ao meu lado e o outro o já conhecido mascarado. Ele, então diz:

– Eu serei seu mestre daqui em diante, vou mostrar lhe como se usa a força e passar todo o meu conhecimento de combate.

Assenti com a cabeça, mas continuei sem falar uma só palavra.

– Sente-se.

Eu o fiz.

Então nas horas seguintes, fui mostrada tudo sobre a força, de onde surgiu, o porquê de se nascer com ela, as formas de como usa-la e como se defender dela. Tudo em teoria, em telas gigantes. Não me incomodava estar aprendendo sobre algo que existe dentro de mim, apesar de nunca imaginar que isso poderia acontecer. Tirei todas as duvidas possíveis sobre a força e soube que nos dias a se seguir vou aprender a usa-la na pratica.

Quando a longa aula parecia está acabando, eu precisava entender uma coisa.

– Quando passamos pelo corredor de vidro, vi muitas pessoas treinando juntas. Porque estou sozinha? Não era pra ter mais aprendizes?

– Sim, nesse exato momento vários aprendizes estão sendo ensinados, mas o motivo no qual você está isolada é porque achamos que você possui um poder diferenciado. Um potencial diferente dos outros.

– E porque pensam isso de mim?

– Esse sonho que você teve, achamos que é uma premunição. São poucos dos Siths que tem esse poder. Apenas os mais poderosos a possui.

– E porque o senhor acha que é uma premonição?

– Porque estávamos preparando um ataque ao planeta Mustafar, que é exatamente como você descreveu. Não sabemos quantos Jedis sobreviveram ao nosso ultimo ataque. Mas estamos certos de que muitos foram treinados e é por isso que estamos aumentando o nosso número e procurando de forma mais árdua, novos Siths.

Ele se senta, e continua.

– Antigamente, Siths eram raros. Um mestre passava os seus ensinamentos a apenas um aprendiz. E assim se faziam mais mestres e mais aprendizes. Mas hoje em dia, com a guerra entre os dois lados da força, tivemos que melhorar nosso meio e aumentar radicalmente nosso número. Temos aliados, mas contra um Jedi, nada melhor que um Sith.

A sua voz com efeito de maquina já não me incomoda mais. Acostumei-me em tê-lo como mestre e a ideia de ser uma Sith já não me assusta mais.

Antes de sair eu o pergunto:

– Perdoe-me mestre, mas qual o seu nome?

– Me chamo Kylo Ren.

Aceno com a cabeça e saio.

Nos dias que se seguiram eu passei em uma sala de espelhos. Todo o treinamento de combate foi ali. Apenas eu e o mestre Kylo Ren. Fui me tornando muito boa na arte de combate e na utilização da força. As horas se passavam rápido, e apensar daquele planeta não ter a distinção de dia ou noite, meu organismo já se acostumou a tudo aquilo. Acostumei-me também a ter um mestre sem rosto. Nunca questionei o uso daquela mascara e apesar de estar me tornando uma Sith muito habilidosa, eu temia a resposta dessa pergunta.

Ali eu era bem tratada, comia e bebia como nunca tinha feito antes. Mesmo assim o meu corpo não mudou nada, continuava magra como quando eu era escrava, onde eu passava dias sem comer e que muitas vezes só comia uma ração que era me dado pelo carrasco.

Não gostava de lembrar o passado, após meses de treinamento eu preferia não lembrar da minha época de escrava. Eu estava bem ali, apesar de ser treinada para combate, eu me sentia segura de certa forma. E apesar de saber que uma guerra se aproximava, eu preferia muito mais ser uma Sith do que uma escrava.

Com o tempo, a minha intimidade com o meu mestre foi aumentando, e mesmo sendo bastante estranho, eu conseguia vê-lo por muitas vezes rindo por detrás daquela máscara, apesar de não fazer ideia de como ele seja de verdade. Mas os dias de treinamento estavam chegando a um ponto crucial. O meu mestre precisava me mostrar ao mestre supremo, mostrar tudo que aprendi e mostrar que estou apta a lutar lado a lado como uma Sith. Preciso mostrar se mereço o tal titulo.

Era uma sala gigante, cabiam milhares de pessoas ali dentro, mas só havia eu e o mestre Kylo Ren. Por trás das paredes de espelho eu podia ver alguns Siths sentados, esperando que a luta contra o meu mestre comece e eu possa mostrar o quanto estou preparada para receber o meu titulo como Sith.

Sabre de luz é o nome dado aquela magnifica arma luminosa, ela é feita de um cristal sintético que da a cor avermelhada a ela. Eu teria que usa-la contra o meu mestre junto com a força que aprendi a utilizar nos meus treinamentos.

E então começamos. A cada golpe que meu mestre me dava eu sentia o quando eu era muito mais fraca que ele, nunca o vi golpear com tanta força. Estava decidido e eu precisava estar também. A roupa que eu estava usando era bem mais pesada e atrapalhava um pouco os meus movimentos, passou um bom tempo ate eu me acostumar com o peso e poder usar toda a minha força contra o mestre. Era notável que eu estava ficando mais rápida.

A força era algo que estava me incomodando, pois sempre que eu a usava contra o mestre, ele conseguia bloquear, mas eu nunca conseguia fazer o mesmo e ele sempre a usava de uma forma que eu acabava sendo jogada contra o chão. Nos treinamentos parecia muito mais fácil do que naquele momento, não importa o quão eu estava bem na luta com o sabre de luz, não conseguir utilizar a força de forma correta iria me fazer reprovar nesse teste. Era um adeus ao meu titulo de Sith.

Não aguentava mais, eu estava no chão, suava e respirava pesado. O mestre se aproximou e levantou o sabre sobre a minha cabeça. Iria ele dar aquele último golpe e me matar ali mesmo? Então se eu não passar no teste significaria a minha morte? Eu não podia deixar aquilo acontecer, eu não podia desistir agora depois de tudo.

Foi tudo muito rápido, assim que o meu mestre estava realizando o golpe que tiraria minha vida, eu o surpreendi com três golpes que mudaria tudo e me salvaria.

O primeiro partiu o seu sabre ao meio, o desarmando, o segundo fez com que ele se afastasse ao ponto que eu pudesse me levantar em um simples salto e o último fez com que sua máscara caísse ao chão.

Ele parecia não ter mais que a minha idade, tinha cabelos longos e negros, seus olhos eram azuis muito claros e tinha uma pele muito pálida. O seu olhar era de raiva, uma raiva mortal, tenho certeza que se seu sabre não estivesse despedaçado no chão ele já teria me partido ao meio com ela.

Foi então que ele mudou completamente a sua fisionomia e deu um leve sorriso.

– Você conseguiu. Parabéns! Estou orgulhoso.

Os Siths que estavam sentados levantaram, aplaudiram e saíram sem falar uma palavra. O mestre me pegou pelo ombro e me guiou até meus aposentos. Ao passar pela máscara, ele a pega do chão e diz:

– Você me deve uma máscara.

Rimos juntos. Ele com certeza muito feliz pela missão cumprida e eu também muito feliz por ter passado no teste. Ainda mais feliz por finalmente conhecer o rosto do meu mestre.

– Porque sempre usa essa máscara? – Finalmente perguntei.

– Uso em memória de um grande mestre Sith, um no qual mantenho os seus ensinamentos vivos. Ensinamentos no qual você mesma sabe.

– Sinto-me honrada.

– Sim, ele nasceu no seu mesmo planeta...

Não consegui escutar o que ele falou em seguida. Então foi ai que parei e percebi que a pessoa que ele se referia é a mesma que só o nome atormenta um planeta inteiro, e quase conquistou toda a galáxia. Que mesmo morto reunia seguidores e adoradores de suas técnicas. Um nome no qual nunca aprendi mas que se alguém falasse eu saberia distinguir.

Parada a porta, boquiaberta, eu pergunto:

– E como ele se chama?

– Darth Vader.

Notas finais
Mudanças da história real de Star Wars.Bom, como notaram nesse primeiro capitulo, fiz aquelas premonições serem algo exclusivo pra alguns e não todos que usam da força e relembrando que a história de Kylo Ren não tem nada a ver com essa que escrevi. O treinamento de um Sith ou Jedi duraria anos, mas tive que resumir pois a história mesmo é sobre o romance que vocês vão ver no próximo capitulo.