Trilogia Badlands - O Útimo Inimigo

8 Você tem muito caminho pela frente, Anya


Spy surge no meio de vários guardas e pega um cigarro, enquanto os guardas caíram no chão, vendo que eles haviam levado backstabs. O mercenário acende o cigarro, enquanto Ivan observa seus guardas.

– Seria muita covardia matar uma mulher — disse Spy — Até nós, mercenários, temos mais honra do que você. Eu não acredito muito nessa frase, até mesmo porque eu acabei de matar seus colegas pelas costas, então eu seria um covarde, não desonroso.

– E quem diabos é você? — perguntou Ivan — Cadê meus guardas?

– Eu acabei de dizer — disse Spy — Além de covarde, é surdo?

Os outros guardas que haviam no lugar caíram no chão, enquanto Spy observa seu feito.

– Meu Deus, eu fiz uma grande bagunça — disse Spy — Agora, porque não liberta a garota antes que eu mande meus amigos explodirem a parte de trás dessa sua base?

– Libertar a garota? — perguntou Ivan — Você deve ser um dos do RED.

– Eu sou — disse Spy — Talvez não seja, talvez um Spy do BLU tenha tomado minha identidade e eu nunca irei saber, mas hoje eu acho sou do RED.

Ivan levantou a espada em direção de Spy, mas ele sumiu do nada, deixando o russo confuso.

– Bem atrás de você.

Ele se virou, procurando Spy, mas nem mesmo as pessoas a sua volta sabiam onde ele estava.

– Que tal aqui?

Ele se virou para Anya, vendo que a garota continuava no chão e amarrada.

– Você não é muito rápido, não é?

Ivan viu Spy sumir bem na frente da porta.

– O filho da mãe pode ficar invisível! — disse Ivan.

Scout sorriu para Miss Pauling, que pegou um dos revólveres de Spy e atirou para o teto de vidro. Engineer e Demoman ouviram o tiro, vendo as stickybombs presas na parede da base e a sentinela nível 3 um pouco afastada do lugar.

– Esse é o sinal — disse Demoman.

– Você primeiro, tapa-olho — disse Engineer.

– Você ainda me paga por me chamar de tapa-olho — disse Demoman.

As stickybombs explodiram, seguido com os tiros e os foguetes da sentinela no que havia restado da parede. Todas as pessoas que estavam no salão foram fugindo assustadas e Ivan perde Anya de vista com todo mundo fugindo e Spy corta as cordas que prendiam as mãos da garota com a faca.

– Belo discurso — disse Anya.

– Obrigado — disse Spy. Ele joga as cordas no chão — Estou aprendendo muito nessas últimos três anos.

Restando poucas pessoas no salão, Ivan vê Spy e Anya e os dois saem correndo do lugar, enquanto metade do salão começa a se partir ao meio. Engineer puxa o PDA de demolição e explode a sentinela e os dois mercenários começam a fugir do lado que ia cair. Ivan observa que a metade do salão cai montanha abaixo, enquanto Spy e Anya chegam no saguão de entrada e veem o resto da equipe RED e Maykon.

– Tinham que ver o Soldier atirando nos homens do Ivan! — disse Medic — Ele fazia todos voarem!

– Esse é o meu papel! — disse Soldier.

Eles veem quem chega e Scout se alegra.

– Anya! — disse Scout.

O casal corre para se abraçar e Scout a observa, vendo que ela estava com machucados no rosto.

– Meu Deus, o que eles fizeram com você? — perguntou Scout.

– Não importa agora — disse Anya.

Ele sorri e se beijam. Scout a abraçou fortemente, ele havia se culpado por ela ter sido sequestrada por Marloon e agora, ele não queria nunca mais se afastar dela.

– Scout, você vai me amassar aqui — disse Anya, rindo.

O mercenário riu e a olha nos olhos.

– Olha, me desculpe — disse Scout — Me desculpe, foi minha culpa você ter sido levada pelo Marloon. Ele enganou todos nós...

– Ei, ei — disse Anya. Ela colocou o dedo na frente de sua boca — Eu já disse, não importa agora. Importa que toda a equipe está reunida.

– Menos o Sniper — disse Pauling — Ele ficou lá em cima para vigiar tudo.

Anya olhou para toda a equipe, vendo que alguns estavam machucados e outros apenas com a roupa um pouco rasgada.

– Não acredito que vocês vieram até aqui para me salvar — disse Anya.

– Mas não é assim nos três anos? — perguntou Demoman.

Os mercenários riram.

– Menos o primeiro ano — disse Medic — O primeiro ano todo mundo ainda se odiava.

– Voltando ao assunto, vocês quase se mataram para vir me salvar? — perguntou Anya.

– Bom, você é da equipe — disse Soldier — E o Scout nos jogou em uma cachoeira e nos salvou, portanto, eu não tinha escolha.

A garota bateu no capacete de Soldier, que ria junto com a equipe.

– Cachoeira? — perguntou Anya.

– Longa história — disse Scout.

– Uma vez da equipe, sempre da equipe — disse Heavy — Mesmo que você também trabalhe para o BLU.

– Mann!

A equipe se virou, vendo Ivan, ainda segurando a Quase-Zatoichi, cheio de sujeira de pedras no terno.

– Ainda não acabamos! — disse Ivan.

A equipe tentou fugir, mas os homens de Ivan estavam na frente da porta, os impedindo de sair. Heavy começou a girar a metralhadora e eles apontaram as armas para os homens, mas Anya abaixou a espingarda de Scout com a mão.

– Abaixem as armas — disse Anya — O round é dele agora.

Sniper estranhou que vários homens de Ivan estavam chegando a base e como ele não tinha mais munição, ele se escondeu entre as mesas para que ninguém o visse. Ele desceu as escadas, foi passando de andar em andar e encontrou a equipe cercada pelos homens de Ivan. Spy viu Sniper no topo da escada e ficou invisível, desesperando os homens.

– O maldito que fica invisível! — disse Ivan.

Enquanto os homens ficavam olhando ao seu redor, Ivan puxa Miss Pauling e coloca a espada em seu pescoço, fazendo os mercenários se revoltarem.

– Apareça! — disse Ivan — Ou... Ou eu mato ela!

– É mentira! — disse Maykon — Você não mata ninguém que seja inocente!

Ivan suspirou e olhou feio para Maykon.

– Spy, se você teve alguma ideia louca, que seja melhor do que a ideia de nos jogar na cachoeira, eu sugiro que faça essa ideia — disse Pauling.

– Ei! — disse Scout.

Sniper sentiu que havia alguém ao seu lado e esse alguém o puxou pelo colete para cima das escadas, no outro andar. Ivan olha para a escada ao mesmo tempo, mas não vê ninguém, tira a espada do pescoço de Miss Pauling e a empurra para Medic.

– Deu sorte de não estar na minha lista negra, garota — disse Ivan — Ou estaria sem cabeça agora.

Sniper continua sendo puxado por alguém pelo colete e ele apenas pára quando chega a sala de vigilância, onde estava antes e Spy reaparece.

– Qual é o seu problema, francês? — perguntou Sniper.

– Eu acabei de salvar sua vida! — disse Spy — Agora precisamos achar um meio de salvar o pessoal.

Do nada, um dos painéis começa a apitar. Os dois se olham e Sniper aperta um botão que estava acima do painel.

– Hã... Sim? — perguntou Sniper.

– Base de Ivan Kovaski, aqui é Sebastian Laurent, chefe da equipe de Maykon Wright, estamos com sua base cercada pelos meus homens. Exigimos que o solte e não iremos abrir fogo, nem invadir.

– Hã... Vocês são os colegas do Maykon? — perguntou Sniper.

– Sim, mas quem é você? — perguntou Sebastian, pelo rádio — Você não parece ser dos homens de Ivan.

– Sou Sniper, da equipe RED.

– Espera, você não é um dos caras que derrotou o Gray Mann ano passado? — perguntou Sebastian, pelo rádio — Que se abrigou em nosso hotel?

– Eu mesmo! — disse Sniper. Ele olhou para Spy, que estava sério — Hã... O resto da minha equipe foi capturada, só sobrou eu e meu outro colega. Será que vocês podem nos ajudar?

Ivan limpa o que havia de sujeita no terno e apontou a espada para o pescoço de Anya.

– O homem que fica invisível me abriu os horizontes — disse Ivan — Eu não posso lutar com uma inofensiva garotinha e desarmada.

– Inofensiva garotinha? — perguntou Anya.

– Entretanto, posso fazer como meu pai fazia com quem era contra seus valores — disse Ivan.

Ele disse algo em russo, vendo que outro de seus homens trouxe outra caixa com outra Quase-Zatoichi.

– Você e eu vamos lutar — disse Ivan — Quem aguentar mais tempo e matar o oponente, vai poder tomar o controle de sua base. Quer dizer, que assim que eu matar você, a base de RED e BLU vai ser minha.

– E que quando eu te matar, sua base vai ser minha — disse Anya.

– Vai ser difícil, mas sim — disse Ivan.

– E se eu não quiser? — perguntou Anya.

Ivan apontou para o RED, que ficou na mira dos homens de Ivan.

– Quer que seus amigos sejam fuzilados? — perguntou Ivan.

Anya olha a equipe, pega a espada e rapidamente, Ivan a ataca. Enquanto os dois lutavam com a espada, Scout tentou avançar em Ivan, mas um dos homens apontou a arma em sua cabeça.

– Você não vai se mexer daqui, mercenário.

Alguém bate na porta do saguão, fazendo Ivan empurrar Anya para o outro lado do lugar.

– Ignorem — disse Ivan — Deve ser uma das cozinheiras.

Do nada, a porta se explode, revelando Sniper e Spy.

– O cara invisível! — disse Ivan.

– Isso é um ataque — disse Spy — Se entreguem...

– E não iremos abrir fogo — disse Sniper.

Os homens e Ivan riram.

– Abrir fogo? Com o que?

Os colegas de Maykon foram aparecendo ao redor de Sniper e Spy, com Sebastian e Maddy ao lado dos mercenários.

– Sebastian! — perguntou Maykon.

– Acho que isso é um ataque — disse Sebastian.

Imediatamente, os homens de Ivan começaram a lutar com os colegas de Maykon, junto com os mercenários, enquanto Anya e Ivan duelavam. Ambos lutavam bem, mas se continuassem assim, a luta nunca acabaria. Eles se cortavam, se batiam, se empurravam, se jogavam e até matavam ou homens de Ivan ou colegas de Maykon, então Anya começou a perder a força, após Ivan segurar um de seus ataques com a espada e a socou no rosto. Ela cuspiu algo que parecia ser sangue e voltou a lutar, já defendendo vários golpes de Ivan, e logo não tinha mais força para se defender, nem para atacar. Após dar outro golpe, Anya cai no chão, enquanto a arma voa longe. Ivan também cospe algo, vendo seu rosto com vários cortes, junto com o terno, tendo um pouco de sangue saindo e arrasta a Quase-Zatoichi, com o braço direito, enquanto o esquerdo apertava o profundo corte do ombro do outro braço, até Anya. Os mercenários pararam ao ver que Anya havia caído no chão e Ivan ia em sua direção.

– Pelo... O que eu ouvi, essa espada... É... É honrosa — disse Ivan — Então... Se sinta honrada... Por morrer por ela. Agora, pai...

Ele limpou o sangue da espada e a ergueu.

– Isso é por você! — disse Ivan.

A garota se encolheu e esperou pela morte, mas do nada outra Quase-Zatoichi atravessa o peito de Ivan, que deixa sua espada cair aos pés de Anya. Quando a espada foi retirada do corpo, Ivan lentamente caiu no chão e foi revelado quem havia o matado.

– Scout — disse Anya.

O mercenário ainda estava com a espada na mão, olhando para o que havia feito. Ele jogou a espada no chão e olhou para a namorada, que estava cheia de cortes no rosto e nas roupas, estando assustada. Mesmo que as ataduras das mãos de Scout tinham muito sangue, Anya se levantou rápido e o abraçou. Scout retribuiu o abraço, a apertando mais e a beijando no topo de sua cabeça, olhando para os longos cabelos ruivos da garota, com os outros mercenários os observando. E... Heavy e Demoman puxavam um pano preto que estava o corpo de Ivan. Eles chegam no salão novamente, indo até a parte que foi destruída e olharam para baixo, vendo o rio passando. Os dois se olharam, começaram a balançar o pano e o jogaram ao rio, enquanto Anya e Scout se aproximaram dos colegas e chutaram as espadas junto. Após tudo cair ao rio, o casal se virou a equipe, a Maykon e seus colegas. Todos estavam machucados, com alguns olhando na porta, mas todos observavam o casal.

– Então... Tudo acabou agora? — perguntou Soldier.

Todos riram e Scout abraçou Anya pelo ombro.

– Sim Soldier — disse Anya — Agora tudo acabou.

– Não tão rápido.

Do nada, os colegas de Maykon foram empurrados ao salão, vendo que Marloon e seus homens cercaram todos, apontando as armas. Maykon viu seu irmão se aproximando e entendeu tudo.

– Seu traidor! — disse Maykon.

Marloon atirou na perna de Maykon, que imediatamente cai no chão, apertando a perna e Miss Pauling e Medic correm até o homem para o ajudar.

– Fica quieto, Maykon — disse Marloon — Você é um idiota! Eu me arrependo de não ter te matado quando tive a chance e de ser seu irmão!

Marloon carregou a arma e apontou para Anya.

– Você — disse Marloon — Você vem comigo ou eu vou mandar meus homens atirar nos seus colegas, começando pelo seu amor.

Anya olhou para o time RED e Maykon, indo foi em direção a Marloon, que a puxou pelos cabelos, a trazendo mais perto. Scout tentou avançar no homem, mas Sniper e Spy o seguraram pelos braços.

– Você é um difícil de caçar, garota — disse Marloon — Mas agora que vocês mataram meu chefe, eu mando aqui e eu tenho controle de Dustbowl, e não Redmond, nem Blutarch.

– E o que você vai ganhar me matando? — perguntou Anya — Eu tinha contas com o Ivan e agora ele está morto! E eu não tenho nada contra você, apesar de que você nos entregou para o Ivan.

– Eu posso deixar o espírito dos meus dois chefes em paz — disse Marloon. Ele aponta a arma para a cabeça de Anya — Algo a dizer para seus amigos antes de se juntar a sua mãe no céu?

Ela olhou para todos, incluindo Maykon, que estava de pé com a ajuda de Miss Pauling e Medic.

– Eu...

Tudo começou a tremer e todos perceberam que o havia restado da base estava começando a cair. Os homens de Marloon acabaram caindo da montanha mais rapidamente pois haviam cercado o resto das pessoas, enquanto a maioria conseguia sair. Marloon e Anya se desequilibraram e foram escorregando montanha abaixo. Enquanto o RED estava saindo da sala, Scout se segura em um dos pilares e vê sua namorada caindo.

– Anya! — disse Scout.

Scout segurou a mão de Anya a tempo, enquanto Marloon se segurou na perna da garota.

– Pelo amor de Deus, não me deixem cair! — disse Marloon, desesperado.

– Eu até te chutaria agora, mas não sou esse tipo de pessoa! — disse Anya.

– Eu sei — disse Marloon — Por isso que você é fraca!

Marloon atira na mão de Scout, que acaba soltando Anya e ambos vão deslizando para fora da base.

– Não! — disse Scout — Anya!

Enquanto o RED voltou para a sala, Maykon puxou Anya pelo casaco, a trazendo para seus braços, junto com Marloon ainda segurando na perna da mercenária. Quando eles estavam prestes a cair, Maykon se agarra em um dos pilares que estava preso ao chão, sendo que devagar a base estava caindo.

– Bom, isso foi empolgante — disse Maykon.

– Concordo — disse Anya.

O pilar começa a se soltar do chão, vendo que estava aguentando muito peso e Maykon e Anya se olham.

– É muito peso, Anya — disse Maykon — Jogar o Marloon lá em baixo ainda não vai adiantar.

– Eu estou ouvindo, irmão! — gritou Marloon.

– Não...

Anya entendeu o que Maykon quis dizer e começou a chorar.

– Não! — disse Anya — Tem que haver outro jeito!

– Mas não tem — disse Maykon — Você ainda tem muito caminho pela frente, Anya.

– Mas e você? — os olhos da garota estavam cheios de lágrimas — Você também tem!

Ele riu.

– Eu? — perguntou Maykon — Eu não tenho mais o que fazer aqui, você já tem alguém para te proteger, tem uma equipe... Não, já acabou para mim.

O pilar vai começando a se desmoronar.

– Não temos muito tempo — disse Maykon — Se segura no pilar e eu tiro o Marloon da sua perna.

Anya ainda não aceitava e o abraçou, vendo que Maykon tinha algumas lágrimas nos olhos. Ele a beijou na testa e a ajudou a se segurar no pilar. Imediatamente, Maykon se soltou, se segurando no outro braço de Marloon.

– O que está fazendo? — perguntou Marloon — Nós dois vamos morrer assim!

– É o objetivo! — disse Maykon — Somos irmãos, eu não vou te abandonar, assim como você.

– Mas eu te abandonaria — disse Marloon.

– Eu sei — disse Maykon.

Maykon puxou uma faca do bolso e furou o braço do irmão, que imediatamente soltou a perna de Anya e os irmãos caíram montanha abaixo. A garota continuava chorando quando viu uma corda cair ao seu lado.

– Se agarrem na corda! — gritou Pauling.

Anya se agarrou a corda e foi puxada de volta ao salão, que assim que a garota havia pisado no chão, começou a cair. A equipe sai correndo do lugar, enquanto todo o salão e mais um pedaço da base caiu ao rio. Scout e Anya se abraçam, enquanto o resto da equipe recupera o fôlego.

– Espera... Cadê o Maykon e o Marloon? — perguntou Spy.

Scout observou que a pergunta havia mexido com Anya, que se ajoelha no chão.

– Ele... Os dois... Na verdade, o Maykon, me salvou — a garota falava com uma voz baixa — Maykon tinha se segurado em um pilar e para que um de nós se salvasse, ele tirou o máximo de peso possível. Ele puxou o Marloon e os dois caíram no rio. Ele me salvou.

A equipe se olhou, enquanto Scout vai até a namorada e a abraça.

– Eu sinto muito, amor — disse Scout.

Anya apenas suspirou e pegou a mão do namorado.

– Vamos embora, pessoal — disse Anya.

Continua...