Dustbowl, Badlands. A cidade parecia calma e quieta, sendo que não havia quase ninguém pelas ruas. Os postes de luz piscavam as vezes, dando a entender que a lâmpada iria queimar a qualquer minuto. Três carros vão cruzando a cidade, chamando a atenção de quem estava na rua. Rapidamente, eles chegam em grandes prédios que eram cercados com muros altos. O motorista de um dos carros sai do veículo e abre a porta do passageiro, saindo um homem de terno preto e cabelos loiros. Ele é acompanhado por vários outros homens, onde eles vão entrando em um dos prédios. Após subirem algumas escadas, eles chegam em uma grande sala cheia de móveis, que havia uma vista para a cidade de Dustbowl, pela parede envidraçada.

— Então, essa era a sala de meu pai? — perguntou o homem loiro.

— Deixamos tudo como estava, senhor — disse outro homem — Sabíamos que não iria querer que as coisas de seu pai fossem mexidas.

— Fez bem, meu amigo — disse o homem loiro.

Ele sentou em uma cadeira em frente a uma mesa cheia de papéis. Após se instalar bem na cadeira, ele suspirou e observou a papelada que havia sobrado de seu pai.

— Já sabem quem o matou? — perguntou o homem loiro.

— Sabemos exatamente quem é, senhor.

O outro homem entrega ao homem loiro um envelope. O homem loiro abre o envelope, tendo várias imagens de Anya Mann, a equipe RED e Maykon.

— Foi essa garota ruiva. Ela se chama Anya Mann, se juntou ao time RED e é uma mercenária.

— Mann? — perguntou o homem loiro. Ele olhou para o colega, desconfiado — Pelo o que eu saiba, nem Redmond, nem Blutarch tem filhos ou netos.

— Ela é filha do irmão deles, senhor, Gray Mann.

— O cara que enviou vários robôs para conquistar Badlands — disse o homem loiro — E ainda cercou essas terras ano passado. Eu estava saindo de Moscou quando isso aconteceu.

— Senhor Ivan, esse homem ao lado é o antigo colega dela. Ficou procurado em vários lugares por Badlands e agora se esconde em Teufort. Ele é o nosso único jeito de a encontrar.

Ivan pega a foto de Maykon, o observa e o joga na mesa, com nojo.

— O encontrem e o tragam para cá — disse Ivan. O outro homem pega a foto de Maykon em cima da mesa — Anya Mann vai ser capturada e morta em minhas mãos por ter matado meu pai, o líder de Dustbowl. Mas antes, eu preciso sequestrar quem ela mais ama no mundo, para que ela já tenha o gosto de como é perder alguém tão próximo.

E... Pipeline, Badlands. Ela vai andando pelos corredores vazios e escuros, carregando uma prancheta. Ao chegar em frente a uma porta que havia um painel com vários números, ela digita algo e a porta se abre, revelando a Administradora observando a batalha de BLU e RED pelas telas de vigilância, fumando um cigarro em uma grande sala.

— Hã... Administradora?

A mulher se vira e vê quem era.

— Ah! Anya! — Ela se levanta e larga o cigarro em cima da mesa — Pode entrar, por favor.

Anya entra na sala e vai até a Administradora, entregando a prancheta a mulher.

— Aqui estão os relatórios de criminalidade do mês sobre as cidades que a senhora pediu — disse Anya — Os outros, eu vou lhe entregar amanhã.

— Obrigada.

Enquanto a Administradora lê os relatórios, Anya observa as telas, vendo a batalha de RED contra BLU. Ela vê Scout, sozinho, empurrando o carrinho de Payload já para o ponto final, enquanto o time BLU não havia nem conseguido subir o carrinho na primeira rampa.

— Bom... Pelo o que parece, a criminalidade de Dustbowl subiu bastante. Tem algo nos outros relatórios que informe o começo disso?

— Não, senhora. Não sabemos como isso começou.

— Muito bem... Eu dou uma procurada nas câmeras. Já pode ir e só avise a Miss Pauling que precisamos de mais uma carga de munições. Peça a ela para ligar para Saxton e diga que é para colocar na conta de Blutarch.

— Sim, senhora.

Anya pega a maçaneta da porta e estava se preparando para a fechar.

— Anya?

A garota pára.

— Sim, senhora?

A Administradora pega o cigarro novamente e se senta.

— Me trate por Helen longe dos mercenários, de agora em diante. E mais duas coisas... Parabéns e é ótimo ter você no RED agora.

Anya riu.

— Obrigada Helen. É uma honra estar aqui.

A mercenária fecha a porta, a Administradora sorri e volta a olhar os monitores. Fazia tempo que não havia algo assim na base... E ela já tinha vivido o bastante para falar isso. Ela conecta o microfone na entrada escrita: “RED”.

— Vitória.

E... Alguns do RED entra na sala do spawn, enquanto outros vão se arrumando e se fazendo curativos.

— Eu ainda não acredito que vocês me deixaram empurrando aquela coisa sozinho! — disse Scout, indignado.

— Ora, não é você que disse que é o todo poderoso da equipe? — perguntou Heavy — Se vire, baixinho.

— Olha quem fala — disse Scout.

— Eu sou o mais alto de todos! — disse Heavy.

— Estávamos te dando cobertura enquanto o Sniper do BLU tentava te acertar! — disse Demoman — O mínimo que você devia fazer era nos agradecer.

— Eu empurrei uma bomba sozinho, enquanto o BLU tinha toda a equipe! — disse Scout — E mais, eu só vi você jogando granadas no Demoman do BLU e nenhuma vez você pegou o Eyelander!

— Eu não trouxe ele hoje — disse Demoman — Deixei ele no meu quarto.

— Na verdade, eu estou aqui.

A voz vinha do armário de Demoman, que socou a porta, assim que a espada falou. Scout ri e abre o seu armário, sendo que era o mais bagunçado da base, cheio de armas, latas de bebidas e até algumas de suas camisetas. Ele apenas olha a foto dele e de Anya na porta, quando Sniper sacode seu ombro.

— Ei companheiro — disse Sniper — Parabéns por vocês dois.

— Valeu, colega — disse Scout.

— Scout, já chegou seu aniversário? — perguntou Soldier.

— Idiota, é claro que não! — disse Demoman — Senão teríamos folga!

Scout fecha o armário e foi indo para a sala dos teleportadores, onde Engineer estava observando suas construções, bebendo uma cerveja.

— Já posso voltar a base? — perguntou Scout.

— Se os teleportadores estão liberados, sim — disse Engineer — Parabéns, colega.

Engineer bate algumas vezes no ombro de Scout e volta a base com a equipe. Scout sobe em um dos teleportadores e volta a base da fase 1, na sala do spawn, onde estavam Pyro, Miss Pauling, Medic e Spy conversando, enquanto Anya escrevia coisas em uma prancheta, em frente ao mural de avisos. Scout se aproxima da garota, a pega no colo, derrubando suas coisas, e a coloca no ombro, levando a garota até os mercenários.

— Scout! — disse Anya, se debatendo e rindo — Me solta!

— Admita, você não quer isso — disse Scout, rindo.

A equipe vê o casal se aproximando e Scout pega Anya no colo.

— Você é incorrigível — disse Anya, rindo.

— Eu sei — disse Scout.

Os dois se beijam e Scout coloca Anya no chão.

— Tinha até me esquecido que dia é hoje — disse Spy — Parabéns à vocês dois.

— Obrigada, Spy — disse Anya.

— Não vão fazer nada de especial? — perguntou Medic.

— Eu vejo ela todos os dias agora — disse Scout — Acha mesmo que precisamos de algo especial?

A equipe ri.

— Bom, eu conversei com a Administradora — disse Pauling — E ela concordou dar um dia de folga amanhã, mesmo que o aniversário de vocês dois seja hoje.

— Sério? — perguntou Anya.

— Claro! — disse Pauling — Vou aproveitar e ir em um psiquiatra. Demoman anda me enchendo de dor de cabeça para trocar o fogão da cozinha.

— É ele que anda cozinhando? — perguntou Spy, indignado — É por isso que eu não paro de ter dor de barriga esses dias!

— Nós não precisamos saber dos detalhes, Spy! — disse Medic — Mas realmente, ele pode nos envenenar e nós nunca saberemos!

— Bobagem, Medic — disse Pauling — Vamos, está quase na hora de fechar a base. Vão indo para o prédio se não quiserem me ajudar.

A equipe vai entrando no corredor que dava para o prédio central do RED, enquanto o resto da equipe chega pelo teleportador.

— Vamos pedir uma pizza antes que a Miss Pauling nos chame para jantar a comida do Demoman — disse Spy.

— Eu apoio! — disse Medic — Cada um contribui com algum dinheiro e ninguém fala para o Demo ou o Soldier!

— Eu concordo — disse Anya.

— Peça duas portuguesas, por favor — disse Scout.

Enquanto Demoman e Soldier vão para a cozinha, o resto da equipe vai subindo as escadas, em direção ao 3ª andar, onde ficava os dormitórios. Anya estava prestes a subir mais um lance de escadas, quando Scout a puxou pelo braço, a levando para seu quarto.

— Scout, eu preciso ir para o meu quarto!

— Você tem o meu, para que ir para o seu?

Mesmo tentando soltar a mão de seu namorado de seu pulso, a garota apenas ria e deixou o mercenário a levar. Eles param na porta do quarto, enquanto Scout tenta tirar a chave do bolso da calça.

— Você me faz passar como um bruto.

— Mas você é. Se me pegar no colo novamente, eu juro que grito para o Pyro colocar fogo no seu quarto.

— Ah é?

— Nem pense nisso!

Scout a pegou no colo, novamente a colocando no ombro, enquanto tira o molho de chaves do bolso e procura a chave entre as outras. Anya se debatia e ria.

— Scout, você é louco!

— Mas você me ama mesmo assim.

— Me põe no chão! Scout, me coloca no chão!

Scout encontra a chave, abre a porta e vai entrando no quarto.

— Me coloca no chão, seu louco!

— Você que manda.

Ele jogou Anya em sua cama. Enquanto a garota arrumava os cabelos todos bagunçado, o mercenário fecha a porta e observa sua namorada arrumar os longos cabelos ruivos.

— Você que me disse que era para te colocar no chão.

— Você realmente não tem jeito — enquanto colocava o cabelo para trás.

Scout a ajudou a se levantar da cama e a abraçou.

— Mas é assim que você me ama. Admita.

A garota riu.

— Eu admito.

— E esses olhos azuis de robô me olhando me deixam com uma sensação estranha.

— A única coisa que eu não posso mudar são eles. Que você se acostume com eles.

— Eu já me acostumei.

Os dois começaram a se beijar e acabam se jogando na cama, enquanto Spy fugia furtivamente de seu quarto, descendo as escadas para encontrar Miss Pauling fechando a base.

— Miss Pauling — sussurrou Spy.

A garota levou um susto e se virou para ver quem havia falado.

— Deus do céu, Spy! Não me assuste assim!

— Preciso de um favor seu — ele tirou um envelope do bolso e entregou a assistente — Peça oito pizzas, por favor.

— Não querem comer a comida do Demo, não é?

— Se você quer que a gente viva, faça isso.

A assistente parou e pensou.

— Se eu der dinheiro para mais uma, eu posso pedir uma para mim?

Spy riu.

— Eu sugiro a vegetariana. É minha favorita.

Ele começou a andar para trás, tira o kit de disfarce e pega um cigarro, enquanto puxa o isqueiro de dentro do terno. Miss Pauling olha o envelope e começa a caminhar para seu escritório, que ficava no mesmo andar. E... Scout entra em um bar. As pessoas ficavam o olhando como se ele fosse um bandido... E ele quase era, já que toda Badlands tratava o RED e o BLU como criminosos. O mercenário foi até o balcão, vendo que o homem atrás do balcão não se virava se jeito nenhum, como se realmente não gostasse de Scout. Após observar mais olhares feio, ele volta a caminhar pelo lugar, quando do nada, tudo começa a tremer. O chão começa a rachar, quebrando as tábuas de madeira, onde começou a abrir uma imensa cratera. A cratera ia se expandindo e as pessoas do bar iam sendo engolidas, mesmo que tentassem fugir. Scout foi andando para trás até onde o balcão estava.

— Scout!

O mercenário olha para o outro lado da cratera, onde vê uma Anya assustada.

— Anya, como você chegou até aqui?

— Scout, me ajuda!

— Ok, eu estou indo!

Scout se segura na perna de uma mesa, que estava presa ao chão e a cratera não havia chegado. Ele estica o braço, tentando alcançar a mão de Anya.

— Mais perto, Scout!

As mãos dos dois estavam quase se tocando.

— Amor, eu não consigo mais me esticar! Você vai ter que pular!

— Pular? Você ficou louco?

— Você herdou meu pulo duplo! Vamos, pule! Eu prometo que eu vou te pegar!

— Pular no chão é diferente do que pular uma cratera!

— Vamos, eu sei que você consegue, amor — ele observa a cratera — Rápido, antes que essa coisa se abra mais!

Anya pensou, mas quando se preparou para pular, ela é empurrada para dentro da cratera.

— Não!!

O grito da garota foi ouvido até ela sumir dentro da cratera e Scout olha para quem havia a empurrado. Era Maykon.

— Maykon?

— Você está perdendo seu tempo, Scout! — gritou Maykon — Se você realmente a ama, não deveria a perder para mim!

Scout se levanta assustado e com o coração disparado. Ele olha ao seu redor. Estava em seu dormitório, na cama, com Anya deitada ao seu lado. Após perceber que tudo era um sonho, ele tenta o esquecer, mexendo nos cabelos ruivos de Anya, que acaba se mexendo um pouco. Scout se levanta da cama e fica em frente da janela, ainda tentando esquecer o que havia sonhado. Anya acorda, se vira de lado e percebe a falta do namorado, quando percebe que as cobertas do seu outro lado estavam jogadas longe.

— Scout? — o mercenário se vira para ela — O que foi?

— Nada — ele estava tentando esconder o nervosismo — Eu... Eu só...

— Teve um pesadelo?

Scout parou e riu, indo até a namorada e a beijando na testa.

— Sim, tive. Mas não precisa se preocupar.

— O mercenário mais corajoso de Badlands ficou com medo de um pesadelo?

Ele sentou na cama e riu novamente.

— Eu não sou tão corajoso quanto você e o Soldier. As vezes até parecem que querem desafiar a vida.

A garota dá uma risada de leve, mostrando que ainda estava sonolenta. Scout tenta se levantar, mas a mão de Anya o impediu. Mesmo estando sonolenta, ela agarrou forte a mão do namorado, o lembrando de que ela havia herdado a força de Heavy.

— Tinha algo a ver comigo?

O mercenário parou e ainda tentou puxar a mão de volta, ela não o largava.

— Não — mentiu. Mesmo que Anya o conhecesse bem, ela não poderia se intrometer em seus sonhos — Não tinha nada a ver com você.

Ela o soltou, mas parecia que Anya não havia o largado ainda. Havia algo errado.

— Você mente muito mal.

— Anya...

Ela se virou para o outro lado bem na hora, o interrompendo. Ele havia esquecido que ela podia ler mentes e sabia do sonho. O mercenário se levantou novamente e foi para a janela, olhando a base do BLU, longe.