Trilogia Badlands - O Útimo Inimigo
5 Marloon
Os homens haviam acabado de entrevistar um carro que entrava em Dustbowl e observaram a van do RED chegar, estranhando que a van estivesse pintada muito estranha.
– Eu não gostei dessa van.
– Vamos ver se aqui tem as pessoas que o chefe disse.
A van foi parando, enquanto os homens observam quem estava ali dentro. Engineer estava usando uma peruca loira, sem seu capacete e havia trocado de roupa, parecendo que era um fazendeiro, enquanto Miss Pauling estava ao seu lado, sem óculos e de cabelo solto, usando um avental por cima da roupa. Um dos homens se apoiou na janela.
– Bom dia, cavalheiros — disse Engineer.
– Bom dia, senhor. Posso saber de onde veio?
– Viemos de Decoy — disse Pauling.
– O Vale dos Cactos? Mas isso é muito longe! Porque vieram para Dustbowl?
– Somos empregados do sr. Hale — disse Engineer — Ele pediu para que trouxéssemos esse carregamento de carvão em pedras, já que éramos os únicos que sabíamos onde era essa cidade.
– Bom, tem uma sede da Mann Co. logo aqui perto. Posso dar uma olhada ali atrás?
– Fique a vontade! — disse Engineer.
Os homens foram até as janelas de trás, vendo Scout e uma velha, sendo que os últimos dois bancos estavam com algo coberto por lonas.
– Esse é meu filho, Mark — disse Engineer — Mark, cumprimente os bons homens.
Scout nem olhou para os homens.
– Ele é assim — disse Engineer — E essa é minha sogra, mas eu acho que ela está acordada.
Os homens ficaram encarando a velha, que olhou para eles, zangada.
– O que estão olhando, seus pivetes? — perguntou a velha — Estão admirando minha beleza?
Eles ficaram paralisados com a mulher.
– Mamãe, não fale assim com os homens — disse Pauling — Me desculpem, senhores.
– Tudo bem... Eu acho... Podem ir.
O homem sinalizou para eles irem e a van foi seguindo para Dustbowl. Demoman, Heavy e Soldier e Spy, Pyro e Sniper saíram de debaixo da lona, enquanto Miss Pauling colocava os óculos, prendia o cabelo em um coque e Engineer tirava a peruca loira, jogando para o banco de trás e pegou o capacete de volta no chão.
– Valeu pela peruca, garoto — disse Engineer.
– Ainda não acredito que você tinha uma peruca loira na sua mala — disse Pauling.
– Minha mãe era loira e eu gosto de lembrar que eu poderia ser loiro! — disse Spy.
– Não quero nem ver isso — disse Demoman.
– Eles são mais burros do que pensamos — disse Sniper.
– Já posso voltar ao normal? — perguntou a velha.
– Não, acho que prefiro você assim — disse Scout.
– Como é? — perguntou a velha.
– Pense bem na resposta, garoto — disse Engineer — Ela pode se transformar em você, como um Spy.
A velha se transformou em Anya, que soltou o cabelo ruivo, que estava preso em um coque.
– Achei isso incrível, Anya — disse Pauling — Gray fez você absorver uma senhora idosa?
– Infelizmente sim, foi uma das primeiras pessoas que eu absorvi — disse Anya.
– Bom, isso nos ajudou bastante — disse Engineer — Agora, onde esse tal de Marloon mora?
Miss Pauling tirou um papel do bolso, o mapa que a Administradora havia deixado, mostrando onde eles deveriam ir.
– A montanha fica próxima da base da Mann Co. — disse Pauling.
– Então vamos para lá — disse Engineer.
A van foi andando por mais alguns quilômetros e vai parando, lentamente.
– Porque paramos? — perguntou Soldier.
– Porque parou? — perguntou Sniper.
– Eu não parei! — disse Engineer. Ele olha o marcador da gasolina e suspira — Sniper?
– O que foi, companheiro? — perguntou Sniper.
– Quando foi a última vez que você colocou gasolina aqui? — perguntou Engineer.
A equipe olha para Sniper.
– Hã... Sabe, teve uma perseguição lá no apartamento do Scout... Então... Isso deve ser a resposta — mentiu Sniper, rindo — Acha que depois de andarmos de Pipeline até Dustbowl não iria gastar nada?
Engineer riu, sarcasticamente.
– E agora? — perguntou Engineer — Como vamos chegar até o tal cara?
– A pé, como sempre fazemos — disse Pauling — Peguem as armas e caiam fora da van.
– Mas e as nossas malas? — perguntou Medic.
– Vamos ter que levar o essencial — disse Pauling — Porque não tem como levar o resto.
E... Spy, Scout, Medic, Demoman e Pyro estavam sem mochila e Engineer já havia colocado o uniforme novamente. Scout termina de colocar a peruca loira de Spy na mochila de Anya e a fecha.
– Ok, todos prontos? — perguntou Pauling.
– E a van? — perguntou Heavy.
– Pyro e Spy já deram um jeito nisso — disse Anya.
A van estava coberta por algum líquido que Pyro havia recém terminado de colocar e Spy, que estava fumando um cigarro, o joga na van, que começa a pegar fogo.
– Minhas coisas! — disse Demoman.
– Pare de reclamar, se você realmente se importasse, teria pegado o que queria — disse Scout.
– E mais, você só tinha bebidas na sua mala — disse Sniper.
– Por isso mesmo! — disse Demoman.
– Vamos indo — disse Pauling.
A equipe começa a andar em direção das montanhas, enquanto em um dos postes de luz havia várias câmeras, que viram os mercenários. Outros homens de Ivan, que vigiavam os monitores das câmeras avistaram o RED e puxaram o telefone.
– Senhor, temos companhia. O RED e a garota chegaram em Dustbowl.
Ivan falou algo que o homem concordou com a cabeça.
– Entendi. Eu mando o seu agente favorito ir pegar eles.
O homem liga outro número no telefone.
– Aqui é das câmeras de monitoramento, a garota entrou em Dustbowl e o chefe quer que você a pegue.
E... A equipe já andava a um bom tempo, já estando perto das montanhas que cercavam uma parte de Dustbowl. A temperatura aumentou drasticamente, fazendo os mercenários ficarem mais cansados rapidamente.
– Eu não aguento mais! — disse Demoman — Está muito quente!
– Precisamos aguentar, pessoal — disse Pauling.
– Mas não dá! — disse Demoman — Se eu soubesse que o emprego seria assim, teria o recusado a uns anos atrás.
– Então sua mãe iria quer que você procurasse outro — disse Engineer.
– Eu sei! — disse Demoman.
– Porque Redmond e Blutarch convenceram o pai deles a comprar esse pedaço de fim de mundo que é Badlands? — perguntou Spy.
– Porque toda a família Mann é louca — disse Pauling — Sem ofensas, Anya.
– Não, tudo bem! — disse Anya — Eu entendo.
Sem eles perceberem, o pingente da pulseira de Anya começa a se acender e foram ouvidos sons de passos.
– Estão ouvindo? — perguntou Sniper.
– Não somos nós — disse Medic.
Os homens de Ivan vieram por todos os lados, cercando a equipe. Mesmo que eles atirassem, eram muitos, fazendo a equipe ir se juntando na parede da montanha com os homens de Ivan os cercando.
– Estamos cercados! — disse Soldier, atirando.
– Eles são muitos! — disse Scout, recarregando a espingarda.
Quando o pingente da pulseira de Anya pára de brilhar, do nada, uma moto seguida de quatro jipes vieram por cima das montanhas e foram até a equipe, parando no meio dos homens de Ivan e os mercenários, atirando sem parar.
– Entra ai — o cara da moto usava óculos escuros, sendo muito familiar.
– Espera... Marloon? — perguntou Anya.
Ele tirou os óculos escuros, mostrando como era idêntico a Maykon.
– Exatamente — disse Marloon.
Imediatamente, Anya subiu na garupa da moto, enquanto os mercenários se dividiram nos jipes, que saíram em disparada. Enquanto os homens de Ivan observavam os veículos indo embora, a pulseira de Anya estava caída no chão.
– Como você sabia quem eu era? — perguntou Anya.
– Meu irmão pode ter nos traído, contado onde você morava para o Ivan, mas quando raramente nós nos falávamos, você era o primeiro assunto.
– Espera, foi o Maykon que contou para o Ivan? — perguntou Anya — Mas ele foi sequestrado! E como você sabe disso?
– Se acalma, garota. Você acha que ele foi sequestrado, mas não sabe que o Ivan estava atrás de você fazia um bom tempo — disse Marloon — Você matou o pai dele e ele quis vingança. Maykon soube que o Ivan estava atrás de você e ele pensou que entregando você, ele poderia firmar um acordo com a equipe dele e a do Ivan, mas se enganou. Ivan o prendeu, porque ele sabia que o Maykon era seu antigo colega e isso poderia dar um trunfo para ele. Eu tenho espiões na base do Ivan, ela não fica muito longe da minha, mas eu soube que meu irmão foi sequestrado por uma carta de uma amiga sua... Acho que ela era Helen.
A Administradora! Foi por isso que ela havia deixado a carta.
– Então eu resolvi ajudar vocês. Eu usei o rastreador da sua pulseira para te encontrar.
– Rastreador? — ela percebeu que a pulseira havia sumido — Espera, cadê ela?
Marloon riu.
– Talvez já na areia. Aquela era a antiga pulseira da minha mãe e, para não te perder, Maykon colocou um rastreador, porque ele queria saber onde você estava, a cada minuto e ela saiu do seu pulso como uma medida de emergência, porque Maykon deve ter falado para Ivan que ele tinha um rastreador em você. Eu sei porque fui eu que fiz, ele me pediu para fazer. E como ela foi retirada, você está a salvo.
Anya ouviu toda a história e pensou.
– Mas... Como fica o Maykon?
– Minha missão era apenas resgatar você e o RED, mantendo vocês todos a salvo — disse Marloon.
– Mas ele é seu irmão!
Ele suspirou negativamente.
– Eu sei — friamente.
Os veículos vão se aproximando de várias outras montanhas que eram muito maiores das outras. De longe podia se perceber que as paredes das montanhas eram grandes portas, que se abriram quando os veículos foram se aproximando e entrando em um grande hangar cheio de motos, aviões e carros de todos os tipos. Enquanto Marloon ajudou Anya a descer da moto, o RED se juntou perto deles.
– Então, você deve ser o tal Marloon, irmão gêmeo do Maykon — disse Engineer.
– Em carne e osso — disse Marloon — Essa pode não ser uma base totalmente completa que vocês tem no meio de Dustbowl, mas isso nos ajuda a vigiar as ações de Ivan.
– Vocês vigiam Ivan? — perguntou Spy.
– Antes do Ivan chegar aqui, nosso objetivo era tentar proteger os cidadãos de Redmond e Blutarch — disse Marloon — Mas assim que recebemos uma carta da sua amiga Helen, decidimos ajudar vocês a acabar com o domínio do Ivan aqui.
– Vocês receberam uma carta da Administradora? — perguntou Pauling.
Marloon tirou um papel dobrado do bolso e entregou a Miss Pauling, com a equipe ao redor da assistente para ler o que havia escrito.
– “Você provavelmente não me conhece, mas eu te conheço muito bem. Você é o irmão gêmeo de Maykon Wright, que talvez você não saiba, foi sequestrado por Ivan Kovaski, um russo que tomou o controle de Dustbowl e está a procura de Anya Mann, uma mercenária de uma das minhas equipes. Eu preciso da sua ajuda. Eu enviei para sua base uma das minhas equipes, dando coordenadas de onde precisam ir, por isso, eu peço que os proteja quando chegarem em Dustbowl e para que possam acabar com Ivan e seus colegas. Cabe a você decidir se vai ou não ajudar eles, pois provavelmente quando essa carta chegar até você, eu já terei sumido do mapa. A.”
Eles se olham e Miss Pauling parecia que tinha estranhado algo.
– A? — perguntou Demoman.
– Administradora — disse Pauling.
– E eu decidir ajudar vocês — disse Marloon — Por isso estamos aqui.
Ouvem-se sons de salto alto.
– Meu Deus!
Todos olham para trás vendo uma mulher loira, que olhava fixamente para Scout.
– Scout, é realmente você?
– Quem... É essa? — perguntou Anya.
– Kim? — perguntou Scout, espantado.
A mulher foi até Scout, fazendo barulho com seus saltos.
– Eu nunca pensei que te veria novamente — disse Kim.
Do nada, ela o beija, fazendo a equipe ficar espantada, menos Anya. Ela estava muito calma.
– Como vão as coisas? — perguntou Kim.
– É, Scout, como vão as coisas? — perguntou Anya.
O mercenário riu e olhou para Anya, que estava bem séria. Kim foi até Marloon e colocou os braços ao redor do pescoço dele.
– Já conhecia ele, amor? — perguntou Marloon.
– Eu fiquei com ele por duas semanas — disse Kim.
– E você não teve a cara-de-pau de me contar sobre suas ex-ficantes? — perguntou Anya.
– Mas... Mas eu não sabia que eu ia encontrar ela novamente! — disse Scout — E você... Você está com ele?
– Namoramos há três anos — disse Marloon.
– Ótimo! — disse Scout — Viu só, Anya? Ela estava apenas me cumprimentando.
– Jeito estranho de se cumprimentar — disse Soldier.
– Quieto, Soldier! — disse Scout.
– Bom... Queiram me seguir — disse Marloon — Vou mostrar onde vão passar a noite. Cuidado porque esse lugar é bem grande, então decorem bem onde vão ficar.
Enquanto Marloon e Kim se abraçaram, guiando a equipe, Scout olha para Anya, que estava série e de braços cruzados, mas Miss Pauling continuava no mesmo lugar, ainda olhando para a carta. E... Já era noite. Enquanto alguns homens de Marloon vigiavam as montanhas, Scout e Anya estavam em um dos quartos. Anya olhava pela janela, observando Dustbowl e Scout sai de dentro do banheiro sem a camiseta e a coloca quando vê sua namorada.
– Por quanto tempo mais você vai me ignorar?
– O tempo que eu quiser.
Ele coloca o boné.
– Está zangada porque a Kim me beijou?
– Talvez.
O mercenário riu. Era a primeira vez que ele a via com ciúmes.
– Anya Mann, você está com ciúmes?
– E se eu estiver, qual o problema? Quantas vezes você ficou com ciúmes quando eu falava com o Maykon?
Ela estava certa. Scout era o maior ciumento do casal, sendo que todas as vezes que Maykon estava perto de Anya, ele queria a afastar o máximo dele. Scout suspirou e foi se aproximando da garota.
– O que você quer que eu faça?
Anya se virou e olhou para Scout.
– Nada. Não faça nada!
– Olha, não precisa ficar zangada! Foi só um beijo!
– Só um beijo? Então eu posso deixar o Maykon me beijar quando ele quiser, não é?
– Nada disso!
– Então, para que você quis uma namorada, sendo que você deixa todas as garotas te beijarem? Acho que ficar com elas, como você fez com aquela... Aquela... Aquela lá, seria muito melhor!
– Eu...
Ele parou. Não tinha mais resposta para aquilo.
– Acho melhor... Eu acho melhor que você pense um pouco no que você fez, sozinho.
– Está terminando comigo?
– Não — ela estava quase chorando — Eu vou dormir no quarto da Miss Pauling hoje.
– Anya...
Ela jogou a mochila dentro do guarda-roupa e saiu do quarto, batendo a porta forte. Scout tentou ir atrás dela, mas quando pegou a maçaneta, ele a ouviu chorando no outro lado da porta. Sem reação, ele se encosta na porta e cai ao chão. Anya começou a andar em direção do quarto de Miss Pauling, quando sentiu que alguém a segurou pelo braço e a virou.
– Anya, o que houve? — perguntou Marloon — Está chorando?
– Ah, é você Marloon — ela limpou as lágrimas — Você me assustou. Não, eu...
– Você brigou com o Scout?
– Sim, mas não foi nada demais. Ele, as vezes é um idiota.
– Mas você ama ele?
– Amo! Claro que amo!
– Foi por causa da Kim?
– Acho que sim.
Marloon observa a porta do quarto do casal e volta a olhar para Anya, que ainda tinha os olhos vermelhos.
– Quer que eu converse com a Kim? Posso pedir para ela se desculpar...
– Não, está tudo bem.
– Bom e aonde você estava indo antes de eu te chamar a atenção?
– Eu vou dormir no quarto da Miss Pauling. Pelo menos ela me entende.
– Tudo bem, eu te acompanho até lá, para você não fazer nenhuma loucura.
Continua...
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