- Você é problemática, garota. Eu soube isso desde que te vimos naquele dia.

— Ela está rindo! Porque está rindo?

— Você precisa a conhecer mais.

— Do que ela tem medo?

— Meu nome é Anya.

— Ela ainda não te contou? Há uma coisa sobre ela que você não sabe, Scout.

— Uma garota?

— Eu prometo que ninguém vai lhe incomodar, pode descansar.

— Do que ela tem medo?

— Eu sou um robô, ok!

Anya, você não conhece ninguém lá! Você vai ficar perdida se for para lá sozinha!

— Ela não vai voltar a ser o monstro que você a chama de perfeita.

— Eu não sou sua filha!

— Conheço a Miss Pauling há seis anos e nós nunca saímos. Esqueceu da prancheta?

— Porque você estava fugindo dos robôs no dia em que te conhecemos? Porque você não atirou no Spy robô ontem? Do que você tem tanto medo?

Em nada mais ele sonhou.

- Scout, do que você tem medo?

— Eu não tenho medo. Eu apenas temo que eu nunca mais te encontre.

O sol foi entrando pela janela, com o cantoria de alguns pássaros. Scout se revira na cama, percebendo que o dia havia começado. Ele não queria levantar. Do nada, começa a tocar a música do exército dos Estados Unidos por toda a base, fazendo Scout tapar a cabeça com os travesseiros.

— São cinco horas da manhã! — gritou Spy — Desliga essa porcaria!

— Você não é dos Estados Unidos! — gritou Soldier — Você desonra esse hino!

— Soldier, eu vou voltar a dormir e quando eu acordar novamente, você vai morrer antes que o BLU consiga atravessar a ponte! — gritou Heavy.

— Não são cinco horas da manhã, suas maricas! — gritou Soldier — Eu atrasei todos os relógios em uma hora! Então é melhor se apressarem se quiserem me pegar!

Scout jogou os travesseiros no chão e se levanta. Após bocejar e se espreguiçar, ele pega uma caneta no balcão e risca um dia no calendário, mostrando que o dia atual estava circulado.

— Bem, já fez um ano — disse Scout.

Ele vai até uma cômoda e abre uma das gavetas, que haviam pedaços de jornais, fotos, papéis e uma caixa vermelha. Ele a pega e abre, tirando um colar com um pequeno diamante. O garoto fica olhando por um tempo e lembra dos sonhos.

— Onde você está? — perguntou Scout — Eu mal me lembro de você! Os sonhos não ajudam em nada.

Ele olhava para o colar e suspirou. Depois de um tempo, Scout coloca o colar no bolso da calça e põe o boné, quando alguém bate na porta.

— Scout, já acordou?

— Sim, o que é? — perguntou Scout.

— Temos que ir tomar café, companheiro. Miss Pauling me disse que a Administradora conversou com Redmond ontem à noite e que ele vai vir fazer uma vistoria na base daqui a pouco.

— Ok, valeu Sniper — disse Scout — Eu já vou.

Sniper parecia ter ido embora, já que o som dos passos ecoaram no quarto. Scout pegou o headset e saiu do quarto, olhando para a janela que ficava ao lado da porta. A base continuava como todos os dias: Cheia de balas no chão, sangue para todos os lados, marcas de tiros nas paredes e no chão e o de sempre: Soldier fugindo de Spy e Heavy.

— Nada como um dia após o outro — disse Scout.

O garoto sai correndo pelo corredor. E... Era o refeitório do RED. A equipe estava espalhada por várias mesas, enquanto um homem alto e magro vai levando um carinho com potes dentro pelo lugar. Ele vai dando um pote para cada um e quando Scout pega o seu, ele só vê um purê amarelo. Sniper estava ao seu lado e fica olhando a comida.

— O que diabos é isso? — perguntou Sniper.

— Parece que esmagaram um pão e depois congelaram — disse Scout — Porque isso me parece frio.

Miss Pauling e a Administradora entraram no refeitório. A assistente entra com uma prancheta na mão, seguindo a sua chefa, que fumava.

— Bom dia, cavalheiros — disse a Administradora — Como estão?

— Tirando o fato de que o Soldier nos acordou meia hora antes do esperado e que esse angu que nos serviram parece que esmagaram algo — disse Spy — Sim, todos estamos bem.

— Eu não tinha opção! — disse Soldier — Tínhamos que acordar cedo! O BLU está nos espionando!

Pyro: Quem disse?

— Eu sinto isso! — disse Soldier — E quando eu digo isso, podem apostar suas munições nisso!

Scout se levantou rapidamente.

— Fica quieto, Soldier! — gritou Scout — Se lembra o que aconteceu da última vez que você disse isso?

— Da maleta? — perguntou Soldier.

— Não — disse Scout — Do que aconteceu à um ano atrás.

Soldier pensou e se deu conta.

— Oh — disse Soldier.

Scout se sentou novamente e a equipe se olhou.

— Ok pessoal — disse Pauling — Vamos... Parar de se odiar por algumas horas. Redmond Mann vai estar aqui em pouco tempo para conversar com todos, então comam isso e vão para a sala de reunião.

Engineer levanta a mão.

— Miss Pauling? — perguntou Engineer.

— Sim Engineer? — perguntou Pauling.

— O que é exatamente isso? — perguntou Engineer.

— Quero meu sanduíche — disse Heavy.

— Bom... O cozinheiro pegou uma doença que não sabemos qual é, por isso demos folga a ele por uma semana — disse a Administradora — Isso me lembra, vocês todos precisam fazer exames para ver se estão bem. Medic, depois eu falo com você.

— Sim senhora — disse Medic.

— Mas isso ainda não respondeu minha pergunta — disse Engineer.

— Acalme-se senhor Conagher — disse a Administradora — Como mais ninguém aqui nessa base sabe cozinhar, tivemos que improvisar e fizemos um amassado de frutas.

— E o meu sanduíche? — perguntou Heavy.

— Seu sanduíche foi levado para ser examinado, Heavy — disse Pauling.

— Eu sei cozinhar — disse Demoman.

— Porque não disse antes? — perguntou Pauling.

— Vocês não perguntaram! — disse Demoman.

— Há vários pôsteres por toda a base informando que precisamos de um cozinheiro! — disse Pauling.

— Pois eu não vi! — disse Demoman.

A Administradora aponta um pôster ao lado da porta para a cozinha, que informava que eles precisavam de um cozinheiro.

— Hã... Eu não tinha visto! — disse Demoman, rindo.

— E vocês... Comam! — disse a Administradora — Hoje é sem almoço, nem jantar e senhor Tavish...

Ele se levanta e bate continência.

— Você vai ser passado por um rigoroso exame para ver se é bom cozinheiro — disse a Administradora. Ela joga o cigarro no chão e o apaga com o salto — Vejo todos na sala de reuniões.

A Administradora saiu e Miss Pauling pára na porta, olhando Scout, que parecia deprimido.

— Miss Pauling! — gritou a Administradora.

A assistente vai atrás da chefa e fecha a porta. Scout olha para a porta quando Miss Pauling sai do lugar, enquanto Sniper tenta tirar o amassado do pote. Ele entorta a colher, que gruda na comida.

— É impressão minha ou a Administradora está mais irritada do que de costume? — perguntou Scout.

— Talvez sim, companheiro — disse Sniper — Ela é louca.

Soldier aparece do lado de Scout.

— Scout, me empresta sua colher? — perguntou Soldier.

— Claro — disse Scout.

Soldier pega a colher e volta para o seu lugar do lado de Heavy e Demoman, sendo que ele havia tentado tirar o amassado do pote com duas colheres antes.

— Será que tem pão na cozinha? — perguntou Heavy.

— Será que tem algo descente na cozinha? — perguntou Spy, batendo com o pote na mesa — Isso não desgruda do pote.

— Bom, Pyro conseguiu desgrudar isso do pote — disse Engineer.

Pyro usa o lança-chamas e queima o pote, fazendo derreter o amassado e ele deu a Engineer.

— Valeu, filho — disse Engineer.

Sniper olha para a tigela, que ainda havia uma colher grudada e joga o pote para o centro da mesa.

— Eu passo — disse Sniper — Posso ficar sem comer hoje.

E... A equipe estava na sala de reuniões há meia hora. A Administradora estava sentada em uma cadeira ao lado do palanque, que estava em cima de um palco. Miss Pauling escrevia coisas na prancheta e estava ao lado da porta de entrada. Scout mascava um chiclete e estava sentado ao lado de Sniper, que dormia com o chapéu na cara. Heavy dormia ao lado de Demoman e Soldier, enquanto Spy pegava outro cigarro no kit de disfarce, onde do seu lado estavam Engineer, Medic e Pyro. Miss Pauling ouve algo e abre a porta, percebendo que alguém estava vindo.

— Eles estão chegando! — disse Pauling.

— Eles? — perguntou Medic.

Entram na sala, Redmond Mann, o dono do RED em sua cadeira de rodas, sendo empurrado por Saxton Hale, o dono da Mann Co. Atrás da cadeira de rodas vinha uma grande máquina, que estava conectada a Redmond, onde dois homens empurravam a máquina.

— Se você fosse mais forte, você poderia empurrar eu e a máquina — disse Redmond.

— Eu sou forte! — disse Saxton — Eu não posso empurras as duas coisas ao mesmo tempo!

— Isso é o que vamos ver — disse Redmond. Ele olha Miss Pauling — Você deve ser a assistente da Helen.

— Sim, sou eu — disse Pauling.

— Ela é muito gorda — disse Redmond — Helen! Cadê você?

A Administradora suspirou negativamente. Scout acorda Sniper e chuta a cadeira de Heavy, fazendo o homem acordar e olhar para todos os lados.

— Hã... O que foi? — perguntou Heavy. Ele olha para Demoman — Você me chutou?

Demoman aponta para Scout, na fileira de trás. Heavy se vira.

— Porque você me chutou? — perguntou Heavy.

— Porque nosso chefe chegou, amigo — disse Scout.

Ele olha Redmond e se senta direito. Saxton empurrou Redmond até o palco e ele percebeu que não havia escada, nem rampa. Redmond olhou para Saxton.

— O que? — perguntou Saxton.

— Me coloque no palco! — disse Redmond — Agora vamos ver se você é realmente forte!

Saxton suspirou negativamente, pegou a cadeira de rodas e colocou Redmond no palco, depois ajudou a colocar a máquina no palco.

— Muito bem — disse Redmond — Você é forte.

Ele olhou a Administradora.

— Helen, apague esse cigarro agora! — disse Redmond — Eu vou demitir qualquer mercenário que esteja fumando!

Spy olha para o cigarro, o joga no chão e o apaga com o sapato. A Administradora faz o mesmo com o cigarro.

— Phyllis, cadê meu discurso? — perguntou Redmond.

Um dos homens, que carregava uma pilha de papéis, deu os papéis a Redmond e levou o chefe até o palanque. Saxton e Miss Pauling se sentaram na primeira fileira.

— Queridos amigos, eu sou Redmond Mann, seu chefe.

Ninguém falou nada.

— Phyllis, que tipo de discurso é esse? — perguntou Redmond.

— Você pediu para ser mais amigável possível, senhor — disse Phyllis.

— Mas isso é amigável demais — disse Redmond — Eu faço do meu jeito.

Phyllis suspirou negativamente e deu um passo atrás.

— Mercenários, Helen, assistente da Helen e Saxton, hoje completamos um ano desde que meu irmão gêmeo idiota e eu resolvemos recomeçar a Guerra dos Cascalhos — disse Redmond — Graças ao sr. Hale, tivemos que parar a guerra para impedir que robôs de meu outro irmão, que quase me matou, Gray, destruísse a sua fábrica, que por direito devia ser de meu irmão Blutarch e minha.

— Redmond, vá direto ao ponto! — disse a Administradora.

— Não me interrompa, Helen! — disse Redmond — Bom, e foi graças a vocês mercenários, graças a vocês que conseguiram isso. Vocês salvaram o nosso único meio de conseguir armas e munições.

— É só isso que a Mann Co. serve para você? — perguntou Saxton — Dar munição e armas?

— Sim — disse Redmond — Bom, graças a vocês, a guerra recomeçou e por isso, tenho um pedido a vocês... Quero que meu irmão caia aos meus pés! Acabem com o BLU!

— Acabar com o BLU é difícil, chefe — disse Spy — Eles tem as mesmas habilidades que nós e quase pensam que nem nós.

— Mentira! Eles não as mesmas habilidades que nós! — disse Scout — Eu sou mais bonito do que o Scout do BLU.

Alguns riram.

— O único jeito seria que mais alguém entrasse na equipe e esse alguém deveria ser bem poderoso — disse Medic.

— Quer dizer, querem mais um mercenário? — perguntou Redmond.

— O que vocês estão pedindo é um robô — disse Saxton — Não tem como existir outra pessoa mais poderosa do que vocês todos juntos.

— Acredite em mim — disse Scout — Existe.

— Quem? — perguntou Redmond. Ele se deu conta — Ah! Acho que eu sei de quem vocês estão falando! Daquela criação nojenta e traidora que meu irmão Gray construiu para seduzir vocês e vocês entregarem Mann Co.! Não se preocupem, pelo o que eu li nos relatórios, essa criação, que eu não sei o que é, foi destruída.

Scout se levantou rapidamente.

— Essa criação, que você chamou de nojenta e traidora, foi quem nos ajudou a derrotar seu irmão! — gritou Scout — E essa criação, é uma garota chamada Anya!

— Como se atreve a me interromper? — perguntou Redmond.

— Oba! Uma briga! — disse Saxton, animado — Agora meu dia começou!

— O senhor só gosta de brigas, sr. Hale? — perguntou Pauling.

— Por favor Miss Pauling, me chame de Saxton e por Badlands, sim! Eu adoro uma boa briga!

— Você está falando da minha amiga e eu não vou ficar aqui parado, ouvindo, enquanto você está falando numa boa! — gritou Scout.

— Eu só não demito você, porque eu preciso de você — disse Redmond — Agora, se sente e fique quieto e eu vou pensar antes de entregar meu cheque a você.

Scout suspirou e sentou novamente. Miss Pauling olha Scout e o que tinha escrito na prancheta, saindo de sala depois. A Administradora se levanta.

— Bem, acho que falamos mal um dos outros o bastante — disse a Administradora — Precisamos ir, Redmond. Eles vão entrar em batalha em meia hora.

— Helen, eu não acabei! — disse Redmond.

— E eu não estou afim de colocar ele no chão novamente — disse Saxton.

— Quer que seu irmão pegue Badlands? — perguntou a Administradora.

Redmond parou e pensou.

— Saxton! — disse Redmond — Me tire daqui!

— Precisamos arrumar essa base — disse a Administradora.

Saxton suspirou e colocou Redmond no chão, junto com a máquina.

— E você garoto — disse Redmond — Você... Você...

— Scout.

— Sim, você Scout — disse Redmond — Eu vou ficar de olho em você! Vou ficar olhando tudo da minha sala!

Saxton foi embora com Redmond e a máquina. A Administradora suspirou e desceu do palco, enquanto os mercenários se levantavam.

— Essa base vai ficando cada dia mais louca — disse Medic — Algum dia nós iremos encontrar Redmond morto por algum Spy.

— Ei, não olhem para mim! — disse Spy.

— O BLU não vai pegar nossa maleta! — disse Soldier — Ela é minha!

A equipe saiu da sala de reuniões e foi andando pelos corredores, descendo as escadas e entraram em um comprido túnel, onde chegaram na sala da inteligência. A maleta estava abaixo do foguete, em cima de uma mesa.

— Bom, eu deixo vocês se prepararem — disse a Administradora. A equipe foi se separando — Scout!

Ele parou e se virou.

— Tente não matar ninguém com sua raiva — disse a Administradora.

— Vou tentar, madame — disse Scout.

Scout foi embora e a Administradora atravessou o túnel novamente, onde fecha a porta entre a base e o prédio. Ela vai andando pelos corredores, sobe as escadas, chega no último andar e vai até uma sala, cheia de monitores e um microfone no meio da mesa. Helen senta na cadeira e pega um cigarro, ligando o microfone.

— Se preparem cavalheiros — disse a Administradora — A Guerra dos Cascalhos vai continuar, então, preparem para fazer o que vocês fazem de melhor. Matem! Matem todos eles!

Continua...