A van já estava na estrada novamente e os mercenários iam entrando devagar no veículo pelo teto solar. Anya é a última a descer e Scout a ajuda.

– Obrigada — disse Anya.

Eles se olham e percebem que estão abraçados. Ambos acabam indo para lados diferentes e se sentam novamente nos bancos, distantes.

– Bom trabalho, companheiros — disse Sniper.

– Eles não vão nos seguir? — perguntou Spy.

– Os robôs tem a mesma velocidade de vocês — disse Anya — O único que poderia nos alcançar seria o robô Scout, mas eu não vi nenhum deles ali.

– Bom, isso quer dizer que estamos vivos e que Gray sabe que a Anya está de volta — disse Pauling — Isso pode nos trazer problemas.

– Porque? — perguntou Scout — Eu acho que era isso que ele queria.

– Ele mesmo disse que era para nós não fazermos nenhuma bobagem ou ele iria limpar Teufort — disse Pauling.

– Gray é um covarde — disse Soldier — Eu ainda acho que ele não desistiu da Mann Co. e a Anya é apenas seu passaporte para chegar lá.

– Pode ser — disse Medic — Se a Anya não tivesse tido sentimentos, ela estaria com sua programação real e poderia ter nos matado!

– Gray depende da Anya para conseguir a Mann Co. — disse Engineer — Deve ser por isso que ele a quer de volta e a chama de filha. Você é um bem precioso para ele, garota.

– Isso é verdade, mas... — disse Anya — Eu ainda não entendo. Ele perdeu! Para que tentar mais uma vez se ele tinha perdido tudo? Até...

– Até o que? — perguntou Scout.

– Até a filha dele — disse Anya.

A equipe se olhou.

– Gray Mann teve uma filha? — perguntou Demoman.

– Nem eu sabia dessa — disse Pauling.

– Eu não sei muito sobre essa história... — disse Anya — Não sei o nome dela, só me lembro que ele tinha uma filha... Mas ela morreu de alguma coisa... Nem era uma doença... Eu... Eu não sei o que era...

– Aposto que foi Gray que a matou — disse Soldier.

– Isso não eu duvido — disse Heavy.

– Bem, olhem lá para fora — disse Sniper.

Pyro abre a janela, onde eles vêem uma cidade distante.

– Estamos chegando a Teufort — disse Sniper.

– Vamos ficar em 2Fort? — perguntou Spy.

– Não, Spy — disse Pauling — Infelizmente não.

– Porque? — perguntou Engineer.

– A base em Teufort está... Passando por reformas — disse Pauling — Vamos tentar encontrar algum lugar para ficar.

– Talvez em algum hotel? — perguntou Spy.

– Vamos tentar, mas vai ser difícil — disse Pauling — Praticamente toda Teufort nos odeia, tirando eu e a Anya.

– Mas porque? — perguntou Heavy.

– Por causa de 2Fort — disse Pauling — O prefeito Mike parece ter posto uma recompensa pela cabeça de cada um por causa de seus estragos feitos em Teufort.

– Somos mercenários — disse Spy — Normalmente é isso que acontece quando destruímos nossa base.

– Nós não temos culpa! — disse Sniper, ainda dirigindo — É o nosso trabalho! Somos pagos para isso!

– E você acha que eles vão ligar? — perguntou Anya — Se o prefeito quer a cabeça de vocês, até mesmo os piores bandidos vão caçar vocês para ganhar esse dinheiro.

– Tendo culpa ou não, temos que ficar escondidos — disse Pauling — Isso pode atrasar nossos planos.

A equipe se olha e todos ficam em silêncio novamente. Anya e Scout voltam a se olhar, enquanto Miss Pauling tira o telefone da bolsa e suspira negativamente. E... Era noite. A van entra por um arco que deveria ser a entrada da cidade. Sniper pára o veículo assim que eles entram na cidade.

– Bom, chegamos — disse Sniper — Teufort.

– A gente não vem aqui faz um bom tempo — disse Medic.

– Onde vamos ficar? — perguntou Soldier — Preciso ir ao banheiro!

– Temos que saber — disse Anya. Ela observa robôs andando pela cidade — Ah não.

A garota desce da van.

– Anya! — disse Scout — Volte aqui!

Ela é puxada para dentro por Scout.

– Você está querendo se matar? — perguntou Scout — Eu sei que são... Os robôs do Gray, mas isso não é motivo para sair correndo feito uma louca!

– Verdade — disse Heavy — É por isso que eu vou com você.

– Heavy! — disse Scout.

– Eu também — disse Medic.

– Me esperem! — disse Demoman.

– Estou atrás de vocês! — disse Engineer.

– Esperem ai! — disse Sniper. A equipe parou e eles olharam para ele — Nós primeiro temos que achar um lugar para ficar e depois vamos atrás dos robôs.

– Até você, Sniper? — perguntou Scout.

– Vamos ficar no beco — disse Soldier — Agora podemos ir no banheiro?

– Miss Pauling, porque não podemos ficar em 2Fort? — perguntou Spy — Sempre ficamos quando vamos lutar com o BLU!

A assistente suspirou negativamente.

– A Administradora me disse que assim que os tanques cercaram Badlands, os cidadãos de várias cidades onde temos as nossas bases, invadiram e estão lá até agora — disse Pauling — Eles querem nos matar, pessoal.

A equipe se olha.

– Eles realmente nos odeiam — disse Demoman.

– Gente, não podemos ficar aqui parados, esperando que um apartamento de luxo caia do céu para ser nossa base — disse Anya — Vamos sair e procurar um lugar.

– Alguns podem sair e os outros ficam aqui vigiando — disse Medic.

– Vamos montar duas equipes — disse Sniper — Anya, Scout, Spy, Soldier e Pyro vão dar uma volta pela cidade e procurem talvez prédios, casas abandonadas...

– É a melhor coisa que temos até agora — disse Pauling.

– O resto do pessoal fica aqui e vamos ficar de guarda até vocês voltarem — disse Sniper.

– Ok, vamos sair — disse Spy.

Eles pegaram as armas e saíram da van. Scout parou antes de sair.

– A Anya está muito diferente, Sniper — disse Scout.

– Eu percebi, companheiro — disse Sniper — Mas será que isso é bom ou ruim?

– Ela é aquela garota que conhecemos em Coal Town? — perguntou Scout.

– Scout, você precisa ir — disse Pauling — Estamos sem tempo.

Scout desceu da van, seguindo a turma. Eles foram caminhando pelas ruas, que eram mal iluminadas, sendo que alguns postes estavam quebrados pela metade e as pessoas ficavam olhando a equipe.

– Bom, boa sorte — disse Spy.

– Não vai com a gente? — perguntou Anya.

– Eu vou — disse Spy — Mas de outro jeito.

Spy desapareceu na noite, enquanto a equipe volta a caminhar. Após um tempo, eles ouvem passos estranhos.

– Vocês quatro.

A equipe se virou e viram um grupo de homens, que pela iluminação da rua, pareciam estar vestindo grandes casacos e segurando armas irreconhecíveis.

– Vocês são os mercenários de 2Fort, não são? — perguntou um dos homens.

– E se formos, o que você tem haver com isso? — perguntou Soldier.

– São eles — disse outro homem — Só essa garota que é estranha. Não deveríamos mexer com mulheres desconhecidas.

– Não me importo se tem garota — disse outro homem — Eles vão nos dar um bom prêmio e talvez eu fique com a garota.

– Como é que é?- perguntou Anya.

– Agora você está morto, colega — disse Scout.

Os homens riram.

– Essa eu quero ver — disse outro homem.

Alguém cutuca um dos homens que estava atrás.

– Você me cutucou? — perguntou o homem.

– Não — disse outro homem.

Spy aparece atrás do homem.

– Bonjour, cavalheiro — disse Spy.

O homem percebe que tem alguém atrás dele e quando iria se virar, Spy lhe dá um backstab. Enquanto os outros homens também se viram para ver o que aconteceu, a equipe ataca os homens. Eles vão lutando, enquanto a outra metade da equipe que havia ficado na van ouve os tiros.

– Isso são tiros? — perguntou Engineer.

– O que está acontecendo lá? — perguntou Heavy.

– Nós vamos? — perguntou Medic.

– Não — disse Pauling — É melhor ficarmos aqui.

– Mas eles podem estar precisando de ajuda! — disse Demoman.

– Temos que seguir com o plano — disse Sniper — Não temos opção.

A maioria dos homens foram derrubados, quando Anya derruba o último no chão e puxa uma de suas facas do cinto. O homem percebe que Anya estava na luz e a observa melhor.

– Espera! Espera! Espera! — disse o homem, desesperado — Anya, pare! Pare!

A garota parou e a equipe observou ela.

– Como... Como você sabe meu nome? — perguntou Anya.

– Confie em mim! — disse o homem — Só... Só me deixe levantar!

– Anya, não caia nessa! — disse Spy — Mate ele!

– Por favor! — disse o homem — Você me conhece!

– Espera... Eu conheço sua voz — disse Anya.

– Me deixe levantar — disse o homem.

– Anya! — disse Scout.

Anya deu alguns passos para trás e observou o homem levantar. Ele foi a luz e tirou o capuz que cobria seu rosto. A garota ficou surpresa.

– Maykon? — perguntou Anya.

Era um homem de cabelos negros e olhos azuis, que parecia alegre ao ver Anya.

– Não acredito que é você! — disse Anya.

Anya corre até Maykon, o abraçando. Eles se olham, enquanto a equipe apenas observava, sendo que Scout parecia irritado.

– Você está aqui! — disse Anya, animada.

– É! — disse Maykon.

– Em Teufort! — disse Anya.

– Eu sei! — disse Maykon.

– Como chegou aqui? — perguntou Anya.

– Longa história — disse Maykon — E como você fugiu da polícia?

– Outra longa história — disse Anya.

– Ei, ei, ei, ei! — disse Scout. Ele vai no meio dos dois e os separa — Primeiro, você tentou nos matar, segundo, você não pode abraçar a Anya!

– Scout! — disse Anya.

– Esse é o Scout que você tanto falou? — perguntou Maykon.

– Você falou de mim para ele? — perguntou Scout.

– Um monte — disse Maykon.

Maykon e Scout fazem um cumprimento de mão, onde parecia que Scout não estava empolgado.

– É uma honra finalmente te conhecer — disse Maykon.

– Eu não posso dizer o mesmo — disse Scout.

– Scout, seja cavalheiro e cumprimente ele direito — disse Spy.

Spy cumprimenta Maykon.

– Anya também não parou de falar de você — disse Spy.

– Sério? — perguntou Maykon — E você é?

– Spy. Aquele com o capacete é o Soldier e o com a roupa a prova de fogo é o Pyro. O Soldier não é muito educado e o Pyro não fala quase nada.

– Eu ouvi isso, seu francês — disse Soldier.

– Anya me contou sobre todos os mercenários — disse Maykon — Mas espera... Não são nove?

– Estamos em nove, mas os outros estão na nossa van — disse Soldier.

– Hã... Desculpe por isso — disse Anya — Pelos seus amigos.

– O que eu dei um backstab já está morto — disse Spy.

– Bom... Meu chefe não vai ficar feliz, mas não tem o que fazer — disse Maykon — Eu e meus colegas queríamos a recompensa que o prefeito deu pela cabeça de cada um, mas não posso fazer isso se minha amiga está com eles.

– Isso era o mínimo que você deveria fazer! — disse Scout.

– Scout! — disse Anya.

– Mas onde vocês vão ficar? — perguntou Maykon.

– Esse é problema — disse Anya — Não sabemos.

– Estão sem onde dormir? — perguntou Maykon.

– Se você tiver uma base equipada no seu bolso, nós agradecemos — disse Spy.

– Bem, então vocês podem vir para o hotel — disse Maykon.

– Não podemos — disse Soldier — Estamos sendo procurados por toda Teufort!

– Não estou falando de um hotel comum — disse Maykon — Vamos para o hotel abandonado no fim da cidade. A metade dos meus amigos e visitantes novos da cidade moram lá.

– Acha que tem lugar para 11 pessoas lá? — perguntou Anya.

– Lá foi um hotel — disse Maykon — Tem espaço para toda Teufort.

– Ótimo, vamos avisar o pessoal — disse Spy.

Maykon segue a equipe, que foi voltando para onde a van estava estacionada. O resto da equipe viram os colegas chegarem e percebem que há alguém com eles.

– Vocês voltaram — disse Medic.

– Como foi lá? — perguntou Sniper.

– Espera, quem é esse? — perguntou Engineer.

– Esse... Esse é o Maykon — disse Anya.

A equipe se olhou.

– Esse é o cara que você ficou falando para nós? — perguntou Heavy.

– Eu gostei dele — disse Pauling.

Alguns riram.

– Anya disse que vocês precisam de um lugar para ficar — disse Maykon — Há um hotel abandonado no fim da cidade, onde a maioria das pessoas se escondem lá.

– Parece ótimo — disse Sniper.

– É melhor do que ter que dormir no beco — disse Medic.

– Então me sigam — disse Maykon — Eu os levo até lá.

– Entrem na van — disse Pauling.

A equipe foi entrando.

– Hã... Eu vou com o Maykon — disse Anya — Vocês nos seguem.

Scout ficou irritado.

– Então eu também vou com você — disse Scout.

– Não vai não, Scout — disse Pauling — Eles estão procurando todo o time RED e se virem apenas um mercenário, isso já vai servir de alerta as autoridades. Entra na van.

– Mas...

– Entra na van! — disse Pauling.

– Melhor ouvir ela, companheiro — disse Sniper — Não vai querer que ela te jogue uma prancheta.

Os mercenários riram e Scout na van. Engineer fecha a porta, enquanto o veículo seguia Maykon e Anya pelas ruas. Maykon observa Anya, que olha para ele.

– Então... Encontrou seu irmão? — perguntou Anya.

– Ainda não — disse Maykon — Eu acho que ele deve estar em Dustbowl, mas tenho muito tempo para procurar. A polícia não vai conseguir me pegar tão cedo.

Scout observava calmamente os dois, enquanto Sniper os seguia. Eles viraram em uma rua e viram um grande prédio escuro, onde havia alguns carros ao redor.

– É aquele lá? — perguntou Anya.

– É — disse Maykon — O não tão abandonado Hotel Da Escada.

– Da Escada? — perguntou Anya.

– Isso tem 20 andares e nenhum elevador — disse Maykon.

– Entendi — disse Anya.

Eles foram se aproximando do prédio, onde havia algumas pessoas ao redor. Essas pessoas foram ao encontro de Maykon e Anya.

– Maykon, o que houve? — perguntou um dos homens — Cadê o resto do pessoal? Pegou os mercenários?

– Os planos mudaram — disse Maykon. Ele apontou Anya — Essa garota está com os mercenários e se ela está envolvida, ninguém vai fazer nada. Ela é minha protegida.

O homem resmungou e olhou para Anya.

– Tudo bem — disse o homem — Leva eles pro saguão e coloca eles nos quartos. É melhor ninguém sabe que eu estou envolvido.

– Pode deixar — disse Maykon.

Os homens voltam a ficar ao redor do prédio, enquanto os mercenários vão descendo da van, carregando as armas. Eles entraram no prédio, onde o saguão de entrada estava com algumas pessoas, com cheiro de mofo e foram até o balcão da recepção. Maykon bate algumas vezes no balcão e uma mulher com uma cara deprimente sai de baixo do móvel.

– Ah... É você, Maykon — disse a mulher.

– Eles vão ficar aqui por essa noite — disse Maykon.

A mulher olha a equipe e vai anotando coisas em uma prancheta.

– Eles vão ficar no mesmo andar que você, 18ª — disse a mulher, anotando coisas — Cada quarto tem espaço para duas pessoas, não servimos café da manhã, nem almoço, nem jantar, a eletricidade é cortesia do hotel e a lavanderia está a disposição no 2ª andar. Podem subir, espero que não tenham trazido muitas coisas.

Ela aponta uma grande escadaria ao lado do balcão. Os mercenários se olharam e olharam para a escadaria, que parecia não ter fim.

– Então... Porque mesmo esse hotel faliu, companheiro? — perguntou Sniper.

Continua...