Scout foi andando pelo comprido corredor, até chegar em uma grande sala, onde haviam vários painéis, robôs em pedaços, esquemas, ferramentas no chão e uma mesa no centro do lugar. O mercenário foi até a mesa e viu vários papéis, mas o que mais chamou a sua atenção, foi um esquema de robô desenhado em um bloco de desenho.
– Eu conheço esse robô — disse Scout.
Estava escrito no canto da folha: G-S15.
– É a Anya — disse Scout.
Haviam mais papéis sob a mesa, coisas que não interessavam a Scout. Um arquivo lhe chamou a atenção. Ele o pegou, vendo que havia foto de várias pessoas, especialmente uma garota ruiva, que ele julgara ser familiar. Eram seis fichas, sendo que cinco estavam com um carimbo vermelho na foto, incluindo a da garota, escrito: “Absorvidos”.
– Quem são esses? — perguntou Scout.
O arquivo mostrava: “Selecionados para o robô G-S15”.
– Selecionados? — perguntou Scout.
Ele vai andando para trás e sem perceber, bate em um dos painéis que havia no lugar. O painel, imediatamente, se liga, mostrando vários arquivos.
– Bem vindo, sr. Mann — disse o painel.
Scout ficou parado por um bom tempo. Ele não sabia se aquele painel reconhecia vozes e se ele falasse, iria disparar o sistema.
– Hã... Quero registros sobre o robô... O robô... — disse Scout. Ele olhou o bloco de desenhos novamente — O robô... O robô G-S15.
– Pesquisando... — disse o painel. Vão aparecendo vários arquivos diversos na tela — Encontrados 117 arquivos sobre o robô G-S15, ou com seu codinome: Anna.
– Anna? — perguntou Scout.
Ele pensa e tocou em um dos arquivos. Começou um vídeo, onde havia Gray olhando para uma porta de vidro, onde havia uma silhueta de algo.
– Robô, está filmando isso? — perguntou Gray, pelo vídeo.
– Sim senhor.
Ele se vira para a câmera.
– Hoje é um dia histórico para a Gray Gravel Co. — disse Gray, pelo vídeo — Eu acabo de terminar o projeto para o perfeito robô. Sim, demorei mais de cinco anos planejando ele e com o tempo perdi algo que era insubstituível... Minha esposa. Mas agora que esse robô está pronto, ele vai me ajudar a conquistar o que eu mereço: As terras de Badlands e toda Mann Co. que por direito deveria ser minha! E como esse é o robô dos meus sonhos, ele pode fazer o que eu sempre achei que era impossível, absorver mentes. É apenas suas mãos estarem na cabeça da vítima e ele absorve todas as informações sobre ela. O robô praticamente vira essa pessoa. É claro que isso tem um preço, se a pessoa for absorvida, ela perde todo o seu cérebro e isso causa a morte imediata. Não acho que exista algo para impedir isso, mas coisas precisam ser feitas.
A porta de vidro abre, revelando o robô G-S15.
– Anya! — disse Scout.
– Esse é o meu robô! — disse Gray, pelo vídeo — Eu usei cada gota de sangue dos mercenários de Badlands para que esse robô tenha as mesmas habilidades que eles.
Scout observa o robô e passa para o próximo vídeo. O robô G-S15 estava no meio de uma sala cercada com outros robôs e Gray ao seu lado.
– Está gravando, senhor.
– Hoje vamos fazer o primeiro teste do robô G-S15 — disse Gray, pelo vídeo — Robôs, tragam o primeiro selecionado.
Os robôs trouxeram um homem algemado, que parecia bem assustado, sem saber o que estava acontecendo.
– Sr. Mann, o senhor não me explicou o que era isso! — disse o homem, pelo vídeo — O senhor havia me dito que eu iria participar de um curso culinário!
Gray suspira.
– Eu sei, eu sei, me desculpe, mas eu menti — disse Gray, pelo vídeo — Eu sei que a vida é injusta, mas pense pelo bom... Você vai ficar marcado na mente do maior robô do mundo e isso deveria ser uma grande honra. Se você não acha, fazer o que? Robô, pode absorver.
O robô G-S15 vai se aproximando do homem, que se afasta. Os robôs o seguram, enquanto G-S15 coloca as duas mãos na cabeça dele. Após alguns segundos, o homem caiu no chão e o robô se autodesligou.
– Funcionou? — perguntou Gray, pelo vídeo — Levem o corpo.
Os robôs puxam o corpo sem vida do homem para fora, enquanto Gray ligou novamente o robô.
– Robô, está sentindo algo diferente? — perguntou Gray, pelo vídeo — Algo novo?
– Mestre, tem algo estranho na minha memória — disse G-S15, pelo vídeo — O que é isso? Isso me parece ruim. Que coisa estranha é essa? Eu... Estou com fome.
– Sua energia deve estar baixa — disse Gray, pelo vídeo — Isso são sentimentos, robô, com o tempo você se acostuma e aprende mais. Vamos carregar sua energia.
Scout passou para o próximo vídeo, onde foi a mesma coisa. Miss Pauling entra no lugar, procurando o mercenário.
– Ah! Scout! — disse Pauling — Onde eu estava só havia lixo, então eu decidi...
Olha observa os vídeos que Scout olhava.
– O que é isso? — perguntou Pauling.
Eles veem alguns pedaços de outros vídeos, onde o robô G-S15 ia absorvendo a mente de várias pessoas, que no final, estavam caídas no chão, já mortas. Miss Pauling se apavora com o que vê e se abraça em Scout, que a abraça também, mesmo assustado.
– O próximo vídeo foi proibido pelo senhor, sr. Mann — disse o painel — Devo o reproduzir mesmo assim?
Scout pára e pensa.
– Sim — disse Scout.
O vídeo mostrava a garota ruiva que Scout havia visto no arquivo, sendo segurada pelos braços por vários robôs Heavy, com o robô G-S15 e Gray a sua frente.
– Já está gravando, robô? — perguntou Gray, pelo vídeo.
– Sim senhor.
– Você vai gravar isso? — perguntou a garota, pelo vídeo.
– Mas é claro! — disse Gray, pelo vídeo — Se algum dia esse robô se voltar contra mim, as provas estarão no meu computador.
– Pai, você não é assim! — disse a garota, pelo vídeo — Desde que a mamãe morreu, você ficou estranho e nunca mais deu atenção para mim! Você é meu pai, essa é sua obrigação! E eu sou sua filha! Porque você vai fazer isso?
– Querida, sua mãe se foi — disse Gray, pelo vídeo — Eu não tenho mais ninguém!
– Tem a mim! — disse a garota, pelo vídeo — Tem os seus robôs!
– E você acha que isso basta? — perguntou Gray, pelo vídeo — Sua mãe foi única na minha vida! Você é igual a ela! E eu quero que meu robô seja assim! Seu sangue não vai funcionar porque no inicio eu nunca pensei em fazer isso! Desculpe Anna. Mas eu ainda te amo, se isso lhe deixa feliz.
Anna olha feio para o pai.
– Vamos robô — disse Gray, pelo vídeo — Absorva.
O robô encarava Anna.
– Robô, absorva — disse Gray, pelo vídeo — É uma ordem!
Ele continuava parado.
– Não mestre — disse o robô, pelo vídeo — Eu não quero. Eu cansei disso!
– Você está se recusando a fazer as minhas ordens? — perguntou Gray, pelo vídeo — Pelo jeito os sentimentos estão funcionando bem. Mas isso ainda não é uma opção. Eu estou lhe ordenando que faça isso.
O robô olhou para Gray e foi até Anna, colocando as mãos na cabeça da garota, que chorava.
– Faça robô! — disse Gray, pelo vídeo.
Do nada, Anna cai no chão, enquanto Gray olhava desanimado para o corpo de sua filha.
– Muito bom — disse Gray, pelo vídeo — Mesmo me desobedecendo, você conseguir cumprir minhas ordens. Estou orgulhoso de você, robô.
– Pare! — disse Scout.
O vídeo sumiu, voltando para a tela inicial. Scout se relembra do que aconteceu, enquanto Miss Pauling se recupera.
– Scout? — perguntou Pauling — Scout, você está bem?
– A filha que Gray tinha — disse Scout — Ele a matou para fazer a Anya. Só porque ele havia perdido sua esposa.
– Os Mann são loucos! — disse Pauling — Redmond, Blutarch e Gray são loucos! Porque ele faria algo assim com sua própria filha?
Scout vai até a mesa, onde ele havia encontrado o arquivo com a foto de Anna e o lê novamente.
– Scout.
Ele abaixa o arquivo e vê que é Anya que estava na porta, olhando o mercenário.
– Vocês são idênticas — disse Scout.
Miss Pauling vai até Scout, olhando o arquivo.
– Eu sou idêntica a quem? — perguntou Anya — Que conversa é essa, Scout?
– É verdade — disse Pauling — Elas são a mesma pessoa.
– Olha, ou vocês me dizem o que está acontecendo ou eu tiro esse arquivo a força de vocês — disse Anya.
Scout deu o arquivo a Anya, que o leu rapidamente. A garota, após o ler, ela cai no chão, ainda com o arquivo em mãos.
– Anya? — perguntou Scout.
– “Anna Mann, filha do nosso grande Gray Mann, de 21 anos, foi absorvida com sucesso sendo que foi a 5ª pessoa ao ser absorvida pelo robô G-S15. Após isto, o robô desenvolveu uma série de novas habilidades, tendo a mesma aparência de Anna Mann e sentimentos, uma coisa que é improvável em robôs. Esse experimento está pronto para passar a fase 3, a fase final, teste em campo. Gray Mann irá enviar o experimento na próxima guerra na cidade de Coal Town”.
Ela parou. Scout foi até ela, vendo que ela não se mexia, nem piscava.
– Isso foi escrito no dia em que você foi para Coal Town — disse Scout — Eu li a data. Se você não tivesse fugido, talvez nada do que aconteceu até agora poderia ter acontecido.
Ela ainda não falava.
– Eu sou a Anna — disse Anya — Eu absorvi a filha do Gray, eu matei ela, quer dizer... Eu sou ela agora. Eu sou a filha do Gray. É por isso que ele me tratava daquele jeito. Eram dela aquelas memórias.
– Mas você não teve culpa, Anya — disse Pauling — Ele te forçou a fazer aquilo. Eu não sou um robô, mas pelo o que eu sei, você deve seguir exatamente o que o seu mestre manda você fazer... E foi isso que você fez. Você não teve culpa.
Scout põe a mão no ombro de Anya, que abraça o mercenário. Scout, sem reação, olha Miss Pauling, que sorri. Um som alto foi ouvido por toda a base.
– Temos que sair daqui — disse Anya — Se o pessoal não encontrou o Gray, não temos outra razão para ficar aqui.
– Vão indo — disse Scout — Vou pegar algo antes.
Miss Pauling e Anya saem correndo da sala. Anya larga o arquivo no chão, que Scout dobra e põe no bolso da calça. Ele vai até a mesa, perto do bloco de desenhos, vendo que havia outra folha após o modelo de Anya. O mercenário puxa a folha rapidamente, sem conseguir ver o que havia lá. Eles encontraram a equipe no saguão, que vindo de todos os corredores haviam sombras de vários robôs.
– Soldier conseguiu ligar um batalhão de robôs Heavy e eles estão vindo nos pegar — disse Medic.
– A máquina dizia “Ligue aqui”! — disse Soldier — Eu apenas segui o que ela me disse!
– Encontraram o Gray? — perguntou Anya.
– Nem sinal dele — disse Engineer — Vamos sair daqui antes que aquelas latas velhas cheguem aqui!
A equipe saiu correndo para fora do tanque, mas do nada, ele começou a se mexer. A equipe caiu no chão, vendo que o tanque se afastava mais de Teufort.
– O que fazemos? — perguntou Sniper.
Anya olha a distância.
– Pulem! — gritou Anya.
– Pular? — perguntou Spy — Ficou louca?
Anya pegou a mão de Scout e ambos pularam do tanque, seguido de Miss Pauling, Pyro, Engineer, Sniper, Heavy, Medic, Soldier e Demoman, apenas restando Spy.
– Eu vou me arrepender — disse Spy.
Ele pula, rodando várias vezes, até finalmente parar na areia. A equipe olha o tanque que parou e fechou a porta da escotilha.
– Vamos sair daqui correndo — disse Pauling — Gray vai enviar os robôs.
– Mas Teufort está longe — disse Heavy.
– Não temos escolha — disse Pauling.
Eles começaram a caminhar rápido, em direção de Teufort. Gray, que estava no topo do tanque, observa a equipe ir embora.
– Não tão rápido, Anya — disse Gray.
A janela se abre e Gray dá um passo para o lado. Um robô Sniper chega ao seu lado e Gray lhe dá uma flecha que estava com a ponta coberta por algo. O robô pega a flecha, coloca no arco, mira e solta, sendo que não se sabia onde ela havia chegado. A equipe caminhava rápido, não estando muito longe de Teufort.
– Vamos pessoal! — gritou Soldier — Não parem!
Enquanto todos continuavam a andar, Anya parou. Scout percebeu que faltava alguém e se virou.
– Anya, tudo bem? — perguntou Scout — Porque parou?
– Não parem, continuem! — gritou Soldier.
A equipe parou e Sniper segurou Soldier pela jaqueta, que ficou andando no mesmo lugar.
– Espera ai, Soldier — disse Sniper.
– Continuem... Não parem por mim — disse Anya — Só estou cansada.
– Tem certeza? — perguntou Scout.
– Sim! — disse Anya — Não se preocupem comigo.
Ela sorriu e do nada, caiu na areia, vendo a flecha em suas costas.
– Anya! — disse Scout.
Medic, Scout e Sniper correm até Anya e Sniper tira a flecha, a observando.
– É uma flecha envenenada na ponta — disse Sniper. Ele olha o tanque — Gray deve ter feito um dos robôs atirar em nossa direção para nos parar.
– Por favor, me diga que a arma médica pode acabar com o veneno! — disse Scout.
– Não sei, Scout — disse Medic — Nunca tratei de venenos.
Medic puxa a arma médica e começa a curar Anya.
– Ela pode sobreviver, mas como eu não sei como é o veneno e em quanto tempo ele se espalha pelo corpo, eu não posso fazer nada — disse Medic — Por enquanto, ela só pode ficar no raio da arma médica para ficar viva.
Scout se sentou ao lado de Anya. A garota estava respirando fracamente e pegou a mão de Scout.
– Bom... Eu queria ficar livre — disse Anya — Agora vou ficar mesmo. Pelo menos vou morrer antes do Gray me capturar.
– Mas, Anya... Eu não quero — disse Scout — Eu te amo... Não quero te perder mais uma vez.
Anya riu e tossiu.
– Eu já sabia disso — disse Anya. Todos riram — Mas eu ainda não consegui terminar meu assunto.
– E o sobre o que era? — perguntou Scout.
– O que eu sou, Scout? — perguntou Anya — Eu preciso descobrir o que eu sou.
Scout parou e pensou.
– Você conseguiu transformar um cara rude e arrogante em uma pessoa que se importa com os outros — disse Pauling — Você transformou Scout, Anya. Ele está bem diferente.
O mercenário riu.
– Pelo o que eu sei sobre robôs, eles matam pessoas — disse Sniper — Nunca vi um robô que mudou tanto uma pessoa, Anya.
Scout e Anya se olharam por um bom tempo. Sons de metal começaram a ser ouvidos.
– Ora, ora, ora.
Os mercenários se viraram e viram Gray com robôs Demoman, Heavy, Soldier e Medic.
– Parece que meu robô Sniper acertou em cheio — disse Gray.
– Você mandou ele atirar na Anya? — perguntou Engineer.
– Seu maldito! — disse Scout.
Scout tentou atacar Gray, mas os robôs Heavy começaram a girar as metralhadoras em sua direção e Miss Pauling o puxou para trás.
– Economize sua força, rapaz — disse Gray — Sim, fui eu que mandei atirar nela. Eu tenho o antídoto para o veneno e se quiser viver, você vai ter que vir comigo, querida.
– Não me importo de morrer agora — disse Anya — Eu já descobri tudo o que eu precisava sobre sua filha.
Gray suspirou fundo.
– Pois bem — disse Gray — Eu não quero que você morra agora, Anya, então faça um favor para seus amigos e os proteja, vindo comigo.
– Se você não queria que ela morresse agora, você não teria a acertado com uma flecha — disse Sniper.
– Silêncio — disse Gray — Venha Anya.
Anya olhou para Scout e começou a se levantar. O mercenário a ajudou a se levantar, enquanto um robô Medic começou a curar a garota e Medic guardou a arma médica. Gray colocou o braço de Anya em seu pescoço e foi levando a garota de volta ao tanque, junto com os robôs. Após um tempo, Scout percebeu o que havia acontecido e pega o colar com o diamante de seu pescoço, se virando novamente para o tanque.
Continua...
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